sexta-feira, 1 de agosto de 2014

HUMOR - CHARGE DO AMARILDO

Esta charge do Amarildo foi feita originalmente para o

Governo usa de novo truque da plataforma de petróleo para fabricar superávit da balança


Na VEJA.com:
A balança comercial brasileira (diferença entre exportações e importações) registrou superávit de 1,575 bilhão de dólares em julho, informou nesta sexta-feira o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic). As exportações somaram 23,025 bilhões de dólares e as importações totalizaram 21,450 bilhões de dólares no período. O resultado ficou acima da mediana das projeções de especialistas, que apontavam superávit de 830 milhões de dólares.
No acumulado dos sete primeiros meses do ano, a balança comercial registrou déficit de 916 milhões de dólares, o que representa melhora ante o déficit de 2,49 bilhões de dólares registrado no ano, até junho. De janeiro a julho do ano passado, o déficit estava em 4,97 bilhões de dólares.
A movimentação de uma plataforma de petróleo foi, novamente, responsável pelo resultado positivo em julho. O expediente é legal e consiste na exportação de plataforma de petróleo sem que ela saia, de fato, do Brasil. No caso da negociação firmada em julho, a plataforma foi comprada de fornecedores brasileiros por suas subsidiárias no exterior. Depois, foi “repatriada” no Brasil, como se estivesse sendo “alugada” pelo fornecedor brasileiro. Desta forma, o fornecedor recolhe menos imposto. Apenas essa operação rendeu 866 milhões de dólares. Ou seja, sem ela, o superávit de julho teria sido de 709 milhões de dólares.
As importações tiveram queda de 5,5% em julho de 2014 ante o mesmo mês do ano passado, segundo a média por dia útil. De acordo com dados divulgados pelo Mdic, a média de importação por dia útil foi de 932,6 milhões de dólares no mês passado, ante 987,2 milhões de dólares em julho de 2013. Na comparação com junho deste ano, quando a média foi de 905,1 milhões de dólares, houve alta de 3%.
Importações recuaram
A queda nas importações foi generalizada entre os segmentos: de 11,2% para bens de capital, de 9,2% para bens de consumo, de 7,4% para combustíveis e lubrificantes e de 0,5% para matérias-primas e intermediários.
Segundo o governo, a queda no segmento de bens de capital foi influenciada pela baixa nas compras da indústria automotiva. Na categoria de bens de consumo, as principais quedas foram em máquinas e aparelhos de uso doméstico, automóveis de passageiros, motocicletas e outros ciclos, partes e peças para bens de consumo duráveis, móveis e produtos alimentícios.
Na área de combustíveis e lubrificantes, a retração ocorreu principalmente devido à diminuição dos preços e das quantidades embarcadas de petróleo, gás natural, naftas e carvão. No segmento de matérias-primas e intermediários, caíram as importações de acessórios de equipamento de transporte, partes e peças de produtos intermediários, produtos alimentícios e produtos agropecuários não alimentícios.
Por Reinaldo Azevedo

Aos governantes do PT - João Bosco Leal



Dizer que nosso país está um caos é redundante, mas penso que realmente precisamos discutir o que está ocorrendo, como chegamos aqui e para onde estamos caminhando.

Um governo como o do Partido dos Trabalhadores, com uma máquina administrativa tão inchada que possui 39 ministros para 24 ministérios e, mesmo assim, o país que governa encontra-se praticamente destruído em todas as áreas, não pode ser considerado eficiente e nem mesmo levado a sério (pastas como a Casa Civil e o Banco Central, que na prática são órgãos auxiliares, mas cujos titulares têm status de primeiro escalão, provocam a diferença entre os dois números).

O governo que aí está foi capaz de - com empregos para apadrinhados políticos, retenção artificial de preços, aquisições ou construções superfaturadas - fazer desmoronar uma das maiores empresas do mundo, a Petrobrás, que por décadas foi o orgulho de todos os brasileiros. Também em nome de controlar a inflação, manipulou o preço da energia de tal maneira que as empresas do setor estão sendo "socorridas" com bilhões de reais por mês, para também não falirem.

Por ordem do governo, os departamentos de crédito do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal não avaliam, como qualquer outro banco, os riscos de empréstimos quando os mesmos se destinam a tomadores das classes C e D e, como consequência, claro, o risco passa a ser do contribuinte brasileiro que, mais uma vez, certamente será chamado a cobrir os rombos provocados nos patrimônios da União, mas isso, sem dúvida, após as eleições.

