segunda-feira, 13 de agosto de 2012

OBRA-PRIMA DO DIA - PINTURA - Joshua Reynolds - Família Eliot (c.1746)

Sir Joshua Reynolds é, sem dúvida, um dos mais importantes retratistas ingleses. Dominou o cenário artístico na Inglaterra na segunda metade do século XVIII com seu talento e sua criatividade, elevando aquele país a um patamar nas Artes Plásticas bem mais alto do que ocupara até então.
Joshua Reynolds nasceu em Plympton, Devon, em 16 de julho de 1723. Como demonstrou desde cedo um talento natural para o desenho, foi para Londres estudar com Thomas Hudson, um famoso retratista dessa época. Depois passou dois anos na Itália, onde se apaixonou pelos mestres do classicismo.
De volta a Devon, em 1743, ele se dedicou a pintar retratos e cenas ligados a temas navais, telas que revelam toda sua inexperiência. Resolve retornar para Londres e se dedica a continuar seus estudos, sobretudo a técnica dos grandes mestres da antiguidade. Como todo grande artista, acaba por descobrir seu estilo que era marcado por pinceladas ousadas e o uso do impasto, a superfície grossa de tinta.
Dois anos depois, em 1746, lá está ele de novo em sua Devon natal onde pinta um retrato da Família Eliot (c.1746/47), o que indica que ele havia estudado os quadros de grandes grupos pintados pelo maior pintor inglês do Barroco, Sir Anthony Van Dyck, cuja influência na arte de pintura de retratos ultrapassou o século XVII, avançando até meados do século XVIII, quando o bastão passa justamente para Reynolds.
A Família Eliot, dos condes de St.Germans, pintada por Joshua Reynolds, vivia em sua mansão na aldeia de Port Eliot. Habitada desde o século VI, quando era uma abadia, sua história é muito interessante e na mansão onde ainda vivem os membros da família Eliot, aberta ao público, está a tela de Reynolds que retrata John Eliot, o primeiro Conde de St. German e sua família.
É óleo sobre tela e mede 87 x 114 cm.

Acervo Mansão St. Germans, Port Eliot, Cornualha, UK.

Defesa de Jefferson sobre Lula: ‘Sim, ele ordenou’ o mensalão


POÍTICA

13.8.2012
 | 16h10m
Luiz Francisco Barbosa sustentou que ex-presidente não era um ‘pateta’ e sabia de tudo
O Globo
"Sim, ele ordenou". " É claro que o procurador-geral não poderia afirmar aqui que o presidente da República era um pateta, que ele não sabia de nada". Assim o papel do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no escândalo do mensalão foi descrito pelo advogado Luiz Francisco Barbosa, representante do presidente do PTB, Roberto Jefferson. Nesta segunda-feira, os ministros do Supremo Tribunal Federal ouviram dele a argumentação de que Lula era o principal beneficiado pelo esquema.
- O ministro Marco Aurélio usou para o presidente Lula a expressão carioca: 'é safo' (esperto). É doutor honoris causa em universidades brasileiras e de fora do país. Mas é um pateta? Não, é safo. Não só sabia como ordenou o desencadeamento de tudo isso que essa ação penal escrutina. Sim, ele ordenou. Aqueles ministros eram apenas executivos dele. Mas, recebida a denúncia, a PGR deixou o dono fora da ação. Esta oração tem sujeito. - disse o advogado.

QUIUSPA


Magu

Leio no blog do Geraldo Porci de Araújo, em 02 de Agosto de 2012, o seguinte:

