quinta-feira, 18 de setembro de 2014

CARTA DO CORONEL GOBBO


José Gobbo Ferreira

José Gobbo Ferreira
José Gobbo Ferreira

16/09/2014

Caríssimos Companheiros de lutas patrióticas:

            Peço desculpas a todos pela extensão deste trabalho, mas solicito  paciência para tomar conhecimento dele. O momento eleitoral é bastante complexo.

            O PT mergulhou nosso País em um período de trevas que já dura 13 anos. Não há aspecto da vida de uma nação que ele não tenha corrompido, dilapidado, desmoralizado e levado ao mais baixo nível de toda a história republicana. A corrupção, a incompetência, o patrimonialismo chegaram a níveis tais que bem se pode dizer que o PT é o crime organizado no poder. Agora, com a benção do Sr. Lula, o Sr. Stédile, líder do braço armado do partido, o MST,  declara que desestabilizará o país, se Marina Silva for eleita, como já o dissera antes sobre Aécio Campos. Essa é a democracia que eles praticam. Não podemos tolerar isso! Isso é a ditadura do terror!

Nas eleições que se aproximam só temos duas alternativas para derrotar esses marginais e destruir o Reich petista: Aécio Neves e Marina Silva.

Aécio fez um ótimo governo em Minas Gerais e foi reeleito no primeiro turno. Nada há que o desabone em sua vida política. Tem grande e exitosa experiência administrativa e dispõe de uma equipe competente. Restabeleceria as políticas econômicas do Plano Real, as únicas capazes de retirar o país da recessão em que a “nova matriz econômica” do PT o lançou. Tem condições de amealhar o apoio parlamentar que lhe permita governar. Se propõe a fazer uma política externa isenta de ideologia e voltada para os reais interesses do País. Satisfaz  todos os dez itens de nossa lista de condições para apoio à sua candidatura, conforme assegurado por pessoa de sua confiança.

É a opção lógica e ideal, nossa e de todos os brasileiros que querem exorcizar o PT de uma vez por todas. Infelizmente, não fez de sua passagem pelo senado um trampolim para a candidatura à presidência e hoje é muito menos conhecido na maior parte do País do que suas adversárias. Isso o vem colocando em situação desfavorável nas pesquisas de intenções de votos.

Quanto a Marina Silva, suas origens, o PT e, antes, o Partido Comunista Revolucionário não são um bom cartão de visitas. Mas nos parece possível que o fato de tê-los abandonado possa ser considerado uma inflexão em suas posições políticas, que seja possível esperar que a Marina de hoje não seja a mesma de anos atrás e que as responsabilidades do cargo a façam reavaliar certas posições.

Pesam bastante contra ela suas posições consideradas ambientalistas radicais, inclusive seus movimentos em favor de demarcações de terras indígenas, já com absurdo número de indivíduos em relação à área reservada para eles. Será que sabe o que os índios contemplados com a Raposa Serra do Sol fizeram com os arrozais, por anos e anos cultivados com o suor de brasileiros honestos e trabalhadores?

O ambientalismo (aí incluída a questão das usinas hidrelétricas) e as políticas indigenistas são pontas de lança de movimentos estrangeiros que visam inviabilizar um progresso acelerado de países como o nosso e reservar recursos naturais para seu desfrute no futuro, em um ambiente de governança global. Marina é acusada de, conscientemente ou não, ser instrumento desses grupos.

Pretende investir em geração de energias alternativas. Sabe ela que só o fazem os países que não dispõem de rios aproveitáveis? Prega o emprego de usinas hidrelétricas a fio d´água. Será que entende que isso castra esses rios e que uma quantidade enorme de energia firme está sendo jogada fora para sempre? Quando se conscientizará que daqui a alguns anos a água doce será um dos maiores tesouros de um país? E que os reservatórios desempenham inúmeros papéis na economia e no meio ambiente, além da geração de energia propriamente dita? E que energias já propriamente chamadas de “alternativas” não satisfarão a enorme necessidade de evitar apagões no curto prazo e sustentar um crescimento decente mais além?

