domingo, 9 de abril de 2017

NEM O INIMIGO É DOS BONS - Coluna Carlos Brickmann


CARLOS BRICKMANN
Carlos Brickmann


 Michel Temer convive com ministros ameaçados pela Operação Lava Jato (e correlatas), com aliados que criticam o PT depois de participar de três períodos e meio de petismo no Governo, com suspeitas sobre o financiamento da campanha que o elegeu, ao lado de Dilma. Tudo bem, é do jogo; pelo menos é o que dizem os defensores de seu Governo.

O problema é que Michel Temer escolheu mal até seu principal inimigo. O presidente e sua articulação política temem Renan Calheiros – um senador que já foi obrigado a renunciar à Presidência do Senado por, entre outras coisas, fazer com que uma empreiteira pagasse a pensão de sua amante; que é investigado em 12 inquéritos, nove deles por questões da Lava Jato; que corre o risco de não se reeleger no ano que vem (as pesquisas o colocam atrás de Ronaldo Lessa, PDT, e Teotônio Vilella Filho, PSDB, e empatado com Benedito de Lira, PP); e que, para não perder o foro privilegiado, que o mantém a salvo do juiz Sérgio Moro, pode até desistir da reeleição para o Senado e sair para deputado – de preferência em lista fechada. Antes ser deputado em Brasília do que réu em Curitiba.

Para Renan, é bom brigar com Temer: o Governo tem baixa popularidade, e talvez seja melhor, em Alagoas, dispor do apoio de Lula. Mas Temer deveria arranjar adversários mais qualificados. O que não pode é o presidente brigar com alguém cuja maior aspiração é escapar de Moro.

Os mugidos

Coincidência: o PMDB elegeu os presidentes da Câmara e do Senado. Ambos, quando precisaram explicar a origem de seu dinheiro, voltaram-se à carne. Eduardo Cunha disse que ganhou muito exportando carne moída em lata para a África – embora nunca tenha lidado com carne, nem com exportações.

Renan Calheiros apresentou fazendas com rebanhos primorosos, de rápido desenvolvimento, capazes de gerar grandes lucros. Nas mais modernas e rentáveis fazendas do país, a taxa de fertilidade das vacas é de 73%. Nas de Renan, eram de 86% (e, em 2004, chegaram a notáveis 90,8%). E houve até (veja aonde chega a maldade humana) quem dissesse que o gado declarado por ele não caberia na terra disponível.

Eduardo Cunha já está preso em Curitiba.

Amanhã vai ser outro dia

Amanhã, 10 de abril, Marcelo Odebrecht depõe para Sérgio Moro.

Boas palavras

O prefeito paulistano João Dória Jr., PSDB, determinou a extinção, na Prefeitura, de denominações que indiquem diferenças de classe social entre os cidadãos. Viva! Todos serão chamados de “senhor” e “senhora”, abolindo-se termos como Vossa Excelência, Vossa Senhoria, Vossa Magnanimidade, Vossa Eminência e outros quetais. Quem somos nós para julgar o mérito de um juiz a ponto de chamá-lo de “meritíssimo”? Qual parlamentar merece, por seus atos e formação, ser “Vossa Excelência”?

Certa vez, este colunista foi informado de que deveria dirigir-se a determinado funcionário público de alto nível com o termo “Vossa Magnificência”. Primeiro achei que era pegadinha; ao ser informado de que era assim mesmo, exigi ser chamado de Vossa Gordência. Ele, Magnífico; eu, Gordo. Pelo menos no meu caso o título refletiria a realidade.

Tolerância

Combate à intolerância – étnica, de gênero, de origem, poder aquisitivo, seja qual for – e promoção da tolerância. A revista Conib, da Confederação Israelita Brasileira, acaba de ser lançada e dá acesso gratuito em (https://drive.google.com/file/d/0BygEWKwI7gStVl9jcUFOOVQ1OWs/view).

Um primor: coordenada por um competente jornalista, Henrique Veltman, traz textos de Celso Lafer, Renato Janine Ribeiro, Nilton Bonder, Bernardo Sorj, Yossi Alpern, Flávio Azm Rassekh, Hélio Carnassale, Carla Bassaneto Pinsky, Gabriel Holzhaker, Henrique Veltman, Ivanir dos Santos, Patrícia Campos Mello, Jaime Pinsky, Lelette Couto, Peter Demant, Rony Vainzof; e reproduz um excelente debate entre o ex-chanceler Celso Lafer, a advogada Akemi Kamimura e o advogado Fernando Lottenberg, presidente da Conib. O texto introdutório é de Eduardo Wurzmann, secretário-geral da Conib, e Fernando Lottenberg.

