sábado, 8 de abril de 2017

Renan, o rei do oportunismo - por Débora Bergamasco - IstoE


O EX-PRESIDENTE DO SENADO TROCA DE POSIÇÃO AO SABOR DE SUAS CONVENIÊNCIAS POLÍTICAS. POR TRÁS DOS ATAQUES ENSANDECIDOS AO GOVERNO, RESIDE A ESTRATÉGIA DE SE REELEGER SENADOR EM 2018 E ESCAPAR DA LAVA JATO


Renan, o rei do oportunismo
METAMORFOSE AMBULANTE Da noite para o dia, Renan virou “oposição” ao governo Temer
Débora Bergamasco - IstoE

Nesta semana, entre uma votação e outra, sentado em uma mesa no cafezinho do Senado, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) revira os olhos verdes para cima, como quem busca acessar dados na memória e, com um sorriso malicioso, dispara: “Eu tive o prazer de contar: já li 22 versões diferentes sobre o que teria me levado a divergir do governo Michel Temer.” Joga a cabeça para trás e ri. De cerca de 20 dias para cá, o líder do PMDB na Casa resolveu abrir fogo contra o Palácio do Planalto e está se deleitando com o incêndio causado por seus ataques ao presidente em vídeos publicados no Facebook, mensagens de Twitter e entrevistas.
Renan diz que é contra o atual texto da Reforma da Previdência e critica também a terceirização dos postos de trabalho. Porém, o cacique de Alagoas não está comprometido com as finanças do País, nem está preocupado se o trabalhador terá ou não como receber aposentadoria no futuro se nada for feito agora. Renan, assim como muito de seus pares, interessa-se por salvar a própria pele.
Antes de encarnar o indignado crítico pró-trabalhador, o alagoano encomendou uma pesquisa em seu Estado para avaliar a sua popularidade, a de Michel Temer, a do ex-presidente Lula e a de Renan Filho, governador e seu rebento. Foi só com os resultados em mãos que passou a atacar o chefe do Executivo.
Sem entender exatamente as intenções do até então aliado, Temer enviou os ministros da Casa Civil, José Padilha, e o da Secretaria-Geral da Presidência, Moreira Franco, para falar com o senador duas vezes na mesma semana. Perguntaram o que ele queria e como o governo poderia solucionar essa contenda. Chegou-se a cogitar promover a estratégica Secretaria dos Portos novamente a ministério e entregá-la à turma de Renan. Atualmente, ela está vinculada à pasta dos Transportes, comandada pelo também alagoano Maurício Quintella, não integrante do feudo renanzista.
Mas, aos emissários, Renan não abriu o jogo. O que ele quer do governo neste momento chama-se distância. Na pesquisa, Renan identificou o que seu apurado feeling político já lhe apontava: a reprovação de Temer é estrondosa em Alagoas. No ano que vem, ele termina seu mandato como senador e terá que voltar à disputa eleitoral. Quanto mais ele se opuser ao presidente, calcula ele, melhor serão suas chances de se reeleger, especialmente empunhando uma bandeira contra reformas. Renan também está pavimentando um caminho que lhe permita agarrar nas barbas de Lula, caso o petista consiga ser candidato à presidência pelo PT.
Além de viver da política desde a década de 70, a renovação para seu quarto mandato no Senado é, mais que nunca, essencial, para que ele possa se manter com foro privilegiado. Ele é réu no Supremo Tribunal Federal por peculato (desvio de dinheiro público) e é investigado em outros 15 procedimentos criminais e cíveis no Supremo que apuram se ele cometeu crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.
Além de sua própria reeleição, ele também procura no distanciamento político em relação a Temer tentar ajudar Renan Filho na recondução ao governo alagoano. Está preocupado com as urnas, embora diga que seu herdeiro é o governador mais bem avaliado do Nordeste.
Supremacia ameaçada
O núcleo de Michel Temer avalia que, além das questões eleitorais, Renan se ressinta de ter deixado de ser o principal interlocutor de Alagoas junto ao poder federal, como costumava ser nas gestões de Lula e da ex-presidente Dilma Rousseff. Hoje, há outras lideranças do Estado com mais poder que ele – especialmente este ano, que deixou a presidência do Senado. A supremacia Calheiros está pulverizada diante da influência de Quintella, dos Transportes, do ministro do Turismo, Marx Beltrão, do senador Benedito Lira (PP), que é um frequentador assíduo do Planalto, só para pontuar alguns exemplos.
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Diante da postura oposicionista de Renan, Temer mandou emissários para tentar entender o que ele deseja, mas o senador não abre o jogo
O jeito enigmático de Renan, de optar por não abrir o jogo, fez Temer se lembrar do episódio espinhoso envolvendo um apadrinhado do então presidente do Senado. Em 2014, Renan indicou para o Turismo Vinícius Lages. Mas em 2015, precisando da vaga para tentar conquistar apoio do PMDB na Câmara, Dilma pediu a Temer que consultasse Renan sobre a troca. O então vice-presidente da petista chamou Renan para conversar diversas vezes. E ouvia sempre respostas evasivas como “Michel, faça o que achar melhor”, pois não queria firmar nenhum compromisso. Diante das esquivadas, Temer acabou indicando Henrique Eduardo Alves (PMDB) para assumir a cadeira em 2015.
Já que o senador não quer conversa, a Presidência resolveu agir para neutralizar os efeitos de suas atitudes. Para sua retaliação ser relevante, Renan tenta influenciar integrantes da bancada peemedebista. Nas contas do Planalto, esta influência se dá apenas sobre mais quatro membros (Kátia Abreu, Roberto Requião, Rose de Freitas e Hélio José, de um total de 22 senadores). Aliados de Renan contam ao menos 11, ou seja, metade da bancada. Independentemente do saldo, o presidente está promovendo almoços e jantares com cada um deles, para que possam abrir seus corações – ou suas listas de pedidos.