Demonstra aversão ao agronegócio. Mas como lidará com o fato que é ele que vem sustentando o País? Fala em tornar mais rígidos os chamados índices de produtividade, para subtrair mais terra dos “latifúndios” e dedica-las à reforma agrária. Será que ela sabe o que aconteceu  à Fazenda Itamaraty do Sr. Olacyr de Morais, o mais exitoso empreendimento agrícola do país, por anos o maior produtor de soja do mundo, e hoje transformada em terra arrasada pela reforma agrária do MST?

ENTRETANTO:

O programa de governo de Marina (http://marinasilva.org.br/programa/), lido com atenção, ainda que vago em alguns pontos, é decididamente democrático e desmonta muitas das imagens estereotipadas que seus oponentes lançam sobre ela. Sete dos dez itens (1, 3, 4, 5, 7, 8 e 9) de nossa lista de princípios a serem respeitados pelos candidatos estão plenamente contemplados pelo programa, muito particularmente no que tange à política externa livre de ideologias e à volta da economia aos três pilares que consagraram o Plano Real. O programa é contra o decreto 8.243. Em suma: A Marina, tal como descrita em seu Programa de Governo, não é bolivariana nem socialista revolucionária.

Os principais argumentos de seus adversários contra ela não se sustentam. No caso do pré-sal, ela nunca disse que não o exploraria, mas manifestou uma preocupação, que aliás é minha também, com a duração do projeto, seus riscos e seus custos para a Petrobras, exaurida pelo PT e hoje a empresa mais endividada do mundo.

A posição do Banco Central na organização do Estado é uma decisão de governo e, pelo mundo afora, existem países com banco central independente, dependente e até mesmo inexistente. O Banco Central no período Lula era completamente independente do governo e presidido por um banqueiro internacional: Henrique Meirelles.

Contrariamente ao que tenta nos fazer crer o PT, por meio de seus arautos da imprensa, a eleição de Marina desmonta, sim, a máquina petista. Serão quatro ou cinco anos fora do poder e longe do cofre. Isso será fatal para um partido que só sabe viver pela mentira, pela corrupção e pelo saque desavergonhado dos recursos da Nação. A ameaça que lhe fez o MST não só mostra que não existe a propalada ligação entre ela e aquele movimento terrorista como demonstra o desespero que já grassa nas hostes petistas com a simples perspectiva de perda das eleições.

Nas pesquisas de intenções de votos, Marina está à frente do Aécio. Mudar isso está fora de nosso alcance.

O princípio pétreo de nosso Movimento é expulsar o PT do governo, e usar o tempo de um mandato a fim de criar condições para que ele não volte nunca mais. A dinâmica das campanhas impossibilitou um contato pessoal com Aécio ou com Marina, mas a análise acima permite supor que ambos respeitarão os princípios que consideramos fundamentais para a democracia e para o progresso de nossa Pátria.

CONCLUSÃO:

A metodologia das pesquisas de intenção de votos faz com que elas não sejam 100% confiáveis (principalmente o IBOPE). Ainda que elas digam que Aécio tenha poucas chances de ir ao segundo turno, ele é nosso candidato absoluto no primeiro. Qualquer que seja o adversário de Dilma no segundo turno deverá ter nosso voto e nossa militância. Se for a Marina, embora não seja a escolha preferida, não é tão deletéria quanto querem fazer parecer seu passado e seus adversários.

Aproveitemos também para não votar e convencer o maior número de eleitores possível a não votarem em candidatos do PT, do PMDB, do PP e de outros partidos de esquerda, a fim de diminuir sua influência oportunista e mercenária no congresso.

Hoje, com mais e mais escândalos vindos à luz, percebemos que não convém que nossa luta se encerre com as eleições: é necessário fortalecer nosso Movimento, e torna-lo uma instituição poderosa (uma ONG conservadora?), capaz de perseverar e exercer a vigilância necessária e suficiente sobre os novos tempos para assegurar que jamais nosso País vivenciará de novo dias tão negros como aqueles que o PT nos proporcionou. Sem dúvida, o preço da liberdade continua sendo a eterna vigilância.

