segunda-feira, 10 de setembro de 2012

HUMOR - CHARGE - Russomanno usa Igreja Universal como comitê



OBRA-PRIMA DO DIA - PINTURA 'Ateliê do Artista' - Semana José Malhoa



José Victal Branco Malhoa, nasceu numa família de agricultores, em Caldas da Rainha. Aos 12 anos, com seus pais a custo convencidos que o filho tinha um talento para as Artes que não podia ser desprezado, foi enviado para Lisboa a fim de se inscrever no curso de entalhador da Escola de Belas Artes.
Seu irmão mais velho, que o acolheu em Lisboa, aconselhado por um artista amigo inscreve o rapazola na Real Academia de Belas Artes, em outubro de 1867. Malhoa foi aluno dessa academia durante oito anos, sempre obtendo as melhores classificações, o que era essencial para gozar dos cursos ali oferecidos.
Ao terminar o curso tenta uma bolsa para estudar no estrangeiro, mas não é bem sucedido e vai trabalhar na loja de confecções de seu irmão, onde fica por três anos. Mas não larga as tintas e os pinceis e é nessa ocasião que pinta a tela “Seara Invadida” (1881) que, enviada para um Salão em Madrid, é muito bem acolhida. Isso o anima a largar o comércio e a se consagrar à sua arte.
Como muitos pintores, Malhoa custa a desbravar o bom caminho. Mas seu talento sobressai e começam as encomendas: o teto do Real Conservatório (“A Fama Coroando Euterpe”) e o do Superior Tribunal de Justiça (“A Lei”) são dois bons exemplos.
Em 1885 Malhoa se junta a um grupo de artistas que se reunia na Cervejaria Leão de Ouro, em Lisboa, em torno de Silva Porto, que regressara de Paris para lecionar na Escola de Belas Artes de Lisboa. Aos amigos e discípulos ele transmitia as decisões da Escola Barbizon e foi o responsável por várias exposições dos artistas que aderiram ao Naturalismo. É esse grupo que forma a vanguarda da arte portuguesa, segundo os cânones da Barbizon.
Eles gostavam de se rotular realistas porém, diante das condições de Portugal naquela época, um país longe da industrialização francesa ou inglesa, essencialmente agrícola, sua arte só poderia ser, como foi, naturalista. As telas de Malhoa naqueles dias, com temas do quotidiano, retratando os hábitos e costumes no campo ou na cidade, em cenas repletas de luz e humanismo, são um rico retrato de seu país.


Hoje apresentamos Ateliê do Artista, óleo sobre tela, de 93 × 127 cm, executado entre 1893 e 1894. A obra foi exposta no IV Salão do Grêmio Artístico de 1894, sob o títuloAntes da Sessão.
Faz parte do acervo do Museu de Arte de São Paulo (MASP).
Dizem que mudaram o nome do quadro para evitar o duplo sentido... Pode ser, mas também pode apenas ser uma observação maliciosa. De qualquer forma, fica o registro.

domingo, 9 de setembro de 2012

POLÍTICA ENDOIDECIDA



Francisco Marcos (1)
Causas mil estão transformando a campanha política em coisa de maluco. O caboclo baixaria está a dominar a cena, o pessoal de marketing político não consegue dominar o instinto selvagem de seus contratantes.
A campanha televisiva, radiofônica, internet e nas redes sociais veiculam cada vez mais calunias, esta mais a difamação são próprias daqueles que se alimentam do orgulho, inveja e olho gordo. Em resumo são mentes doentias, a serviço de candidaturas que não se sustentam no mundo verdade, pois a fraude e a empulhação somadas ao mau caratismo formam um triângulo deformante de nossa sociedade.
Enfrentamos um vestibular para 2014, as atitudes tomadas até agora pelos “caciques” nacionais e estaduais demonstram a extinção do municipalismo, temos municípios com candidatos que sequer tem noção da cultura local, fruto do “dedaço” de líderes. Oitenta por cento dos municípios brasileiros tem partidos com diretórios provisórios. O dedaço funciona até em pequenos municípios, deputados temem perderem seus currais eleitorais e colocarem em risco uma reeleição em 2014.
Eleitores possuem as redes sociais e podem se valer para denunciar mazelas, espero que não partam para a calúnia, para que os pulhas sintam que hoje possuímos ferramentas que apontam de imediato o caradurismo explícito com: texto, imagem e som. Estamos a caminho de nos livrarmos da pasteurização midiática e reafirmar que a comunicação é realmente livre bem como o arbítrio.
Ao longo do tempo e em nossos escritos temos reiterado que o simples é genial, e que a economia é a ciência da escassez, o administrador competente está na razão inversa da disponibilidade financeira.
“Isto é liberdade: sentir o que seu coração deseja, independência da opinião dos outros.”
(1) Cientista político

