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sexta-feira, 30 de outubro de 2015
A vingança dos improdutivos - BY Rodrigo Constantino

Quando eu era moleque – e agora vou entregar minha idade – um filme fez muito sucesso, chamado “A vingança dos nerds”. Era meio besteirol, mas retratava a reação tardia daqueles que sofriam bullying na juventude por serem mais esquisitos, com elevado QI, mas baixo porte atlético. Eles colocaram a inteligência a cargo da coragem e conseguiram dar uma lição dos brutamontes descerebrados.
De fato, alguns anos depois, vimos a verdadeira “vingança dos nerds” no Vale do Silício, com o setor mais dinâmico da tecnologia produzindo bilionários e milionários aos montes. O fundador do Facebook é um caso clássico, como Bill Gates, da Microsoft. Os nerds realmente provaram seu valor, produzindo bens e serviços amplamente demandados pelos consumidores.
Mas há uma categoria que ficou para trás e, com profundo rancor, também tenta se vingar dos melhores, dos que se destacam pelo próprio mérito. Ao contrário dos nerds, porém, não fazem isso criando nada de valor, e sim ocupando cargos no poder para infernizar a vida dos seres produtivos. Estamos diante de uma “vingança dos improdutivos”, encastelados na burocracia que só cria dificuldades legais para vender facilidades ilegais depois ou para punir mesmo os criadores de riqueza.
Esse foi o tema da coluna de Luiz Felipe Pondé na Folha hoje, citando inclusive Ayn Rand, a filósofa russa ignorada na Academia por ser radical demais na defesa do liberalismo, doutrina inaceitável nos meios universitários. Esses improdutivos tomam a imensa máquina estatal e dela abusam para dificultar ao máximo possível a vida daqueles que querem produzir. Diz Pondé:
No Brasil, abrir uma pequena empresa é um inferno de impostos e siglas, que, por sua vez, se constituem num mercado tecnocrático em si, fazendo do infeliz empreendedor um desgraçado a mercê da última invenção de algum burocrata de Brasília. E todos os neolíticos que apostam na máquina do Estado para fazer “justiça social” batem palmas para essa metafísica do Sudão.
Este tipo de cultura atrasada faz com que aqueles que nada produzem mandem no processo, obrigando você a produzir nada (servindo as exigências burocráticas deles) ou a produzir irrelevâncias que, por si só, servem aos esquemas burocráticos.
Num universo como este (um novo círculo do inferno de Dante), o dinheiro se torna refém de quem nada produz, mas detém os mecanismos de tortura sobre suas vítimas, os produtivos, que os carregam nas costas. Servir a essa máquina se torna a garantia de permanecer existindo dentro dessa cadeia, supostamente produtiva, mas onerada pela metafísica do Sudão que a alimenta.
A corrupção é sintoma claro desse poder todo concentrado nas mãos dos burocratas. Quando o estado estende seus tentáculos a cada canto da economia, claro que todos se tornam seus reféns, e os burocratas, com suas canetadas poderosas, podendo aplicar seletivamente leis absurdas e arbitrárias, conseguem explorar isso como parasitas que vivem acoplados aos hospedeiros.
“Quando produtivos dependem de improdutivos para produzir, estamos numa fria”, resume Pondé com base em Ayn Rand. Todo esse aparato burocrático criado no país serve aos que vivem de “produzir” amarras aos produtivos, dificultando a vida de todos, limitando o avanço econômico, atrasando o progresso. Por trás disso está o oportunismo dos parasitas, claro, mas também seu rancor, seu recalque com aqueles que, de fato, são melhores, mais eficientes, mais ousados.
Pondé também compreende o fenômeno do ponto de vista psicológico, ao concluir: “Imagino um desses improdutivos, com os olhinhos brilhando, acordando de manhã e se perguntando: como posso tornar a vida dos produtivos mais miserável hoje?” Se a “vingança dos nerds” serviu para a produção de várias coisas úteis e desejadas, a “vingança dos improdutivos” não serve para absolutamente nada que preste. É só recalque mesmo, puxando todos para baixo como uma reação vingativa de quem não consegue se erguer por conta própria.