Outra visão

O bom jornalista Marco Piva, comentando uma nota desta coluna de apoio à extinção do Imposto Sindical, lembra que dos 17 mil sindicatos existentes no país (cálculo do relator da reforma trabalhista, Rogério Marinho, PSDB potiguar), mais de cinco mil são patronais, também ameaçados pela tesoura. “Os patrões, muitos deles, também vivem a boa vida sindical, sendo que alguns não pisam numa empresa há muitos anos”, diz Piva, e tem razão.

Como disseram Vinícius de Moraes e Carlos Lyra, na voz de Nara Leão, é hora de por pra trabalhar gente que nunca trabalhou.


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NÃO PASSARÁ - por Rapphael Curvo



raphael_curvo
Rapphael Curvo

O governo do Sr. Temer insiste em não reconhecer uma realidade: Não há rombo na Previdência no contexto de sua natureza, criação, arrecadação e legislação. Ela é arrombada todos os meses por opção política que retira da sua arrecadação bilhões para suprir contas provenientes da má administração e da incapacidade de governar. Esta opção política está nos mais diversos atos governamentais tais como DRU, desonerações, incentivos e tantos outros que são bolinhos da festa que é promovida pelo governo na sua caminhada para manter apoios com objetivos futuros de candidaturas e manutenção de Poder.

Em 2015 o sistema de seguridade social apresentou despesas de R$ 683 bilhões e arrecadou R$ 694 bilhões, tendo um saldo positivo de R$ 11 bilhões. Está aí um exemplo de que é uma deslavada mentira que a sistema previdenciário não se sustenta. Neste mesmo ano foi retirado do bolo R$ 76,1 bilhões para o FAT que foi uma festa para Dillma e para as chamadas “outras despesas” que ninguém sabe para que ralo foi. É preciso saber que em tudo que você paga, praticamente, há uma pequena parcela que é orientada para as contas previdenciárias, via a Contribuição Social Sobre Lucro Líquido – CSLL, Contribuição sobre o Financiamento da Seguridade Social, o PIS e o PASEP, Concursos de Prognósticos – Loterias, Importações e por aí vai.

Acontece que o governo federal, como todos os outros estaduais e municipais, encontra o lado mais fácil de arrecadar no bolso do contribuinte. Daí a existência interminável da cadeia de impostos que é astronômica e sem equiparação no mundo. O que se observa é que esta anomalia mudou a direção das obrigações. É o povo que trabalha para o governo manter sua máquina e não o governo trabalhando para o povo para oferecer qualidade de vida e bem-estar. Esta inversão é que faz com que o sonho do brasileiro é fazer parte do setor público e lutar de todas as formas para estar dentro da máquina pública, seja por fajutos concursos, o lambe-lambe dos sapatos dos chefes políticos, do parentesco e das trocas de favores, situações que prevalecem em muito às do mérito. Por esta razão, entre outras, temos um setor público abarrotado de servidores gerando uma gigantesca folha de pagamentos e onerações que vão desde uma simples cadeira a descomunais gastos com energia elétrica, alimentação e por aí vai.

A incapacidade do governo em estabelecer ou mesmo impulsionar o desenvolvimento tem um reflexo enorme no sistema previdenciário. São milhões de desempregados que poderiam estar contribuindo com o sistema e não o fazem porque não existe trabalho e nem mesmo alguma atividade que lhe assegure renda mínima para sobreviver. O brasileiro não tem ideia da massa desempregada no País. Ultrapassa em muito os 60 milhões de desempregados. Sei que muitos dirão que esse número é uma ficção, já escrevi sobre eles em artigos anteriores. É formado pelos 24 milhões entre os desempregados literalmente, os desalentados que já não procuram mais emprego e os sustentados pelo Programa Bolsa Família que tem sua fonte de recursos no caixa da Previdência, cerca de R$ 27 bilhões. Imaginem os senhores leitores se toda essa massa de pessoas estivesse com algum ganho em emprego.

