sábado, 7 de janeiro de 2017

Poesia da Madrugada - Ronaldo da Cunha Lima - Imortal

Imortal


Pode até meu amor já ter morrido.
Podes dizer que teu amor morreu.
Só não pode morrer, nem faz sentido,
aquele amor que nosso amor viveu.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Pesquisadores israelenses descobrem tratamento para câncer de próstata


05/01/17 Posted by Coisas Judaicas
Pesquisadores israelenses descobrem tratamento para câncer de próstata O câncer de próstata é o tipo mais comum de câncer em homens, com cerca de 40.000 novos casos diagnosticados a cada ano no Reino Unido, de acordo com seu Serviço Nacional de Saúde. Tratamentos atuais, como radioterapia e cirurgia, geralmente causam incontinência permanente. Além disso, 90 por cento dos homens submetidos a tais tratamentos sofrem problemas de ereção.
Utilizando lasers e um medicamento feito a partir de bactérias de águas profundas, cientistas israelenses acabam de desenvolver um método não cirúrgico para tratar homens em estágios iniciais do câncer de próstata, melhorando enormemente suas chances de eliminar completamente a doença sem a necessidade de remover a glândula.
A abordagem inovadora, que já foi testada na Europa, elimina tumores com efeitos colaterais mínimos. Durante o tratamento, médicos inserem um medicamento sensível à luz, derivado de bactérias de águas profundas, na corrente sanguínea do paciente, matando células cancerígenas sem destruir o tecido saudável.
 “Excelente notícia para homens”
O tratamento designado terapia fotodinâmica vascular dirigida, ou VTP, foi desenvolvido pelo Prof. Avigdor Scherz e pelo Prof. Yoram Salomon, do Instituto Weizmann de Ciências de Israel, em colaboração com a empresa privada STEBA Biotech e com outros pesquisadores da Europa.
Os resultados de um estudo clínico com 413 pacientes, em 47 hospitais de 10 países pela Europa, a maioria aplicando VTP pela primeira vez, demonstraram que o medicamento, que é ativado com um laser para destruir o tecido do tumor na próstata, é tão eficaz que 49 por cento dos pacientes entraram em completa remissão, em comparação aos 13,5 por cento no grupo de controle. Isso significa quase quatro vezes mais eficácia.
“Esses resultados representam uma excelente notícia para homens com câncer de próstata detectado precocemente, oferecendo um tratamento que pode matar o câncer sem a remoção ou destruição da próstata”, afirmou em uma declaração Mark Emberton, urologista da University College London que conduziu o estudo. “Isso significa um salto realmente enorme.”
Com a conclusão de estudos bem-sucedidos e a publicação dos resultados no jornal acadêmico The Lancet, os cientistas esperam que esse novo tratamento possa ser oferecido aos pacientes em poucos anos.
Do fundo do oceano
Conforme relatado no estudo publicado, WST11, o medicamento utilizado sensível à luz, é derivado de bactérias encontradas no fundo do oceano. Para sobreviver com pouquíssima luz solar, elas evoluíram para converter luz em energia com incrível eficiência. Os cientistas do Weizmann exploraram essa característica para desenvolver o WST11, um composto que libera radicais livres para matar as células adjacentes quando ativado por luz laser.
Ausência de efeitos colaterais significativos
Homens com câncer de próstata de baixo risco estão atualmente sob ativa vigilância, em que a doença é monitorada e tratada somente quando se torna mais severa. A terapia radical, que envolve remoção cirúrgica ou irradiação de toda a próstata, tem efeitos colaterais de longo prazo, sendo, portanto, utilizada apenas para tratar cânceres de alto risco.
Enquanto a terapia radical causa problemas de ereção e incontinência permanentes, o VTP causou apenas problemas urinários e de ereção de curto prazo, que foram resolvidos em três meses, segundo apontam os pesquisadores. Nenhum efeito colateral significativo persistiu após dois anos.
No estudo, apenas 6 por cento dos pacientes tratados com VTP precisaram de terapia radical, em comparação aos 30 por cento dos pacientes no grupo de controle.
“O fato de o tratamento ter sido realizado de maneira tão bem-sucedida por centros não especializados em vários sistemas de saúde é realmente notável”, afirmou Emberton em uma declaração.
Esperança para o futuro
No momento, o tratamento VTP está sendo revisado pela Agência Europeia de Medicamentos (EMA) para um possível licenciamento, mas pode levar muitos anos até que ele possa ser oferecido a pacientes de maneira mais ampla. De acordo com a equipe de pesquisa, caso os estudos continuem a ser bem-sucedidos, o tratamento deve ser aplicado a outros tipos de câncer, incluindo câncer de mama e de fígado.