Rodrigo Constantino
SOBRE O AUTOR
Rodrigo Constantino
Presidente do Conselho do Instituto Liberal e membro-fundador do Instituto Millenium (IMIL). Rodrigo Constantino atua no setor financeiro desde 1997. Formado em Economia pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-RJ), com MBA de Finanças pelo IBMEC. Constantino foi colunista da Veja e é colunista de importantes meios de comunicação brasileiros como os jornais “Valor Econômico” e “O Globo”. Conquistou o Prêmio Libertas no XXII Fórum da Liberdade, realizado em 2009. Tem vários livros publicados, entre eles: "Privatize Já!" e "Esquerda Caviar".
SIM, O CLIENTE OBSERVA TUDO
Sim, o cliente está observando tudo. O cliente vai num restaurante e repara nas paredes mal pintadas, nas marcas de bolor, na sujeira da mesa, no banheiro sem condições adequadas de uso, a falta de higiene, cozinheiros sem luvas e touca e tudo mais.
O cliente também repara quando o dono da empresa fala palavrão, atende com mau humor, fala mal dos clientes que acabaram de sair da empresa, dizendo que fulano é chato, ciclano só quer desconto e criando um clima desconcertante. O cliente fica pensando o que o dono da empresa falará dele na hora em que for embora. E ninguém se sente a vontade em um ambiente onde a arrogância e a falta de educação estão presentes.
Nós, na posição de cliente, também reparamos em tudo isso e mais um pouco.
Outro caso, são funcionários com intrigas entre si e que deixam à mostra para os clientes, isso também passa uma imagem negativa. O dono, líder ou gerente deve saber o que fazer para que este tipo de situação não aconteça, pelo menos na frente dos clientes.
A fachada da empresa é o retrato de como ela é. É preciso que sua empresa esteja adequada aos padrões do seu ramo de atividade, seja na bem pintura feita, fachada bem elaborada, etc. E dentro da empresa, tudo deve oferecer conforto e um ambiente agradável onde o cliente se sinta bem.
Se o ambiente e a fachada da sua empresa não atendem aos padrões mínimos mencionados anteriormente, mude imediatamente. Faça uma reforma, arrume o que não anda bem, observe se existem intrigas entre seus colaboradores e não deixe que isso transpareça a seus clientes e observe quaisquer outros quesitos que precisem ser mudados para que a empresa não seja afetada negativamente. Vale a reflexão!
Fique atento: seus clientes percebem e enxergam tudo.
Grande abraço e sucesso.
Rafael Ivanhes
quinta-feira, 29 de outubro de 2015
A DITADURA DOS BUROCRATAS E DOS ALOPRADOS - RUBENS MENIN
Eles são muitos, se espalham como um polvo malévolo por todas as partes e dominam a maioria das posições de influência ou decisão nas principais instituições nacionais, incluindo algumas grandes entidades de classe de natureza empresarial. No entanto, apesar de muitos, todos eles juntos não passam de uma pequena minoria diante do tamanho da sociedade brasileira que os sustenta. Assim, a ação nefasta dos burocratas e dos aloprados nada mais é do que a ditadura de uma minoria que submete e asfixia a imensa maioria dos brasileiros com decisões absurdas, obrigações estapafúrdias, regramentos irracionais, preferências tecnológicas duvidosas e escolhas filosóficas antiquadas. Isso ocorre, apesar da desproporção numérica apontada, por conta dos mecanismos de delegação de competência que foram sendo progressivamente adotados, seja no âmbito legal, seja na regulamentação administrativa, e que acabaram fazendo com que essas categorias de semideuses amealhassem um incrível poder de interferência na economia, na administração e na vida diária das pessoas comuns.
Menciono e nomeio duas categorias porque o sistema resulta da simbiose dos burocratas, formados no âmbito interno das estruturas administrativas – que incluem aqueles que usualmente são designados como “corpo técnico”, e dos aloprados, dispersos no meio político, encastelados em cargos chave ou agrupados em ONGs que dependem do Estado – que incluem tanto o conjunto que costuma ser identificado como “formadores de opinião errada”, como os “populistas”, nostálgicos de ideologias superadas.