Nossas lideranças políticas cometem tantos erros e declaram tantas bobagens que, internacionalmente, é comum serem motivos de chacotas, como a atualmente realizada por jornalistas europeus de que, se Lula cumprisse sua promessa de atravessar o oceano a nado caso o Brasil perdesse a copa, causaria indigestão nos tubarões, ou rirem da declaração de Dilma de que o Brasil faria a "Copa das Copas".

Nossa presidente, que criticou a política econômica da chanceler alemã Angela Merkel, dizendo que ela provocava um "tsunami monetário", ouviu como resposta: "Essa senhora vem à Alemanha nos dizer o que temos que fazer? Ora, a Alemanha vai bem, obrigado, apesar de tudo. Mas eu vou aproveitar para dar um conselho a ela... antes de vir aqui reclamar das nossas políticas econômicas, por que ela não diminui os gastos do governo dela e diminui os juros que são exorbitantes no Brasil? Se eu posso emprestar dinheiro a juros baixos e o meu povo pode ganhar juros absurdos lá no país dela, não vou ser eu que direi ao meu povo para não fazer isso. Ela que torne a especulação no país dela menos atraente".

As últimas duas bobagens foram uma nota do governo brasileiro, que classificou como "inaceitável" a escalada desproporcional da ofensiva militar sobre Gaza e a declaração do assessor especial do governo para assuntos internacionais, "chanceler" Marco Aurélio Top Top Garcia, de que Israel estaria cometendo um genocídio na Faixa de Gaza.  Em resposta, Yigal Palmor, porta-voz da diplomacia israelense disse que, apesar de ser a 7ª economia do mundo, o Brasil era "irrelevante" em termos políticos, um anão diplomático e que "desproporcional" é uma derrota por 7 a 1 no futebol.

Tentando diminuir a besteira dita por Top Top Garcia, a presidente Dilma, em sabatina da Folha de São Paulo disse: "Na Faixa de Gaza está havendo um massacre, uma ação desproporcional, não um genocídio". Claro que não se pode concordar com a matança que vem ocorrendo na Faixa de Gaza, tragédia decorrente do radicalismo que separa os líderes do Hamas e de Israel, mas é preciso cuidado para tratar de assunto tão delicado.

O Brasil não pode opinar sobre o conflito entre árabes e judeus ao mesmo tempo em que se cala diante do abate - com um míssil russo do "companheiro" Vladimir Putin -, de um avião na Ucrânia, que matou 298 civis de vários países do mundo; nada diz sobre todos os crimes cometidos pelos irmãos Castro, em Cuba; apoia Hugo Chávez e Nicolás Maduro na Venezuela - que levaram seu país a uma destruição total de sua economia e a uma radical ditadura socialista -, ou silencia sobre a destruição econômica, a censura e a perseguição política dos oponentes, promovidas por Cristina Kirchner e Evo Morales na Argentina e na Bolívia.

A política externa brasileira nos governos do PT, além de ser "irrelevante", insignificante, têm sido a de apoiar os "companheiros" socialistas, marxistas, castristas ou bolivarianos, e de clara oposição aos países democratas e capitalistas.

Esquecem-se nossos governantes de que todos esses países não são economicamente fortes e que, para construirmos escolas, hospitais, rodovias, portos, geradoras de energia e tudo o que o país precisa para se desenvolver, só há uma saída: vender o que produzimos para quem pode comprar e, claro, não será para os países governados por estes "companheiros" que venderemos, pois além de possuírem economias muito pequenas ou falidas, não possuem sequer quantidade suficiente de consumidores para nossa produção.

"Senhores governantes do PT, antes de sequer olhar para a casa do vizinho, cuidem da sua".

