segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

O Verdadeiro Preconceito do Ocidente: Rejeição aos Cristãos Perseguidos


  • Lamentavelmente o Ocidente rejeitou a ideia de solidariedade para com os cristãos do Oriente Médio priorizando a diplomacia baseada em interesses petrolíferos e no conflito árabe-israelense. Assim sendo, os Estados Unidos, Grã-Bretanha e França têm ignorado as perseguições aos cristãos do Iraque, Líbano, Egito e Sudão, ao mesmo tempo em que correm para salvar os países muçulmanos ricos em petróleo como a Arábia Saudita e o Kuwait..." — Hannibal Travis, Professor de Direito, 2006.
  • Cristãos autóctones no Iraque e na Síria não só estão sendo expostos ao genocídio nas mãos do Estado Islâmico (ISIS) e de outros grupos islamitas, como também tiveram seus pedidos de imigração para os países ocidentais postos em segundo plano pela ONU, vergonhosamente, sem causar nenhuma surpresa.
  • Quando alguém levanta a questão dos países ocidentais, tendo em vista os migrantes muçulmanos da Síria e do Iraque sem a devida checagem no tocante aos vínculos jihadistas, ao mesmo tempo em que se deixa para trás as vítimas dos jihadistas, cristãs e yazidis, esse alguém é acusado de ser "intolerante" e "racista". Mas o verdadeiro preconceito está no abandono dos perseguidos e inofensivos cristãos e yazidis do Oriente Médio, principais vítimas do incessante genocídio na Síria e no Iraque.
  • O governo alemão também está rejeitando pedidos de asilo de refugiados cristãos, deportando-os injustamente, segundo um pastor alemão.
  • Quase um terço dos entrevistados disseram que o grosso da discriminação e violência vêm principalmente dos guardas dos alojamentos de descendência muçulmana.
  • Já está mais do que na hora de não só os EUA, mas todos os outros governos ocidentais finalmente enxergarem que os cristãos no Oriente Médio são uma extensão deles próprios.
Finalmente depois de anos de apatia e imobilismo, Washington está estendendo a mão amiga, deveras necessária, aos cristãos do Oriente Médio. O presidente dos EUA, Donald Trump anunciou recentemente que será dada prioridade aos cristãos perseguidos quando se tratar de aplicar o status de refugiado nos Estados Unidos.
Cristãos e yazidis estão sendo expostos ao genocídio nas mãos do ISIS e de outros grupos islâmicos, que estão empenhados em uma campanha de grandes proporções para escravizar as minorias não muçulmanas remanescentes e destruir o seu patrimônio cultural.
Em 2006 o estudioso Hannibal Travis salientou:
"Lamentavelmente o Ocidente rejeitou a ideia de solidariedade para com os cristãos do Oriente Médio priorizando a diplomacia baseada em interesses petrolíferos e no conflito árabe-israelense. Assim sendo, os Estados Unidos, Grã-Bretanha e França têm ignorado as perseguições aos cristãos do Iraque, Líbano, Egito e Sudão, ao mesmo tempo em que correm para salvar os países muçulmanos ricos em petróleo como a Arábia Saudita e o Kuwait, bem como as minorias sitiadas como curdos, bósnios e kosovares. Até o dia de hoje sabe-se que as tropas americanas acantonadas no Iraque nem sempre intervêm para impedir a perseguição aos cristãos, talvez por não quererem ser vistos como "tomando o partido dos cristãos" e com isso provocar retaliações".
Por esta razão os assim chamados liberais no Ocidente -- e até mesmo cristãos -- começaram a se opor à medida.
Cristãos autóctones no Iraque e na Síria não só estão sendo expostos ao genocídio nas mãos do Estado Islâmico (ISIS) e de outros grupos islamistas, como também tiveram seus pedidos de imigração para os países ocidentais postos em segundo plano pela ONU, vergonhosamente, sem causar nenhuma surpresa.
Um grupo de armênios do Iraque, por exemplo, fugiu de suas casas depois que o ISIS apareceu. Optaram por ir para Yozgat, Turquia. Em 21 de dezembro de 2015 o jornal Agospublicou a seguinte matéria sobre eles:
"Eles vivem em condições subumanas. A ONU não pode agendar nenhuma entrevista para pedido de imigração antes de 2022. Eles não sabem como irão sobreviver nestas condições por mais sete anos. A única coisa que eles querem é se reunir com seus parentes".
Yozgat, uma das cidades da Anatólia onde os armênios foram submetidos aos assassinatos mais abomináveis e exílio nas mãos dos muçulmanos durante o genocídio de 1915, é o lugar onde armênios se encontram novamente, desta vez lutando pela sobrevivência em meio ao desemprego, miséria, perseguição, intolerância e doença.
Sant Garabedyan, 23, disse que aos cristãos não são oferecidos empregos.
"Estive em Yozgat por dois meses. Somos em oito morando na mesma casa... Ninguém me contrata porque sou cristão. Minha esposa é caldeia e não usa crucifixo porque tem medo."
Alis Şalcıyan disse que eles deixaram o Iraque por temerem o ISIS.
"Estamos aqui há um ano. Ainda em Bagdá ficamos apavorados quando o ISIS invadiu o Iraque... Uma pessoa na rua viu o meu crucifixo e cuspiu no chão olhando nos meus olhos. Depois disso eu o tirei e o deixei em casa... Nós demos entrada em um pedido de imigração na ONU, no entanto eles marcaram a entrevista para 2022, apesar de terem feito outros agendamentos para o ano que vem. Somos obrigados a ficar aqui esperando por mais sete anos".
Gazar Setrakyan ressaltou que eles deixaram Bagdá na noite em que o ISIS invadiu a cidade: "quando os militantes do ISIS invadiram Bagdá, pintaram 'casa de cristãos' na porta da nossa casa. Ficou impossível continuar lá. Deixamos o nosso lar e três lojas, tivemos que fugir".
Lusin Sarkisyan disse que seu filho, que trabalhou para os americanos no Iraque foi alvo do ISIS. "Um belo dia militantes ISIS ameaçaram meu filho dizendo que matariam a sua família se ele continuasse a trabalhar para os americanos. Tivemos que fugir".
Sarkisyan acrescentou que os funcionários da ONU marcaram uma entrevista para avaliar um pedido de imigração para 2018. "Não sei o que vamos fazer até lá".
Mesmo quando os países europeus acolhem refugiados cristãos, eles não os protegem dos ataques de muçulmanos que ocorrem nos alojamentos de refugiados.
De acordo com os resultados de um levantamento, uma pesquisa do grupo de defesa cristão Christian Open Doors USA, os refugiados de descendência cristã e yazidi que fugiram da perseguição de lugares como a Síria e o Iraque continuam enfrentando ataques por motivos religiosos na Alemanha.
Desde fevereiro de 2016 cerca de 800 refugiados cristãos e yazidis foram atacados por outras etnias nos acampamentos e centros de assistência, de acordo com um boletim intitulado "Falta de proteção às minorias religiosas na Alemanha" realizado entre os dias 15 de fevereiro e 30 de setembro de 2016.
"Ao ser questionado sobre a natureza dos ataques, a agressão foi a palavra mais comumente citada, seguida por ameaças de morte, dirigidas diretamente aos próprios refugiados cristãos ou às suas famílias na Alemanha ou em seus países de origem.
"Ataques sexuais foram assinalados por 44 vítimas. Outras formas de perseguição compreendem insultos, ameaças em geral e agressões físicas que não haviam sido definidas como agressão. Dos entrevistados, 11% se sentiram intimidados por música alta/orações".