Execução de PM-RJ foi presente de aniversário a traficante


Posted: 09 Sep 2012 10:36 AM PDT
Anderson Dezan , iG Rio de Janeiro

A morte de um cadete da Polícia Militar cujo corpo foi encontrado neste sábado (8) no Rio de Janeiro teria sido oferecida como presente de aniversário a um traficante. De acordo com uma fonte da PM, o assassinato ocorreu em homenagem ao criminoso conhecido como Ratinho, que teria comemorado mais um ano de vida neste final de semana na Favela da Chatuba, no município de Mesquita, na Baixada Fluminense.

O corpo de Jorge Augusto de Souza Alves Júnior, de 34 anos, foi encontrado ontem pela manhã dentro do porta-malas de seu carro, um Fox preto, no bairro Vila Emil, em Mesquita. Segundo a fonte da PM, a identificação chegou a ser demorada porque o cadáver estava com o rosto deformado. No corpo, ainda havia sinais de violência sexual e marcas de espancamento e tiros.
Corpo do Cadete Alves foi encontrado no porta malas do próprio carro
Colegas de Jorge Augusto, conhecido como Alves, relatam que ele foi visto pela última vez na sexta-feira (7) à noite, saindo de um show de pagode em Mesquita, acompanhado de uma mulher. No dia seguinte pela manhã, quando foi encontrado morto, o policial estaria de serviço.

De acordo com a fonte da PM, investigações apontam que o crime teria ocorrido para presentear o traficante Ratinho. Ele integraria o bando de Luís Fernando Nascimento Ferreira, o Nando Bacalhau, gerente do tráfico de drogas no Morro do Chapadão , em Costa Barros, zona norte do Rio, e teria ido comemorar seu aniversário na Favela da Chatuba.

O caso foi registrado na 53ª DP (Mesquita) e repassado para a Divisão de Homicídios da Baixada. A mulher que acompanhava Alves no show de pagode está sendo procurada.

O cadete assassinado estava na Polícia Militar desde 2006 e era aluno da Escola de Formação de Oficiais da corporação. Sua formatura iria ocorrer em 1º de dezembro deste ano. Querido pelos colegas, ele integrava o time de basquete da escola. Alves era solteiro e não deixa filhos. Seu corpo vai ser enterrado às 15h deste domingo no cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap, zona oeste da capital fluminense.

Fora das UPPs, tráfico ainda controla o território

Mario Hugo Monken, iG Rio de Janeiro

Tensão entre a população, bailes funk patrocinados pelo tráfico, ruas fechadas com latões de concreto, disparos a esmo, guerra entre facções. Parecem cenas de um filme velho rodado no Rio de Janeiro, mas no entanto ainda fazem parte da rotina de boa parte da população do Grande Rio. Em tempos de UPP, as Unidades de Polícia Pacificadora, as boas notícias têm superado as más na questão da violência no Estado, mas a verdade é que a guerra ainda está londe de ser vencida.

Só no período entre 1º de janeiro e 27 de março, o Disque-Denúncia recebeu 1.370 informes de obstrução de vias públicas por traficantes de drogas na região metropolitana.

Na capital, o número total de denúncias chegou a 997 e reúne ao menos 18 bairros . As outras 373 se referem a outros cinco municípios (Niterói, Nova Iguaçu, Duque de Caxias, São João de Meriti e São Gonçalo). Muitos informes são mantidos em sigilo.

Sobre os telefonemas que recebe dos moradores, o Disque-Denúncia informa que repassa as informações para as polícias Civil e Militar.

“Todas merecem credibilidade. Repassamos as denúncias às polícias (CIvil ou Mlitar) e cobramos respostas. Precisamos dar um retorno ao denunciante”, diz nota do órgão.

Com os iminentes problemas em favelas não pacificadas, o governador Sérgio Cabral (PMDB) prometeu expandir a política das UPPs, inclusive para outros municípios. Segundo ele, isso é um caminho sem volta.