O que acontece é que o governo Temer, como outros também, não consegue enfrentar a máquina do funcionalismo e os sindicatos. Uma ação neste sentido seria, como consideram, “um suicídio” político, um arrasa quarteirão com o partido e com os apoiadores, os partidos penduricalhos. Entende que antes do Brasil, da Nação brasileira, está o partido do qual é filiado e representante, e seus interesses. É desta forma que o Brasil vem sendo “tocado” administrativamente há muito tempo pelos “governos democráticos”, com maior ênfase após o regime militar. Brasília se tornou uma ilha aos agrupamentos políticos, um ninho das aves de rapina. Os raros que não se enquadram nisso, pouco podem fazer pelo País. O que tem promovido efeitos razoáveis de mudança são as mobilizações. Sem estas, não há futuro a menos que Trump erre o alvo e acerte a praça dos Poderes em Brasília. O desespero do governo é que não há como manter tamanho gigantismo funcional sem arrecadar e não há como dispensar pessoal sem reflexo direto nas pesquisas de aprovação e intenção de votos. Aumentar impostos é uma péssima ideia, mas que terá, obrigatoriamente, que ser feito. A reforma previdenciária é um mico para os brasileiros, mas é um escape para o governo Temer manter as tetas da previdência nutrindo os gastos públicos. Mesmo com as últimas concessões, a reforma da Previdência, não passará.

Londonistão: 423 Novas Mesquitas, 500 Igrejas Fechadas

  • Os multiculturalistas britânicos estão alimentando o fundamentalismo islâmico. Os muçulmanos não precisam se tornar maioria no Reino Unido, eles precisam apenas islamizar gradualmente as principais cidades. A mudança já está acontecendo.
  • Personalidades britânicas continuam abrindo a porta para a introdução da sharia. Um dos principais juízes da Grã-Bretanha, Sir James Munby, ressaltou que o cristianismo não influencia mais os tribunais e que os tribunais devem ser multiculturais - ou seja: mais islâmicos. Rowan Williams, ex-arcebispo de Canterbury e o Chefe de Justiça Lord Phillips também sugeriram que a lei britânica deveria "incorporar" elementos da Lei Islâmica (Sharia).
  • As universidades britânicas também estão promovendo a lei islâmica. As diretrizes acadêmicas "alto-falantes externos em instituições de ensino superior", estabelecem que 'grupos religiosos ortodoxos' podem separar homens e mulheres durante os eventos. Na Queen Mary University of London, as mulheres tiveram que usar uma entrada separada e foram obrigadas a sentar em uma sala sem poderem fazer perguntas ou levantar as mãos, igualzinho ao que acontece em Riad e em Teerã.
"Londres é mais islâmica do que muitos países muçulmanos juntos", de acordo com Maulana Syed Raza Rizvi, um dos pregadores islâmicos que lideram o "Londonistão", nome dado pela jornalista Melanie Phillips à capital inglesa. Não, Rizvi não é um extremista de direita. Wole Soyinka, Prêmio Nobel de Literatura, foi menos cortês, ele chamou o Reino Unido de "fossa dos islamistas".
"Os terroristas não suportam o multiculturalismo de Londres", ressaltou o prefeito da cidade Sadiq Khan após o recente ataque terrorista que deixou mortos e feridos em Westminster. A verdade é o inverso: os multiculturalistas britânicos estão alimentando o fundamentalismo islâmico. Acima de tudo, Londonistão, com suas 423 novas mesquitas, está sendo construído sobre as tristes ruínas do cristianismo inglês.