Representantes da ONG Open Doors, juntamente com outras ONGs concederam uma entrevista coletiva à imprensa para apresentar um relatório intitulado "Ataques Motivados pela Religião Contra Refugiados Cristãos na Alemanha" em 2016.

De acordo com o testemunho de um refugiado do Iraque, ele recebeu ameaças de morte depois que muçulmanos viram que ele estava lendo a Bíblia:
"Eles queriam que eu me convertesse novamente ao Islã. O diretor do estabelecimento afirmou ser impotente e sem condições de me proteger. Como eu temia ser morto, relatei a situação a um assistente social que em seguida registrou a denúncia. As ameaças de morte se intensificaram. O intérprete tentou banalizar as ameaças e ocultá-las da secretaria do bem-estar social. O departamento então instruiu a gerência do estabelecimento a dar mais de si a fim de garantir a minha segurança. Ela não tinha condições para isso e por esta razão fui transferido para outro alojamento".
"Alguns muçulmanos disseram", segundo revelou um refugiado do Irã: o Islã nos permite derramar seu sangueseu espírito e suas vestes são impuras".
Uma refugiada do Irã assinalou:
"No início todos eram bons conosco. Então perceberam que eu era cristã. Eles pegaram a água suja que usavam para limpeza e, do piso superior, jogaram-na em cima da gente... Não sei o que aconteceu depois disso. Até hoje (17 dias após o ocorrido) minha denúncia ainda não foi registrada".
Segundo o relatório, os yazidis, minoria autóctone, religiosa perseguida no Oriente Médio, também estão expostos a agressões e discriminação.
"Dos 10 refugiados yazidis, três foram ameaçados de morte, dois sofreram assédio sexual e cinco sofreram outras formas de perseguição. Seis relataram que ocorrências dessa natureza aconteceram repetidas vezes. Em três casos os criminosos eram refugiados como eles e nos outros três os familiares dos funcionários da segurança perpetraram os crimes. Cinco vítimas não registraram nenhuma denúncia por considerá-la inútil".
Integrantes do staff nos alojamentos de refugiados também estão envolvidos na discriminação. Quase um terço dos entrevistados disseram que o grosso da discriminação e violência vêm principalmente dos guardas dos alojamentos de descendência muçulmana. De acordo com o relatório:
"Em caso de conflito, um grande número de funcionários muçulmanos se solidarizam com seus irmãos muçulmanos, obstruindo ou minimizando as reclamações. Intérpretes influenciam o resultado dos procedimentos no asilo de forma ilícita e, por vezes, até se envolvem ativamente na discriminação dentro dos alojamentos".
Um cristão do Irã assinalou: "eu tive um problema e o denunciei reiteradamente aos canais competentes. Há uma pessoa que vive insultando nossas mães e irmãs. Ele disse que somos 'neciz' (impuros)".
"O quadro do serviço de segurança é formado integralmente por árabes e eles só ajudam seus patrícios", ressaltou um cristão da Eritreia. "Sempre que alguém faz algo de errado no alojamento, eles dizem: 'Foram os cristãos', ainda que não tenhamos feito nada".
Somente em raras ocasiões o prejudicado se dispõe a prestar queixa(17% ou seja: 129 pessoas) na polícia de acordo com o relatório.
"Se incluirmos os relatórios e queixas apresentados à administração do alojamento, apenas 28% (213) requisitaram a proteção das autoridades alemãs. 54% dos inquiridos (399) deram razões específicas para não registrar queixas: 48% estavam com medo, principalmente da recorrência de ataques ou de que a situação iria piorar ainda mais (36%). Outros motivos são a falta de oportunidades seguras para entrar em contato ou se comunicar com a polícia ou com as autoridades competentes devido a barreiras linguísticas e (14%) a impressão de que o relatório seria de alguma maneira inútil".
Em outros países europeus - entre eles Áustria, Suíça, França, Reino Unido, Suécia, Holanda, Itália, Espanha e Grécia - os refugiados cristãos e yazidis também estão expostos a ataques nas mãos de refugiados de descendência muçulmana.