“A poucos segundos da hora da verdade, os amigos repetem que José Antonio Dias Toffoli, ministro do Supremo Tribunal Federal, ainda não decidiu se participará do julgamento do mensalão. A folha corrida do advogado recomenda aos berros que se declare impedido: quem passou quase 15 anos trabalhando para o PT, servindo a José Dirceu ou dando razão a Lula está desqualificado para julgar com isenção velhos companheiros.
A agenda das últimas semanas grita que Dias Toffoli optou por afrontar os fatos e demitir a sensatez: a seqüência de encontros com advogados de mensaleiros avisa que o mais jovem integrante do Supremo não vai cair fora do caso.
Na tarde de 25 de junho, por exemplo, ele recebeu em seu gabinete o amigo José Luiz de Oliveira Lima, que há sete anos cuida da defesa de José Dirceu. O site do STF comunicou que, como nos demais encontros mantidos com doutores a serviço dos réus, os dois trocaram idéias sobre a AP 470, codinome em juridiquês do processo que começou a ser julgado em 2 de agosto. Se, sobrou tempo, talvez tenham evocado episódios que os juntou na mesma trincheira. Em 2005, por exemplo, quando foi contratado para tentar evitar a cassação do  mandato do deputado José Dirceu, o visitante contou com a ajuda de Toffoli, que acabara de deixar o empregão na Casa Civil em companhia do chefe despejado.
No processo do mensalão, Oliveira Lima já atuou em parceria com a advogada Roberta Maria Rangel, então namorada do ministro com quem vive há quase um ano. O ministro Dias Toffoli já, julgou dois dos agravos regimentais nessa ação penal 470″, animou-se nesta segunda-feira Marcelo Leonardo, advogado do publicitário Marcos Valério. “Então, ele já se reconheceu habilitado a julgar”. O defensor do diretor-financeiro da quadrilha do mensalão teima em pleitear o impedimento do relator Joaquim Barbosa, mas nunca viu motivos para que Toffoli se afastasse. Faz sentido. O doutor quer um ministro fora por achar que condenará seu cliente. Quer outro dentro por ter certeza de que absolverá todo mundo. Tal convicção se ampara no passado recente. Paulista de Marília, diplomado em 1990 pela Faculdade do Largo de São Francisco, Toffoli sonhava com a vida de juiz de direito. Tentou o ingresso na magistratura nos concursos promovidos em 1994 e 199. Duas reprovações consecutivas, ambas na primeira fase dos exames, aconselharam Toffoli a conformar-se com a carreira de advogado do PT, anabolizada pela ficha de inscrição no partido. Nem um desconfiou que começaria percorrer uma curtíssima trilha que o levaria ao Supremo Tribunal Federal. Nos anos seguintes, foi consultor jurídico da CUT, assessor parlamentar do PT na Assembléia Legislativa de São Paulo, assessor jurídico da liderança do PT na Câmara dos Deputados, subchefe para Assuntos Jurídicos da Casa Civil da Presidência e, a partir de março de 2007, chefe da Advocacia Geral da União. Em outubro de 2009, Lula entendeu que deveria premiar com uma toga o aplicado companheiro que também chefiara a equipe jurídica do candidato nas campanhas presidenciais de 1998, 2002 e 2006. Sem saber o suficiente para virar juiz de primeira instância, Toffoli tinha 42 anos quando se viu premiado com um cargo reservado pela Constituição a gente provida de “notável saber jurídico”. No País do Futebol, a torcida brasileira condenaria à morte na forca um treinador que ousasse transformar em titular da Seleção um jogador da categoria sub 20 reprovado, em duas tentativas de subir para o time principal. No Brasil Maravilha, o presidente da República escalou um advogado para jogar no STF a favor do governo. Lula já deixou o Planalto, mas faz questão de ver seu pupilo em campo na final do campeonato que faz questão de ganhar. Sabe-se desde o Dia da Criação que, para ser justa, uma decisão não pode agredir os fatos. Sabe-se desde a inauguração do primeiro tribunal que toda sentença judicial deve amparar-se nos autos do processo. Não pode subordinar-se a vínculos partidários, laços afetivos ou dívidas de gratidão. Caso insista em viciar o julgamento mais importante da história do Brasil com o voto que endossará a institucionalização da impunidade, Toffoli será reduzido a uma prova ambulante da tentativa de aparelhar o Supremo, empreendida durante a passagem do PT pelo coração do poder. Em princípio, o ministro ficará onde está mais 25 anos, até a aposentadoria compulsória em 2037. A Era Lula acabará bem antes. Se errar na encruzilhada, vai percorrer durante muito tempo, e sem padrinhos poderosos por perto, o caminho da desonra. É um caminho sem volta.”