Por isso, estamos enviando este e-mail para todos nossos membros e para muitos outros cidadãos patriotas, convidando-os a que se juntem a nós nessa cruzada de homens (e mulheres) livres, sem chefes e sem subordinados, inscrevendo-se em nosso site www.monte-castelo.org *.

Por favor, continuem a difundir nosso Movimento. Precisamos alcançar um efetivo que nos torne um protagonista capaz de assegurar a defesa de nossos valores.

Recebam meu abraço fraterno.

 Cel José Gobbo Ferreira

Coordenador do Movimento Nacional de Ação Democrática

  *: As páginas do Movimento Nacional de Ação Democrática estão hospedadas no endereço http://www.monte-castelo.org

O amor é interesseiro


Estou aqui, com mais de 60, há alguns anos sozinho e me considero, enfim, na roda. E daí?

WALCYR CARRASCO
16/09/2014 07h00 - Atualizado em 16/09/2014 08h55


Amar é difícil. Principalmente, porque a gente costuma se apaixonar por alguém que não existe e coloca todas as expectativas na primeira pessoa que aparece pela frente. Bastam alguns miados e pronto – já se fala em amor, em compromisso e relação. Você e eu somos românticos, apesar de todos os ossos que tivemos de roer na vida. Acreditamos naquele amor puro, translúcido como um cristal. Ah, meu Deus, será que algum dia existiu? Só se for na imaginação dos escritores românticos. Mesmo um grande autor de livros românticos como Machado de Assis a certa altura mudou de gênero. Tornou-se realista e criou uma suspeita Capitu, que ninguém nunca saberá ao certo se traiu – nem mesmo seu sofrido marido, Bentinho. O que terá feito Machado de Assis tornar-se realista? Talvez tenha descoberto que o amor não é um sentimento único como um vaso de alabastro, mas um conjunto de sensações e, sim, interesses.

Estou aqui, com mais de 60, há alguns anos sozinho e me considero, enfim, na roda. Sempre ouço perguntas, se tento um novo relacionamento.

– O interesse não é porque você é autor de televisão?

– Tem certeza de que não é pela grana?

– Será que gostam de você por você mesmo?

Aí me faço a pergunta: quem sou eu mesmo? Que identidade é essa, única, inexplicável, que define uma pessoa? A alma? Mas alguém está habilitado a decifrar minha alma? Sinceramente, nem eu! Meu corpo? Uau! Depois dos 60, é preciso ser sincero consigo mesmo. Não ganharei mais o título de Mr. Brasil, não serei campeão de natação, muito menos terei barriguinha de tanque. Posso fazer um esforço para não me tornar um barril, mas é isso aí. “Eu mesmo” é uma entidade que não existe de modo absoluto. E se fosse mendigo e pedisse esmola nas ruas? Seria “eu mesmo”? Em tese, continuaria a mesma pessoa. Mas meus sentimentos, raivas, aparência física seriam bem diferentes. Talvez me apaixonasse por alguém que me oferecesse um prato de macarrão. Perdidamente! Sim, poderia continuar a ser um sujeito sensível. Mas alguém descobriria, se eu catasse lata pela rua? E se tivesse seguido uma de minhas outras vocações e fosse pesquisador de biologia, área que amo? Ou historiador (cheguei a cursar até o 3o ano da faculdade de história da USP)? Meus papos seriam outros, minhas companhias também, talvez até meus dentes. As possíveis vidas que poderia ter tido (um acidente, uma deficiência também contam) me levariam a diferenças na forma de ser. Talvez nem sorrisse – mas grunhisse diante de uma existência malévola. Não seria esse “eu mesmo” que sou agora. Recentemente, um ator famoso, com mais de 80, casado com uma moça na casa dos 20, rebateu as críticas:

– Ela cuida de mim agora. Quando me for, cuidarei dela.