O governo alemão também está rejeitando pedidos de asilo de refugiados cristãos, deportando-os injustamente, segundo um pastor alemão.
De acordo com a CBN News o Dr. Gottfried Martens, um pastor da Igreja Luterana Trindade em Berlim, realçou que o governo alemão está rejeitando praticamente todos os pedidos de asilo da maioria dos refugiados iranianos e afegãos de sua igreja, que esperam há anos na Alemanha para que o governo dê atenção aos seus casos.
O arcebispo de Aleppo, Jean-Clément Jeanbart, da Igreja Greco-Católica Melquita disse em uma entrevista:
"O egoísmo e os interesses submissamente defendidos pelos seus governos irão no final também liquidá-los. Abram os olhos. Vocês não viram o que aconteceu recentemente em Paris?"
Ao que tudo indica, eles não abriram os olhos. Parece que eles ainda estão em estado de negação. De acordo com dados do governo dos Estados Unidos, dos quase 11.000 refugiados sírios aceitos pelos Estados Unidos no ano fiscal de 2016, apenas 56 eram cristãos.
Quando alguém levanta a questão dos países ocidentais, tendo em vista os migrantes muçulmanos da Síria e do Iraque sem a devida checagem no tocante aos vínculos jihadistas, ao mesmo tempo em que se deixa para trás as vítimas dos jihadistas, cristãs e yazidis, esse alguém é acusado de ser "intolerante" e "racista". Mas o verdadeiro preconceito está no abandono dos perseguidos e inofensivos cristãos e yazidis do Oriente Médio, principais vítimas do incessante genocídio na Síria e no Iraque.
É verdade que os muçulmanos xiitas e até mesmo certos muçulmanos sunitas - em particular os não praticantes, moderados e seculares - também estão ameaçados pelo Estado Islâmico. Mas o ISIS e demais organizações islamistas não estão procurando destruir o Islã e acabar com os muçulmanos. Muito pelo contrário, eles visam institucionalizar ainda mais o Islã e até mesmo expandir a influência islâmica em outros países e estabelecer um califado (império islâmico) com base nas escrituras islâmicas.
Ajudar as minorias religiosas no mundo muçulmano não é apenas uma questão humanitária, mas também uma questão política de vital importância para o Ocidente. Há quem acredite que os EUA ou o Ocidente não deveriam se envolver na política do Oriente Médio.
No entanto, se o Ocidente continuar fazendo vista grossa à radicalização islâmica no Oriente Médio e Norte da África, o que ele espera que irá acontecer no próprio Ocidente?
Enquanto os islamistas continuarem atingindo "vitórias" pelas nações e enquanto os cristãos e demais não muçulmanos continuarem a ser exterminados, os islamistas amealharão mais poder e coragem de se expandir para a Europa e outras regiões do planeta.
A ideologia islâmica radical nunca para no lugar onde toma o poder. É uma ideologia genocida, imperialista e colonialista. Ela tem como meta matar ou subjugar todos os não muçulmanos que estejam sob seu domínio. A jihad islâmica começou no século VII na Península Arábica. Na sequência, por meio de massacres e pressão social, incluindo o imposto jizya e a instituição da dhimmitude, ela se expandiu por três continentes - Ásia, África e Europa - perseguindo um número incontável de povos autóctones.
Parece que uma das maneiras mais eficientes de parar esse paradigma é apoiar os cristãos e demais não muçulmanos do Oriente Médio. O Ocidente não só adquirirá um aliado importante no Oriente Médio como também enfraquecerá a influência política, militar e econômica dos islamistas.
Os países ocidentais deveriam receber de pronto e de braços abertos os cristãos e os yazidis - os principais alvos do genocídio - além disso também deveriam considerar maneiras de conferir poderes a eles em suas terras nativas, como por exemplo a criação de refúgios . Já está mais do que na hora de não só os EUA, mas todos os outros governos ocidentais finalmente enxergarem que os cristãos no Oriente Médio são uma extensão deles próprios.
Uzay Bulut, jornalista nascida e criada como muçulmana na Turquia, está atualmente radicada em Washington D.C.