Geraldo informa que pegou este texto no blog do Augusto Nunes e não sabe o autor, só assumiu a divulgação. Mas como a análise está bem escrita, aí está, reproduzida.
(1)     Fotomontagem: Toffoli  e José Luiz de Oliveira Lima
Transcrito do Blog do Fabio Panuzzi

“PTOFFOLI”


Charge de Roque Sponholz e texto de Giulio Sanmartini

O jornalista Ricardo Noblat, foi alvo de agressões verbais por parte do ministro do Supremo Tribunal, Antonio Dias Toffoli, linguajar usado por este é totalmente incompatível com o cargo que ocupa:
“Esse rapaz é um canalha, um filho da puta. Ele só fala mal de mim. Quero que ele se foda. Eu me preparei muito mais do que ele para chegar a ministro do Supremo. Filho da puta canalha. O Zé Dirceu escreve no blog dele. Pois outro dia, esse canalha o criticou. Não gostei de tê-lo encontrado aqui. Não gostei. Chupa! Minha pica é doce. Ele que chupe minha pica”.
Toffoli teria ficado irritado com o jornalista, em função do que ele dissera no dia  31/7. Veja Tóffoli na berlinda.

RATAZANAS NO PEDAÇO


Ralph J. Hofmann

Esta semana li uma declaração interessante de Sílvio Sinedino, Presidente da AEPET ( a entidade dos engenheiros da Petrobrás) membro do conselho da empresa. (PresidentedaAEPET falasobreprejuízos…)
Fica claro nesta declaração que a empresa sob Graça Foster está tentando se sanear administrativamente e que de fato é a administradora está agindo com boa vontade e competência. Eu que fui extremamente cético quando de  sua nomeação, pelo mero fato de ter sido escolhe de Dilma Roussef me penitencio. Graça Foster está tentando limpar as estrebarias de Áugeas (1).
Contudo o caso de Graça Foster coloca em evidência a incrível incompetência administrativa e falta de ânimo para acertar do restante do governo.
Na realidade vem à mente a expressão inglesa “like a bull in a china shop” (como um touro numa loja de porcelana), só que para esta situação talvez valha mais uma expressão que lanço aqui:  “Como ratazanas num depósito de queijo”. Se as ratazanas não forem detidas comerão até o último naco de queijo.
Dilma Roussef pode até se ressentir com o time de segunda que recebeu por encomenda de Lula, mas afora destratá-los não faz nada.
Não os demite e substitui por quem siga o roteiro da Sra. Foster na Petrobrás. Parar, tomar pé da situação e alinhavar um plano, que dentro do que o governo aceitar,  consiga devolver à empresa a merecida imponência e depois executar este plano. Simples não? 
Caso este método de trabalho fosse estendido à nação, independente de ideologia, certamente as coisas melhorariam.
Ou seja, cabe primeiro reconhecer que temos um problema. Atualmente o governo vai retrocedendo meio ponto por meio ponto na sua admissão de um PIB de camundongo. Fontes independentes j;a enxergam 1,8% no ano. O governo ainda não chegou em 2,5%.  Continua com as lentes cor de rosa  do Dr. Pangloss.  Depois quando precisa reconhecer mais um desastre começa a se debater como um peixe fisgado. E a culpa sempre é dos outros.
Madame! O Capitão do navio é responsável pelo erro do mais humilde taifeiro!
Que as coisas andam mal sabemos. Aparentemente as explosões de raiva da Madame estão cada vez mais freqüentes. As forças armadas não conseguem mais designar oficiais de ligação para a presidência. O cargo, normalmente de prestígio, e para o qual apenas são designados oficiais de grande futuro, passou a ser rejeitado, mesmo a custa de perda de vantagens na carreira.
Decididamente o ambiente em palácio está mais para a Rainha de Copas de “Alice no País das Maravilhas” (2)
Apesar de não ter mestrado ou doutorado é de se imaginar que no seu bacharelado a nossa Rainha de Copas tenha absorvido noções de administração. Deveria saber que não se pode administrar sem efetivamente equacionar tudo e ao tomar medidas ter uma idéia do que pode acontecer se tudo der certo, se alguma coisa der certo e se tudo der errado como uma indústria ou comércio privado precisam fazer. .
Na primeira presidência de Lula supôs-se (e isto me foi dito por amigos petistas) que Lula estaria cercado de pessoas competentes, que seria um líder, mas que os quadros da sua base de apoio teriam um grande número de pessoas qualificadas que levariam o país aos “píncaros da glória” (3)   Inclusive assisti em algum momento o sicofanta Ziraldo dando fé e pondo a mão no fogo a este respeito, numa declaração de quem evidentemente não entende nada de nada afora artes gráficas.
Na realidade montou-se um ambiente em que os ratos cuidavam do queijo. Os gatos foram enviados para casa ou então receberam alimentação forçada à base de atum e leite, a ponto de estarem gordos e desinteressados em ratos. 
E a Rainha de Copas, também conhecida por Madame Min agora manda em mim e em vocês.
(1)  Um dos 12 trabalhos de Hércules. O Rei Áugeas tinha extensas estrebarias que nunca haviam sido limpas e acumulavam décadas de dejetos. Hércules teve de desviar o curso de um rio para que atravessasse o local e levasse todo os esterco e palha apodrecida embora.
(2)  A Rainha de Copas uma mulher colérica está sempre gritando “cortem-lhes as cabeças”.  Inclusive manda cortar a cabeça de Alice. Por sorte os soldados da rainha são cartas de baralho e a heroína consegue derrubá-los.
(3) Píncaro – o ponto mais alto, o topo  – Na economia, escolheram nomes que figuravam nos píncaros da reputação na profissão que Hélio Beltrão chamava de “ciência da repartição da escassez”. (notícia do jornal O Estado de São Paulo de 09 de março de 2007)