Já apontei, explicitamente, alguns efeitos desastrosos da ação desse sistema no setor imobiliário, que conheço mais de perto. Lembro-me de ter abordado diversas vezes os custos elevadíssimos e a perda de produtividade gerados pela burocracia infernal na aprovação de projetos e no licenciamento de empreendimentos, sem qualquer vantagem para a sociedade. Mencionei, também, em texto específico, a questão das novas tomadas de energia (plugues) que se tornaram obrigatórias no Brasil com a ação combinada do CONMETRO – Conselho Nacional de Metrologia, Normatização e Qualidade Industrial (Resolução N° 08), com a ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas (Norma NBR 14136) e atos subseqüentes. O fato é que ficaram proibidas no Brasil, a partir de 01/01/2010, a fabricação e a importação de aparelhos elétricos ou eletrônicos que não tivessem rigorosamente de acordo com o novo padrão (particularíssimo e que não encontra similar em todo o mundo). Os mesmos atos proibiram, também e expressamente, a comercialização do padrão antigo em todo o território nacional a partir 01/07/2011.
Mais uma vez, os tecnoburocratas agiram com o seu viés habitual, já que para eles, todas as coisas devem ser classificadas, unicamente, como “proibidas” ou como “obrigatórias”. Não existe meio termo. Na ocasião, para ilustrar o absurdo da situação, observei que os proprietários de todas as unidades habitacionais construídas pela MRV Engenharia no padrão antigo teriam uma despesa total para a conversão obrigatória, da ordem do custo integral de construção de 250 unidades habitacionais novas! O mais importante é que tratava-se da reedição de um mau passo, se consideradas todas as conseqüências perniciosas de decisões anteriores, que abrangeram desde o especialíssimo padrão PAL-M adotado no nosso sistema de TV em cores até o famigerado formato Telebrás criado para as conexões telefônicas que adotou uma base enorme, de 4 x 4 cm, com quatro pinos chatos de grande tamanho.
Nesses exemplos, eu não precisaria ater-me às coisas diretamente ligadas ao mercado imobiliário. Outras situações absurdas do mesmo tipo afetam diretamente a economia das pessoas comuns. Quem já se conformou com a trapalhada produzida recentemente pelo CONTRAN – Conselho Nacional de Trânsito, que, em incompreensível sucessão, decidiu pela obrigatoriedade de um tipo novo de extintor de incêndio para veículos (ABC) e, logo em seguida, aboliu o uso desse equipamento e de qualquer outro, por dispensável e contraproducente?
Esses não são exemplos esparsos e raros. Se examinarmos as decisões que reservam terras e terrenos para a ocupação por parte de uma fração desproporcionalmente pequena da nossa sociedade (terras indígenas ou invasões urbanas, por exemplo) ou aos impedimentos e obstáculos impostos indevidamente a um grande conjunto de atividades produtivas, fica muito mais fácil entender a nossa perda progressiva de produtividade interna e a nossa dificuldade crescente de competição no mercado globalizado. Precisamos modificar isso, enquanto ainda é possível.
Rubens Menin é presidente do Conselho de Administração da MRV Engenharia e da Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias)
EXTRA EXTRA –FOLHA INFORMAQUE MINISTROCOMUNISTA VAIEXONERARGENERALMOURÃO DOCOMANDOMILITAR DO SUL - by LEUDO COSTA

O mais importante e corajoso Comandante Militar do Brasil, General de Exército Antônio Hamilton Martins Mourão que atualmente comanda a tropa na mais importante área do exército brasileiro – Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul – será exonerado nas próximas pelo Ministro Comunista da defesa Aldo Rebelo. Se existissem mais meia dúzia de MOURÕES nas FFAA isso não “vingava”. Mas como a REGRA é a mesma da Bolívia, Colômbia, Venezuela e Coréia do Norte, nós brasileiro somos obrigados a assistir essa triste realidade…
Eis o que publica a folha, matéria que é assinada pelos jornalista VALDO CRUZ e IGOR GIELOW.