FONTE -  https://pt.gatestoneinstitute.org/9973/rejeicao-cristaos-perseguidos

domingo, 19 de fevereiro de 2017

OS POLÍTICOS ELEITOS REPRESENTAM OS INTERESSES DE QUEM? - por ALDEMARIO ARAUJO CASTRO


  •  
  •  
  •  
No teatro de absurdos, sem freios e sem limites, que tomou conta da cena política brasileira nos últimos tempos é difícil apontar qual o ato mais trágico para os melhores e mais legítimos interesses da grande maioria da população (em especial, trabalhadores, estudantes e aposentados). Vejamos dois exemplos dos mais tenebrosos.
Alexandre de Moraes, em pleno exercício do posto de Ministro de Estado da Justiça, foi indicado para compor o Supremo Tribunal Federal. Ocorre que, em tese de doutorado apresentada na Faculdade de Direito da USP, em julho de 2000, o doutorando Moraes afirmou, no ponto 103 da conclusão: “É vedado (para o cargo de ministro do STF) o acesso daqueles que estiverem no exercício ou tiveram exercido cargo de confiança no Poder Executivo, mandatos eletivos, ou o cargo de procurador-geral da República, durante o mandato do presidente da República em exercício no momento da escolha, de maneira a evitar-se demonstração de gratidão política ou compromissos que comprometam a independência de nossa Corte Constitucional” (http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,tese-de-moraes-impediria-sua-nomeacao-ao-stf,70001654253).
O Senador Edison Lobão, destacado integrante do PMDB, foi escolhido para a presidência da Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal. O constitucionalista Lobão apresentou seu cartão de visita dizendo: “... é constitucional a figura da anistia, qualquer que ela seja” (http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,lobao-afirma-que-anistia-a-caixa-2-e-constitucional,70001661823). Tratava-se de eventual anistia ao caixa 2 em campanhas eleitorais recentes. À toda evidência, é inconstitucional, despropositada, irrazoável e imoral uma anistia ao caixa 2 de campanhas amplamente utilizado como expediente “normal” pela grande maioria dos candidatos, inclusive para ocultar os “patrocinadores”.
Dois fatos, nesse insuperável quadro de Dalí, assumem especial proeminência. O primeiro está relacionado com o relator da Reforma da Previdência no âmbito da Câmara dos Deputados. O segundo envolve os comentários feitos pelo Ministro-Chefe da Casa Civil da Presidência da República acerca da forma de escolha do atual Ministro de Estado da Saúde.
“O relator da reforma da Previdência na Câmara dos Deputados, Arthur de Oliveira Maia (PPS-BA), teve parte considerável da sua campanha eleitoral bancada por empresas que oferecem planos privados de previdência complementar. Dos R$ 3,79 milhões declarados à justiça eleitoral, R$ 879 mil foram financiados pelos bancos Bradesco, Itaú, Santander e Safra./O Bradesco financiou R$ 649 mil por meio de suas subsidiárias Bradesco Vida e Previdência, Bradesco Consórcio e Bradesco Capitalização. Santander e Itaú bancaram R$ 100 mil cada um. O Safra destinou mais R$ 30 mil. A soma representa 23% do custo total declarado da campanha do deputado” (http://www.spbancarios.com.br/Noticias.aspx?id=17361).
“Em palestra para funcionários da Caixa Econômica Federal, o ministro Eliseu Padilha (Casa Civil) explicou o funcionamento da engrenagem fisiológica que permite ao governo de Michel Temer dispor de maioria no Congresso. Em timbre de galhofa, Padilha usou como exemplo o preenchimento do cargo de ministro da Saúde. Contou que, para obter o apoio do PP, descartou a nomeação de 'um médico famoso de São Paulo' para acomodar na poltrona o deputado Ricardo Barros (PP-PR), um engenheiro civil. (…) Padilha lembrou que, na composição da primeira equipe do governo Temer, havia uma decisão de nomear ministros notáveis em suas respectivas áreas. A pasta da Saúde seria do PP. Mas a legenda foi alertada para o desejo do presidente de ter na poltrona um profissional que fosse 'distinguido'. 'Aí nós ensaiamos uma conversa de convidar um médico famoso em São Paulo', relatou o chefe da Casa Civil, sem mencionar o nome do doutor Raul Cutait./Segundo Padilha, o PP mandou um recado para Temer: 'Diz para o presidente que o nosso notável é o deputado Ricardo Barros.' Portador da mensagem, o ministro aconselhou o amigo a ceder ao partido, campeão no ranking de enrolados no escândalo da Petrobras. 'Nós não temos alternativa', disse Padilha a Temer, realçando que o objetivo do governo era obter 88% dos votos no Legislativo./'Vocês garantem todos os votos do partido em todas as votações?', perguntou Padilha. E os representantes do PP: 'Garantimos.' O ministro diz ter encerrado a negociação nos seguintes termos: 'Então, o Ricardo será o notável' “ (http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2017/02/14/eliseu-padilha-e-gravado-explicando-fisiologismo).