Sim, ela pode ter interesse na herança. E daí, se proporciona uma vida agradável a seu velhinho? Conheci uma mulher de família rica que, depois de dois maridos, casou-se com o personal trainer. Um cara ótimo. Ajuda com os filhos dela, nos cuidados da casa, tudo. Aceita alegremente os luxos que ela proporciona. Ouvi muitas críticas ao rapaz. Mas quem é o interesseiro? Ele no dinheiro dela? Ou ela em seu corpo jovem, musculoso e na dedicação? Para mim, é apenas uma troca justa. A gente costuma ser dramático e achar que, um dia, ela aparecerá estrangulada, enquanto ele foge com as joias. Na maioria dos casos, não é o que acontece. Eles vivem a relação, sentem-se felizes, e acham que isso é amor.
Fui criado para acreditar no sentimento avassalador, do príncipe que dança com Cinderela e se apaixona perdidamente. Bem, vamos combinar, Cinderela era interesseira. Nem conhecia o rapaz, mas, já que era príncipe e tinha castelo, casou. O príncipe provavelmente era podólatra, pois saiu de sapatinho na mão, em busca do pezinho da moça. Não importavam o rosto, os cabelos cheios de cinzas e gravetos, nada. Só o pezinho. Não diz a lenda que foram felizes para sempre?

Meses atrás, um amigo diretor, já bem maduro, saía com uma moça lindíssima, cobiçada pelo país todo. Perguntei:

– Mas ela gosta de você?

Ele respondeu, sábio:

– Sabe, sou um pacote. Do pacote, ela gosta sim.

Nunca ouvi maior verdade. Sou um pacote, você provavelmente também é. É esse o grande segredo do amor. Não é uma coisa única, quase uma entidade que nos possui. Mas um belo pacote, bom de desembrulhar.

PF já tem a identidade do petista que entregou dólares a chantagista

Lava Jato


Enivaldo Quadrado recebia dinheiro do PT para manter silêncio sobre contrato envolvendo desvios na Petrobras. Polícia investiga o caso em sigilo

O PODER E O CRIME - Enivaldo Quadrado (à direita), o chantagista, é pago pelo PT para manter em segredo o golpe que resultou no desvio de 6 milhões de reais da Petrobras, em outro caso de chantagem que envolve o ministro Gilberto Carvalho, o mensaleiro José Dirceu e o ex-presidente Lula
O PODER E O CRIME - Enivaldo Quadrado (à direita), o chantagista, é pago pelo PT para manter em segredo o golpe que resultou no desvio de 6 milhões de reais da Petrobras, em outro caso de chantagem que envolve o ministro Gilberto Carvalho, o mensaleiro José Dirceu e o ex-presidente Lula (Montagem com fotos de Ailton de Freitas-Ag. O Globo/Joel Rodrigues-Folhapress/Rodolfo Buhrer-Estadão Conteúdo/Jeferson Coppola/VEJA)
A Polícia Federal já sabe quem é o homem que, em nome do PT, fazia as entregas de dinheiro a um grupo de chantagistas que ameaçava envolver o partido no escândalo de corrupção da Petrobras. Em sua última edição, VEJA mostrou que Enivaldo Quadrado, condenado no processo do mensalão, prometeu revelar detalhes sobre o envolvimento de petistas com o desvio de 6 milhões de reais do cofre da estatal. Para comprar seu silêncio, o partido cedeu à chantagem.
Cumprindo pena alternativa, Enivaldo Quadrado, o chantagista, recebe pagamentos regulares em dólares americanos. O dinheiro é entregue por um homem identificado apenas como sendo um conhecido militante do PT, influente, com estreitas  ligações com os chefes mensaleiros – e que faz o serviço  cumprindo ordens do tesoureiro do partido, João Vaccari Neto.
O valioso trunfo de Enivaldo Quadrado são as informações que ele possui sobre a triangulação de uma outra chantagem. Em 2012, o publicitário Marcos Valério, outro condenado no mensalão, revelou ao Ministério Público que o empresário Ronan Maria Pinto estava ameaçando envolver o então presidente Lula e seus auxiliares, o então chefe da Casa Civil, José Dirceu, e o chefe de gabinete da Presidência, Gilberto Carvalho, no assassinato do prefeito de Santo André Celso Daniel. Para evitar que isso acontecesse, o PT deu a ele 6 milhões de reais, dinheiro que saiu dos cofres da Petrobras, segundo Marcos Valério.
Enivaldo Quadrado conhece todos os detalhes da operação e guardou consigo a cópia de um contrato que formalizou o repasse milionário a Ronan Maria Pinto, o primeiro chantagista. Por isso, seu silêncio agora vale tanto.