O Ministério da Defesa irá exonerar do Comando Militar do Sul o general Antônio Mourão. O motivo: as críticas que fez ao governo Dilma Rousseff e pelo fato de que uma homenagem póstuma a um chefe da repressão na ditadura ocorreu em um quartel sob sua jurisdição.
Mourão é um dos mais respeitados comandantes militares do Exército, e deverá ser transferido para um cargo burocrático em Brasília. A Folha não conseguiu contato com ele.
No dia 17 de setembro, Mourão havia dito em uma palestra em Porto Alegre que “a maioria dos políticos de hoje parecem privados de atributos intelectuais próprios e de ideologias, enquanto dominam a técnica de apresentar grandes ilusões”.
Além disso, ao comentar a possibilidade de impeachment de Dilma, ele afirmou que “a mera substituição da PR [presidente da República] não trará mudança significativa no ‘status quo'” e que “a vantagem da mudança seria o descarte da incompetência, má gestão e corrupção”.
O caso foi revelado pelo jornal “Zero Hora”, e detalhado pela Folha há dez dias.
Para piorar a situação de Mourão, que não comentou as afirmações, um general sob seu comando promoveu uma homenagem póstuma ao coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra na segunda (26).
Morto no dia 15 deste mês, Ustra foi chefe do DOI-Codi, um dos principais centros de tortura e repressão aos adversários do regime militar (1964-85).
Ustra era de Santa Maria (RS), onde ocorreu a homenagem no quartel da 3ª Divisão do Exército. O convite para o evento, datado do dia 23, foi assinado pelo comandante da unidade, general José Carlos Cardoso.
Segundo a Folha apurou, o ministro Aldo Rebelo (Defesa) já avisou a presidente de sua intenção. Para o ministro, Mourão perdeu a condição de comando com a sequência de fatos. A exoneração será um teste político para Aldo, que é do PC do B, partido que notabilizou-se durante a ditadura por promover uma guerrilha contra o governo militar.
NO 75º ANIVERSÁRIO DE PELÉ, MILHÕES DE SÚDITOS FESTEJAM A IMORTALIDADE DO REI , by Augusto Nunes
29/10/2015
Augusto Nunes
Pode ser que em outros países haja alguma lógica por trás de toda loucura. Não é o caso do Brasil. É uma loucura sem vestígios de lógica, por exemplo, o tratamento áspero dispensado por tantos nativos do País do Futebol ao maior jogador de todos os tempos. Nunca se viu nem se verá algo parecido, provou definitivamente o admirável documentário Pelé Eterno, de Aníbal Massaini, lançado em 2004. Meu irmão Ricardo Setti sugeriu que a CBF presenteasse todos os argentinos com cópias do filme. Vale a pena anexar à lista de agraciados todos os brasileiros com mais de 5 anos de idade.
Lastimavelmente, boa parte do país insiste em confundir Edson Arantes do Nascimento, um ser humano com defeitos de fabricação como qualquer outro, com Pelé, a misteriosa entidade que encarnou num mineiro de Três Corações para mostrar ao mundo o que é a perfeição no futebol. Os argentinos não misturam as jogadas magníficas de Maradona com os incontáveis pecados de Diego. Incapazes de enxergar a diferença entre um o homem e o deus dos estádios, muitos brasileiros dão mais importância a meia dúzia de gols contra atribuídos a Edson Arantes de Nascimento que os mais de 1.200 gols de Pelé.
Em qualquer país, as filas de espectadores ansiosos pelas imagens de Pelé Eterno se teriam estendido por centenas de quilômetros, provocariam assombrosos engarrafamentos humanos ─ e ai de quem traísse algum indício de contrariedade, porque o mais diminuto sinal de insatisfação configuraria uma afronta intolerável aos milhões de súditos mobilizados para a reverência coletiva ao monarca. Mas o Brasil não é um país qualquer. Vi o filme cinco vezes. Em todas sobravam lugares nas salas.
Se o protagonista fosse Messi, por exemplo, os cinemas da Argentina estariam com lotação esgotada até 2050, e os futuros avós estariam disputando a socos e pontapés um ingresso para o neto que nem nasceu. O país em que Lula virou campeão de popularidade prometendo o impossível tratou com indiferença o filme que mostra um gênio fazendo o impossível.