Esses dois últimos episódios colocam em xeque, praticamente em xeque-mate, a democracia representativa brasileira, tal como inscrita no parágrafo único do artigo primeiro da Constituição de 1988. A ideia da representação popular por intermédio de eleições é formalmente adequada. Essa concepção parte da premissa da impossibilidade de manifestação direta e frequente de milhões de pessoas e busca a expressão da vontade dos cidadãos por intermédio de terceiros escolhidos livremente pelos primeiros. São três, entre outras, as principais considerações a serem realizadas acerca da prática da democracia representativa no Brasil, para além de uma avaliação meramente teórica, formal ou linear.
Primeiro, considerando a grande maioria das excelências eleitas, percebe-se que a maior parte do eleitorado utiliza critérios muito frouxos para definir o voto. Elementos como beleza física, simpatia, desenvoltura verbal, parentesco, proximidade com amigos, suposto sucesso pessoal ou profissional, perspectiva de algum ganho miúdo presente ou futuro são majoritários no processo de escolha dos representantes. A propósito desse ponto, costumo propor um experimento mental para os meus alunos da Universidade Católica de Brasília. Peço para os distintos discentes definirem os critérios para escolha de um representante/procurador para receber a quantia de cem mil reais e entregar o numerário, na sequência, ao representado. Suspeito que as cautelas e rigores na fixação dos critérios nesse caso hipotético se estendidas para as eleições no campo político resultariam numa significativa mudança no perfil daqueles alçados aos Executivos e Legislativos de todos os níveis.
Segundo, não existe propriamente um conflito fundamental e causador de todos (ou quase todos) os males nacionais entre a sociedade/população/povo e os políticos (ou o Estado). Cumpre observar que a suposta ocorrência de fenômeno dessa natureza é sustentada com intensidade e constantemente repetida, particularmente nos grandes veículos de comunicação. É certo que a grande maioria dos políticos brasileiros buscam, com voracidade, vários tipos de vantagens pessoais no exercício dos espaços de poder. Os alarmantes níveis de corrupção são claras demonstrações dessa triste realidade. Entretanto, o que existe de mais relevante, profundo e estrutural na atuação dos atores políticos eleitos são os vínculos de representação e realização dos interesses socioeconômicos presentes de forma permanente na sociedade.
Vejamos essas últimas considerações postas de forma mais abstrata na perspectiva mais concreta de um grande tema do momento. O parlamentar federal, financiado pelas empresas da área de previdência privada, votará com os interesses dos trabalhadores ou com os interesses dessas organizações? Observe-se que a Reforma da Previdência, profundamente polêmica quanto aos números envolvidos e medidas a serem implementadas, para dizer o mínimo, viabilizará uma atuação em grande escala das instituições financeiras privadas que: a) poderão administrar os fundos de previdência dos servidores públicos e b) contratarão planos com servidores interessados em benefícios integrais (impraticáveis com as novas regras da previdência pública). Ademais, tomando como referência as palavras do Ministro-Chefe da Casa Civil, as bancadas da “base de sustentação” do governo participarão de um debate sério sobre a situação da previdência e as propostas a serem implementadas (quais e suas intensidades)? Ou, ao revés, trata-se de um jogo de cena porque os votos parlamentares já foram “comprados” na arena fisiológica do toma-lá-dá-cá? Nessa última linha, cabe ainda uma pergunta: o governo Temer-Padilha utiliza o fisiologismo mais rasteiro como instrumento para proteger, defender e realizar os interesses populares (dos trabalhadores) ou das grandes empresas financeiras de olho no mercado de previdência privada?
Terceiro, é preciso destacar que o mundo político vai para a vitrine e, ao atrair todas as atenções e revoltas, deixa os interesses de fundo ocultos e protegidos. Para os monumentais interesses socioeconômicos responsáveis por poderosos mecanismos geradores de desigualdades e mazelas sociais de várias ordens é extremamente conveniente que a grande maioria da sociedade atribua seus problemas e dificuldades quase que exclusivamente aos vários tipos de corrupção protagonizados pelos políticos eleitos.


