sexta-feira, 2 de novembro de 2012

PM encontra túnel usado para levar droga à USP



É preciso haver sistema de identificação no atendimento médico



Pedro do Coutto
São tantas as falhas no sistema de saúde pública do país que têm que ser tomadas providências urgentes para reduzi-las substancialmente e evitar de forma total erros como os das aplicações de injeções de sopa e café com leite em veias de pacientes. Tal coisa é inadmissível.
Uma ideia de Elena, minha mulher, creio ser um passo básico. Todos os que trabalham em hospitais e postos de saúde, inclusive particulares, devem ser obrigados a terem fixados crachás nas vestes informando a profissão efetiva, com o registro no Conselho próprio (Conselho de Medicina ou Conselho de Enfermagem) CRM ou COREM. A classificação visa também a distinguir se o profissional que está prestando atendimento é ou não estagiário.
Este aspecto é de fundamental importância, sobretudo no sistema de emergência quando um imponderável número de casos alunos ainda em formação são colocados para substituir profissionais formados. Nos casos de seguro ou plano de saúde, os contratantes dos planos pagam a mensalidade para poderem receber atendimento médico, e não serem socorridos por aqueles que se encontram em período de formação. Os estagiários (médicos enfermeiros, auxiliares ou técnicos de enfermagem) podem intervir desde que supervisionados por profissional qualificado, isto é já com formação plena.
Com esse sistema muitas vidas seriam salvas e também preservada a integridade de milhares de pacientes. O número de atendimentos pelo menos cresce em ritmo do aumento do número de habitantes. Mas ultrapassa tal ritmo, pois tem de se levar em conta o aumento da violência. A Folha de São Paulo publicou em sua edição de quarta-feira reportagem de Clara Roman e Valmar Hupsel Filho revelando que, no estado de São Paulo, este ano um policial foi morto a cada 32 horas.
Imagine-se por aí quantos são feridos. Não somente policiais. A violência, nos dias de hoje, não escolhe rumo ou vítimas. Veja-se a incidência de casos no Rio. Observe-se o atendimento do Hospital Souza Aguiar, que, segundo a última estatística, atende diariamente a média de 2 mil pessoas. São os que não possuem plano ou seguro de saúde particular. Some-se a isso os atendidos na rede particular. As condições urbanas conduzem à necessidade de também uma assistência crescente. Os controles e medidas de segurança têm que acompanhar a demanda, cada vez mais elástica.
A identificação profissional é um passo positivo. Sozinha não vai solucionar todos os problemas, a começar pela falta de médicos em número adequado às exigências do atendimento. Mas reduz o volume. Será um passo decisivo inclusive para que o sistema de saúde possa ter um controle real do efetivo de que dispõe.
Estamos falando do atendimento urbano, esta é a visão imediata. Mas e quanto ao meio rural? O problema da saúde é maior do que se pensa à primeira vista. Alguma coisa tem de ser feita. Deve começar pela classificação da procura, sobretudo para que as intervenções cirúrgicas não fiquem para as calendas gregas. O Ministério da Saúde poderia entrar em ação concreta e montar uma rede geral no país. Afinal foi para isso que foi criado o SUS: Sistema Único de Saúde. O doente ou o acidentado não pode ser assinalado como federal, estadual ou municipal. São seres humanos.

Fim de semana prolongado dá um certo alívio a Lula, mas hoje começam a circular as revistas semanais...



Carlos Newton
Há ocasiões em que um final de semana prolongado é providencial. Especialmente para o ex-presidente Lula, pois os três maiores partidos de oposição se mobilizam para pedir à Procuradoria-Geral da República que investigue se ele teve participação no esquema do mensalão. Em função do feriado de hoje,  só poderão apresentar o requerimento na próxima semana.
O documento será assinado pelos presidentes do PSDB, Alberto Goldman (em exercício), do DEM, José Agripino Maia (RN) e do PPS, Roberto Freire (SP) e será protocolado terça-feira, em Brasília.
Como se sabe, no inquérito do mensalão, a própria Procuradoria-Geral da República já se recusou a investigar o ex-presidente, por considerar que não havia provas contra ele. Por isso, a oposição agora argumenta que surgiram novos elementos  que recomendariam uma investigação por parte do Ministério Público, como o mais recente depoimento de Marcos Valério, as declarações da ex-mulher de José Dirceu etc.
O documento vai citar também reportagem da revista “Veja” de duas semana atrás, segundo a qual o empresário Marcos Valério afirmou a interlocutores que Lula era o chefe do esquema.
Os três partidos vão pedir a abertura de uma nova ação penal, caso fique comprovado que Lula tinha ciência do esquema do mensalão, conforme denunciou na época o influente ex-deputado petista Helio Bicudo, em entrevista ao programa Sábado Especial, da Rede Vida, apresentado por Luiz Nogueira.
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Marcelo Mafra
Carlos Newton, seria importante divulgar diretamente no artigo os links para a entrevista do jurista Helio Bicudo ao programa Sábado Especial, de 10/6/2006, pela Rede Vida.