Poesia da Madrugada - Palmyra Wanderley - Fortaleza dos Reis Magos


Fortaleza dos Reis Magos
                  

Em frente o mar, fervendo e espumando de ira,
na nevrose do ódio, em convulsões rouqueja
e contra a Fortaleza imprecações atira
e blasfema e maldiz e ameaça e pragueja.
Todo ele se baba. E se arqueia e delira,
na fervente paixão de vencê-la...Peleja.
Ergue o dorso e se empina e se estorce e conspira
e cai, magoando os pés daquela que deseja.

A Fortaleza altiva, agarrada às raízes,
nem parece sentir as fundas cicatrizes,
dos golpes com que o mar o seu corpo tortura.

Evocando o passado, avista as sentinelas,
no cruzeiro do sul a cruz das caravelas
a as flechas de Poti rasgando a noite escura.

Biografia de Palmyra Wanderley aqui

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Poesia da Madrugada - Ledo Ivo - O Cavalo


O cavalo
No campo matinal
um cavalo assediado
pelo zumbir das moscas
mastiga avidamente,
o capim do universo.
Os insetos volteiam
no anel azul do mundo
- esfera sem passado
nos ares momentâneos.
Não há mitologia
espalhada na relva
que é verde, sem caminhos,
longe das longes terras.
E o cavalo sobrado
da inenarrável guerra
e da paz defendida
à sombra das espadas
mata a fome no campo
onde não jazem mortos
nem retroam clarins.
Sua crina estremece.
E seus cascos escarvam
a plácida planície
coberta pelos pássaros.
Já sem fome, relincha
para os céus que não guardam
as fanfarras e flâmulas
e a fumaça da História,
e se muda em estátua
.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

"Tribunais de Contas precisam ser moralizados", editorial de O Globo


Capturados por esquemas fisiológicos do toma lá, dá cá, TCs não cumprem com a função de zelar pela boa administração do dinheiro do contribuinte


Enquanto a Lava-Jato tramita sem que parlamentares e políticos consigam detê-la por meio da manipulação de projetos de lei no Congresso — como fizeram congêneres italianos contra a Operação Mãos Limpas —, a avalanche de denúncias se aproxima de um ponto crítico com a homologação das 77 delações da cúpula da Norberto Odebrecht. Curitiba até passou a dividir espaço no noticiário com Nova York e Genebra, onde tramitam os acordos de leniência fechados pela empreiteira com autoridades americanas e suíças.

Espera-se que se tornem mesmo irreversíveis — na esteira do detalhamento do maior escândalo político-financeiro da história do país, e seus desdobramentos penais — ajustes no arcabouço jurídico e em instituições, para que a lei passe mesmo a valer para todos e se fortaleçam mecanismos de pesos e contrapesos, com a finalidade de dissuadir ou punir a corrupção no nascedouro.

Nesta passada a limpo de normas legais e instituições, será preciso avaliar os tribunais de contas, peça-chave no acompanhamento dos orçamentos públicos, função essencial em qualquer democracia.

Mas a ação prática dessas instituições tem sido patética — para usar um termo elegante —, com exceção do Tribunal de Contas da União, no caso do impeachment da presidente Dilma, em que o papel da área técnica da instituição (MP de Contas) foi decisivo.

Em contrapartida, os TCs dos três estados mais problemáticos da Federação — Rio de Janeiro, Minas e Rio Grande do Sul — aprovaram olimpicamente as respectivas prestações de contas referentes a 2015, quando já existiam desequilíbrios.

