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quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

O BRASIL QUE O BRASIL LARGOU - Coluna Carlos Brickmann



BRICKMANN 2
Carlos Brickman

 Há territórios, no Rio, em que a Polícia só entra com apoio das Forças Armadas. Há áreas, em São Paulo, em que o Governo garante que a Polícia entra, mas onde não entra, não. Em todo o país, há glebas ocupadas pelos movimentos dos sem-alguma-coisa, com reintegração de posse concedida pela Justiça, em que a Polícia não entra. E há o caso mais escandaloso, que agora ocorreu em Goiás: a presidente do Supremo Tribunal Federal, um dos três Poderes da República, tinha decidido visitar o presídio dos motins. Mas desistiu: segundo sua assessoria, “por questões de segurança”.

A ministra Carmen Lúcia, presidente do Supremo e do Conselho Nacional de Justiça, tem segurança, pode convocar a Polícia Federal, estava com o governador Marconi Perillo, que tem sob seu comando a Polícia Militar de Goiás. Há a guarda do presídio. E a ministra não pôde entrar. A 200 km da Capital Federal, onde fica o comando das Forças Armadas, o presídio não obedece às autoridades: é exercido por facções do crime organizado, que decidem entre si, pelas armas, quem manda naquela área que, como nos foi ensinado, e até agora acreditávamos, pertencia ao Brasil.

O governador Perillo garantiu que a ministra não conversou com ele a respeito da visita ao presídio; e, se quisesse ir, “teria absoluta segurança para fazer a visita”. Sua Excelência só esqueceu de combinar com a equipe da ministra, cuja versão é outra.

Em quem o caro leitor prefere acreditar?

 

Quem pode, pode

 Os poderes Executivo e Judiciário não conseguiram garantir o acesso da presidente do Supremo Tribunal Federal a uma prisão goiana onde quem manda é o crime organizado (qual facção? Isso está sendo decidido com muito sangue).

E o Poder Executivo acaba de descobrir que não tem poder nem para nomear ministros sem receber ordens de fora: o juiz federal Costa Couceiro, da 4ª Vara de Niterói, suspendeu a nomeação da ministra do Trabalho, Cristiane Brasil, obrigando o Governo a adiar a posse. Adiar ou desistir: o recurso foi rejeitado pela segunda instância. Mas Temer garantiu que vai até o Supremo para manter a nomeação. Tudo, menos largar o osso.

 

A causa do bem

Por que insistir tanto em Cristiane Brasil, que não tem grande presença como deputada nem se notabilizou por vastos conhecimentos na área do Trabalho? Simples: Cristiana é filha do deputado Roberto Jefferson, chefão do PTB, que tem vinte votos na Câmara – votos que podem ser essenciais na votação da reforma da Previdência.

Como comentou um assíduo leitor desta coluna, Alex Solomon, a negociação sobre a reforma da Previdência segue conforme a rotina: “É pagar ou largar”.

 

Dia D – ou quase D

Com manifestações ou sem elas, sejam favoráveis ou contrárias, e seja qual for o resultado do julgamento, o ex-presidente Lula não será preso no dia 24 de janeiro. De acordo com a assessoria de imprensa do TRF-4, onde deverá ser julgado o recurso de Lula contra a condenação em primeira instância, um condenado só pode ser preso depois de esgotados todos os recursos no segundo grau. Mesmo que nenhum juiz peça vista do processo, o que adiará a decisão até seu voto ser proferido, e Lula seja condenado por unanimidade, há a possibilidade de embargos de declaração, em que a defesa pede esclarecimentos sobre a sentença. Se houver prisão, só depois.

 

Válvula de escape

A notícia é excelente para o PT, que inicialmente ameaçava promover manifestações em todo o país (alguns dirigentes do partido, incluindo José Dirceu, falavam até em revolta). Depois reduziu as manifestações a duas, uma em São Paulo, outra em Porto Alegre, e estava em dificuldades para assegurar que as duas tivessem público ao mesmo tempo. Transporte, comida e hospedagem, mais o cachezinho dos voluntários, exigem quantias que hoje as centrais sindicais têm dificuldades de levantar, sem o imposto sindical e com a dramática redução das bancadas e cargos públicos do PT.

 

O incrível Huck

Luciano Huck, da Globo, apareceu no programa do Fausto Silva, como tantos astros da Globo. Se Huck será candidato, não se sabe. Ainda não é.

Hora H

O deputado Jair Bolsonaro, que até agora navegou tranquilo no mar sem candidatos das eleições presidenciais, está prestes a fazer uma descoberta: a de que não tem tempo de televisão, seja qual for o partido pelo qual decida sair. Nos blocos de 30 segundos, terá direito a algo como meio segundo. E nos blocos de 12m30s, terá pouco mais de 12 segundos. Dá para repetir, sincopadamente, por cinco vezes, a frase “Militar é bom, civil é ruim”.

 

Desembarque

 Não dá tempo nem para responder à reportagem sobre o crescimento de seu patrimônio. O parco horário de que disporá não é tão mau assim.


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quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Schwarzenegger doa 100 mil dólares a grupo judaico de combate ao ódio


Arnold Schwarzenegger
Após a violenta manifestação da extrema-direita em Charlottesville/EUA, Arnold Schwarzenegger doou US$ 100 mil para o Centro Simon Wiesenthal, que combate o antissemitismo, o ódio e o fanatismo. Ex-governador da Califórnia, ele afirmou que estava “horrorizado” pela marcha que reuniu neonazistas, supremacistas brancos e grupos racistas. “Fiquei horrorizado com as imagens e tive o coração partido ao ver que um terrorista doméstico tomou uma vida inocente. Minha mensagem para eles é simples: vocês não ganharão. Nossas vozes são cada vez mais fortes”.

domingo, 30 de julho de 2017

Consumir sem Produzir (Excelente Texto)


quinta-feira, 29 de junho de 2017

Lendas urbanas sobre o nazismo



Coisas Judaicas
Mitos sobre o nazismo que as pessoas precisam parar de repetir

10. A suástica é um símbolo do mal 

Também chamada de cruz gamada, ela é muito mais antiga do que o nazismo. É um símbolo universal, encontrada amplamente decorando casas e templos na Grécia e Roma antigas e até na África Central e entre os índios norte-americanos. Seu significado varia muito de povo para povo. Para os greco-romanos, era relacionada a moinhos de água, mas usada principalmente como elemento decorativo. Os budistas e hinduístas ainda fazem uso amplo do símbolo, que não tem qualquer conotação negativa. Ao contrário do que talvez você tenha ouvido, uma suástica apontando em sentido anti-horário (ou horário) não é "do mal" (a dos nazistas era em sentido horário). Em sânscrito svastika significa algo como “existência de felicidade”. 