FARRA COM DINHEIRO PÚBLICO - Governo Dilma abandona programa de combate ao tráfico usando aviões-robôs. Projeto já gastou R$ ...


Posted: 12 Aug 2012 05:52 AM PDT

Equipamentos de projeto no qual já foram gastos R$ 73 milhões estão parados em hangar

HUDSON CORRÊA E LEONARDO SOUZA
Revista Época

NO NO CHÃO
Veículo Aéreo Não Tripulado estacionado em São Miguel do Iguaçu, no Paraná. Contrato interrompido e aeronaves paradas (Foto: Christian Rizzi/Gazeta do Povo/Folhapress)

O céu estava nublado no aeródromo de São Miguel do Iguaçu, uma pequena cidade paranaense na tríplice fronteira do Brasil com o Paraguai e a Argentina. Nada, no entanto, que impedisse o voo inaugural do primeiro Veículo Aéreo Não Tripulado (Vant) da Polícia Federal (PF) naquela manhã de 10 de novembro de 2011. O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, a quem a PF está subordinada, foi até a pista ver de perto a aeronave capaz de filmar e fotografar a placa de um carro ou o rosto de um traficante de drogas a 9 quilômetros de altura. Em seguida, Cardozo se dirigiu ao auditório improvisado para falar sobre a maior arma anunciada contra o narcotráfico pelo governo da presidente Dilma Rousseff, uma promessa feita na campanha de 2010: a compra de 14 Vants israelenses, por R$ 655 milhões. Ao fundo do palco onde o ministro discursava, havia um pôster gigante com a foto do avião em voo e o título em letras garrafais: “Fase operacional”. Uma frase que não saiu do papel.

Na linguagem policial, operacional quer dizer ação prática. O Vant passaria a fazer missões rotineiras. De acordo com documentos obtidos por ÉPOCA, isso não aconteceu. Depois da festa de inauguração, o avião foi recolhido ao hangar do aeródromo onde fica a base de operação. Os equipamentos foram encaixotados e estão assim até hoje. Uma segunda aeronave já comprada continua em Israel, sem previsão para ser enviada ao Brasil. Não se fala mais em comprar outros 12 aparelhos como foi previsto no início e alardeado com pompa. Brigas internas na PF e o descaso do Palácio do Planalto ameaçam abater, ainda em solo, o projeto no qual o governo já gastou R$ 73 milhões. O valor inclui os dois aviões e o material necessário (antenas e computadores) para mantê-los no ar.