João Bosco Leal*       www.joaoboscoleal.com.br
*Jornalista, escritor e empresário

O presidente do Santander parece disposto a provar que é o único executivo do mundo capaz de dirigir de joelhos um grande banco - AUGUSTO NUNES


Faz três dias que o presidente do Santander tenta falar por telefone com a presidente da República. Faz três dias que Dilma Rousseff manda dizer que está ocupada. Mas é improvável que Emilio Botín desista de ampliar o notável acervo de humilhações acumulado desde sexta-feira, quando soube da colérica reação dos donos do poder ao retrato sem retoques da paisagem econômica brasileira distribuído pelo banco entre um grupo de clientes.
Pelo que anda fazendo, Botín parece disposto a provar que é o único executivo do mundo capaz de dirigir um grande banco de joelhos. Primeiro, ajoelhou-se diante de Dilma com um pedido de desculpas que a destinatária, na sabatina da Folha, rebaixou a “protocolar”. Depois, ajoelhou-se diante de Lula para entregar-lhe a cabeça da profissional que coordenou com correção e competência o trabalho encomendado pela direção do Santander.
“Essa moça não entende porra nenhuma de Brasil e de governo Dilma”, berrara o palanque ambulante numa discurseira para os companheiros amestrados da CUT. A ofensa do grosseirão vocacional, que só sabe ser generoso na hora de pagar com dinheiro público a gastança das roses noronhas, precedeu a exigência repulsiva: o antigo dirigente sindical cobrou a demissão de uma bancária: “Manter uma mulher dessa num cargo de chefia, sinceramente… Pode mandar ela embora e dar o bônus dela para mim”.
A primeira ordem já foi cumprida. Falta acertar o tamanho do bônus. Feito isso, só faltará sujeitar-se às vontades do PT, que considera “terrorismo eleitoral” qualquer reparo à desastrosa política econômica do governo lulopetista. Se tornar definitiva a opção preferencial pela vassalagem,  Botín terá de escolher entre dois becos sem saída.
O primeiro começa na interrupção dos diagnósticos que esmiuçam o quadro político-econômico e termina à beira do penhasco. O Santander pode perder uma imensidão de contas para os bancos que continuarão a valer-se de análises escritas ou relatórios verbais para contar aos clientes o que não é novidade sequer para os índios das tribos isoladas: a possível reeleição de Dilma é uma hipótese apavorante para quem costuma ver as coisas como as coisas são ─ e vê o que fez em três anos e meio o poste que Lula instalou no Planalto.
O segundo beco sem saída começa na fabricação de análises desenhadas para agradar ao governo, passa ao largo de pedidos de desculpas à oposição e acaba no buraco negro da credibilidade zero. Caso decida avançar por aí, Botín não demorará a presidir uma instituição com a imagem em frangalhos. Em compensação, não terá dificuldades para conseguir uma audiência de meia hora com a chefe de governo.
A temperatura do encontro ficará especialmente agradável se Botin presentear Dilma Rousseff com um par de sapatos para dormir. Talvez até consiga convencer a presidente a aplicar no Santander aqueles 152 mil que guarda debaixo do colchão.

1 minuto com Augusto Nunes: “O que é (sic) R$ 10 mil?”, desdenha Dilma. Haja cinismo



Há quase dois anos, ao festejar na TV o fim da pobreza extrema em território brasileiro, Dilma Rousseff explicou que só pode ser enquadrada nessa categoria gente cuja renda mensal é inferior a 70 reais. Qualquer quantia acima disso, portanto, é suficiente para que se atravesse 30 dias sem maiores aflições. Na sabatina da Folha, como constata o comentário de 1 minuto para o site de VEJA, uma curtíssima resposta-pergunta da presidente bastou para reduzir a farrapos a fantasia de Princesa Isabel dos Miseráveis.
Quase no fim da sabatina, um dos entrevistadores perguntou-lhe por que guarda em casa 152 mil reais em espécie. Dilma enrolou-se em explicações tão consistentes quanto os prognósticos econômicos de Guido Mantega. Outro jornalista ponderou que, se depositasse a bolada numa caderneta de poupança, lucraria perto de 10 mil reais em um ano. “O que é 10 mil?”, deixou escapar a presidente, desferindo simultaneamente um pontapé na concordância verbal e uma rasteira na coerência.
Com a quantia que desdenhou, Dilma poderia, por exemplo, comprar 3.333 bilhetes do metrô paulista. Ou manter 12 brasileiros acima da linha da miséria durante um ano. Ou, ainda, bancar pelo mesmo período 11 beneficiários do Bolsa Família. Com R$ 10 mil, a presidente também poderia pagar 37 jantares no restaurante Eleven, onde costuma baixar durante “escalas técnicas” em Lisboa. Ou 10 noites na suíte menos cara do hotel Four Seasons Ritz, também em Lisboa. Se preferisse a suíte presidencial, como em janeiro, teria de reduzir em alguns maços a pilha de cédulas escondida no Palácio da Alvorada para completar a diária de R$ 26,2 mil.
Os R$ 152 mil que mantém ao alcance da mão (e que lhe permitiriam comprar à vista um Mercedes CLA 200 zero quilômetro) incorporam a dona da bolada  a um reduzidíssimo grupo de brasileiros. Só guardam em casa tanto dinheiro vivo os agiotas ultraconservadores, os sonegadores do Fisco, os bicheiros da velha guarda, os sovinas patológicos e, sabe-se agora, uma presidente da República. É a única em toda a comunidade formada em economia, o que faz de Dilma Rousseff também a única economista do mundo  que  acha um bom negócio investir debaixo do colchão.

