quarta-feira, 12 de abril de 2017

ORDEM DO DIA: FINGIR - por Armando Soares



Por Armando Soares

            A ordem do dia, de cada dia, dos vereadores, dos deputados federais, dos deputados estaduais, dos senadores, dos juízes, dos advogados, dos políticos, dos governantes e dos prefeitos é fingir, ocultar, inventar, fantasiar a verdade. É dissimular com astúcia a verdade. É fingir e fantasiar a verdade para os milhões de brasileiros. Entra dia e sai dia e o Brasil continua o mesmo, sem as reformas necessárias, com os mesmos vícios, sem ordem, sem segurança, com juros e impostos estratosféricos, sem oportunidade de novos empregos e outros males sociais, econômicos e institucionais. O brasileiro assiste a todo esse fingimento, a toda essa enganação teatral hipócrita e tem esperança que as coisas ainda podem melhorar com esse time de políticos e servidores públicos (os que exercem oficialmente cargo ou função pública). O povo brasileiro é do tipo ‘me engana que eu gosto’. 


Imagem relacionada

                Será que o brasileiro ainda acha que os políticos e governantes que conhecemos vão, num gesto de total arrependimento, mudar de repente seu comportamento e maneira de ser? Iriam acabar com a obrigatoriedade do voto? Acabariam com a obrigação do povo de bancar campanhas milionárias e desonestas?  Acabariam com a contribuição sindical que sustenta vagabundos e atrapalha a vida dos brasileiros? Atualizariam a constituição retirando dela o viés socialista? Aceitariam ser político apenas como encargo, como uma obrigação de prestar serviço a grandeza do Brasil abandonando o critério de profissionalização? Qual o político que iria honestamente representar a vontade popular como um encargo passageiro? Por que o povo tem que pagar altos salários a vereadores, deputados e senadores, prefeitos, governadores e presidente da república, por pessoas que não se responsabilizam pelos seus atos, quebram o país e fica tudo por isso? O povo está sendo obrigado a pagar altos salários a políticos para que eles roubem e quebrem o país? A política verdadeira é um trabalho voluntário, não é uma profissão para enriquecer ninguém. 

                Estamos, todos os brasileiros fartos de assistir tanto fingimento diariamente na TV, nos rádios, jornais e internet. Nos tribunais fingem-se que decidem, mas os ladrões continuam soltos sustentando advogados e mídia com o dinheiro roubado; na Câmara e Senado fingem-se mais e descaradamente, mas as verdadeiras e necessárias reformas não são apresentadas e votadas, pois iriam de encontro aos interesses mesquinhos dos partidos coloridos, dos sindicatos e do corporativismo malandros. A Suíça bloqueia R$ 3 bilhões em conta de suspeitos na Lava Jato, quantos bilhões roubados mais estão alimentando os bancos de outros países. Alguém ainda no Brasil tem dúvida onde está o dinheiro que falta para a resolver a crise brasileira? 

                O fingimento no Brasil é endêmico e doentio. A presidente do STF afirma que apesar de tudo as instituições estão funcionando, mas ela sabe que isso não é verdade. Como a justiça pode estar funcionando com milhões de processos parados nos gabinetes de juízes? Funciona uma justiça que leva 30 anos para resolver uma questão de inventário? Em 30 anos toda uma família morre e o Estado engole o patrimônio, isso é normal? Há explicação para essa anomalia? Como considerar que a instituição esteja funcionando a contento e com responsabilidade quando resolve entregar toda a Amazônia a índios dominados por ONGs estrangeiras permitindo assim que as fronteiras brasileiras fiquem sem fiscalização e proteção facilitando o comércio de drogas e contrabando generalizado? Como considerar que a instituição esteja funcionando a contento quando permite que a soberania brasileira seja destruída? 

                Por sua vez os militares fingem que existe democracia e ordem na república. Que democracia e república é essa? A brasileira, com certeza não é, pois, uma democracia que elege políticos e governantes com dinheiro roubado, não é uma democracia e muito menos uma república, é um prostíbulo.