Hyatt United Church foi comprada pela comunidade egípcia para ser transformada em mesquita. A St Peter's Church foi transformada na mesquita Madina. A Brick Lane Mosque foi construída em cima de uma antiga igreja metodista. Não são somente os imóveis são convertidos, as pessoas também o são. O número de convertidos ao Islã dobrou; muitas vezes esses convertidos abraçam o Islã radical, como aconteceu com Khalid Masood, o terrorista que atacou Westminster.
O jornal Daily Mail publicou fotos de uma igreja e de uma mesquita separadas poucos metros uma da outra no coração de Londres. A Igreja de San Giorgio, projetada para acomodar 1.230 fiéis, contava com apenas 12 pessoas para celebrar a missa. Na Igreja de Santa Maria, havia 20.
A mesquita ao lado, a Brune Street Estate enfrenta um problema diferente: a superlotação. O pequeno salão pode acomodar somente 100 pessoas. Na sexta-feira os fiéis precisam ficar na rua para poderem rezar. Pelo andar da carruagem, o cristianismo na Inglaterra está se tornando uma relíquia, enquanto o Islã será a religião do futuro.
Em Birmingham, a segunda maior cidade britânica, onde residem muitos jihadistas que orquestram os atentados, uma minarete islâmica domina o céu. Há petições para permitir que mesquitas britânicas convoquem, por meio de alto-falantes, os fiéis para a oração islâmica três vezes ao dia.
Em 2020, segundo estimativas, o número de muçulmanos que participarão de cultos chegará no mínimo a 683.000, enquanto o número de cristãos que participarão da missa semanal despencará para 679.000. "O novo cenário cultural das cidades inglesas já chegou. O cenário cristão, homogeneizado da religião do Estado está batendo em retirada", ressaltou Ceri Peach da Universidade de Oxford. Ao passo que quase a metade dos muçulmanos britânicos tem menos de 25 anos, um quarto dos cristãos estão acima dos 65. "Daqui a 20 anos haverá mais muçulmanos devotos do que cristãos praticantes", salientou Keith Porteous Wood, Diretor da National Secular Society.
Desde 2001, 500 igrejas de Londres das mais diferentes doutrinas foram transformadas em casas particulares. Nesse mesmo período mesquitas britânicas foram proliferando. Entre 2012 e 2014 a proporção de britânicos que se consideravam anglicanos caiu de 21% para 17%, uma retração de 1,7 milhões de pessoas, enquanto que, de acordo com uma sondagem conduzida pelo respeitado NatCen Social Research Institute, o número de muçulmanos saltou quase um milhão. Paroquianos estão decrescendo a uma taxa que em uma geração o número de fiéis praticantes será três vezes menor do que a dos muçulmanos que vão regularmente à mesquita às sextas-feiras.
Demograficamente falando a Grã-Bretanha está adquirindo cada vez mais um semblante islâmico em lugares como Birmingham, Bradford, Derby, Dewsbury, Leeds, Leicester, Liverpool, Luton, Manchester, Sheffield, Waltham Forest e Tower Hamlets. Em 2015 um estudo mostrou que o nome mais comum na Inglaterra era Mohammed, incluindo as variações ortográficas como Muhammad e Mohammad.
As cidades mais importantes contam com gigantescas populações muçulmanas: Manchester (15,8%), Birmingham (21,8%) e Bradford (24,7%). Em Birmingham a polícia acaba de desmantelar uma célula terrorista, há também uma probabilidade maior de um bebê nascer no seio de uma família muçulmana do que no seio de uma família cristã. Em Bradford e Leicester metade das crianças são muçulmanas. Os muçulmanos não precisam se tornar maioria no Reino Unido, eles precisam apenas islamizar gradualmente as principais cidades. A mudança já está acontecendo. "Londonistão" não é um pesadelo de maioria muçulmana, é um híbrido cultural, demográfico e religioso no qual o cristianismo declina e o Islã avança.