Pelé foi acusado de demagogo por ter pedido mais atenção para as crianças na noite do milésimo gol. Lula, um gigolô de adultos infantilizados pela idiotia, faz mil comícios por mês explorando impunemente a ignorância de gente para quem a vida consiste em não morrer de fome. O craque que alcançou a perfeição absoluta nos gramados é cobrado por supostos deslizes ocorridos longe dos estádios. O gênio de araque reincide acintosamente em crimes graves e é tratado como inimputável.
Pelé Eterno mostra quase 400 gols e dezenas de jogadas inverossímeis do Rei sem herdeiros. Conjugadas, as imagens confirmam que o Atleta do Século tinha mesmo equilíbrio de ginasta, rapidez de velocista, força de decatleta, resistência de maratonista, coragem de brigador de rua. Com pouco mais de 1,70m, chegava a altitudes inatingíveis para os pobres gigantes que tentavam impedir a cabeçada letal. Destro de nascença, aprendeu a usar a perna esquerda com igual eficácia.
Quem vira a lenda em ação constatou que o que pareceu sempre um sonho havia acontecido de verdade. Quem nasceu depois da Era Pelé foi obrigado a acreditar que existiu mesmo alguém com o arranque de Garrincha e a ginga de Muhammad Ali, capaz de levitar e mover-se no espaço como Nureyev, flutuar sobre os adversários como Michael Jordan, dissimular os movimentos seguintes como um Marlon Brando e manter todo o tempo o gramado inteiro sob a estreita vigilância de quem alcança, com olhar de fera, o milagre dos 360 graus.
Que Maradona, que nada. Como comparar qualquer outro ao craque que ganhou a primeira Copa do Mundo aos 17 anos ─ e nos 17 seguintes seria titular absoluto da Seleção Brasileira? E faria 1.281 gols, e provaria com os que por muito pouco não fez que no futebol pode haver a imperfeição mais que perfeita? Que apressaria o imediato cessar-fogo entre exércitos que preferiam perder a guerra civil a perder uma apresentação do Rei, e que adiavam o ataque inadiável para vê-lo atacando, solitário e invencível, a grande área inimiga?
Em homenagem ao mágico incomparável, o documentário deveria ser reapresentado em todas as cidades, todos os lugarejos. E todo brasileiro deveria ser obrigado por lei a arquivar momentaneamente inquietações de todos os gêneros para viver duas horas de deslumbramento na sala escura.
Eles ainda não sabem que ver Pelé é ser feliz.
*Augusto Nunes é jornalista e colunista da Veja.com. Dirigiu as revistas Veja, Época e Forbes e os jornais O Estado de São Paulo, Jornal do Brasil e Zero Hora. Já ganhou quatro vezes o Prêmio Esso de Jornalismo. Internet:veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes.
Dinheiro compra felicidade? - by Frederico Di Giacomo Rocha
Frederico Di Giacomo Rocha
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Glück é o projeto onde pesquiso e debato e felicidade e as formas para ter uma vida pessoal e profissional mais plena. O texto abaixo foi postado originalmente no nosso site, que eu recomendo para os interessados no tema.
“Faça um bom concurso público. Se não fosse meu concurso, eu não tinha ajudado toda nossa família”. O mantra para felicidade do meu avô paterno era repetido entre almoços, cafés e festas de família. Ele – que migrara da Bahia para São Paulo de carona num avião do exército – sempre reforçava a importância do dinheiro e da segurança. Era preciso ganhar dinheiro para garantir a vida – e a vida só era dura para quem era mole.