Palácio da Alvorada é residência oficial ou comitê de campanha?


Mara Bergamaschi
Estamos já na terceira campanha consecutiva em que o presidente encastelado no poder disputa o direito de suceder a si mesmo sem que, apesar das muitas leis existentes, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) consiga coibir, a tempo e a hora, abusos no uso da máquina pública.
Com decisões lentas e pouco exigentes da Justiça Eleitoral, um dos principais males do modelo brasileiro de reeleição mantém-se intocado há mais de 15 anos: a total falta de igualdade de oportunidades entre os candidatos.
A Lei das Eleições (9504/1997), em seu artigo 73, diz claramente que é proibido ao agente público ceder bens móveis ou imóveis da União para candidatos ou partidos, bem como usar em campanha materiais ou serviços custeados pelos cofres públicos.
Uma semana antes do início da propaganda eleitoral na TV, a maioria dos ministros do TSE considerou, ao analisar uma ação do PSDB, que os candidatos a presidente, governador e prefeito poderiam usar “suas residências oficiais para a realização de contatos, encontros e reuniões pertinentes à própria campanha, desde que não tenham caráter de ato público.”
Entretanto, o que temos visto todos os dias, sem que a Justiça Eleitoral faça sequer uma advertência, é que o Palácio da Alvorada, residência oficial da candidata Dilma Rousseff (PT), transformou-se na prática em comitê-sede de campanha, além de seu principal estúdio de gravação.
Eventos que seguem diretamente para exibição no horário eleitoral e para reprodução nos telejornais e sites de notícias. Exemplo recente: a candidata recebeu, no 7 de Setembro, dezenas de jovens representantes de movimentos sociais no Alvorada. A conversa terminou com os convidados declarando seu apoio à reeleição.
Dias depois, foi a vez de meia centena de reitores de universidades públicas aproveitar evento oficial em Brasília para entregar a Dilma, novamente no Alvorada, sua carta de adesão. Eles estavam acompanhados pelo ministro da Educação.
Se a chamada liturgia do cargo costuma deslumbrar até jornalistas de fora de Brasília, imagina o efeito que essas imagens palacianas podem ter sobre o eleitor menos informado. Mostrada na TV sempre à vontade em seu trono no Alvorada, a presidente eleva-se acima dos demais candidatos – colocados na condição de plebeus. Uma situação nada republicana.