Milhares de muçulmanos participam de um culto ao ar livre em Birmingham, Inglaterra, 6 de Julho de 2016. (Imagem: captura de tela de vídeo Ruptly)

Conforme Innes Bowen assinala no The Spectator, apenas duas das 1.700 mesquitas na Grã-Bretanha de hoje seguem a interpretação modernista do Islã, comparada aos 56% nos Estados Unidos. Os wahhabitas controlam 6% das mesquitas no Reino Unido, enquanto o controle fundamentalista Deobandi chega a 45%. Segundo uma pesquisa do Knowledge Center um terço dos muçulmanos do Reino Unido não se sentem como "parte da cultura britânica".
Londres também está repleta de tribunais da sharia. Há oficialmente 100 desses tribunais. O advento deste sistema jurídico paralelo foi possível graças à British Arbitration Act e ao sistema Alternative Dispute Resolution. Estes novos tribunais se baseiam na rejeição da inviolabilidade dos direitos humanos: os valores de liberdade e igualdade que são a base do Direito Inglês.
Personalidades britânicas continuam abrindo a porta para introdução da sharia. Um dos principais juízes da Grã-Bretanha, Sir James Munby, ressaltou que o cristianismo não influencia mais os tribunais e que os tribunais devem ser multiculturais - ou seja: mais islâmicos. Rowan Williams, ex-arcebispo de Canterbury e o Chefe de Justiça Lord Phillips também sugeriram que a lei britânica deveria "incorporar" elementos da Lei Islâmica (Sharia). O establishment cultural britânico está rapidamente capitulando diante dos fundamentalistas islâmicos ao aceitarem suas exigências.
As universidades britânicas também estão promovendo a lei islâmica. As diretrizes oficiais "alto-falantes externos em instituições de ensino superior" da universidade publicados pela Universities UK, estabelecem que 'grupos religiosos ortodoxos' podem separar homens e mulheres durante os eventos. Na Queen Mary University of London, as mulheres tiveram que usar uma entrada separada e foram obrigadas a sentar em uma sala sem poderem fazer perguntas ou levantar as mãos - como acontece em Riad e em Teerã. A Sociedade Islâmica na London School of Economics realizou uma festa de gala na qual as mulheres e os homens ficaram separados por um painel de sete metros.
Após o ataque à revista satírica francesa Charlie Hebdo, o chefe do MI6, Sir John Sawers, recomendou a autocensura e "certa moderação" ao falar sobre o Islã. O embaixador britânico na Arábia Saudita, Simon Collis, se converteu ao Islã e realizou a peregrinação à Meca, o hajj. Ele agora se chama Haji Collis.
O que está por vir?
Giulio Meotti, Editor Cultural do diário Il Foglio, é jornalista e escritor italiano.