9. Hitler era judeu 

A ironia pode ser irresistível, mas não tem base na realidade. A dúvida surgiu porque a avó de Hitler era mãe solteira. Durante os julgamentos de Nuremberg, seu ex-assessor Hans Frank afirmou que o pai do ditador era filho de um judeu para qual a avó trabalhou como doméstica na cidade de Graz. O problema é que não havia judeus em Graz. Eles só puderam entrar em 1860, quando Alois Hitler, o pai do ditador, tinha mais de 20 anos. Em 2010, um teste de DNA sugeriu que ele teria ascendência semita, mas foi bastante contestado – os pesquisadores nem disseram o que eles testaram, de onde tiraram o DNA. 

8. Só os judeus foram mortos pelos nazistas

Nazismo não era apenas contra judeus, mas também a "decadência moral" e a "poluição genética". Os primeiros exterminados pelo regime foram deficientes físicos e mentais, para evitar que passassem seus genes. Embora os judeus tenham se tornado as mais conhecidas vítimas do nazismo, ciganos, homossexuais, maçons, comunistas e até testemunhas de jeová também estavam entre os assassinados pela política de Hitler. Mais de 100 mil gays foram presos e pelo menos 10 mil executados. Cada tipo de prisioneiro usava uma insígnia diferente no uniforme. Judeus, famosamente, a estrela amarela. Homossexuais, um triângulo rosa - que foi um símbolo inicial do movimento gay, até a adoção do arco-íris, nos anos 1970, já que o primeiro era muito deprimente.

7. Nazistas criaram a ideia de uma raça superior

Eles a levaram ao extremo, mas não foram seus inventores. No mundo inteiro, era fácil achar gente defendendo a superioridade dos brancos. A palavra "eugenia", em nome da qual os nazistas proibiram casamentos entre judeus e alemães e mataram deficientes mentais, foi criada pelo primo em segundo grau de Charles Darwin, Francis Galton. Os Estados Unidos foram o primeiro país no mundo a criar leis de eugenia. Ninguém menos que Winston Churchill as defendeu em livro, duas décadas antes de o nazismo nascer. 

6. Auschwitz e os outros eram campos de concentração

Campo de concentração é um local onde manter prisioneiros de guerra ou políticos em massa. As condições variam muito, desde um quase retiro rural aos gulags soviéticos. Mortos em campos de concentração são vítimas colaterais. Nazistas tinham campos de concentração, usados para prender soldados de países ocidentais. Que eram surpreendentemente bem tratados, aliás, pois a Alemanha havia assinado a Convenção de Genebra, dispondo sobre o tratamento de prisioneiros de guerra. O propósito dos campos como Treblinka, Sobibor e Auschwitz era matar as pessoas desde que chegavam (Auschwitz começou como um campo regular e ganhou depois instalações letais). Tinham uma estrutura industrial para isso. O certo é dizer que são campos de extermínio. Como a União Soviética não havia assinado a Convenção de Genebra, prisioneiros soviéticos iam para os campos de extermínio, não concentração.

5. Todos os alemães eram nazistas

Ninguém era obrigado a se filiar ao partido – ainda que isso tivesse óbvias vantagens. O maior general da Alemanha nazista, Erwin Rommel, não era filiado - e acabou sendo forçado a se matar sob suspeita de participar de uma conspiração para assassinar Hitler. Outros oficiais - como o almirante Canaris - simplesmente boicotavam o regime nazista  tanto quanto podiam. Alguns membros do partido praticaram resistência passiva, como Oscar Schindler. E o grupo estudantil Rosa Branca chegou a realizar passeata contra o nazismo nas ruas de Munique. 

4. O exército alemão era formado apenas por alemães

Havia muitos estrangeiros nas forças alemãs, inclusive as SS. Muçulmanos dos Bálcãs, simpatizantes espanhóis, franceses, ingleses e mais. Até mesmo judeus da Finlândia ajudaram os nazistas. Quase no fim da guerra. cerca de 10% do Exército alemão estacionado França era de soldados russos, fugidos do regime soviético. Após o Dia D, Yang Kyoungjong, um coreano, foi capturado pelos americanos entre as forças nazistas, servindo na França. Ele havia lutado pelo Japão, depois no Exército Vermelho, por fim a Wehrmacht. Morreu em 1992.

3. Os nazistas esconderam ouro roubado

Os nazistas de fato esconderam muito ouro roubado – mas não no chão, como se fossem piratas de filmes (piratas reais também não faziam isso). A maior parte dele foi “escondida” nos cofres da Suíça e da Suécia durante a guerra. Depois do conflito, outra parte foi levada para os Estados Unidos e para a URSS. Tudo com o consentimento dos respectivos governos. 

2. O Brasil tinha o maior número de nazistas fora da Alemanha

Os membros do Partido Nazista no Brasil eram menos de 3 mil. Todos alemães nativos, não descendentes, porque esses eram vistos como mestiços degenerados, que perderam sua cultura, e ninguém nem se dava ao trabalho de conferir seus ancestrais. Nos Estados Unidos, somente a Liga Germano-Americana tinha 25 mil filiados com fortes vínculos com o nazismo – eles desfilavam com bandeiras americanas ao lado da suástica. Antes da guerra, o nazismo era tido por uma ideologia tolerável, se antipática.

1. Alemães são "arianos"


Essa é uma das maiores bizarrices nazistas. Arianos eram invasores do Cáucaso que, há quase 4 mil anos, conquistaram a Índia e a Pérsia - Irã, nome que a Pérsia assumiu em 1935 quer dizer “terra dos arianos”. Teóricos do século 19 levantaram a hipótese de que esses conquistadores também chegaram à Europa, porque lá se fala línguas indo-europeias, aparentadas ao sânscrito, hindi e persa (incluindo o português). Uma migração do Cáucaso é o coerente com o que se acredita ainda hoje, ainda que a palavra "ariano" se refira apenas à leva asiática. Mas os nazistas tinham outra parte: para eles, só no norte da Europa os arianos se mantiveram "puros" – isto é, os alemães seriam mais "arianos" do que povos com real ligação com os arianos, os indianos e iranianos. Isso tem zero base na realidade.

terça-feira, 27 de junho de 2017

Artefatos nazistas encontrados em sala secreta na Argentina


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Especula-se que eles foram trazidos para o país por altos funcionários nazistas.
A polícia da Argentina acredita ter descoberto a maior coleção de artefatos nazistas na história do país. Segundo a Associated Press, a ministra da Segurança, Patricia Bullrich, explicou que muitas das peças estavam acompanhadas de fotografias. "Esta é uma maneira de comercializá-las, mostrando que elas foram usadas no horror do Holocausto por Hitler. Há fotos dele com os objetos”. Disse.

As 75 peças foram encontradas em uma sala escondida na casa de um colecionador, ao norte de Buenos Aires, e indicam que pertenciam originalmente a altos funcionários do Terceiro Reich.