"Temos uma estratégia pela frente. Em Niterói, o secretário José Mariano Beltrame (Segurança Pública) tem se encontrado com as lideranças, explicando que temos uma estratégia a seguir. O mesmo vale para a Vila Kennedy, na zona Oeste, Madureira, na zona norte, e comunidades em São Gonçalo, além daquelas em municípios da Baixada Fluminense. Nossa estratégia está sendo seguida e paulatinamente chegaremos lá. As comunidades terão um resultado de pacificação, mas, enquanto isso, a nossa polícia está trabalhando para valer", afirmou Cabral na semana passada.

A PM tem feito quase que diariamente operações para combater o tráfico em favelas das zonas norte e oeste da capital e da Baixada Fluminense. Por muitas vezes, os policiais levam retroescavadeiras para retirar as barricadas construídas pelos bandidos. Em Santa Cruz, na zona oeste da capital, um PM ouvido pelo iG afirmou que diversas vezes a polícia retirou os obstáculos na favela do Rola mas os traficantes voltaram a colocá-las depois.

Com base nas informações disponibilizadas pelo Disque-Denúncia, o iG descreve os problemas que ocorrem nos bairros da capital e de cidades da região metropolitana fluminense.

214 denúncias
A população dos bairros de Barros Filho, Costa Barros, Anchieta e Guadalupe, na zona norte da capital, viveria sob as regras do traficante Luiz Fernando do Nascimento Ferreira, o Nando Bacalhau, que comanda a venda de drogas no morro do Chapadão, um dos mais violentos da cidade e que ainda não recebeu uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP).

Segundo denúncias de moradores, toda vez que há bailes funk na comunidade ou para dificultar o acesso da polícia, Bacalhau manda fechar ao menos nove ruas dos quatro bairros: Amarari, Javatá, José Bomtempo, Peripiranga, José Tavares de Souza, Caminho do Padre, Himalaia, Professor José Alberto e Nossa Senhora do Perpétuo Socorro.

Ligado ao Comando Vermelho (CV), Bacalhau ordena que seus homens obstruam as ruas com manilhas, blocos e latões de concreto, paletes de madeira, barras de ferro e sofás velhos.

Bandidos ligados a Bacalhau também costumam fazer disparos em direção ao vizinho morro da Pedreira, dominado por uma facção rival. Em um destes ataques, um adolescente de 15 anos que havia acabado de sair da escola, morreu atingido por uma bala perdida.

Tratores 
Em muitas outras favelas, principalmente naquelas sem UPPs, a realidade é semelhante ao Chapadão. Se nas comunidades pacificadas, a chamada “ditadura do tráfico” é bem menos intensa, nas localidades que ainda não foram ocupadas, os traficantes continuam ditando regras.

Em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, a ação dos criminosos é ainda mais ousada do que no Chapadão. De acordo com denúncias, os traficantes da favela do Sapo, que integra o Complexo da Mangueirinha, usariam tratores de obras públicas para cavar buracos e fechar a rua Camargo.

Na localidade de Parque Chuno, no mesmo município, informes indicam que aconteceria a mesma coisa e os operários ainda seriam ameaçados pelos bandidos.

Ainda em Caxias, os traficantes cavaram buracos em ruas de acesso à comunidade Vila Esperança, em Parada Angélica. E na favela Parque Paulista, bandidos vindos de Manguinhos, na zona norte, teriam interditado com barricadas a rua Manuel Bonfim.

Moradores revistados
Outro lugar tenso seria o bairro de Santa Cruz, na zona oeste da capital. Foram 72 denúncias em menos de três meses.

A área mais crítica seria a favela do Rola. Segundo denúncias, várias ruas da comunidade estão fechadas com concreto, sacos de cimento e pedras. Nestas vias obstruídas, os traficantes circulariam em motos roubadas. Na rua Oficina, os traficantes apontariam fuzis para os moradores. Na rua Estelinha, além das barreiras, os bandidos revistam as pessoas e exigiriam identificação.

No Conjunto Habitacional Cesarão, no mesmo bairro, os bandidos mandaram fechar com peças de concreto a rua dos Bancários.

Dividida por duas facções criminosas, o CV e o Terceiro Comando Puro (TCP) e com ameaça de novos confrontos, a Vila Kennedy, na zona oeste, também sofre com ações de traficantes.