FONTE -  https://pt.gatestoneinstitute.org/10189/londres-mesquitas-igrejas

sábado, 8 de abril de 2017

Renan, o rei do oportunismo - por Débora Bergamasco - IstoE


O EX-PRESIDENTE DO SENADO TROCA DE POSIÇÃO AO SABOR DE SUAS CONVENIÊNCIAS POLÍTICAS. POR TRÁS DOS ATAQUES ENSANDECIDOS AO GOVERNO, RESIDE A ESTRATÉGIA DE SE REELEGER SENADOR EM 2018 E ESCAPAR DA LAVA JATO


Renan, o rei do oportunismo
METAMORFOSE AMBULANTE Da noite para o dia, Renan virou “oposição” ao governo Temer
Débora Bergamasco - IstoE

Nesta semana, entre uma votação e outra, sentado em uma mesa no cafezinho do Senado, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) revira os olhos verdes para cima, como quem busca acessar dados na memória e, com um sorriso malicioso, dispara: “Eu tive o prazer de contar: já li 22 versões diferentes sobre o que teria me levado a divergir do governo Michel Temer.” Joga a cabeça para trás e ri. De cerca de 20 dias para cá, o líder do PMDB na Casa resolveu abrir fogo contra o Palácio do Planalto e está se deleitando com o incêndio causado por seus ataques ao presidente em vídeos publicados no Facebook, mensagens de Twitter e entrevistas.
Renan diz que é contra o atual texto da Reforma da Previdência e critica também a terceirização dos postos de trabalho. Porém, o cacique de Alagoas não está comprometido com as finanças do País, nem está preocupado se o trabalhador terá ou não como receber aposentadoria no futuro se nada for feito agora. Renan, assim como muito de seus pares, interessa-se por salvar a própria pele.
Antes de encarnar o indignado crítico pró-trabalhador, o alagoano encomendou uma pesquisa em seu Estado para avaliar a sua popularidade, a de Michel Temer, a do ex-presidente Lula e a de Renan Filho, governador e seu rebento. Foi só com os resultados em mãos que passou a atacar o chefe do Executivo.
Sem entender exatamente as intenções do até então aliado, Temer enviou os ministros da Casa Civil, José Padilha, e o da Secretaria-Geral da Presidência, Moreira Franco, para falar com o senador duas vezes na mesma semana. Perguntaram o que ele queria e como o governo poderia solucionar essa contenda. Chegou-se a cogitar promover a estratégica Secretaria dos Portos novamente a ministério e entregá-la à turma de Renan. Atualmente, ela está vinculada à pasta dos Transportes, comandada pelo também alagoano Maurício Quintella, não integrante do feudo renanzista.
Mas, aos emissários, Renan não abriu o jogo. O que ele quer do governo neste momento chama-se distância. Na pesquisa, Renan identificou o que seu apurado feeling político já lhe apontava: a reprovação de Temer é estrondosa em Alagoas. No ano que vem, ele termina seu mandato como senador e terá que voltar à disputa eleitoral. Quanto mais ele se opuser ao presidente, calcula ele, melhor serão suas chances de se reeleger, especialmente empunhando uma bandeira contra reformas. Renan também está pavimentando um caminho que lhe permita agarrar nas barbas de Lula, caso o petista consiga ser candidato à presidência pelo PT.
Além de viver da política desde a década de 70, a renovação para seu quarto mandato no Senado é, mais que nunca, essencial, para que ele possa se manter com foro privilegiado. Ele é réu no Supremo Tribunal Federal por peculato (desvio de dinheiro público) e é investigado em outros 15 procedimentos criminais e cíveis no Supremo que apuram se ele cometeu crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.
Além de sua própria reeleição, ele também procura no distanciamento político em relação a Temer tentar ajudar Renan Filho na recondução ao governo alagoano. Está preocupado com as urnas, embora diga que seu herdeiro é o governador mais bem avaliado do Nordeste.
Supremacia ameaçada
O núcleo de Michel Temer avalia que, além das questões eleitorais, Renan se ressinta de ter deixado de ser o principal interlocutor de Alagoas junto ao poder federal, como costumava ser nas gestões de Lula e da ex-presidente Dilma Rousseff. Hoje, há outras lideranças do Estado com mais poder que ele – especialmente este ano, que deixou a presidência do Senado. A supremacia Calheiros está pulverizada diante da influência de Quintella, dos Transportes, do ministro do Turismo, Marx Beltrão, do senador Benedito Lira (PP), que é um frequentador assíduo do Planalto, só para pontuar alguns exemplos.
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Diante da postura oposicionista de Renan, Temer mandou emissários para tentar entender o que ele deseja, mas o senador não abre o jogo
O jeito enigmático de Renan, de optar por não abrir o jogo, fez Temer se lembrar do episódio espinhoso envolvendo um apadrinhado do então presidente do Senado. Em 2014, Renan indicou para o Turismo Vinícius Lages. Mas em 2015, precisando da vaga para tentar conquistar apoio do PMDB na Câmara, Dilma pediu a Temer que consultasse Renan sobre a troca. O então vice-presidente da petista chamou Renan para conversar diversas vezes. E ouvia sempre respostas evasivas como “Michel, faça o que achar melhor”, pois não queria firmar nenhum compromisso. Diante das esquivadas, Temer acabou indicando Henrique Eduardo Alves (PMDB) para assumir a cadeira em 2015.
Já que o senador não quer conversa, a Presidência resolveu agir para neutralizar os efeitos de suas atitudes. Para sua retaliação ser relevante, Renan tenta influenciar integrantes da bancada peemedebista. Nas contas do Planalto, esta influência se dá apenas sobre mais quatro membros (Kátia Abreu, Roberto Requião, Rose de Freitas e Hélio José, de um total de 22 senadores). Aliados de Renan contam ao menos 11, ou seja, metade da bancada. Independentemente do saldo, o presidente está promovendo almoços e jantares com cada um deles, para que possam abrir seus corações – ou suas listas de pedidos.

sexta-feira, 7 de abril de 2017

O JUIZ - por Marjorie Salu


MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“Quatro características deve ter um juiz; ouvir cortesmente, responder sabiamente, ponderar prudentemente e decidir imparcialmente.” (Sócrates)