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Ampulheta com marcas nazistas na sede da Interpol em Buenos Aires
Os objetos ainda incluem um busto de Adolf Hitler, brinquedos de nazismo e um dispositivo médico usado para medir o tamanho da cabeça. Os nazistas eram defensores da teoria da eugenia e usaram o conceito de diferenças genéticas para avançar nas suas ideias de superioridade racial ariana. As medidas cranianas foram uma maneira pela qual os nazistas acreditavam que podiam distinguir entre raças e provar que os judeus eram inferiores.

A polícia está tentando descobrir como os objetos chegaram da Alemanha, mas tudo indica que eles foram trazidos por membros do alto escalão do partido nazista que fugiram para a Argentina no fim da Segunda Guerra Mundial.
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Josef Mengele, conhecido como o anjo da morte do nazismo, por suas experiências cruéis e mortíferas com os judeus no campo de concentração de Auschwitz, viveu na Argentina por um período após a guerra, antes de morrer no Brasil, em 1979.  Já o engenheiro do Holocausto, Adolf Eichman, foi sequestrado por agentes israelenses do Mossad, também em Buenos Aires, em 1960, e condenado à morte em 1961 sendo enforcado em Israel.

A PROVA DO CONLUIO NAZISTA-PERONISTA - por Osias Wurman


Osias Wurman
Jornalista


A descoberta em uma sala escondida de uma casa dos 75 objetos originais da Alemanha nazista volta a colocar sob escrutínio a atividade dos líderes do Terceiro Reich na Argentina. É que para as organizações judaicas e as autoridades policiais que trabalham no caso, tantas peças de significado histórico só podem ter sido trazidas para o país por pessoas confiáveis de Adolf Hitler.
Após o fim da Segunda Guerra Mundial, um grande número de criminosos que ocupavam altos cargos no governo e no exército fugiu da Alemanha e continuaram suas vidas normalmente, em outras partes do mundo. Muitos deles escolheram como um novo destino a Argentina, levando suas famílias e morrendo no anonimato absoluto. Outros, no entanto, conseguiram ganhar alguns anos de negligência até que, finalmente, foram capturados e julgados.
De acordo com a Comissão Esclarecimento de Atividades Nazistas que investigou durante os anos 90, acredita-se que tenham entrado no país cerca de 100 criminosos de guerra que estavam diretamente ligados ao regime. Mas uma base total de refugiados nazistas, não inferior a 10 mil pessoas, entrou na Argentina. O jornal argentino Clarin montou uma lista de oito dos líderes nazistas mais importantes que escolheram a Argentina como sua rota de fuga.

Adolf Eichmann

O SS tenente-coronel foi o ideólogo da "solução final", plano macabro para matar milhões de judeus. Ele veio para a Argentina, em 1950, com documentos falsos e conseguiu um emprego numa fábrica da Mercedes Benz e se estabeleceu-se no norte da Argentina. Um comando do Mossad encontrou-o, em 1960, e o sequestrou para Israel onde foi julgado e condenado à morte.
Joseph Mengele
Médico, antropólogo e oficial da SS alemã. Ele trabalhou no campo de concentração de Auschwitz, onde selecionou as vítimas que seriam executadas nas câmaras de gás e fez experimentos cruéis com os prisioneiros. Ele veio através de barco para a Argentina, em 1949, estabeleceu-se no norte do país e trabalhou como carpinteiro, por quase dez anos. No final dos anos 50, ele fugiu para o Paraguai, onde viveu em uma fazenda. Ele foi para o Brasil e lá ele se afogou, em 1979, depois de sofrer um derrame enquanto nadava.


Erich Priebke

Capitão da SS alemã, ele foi enviado para a Itália, em 1943, onde ele participou do Massacre chamado do Ardeatine. Lá, 335 italianos (prisioneiros na sua maioria políticos e 75 judeus escolhidos aleatoriamente) foram mortos pelos nazistas. Ele se refugiou na Argentina com sua família, logo após a Segunda Mundial Guerra, e estabeleceu-se em Bariloche. Descoberto pela imprensa, em 1995, ele foi extraditado para a Itália, onde ficou sob prisão domiciliar até sua morte, em 2013. Ele tinha 100 anos ao morrer.


Martin Bormann


Foi secretário particular de Hitler. Enquanto um estudo genético confirmou que os restos de ossos encontrados em 1972 em Berlim eram dele, há anos que acreditava-se que Bormann foi para o exílio na Argentina, depois da guerra, e permaneceu escondido na província de Missiones.


Josef Schwammberger


Austríaco, era comandante de vários campos de trabalho da SS na Polônia. De 1948 a 1987 viveu escondido em Córdoba. Depois de ser descoberto, ela foi extraditado para a Alemanha. No hospital da prisão em Hohenasperg, ele morreu em 3 de dezembro de 2004. Ele tinha 92 anos.

Walter Kutschmann

Ele era um oficial da Gestapo, a polícia secreta do nazismo, e principal responsável pelo abate de 2.000 judeus em Lviv, na Polônia, em 1941. Ele fugiu para a Argentina depois da guerra, foi chefe de compras da empresa Osram e viveu em Miramar e Vicente López, sendo preso em 1985. Ele morreu pouco depois no hospital prisão em Buenos Aires, enquanto a Alemanha tentava a sua extradição.

Eduard Roschmann
Oficial da SS e principal responsável pelo Holocausto na Letônia. Ele chegou ao país, em 1948, sob uma falsa identidade e montou uma importação e exportação de medeiras, casou em 1968 e obteve a nacionalidade argentina. Confrontado com o perigo iminente de ser capturado pelos agentes israelenses, em 1977, Roschmann fugiu para o Paraguai, onde morreu em um hospital em Assunção.

Wilfred Von Oven

Ele era um assistente do influente ministro de propaganda nazista Joseph Goebbels. Depois de chegar à Argentina, em 1951, Von Oven trabalhou em revistas e viveu uma vida relativamente tranquila: ele morreu em Buenos Aires, em 2008, depois de voltar várias vezes para a Alemanha.
Leiam nesta edição a cobertura sobre os recentes achados nazistas na Argentina.

quarta-feira, 3 de maio de 2017

O brilho de Israel - POR OSIAS WURMAN - O GLOBO


 “Um abismo separa a qualidade de vida e a contribuição para o bem da Humanidade, produzidas pelos israelenses, quando comparadas com todos os países limítrofes”