Meus pais já rezavam outra cartilha, a do ideal e do sonho. De trabalhar com o que se ama, mesmo que esse fosse um amor ingrato e que não trouxesse dinheiro. Mas qual dos dois estaria certo? Vale mais sonhar de barriga vazia ou ganhar o dinheiro que poderá comprar nossos sonhos? Para investigar a relação entre dinheiro e felicidade, mergulhei em pesquisas, palestras e livros de filosofia. Ao que tudo indica, grana parece “comprar” um pouco de felicidade, sim, mas só num primeiro nível. Explico:
Dinheiro não é tudo, mas é 100%?Contrariando a sabedoria popular, dinheiro pode não comprar felicidade, mas ajuda. É o que diz uma pesquisa da Universidade de Princeton que constata quequem ganha 75 mil dólares por ano, nos Estados Unidos, é mais feliz do que quem ganha 5 mil dólares por ano. Só que essa proporção não segue infinita. Se você ganha 5 milhões de dólares/ano não será mais feliz do que quem ganha os $ 75 mil. Por quê? Porque o dinheiro traz felicidade enquanto garante saúde, educação, moradia e aposentadoria decentes. Claro, o custo de vida nos EUA é diferente do Brasil, mas o resumo da história é que dinheiro parece fazer diferença até você atingir uma vida confortável e segura. Fora isso, tanto faz quanto você ganha. Por essa razão, é injustiça dizer para um miserável que dinheiro não importa, mas é tolice passar sua existência sendo escravo de uma rotina árdua para ficar cada vez mais rico. O caminho do meio (como já ensinaram Aristóteles, Buda e um punhado de outros antes) parece ser sempre o mais satisfatório.
Ilustrações: Aline Jorge
É possível comprar felicidade?
Segundo o cientista social Michael Norton é possível comprar felicidade, quando você usa seu dinheiro para ajudar os outros. A quantidade de dinheiro gasto não fez muita diferença, mas quando você compra algo para alguém ou quando ajuda o próximo, você fica mais feliz. Ainda segundo as pesquisas de Norton, a vida de quem ganha na loteria costuma piorar. Bizarro, né? Dê uma assistida na palestra do Michael Norton para mais detalhes.
Se dinheiro só ajuda até certo ponto, como posso ser mais feliz?
O psicólogo húngaro Mihaly Csikszentmihalyi também trabalha com dados que mostram que o dinheiro proporciona felicidade quando garante uma vida digna, mas que – a partir de um determinado ponto – não faz diferença para uma existência mais feliz. Os números analisados por Mihaly mostram a quantidade de americanos que se dizem “muito felizes” ao longo dos anos. Essa quantidade segue estática em 30% ao longo dos tempos – mesmo com o crescimento da renda média. Segundo o psicólogo, o que dá sentido à vida e deixa as pessoas mais felizes são atividades que levam a um estado de flow (fluxo).
“Estado de flow?!”, você pergunta. Calma, a gente explica.
Enquanto as grandes civilizações sempre construíram espaços (igrejas, templos, arenas, circos, estádios, etc.) onde seus cidadãos pudessem vivenciar momentos especiais de êxtase que os tirassem da mesmice vida cotidiana, algumas pessoas conseguem encontrar essa satisfação – esse ápice de prazer – em atividades relativamente simples como praticar esportes, compôr uma música, meditar ou escrever um poema. São pessoas que não precisam ir a uma arena especial em busca do êxtase. Elas têm sua própria arena mental. E, quando se embrenham nessas atividades, ficam tão concentradas que todo resto deixa de existir. Para Milhaly, essas atividades podem ser de naturezas diferentes e apenas o indivíduo poderá descobrir qual é o seu caminho, através do autoconhecimento. (Muitos CEOs dizem atingir o flow no trabalho – o que nos faz pensar que dinheiro pode não produzir felicidade, mas tem gente que é mais feliz produzindo dinheiro, he, he, he.) Segundo Milhaly, nosso cérebro só consegue lidar com um limitado número de “bits” de informação por segundo. Quando você está no estado de flow, seu cérebro está concentrado apenas naquela atividade e todo o resto se apaga. Esse estado costuma ser atingido quando você é desafiado para algo que realmente gosta de fazer e no qual é bom. O desafio não pode ser fácil a ponto de te endediar ou impossível a ponto de te irritar. Talvez isso explique porque gostamos tanto da metáfora que diz que “a vida é um jogo”. Como em uma videogame bem calibrado, nos divertimos vivendo com a dose certa de desafio e recompensa. E cada fase que “vencemos” nos leva atrás de desafios mais árduos.