Tribunal Superior Eleitoral, plenário – Foto: Roberto Jayme / TSE 

Mara Bergamaschi é jornalista, escritora e mãe

Lula requenta o truque de 2006


Elio Gaspari, O Globo
Nosso Guia quer confundir a Petrobras com a gestão do comissariado petista com que aparelhou a empresa
Lula fez uma involuntária defesa do voto útil, aquele que vai para qualquer lugar, desde que o PT vá embora. Foi para a frente do prédio da Petrobras e disse o seguinte:
“Já houve três pedidos de CPI só na Petrobras. Eu tenho a impressão de que essas pessoas pedem CPI para, depois, os empresários correrem atrás delas e achacarem esses empresários para ganhar dinheiro. (...) Se alguém roubou, esse alguém tem mais é que ser investigado, ser julgado. Se for culpado, tem que ir para a cadeia.”
A Petrobras petista apareceu em várias CPIs. A primeira, de 2005, foi a do mensalão. Duas outras foram específicas e, com a ajuda do comissariado, deram em nada.
Se Nosso Guia acha (e tem motivos para isso) que, incentivando-as, há “pessoas” achacando empresários que correm “atrás delas”, não se conhece uma só fala de petista denunciando achacados ou achacadores. O relator da comissão que está funcionando é o petista Marco Maia.
O primeiro comissário apanhado em malfeitorias relacionadas com a Petrobras foi o secretário-geral do PT, Silvio Pereira. “Silvinho” fez um acordo com Ministério Público e trocou o risco de uma condenação por 750 horas de trabalho comunitário. Ele ganhara um reles Land Rover de um fornecedor da Petrobras.
Nem Lula nem o PT condenaram-no publicamente. Se o tivessem feito, teriam emitido um sinal. Afinal, dissera o seguinte: “Há cem Marcos Valérios por trás do Marcos Valério.” Ele está na cadeia. Salvo a bancada da Papuda, os demais estão soltos.
Em 2009, quando foi instalada a primeira CPI para tratar exclusivamente da Petrobras, o comissariado disse que a iniciativa tentava tisnar a imagem da empresa. Resultou que ela tisnou a imagem do instituto da CPI e os petrocomissários continuaram nos seus afazeres. Paulo Roberto Costa estava na diretoria da Petrobras desde 2004. Em oito anos, amealhou pelo menos US$ 23 milhões.
A CPI de hoje é abrilhantada também pelos petistas Humberto Costa, José Pimentel e Sibá Machado. Nenhum deles, nem Marco Maia, deve vestir a carapuça da fala de Lula, mas jamais apontaram um achacador. 
“Paulinho” foi preso em abril pela Polícia Federal e em seu escritório foram recolhidas abundantes provas de seus malfeitos. Ele prestou um depoimento à CPI em junho e o senador Humberto Costa considerou-o “satisfatório”.
“Paulinho” disse o seguinte: “A Petrobras não é uma empresa bandida nem tem bandidos em seus quadros.” Tinha pelo menos um, hoje confesso: ele próprio.
Nessa comissão, como na anterior, a bancada governista não se deu conta do risco que corria. Descobriu-o há poucas semanas, quando “Paulinho” começou a colaborar com a Viúva.
De saída, devolverá os US$ 23 milhões guardados em sua conta suíça, revelação ocorrida no dia seguinte ao seu depoimento. Nessa faxina não houve a colaboração do PT.
Durante a campanha eleitoral de 2006, o comissariado encurralou o tucanato, acusando-o de ter tentado privatizar a Petrobras. Era mentira, mas deu certo.
Passados oito anos, Lula requentou o truque, mas há uma diferença: uma pessoa de boa-fé podia acreditar que os tucanos quisessem privatizar a Petrobras, mas fica-lhe difícil achar que falar em petrorroubalheiras possa prejudicar a empresa.

Elio Gaspari é jornalista

POEMA DA NOITE Existem, por Domingos Guimaraens


para Caroline Valansi
existem poemas que se escrevem com palavras
o seu quero escrever com o corpo
com esse gosto de quando nossa pele se encosta
corrente elétrica atravessando a medula
existem poemas que se escrevem com tinta
o seu eu quero com água
este e aquele mundo submersos
onde com você eu posso respirar
Existem poemas que se escrevem sozinhos
o seu eu quero acompanhado
com sorrisos ou com lágrimas 
dessas dores e delícias que são da vida
mas que só a gente sabe torcer
pra curar as feridas e fazer durar 
mais um pouquinho
o prazer explosivo
de antes do amanhecer
existem poemas em silêncio
o seu eu quero aos berros
com gritos e sussurros
gargalhadas e gemidos
existem poemas que explicam
o seu eu quero com mistérios
pra desvendar
caça ao tesouro secreto
escondido onde nem você sabia
existem poemas que são aqui
o seu eu quero em todo lugar

Domingos Guimaraens nasceu no Rio de Janeiro em 1979 - É poeta e artista plástico. Pertence ao coletivo poético Os Sete Novos, ao lado de Augusto de Guimaraens Cavalcanti e Mariano Marovatto e, juntos, publicaram o livro Amoramérica. Domingos ajudou na organização do CEP 20000 (Centro de Experimentação Poética) por alguns anos, recentemente publicou o poema Um Épico pela Cartonera Caraatapa. Como artista plástico, pertence ao grupo Opavivará.