sexta-feira, 7 de abril de 2017

O JUIZ - por Marjorie Salu


MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“Quatro características deve ter um juiz; ouvir cortesmente, responder sabiamente, ponderar prudentemente e decidir imparcialmente.” (Sócrates)

Estudante de Direito, na tradicional Faculdade Nacional de Direito da antiga Universidade do Brasil e membro da “Academia Boêmia” que o pessoal do Centro Acadêmico Cândido de Oliveira (CACO) promovia, eu participava nos dias 11 de agosto dos “pendura” – comes e bebes em restaurantes e bares – à custa da casa, o que muitas vezes virava caso policial.
Somente a pouco tempo descobri que no 11 de agosto comemora-se – além do Dia do Advogado, o Dia do Juiz…  Felizmente essas duas figuras só se confundem numa data, pois são, pelo menos teoricamente, não somente diferentes, mas antagônicos.
“Advogados” – escreveu Lênin, numa acepção que concordo em gênero e número – “nem os do partido”; enquanto nominalmente a palavra “juiz” que vem do latim, iūdex -dĭcis, literalmente ” é “aquele que julga”, de jus, “direito”, “lei”, e dicere, “dizer”.
Trocando em miúdos, juiz é um cidadão investido de autoridade pública com o poder/dever para exercer o julgamento dos conflitos de interesse que são submetidos à sua apreciação.
No Brasil, como em diversos outros países, o juiz faz parte de uma corporação – o Poder Judiciário – um dos três poderes da República. É um administrador da Justiça do Estado, responsável por declarar e ordenar o que for necessário para julgar procedente ou não a pretensão da parte que o provocou, e fazer jus ao direito pleiteado.
Vem de longe as provocações para que o juiz pratique uma justiça boa e perfeita. Na velha Grécia, Platão alertou: “O juiz não é nomeado para fazer favores com a Justiça, mas para julgar segundo as leis”.
No século passado, um pensador brasileiro, Roberto de Oliveira Campos, no seu livro “Na virada do milênio” escreveu: “A independência do juiz não é uma faculdade absoluta, poder fazer o que queira sem dar satisfações. O juiz não tem, nem pode pleitear, moral ou profissionalmente, nenhuma independência diante da lei. Ele é, tem de ser, pelo contrário, um servidor incondicional da lei.”
A conjuntura político-social no Brasil nos leva a reconhecer a situação pré-falimentar da República, com o Poder Executivo vacilante quanto a sua legitimidade, um Poder Legislativo em estado de putrefação pelas práticas corruptas de muitos dos seus membros, e um Poder Judiciário que nem sempre exerce a sua função com independência e fazendo favores a quem nomeia os juízes…
Há, porém, honrosas e dignificantes exceções, principalmente entre os magistrados que julgam as ações da Operação Lava Jato. Em diversas unidades da Federação assistimos à intervenção de juízes – na maioria jovens – que obedecem à Lei e julgam com autonomia para agir e decidir.
Em destaque, como não poderia deixar de ser, temos a “República de Curitiba” – na ação da Justiça Federal do Paraná tendo à frente o juiz Sérgio Moro, que pelos ataques que vem sofrendo dos investigados, na grande maioria comprovadamente corruptos, cresce na nossa admiração, respeito e o aplauso dos brasileiros honestos.
A intervenção sistemática da Lava Jato, através da Polícia Federal e dos procuradores da República é um tesouro guardado, com chave de ouro, por um juiz que honra a sua função e obscurece todos os que distribuem malfeitos em nome da Justiça.