POR OSIAS WURMAN

Este mês comemoramos a Independência do Estado de Israel. Passaram-se 69 anos, desde a concretização de um sonho milenar judaico, da criação do moderno Estado judeu.
O pai do sionismo político, Theodor Herzl, jornalista austríaco que, em 1897, presidiu o primeiro Congresso Sionista Mundial, em Basileia, Suíça, fez uma declaração aos participantes que ficou, até hoje, como uma mensagem de fé sobre a volta dos judeus a Sion: “Se quiserem, não será uma lenda”.
Jamais poderemos esquecer o papel fundamental do Brasil na Assembleia Geral da ONU, presidida pelo embaixador Oswaldo Aranha, quando foi aprovada a “Partilha da Palestina”.
A criação de Israel chegou atrasada pelo menos uma década. Tivesse existido um Estado judeu nos anos 30, e o Holocausto não teria acontecido. Dois terços dos judeus europeus não teriam sido assassinados, num total de seis milhões de pessoas inocentes, sendo 1,5 milhão de crianças.
Mas teriam sido os palestinos, que habitavam muitas das terras destinadas pela ONU ao Estado judeu, obrigados a sair de suas propriedades para dar lugar aos que chegavam? Certamente que não, e foram cerca de 650 mil os que se retiraram, atendendo ao chamamento dos governantes árabes para que viessem engrossar as forças que iriam invadir o novo Estado e “afogar os judeus no Mediterrâneo”.
Também não foram responsáveis pelos acontecimentos os 850 mil judeus que viviam, há séculos, nos países árabes da região, e que foram expulsos com apenas a roupa do corpo (violência promovida como retaliação após a criação do Estado de Israel).
Passadas quase sete décadas de existência, e o povo de Israel ainda não alcançou o seu mais desejado triunfo: viver em paz com seus primos e vizinhos.
O Estado judeu é hoje um país moderno, democrático e inovador. Um verdadeiro abismo separa a qualidade de vida e a contribuição para o bem da Humanidade, produzidas pelos israelenses, quando comparadas com todos os países limítrofes.
Das inovações tecnológicas às conquistas científicas, que vão desde o invento do pendrive até a dessalinização da água do mar para consumo doméstico, Israel tem se firmado como potencial produtor de qualidade de vida e avanços científicos em termos internacionais.
Nos últimos nove anos, fato que a mídia não divulgou, a ONG israelense Innovation Africa (www.innoafrica.org) transferiu tecnologia para uso da energia solar, construção de escolas e centros médicos, além de instalar equipamento para o bombeamento de água. Cem cidades, em sete países africanos, têm instalada a energia solar israelense e um milhão de pessoas têm acesso à água potável, graças aos técnicos de Israel.
Vale lembrar que 12 israelenses receberam o Prêmio Nobel nos mais diversos campos da ciência e cultura.
Mas Israel pagou um alto preço em vidas humanas, nestes 69 anos, na defesa de sua existência. Foram cerca de 23.500 mortos em guerras ou atentados terroristas.
Hoje, a resposta às Cruzadas, à Inquisição, aos pogroms, ao Holocausto e a tantos massacres a que o povo judeu resistiu, em mais de 3.800 anos de existência, é o brilho de um Estado judeu, que tem 20% de sua população constituídos de cidadãos árabes-israelenses que estudam em universidades públicas, têm direito ao voto, trabalham em hospitais públicos, têm 13 deputados árabes no Parlamento (Knesset), e é um farol de democracia no Oriente Médio, rotulando-se como a “nação da inovação”.

Osias Wurman é cônsul honorário de Israel no Rio

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Comunidade de judeus na capital da Síria resiste a desaparecimento - por YAN BOECHAT


Yan Boechat/Folhapress
Yacoub Chattah (à esq.) e os irmãos Albert e Rachel Caméo fazem orações em sinagoga de Damasco
Yacoub Chattah (à esq.) e os irmãos Albert e Rachel Caméo fazem orações em sinagoga de Damasco
Albert e Rachel Caméo não gostam de revelar a idade.
"É uma deselegância perguntar isso a uma mulher, você não sabia?", questiona ela, mostrando-se incomodada, enquanto anda lentamente pelas ruelas de pedras no bairro judeu da cidade antiga de Damasco.
O caminhar vagaroso, as mãos trêmulas de Albert e até a maquiagem pesada que Rachel usa na manhã de um sábado revelam que os dois irmãos já passaram dos 70.
Conhecem tudo e todos ali.
Cumprimentam os soldados que fazem a segurança nos incontáveis checkpoints, conversam com os comerciantes que acabaram de abrir os mercadinhos de secos e molhados tão tradicionais desta parte da cidade.
Já perto de um palacete judeu da época Otomana que foi transformado em hotel, cruzam com um homem que leva uma cabra e um cabrito.
"Esta é mais inteligente que um soldado do Daesh", diz o dono dos animais, em árabe, usando o acrônimo depreciativo para a facção terrorista Estado Islâmico e apontando a cabra.
Os três gargalham. O homem encerra a piada dizendo que batizou o cabrito com o nome de Abu Bakr al-Baghdadi, o líder do EI. Mais risos.
Albert e Rachel fazem parte de uma das comunidades judias mais antigas do mundo e que, ano a ano, está desaparecendo. Além deles, apenas outros 13 judeus ainda vivem em Damasco, uma cidade fundamental no desenvolvimento e na história da cultura judaica.
Todos solteiros, todos sem filhos, todos sem muita esperança de um dia encontrarem um par para suas vidas.
"Nós somos os últimos, todos se foram, todos morreram", conta Rachel, num misto de espanhol e francês. "Não havia com quem casar, não ficaram homens e mulheres o suficiente, ficamos só", diza ela, que mora com o irmão Albert e a irmã Bela.
DIÁSPORA
Os judeus sírios se contavam às dezenas de milhares até o século 19. Eles sempre habitaram a Síria, em especial Damasco, desde os tempos de Davi, segundo a Bíblia, e desde alguns séculos antes do nascimento de cristo, segundo diversos historiadores.
A diáspora judia ganhou força com a criação de Israel, em 1948, e se acentuou nas guerras seguintes entre países árabes e o Estado judeu.
De 1967 a 1991, os judeus foram proibidos de deixar a Síria, em uma política austera de Hafez al-Assad, pai do atual líder sírio, Bashar al-Assad. Em 1991, um acordo intermediado pelos EUA fez com que a Síria liberasse a saída de todos os judeus que tivessem o desejo, desde que não emigrassem para Israel.
Eram quase 4.000 na época. A maioria deixou o país.
Entre as poucas centenas que permaneceram na Síria, estavam Albert e as irmãs.
"Escolhemos ficar porque aqui é nossa casa, aqui está nossa vida, aqui estão nossos negócios", conta Albert, uma espécie de líder da comunidade remanescente, enquanto busca em seu bolso a chave para abrir uma porta de madeira grande e larga, típica de uma casa damasquina da época otomana.
A porta se abre para um jardim acanhado, com alguns poucos bancos, duas ou três árvores e uma casa de janelas amplas e uma porta em metal com o símbolo das 12 tribos de Israel encravado.
Entre mais de uma dezena de sinagogas ainda existentes na Síria, esta é a única que mantém serviços regularmente todos os sábados e onde Rachel, Albert e os judeus sírios que não estão velhos demais para se locomover vão fazer suas orações.
É uma sinagoga ampla, detalhadamente ornada e com uma Torá de ao menos 500 anos escrita em pele de gazela. "Não sabemos exatamente a idade, mas acredito que possa ter até mil anos, os mais antigos sempre estiveram aqui na Rússia", diz ele.
"Há uma [sinagoga] com uma Torá ainda mais antiga, de mais de mil anos, mas ela está sob o domínio dos extremistas, aqui mesmo na periferia de Damasco, e achamos que tudo foi destruído. Estamos muito tristes com isso", afirma Yacoub Chattah, 48, outro integrante da comunidade que se juntou aos dois irmãos para as orações.
GUARDIÕES
Rachel, Albert e Yacoub se sentem responsáveis pelas tradições e das instalações judaicas em Damasco.
Não falam hebraico, só árabe, mas mantêm um senso de irmandade com Israel, país que não podem visitar caso queiram viver na Síria.
Protegidos pelo regime, dizem não sofrer perseguição por serem judeus e afirmam conviver harmoniosamente tanto com os muçulmanos sunitas, xiitas e alauítas quanto com os cristãos, drusos e outras minorias que compõem o mosaico religioso da Síria que não caiu nas mãos dos rebeldes muçulmanos extremistas, quase todos ligados à Al Qaeda e ao Estado Islâmico.
Os três, assim como os outros da comunidade, viajavam com frequência para os Estados Unidos e outros países para rever os parentes que decidiram partir.
"Nós sempre podíamos ir a qualquer parte, sem problema. Agora com o [presidente dos EUA Donald] Trump tudo mudou, não conseguimos ir mais para Nova York, onde muito dos nossos parentes estão. Já faz quase dois anos que não vejo meus sobrinhos", conta Yacoub.
Cidadãos sírios, os judeus de Damasco não podem ter o passaporte israelense.
Não podem, nem mesmo, ir a Jerusalém, distante pouco mais de cem quilômetros dali. E com as políticas restritivas de Trump, têm imensa dificuldade de conseguir visto para sair da Síria.
Quem mais sofre com a situação é Yacoub, designer que trabalha na joalheria da família, no centro de Damasco, com a irmã. Aos 48 anos, ele decidiu que não há mais tempo a perder. Quer se casar, de qualquer forma.
"Não pode ser qualquer garota, ela precisa ser judia, né?", diz. "Mas como vou encontrar uma aqui, preciso ir a Nova York achar uma, mas agora não consigo ir".
Rachel, uma professora de francês aposentada, olha para a câmera do repórter e pergunta: "Posso mandar uma mensagem para o Trump?"
Claro que pode.
"Trump, nós somos sírios e somos judeus, não somos terroristas, só queremos visitar nossa família", diz, olhos fixos na lente. "Será que o senhor pode nos ajudar?"
Terminada a mensagem, ela pergunta, em espanhol, se ficou bom.
"Vamos ver se aquele cachorro sarnento nos ajuda a conseguir o maldito visto", afirma. "Quero visitar meu irmão que mora no México." 