                Os empresários, sejam de qualquer tamanho, fingem que é normal viver num país em que os impostos e as suas regras inviabilizam os negócios obrigando os empresários a viverem no ‘jeitinho brasileiro’, o que alimenta a corrupção e emperra o desenvolvimento.

                Os trabalhadores, instrumento dos socialistas, comunistas e pelegos, fingem que têm vantagens sobre os ‘patrões’, quando na verdade estão construindo a sua própria sepultura, destruindo a fonte geradora do emprego processo que alimenta uma instituição cancerosa que serve a advogados e juízes corporativos e estratificados, processo social que leva à formação de “camadas hierárquicas”. 

                Os pobres, na sua ignorância, fingem que os ricos são os culpados pela sua pobreza, quando são eles mesmos os verdadeiros responsáveis, atitude que os tornam presas fáceis nas mãos de piratas sociais que alimentam os sonhos dos pobres com ideologias que os transformam em escravos como prova exaustivamente a história.

                Fingem as famílias brasileiras achando que seus filhos estão recebendo boa educação nas escolas e universidades, quando na verdade estão sendo enganados por professores e escolas medíocres contaminadas por ideologias criminosas que transmitem o ódio e a discriminação que ensinam as crianças e jovens a desrespeitarem seus pais.

                Fingem irresponsavelmente os brasileiros que acham que nunca serão vítimas de bandidos assassinos que pululam em todas as ruas brasileiras, entrincheirados em favelas com armas compradas com o tráfico de drogas. Os brasileiros, apesar de alguns espasmos de resistência a viver com passeatas, preferem continuar a viver sobressaltado do que buscar num grande movimento nacional continuo a implantação de reformas políticas e de outras naturezas que lhes traga segurança permanente, moralidade e competência política e administrativa.

                Fingem os produtores rurais que podem continuar a produzir alimentos e matérias-primas perseguidos constantemente por políticas públicas nocivas como é o caso da política ambientalista-indigenista, que confisca propriedades através de decisões impatrióticas judiciais e pelo mecanismo de reserva legal que atinge 80% da propriedade, custo econômico que não é levado em consideração pelos produtores e que autofagicamente destrói a atividade e o patrimônio, ao que se soma a constante invasão da propriedade pelos bandidos que não querem reforma agrária, querem terras trabalhadas e seus animais, tudo sob a vista de governos irresponsáveis e covardes incapazes de cumprir as integrações de posse da justiça, que por sua vez cruza os braços e ainda nomeia juízes comunistas para acompanhar e apoiar os bandidos.



Resultado de imagem para ambientalismo


                Fingem os governadores estaduais e municipais que podem governar estados e municípios sem sustentação econômica e somente através de repasses da União, recursos originados de estados e municípios superavitários e de impostos federais, o que mostra a total irresponsabilidade brasileira em criar municípios sem a mínima condição de sustentação econômica. O mais grave desse cenário é que ele se presta para o enriquecimento ilícito de administradores imorais, e para empregar amigos e parentes, anomalia que vem sendo mantida para a felicidade dos corruptos e políticos viciados. Um peso enorme e estúpido que os brasileiros carregam nas costas através da cobrança criminosa de impostos, taxas e outras porcarias estatais.  

                Os deputados fingidos e comprometidos com esquemas corporativos acabaram de mostrar toda sua inutilidade e nocividade mais uma vez, legisla contra o cidadão. Reduz a liberdade de escolha da sociedade e prejudica todos os consumidores e os trabalhadores da empresa.

                Fica difícil viver num país onde impera o fingimento, a hipocrisia e a malandragem.