Estudante de Direito, na tradicional Faculdade Nacional de Direito da antiga Universidade do Brasil e membro da “Academia Boêmia” que o pessoal do Centro Acadêmico Cândido de Oliveira (CACO) promovia, eu participava nos dias 11 de agosto dos “pendura” – comes e bebes em restaurantes e bares – à custa da casa, o que muitas vezes virava caso policial.
Somente a pouco tempo descobri que no 11 de agosto comemora-se – além do Dia do Advogado, o Dia do Juiz…  Felizmente essas duas figuras só se confundem numa data, pois são, pelo menos teoricamente, não somente diferentes, mas antagônicos.
“Advogados” – escreveu Lênin, numa acepção que concordo em gênero e número – “nem os do partido”; enquanto nominalmente a palavra “juiz” que vem do latim, iūdex -dĭcis, literalmente ” é “aquele que julga”, de jus, “direito”, “lei”, e dicere, “dizer”.
Trocando em miúdos, juiz é um cidadão investido de autoridade pública com o poder/dever para exercer o julgamento dos conflitos de interesse que são submetidos à sua apreciação.
No Brasil, como em diversos outros países, o juiz faz parte de uma corporação – o Poder Judiciário – um dos três poderes da República. É um administrador da Justiça do Estado, responsável por declarar e ordenar o que for necessário para julgar procedente ou não a pretensão da parte que o provocou, e fazer jus ao direito pleiteado.
Vem de longe as provocações para que o juiz pratique uma justiça boa e perfeita. Na velha Grécia, Platão alertou: “O juiz não é nomeado para fazer favores com a Justiça, mas para julgar segundo as leis”.
No século passado, um pensador brasileiro, Roberto de Oliveira Campos, no seu livro “Na virada do milênio” escreveu: “A independência do juiz não é uma faculdade absoluta, poder fazer o que queira sem dar satisfações. O juiz não tem, nem pode pleitear, moral ou profissionalmente, nenhuma independência diante da lei. Ele é, tem de ser, pelo contrário, um servidor incondicional da lei.”
A conjuntura político-social no Brasil nos leva a reconhecer a situação pré-falimentar da República, com o Poder Executivo vacilante quanto a sua legitimidade, um Poder Legislativo em estado de putrefação pelas práticas corruptas de muitos dos seus membros, e um Poder Judiciário que nem sempre exerce a sua função com independência e fazendo favores a quem nomeia os juízes…
Há, porém, honrosas e dignificantes exceções, principalmente entre os magistrados que julgam as ações da Operação Lava Jato. Em diversas unidades da Federação assistimos à intervenção de juízes – na maioria jovens – que obedecem à Lei e julgam com autonomia para agir e decidir.
Em destaque, como não poderia deixar de ser, temos a “República de Curitiba” – na ação da Justiça Federal do Paraná tendo à frente o juiz Sérgio Moro, que pelos ataques que vem sofrendo dos investigados, na grande maioria comprovadamente corruptos, cresce na nossa admiração, respeito e o aplauso dos brasileiros honestos.
A intervenção sistemática da Lava Jato, através da Polícia Federal e dos procuradores da República é um tesouro guardado, com chave de ouro, por um juiz que honra a sua função e obscurece todos os que distribuem malfeitos em nome da Justiça.

O resumo do Brasil



O resumo do drama brasileiro é esse aí. Na previdência publica x privada, então, a "boca de jacaré" absolutamente se escancara.
A instabilidade política é especialmente fabricada para impedir que isso mude.
O Brasil está sendo assassinado pra que uns poucos milhões de marajás não tenham de devolver o que nos roubam por dentro da lei.
O resto é mentira.

Quem tem medo da verdade?