Quem está no flow costuma sentir-se completamente envolvido no que está fazendo, com uma claridade interna e uma sensação de êxtase. Em seu livro “A descoberta do fluxo”, Milhaly ainda diz que, se formos meramente passivos, nossas chances de alcançar a felicidade são baixas. A felicidade não seria o estado padrão do ser humano, mas algo a ser buscado. Para ele, a satisfação humana está no processo de trazer ordem e controle para nossas vidas. Quem toca um instrumento, pratica um esporte ou até (por que não?) faz tricô, entende do que ele está falando, né?
Meu avô estava certo; é difícil pensar em felicidade de barriga vazia. Meus pais estavam certos, fazer o que se gosta (seja uma atividade física, seja um trabalho ou um hobby) é uma das ferramentas mais potentes para se produzir êxtase. Ou, como me ensinou em uma entrevista o cantor Wander Wildner, “a vida é muito simples, é só achar algo legal para fazer”.
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Glück é o projeto onde pesquiso e debato e felicidade e as formas para ter uma vida pessoal e profissional mais plena. O texto abaixo foi postado originalmente no nosso site, que eu recomendo para os interessados no tema.
“Faça um bom concurso público. Se não fosse meu concurso, eu não tinha ajudado toda nossa família”. O mantra para felicidade do meu avô paterno era repetido entre almoços, cafés e festas de família. Ele – que migrara da Bahia para São Paulo de carona num avião do exército – sempre reforçava a importância do dinheiro e da segurança. Era preciso ganhar dinheiro para garantir a vida – e a vida só era dura para quem era mole.
Meus pais já rezavam outra cartilha, a do ideal e do sonho. De trabalhar com o que se ama, mesmo que esse fosse um amor ingrato e que não trouxesse dinheiro. Mas qual dos dois estaria certo? Vale mais sonhar de barriga vazia ou ganhar o dinheiro que poderá comprar nossos sonhos? Para investigar a relação entre dinheiro e felicidade, mergulhei em pesquisas, palestras e livros de filosofia. Ao que tudo indica, grana parece “comprar” um pouco de felicidade, sim, mas só num primeiro nível. Explico:
Dinheiro não é tudo, mas é 100%?Contrariando a sabedoria popular, dinheiro pode não comprar felicidade, mas ajuda. É o que diz uma pesquisa da Universidade de Princeton que constata quequem ganha 75 mil dólares por ano, nos Estados Unidos, é mais feliz do que quem ganha 5 mil dólares por ano. Só que essa proporção não segue infinita. Se você ganha 5 milhões de dólares/ano não será mais feliz do que quem ganha os $ 75 mil. Por quê? Porque o dinheiro traz felicidade enquanto garante saúde, educação, moradia e aposentadoria decentes. Claro, o custo de vida nos EUA é diferente do Brasil, mas o resumo da história é que dinheiro parece fazer diferença até você atingir uma vida confortável e segura. Fora isso, tanto faz quanto você ganha. Por essa razão, é injustiça dizer para um miserável que dinheiro não importa, mas é tolice passar sua existência sendo escravo de uma rotina árdua para ficar cada vez mais rico. O caminho do meio (como já ensinaram Aristóteles, Buda e um punhado de outros antes) parece ser sempre o mais satisfatório.


Ilustrações: Aline Jorge
É possível comprar felicidade?
Segundo o cientista social Michael Norton é possível comprar felicidade, quando você usa seu dinheiro para ajudar os outros. A quantidade de dinheiro gasto não fez muita diferença, mas quando você compra algo para alguém ou quando ajuda o próximo, você fica mais feliz. Ainda segundo as pesquisas de Norton, a vida de quem ganha na loteria costuma piorar. Bizarro, né? Dê uma assistida na palestra do Michael Norton para mais detalhes.
Segundo o cientista social Michael Norton é possível comprar felicidade, quando você usa seu dinheiro para ajudar os outros. A quantidade de dinheiro gasto não fez muita diferença, mas quando você compra algo para alguém ou quando ajuda o próximo, você fica mais feliz. Ainda segundo as pesquisas de Norton, a vida de quem ganha na loteria costuma piorar. Bizarro, né? Dê uma assistida na palestra do Michael Norton para mais detalhes.