Armando Soares – economista

e-mail: armandoteixeirasoares@gmail.com   


 Resultado de imagem para armando soares

Soares é articulista de Libertatum

terça-feira, 11 de abril de 2017

Lula humilha os circos do mundo - por elisarobsonbr


Por Elisa Robson*
Encarecer artificialmente o custo de uma mão de obra, bloquear métodos legais, burocratizar os processos com licenças e inúmeras exigências são ingredientes poderosos para levar empreendedores que não sofrem restrições morais a atividades ilícitas. Ou seja, essa forma governamental de “administrar” é o que criminaliza o mercado (embora não seja a única).
Veja abaixo o exemplo prático disso.
A compra de cinco submarinos franceses por R$ 31 bilhões, durante o governo Lula, seguiu o mesmo modelo das negociatas investigadas na Operação Janus, da Policia Federal, onde o ex-presidente é suspeito de tráfico internacional de influência em favor da Odebrecht.
Segundo as investigações, Lula garantia financiamento do BNDES em conversas com dignitários de países, desde que a Odebrecht executasse a obra. Na compra dos submarinos, exigência idêntica foi feita aos franceses.
A estatal francesa DNSC subcontratou a Odebrecht por R$ 3,3 bilhões, por exigência do governo Lula, para construir uma base e um estaleiro. Para garantir obras à Odebrecht, Lula ofereceria a países financiados juros mínimos e generosa carência de 25 anos para começar a pagar. Segundo o colunista Cláudio Humberto, nem mesmo órgãos de controle como Tribunal de Contas da União tinham acesso a contratos de financiamentos do BNDES no exterior. O governo Lula alegava “sigilo bancário” nos financiamentos de obras lá fora e o caráter “secreto” dos acordos bilaterais com outros países.
Esse é precisamente um sistema que possui vantagens irresistíveis aos corruptores e aos empresários corrompidos.  Ele inclui a chance de obter margens de lucro enormes, pois elas embutem todo o risco que um empresário honesto teria, como, por exemplo, o risco de ter sua carga confiscada ou uma obra interrompida pelo próprio governo.  E essas altas margens de lucro tornam-se um atrativo fascinante, sobretudo quando não há possibilidades de uma empresa ascender por meios legais, uma vez que o próprio governo bloqueia todos os caminhos legítimos.  Assim, o empreendimento criminal é muito sedutor porque opera com todas as facilidades que empreendedor natural não tem.
Foi por isso que Marcelo Odebrecht declarou há pouco tempo: “O governo sabia, eu sabia que o meu empresário, para atuar na Petrobras, de alguma maneira, tinha de atender aos interesses políticos daquela diretoria.”
Seu caso mostrou como a intervenção governamental corrupta, especialmente a petista, trabalhou para perpetuar a corrupção. Ou, como denominou o juiz Sergio Moro, torná-la “sistêmica”.
A venda de facilidades a grandes empresas e lobistas era o cerne de todo comportamento do governo Lula, concluiu o Ministério Público Federal.
Contudo, um aspecto primordial revela onde a desonestidade reside. Empresas privadas, que operam em um ambiente de genuína livre concorrência, sem receber subsídios, benefícios e proteções do governo, podem adquirir seus fundos apenas de consumidores satisfeitos e de investidores guiados pelo mecanismo de lucro e prejuízo.  Já uma empresa beneficiada pela corrupção estatal pode adquirir seus fundos de acordo com a “vontade” dos políticos que estão no governo.
Ou seja, é como um circo.
Um circo é uma companhia que reúne artistas de diferentes especialidades, como malabarismo, palhaço, contorcionismo, equilibrismo, e, principalmente, ilusionismo.
E nesse sentido, o de iludir a plateia, Lula é um ás. Ele conseguiu humilhar todos os circos do mundo.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