O resumo do Brasil



O resumo do drama brasileiro é esse aí. Na previdência publica x privada, então, a "boca de jacaré" absolutamente se escancara.
A instabilidade política é especialmente fabricada para impedir que isso mude.
O Brasil está sendo assassinado pra que uns poucos milhões de marajás não tenham de devolver o que nos roubam por dentro da lei.
O resto é mentira.

Quem tem medo da verdade?


7 de abril de 2017 § 12 Comentários
Artigo para O Estado de S. Paulo de 7/4/2017
Aposentadorias e “Benefícios de Prestação Continuada” (BPC) pagos a funcionários “incapacitados” representam 54% do gasto da União. A folha do funcionalismo ativo outros 41%. Sobram 5% para financiar todos os investimentos publicos. Nos estados e municípios é tal a fome dos marajás que nem para pagar a parcela do funcionalismo que, bem ou mal, de fato “serve” o público, tem sobrado.
A carga de impostos é de 36% do PIB e o deficit de pelo menos outros 10%. São 46% do PIB, mais de R$ 2 trilhões e 500 bilhões, apropriados anualmente pelo estado, R$ 2 trilhões e 375 bilhões dos quais (95%) consumidos com salários, aposentadorias, pensões, bolsas e quejandos. Um oceano dentro do qual tudo quanto se roubou em todos os anos investigados pela Lava Jato e, provavelmente nos séculos 20 e 21 somados ou talvez, até, de 1500 até hoje, vira uma gota ou, vá lá, um balde d’água.
Não é preciso mais nada para explicar porque estamos arrebentados. Um simples olhar para as parcelas dessa conta basta, também, para tornar instantaneamente lógica a aparente confusão política em que vivemos. Quinze dias atras Marcos Mendes e Mansueto Almeida, Secretário de Acompanhamento Econômico da Fazenda, publicaram na Folha de S. Paulo extenso artigo destrinchando aspectos centrais da reforma da previdência. Todo servidor se aposenta com 100% do que ganhava no ultimo dia de trabalho, coisa inédita no mundo. (Na verdade costumam ter uma ou duas “promoções” pouco antes de cruzar a linha aos 50 anos). Com 30 anos ou mais pela frente de puro desfrute, camadas sucessivas se vêm acumulando. Todas essas aposentadorias têm sido “reajustadas” muito acima da inflação junto com os salários dos servidores ativos (esses com aumentos contratados até 2020 no meio do pânico do resto do Brasil). Já os súditos no país real “se aposentam” com 70% do ultimo salário (que paga imposto a partir de R$ 2 mil e poucos) e continuam trabalhando até morrer pois se já viviam no limiar da miséria com 100%, que dirá com 70%. Essa situação é tão generalizada que o governo está criando o Regime Especial para o Trabalhador Aposentado isentando o trabalho na velhice de alguns impostos. Aposentadoria “por tempo de serviço” aos 50 anos é, portanto, um luxo exclusivo dos donos do estado. A maioria se aposenta antes disso, aliás, graças aos “regimes especiais”, mais uma das inumeras formas de roubo legalizadas com que nos sangram, exatamente semelhante aos “auxílios” e outros apelidos que dão a pedaços do salário para aumenta-lo alem do teto e sonegar imposto, só que aplicado ao tempo contado para se aposentar.
Pensões por morte são outro luxo hereditário exclusivo do marajalato. Custam 3% do PIB no Brasil quando o padrão mundial é abaixo de 1%. 32% dessas pensões são pagas a funcionários que já recebem aposentadoria. 73% vão para apenas 30% dos domicílios, todos na categoria dos de maior renda do Brasil. O gasto com “Benefícios de Prestação Continuada” (BPC) pagos a “incapacitados”, valendo em média 10 Bolsas Família cada, cresceu de R$ 14 bilhões em 2003 para R$ 49 bilhões em 2016. A maior parte foi conseguida por ação judicial, dispensando, portanto, a evidência de dedos ou membros faltantes ou outras deficiências perceptiveis a olho nu. Só juizes, mais de 10 mil dos quais recebem acima do teto constitucional e, frequentemente, salários acima de seis dígitos, e “peritos judiciais”, foram capazes de “enxerga-las”. 43% dos BPC pagos vão para a faixa dos 40% mais ricos do Brasil.