HUMOR A Charge de Amarildo




FINADOS. UMA CELEBRAÇÃO



Ralph J. Hofmann
Quando os espanhóis desembarcaram no México encontraram nas culturas azteca, olmeca, teotihuacano maia,zapoteca,  mixteco, tolteca e mexica, uma crença de que a morte não é o fim senão a continuidade da vida em outra esfera. Impuseram em poucos anos a religião católica sobre esta população. O resultado, aliás, como por onde passaram os conquistadores foi o sincretismo da religião católica com os ritos e costumes atuais, aliás, como já ocorrera na Europa onde traços das culturas mais antigas dos celtas, do nórdicos e outros estão presentes de forma dissimulada como no natal, na páscoa e nas celebrações de solstícios de inverno e verão.
No México os dois dias, Todos os Santos (01/11)  e Finados (02/11) obedecem o conceito pré-colombiano sobre a morte. Os mortos, e sua vida continuada,  são celebrados com festa, música, flores coloridas, teatros ritualizados e muita diversão.
Bancas vendem réplicas de esqueletos, algumas como marionetes com as quais as crianças brincam, e certas guloseimas da época.
As famílias ou levam as comidas favoritas dos seus mortos e montam uma refeição para eles nos cemitérios, ou montam em casa um altar com essas comidas.
É em suma uma celebração. Algo dentro do espírito de quem diz, talvez não acreditando muito: “Meus pêsames, mas o fulano passou desta vida para uma melhor”.
(1) Fotomontagem: Esqueleto do México e banheiro em forma de caixão em um cemitério.

CRÔNICA Cartas de Seattle: Dando de cara com um lobo no trabalho



Falar de Halloween no Dia de Finados é de mau gosto?
A escriba aqui pede desculpas aos mais sensíveis. A coincidência foi um azar provocado pelo calendário (falar de azar no Dia de Finados é de mau gosto?). Explico. O Halloween foi na última quarta, e estas Cartas de Seattle são publicadas só às sextas. Semana passada estava muito longe para tocar no assunto. Agora que o Halloween passou, parece um pouco fora de hora para ainda falar nisso.
Paciência, que valerá a pena.
O Halloween é evento da maior importância por aqui. É o carnaval deles. Com a semelhança de que a folia se espalha por alguns dias, ainda que de forma não oficial, especialmente quando o 31 de Outubro não cai no fim de semana.
E com a diferença de que durante o dia os fantasiados perambulam entre os não-fantasiados como se não estivessem vestindo nada demais. É nestes dias que você finge que é normal que a atendente do banco esteja vestida de melindrosa. Ou que haja um lobo de 1,80m de altura, com direito a máscara e rabo, na cozinha do seu trabalho. Ainda não captei a etiqueta para estas horas, e achei prudente conter a gargalhada.
A criatividade rola solta, como deve ser em um bom carnaval. Eu achava que o vento gelado era o motivo para as fantasias serem em geral mais recatadas em comparação com as brasileiras. Mas um radialista local tem outra explicação: Seattle é politicamente correta demais, é reservada demais, é reprimida demais. Será? Não combina com a fama de tolerante e cuca fresca que os nativos gostam de cultivar.
Ousados ou não, todos se fantasiam – crianças, adultos e cachorros. Sim, cachorros! Como parte da família que são (já fiz uma carta falando como Seattle tem mais cão do que criança), têm mais é que acompanhar os donos.

Foto: Pets Advisers@CC

Estima-se que, só em fantasias de Halloween para seus amigos de quatro patas, os americanos vão gastar US$ 370 milhões este ano, 19% a mais que no ano passado. Recessão, onde?
Para quem é de outra cultura, celebrar o Halloween é como ir a uma festa à fantasia fora de época. Mesmo que não se adote um personagem, vale a pena observar até onde vai a natureza humana no seu intuito de extravasar, chocar, inspirar e se divertir.
Com pais levando seus filhos fantasiados para o trabalho ou saindo mais cedo para acompanhar os pimpolhos na tradição de pedir doces nas casas dos vizinhos, o trânsito da cidade virou um caos a tarde toda.
De novo: parece dia de carnaval no Brasil.

Melissa de Andrade é jornalista com mestrado em Negócios Digitais no Reino Unido. Ama teatro, gérberas cor de laranja e seus três gatinhos. Atua como estrategista de Conteúdo e de Mídias Sociais em Seattle, de onde mantém o blog Preview e, às sextas, escreve para o Blog do Noblat.

Um poeta que resolve as coisas por decreto


O crítico literário, tradutor, professor, escritor e poeta paranaense Paulo Leminski Filho (1944-1989) expressa, no poema “Bem no Fundo”, uma vontade que as pessoas gostariam de sentir acontecer, ou seja, a resolução de todos os seus problemas, mesmo que fosse por decreto, tornando a “mágoa” nula sob “Silêncio perpétuo”, extinguindo o “remorso” por força de lei, mas “problemas não se resolvem” através de remédios legais, pois “problemas têm família grande” que gera “probleminhas” no cotidiano das pessoas.

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BEM NO FUNDO
Paulo Leminski
No fundo, no fundo,
bem lá no fundo,
a gente gostaria
de ver nossos problemas
resolvidos por decreto
a partir desta data,
aquela mágoa sem remédio
é considerada nula
e sobre ela — silêncio perpétuo
extinto por lei todo o remorso,
maldito seja que olhas pra trás,
lá pra trás não há nada,
e nada mais
mas problemas não se resolvem,
problemas têm família grande,
e aos domingos saem todos a passear
o problema, sua senhora
e outros pequenos probleminhas.
site Poemas & Canções