domingo, 1 de janeiro de 2017

O Templo do Monte e a UNESCO

  • As tentativas de negar toda e qualquer presença judaica antiga e contínua em Jerusalém, dizer que nunca houve o Primeiro e muito menos o Segundo Templo e que somente os muçulmanos têm direito à cidade inteira, seus santuários e monumentos históricos, atingiram proporções insanas.
  • É realmente a isso que tudo se resume? O Estado Islâmico governa a comunidade internacional? Incluindo a UNESCO?
  • O mundo fica indignado ao ver as pedras de Palmyra se transformarem em escombros e outros grandes monumentos da civilização humana virarem pó. Mas este mesmo mundo silencia quando os árabes palestinos e seus defensores islamizam tudo ao questionarem a indubitável presença do povo judeu na Terra Santa.
UNESCO, Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura, é conhecida em todo o mundo pelos inúmeros lugares que designou como Patrimônio da Humanidade. Já são mais de mil, distribuídos de forma desigual em muitos países, estando a Itália no topo da lista, seguida pela China.
A categoria de sítios que conta, disparadamente, com o maior número de lugares sagrados encontra-se classificado sob o título de Sítios do Patrimônio Cultural (diferentemente dos Sítios do Patrimônio Natural). Dentro desta categoria a UNESCO realizou muitos diálogos com as comunidades a fim de garantir que as suscetibilidades religiosas fossem levadas em conta e garantidas. A UNESCO se encarregou de tomar inúmeras medidas neste sentido.
Em 2010, a organização realizou um seminário sobre "O papel das Comunidades Religiosas na Gestão das Propriedades do Patrimônio Mundial."
"O objetivo principal do seminário era o de explorar formas de estabelecer um diálogo entre todas as partes interessadas e explorar maneiras possíveis de incentivar e gerar a compreensão mútua e a colaboração entre elas no tocante à proteção de propriedades religiosas quanto ao Patrimônio da Humanidade."
A noção de diálogo neste contexto tinha o claro objetivo de evitar decisões unilaterais de uma nação ou comunidade quanto à reivindicação de posse exclusiva de um lugar sagrado.
Reivindicações pretensas ou verdadeiras quanto à posse de diversos lugares sagrados não são incomuns. A coleção de ensaios intitulada Coreografias de Sítios Sagrados Compartilhados: Religião, Política e Solução de Conflitos, examina essas controvérsias sobre lugares sagrados compartilhados na Turquia, nos Bálcãs, Palestina/Israel, Chipre e Argélia, apresentando análises robustas de como as comunidades se altercam ou trabalham para se conciliarem em relação à disposição de compartilhar santuários e demais patrimônios. Às vezes as pessoas apelam para a pancadaria por causa desses sítios e outras vezes uma religião pode causar imenso sofrimento aos seguidores de outra, como aconteceu em 1988 quando freiras carmelitas erigiram uma cruz de 8 metros de altura em frente ao campo de extermínio de Auschwitz II (Birkenau) em homenagem a uma missa papal realizada em 1979.
Um exemplo mais conhecido de uma polêmica não resolvida é o conflito sobre a mesquita Babri Masjid em Ayodhya na Índia, construída inicialmente entre 1528 e 1529 sob as ordens de Babur, o primeiro dos imperadores mongóis. Segundo relatos hindus, os construtores mongóis destruíram um templo no lugar do nascimento da divindade Rama a fim de construir a mesquita - alegação negada por muitos muçulmanos. [1] A importância do sítio está clara a partir de um texto hindu que declara que Ayodhya é um dos sete lugares sagrados onde pode ser obtida a liberdade derradeira do ciclo de morte e renascimento.
Estas reivindicações conflitantes foram fatidicamente resolvidas quando uma turba de extremistas hindus destruiu a mesquita em 1992 já com o planejamento de construir um novo templo no local. A destruição tem sido usada como justificativa para ataques terroristas de grupos muçulmanos radicais.[2] Os massacres em Wandhama (1998) e a peregrinação de Amarnath (2000) são atribuídos à demolição. Distúrbios comunais ocorreram em Nova Delhi, Bombaim e em outros lugares, bem como muitos casos de esfaqueamento, incêndios criminosos e ataques contra residências particulares e edifícios governamentais.[3]
A bem da verdade invasores muçulmanos destruíram ou alteraram milhares de templos "idolátricos" e lugares sagrados na Índia, bem como fizeram em outros lugares em menor escala, da mesma maneira que o Estado Islâmico está fazendo há vários anos no Iraque e na Síria moderna. Não se trata simplesmente do tipo de destruição normalmente associado a guerras, invasões ou altercações civis. Para os muçulmanos ela tem um fundamento teológico. O Islã, da maneira como está desde a morte do profeta Maomé em 632, baseia-se em três coisas: a crença de que existe um Deus sem parceiros ou colaboradores; a crença de que Maomé é o mensageiro daquele Deus; e a crença de que o Islã é a definitiva e a maior religião revelada para a humanidade, autorizada por Deus a destruir todas as outras religiões e seus artefatos:
"Ele (Alá) foi Quem enviou Seu Mensageiro com a Orientação e a verdadeira religião para fazê-la prevalecer sobre todas as outras, embora isso desgostasse os idólatras" (Alcorão 09:33; 61:9).
É esta última crença que tem, por mais de 1400 anos, incutido um profundo sentimento de supremacia dentro do mundo muçulmano.
Uma vez que muitos muçulmanos acreditam que o Islã é a revelação final e que Maomé é o derradeiro profeta, eles acreditam que não possam viver em pé de igualdade com os seguidores de outras religiões. Judeus e cristãos podem viver em um estado islâmico desde que se submetam a profundas humilhações e rebaixamentos e pagamentos em dinheiro para proteção (o imposto jizya). Igrejas e sinagogas não podem ser reparadas e se desmoronarem não poderão ser reconstruídas. O Islã está acima de tudo.
A última doutrina citada acima é usada repetidamente nas obras de ideólogos salafistas modernos como por exemplo o paquistanês Abu'l-A'la Mawdudi e o egípcio Sayyid Qutb. Abaixo uma declaração típica de Qutb, extraída de sua publicação mais conhecida Ma'alim fi'l-tariq("Milestones"):