TIETAGEM COM GOLEIRO BRUNO ENVERGONHA TODO BRASILEIRO SÉRIO- por RODRIGO CONSTANTINO



Foram quase sete anos sem disputar partida profissional. Exatos 2.499 dias separam o 5 de junho de 2010, última partida de Bruno pelo Flamengo, e o 8 de abril de 2017, estreia pelo Boa Esporte. Condenado por 22 anos e três meses pelo assassinato de Eliza Samúdio e por ocultação de cadáver, Bruno certamente não retornou ao futebol como desejava.
Mas o simples fato de ter retornado, e de ainda por cima ter sido ovacionado pela torcida local, diz muito sobre os valores disseminados em nosso país. Ou melhor: sobre a ausência de valores! Parece que o futebol está acima de tudo, e a fama serve como salvo-conduto para os crimes.
“O goleiro teve uma tarde com status de ídolo. Único jogador que teve o nome gritado pela torcida e disputado pelas crianças, na hora de entrar em campo”, conta a reportagem da Folha de S. Paulo. Um assassino triplamente qualificado disputado pelas crianças. O crime, de fato, compensa no Brasil.
Um amigo jornalista desabafou numa rede fechada de debates: “Os que foram ao estádio cultuar o goleiro Bruno, inclusive levando suas crianças, são idiotas, sim, idiotas e imorais, rebanho bovino em forma de gente, que se deixa fanatizar por futebol e também quer aparecer aos holofotes da mídia. Há pessoas que estão no nível dos animais e têm a dignidade de um cachorro diante de um osso. Por isso, as autoridades não devem dar palanque a um criminoso: sempre haverá porcos morais para aplaudi-lo e transformá-lo em herói”.
Gustavo Nogy comentou em sua página do Facebook:
O goleiro Bruno matou, mandou matar, Eliza Samudio. Matou, mandou matar, deu o corpo aos cães. Durante todo o processo, manteve a expressão dura. Com esforço, em alguns depoimentos fingiu o arrependimento que não tem. Condenado a 22 anos de prisão, cumpriu pouco mais de 6 e foi solto por liminar, dada a demora no julgamento do recurso. Tão logo solto, foi contratado pelo Boa Esporte, time mineiro. Os cartolas não conseguiram conter a euforia. Justificaram, tergiversaram, deram de ombros. Decerto abriram champanhes. Ontem, Bruno jogou pela primeira vez depois do assassinato e foi muito bem recebido. Não houve protestos nos arredores do estádio. Entrou com criança no colo e foi aplaudido, ovacionado, festejado, perdoado. Desfez a dureza facial e até sorriu. Ele merece segunda chance. Disse há alguns dias que “a vida segue”. Para ele, segue. Para Eliza Samudio, nem tanto. Que ele cumprisse a pena e vivesse em silêncio. Mas não: voltou aplaudido, ovacionado, festejado, perdoado. Matou, mandou matar, deu o corpo aos cães. Cometeu pênalti logo no primeiro jogo.
Há quem diga que Bruno está jogando de acordo com as regras do jogo, que está livre legalmente, cumpriu parte de sua pena, e deve ter direito a uma segunda chance. Balela! Se a lei é absurda, não devemos por isso fechar os olhos para a injustiça que ela protege ou compensa.
Um amigo advogado comentou: “Realmente, ele está jogando de acordo com as regras do jogo. O problema justamente é esse: as regras do jogo, leia-se, sistema jurídico penal brasileiro. E o sistema reflete a cultura predominante, que é justamente essa de sempre passar a mão na cabeça de infratores”.
Se a lei é ridícula, então o mínimo que devemos esperar é uma punição social, moral, o ostracismo, o repúdio da população. Não selfies! Quem defende o goleiro adota a mentalidade esquerdista, que encara marginal como “vítima da sociedade” que precisa de carinho em vez de punição severa.
João Luiz Mauad, no mesmo debate, disse: “O Japão é recordista de suicídios, entre outras coisas, justamente porque lá é muitas vezes mais difícil conviver com a vergonha pública do que propriamente com a punição da lei. Essa diferença demonstra como as nossas instituições informais são fracas”.
Cristiano Carvalho, advogado, acrescentou: “Instituições são formais e informais… só que a cola da sociedade são as informais (ou social norms, como denominam outros) – as informais não têm prescrição, preclusão, duram tanto quanto a memória humana. E, na era do cyberspace, da informação a custo zero armazenada em nuvem, literalmente podem durar para sempre. Por isso que já há inclusive teses e movimentos jurídicos em prol do ‘direito ao esquecimento’.”
No Brasil isso nem é preciso: o povo esquece, e no dia seguinte! Tem memória curta. Vota em político safado, pensa em votar num populista que acabou de destruir a nação. Cai em tudo que é embuste de oportunista de plantão. E não é só uma questão de ignorância; é também uma questão de caráter, de valores morais, de ética.
Um povo que festeja a volta de um assassino ao futebol, apenas sete anos depois do crime, e coloca crianças para tirar fotos com ele, é um povo indecente, fadado ao fracasso. A permissividade dos brasileiros para com o crime está no epicentro de nossos males. O “coitadismo” é o câncer que corrói nossas estruturas sociais. Todo brasileiro sério está envergonhado hoje.
Rodrigo Constantino