Se dinheiro só ajuda até certo ponto, como posso ser mais feliz?
O psicólogo húngaro Mihaly Csikszentmihalyi também trabalha com dados que mostram que o dinheiro proporciona felicidade quando garante uma vida digna, mas que – a partir de um determinado ponto – não faz diferença para uma existência mais feliz. Os números analisados por Mihaly mostram a quantidade de americanos que se dizem “muito felizes” ao longo dos anos. Essa quantidade segue estática em 30% ao longo dos tempos – mesmo com o crescimento da renda média. Segundo o psicólogo, o que dá sentido à vida e deixa as pessoas mais felizes são atividades que levam a um estado de flow (fluxo).
O psicólogo húngaro Mihaly Csikszentmihalyi também trabalha com dados que mostram que o dinheiro proporciona felicidade quando garante uma vida digna, mas que – a partir de um determinado ponto – não faz diferença para uma existência mais feliz. Os números analisados por Mihaly mostram a quantidade de americanos que se dizem “muito felizes” ao longo dos anos. Essa quantidade segue estática em 30% ao longo dos tempos – mesmo com o crescimento da renda média. Segundo o psicólogo, o que dá sentido à vida e deixa as pessoas mais felizes são atividades que levam a um estado de flow (fluxo).
“Estado de flow?!”, você pergunta. Calma, a gente explica.
Enquanto as grandes civilizações sempre construíram espaços (igrejas, templos, arenas, circos, estádios, etc.) onde seus cidadãos pudessem vivenciar momentos especiais de êxtase que os tirassem da mesmice vida cotidiana, algumas pessoas conseguem encontrar essa satisfação – esse ápice de prazer – em atividades relativamente simples como praticar esportes, compôr uma música, meditar ou escrever um poema. São pessoas que não precisam ir a uma arena especial em busca do êxtase. Elas têm sua própria arena mental. E, quando se embrenham nessas atividades, ficam tão concentradas que todo resto deixa de existir. Para Milhaly, essas atividades podem ser de naturezas diferentes e apenas o indivíduo poderá descobrir qual é o seu caminho, através do autoconhecimento. (Muitos CEOs dizem atingir o flow no trabalho – o que nos faz pensar que dinheiro pode não produzir felicidade, mas tem gente que é mais feliz produzindo dinheiro, he, he, he.) Segundo Milhaly, nosso cérebro só consegue lidar com um limitado número de “bits” de informação por segundo. Quando você está no estado de flow, seu cérebro está concentrado apenas naquela atividade e todo o resto se apaga. Esse estado costuma ser atingido quando você é desafiado para algo que realmente gosta de fazer e no qual é bom. O desafio não pode ser fácil a ponto de te endediar ou impossível a ponto de te irritar. Talvez isso explique porque gostamos tanto da metáfora que diz que “a vida é um jogo”. Como em uma videogame bem calibrado, nos divertimos vivendo com a dose certa de desafio e recompensa. E cada fase que “vencemos” nos leva atrás de desafios mais árduos.

Quem está no flow costuma sentir-se completamente envolvido no que está fazendo, com uma claridade interna e uma sensação de êxtase. Em seu livro “A descoberta do fluxo”, Milhaly ainda diz que, se formos meramente passivos, nossas chances de alcançar a felicidade são baixas. A felicidade não seria o estado padrão do ser humano, mas algo a ser buscado. Para ele, a satisfação humana está no processo de trazer ordem e controle para nossas vidas. Quem toca um instrumento, pratica um esporte ou até (por que não?) faz tricô, entende do que ele está falando, né?
Meu avô estava certo; é difícil pensar em felicidade de barriga vazia. Meus pais estavam certos, fazer o que se gosta (seja uma atividade física, seja um trabalho ou um hobby) é uma das ferramentas mais potentes para se produzir êxtase. Ou, como me ensinou em uma entrevista o cantor Wander Wildner, “a vida é muito simples, é só achar algo legal para fazer”.
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