Vai por aí o escárnio e, por essas e outras, a maioria dos servidores públicos federais está na faixa dos 1% mais ricos do Brasil e quase nenhum está aquém dos 5% mais ricos. Isso antes de contar as frotas de jatos, as dezenas de milhares de automoveis, os planos de saude eternos e as mordomias mil que a favela paga para os palácios.
Uns poucos, muito poucos, entre esses abusos seriam coibidos pela reforma da previdência proposta por Michel Temer que, por ter ousado tanto, está, com todos os seus “negociadores” de reformas no Congresso, varejado de delações e a um passo de ser apeado da presidência.
O problema brasileiro é “biodegradavel”. Expostos os dados ao sol a unica resposta decente, a única resposta aritimeticamente possivel, impõe-se por si só. A sobrevida da “privilegiatura” depende estritamente, portanto, de mante-los escondidos sob uma barragem a mais ruidosa possivel de mentiras. Não é por outra razão que a luta pelo poder se tem resumido à luta pelo controle dos meios de difusão de “narrativas”, o novo nome da mentira, seja pela martelação da discurseira sem contraditório daquela gente sinistra dos “horários gratuitos”, seja pelo “aparelhamento” de escolas e redações. Agora querem dar o golpe final fechando o último canal de expressão sem “tradução” da voz do povo com essa “lista fechada”.
Meu coração tem tentado mas meu cérebro recusa-se a se convencer de que é apenas ingênua e distraída essa justiça sem prioridades que, sempre em perfeita afinação com a imprensa e consonância com o tramite das reformas, arregala um olho para ladrões individuais de milhões mas sistematicamente fecha os dois para a ladroagem coletiva de trilhões sem o fim da qual o Brasil não se salva.
O passado condena? Pode ser. Mas a verdade é que Temer não pode dizer a verdade num pais onde ninguém mais diz a verdade. Como não é dele, é do Brasil que se trata, é preciso lançar uma campanha impessoal para demonstrar, sem eufemismos, a relação direta de causa e efeito entre cada marajá excluído da reforma e cada aumento de imposto, e entre cada aumento de imposto e cada emprego a menos. O Brasil precisa ser instado a fazer as escolhas que lhe restam sabendo claramente quem custa quanto ao estado brasileiro, o quê pode ser trocado pelo quê, quanta dor adicional e quanto alívio podem ser contratados pelo mesmo dinheiro escasso. Sem isso, fica fácil demais para lobos se apresentarem como cordeiros e bandidos como mocinhos enquanto nos empurram, todos juntos, para o ponto de onde não ha mais retorno.

quinta-feira, 6 de abril de 2017

MUDANDO SEM MUDAR


 Coluna Carlos Brickmann – 5 de abril de 2017

CARLOS BRICKMANN
Carlos Brickmann

 


Há um ano, tínhamos Dilma, Eduardo Cunha, Nova Matriz Econômica, PT, Haddad e Dunga. Hoje temos Temer, Rodrigo Maia, política econômica ortodoxa, PT destroçado nas eleições, João Dória e Tite.


A inflação, que ameaçava ultrapassar os 10%, contentou-se com 4%; os juros básicos, ainda altíssimos, que eram de mais de 13%, devem chegar em 8,75% ao fim do ano. A balança comercial está bem positiva: US$ 7,1 bilhões de superávit em março, o melhor resultado desde março de 1989. E não é pela queda das importações, apesar da recessão: o país importou 7% a mais do que em março do ano passado. E o principal problema econômico do Brasil, os estonteantes 13,5 milhões de desempregados, pode começar a ser revertido: o Produto Interno Bruto, soma de tudo que é produzido no país, incluindo serviços, deve crescer 0,47% neste ano; e, em 2018, prevê-se 2,5%. É pouco. Mas para uma economia que há três anos só apresentava números negativos, é um sinal de que podemos ter esperanças.