7 de abril de 2017 § 12 Comentários
Artigo para O Estado de S. Paulo de 7/4/2017
Aposentadorias e “Benefícios de Prestação Continuada” (BPC) pagos a funcionários “incapacitados” representam 54% do gasto da União. A folha do funcionalismo ativo outros 41%. Sobram 5% para financiar todos os investimentos publicos. Nos estados e municípios é tal a fome dos marajás que nem para pagar a parcela do funcionalismo que, bem ou mal, de fato “serve” o público, tem sobrado.
A carga de impostos é de 36% do PIB e o deficit de pelo menos outros 10%. São 46% do PIB, mais de R$ 2 trilhões e 500 bilhões, apropriados anualmente pelo estado, R$ 2 trilhões e 375 bilhões dos quais (95%) consumidos com salários, aposentadorias, pensões, bolsas e quejandos. Um oceano dentro do qual tudo quanto se roubou em todos os anos investigados pela Lava Jato e, provavelmente nos séculos 20 e 21 somados ou talvez, até, de 1500 até hoje, vira uma gota ou, vá lá, um balde d’água.
Não é preciso mais nada para explicar porque estamos arrebentados. Um simples olhar para as parcelas dessa conta basta, também, para tornar instantaneamente lógica a aparente confusão política em que vivemos. Quinze dias atras Marcos Mendes e Mansueto Almeida, Secretário de Acompanhamento Econômico da Fazenda, publicaram na Folha de S. Paulo extenso artigo destrinchando aspectos centrais da reforma da previdência. Todo servidor se aposenta com 100% do que ganhava no ultimo dia de trabalho, coisa inédita no mundo. (Na verdade costumam ter uma ou duas “promoções” pouco antes de cruzar a linha aos 50 anos). Com 30 anos ou mais pela frente de puro desfrute, camadas sucessivas se vêm acumulando. Todas essas aposentadorias têm sido “reajustadas” muito acima da inflação junto com os salários dos servidores ativos (esses com aumentos contratados até 2020 no meio do pânico do resto do Brasil). Já os súditos no país real “se aposentam” com 70% do ultimo salário (que paga imposto a partir de R$ 2 mil e poucos) e continuam trabalhando até morrer pois se já viviam no limiar da miséria com 100%, que dirá com 70%. Essa situação é tão generalizada que o governo está criando o Regime Especial para o Trabalhador Aposentado isentando o trabalho na velhice de alguns impostos. Aposentadoria “por tempo de serviço” aos 50 anos é, portanto, um luxo exclusivo dos donos do estado. A maioria se aposenta antes disso, aliás, graças aos “regimes especiais”, mais uma das inumeras formas de roubo legalizadas com que nos sangram, exatamente semelhante aos “auxílios” e outros apelidos que dão a pedaços do salário para aumenta-lo alem do teto e sonegar imposto, só que aplicado ao tempo contado para se aposentar.
Pensões por morte são outro luxo hereditário exclusivo do marajalato. Custam 3% do PIB no Brasil quando o padrão mundial é abaixo de 1%. 32% dessas pensões são pagas a funcionários que já recebem aposentadoria. 73% vão para apenas 30% dos domicílios, todos na categoria dos de maior renda do Brasil. O gasto com “Benefícios de Prestação Continuada” (BPC) pagos a “incapacitados”, valendo em média 10 Bolsas Família cada, cresceu de R$ 14 bilhões em 2003 para R$ 49 bilhões em 2016. A maior parte foi conseguida por ação judicial, dispensando, portanto, a evidência de dedos ou membros faltantes ou outras deficiências perceptiveis a olho nu. Só juizes, mais de 10 mil dos quais recebem acima do teto constitucional e, frequentemente, salários acima de seis dígitos, e “peritos judiciais”, foram capazes de “enxerga-las”. 43% dos BPC pagos vão para a faixa dos 40% mais ricos do Brasil.
Vai por aí o escárnio e, por essas e outras, a maioria dos servidores públicos federais está na faixa dos 1% mais ricos do Brasil e quase nenhum está aquém dos 5% mais ricos. Isso antes de contar as frotas de jatos, as dezenas de milhares de automoveis, os planos de saude eternos e as mordomias mil que a favela paga para os palácios.
Uns poucos, muito poucos, entre esses abusos seriam coibidos pela reforma da previdência proposta por Michel Temer que, por ter ousado tanto, está, com todos os seus “negociadores” de reformas no Congresso, varejado de delações e a um passo de ser apeado da presidência.
O problema brasileiro é “biodegradavel”. Expostos os dados ao sol a unica resposta decente, a única resposta aritimeticamente possivel, impõe-se por si só. A sobrevida da “privilegiatura” depende estritamente, portanto, de mante-los escondidos sob uma barragem a mais ruidosa possivel de mentiras. Não é por outra razão que a luta pelo poder se tem resumido à luta pelo controle dos meios de difusão de “narrativas”, o novo nome da mentira, seja pela martelação da discurseira sem contraditório daquela gente sinistra dos “horários gratuitos”, seja pelo “aparelhamento” de escolas e redações. Agora querem dar o golpe final fechando o último canal de expressão sem “tradução” da voz do povo com essa “lista fechada”.
Meu coração tem tentado mas meu cérebro recusa-se a se convencer de que é apenas ingênua e distraída essa justiça sem prioridades que, sempre em perfeita afinação com a imprensa e consonância com o tramite das reformas, arregala um olho para ladrões individuais de milhões mas sistematicamente fecha os dois para a ladroagem coletiva de trilhões sem o fim da qual o Brasil não se salva.
O passado condena? Pode ser. Mas a verdade é que Temer não pode dizer a verdade num pais onde ninguém mais diz a verdade. Como não é dele, é do Brasil que se trata, é preciso lançar uma campanha impessoal para demonstrar, sem eufemismos, a relação direta de causa e efeito entre cada marajá excluído da reforma e cada aumento de imposto, e entre cada aumento de imposto e cada emprego a menos. O Brasil precisa ser instado a fazer as escolhas que lhe restam sabendo claramente quem custa quanto ao estado brasileiro, o quê pode ser trocado pelo quê, quanta dor adicional e quanto alívio podem ser contratados pelo mesmo dinheiro escasso. Sem isso, fica fácil demais para lobos se apresentarem como cordeiros e bandidos como mocinhos enquanto nos empurram, todos juntos, para o ponto de onde não ha mais retorno.