Aldemario Araujo Castro é advogado, mestre em Direito, procurador da Fazenda Nacional e professor da Universidade Católica de Brasília.

SENADO PAGOU VISITA DE SENADORES PETISTAS A MARISA - por Claudio Humberto


Dos dez senadores do PT, seis não tiveram a dignidade de pagar do próprio bolso as passagens para o enterro de Marisa Letícia, mulher de Lula. Gleisi Hoffmann (PR), Humberto Costa (PE), Jorge Viana (AC), José Pimentel (CE), Regina Sousa (PI) e Lindbergh Farias (RJ), ganham somados mais de R$ 200 mil por mês, mas espetaram o custo das passagens na infame Cota de Atividade Parlamentar, o “cotão”.
  •  
  •  
  •  
A soma das passagens dos seis senadores nos custou R$ 11,9 mil, o suficiente para pagar salários a um desempregado por um ano.
  •  
  •  
  •  
A passagem de Lindbergh, ponte aérea do Rio, custou só R$ 986,88. Já o cearense Pimentel, R$ 3.115,58. Tudo por nossa conta
  •  
  •  
  •  
Os demais senadores do PT não usaram dinheiro público para chorar lágrimas de crocodilo no enterro que Lula transformou em comício.
  •  
  •  
  •  
A “Cota para o Exercício de Atividade Parlamentar”, que indeniza qualquer despesa dos políticos, custa-nos R$ 270 milhões por ano.

sábado, 18 de fevereiro de 2017

ATIVISMO JUDICIÁRIO - Indenização de Presos & Punição a Empreendedores


Artigo publicado em 
(Publicado originalmente no excelente blog https://criticanacional.wordpress.com)