Informes indicam que os traficantes do TCP costumam fechar a rua Congo à noite para impedir operações policiais e fariam ameaças aos moradores. Para vender drogas, os criminosos ainda teriam instalado barricadas na esquina da Travessa Barranquilha com a rua Forte Lamer.

Quebra-molas
A violência imposta pelo tráfico atravessou a ponte Rio-Niterói e chegou também ao município de São Gonçalo. O Disque-Denúncia recebeu 89 informes de bloqueios de ruas na cidade.

No Jardim Catarina, por exemplo, os bandidos teriam instalado quebra-molas na rua José Rosendo de Souza para atrapalhar a entrada de carros da polícia.

Segundo moradores, desde o ano passado, a rua Comandante Jaime Abreu, na localidade de Arsenal, está fechada com barreiras armadas pelo tráfico.

Problemas ocorreriam também no Complexo do Salgueiro, na localidade conhecida como Buraco Quente, onde foram instaladas barricadas. No bairro de Portão do Rosa, há notícias de que os bandidos quebraram as lâmpadas e fecharam a Rua Marquês de Herval, para vender droga

Proteção para as bocas de fumo
Vizinha ao morro do Chapadão, reduto do traficante Nando Bacalhau, a favela da Lagartixa, em Costa Barros, na zona norte, também sofre com a ação de traficantes. Informes indicam que quatro ruas de acesso à comunidade foram bloqueadas com barricadas.

Na favela do Jacarezinho, na zona norte, manilhas de concreto instaladas pelo tráfico bloqueariam a rua Inabu. Em Brás de Pina, também na zona norte, as ruas Alquindar e 50 teriam sido fechadas pelos criminosos para proteger as bocas de fumo.

Em Honório Gurgel, na zona norte, traficantes da comunidade Jurubeba instalaram barricadas em frente a um ponto de ônibus, na rua Nova. Já nas proximidades do morro da Serrinha, em Madureira, na mesma região, há notícias de que traficantes armados desligariam as luzes de algumas ruas, como a Lima Drummond, para fazer disparos contra a polícia ou bandidos rivais.

Além de Duque de Caxias, outros municípios da Baixada Fluminense também enfrentam problemas com os traficantes. Em Coelho da Rocha, na cidade de São João de Meriti, há informações de que os traficantes fecharam a rua Baiana só para proteger uma boca de fumo que funciona próxima de uma creche.

Na favela da Chatuba, em Mesquita, existem notícias de os traficantes mandarem cavar um valão para obstruir a rua Magno de Carvalho.
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Charge: Outra do Alpino


Charge do Sponholz



Na comemoração da Independência, lembra-se a República.



Carlos Chagas
Sexta-feira comemorou-se a Independência, perguntando o leitor porque abordar a República. Responderemos no final, valendo começar pelo começo.