SOBRE / 

 RODRIGO CONSTANTINO
Rodrigo Constantino
Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

A reforma da previdência - por Vanderli Camorim




Otto von Bismarck

A pretendida reforma da previdência social do governo me faz lembrar o Lula quando disse que quando um mentiroso conta uma mentira tem que continuar mentindo a vida toda. A previdência social é uma adaptação em terra tupiniquim da invenção bismarquiana da velha Alemanha imperial.
O trono Alemão estava acossado pelos sociais democratas de um lado e os liberais por outro, e o sonho da conquista do mundo para o engrandecimento da Alemanha imperial corria perigo.  Foi quando Bismarck tirou da manga da camisa o plano do seguro social aplicando uma rasteira nos socialistas e de troco jogando os liberais ao esquecimento. Os trabalhadores caíram como um pato na armadilha e assim o trono imperial alemão de uma só tacada se livrou de todo movimento político indesejável  ao mesmo tempo que submeteu o resto da nação a uma vasta burocracia aumentando perigosamente o poder de sua máquina politica. A Alemanha tornou-se assim o primeiro país a adotar o programa socialista cumprindo o vaticínio de Marx que fizera ainda em 1848 passando a ser conhecido a partir de então como o Socialismo Monárquico. O mundo deixou desde então de ser o mesmo. O liberalismo perde sua força e o socialismo inicia a sua trajetória triunfante e uma serie de revoluções e guerra civil surgem como cogumelos depois da chuva. O mundo tornou-se uma terra fértil para o desastre.

A previdência social é um projeto socialista de cabo a rabo e como tal algo para nunca dar certo senão, de ser uma chocadeira de crises, fonte de conflitos de interesses particulares e, como é compulsório e baseado nos impostos, o que diminui na outra extremidade o montante do capital, um fator que no longo prazo levará ao empobrecimento de toda a sociedade senão a sua destruição. A previdência social é algo nefasto que está longe de ser um direito de todos, mas uma política de queima de capital onde o futuro é sacrificado em favor da orgia dos políticos nos seus sucessos do momento. Iludem as massas por votos a custa de seu próprio futuro. Quando a coisa bate no fundo do poço, quando exaure os recursos acumulados por décadas e até mais que décadas eles se desculpam jogando a culpa em uma mitológica “crise” e assim escapam ilesos da condenação que teriam se as massas entendessem das consequências econômicas desses atos irresponsáveis e enganadores.

Mas ninguém quis saber disso exceto um punhado de intelectuais que nunca marcaram nenhuma influência ao longo da história até hoje e cuja voz ninguém quis ouvir.
As consequências não intencionais foi o crescimento do movimento socialista que se queria combater. Assim, tão logo surgiu em 1884, a Alemanha se revelou ao mundo como a nova Meca para onde os intelectuais de todo o mundo foram procurar inspirações e os partidos políticos o seu programa. É dito então que o socialismo é coisa de Alemão, seu produto e manufatura, de onde ganhou o mundo e cujo resultado foi, entre tantas outras, a reversão e destruição das pacíficas relações da divisão internacional do trabalho levando o mundo diretamente para o caminho do conflito eterno e imprevisível que desde então não deixou de crescer.

Tem muita gente ainda hoje querendo reformar esta estrovenga, mas qualquer reforma não é outra coisa senão a tentativa de dar um fundo novo a uma lata velha e corroída e desviar os olhos do abismo iminente. Não tem o menor sentido seguir por este caminho senão que demonstra o eterno oportunismo dos políticos de segurarem em seus empregos e privilégios de seus eleitores, bem como os eternos interesses particulares já viciados em viver à custa alheia.