O Supremo Tribunal Federal decidiu nessa quinta-feira que o Estado deverá indenizar por danos morais os presos que se encontrem em situação considerada degradante nos presídios. Essa decisão é mais um capítulo do ativismo judiciário de que temos falado insistentemente no Crítica Nacional e que representa ao nosso ver a maior ameaça à democracia brasileira. A suprema corte tomou para si a tarefa indevida de legislar e interferir na independência dos três poderes, tomando decisões que muitas vezes contrárias ao texto constitucional, quando na verdade ela deveria se ocupar unicamente da observância desse texto.
Esse ativismo judiciário não ocorre por um acaso ou apenas por uma caprichosa inversão de valores, ainda que se expresse por ela. Esse ativismo é ideologicamente orientado, no sentido de estar em conformidade e alinhado com todas as pautas da esquerda globalista internacional. Ele tem uma base cultural, que se origina em décadas de marxismo cultural nas instituições universitárias brasileiras, incluindo os cursos de direito.
Essa pauta globalista de esquerda que o ativismo judicial abraça comporta itens como a defesa e a proteção aos criminosos, a abertura de fronteiras e o enfraquecimento da soberania de cada nação, a liberação generalizada do aborto e a legalização de todas as drogas, a imposição de ideologia de gênero na educação de crianças, a aceitação passiva da invasão islâmica por meio de políticas imigratórias, entre outros.
O ativismo ideologicamente orientado que observamos no judiciário não se restringe à suprema corte e se espalha por todas as instâncias inferiores da justiça, e pode ser constatado em inúmeros episódios. Na capital paulista, a justiça proibiu a prefeitura de apagar pichações sem antes obter a autorização de um certo conselho de patrimônio histórico, formado por pessoas não eleitas e cujos integrantes a esmagadora maioria dos paulistanos sequer sabe o nome. Em Belo Horizonte um juiz decidiu que existe vínculo empregatício entre motoristas do Uber e a empresa que criou o aplicativo.
No Espírito Santo, a justiça estadual determinou que as empresas precisam justificar na justiça os motivos para dispensar um funcionário. E há poucos dias no interior de São Paulo, um casal de traficantes foi preso em flagrante numa abordagem policial por estar em posse de um grande volume de drogas. Após ser levado à polícia federal e autuado em flagrante por tráfico de drogas, o casal foi liberado por decisão de um juiz que alegou que ambos haviam sido molestados pela abordagem policial. O episódio é narrado no vídeo abaixo pelo deputado estadual paulista Coronel Telhada.
O que existe de comum em todas essas decisões judiciais, algumas flagrantemente ilegais e inconstitucionais, é uma clara orientação ideológica no sentido de proteger criminosos, interferir nas relações privadas de trabalho, e proteção a uma suposta contra-cultura representada pelo vandalismo dos pichadores. Essa decisões fazem com que na prática o país passe a ser governado em determinadas áreas não por governantes escolhidos pela população, mas por integrantes não eleitos do estamento burocrático comprometidos em impor suas concepções socialistas a toda a sociedade.

BRASIL COMPROMETEDOR - por Rapphael Curvo



Raphael-Curvo
Rapphael Curvo

Mais uma vez o Supremo Tribunal Federal – STF, encontra uma saída mágica para atender o governo nos seus “ajeitos” políticos partidários, após negociatas para formar a chamada base da governabilidade, do compadresco. No caso do ministro Moreira Franco, alega, entre outras, o decano da Corte, ministro Celso de Melo, que a nomeação não impede que o ministro de governo seja processado e julgado pela justiça brasileira. Até aí, tudo bem. Acontece que a luta dos corruptos para não cair em Curitiba, nas mãos do Juiz federal Sérgio Moro, está na motivação de que lá eles têm a certeza de uma condenação e sem muita demora. Ausente de disposição para condenar, – é só ver o percentual das condenações de parlamentares desde 1988, pouco mais que 3% de 500 parlamentares, ou seja, apenas 16 receberam condenação, – cair nos braços do STF é uma benção. Aí está o ovo de Colombo. Tem mais, a esmagadora maioria dos envolvidos na corrupção, e que fazem parte do governo, são pessoas com avançada idade, e nisso a malemolência é de enorme auxílio ao escape da cadeia.

O esperneio de Lulla não podia ser diferente, afinal, se o Moreira Franco pode, por que não eu? Uma das linhas do ministro do “jeitinho” brasileiro, é a de que o Moreira Franco já faz parte do governo. Sua ascensão ao cargo foi apenas uma formalidade. É isso que formata a descrença com as instituições que fazem parte do corpo dito Poderes da República. Ações como a do Senador Romero Jucá, são de uma imbecilidade acachapante e demonstra bem o nível dos homens que formam, com raríssimas exceções, o parlamento brasileiro. Apresentou, o Senador envolvido em corrupção, projeto que blindava os presidentes da Câmara e Senado de qualquer investigação. O objetivo era salvar o deputado Rodrigo Maia, presidente da Câmara, e o senador Eunício Oliveira, presidente do Senado, ambos envolvidos em falcatruas e na mira da Lava Jato. Para reduzir o impacto negativo da proposta no Senado, ambos presidentes disseram desconhecer a empáfia do Romero Jucá, sendo que Eunício, num ato de “nobreza e respeito” aos 2 milhões de assinaturas na proposta das 10 medidas, devolveu, após meses, o projeto para a Câmara Federal, conforme determinação do ministro do STF, Luiz Fux. Incontinente, sem saber o que fazer com a PEC, Rodrigo Maia, devolveu ao STF.

O governo, em ato de engana bobo, faz um alarde de melhoras na economia, inclusive com projeção de crescimento de 2%. Sabemos que isso não vai acontecer em prazo tão curto para uma economia em forte recessão. Estão querendo ganhar o jogo na garganta. Para um avanço considerável e consistente, teria que ter suporte em dados reais e sem maracutaias e negociatas com o Congresso. Esta situação só pode ser resolvida com o advento de eleições gerais. Seria uma forma de dar novo alento e credibilidade nas ações com um novo governante que tenha seu espírito de administrador desligado do curral de Brasília. Temer só tem olhos voltados a reeleição e a politicagem. Não tem o perfil inteligente, de competência, de capacidade e visão de administração de um João Dória, por exemplo. Além do mais, está com problemas na justiça, não poderia estar à frente do governo.