Mas, com esses sinais, como explicar o baixíssimo índice de aprovação a Temer? Primeiro, pela própria política econômica: combater a inflação, reduzir privilégios e reformar instituições (mesmo falidas) é sempre impopular. E, lembremos, há um ano tínhamos Temer, Renan, Eunício, processos da Lava Jato encalhados no Supremo. Isso hoje mudou: os processos da Lava Jato encalhados no Supremo ficaram mais empoeirados.


O tempo passa…


O Tribunal Superior Eleitoral deveria ter começado ontem a julgar o processo, contra Dilma e Temer, por abuso de poder econômico nas eleições de 2014. Caso houvesse condenação, o registro da chapa seria cancelado; e, portanto, Michel Temer perderia o mandato. Caberia ao Congresso eleger indiretamente seu substituto até 31 de dezembro de 2018.

Temer se defende juridicamente alegando que toda a parte financeira da campanha coube ao PT – como se ele não tivesse nada a ver com sua companheira de chapa. Mas sua defesa real é outra: lutar para que o julgamento demore o suficiente para que ele termine o mandato em paz.


…o tempo voa


A Justiça contribui para que a defesa real de Temer funcione. Ontem, os advogados de Dilma pediram mais cinco dias para apresentar a defesa. Foram atendidos. Dia 4, mais cinco dias, dá 9 de abril, certo? Errado: como se sabe, a Páscoa cai no dia 16 de abril. E o julgamento, portanto, deve começar na última semana do mês. Provavelmente, no dia 27. Talvez.


Réus sim, e daí?


Os Estados e o Distrito Federal têm, no total, 28 governadores. Destes, 12 foram denunciados, ou estão sendo investigados. E dois foram cassados: Simão Jatene, do Pará (PSDB), e Pezão, do Rio (PMDB). Mas tudo bem: nem os cassados perderam os cargos, nem os demais correm grande risco de perdê-lo, graças à lentidão dos processos no foro privilegiado.


O doente…


A Rede Globo acaba de apresentar o caso do remédio L-asparaginase, usado no tratamento da Leucemia Linfoblástica Aguda, câncer no sangue. Quem levantou o caso, bem no início do ano, em seu blog Ucho.Info, foi o bem-informado repórter Ucho Haddad. Ucho não vacila: a compra do remédio (fabricado na China e comprado pelo Ministério da Saúde de um laboratório uruguaio) foi um escândalo. No mundo inteiro, a L-asparaginase é biológica.


O Brasil foi o primeiro país a comprar a L-asparaginase chinesa, mais barata, mas sem certificado de origem biológica, sem comprovação de eficácia. O laboratório uruguaio dá um endereço no Uruguai onde não há laboratório nenhum; e seu endereço no Brasil está num escritório de contabilidade.


…que se vire


O ministro da Saúde, Ricardo Barros (PP do Paraná), não quis dar entrevistas sobre o caso do remédio chinês nem a Ucho nem à Globo.


Ucho se espanta: “E o ministro da Saúde continua no cargo!”


Sabe o seu bolso?


O Fundo Partidário, dinheiro público entregue aos partidos políticos para sua manutenção, era de R$ 313,5 milhões até 2014. De lá para cá, multiplicou-se: já está em R$ 811 milhões. E, já que os doadores estão assustados com a Lava Jato, junto com a tal “reforma política” deve oscilar em torno de R$ 4 bilhões por ano. Hoje, da verba partidária, 10% são gastos em jatinhos e despesas suntuárias. E ainda se pergunta por que há tantos partidos no Brasil. Se dá grana, qual esperto perderá a oportunidade?


Lágrimas sentidas


Andréa, irmã do senador Aécio Neves (PSDB – Minas), chorou ao ler trechos de uma delação premiada em que ela e o irmão são acusados de receber propinas.


Não se deve acusar Aécio nem Andréa, senão ela chora.


Twitter: @CarlosBrickmann

Adriana Alcelmo: Benefício, Castigo, incoerência





Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Ernesto Caruso

Nas relações entre o Estado, pais, mães, filhos e sociedade preponderam os direitos das crianças; o norte nas sentenças judiciais.
      