Como o mentiroso que se refere Lula, a mentira chamada Previdência Social de tempo em tempo tropeça em suas próprias pernas curtas o que obriga o governo a anunciar por salvadoras reformas sem as quais, dizem, elas podem sumir levando consigo os direitos dos trabalhadores tão penosamente conseguidos. Como desculpa em tapar seus imensos buracos para não dizer mentira, e assim manter a imensa massa de eleitores numa atitude bovina para o conforto do governo, se faz um imenso malabarismo para conciliar o inconciliável em uma luta insana em que diz ser para  preservar seus direitos que algum malvado lhes deseja roubar.  Esta conversa fiada mostra também o quanto as massas crêem nos milagres do socialismo que dizemos sem nenhuma duvida que hoje o socialismo é uma manifestação das massas e que o trabalho dos intelectuais em difundi-las foi coroado com sucesso e assim as massas do povo  permanecem servis a este novo Deus chamado Estado.

Felizmente temos a previdência privada que pode sinalizar uma luz no fim do túnel. Por este meio os recursos poupados seriam encaminhados para o investimento produtivo o que beneficiaria toda a sociedade e que o trabalhador no futuro viveria de seus rendimentos, diferente da previdência do governo que hoje paga os aposentados com o dinheiro que tira de quem trabalha reduzindo os recursos que reduz se não anula toda a chance de progresso e melhoria de todos.

Só os políticos e os burocratas se beneficiam no curto prazo. No longo prazo todos perdem.

Vanderli Camorim


Camorim é articulista de Libertatum

Fernando Gabeira: "Inocentes do Leblon" - O Globo



Considero insensato permitir que Adriana Ancelmo, mulher de Sérgio Cabral, cumpra prisão domiciliar



A Lava-Jato representa uma novidade no Brasil. Mas, às vezes, tem uma recaída, típica dos momentos anteriores. Considero insensato permitir que Adriana Ancelmo, mulher de Sérgio Cabral, cumpra prisão domiciliar. Não desconfio da honestidade do juiz. Prefiro supor que tenha caído, como todos nós caímos, na armadilha do meloso sentimentalismo que envolve nossa cultura.

Em primeiro lugar, quero dizer que concordo com a ideia das mães cumprirem prisão ao lado dos filhos. As cadeias foram feitas para homens, e a ONU reconheceu essa inadequação ao aprovar as Regras de Bangcoc. As regras são boas, vão no sentido do progresso e reconhecem a singularidade da mulher. No entanto, como quaisquer regras, não podem ser aplicadas cegamente. Não creio que sejam no Brasil, onde dois terços dos pedidos de prisão domiciliar foram negados pela Justiça. A primeira pergunta que todos colocaram, inclusive a ministra dos Direitos Humanos: “Por que Adriana Ancelmo, e não todas as outras, tem direito à prisão domiciliar?” Pelo menos, a intervenção do governo admite que pobres também são humanos e retira esse conceito do limbo em que foi jogado por militantes que consideram humano apenas quem compartilha de suas ideias.

No entanto, não é esse o meu ponto. A decisão de transferir Adriana Ancelmo para sua casa foi insensata por outras razões, que se relacionam também com o conceito de Humanidade. Adriana é um dos cérebros da quadrilha que assaltou o Rio. O dinheiro das propinas de Cabral passava por suas mãos. Ela acompanhava o marido nas viagens ao exterior, nas quais o casal organizava melhor a distribuição da fortuna pelos diferentes esconderijos.

Os promotores acham que Cabral desviou R$ 1 bilhão. Cerca de R$ 300 milhões foram encontrados e, inclusive, aliviaram o drama de aposentados que não recebiam havia meses. E os outros possíveis R$ 700 milhões... Onde estariam? Adriana Ancelmo certamente sabe e vai querer redistribui-los não só para os gastos imediatos, mas também para utilizá-los no futuro. Cadeias no Brasil duram pouco.

Essa é a questão ética que se coloca para o juiz Marcelo Bretas, e ele respondeu de forma equivocada: atender à mãe separada dos filhos ou às milhares de mães que teriam seus dramas amenizados se o dinheiro fosse encontrado? Verdade que ele tomou precauções. 