Operado por um piloto em terra, que digita os comandos no computador das estações, o avião pode voar por 37 horas ininterruptas a uma distância de até 4.000 quilômetros, enviando imagens on-line para a base sobre as atividades de narcotráfico nas fronteiras brasileiras. Com a varredura, seria possível saber onde os criminosos se escondem, para onde enviam drogas e, principalmente, vigiar seus passos e prendê-los. O combate na fronteira boliviana tem um caráter especialmente crucial para os brasileiros. Pelo menos 54% da cocaína que chega ao Brasil vem do país andino. Boa parte se transforma no crack que assombra nossas metrópoles.

A previsão era instalar quatro bases. Além de São Miguel do Iguaçu, outras três funcionariam em Brasília, no Distrito Federal, Vilhema, em Rondônia, e Manaus, no Amazonas. Em junho, a Procuradoria da República no Paraná começou a receber informações de que não havia mais decolagens na primeira estação inaugurada por Cardozo. Os procuradores descobriram que o Vant estava parado. Como o projeto não decolou, a Procuradoria entrou na Justiça para o governo aumentar o número de policiais. O pedido foi rejeitado pela Justiça Federal.

O Brasil tem 11.600 quilômetros de fronteiras com Colômbia, Peru, Bolívia (países produtores de cocaína) e Paraguai (fornecedor de maconha). Para cobrir toda essa extensão, a PF conta nessas regiões com apenas 14 delegacias e 826 policiais. A relação é de um agente para cada 16 quilômetros e de um delegado por 100, segundo o cálculo do Tribunal de Contas da União (TCU) num relatório recente de avaliação da política de combate ao narcotráfico. O TCU recomendou ao governo contratar por meio de concursos mais 3 mil policiais. E destacou o projeto do Vant como o avanço mais significativo diante da falta de pessoal.

Um relatório da PF, de março deste ano, mostra que essa vantagem é desperdiçada. Durante 2011, o projeto do Vant contou com um orçamento de R$ 70 milhões. Isso permitiria a compra de equipamentos e combustível, além de treinamento de pilotos. O documento da PF diz que, “por problemas técnicos”, apenas R$ 6,3 milhões foram efetivamente gastos.

Se não é por falta de dinheiro, por que o Vant não sai do chão? O presidente da Associação dos Delegados Federais, Marcos Leôncio, afirma que a PF está sem contrato de manutenção da aeronave, o que impede a decolagem. “Também existe uma dúvida do governo sobre se o Vant fica com a PF ou será entregue à Aeronáutica”, diz Leôncio. Essa alternativa poderia criar um conflito com Israel, porque o equipamento foi vendido exclusivamente para a atividade policial, e não militar. A PF chegou a divulgar, no dia do voo inaugural, que era a primeira polícia do mundo a usar o Vant para esse fim.

A origem do imbróglio está em divergências na cúpula da PF desencadeadas em 2011. Em janeiro daquele ano, a direção-geral da PF mudou de mãos, passando ao delegado Leandro Coimbra. Ele assumiu o posto no lugar de seu colega de profissão Luiz Fernando Corrêa, que defendia para Dilma o emprego dos aviões-robôs. Na gestão de Coimbra, contratos foram interrompidos. A mesma empresa que forneceu os aviões, a Israel Aerospace Industries, treinaria uma congênere brasileira para cuidar da manutenção do programa no futuro. O argumento usado pela área de logística para suspender esse contrato foi um processo aberto pelo TCU para apurar acusações de irregularidades nos pagamentos à empresa israelense. O Tribunal investiga a despesa de R$ 24,6 milhões para o treinamento de 13 pilotos (R$ 1,9 milhão por cabeça). O processo ainda não foi concluído. Ele não significa o fracasso do projeto. A PF diz que prepara um novo contrato de manutenção e que receberá o segundo Vant ainda neste ano. Somente então vai avaliar se compra as outras 12 aeronaves inicialmente previstas.

A tecnologia de ponta dos aviões é uma arma para combater um novo esquema montado pelo narcotráfico nas fronteiras. Em outubro do ano passado, ÉPOCA revelou que os novos barões da droga terceirizaram parte das etapas, como refino, transporte e comércio dos entorpecentes. Eles passaram a atuar também nos países vizinhos. Grandes carregamentos de cocaína e de pasta-base de coca, matéria-prima do crack, são lançados de aviões em fazendas no lado brasileiro.