A agenda oficial de sete ministros omitiu a folga eleitoral durante o horário de trabalho


Primeira fileira: Guido Mantega (segundo da direita para a esquerda), ao lado de Aloizio Mercadante  Segunda fileira: Guilherme Afif Domingos (quarto da direita para a esquerda) Terceira fileira: Mauro Borges (terceiro da direita para a esquerda), ao lado de Clélio Campolina (Foto: José Paulo Lacerda/CNI)
Primeira fileira: Guido Mantega (segundo da direita para a esquerda), ao lado de Aloizio Mercadante
Segunda fileira: Guilherme Afif Domingos (quarto da direita para a esquerda)
Terceira fileira: Mauro Borges (terceiro da direita para a esquerda), ao lado de Clélio Campolina (Foto: José Paulo Lacerda/CNI)
Nesta quarta-feira, 30 de julho, não havia nenhum compromisso entre 15h30 e 17h nas agendas dos ministros Guido Mantega (Fazenda), Aloizio Mercadante (Casa Civil), Guilherme Afif Domingos (Micro e Pequena Empresa), Mauro Borges (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), Clélio Campolina (Ciência e Tecnologia), Thomas Traumann (Comunicação Social) e Garibaldi Alves (Previdência Social). Uma anotação na agenda de Mauro Borges, por exemplo, avisou que o substituto de Fernando Pimentel se ocuparia de “despachos internos” das 14h às 19h. Guido Mantega seria absorvido por “reuniões internas” sem horário definido. A página incumbida de detalhar a movimentação de Garibaldi contém apenas três palavras: “Sem agenda informada”.
A foto acima revela o que os sete parceiros de primeiro escalão queriam esconder: todos se evadiram do local do emprego e mataram a tarde de trabalho para engrossar a plateia incumbida de aplaudir Dilma Rousseff no auditório da Confederação Nacional da Indústria, palco da sabatina que reuniu os três principais candidatos à eleição presidencial. Nenhum dos gazeteiros pretende devolver o dinheiro que vão receber sem trabalhar.