Eis que o Art. 3º do Estatuto da Criança e do Adolescente impõe que, “A criança e o adolescente gozam de todos os direitos inerentes à pessoa humana, sem prejuízo da proteção integral de que trata esta lei, assegurando-se-lhes, por lei ou por outros meios, todas as oportunidades e facilidades, a fim de lhes facultar o desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, em condições de liberdade e de dignidade.
Este foi o foco das ações recentes envolvendo a mulher do ex-governador do Estado do Rio de Janeiro, Sergio Cabral.
      
Da primeira instância ao Superior Tribunal de Justiça, patamar onde se encontra, foi concedida a prisão domiciliar à ex-primeira dama, restabelecendo a decisão do juiz Marcelo Bretas, mantido o entendimento de que os filhos menores do casal não podem ser privados simultaneamente da assistência dos pais.
      
Polêmicas à parte, pois a indignação da sociedade excede seus limites diante do vultoso desvio de recursos pelo ex-governador do Rio de Janeiro, a lei precisa ser cumprida, e a Justiça julgar com consciência.
      
À luz do artigo 318/CPP, “Poderá o juiz substituir a prisão preventiva pela domiciliar quando o agente for:... V – mulher com filho de até doze anos de idade incompletos;”. A ação “poder” não é impositiva e outros aspectos devem ser considerados na decisão do magistrado.
      
Ninguém tem dúvida quanto ao caótico sistema carcerário do Brasil, consequência do roubo praticado pelos bandidos da administração pública que deveriam estar atrás das grades e não atrás de escrivaninhas ditando regras em proveito próprio.
      
Na contramão, muitas mães, acusadas de diversos crimes e idênticas condições legais, sem advogados caros, vão ficar na “preventiva” e seus filhos a Deus dará.
      
Para contrabalançar a transformação da prisão preventiva da Adriana em domiciliar, foram estabelecidas algumas regras como ficar afastada das empresas envolvidas na denúncia, passaporte confiscado, impedida de acesso a qualquer forma de comunicação por meio eletrônico, via telefone ou internet e mais, que as visitas não podem usar aparelhos de celular.
      
E os filhos de 10 e 14 anos como ficam diante de tais imposições, em especial quanto ao uso do celular e da internet? Isolados do mundo, como não ocorre com os presos nem em presídios de segurança máxima? Por suposto, se a mãe que voltou ao lar para dar assistência aos filhos, não pode ter acesso a esses meios, nem visitas podem entrar com celular, Wi Fi desligado, os filhos estão desprovidos desse importante meio de acesso a tudo, principalmente no que se refere ao estudo.
      
E aí, para estudar, se atualizar, conversar com amigos, os filhos que não estão impedidos de sair, vão para a casa de parentes? E a mãe, que voltou ao lar para com eles conviver, mas não pode acompanhá-los?
Ora, o Estatuto da Criança e do Adolescente é cumprido? De modo a assegurar-lhes “todas as oportunidades e facilidades, a fim de lhes facultar o desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, em condições de liberdade e de dignidade.”?
      
Bem, os pais acusados por vários crimes e na condição de presos, amplamente divulgada pela mídia em pormenores, a priori falharam em proporcionar aos filhos desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social. Pobres crianças submetidas ao olhar, pensamento e às vezes palavras duras dos coleguinhas que frequentam as mesmas escolas, clubes e festinhas.

Impossível imaginar que os pais desses colegas não tenham visto, comentado e censurado o comportamento do ex-governador e da sua mulher perante as telas de TV. Quiçá, as mesmas cenas compartilhadas entre os jovens. Ambos cabisbaixos, com semblante sem a pompa das festas em Paris e alhures, agora em trajes de presidiários, ladeados por policiais.

E a Justiça completou por privar as crianças do acesso aos meios de comunicação no próprio lar. “Livrou” a mãe e “prendeu” os filhos.

Ernesto Caruso é Coronel de Artilharia e Estado-Maior, reformado.

Proibição do UBER: Máfia sindical contra trabalhadores e direito de escolha dos consumidores.




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Sindicatos: tudo a ver com roubo, pobreza, atraso, e privilégios.

Fim do Imposto Sindical. 

Liberdade para UBER e Livre Mercado. 


FONTE - http://libertatum.blogspot.com.br/