"O Islã, portanto, é o único modo de vida divino que traz à tona as características humanas mais nobres, desenvolvendo e utilizando-as para a construção da sociedade humana. O Islã permanece singular nesse aspecto até os dias de hoje. Aqueles que se desviarem deste sistema e quiserem outro, seja com base no nacionalismo, cor e raça, luta de classes ou teorias corruptas da mesma natureza, são verdadeiramente inimigos da humanidade!" [4]
Clique aqui para visualizar um comentário recente de um escritor salafista moderno:
"este domínio mundial do Islã, que foi prometido por Alá, não significa necessariamente que absolutamente todos na terra se tornarão muçulmanos. Quando dizemos que o Islã irá dominar o mundo, queremos dizer como sistema político, como o Mensageiro Maomé profetizou que a autoridade na terra pertencerá aos muçulmanos, ou seja, os crentes estarão no poder e a Sharee'ah (Sharia) do Islã será implementada em todos os cantos da terra".
Segundo a lei islâmica da jihad, qualquer território que tenha alguma vez sido capturado pelo Islã deve permanecer sob controle integral e inviolável das autoridades muçulmanas. [5] Em outras palavras, até países inteiros como Espanha, Portugal, Índia, Grécia ou as nações dos Bálcãs que outrora tinham sido colônias governadas pelos otomanos, devem ser recuperados pelo Islã, seja através da reconquista seja através da corrente "jihad cultural."
É através da imigração em massa, separatismo, introdução gradual da lei islâmica e a criação de guetos que tantos países da Europa se tornaram gradativamente vítimas de um Islã mais determinado. Mas um território em especial continua sob a ameaça da ocupação violenta: o Estado de Israel.
Embora existam movimentos irredentistas e revanchistas em muitos países muçulmanos, esforços para se apoderar de Israel têm servido para desencadear e sustentar o conflito físico mais duradouro e mais difícil de se lidar da história moderna. Demandas e contra demandas, ataques e contra-ataques, guerras e respostas defensivas que ocorrem em Israel estão presentes na mídia todos os dias.
A disputa não é essencialmente política. Após a Primeira Guerra Mundial foi criado um sistema de direito internacional e este sistema acordado mutuamente foi ampliado após a Segunda Guerra Mundial, passando a abranger todos os países que faziam parte das Nações Unidas. Israel foi criado, não para desalojar os habitantes árabes das terras que os britânicos chamavam de Palestina e sim para proporcionar uma pátria aos judeus ao lado de um estado árabe. Mas todos os países árabes recusaram esta proposta. Os palestinos de hoje ainda se recusam a aceitar um estado próprio, embora clamem em altos brados que desejam tal estado.
O âmago da motivação está na rejeição determinada pela religião do estado-nação,[6] somado com a convicção de que a Terra Santa é um território islâmico que jamais poderá ser concedido aos judeus.
Esta negação do direito internacional e da ética permite que muitos muçulmanos aleguem que a cidade de Jerusalém é uma cidade islâmica, uma cidade que jamais poderá ser considerada a capital de um estado judeu, um lugar sagrado que tem um significado importante para os muçulmanos e somente para os muçulmanos.
Não é necessário ser um historiador para saber que Jerusalém era inicial e originalmente uma cidade judaica com posteriores ligações cristãs e mais tarde ainda com fracas ligações islâmicas. Mais do que isso, é a cidade mais sagrada do mundo para os judeus, nela se encontra o lugar mais sagrado da religião judaica, o Templo do Monte -- lugar onde foram construídos, não apenas um, mas dois templos judaicos.
Os judeus rezavam naquele lugar até os templos serem destruídos, primeiro pelo monarca babilônico Nabucodonosor (em 586 a.C.) e depois novamente pelos romanos em 70 d.C.. Os judeus sempre rezam voltados para o Templo do Monte em suas orações.
Os muçulmanos também rezaram, por vários anos, voltados para o Templo do Monte, isso enquanto Maomé e seu pequeno grupo de seguidores viviam em Meca. Eles continuaram rezando dessa maneira por vários meses após emigrarem para a cidade oásica de Yathrib (hoje Medina) em 622. Inicialmente eles rezaram voltados para Jerusalém porque no começo Maomé era um grande admirador dos judeus, de quem ele aprendeu a maioria das coisas que sabia. Mas em Medina, se deu conta que ele não se dava tão bem com os judeus da cidade, que se recusaram a se converter à sua nova religião.
Dezesseis ou dezessete meses após a emigração, Maomé recebeu a revelação segundo a qual os Crentes teriam que virar cerca de 180º, para que dessa maneira ficassem voltados para a cidade de onde veio a maioria deles: Meca. No meio da reza a congregação inteira deu as costas para Jerusalém. Eles não tinham mais o menor interesse pela cidade sagrada dos judeus. [7]
Impossível o Alcorão ser mais explícito quanto a esta matéria. Maomé não segue a mesma direção da reza usada pelos judeus. A Kaaba (estrutura em forma de cubo reverenciada pelos muçulmanos) de Meca apagou toda a imaginação em relação a Jerusalém e ao Templo do Monte. A esta altura não havia em Jerusalém nenhuma rocha ou pedra ou árvore ou construção islâmica relacionada a algo islâmico.
Todavia, para os muçulmanos de hoje, a verdade é exatamente o contrário. Assim sendo não há nada em Jerusalém que pertença aos judeus e cada milímetro dela -- em especial o Templo do Monte e o Muro das Lamentações -- é e sempre foi islâmico. Jerusalém é vista como uma das cidades mais sagradas para os muçulmanos, depois de Meca e Medina.
A demanda muçulmana por Jerusalém é tênue para dizer o mínimo. O verso corânico (17:1) fala de uma viagem noturna feita por Maomé da Mesquita Sagrada (em Meca) para a Mesquita Distante (al-masjid al-aqsa). Comentaristas depois relacionaram esta Mesquita Distante com Jerusalém. Mas não havia nenhuma mesquita e nenhum muçulmano em Jerusalém naquela época - a bem da verdade, também não havia muitos muçulmanos nem na Arábia. A atual Mesquita de Al-Aqsa situada no Templo do Monte foi construída no ano 705, ou seja, 73 anos depois da morte de Maomé em 632 e reconstruída diversas vezes após ser destruída por terremotos. No século XX, ninguém dava importância a ela. Um filme sobre a mesquita realizado em 1954 mostra seu grave estado de deterioração. Sem a menor sombra de dúvida ela não foi nem cuidada nem muito valorizada pela comunidade muçulmana.