‘O aço que nos tempera’, um texto de Fernando Gabeira


Publicado no Estadão desta sexta-feira
FERNANDO GABEIRA
O relatório sobre a queda do viaduto em Belo Horizonte apontou a causa: a viga de sustentação tinha só 1/10 do aço necessário para conter o peso da estrutura. Stalin chamava-se o homem de aço. Romances populares editados pelos partidos comunistas da época celebravam os bolcheviques de aço, entre eles um aviador que perdeu as pernas e continuou combatendo. No universo ocidental, mais crítico, o aço é integrado ao corpo humano na figura de um herói infantil, o Super-homem. Não tenho nada contra a fusão do corpo com o metal. O titânio tem ajudado muita gente a se mover normalmente: é uma boa presença. Felizmente, não trabalhamos com essa mitologia de corpos de aço. Mas pelo menos o aço de nossas construções deveria ser o suficiente para mantê-las de pé.
Para onde foram os 90% do aço? É uma pergunta pertinente, pois só assim entenderíamos melhor o desabamento, para além do laudo técnico. Ausência do aço necessário, camuflada em misturas de areia e cimento, é um elemento simbólico no País. Foi essa mistura malemolente que derrubou os prédios do Sérgio Naya. No Rio, um deputado confessa em gravação que recebe R$ 15 mil/mês, entre outros ganhos, só com o lanche que é servido por ONGs conveniadas com a prefeitura. Se os lanches pudessem ser decompostos como elementos de uma viga, diríamos que milhares de pães, rios de café com leite, igarapés de laranjada desembocaram na barriga do deputado.
Uma notícia diz que Lula se surpreendeu com o desgaste do governo, esperando algo assim só para 2018. Os governos desgastam-se, naturalmente, numa democracia. Nela precisam gerir recursos limitados para atender a gigantescas necessidades. E vencem as eleições prometendo mais do que podem. Esse é um dos dínamos da alternância. Mas cada governo se desgasta de maneira singular. A tolerância e a cumplicidade com a corrupção são fatores, entre outros, que determinaram o desgaste do PT. Alguns afirmam que corrupção sempre existiu, mas agora aumentou a transparência. Parcialmente correto. No entanto, muitos casos só emergiram, como o mensalão e esse escândalo carioca, de uma forma clássica: a disputa pelo butim.
O desgaste do PT começou como uma pedra na água. O primeiro círculo de descontentes nasceu com os navegantes próximos que abandonaram o barco. Impulsionados pelos ventos econômicos, novos amplos círculos desenham-se na água. O processo não se resume à política interna e à economia. O PT quer realizar uma política externa dele, e não do País. Isso é possível em Cuba ou na China. Não para um partido que chega ao poder pelo voto, num contexto democrático. Os dirigentes chineses e cubanos fundem o país com o partido porque liquidaram a oposição organizada.
Esse tema não tem grande impacto eleitoral, mas sempre me preocupou. A nota que o governo brasileiro publicou sobre a guerra na Faixa de Gaza exprime a posição do partido e de milhões de pessoas diante da morte de civis e crianças. No entanto, uma nota nacional sempre é mais equilibrada, mencionando também a violência do Hamas.
O porta-voz israelense chamou o Brasil de anão diplomático. Um líder trabalhista chamou o Brasil de gigante do futebol. Não somos nem uma coisa nem outra. É um equívoco chamar o Brasil de anão diplomático, pois retira a importância do fato histórico da criação de Israel. Neste caso da guerra em Gaza, a violência da resposta de Israel acabou atenuando a posição do governo brasileiro. Mas, sem dúvida, houve uma inflexão: ingenuamente, Lula achou que poderia influenciar um processo de paz. Chegou a viajar para isso.
Ao lançar a nota, o governo praticamente abre mão de dialogar com um dos atores. O Brasil não tem o poder de resolver uma crise que desafia a humanidade, como a do Oriente Médio. Mas tem sido eficaz na pacificação de conflitos nos países de sua região. Está na busca efetiva da paz o grande fundamento de nossa política externa. Mas o PT move-se em zigue-zagues.
A política externa tem pouco impacto eleitoral, mas soma-se aos equívocos que, no conjunto, jogam o PT numa aventura romanesca: navegar sem novas ideias num oceano de desejos de mudança. São Paulo é uma referência: o governo perde para qualquer um dos opositores, sinal de que, para a maioria dos entrevistados, o PT já era. Em termos eleitorais, isso é equacionado em números: perdemos aqui, ganhamos em outros Estados, não ameaça a vitória nacional. Mas perder na região mais desenvolvida do País dá o que pensar, sobretudo para quem se diz na vanguarda do progresso, combatendo elites brancas e outros moinhos de vento.
A Bolsa Família é uma zona de conforto porque envolve milhões de pessoas e foi reconhecida internacionalmente. Supor que represente um escudo contra todos os erros e tropeços é um equívoco. Alguns críticos do programa dizem que com a bolsa as pessoas não querem trabalhar. Discordo, minha tese é que, com a bolsa, o governo não quis mais trabalhar, no sentido de interpretar o Brasil, buscar alternativas, ligar-se aos setores mais dinâmicos e desenvolvidos tanto dentro como fora do País. A Bolsa Família deu para o gasto. E agora que o preço político dos erros vai ficando mais alto?
Por mais que os pragmáticos riam, o viaduto que caiu, além de matar duas pessoas, indicou, para mim, o ponto central do momento: nosso sistema político, já frágil, foi perdendo o aço com a mistura de areia e cimento que a longa dominação do PT injetou. O perito de Minas ficou surpreso porque a viga não se partiu antes. Se traduzimos o aço por credibilidade, também ficamos surpresos como o edifício político se mantém no Brasil. É um problema que transcende as eleições deste ano. Mas elas são a única oportunidade para todos poderem olhar para o abismo que se abriu entre o universo político e o Brasil real.
O ano que nos espera, sobretudo no setor da energia, não é dos mais animadores. O pequeno apagão que vivi na manhã de domingo me lembrou da aspereza do caminho. Tocar o País em tempos de crescimento internacional e distribuição de renda é mais fácil. Quem vencer as eleições encontrará uma pedreira.