Para fechar, o STF, embalado pelas lambanças, determina que presos que sofram mal tratos em cadeias superlotadas, sejam indenizados. Acredito que teria melhor efeito determinar ao Estado brasileiro a recuperação, reforma e construção de novas alas dos presídios para melhorar as condições de vida dos condenados, isso na melhor hipótese. Essa determinação teria muito maior eficácia e resultados aos detentos e obrigaria o presidente a dar uma solução definitiva ao problema. Outra determinação que resultaria em melhora acentuada e com recuperação de boa parte dos detentos, seria a obrigação de triagem entre os presos, separar de presídios, os de menores delitos daqueles criminosos contumazes. Foi de enorme infelicidade essa decisão da Suprema Corte que vai gerar enormes problemas com o vasto campo aberto para medidas judicias. Como ficam as pessoas maltratados pelo Estado com a falta de segurança que provocam mortes e destruição de muitas famílias, das sanguinárias estradas brasileiras, da superlotação dos hospitais e por aí vai. Estamos vivendo uma situação seríssima com esse Brasil comprometedor.

MARAJÁS ‘MAMAM’ NOS TRÊS PODERES DO BRASIL

MARAJÁS PODEROSOS

FORA O CONGRESSO, JUSTIÇA PAGA R$326 MIL E EXECUTIVO R$157 MIL
Publicado: 18 de fevereiro de 2017 às 00:01 - Atualizado às 22:56
  •  
  •  
  •  
   

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

A TURMA DOS JATINHOS E HELICÓPTEROS - por Percival Puggina


puggina
Percival Puggina

Sempre que você escutar um economista dito “desenvolvimentista” saia correndo, chame a mulher e as crianças e grite por socorro, SOS, mayday, salve-se quem puder!

Naqueles tempos em que Lula ainda tentava mostrar o petismo à nação como experiência bem sucedida, malgrado o crescimento fosse tipo merengue e a prosperidade não passasse de contas penduradas num prego, ele surtava dizendo que, graças aos governos do partido, pobre já andava de avião. Doze milhões de desempregados depois, contas ainda no prego da inadimplência, as companhias aéreas devolvem aviões e reduzem o número de voos, mas… há uma parcela da elite política brasileira que só viaja de jatinho.

 Ah, as nossas instituições! Desgraçadamente, nos últimos anos, elas se corromperam em proporções ainda não plenamente descritíveis. A sociedade, que não lhes devotava confiança, perdeu-lhes o respeito. Se o leitor destas linhas for parlamentar, ministro de Estado, membro das cortes superiores do Judiciário, agente público de alto escalão e considerar excessivamente duras estas palavras, fale com as pessoas. Ouça o povo nas ruas. Será ainda mais contundente o que vai ouvir. O descaramento e a inépcia de muitos que se instalam nessas posições para os piores fins, totalmente desprovidos de espírito público, atinge a todos e abala os pilares da Ordem, da Política e do Direito. Produz o que hoje se observa no país.

 E não é só por causa da corrupção! A sociedade também não tolera mais os contracheques de centenas de milhares de reais, recheados com “indenizações”, parcelas adicionais, gratificações especiais e jeitosas manobras. Divulgada esta semana, não mostrava a folha de pagamento do TJ sergipano um pouco mais disso, com remunerações de centenas de milhares de reais aos desembargadores? Pergunto: prodigalidades assim não se repetem em toda parte, gerando ganhos impensáveis fora do serviço público, cujo patrão, o povo, desconhece os absurdos que paga? A nação enoja-se desses esbanjamentos, dos cartões corporativos, dos voos em primeira classe, das aposentadorias privilegiadas, e da conduta dessa elite cuja boa vida, ela, a nação, custeia com o gotejado suor de seu rosto e com a sola do sapato gasta nas calçadas do desemprego.

Notórias personalidades, além do privilégio de foro que as oculta da efetiva justiça, desfrutam do raro privilégio de se eximirem do convívio social nos saguões dos aeroportos e nas filas de embarque onde não seriam bem acolhidas pelo Brasil que se leva a sério e exige respeito. Então, os senhores da casa grande republicana, andejam pelo país para reuniões de proselitismo e mentira, festejados por cupinchas à espera da própria vez. E como viajam? Em jatinhos, helicópteros e voos fretados, às custas de terceiros, quartos e quintos, entre os quais, quase certamente, nós mesmos, a turma da senzala.


* Percival Puggina (72), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site http://www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.