Não é necessário ser um historiador para saber que Jerusalém era inicial e originalmente uma cidade judaica com posteriores ligações cristãs e mais tarde ainda com fracas ligações islâmicas. O Segundo Templo Judaico, concluído pelo Rei Herodes em 19 a.C., foi destruído pelos romanos em 70 d.C. (retratado à esquerda em uma pintura de Nicolas Poussin de 1626). A atual Mesquita de Al-Aqsa situada no Templo do Monte foi construída no ano 705, ou seja, 73 anos depois da morte de Maomé em 632 e reconstruída diversas vezes após ser destruída por terremotos. (Imagens: Wikimedia Commons)

E não para por aí. Durante séculos, escritores muçulmanos (isso para não falar de arqueólogos e historiadores judeus e cristãos) concordaram que o Kotel, o Muro Ocidental ou das "Lamentações", era a parte remanescente do Segundo Templo Judaico, o templo construído por Herodes e visitado por Jesus. Ainda em 1924, o Supremo Conselho Muçulmano no período do Mandato Britânico da Palestina publicou um panfleto intitulado Guia Rápido para o al-Haram al-Sharif – Guia do Templo do Monte. Este documento confirma o caráter judaico do sítio: na quarta página, o esboço histórico do Monte ressalta:
"O sítio é um dos mais antigos do mundo. Sua santificação data dos tempos mais remotos. Sua identificação com o sítio do Templo de Salomão é inquestionável. Este, também é o lugar, de acordo com a crença universal, segundo a qual Davi edificou ali ao Senhor um altar, e ofereceu holocaustos, e ofertas pacíficas (2 Samuel 24:25) "
De acordo com a Jewish Virtual Library:
Os primeiros muçulmanos consideravam a construção e a destruição do Templo de Salomão como um acontecimento histórico e religioso de extrema importância e os relatos sobre o Templo são apresentados por muitos dos mais antigos historiadores muçulmanos e geógrafos (incluindo Ibn Qutayba, Ibn al-Faqih, Mas'udi, Muhallabi, e Biruni). Contos fantásticos sobre a construção do Templo por Salomão também aparecem no Qisas al-anbiya' (Contos dos Profetas), coletâneas medievais de lendas muçulmanas sobre os profetas pré-islâmicos. Conforme salientou o historiador Rashid Khalidi em 1998 (em nota de rodapé), embora não haja "provas científicas" da existência do Templo de Salomão, "todos os crentes de qualquer uma das religiões abraâmicas forçosamente devem acreditar que o Templo existiu."
Já faz algum tempo, no entanto, que muçulmanos e instituições muçulmanas começaram a alegar que o Monte nada tem a ver um Templo Judaico, que tal templo jamais existiu e que o Muro das Lamentações é na verdade o muro no qual Maomé amarrou seu lendário cavalo-alado Buraq. Com extrema audácia, o Xeque Tayseer Rajab Tamimi, importante líder religioso na Autoridade Palestina, declarou em 2009: "Jerusalém é uma cidade árabe e islâmica e sempre foi." Tamimi alegou que todos os trabalhos de escavação conduzidos por Israel depois de 1967 "não foram capazes de provar que os judeus tinham uma história ou presença em Jerusalém ou que seu ostensivo Templo tivesse existido." Ele chamou o primeiro-ministro Benjamim Netanyahu e "todos os rabinos e organizações extremistas" de mentirosos, por afirmarem que Jerusalém era uma cidade judaica. Tamimi acusou Israel de distorcer os fatos e de forjar a história "com o objetivo de apagar o caráter árabe e islâmico de Jerusalém".
Não há razão para que os muçulmanos não venerem o lugar, seja de um lugar distante ou para aqueles que residem na própria Jerusalém. Dessa maneira, o Templo do Monte seria mais um sítio religioso com ligações a mais de uma religião -- neste caso com -- o judaísmo, cristianismo e o Islã. Lamentavelmente o senso de domínio sobre todas as outras religiões, conforme descrito acima, significa que os muçulmanos não estão tendo nada disso.
Para eles o Templo do Monte e seus arredores são muçulmanos e ponto final. Na era moderna trata-se de um desdobramento da visão mais ampla de que todo o Estado de Israel é território islâmico.
O conceito islâmico de supremacia se apropriou da UNESCO em contradição direta à sua aceitação de sítios multirreligiosos.
Em outubro de 2015, seis Estados árabes, em nome da Autoridade Palestina (AP) e de outros, propuseram à UNESCO que ela mudasse a denominação do lugar, transformando-o de um lugar sagrado dos judeus para um lugar sagrado dos muçulmanos, como parte da Mesquita de al-Aqsa. A votação foi marcada para 20 de outubro, mas foi adiada após um veemente protesto da Diretora-geral da UNESCO Irina Bokova, que ressaltou"deplorar" a proposta.
Mas a votação ainda pode passar a favor da AP e de seus simpatizantes. Um dia mais tarde, foi anunciado que a UNESCO tinha votado e aprovado a denominação de outros dois importantes lugares sagrados judaicos como sendo muçulmanos -- o "Túmulo dos Patriarcas" em Hebron e o Túmulo de Raquel, perto de Belém.
O "Túmulo dos Patriarcas" segundo a tradição, é onde os corpos de Abraão e Sara, Isaac e Rebeca e Jacó e Léa estão enterrados. É o mais antigo dos lugares sagrados dos judeus, segundo em importância perdendo apenas para o Monte onde os dois templos foram construídos. De agora em diante serão conhecidos como al-Haram al-Ibrahimi, o Santuário de Abraão, assim chamado porque Abraão é descrito no Alcorão como o primeiro muçulmano. Estapafurdiamente isso já é o suficiente para torná-lo um sítio "muçulmano".
O Túmulo de Raquel, situado na direção da entrada norte de Belém, é considerado como o lugar de descanso da Matriarca Raquel, esposa de Jacó e mãe de José e Benjamim. Considerado o terceiro lugar mais sagrado dos judeus e um lugar de peregrinação para os judeus desde os tempos antigos, tem sido e é sagrado tanto para os judeus quanto para os cristãos durante séculos. Desde que o túmulo caiu nas mãos dos muçulmanos no século VII, também tem sido venerado pelos muçulmanos, porque Jacó e José são figuras corânicas, apesar da própria Raquel não ser chamada pelo seu nome no livro.