Nas fronteiras com Colômbia, Peru e Bolívia, policiais federais se veem diante de uma luta de guerrilha. No fim de 2010, dois agentes federais morreram baleados no Rio Solimões, a 240 quilômetros de Manaus, quando interceptaram uma lancha que transportava cocaína. Uma das principais funções do Vant é passar informações aos homens em terra, adiantando a posição do inimigo durante uma situação de confronto. Para os policiais na linha de frente contra traficantes fortemente armados, os veículos não tripulados podem representar uma proteção a sua vida.

Para delegado, mensalão é maior que o julgado no STF


by Fábio Pannunzio

O delegado da Polícia Federal Luís Flávio Zampronha, que investigou de 2005 a 2011 a existência do mensalão, rompe o silêncio mantido nos últimos anos e afirma: "O mensalão é maior do que o caso em julgamento no Supremo Tribunal Federal".
Em entrevista exclusiva à Folha, Zampronha diz que o esquema era mais amplo nas suas duas pontas, de arrecadação e distribuição. Deveria, afirma, ser encarado como um grande sistema de lavagem de dinheiro -e não só como canal para a compra de apoio político no Congresso.
O delegado abasteceu de provas o Ministério Público Federal, que, em 2006, ofereceu a denúncia ao STF.
Zampronha manteve seu trabalho na PF para aprofundar as investigações e identificar mais beneficiários. Deixou o caso em fevereiro de 2011, após entregar relatório pedindo novas apurações.
Embora evite críticas diretas à Procuradoria, Zampronha revela divergências da PF em relação à denúncia em julgamento neste mês no STF.
Segundo o delegado, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu e o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares poderiam ter sido denunciados também por lavagem de dinheiro -o que não foi feito pelo Ministério Público Federal.
Na ação a que respondem no STF, os dois são acusados de corrupção ativa e de formação de quadrilha (com penas máximas de 12 anos e 3 anos, respectivamente).
Para Zampronha, as provas mais robustas contra eles são por lavagem de dinheiro (até dez anos de prisão).
Sobre Dirceu, o delegado da PF diz: "Há vários elementos que indicam que ele sabia dos empréstimos e dos repasses para os políticos".
ORIGEM DO DINHEIRO
O delegado diz que o mensalão "seria empregado ao longo dos anos não só para transferências a parlamentares, mas para custeio da máquina partidária e de campanhas eleitorais e para benefício pessoal dos integrantes".
"O dinheiro não viria apenas de empréstimos ou desvios de recursos públicos, mas também poderia vir da venda de informações, extorsões, superfaturamentos em contratos de publicidade, da intermediação de interesses privados e doações ilegais."
Por outro lado, Zampronha também considera haver "injustiças" na denúncia -referência a réus que eram subordinados dos operadores e beneficiários do mensalão.
"Os funcionários não sabiam o que estava acontecendo", afirma o delegado, citando Anita Leocádia (assessora parlamentar) e Geiza Dias (gerente da SMPB, agência do publicitário Marcos Valério).
EMPRÉSTIMOS
Outra discordância refere-se à acusação da Procuradoria de que os empréstimos obtidos nos bancos Rural e BMG eram de fachada.
Para Zampronha, os empréstimos eram verdadeiros e seriam quitados com dinheiro a ser arrecadado pelo esquema -a exemplo do que teria ocorrido no chamado "mensalão mineiro" (suposto esquema de Valério com tucanos em Minas em 1998).
Ele considera que a Procuradoria errou ao denunciar quatro dirigentes do Banco Rural pelo envolvimento nos empréstimos, pois não teria ficado configurada a ligação pessoal deles com as operações (a cargo, diz, do ex-dirigente da instituição José Augusto Dumont, já morto).
Zampronha afirma que os recursos desviados do fundo Visanet (apontado como fonte do mensalão) e repassados à agência de Marcos Valério eram públicos, pois pertenciam ao Banco do Brasil.
Os réus no STF alegam que os recursos eram privados. "O dinheiro era do Visanet, mas repassado ao Banco do Brasil. A partir daí, o dinheiro passava a ser do banco e o Visanet não tinha mais ingerência nas decisões sobre a destinação dos recursos."
Para Zampronha, a participação do réu e ex-diretor do banco Henrique Pizzolato nos repasses foi comprovada.