Adriana não pode usar telefone nem internet. Mas como a Justiça brasileira, que não consegue bloquear telefones nos presídios, vai fazê-lo num prédio do Leblon? De novo, as precauções: a Polícia Federal está autorizada a realizar vistorias periódicas, sem avisar. Nos presídios, o próprio Exército está fazendo esse trabalho, que, na verdade, é um trabalho de Sísifo: você apreende os celulares hoje, reaparecem novos aparelhos na semana seguinte.

Em sua casa, Adriana poderá receber parentes, sem as regras rígidas do presídio. A essa altura, os defensores de Bretas devem estar pensando: se nos presídios não se bloqueiam celulares, qual a vantagem de mantê-la presa? Se a família Cabral não respeita as regras do presídio, graças ao grande cúmplice Pezão, que diferença faz receber parentes no Leblon?

Desde o início da década tenho acentuado a simpatia que a Justiça do Rio tem por Sérgio Cabral. No TSE ameaçavam processar quem o questionasse. Os tentáculos parecem se estender ao STJ, onde amigos estão prontos para ajudá-lo.

As recentes prisões de quase todos os conselheiros do Tribunal de Contas do Estado dão apenas uma visão da metástase do processo de corrupção em todos os setores do estado fluminense.

A Lava-Jato caiu na armadilha. Achou um caminho para que um dos cérebros da quadrilha continuasse a trabalhar em paz, articulando a redistribuição do botim. Fez tudo isso para que ela cumprisse suas funções maternas, levasse de novo paz à casa desfeita. Mesmo essa boa intenção implícita nas Regras de Bangcoc torna-se ridícula quando analisada no caso de Adriana.

A decisão de Bretas e dos simpatizantes de Cabral no STJ levou o inferno ao Leblon. O quarteirão onde está o apartamento de Adriana vive em sobressalto. Manifestações, panelaços, gritos de protesto. O próprio restaurante em que Cabral comia, tão perto que os garçons poderiam servi-lo em casa, não é mais o mesmo. Carros buzinam a todo instante, e as vozes dos motoristas indignados penetram no salão. A experiência mostra que esses focos crônicos de protesto tendem a polarizar quando a conjuntura se agrava. Há um potencial de tragédia no ar.

Não é o caso de Bretas, mas, se Cabral tem amigos no STJ, é bom que saibam que ele pode delatar. É preciso gostar muito dele para ajudá-lo. E acreditar que a recíproca é tão verdadeira que, louco para reduzir a pena, Cabral não os entregue também.

URUBUS DA CIDADE INFERNAL - por JOSÉ FRANCISCO BOTELHO


domingo, 9 de abril de 2017

NEM O INIMIGO É DOS BONS - Coluna Carlos Brickmann


CARLOS BRICKMANN
Carlos Brickmann


 Michel Temer convive com ministros ameaçados pela Operação Lava Jato (e correlatas), com aliados que criticam o PT depois de participar de três períodos e meio de petismo no Governo, com suspeitas sobre o financiamento da campanha que o elegeu, ao lado de Dilma. Tudo bem, é do jogo; pelo menos é o que dizem os defensores de seu Governo.

O problema é que Michel Temer escolheu mal até seu principal inimigo. O presidente e sua articulação política temem Renan Calheiros – um senador que já foi obrigado a renunciar à Presidência do Senado por, entre outras coisas, fazer com que uma empreiteira pagasse a pensão de sua amante; que é investigado em 12 inquéritos, nove deles por questões da Lava Jato; que corre o risco de não se reeleger no ano que vem (as pesquisas o colocam atrás de Ronaldo Lessa, PDT, e Teotônio Vilella Filho, PSDB, e empatado com Benedito de Lira, PP); e que, para não perder o foro privilegiado, que o mantém a salvo do juiz Sérgio Moro, pode até desistir da reeleição para o Senado e sair para deputado – de preferência em lista fechada. Antes ser deputado em Brasília do que réu em Curitiba.