O saudoso e incomparável Hélio Silva, dos maiores historiadores brasileiros, titulou um de seus múltiplos livros de “A República não viu o amanhecer”. Contou em detalhes, fruto de muita pesquisa, que a República foi proclamada por acaso. As lições daquele episódio não devem ser esquecidas. Vale lembrá-las com outras palavras e um pouquinho de adendos que a gente colhe com o passar do tempo, junto a outros historiadores e, em especial, pela leitura dos jornais da época.
Desde junho que o primeiro-ministro do Império era o Visconde de Ouro Preto. Vetusto, turrão, exprimia os estertores do chamado “poder civil” da época, muito mais poder do que civil, porque concentrado nas mãos da nobreza e dos barões do café, com limitadíssimas relações com o cidadão comum.
O Brasil havia saído da Guerra do Paraguai com cicatrizes profundas, a começar pela dívida com a Inglaterra, mas com novos personagens no palco. O principal era o Exército, composto em maioria por cidadãos da classe média, com ênfase para os menos favorecidos. Escravos aos montes também haviam sido libertados para lutar nos pântanos e charcos paraguaios. Nobres lutaram, como Caxias e Osório, mas a maioria era composta daquilo que se formava como o brasileiro médio.
Ouro Preto, como a maior parte da nobreza, ressentia-se daqueles patrícios fardados que começavam a opinar e a participar da vida política. Haviam sido peça fundamental na abolição da escravatura, em 1888. Assim, com o Imperador já pouco interessado no futuro, o governo imperial tratou de limitar os militares. Foram proibidos de manifestações políticas, humilhados e punidos, como Sena Madureira e tantos outros.
Havia, nos quartéis e em certos círculos políticos, um anseio por mudanças. Até o Partido Republicano tinha sido criado no Rio e depois em São Paulo, mas seus integrantes estavam unidos por um denominador comum: República, só depois que o “velho” morresse, pois era queridíssimo pela população. E quem passaria a mandar no Brasil seria um estrangeiro, o Conde d’Eu, francês, marido da sucessora, a princesa Isabel.
Cogitava, aquele poder civil elitista, de dissolver o Exército, restabelecendo o primado da Guarda Nacional, onde os coronéis e altos oficiais careciam de formação militar. Eram fazendeiros, em maioria. Os boatos ganhavam a rua do Ouvidor, no Rio, onde localizavam-se as redações de jornal.
Na tarde de 14 de novembro movimentam-se um regimento e dois batalhões sediados em São Cristóvão. Com canhões e alguma metralha, ocupam o Campo de Santana, defronte ao prédio onde se localizava o ministério da Guerra, na região da hoje Central do Brasil. Declararam-se rebelados e exigiam a substituição do primeiro-ministro, que lá se encontrava com seus companheiros.
Comandados por majores, estava criado o impasse: não tinham como invadir o prédio, por falta de um chefe de prestígio, mas não podiam ser expulsos, já que as tropas imperiais postadas nos fundos do ministério não se dispunham a atacá-los. O Secretário-Geral do ministério da Guerra era o marechal Floriano Peixoto, que quando exortado por Ouro Preto a investir à baioneta contra os revoltosos, pois no Paraguai haviam praticado feitos muito mais heróicos, saiu-se com frase que ficou para a História: “Mas no Paraguai, senhor primeiro-ministro, lutávamos contra paraguaios…”
Madrugada do dia 15 e os majores, acampados com a tropa revoltada, lembram-se de que ali perto, numa casinha modesta, morava o marechal Deodoro da Fonseca, há meses perseguido pelo governo imperial, sem comissão e doente. Dias atrás o próprio Deodoro recebera um grupo de republicanos, com Benjamim Constant, Aristides Lobo e outros, aos quais repetira que não contassem com ele para derrubar o Imperador, seu amigo.
Acordado, Deodoro ouve que dali a poucas horas Ouro Preto assinaria decreto dissolvendo o Exército. Não era verdade, mas irrita-se, veste a farda e dispõe-se a liderar a tropa. Não consegue montar a cavalo, tão fraco estava. Entra numa carruagem e acaba no pátio fronteiriço ao ministério da Guerra. Lá, monta um cavalo baio e invade o prédio, com os soldados ao lado, todos gritando “Viva Deodoro! Viva Deodoro!” Saudando-os com o agitar o boné na mão direita, grita “Viva o Imperador! Viva o Imperador!”
Apeia e sobe as escadarias, para considerar Ouro Preto deposto. Repete diversas vezes : “Nós que nos sacrificamos nos pântanos do Paraguai rejeitamos a dissolução do Exército.” Estava com febre de 40 graus. O Visconde, corajoso e cruel, retruca que “maior sacrifício estava fazendo ele ouvindo as baboseiras de Vossa Excelência!” Foi o limite para Deodoro dizer que estava todo mundo preso.
O marechal já ia voltando, o sol ainda não tinha nascido e os republicanos, a seu lado, insistem para que aproveite a oportunidade e determine o fim do Império. Ele reluta. Benjamin Constant lembra que se a República fosse proclamada naquela hora, seria governada por um ditador. E o ditador seria ele, Deodoro. Conta a lenda que os olhos do velho militar se arregalaram, a febre passou e ele desceu ao andar térreo, onde montou outra vez o cavalo baio. A tropa recrudesceu com o “Viva Deodoro! Viva Deodoro!” e ele agradeceu com os gritos de “Viva a República! Viva a República!”
Não havia populares nas proximidades, muito menos operários. Aristides Lobo escreverá depois em suas memórias que “o povo assistiu bestificado a proclamação da República.”
Preso no Paço da Quinta da Boa Vista, com a família, o Imperador teve 48 horas para deixar o Brasil. Deodoro quis votar uma dotação orçamentária para que subsistissem no exílio. D. Pedro II recusou, levando apenas pertences pessoais. A República estava proclamada.
Conta-se o episódio logo depois das comemorações da Independência, por que? Porque uma foi o reflexo da outra…