Autoridades e líderes muçulmanos como o chefe do Movimento Islâmico do Norte, (um movimento radical) Shaykh Raed Salah, não querem um bocadinho aqui e outro bocadinho ali. Eles querem que toda a Jerusalém seja consagrada internacionalmente como uma cidade totalmente muçulmana e, a exemplo do que aconteceu quando a Jordânia ocupou a cidade, expulsar os judeus e destruir todas as sinagogas.
As tentativas de negar toda e qualquer presença judaica antiga e contínua em Jerusalém, dizer que nunca houve o Primeiro e muito menos o Segundo Templo e que somente os muçulmanos têm direito à cidade inteira, seus santuários e monumentos históricos, atingiram proporções insanas. As expressões mais extremadas desta gama de reivindicações que nada têm a ver com a história, afirmações supremacistas e conspirações, fazem parte dos muitos discursos e comentários do acima mencionado Shaykh Raed Salah. Clique aqui para acessar trechos de um discurso por ele proferido em um comício em 1999:
"Nós diremos abertamente à sociedade judaica, vocês não tem direito nem a uma única pedra da abençoada Mesquita de Al-Aksa. Vocês não tem direito nem a uma minúscula partícula da abençoada Mesquita de Al-Aksa. Portanto, vamos dizer abertamente que o muro ocidental da abençoada Al-Aksa faz parte da abençoada Al-Aksa. Ela jamais poderá ser um pequeno Muro das Lamentações. Jamais poderá pode ser um grande Muro das Lamentações... Vamos dizer abertamente à liderança política e religiosa de Israel: a demanda de manter a abençoada Al-Aksa sob a soberania israelense é também uma declaração de guerra ao mundo islâmico. "
Salah está longe de estar sozinho. O atual dirigente do Supremo Conselho Muçulmano Ekrima Sabri, não mediu esforços para invalidar as reivindicações judaicas sobre aquela área. Ele afirma que o Templo de Salomão é uma "alegação não comprovada" -- algo que os judeus inventaram a partir do "ódio e da inveja." Ele afirma que o Muro das Lamentações também, é "uma propriedade religiosa muçulmana" sobre a qual os judeus "não têm nenhuma relação."
Em uma declaração recente, o presidente da Autoridade Palestina Mahmoud Abbas salientou: "a Al-Aqsa (Mesquita) é nossa... e eles (os judeus) não têm o direito de profanarem a Mesquita com seus pés imundos."
De acordo com a UN Watch,
"O embaixador Shama Hohen (Carmel Shama Hacohen, embaixador israelense para a UNESCO) perguntou ao representante palestino Mounir Anastas porque os palestinos não estão dispostos a reconhecer o direito dos judeus ao Templo do Monte e incluir o termo Templo do Monte na resolução, juntamente com o termo árabe Haram al-Sharif. Anastas respondeu... que se os palestinos reconhecessem o Templo do Monte, logo o presidente palestino Mahmoud Abbas e o Rei Abdullah da Jordânia se tornariam o alvo número um do ISIS."
É realmente a isso que tudo se resume? O Estado Islâmico governa a comunidade internacional? Incluindo a UNESCO?
Em 15 de abril deste ano, o Comitê Executivo da Comissão de Relações Externas e de Planejamento da UNESCO se reuniu em sua 199ª sessão. A resolução anterior sobre o Templo do Monte foi apresentada pela Argélia, Egito, Líbano, Marrocos, Omã, Catar e Sudão -- todos são membros da Organização de Cooperação Islâmica. Em seguida o voto foi passado para os 21 membros do Comitê do Patrimônio Mundial durante sua 40ª sessão em Istambul, sessão esta que tinha sido programada para ser realizada a partir de 10 de julho até 20 de julho.
Por mero acaso, a tentativa de golpe militar do mês de julho na Turquia impediu a realização do evento e a votação foi adiada para o outono. A nova investida pode ter como sustentação uma proposta de resolução criada pela União Europeia, que é na verdade apenas mais uma negação da ligação histórica dos judeus com o Templo do Monte. Mas considerando a unilateralidade da resolução, onde se encaixa o acima declarado compromisso da UNESCO de promover "um diálogo entre todas as partes interessadas"?
Transformar o Templo do Monte, o Muro das Lamentações, o Túmulo de Raquel, o Túmulo dos Patriarcas e outros sítios em lugares sagrados exclusivamente muçulmanos está diretamente ligado ao crescimento da islamização da era moderna. Ao destruir igrejas, santuários, túmulos, sítios inteiros da antiguidade considerados idolátricos e até mesquitas consideradas heréticas, o Estado Islâmico pretende apagar todos os vestígios do que é chamado de era de Jahiliyya, ou seja a "Idade da Ignorância" que prendia o mundo em suas garras antes do advento do Islã.
O mundo fica indignado ao ver as pedras de Palmyra se transformarem em escombros e outros grandes monumentos da civilização humana virarem pó. Mas este mesmo mundo silencia quando os árabes palestinos e seus defensores islamizam tudo ao questionarem a indubitável presença do povo judeu na Terra Santa.
Denis MacEoin é Doutor em Filosofia, estudou e lecionou o Islã em diversas universidades e atualmente está compondo um trabalho literário sobre questões religiosas. É ilustre colaborador sênior do Gatestone Institute.

[1] A pesquisa arqueológica moderna mostra que de fato havia um templo anterior naquela área, melhor dizendo, um grande complexo Hindu.
[2] Consulte "Attack[s] on Hindus post Babri demolition," ShankhNaad, 13 de abril de 2015.
[3] Para obter maiores detalhes, consulte ibidem.
[4] Sayyid Qutb, Milestones, Nova Delhi, 2002, pág. 51.
[5] Consulte por exemplo: Amikam Nachmani, Europe and Its Muslim Minorities: Aspects of Conflict, Attempts at Accord, Sussex Academic Press, 2010, pág. 106.
[6] Um conceito europeu, contrário ao projeto imperial islâmico umma que abrange tudo.
[7] Consulte Alcorão 2: 143 a 146.

FONTE - https://pt.gatestoneinstitute.org/8862/templo-monte-unesco