Para Renan, é bom brigar com Temer: o Governo tem baixa popularidade, e talvez seja melhor, em Alagoas, dispor do apoio de Lula. Mas Temer deveria arranjar adversários mais qualificados. O que não pode é o presidente brigar com alguém cuja maior aspiração é escapar de Moro.

Os mugidos

Coincidência: o PMDB elegeu os presidentes da Câmara e do Senado. Ambos, quando precisaram explicar a origem de seu dinheiro, voltaram-se à carne. Eduardo Cunha disse que ganhou muito exportando carne moída em lata para a África – embora nunca tenha lidado com carne, nem com exportações.

Renan Calheiros apresentou fazendas com rebanhos primorosos, de rápido desenvolvimento, capazes de gerar grandes lucros. Nas mais modernas e rentáveis fazendas do país, a taxa de fertilidade das vacas é de 73%. Nas de Renan, eram de 86% (e, em 2004, chegaram a notáveis 90,8%). E houve até (veja aonde chega a maldade humana) quem dissesse que o gado declarado por ele não caberia na terra disponível.

Eduardo Cunha já está preso em Curitiba.

Amanhã vai ser outro dia

Amanhã, 10 de abril, Marcelo Odebrecht depõe para Sérgio Moro.

Boas palavras

O prefeito paulistano João Dória Jr., PSDB, determinou a extinção, na Prefeitura, de denominações que indiquem diferenças de classe social entre os cidadãos. Viva! Todos serão chamados de “senhor” e “senhora”, abolindo-se termos como Vossa Excelência, Vossa Senhoria, Vossa Magnanimidade, Vossa Eminência e outros quetais. Quem somos nós para julgar o mérito de um juiz a ponto de chamá-lo de “meritíssimo”? Qual parlamentar merece, por seus atos e formação, ser “Vossa Excelência”?

Certa vez, este colunista foi informado de que deveria dirigir-se a determinado funcionário público de alto nível com o termo “Vossa Magnificência”. Primeiro achei que era pegadinha; ao ser informado de que era assim mesmo, exigi ser chamado de Vossa Gordência. Ele, Magnífico; eu, Gordo. Pelo menos no meu caso o título refletiria a realidade.

Tolerância

Combate à intolerância – étnica, de gênero, de origem, poder aquisitivo, seja qual for – e promoção da tolerância. A revista Conib, da Confederação Israelita Brasileira, acaba de ser lançada e dá acesso gratuito em (https://drive.google.com/file/d/0BygEWKwI7gStVl9jcUFOOVQ1OWs/view).

Um primor: coordenada por um competente jornalista, Henrique Veltman, traz textos de Celso Lafer, Renato Janine Ribeiro, Nilton Bonder, Bernardo Sorj, Yossi Alpern, Flávio Azm Rassekh, Hélio Carnassale, Carla Bassaneto Pinsky, Gabriel Holzhaker, Henrique Veltman, Ivanir dos Santos, Patrícia Campos Mello, Jaime Pinsky, Lelette Couto, Peter Demant, Rony Vainzof; e reproduz um excelente debate entre o ex-chanceler Celso Lafer, a advogada Akemi Kamimura e o advogado Fernando Lottenberg, presidente da Conib. O texto introdutório é de Eduardo Wurzmann, secretário-geral da Conib, e Fernando Lottenberg.

Outra visão

O bom jornalista Marco Piva, comentando uma nota desta coluna de apoio à extinção do Imposto Sindical, lembra que dos 17 mil sindicatos existentes no país (cálculo do relator da reforma trabalhista, Rogério Marinho, PSDB potiguar), mais de cinco mil são patronais, também ameaçados pela tesoura. “Os patrões, muitos deles, também vivem a boa vida sindical, sendo que alguns não pisam numa empresa há muitos anos”, diz Piva, e tem razão.

Como disseram Vinícius de Moraes e Carlos Lyra, na voz de Nara Leão, é hora de por pra trabalhar gente que nunca trabalhou.


 COMENTEcarlos@brickmann.com.br

Twitter: @CarlosBrickmann