Tudo porque esses tribunais, órgãos auxiliares do Legislativo, foram capturados pelo toma lá, dá cá do fisiologismo, doença da política nacional que se alastrou bastante com o lulopetismo.

A maioria dos sete conselheiros dos TCs é de indicados por políticos — sob atenção direta, é certo, de governadores, de prefeitos e do presidente. A ONG Transparência Brasil constatou, numa pesquisa feita em 2014, que 80% dos conselheiros de tribunais tinham exercido cargos políticos.

Um caso típico de relação indevida entre conselheiro de tribunal de contas e o Executivo é o de Jonas Lopes, indicado em 2000 ao TC do Rio de Janeiro pelo governador Anthony Garotinho, a quem era muito ligado.

Presidente do TCE, Jonas, na primeira quinzena do mês passado, foi conduzido pela Polícia Federal para depor sobre denúncias de que haveria pedido propinas a empreiteiros.

Além de influências políticas incabíveis, há outras histórias sobre evidências de que a corrupção também se infiltrou neste universo. Por exemplo, o relato de que o empreiteiro da Lava-Jato Roberto Pessoa (UTC) teria usado como intermediário o advogado Tiago Cedraz, filho do presidente do tribunal, Aroldo Cedraz, para fazer repasses ao ministro Raimundo Carreiro. Há muito entulho a remover no universo dos TCs.

Poesia da Madrugada - Cecília Meireles - Noções

Noções


Entre mim e mim, há vastidões bastantes
para a navegação dos meus desejos afligidos.
Descem pela água minhas naves revestidas de espelhos.
Cada lâmina arrisca um olhar, e investiga o elemento que
a atinge.
Mas, nesta aventura do sonho exposto à correnteza,
só recolho o gosto infinito das respostas que não se
encontram.
Virei-me sobre a minha própria existência, e contemplei-a
Minha virtude era esta errância por mares contraditórios,
e este abandono para além da felicidade e da beleza.
Ó meu Deus, isto é a minha alma:
qualquer coisa que flutua sobre este corpo efêmero e
precário,
como o vento largo do oceano sobre a areia passiva e
inúmera…

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Conheça a casa do príncipe João de Orleans e Bragança - Casa Vogue

Além de ponto turístico, o casarão de 1850 possui tem agenda badalada e é o despojado lar de dom João de Orleans e Bragança e Claudia Melli

03/01/2017| TEXTO SIMONE RAITZIK | FOTOS ANDRÉ NAZARETH
cv376 editorial joao henrique de orleans (Foto:  André Nazareth) Claudia Melli posa na sacada do sobrado, construído por volta de 1850 em plena rua Fresca, de frente para o mar
                                                                                                                                                                  Difícil acreditar que o endereço do imponente sobrado de portas amarelas emolduradas com alizares verdes, na rua Fresca, um dos pontos mais privilegiados do centro histórico de Paraty, RJ, já não foi tão disputado. Sim, porque no plano urbanístico original dessa cidade fundada no século 17, toda a região voltada para o mar era reservada para o acúmulo de animais e lixo. Mesmo assim e sem nem ver a propriedade, datada de 1850, dom João Maria, pai de dom João de Orleans e Bragança e neto da Princesa Isabel, fechou negócio rapidamente.

cv376 editorial joao henrique de orleans (Foto:  André Nazareth)
                                                                                                                                                                  Na época, em plenos anos 1960, o acesso ao vilarejo ainda era precário e o local permanecia parado no tempo, alheio à especulação imobiliária. “Meu pai comprou o imóvel apenas pela descrição do anúncio, se comunicando por rádio”, conta João. “Ele era um desbravador e empreendedor. Tinha, na ocasião, adquirido uma fazenda bem próxima e pretendia investir para torná-la rentável. Como lá não havia sede, resolveu encontrar algo nas cercanias para se instalar. Foi dessa maneira que esse lugar incrível entrou para a história recente da família real. Quase por acaso. Hoje, moro e sou feliz aqui”, acrescenta.

cv376 editorial joao henrique de orleans (Foto:  André Nazareth)
cv376 editorial joao henrique de orleans (Foto:  André Nazareth)
                                                                                                                                                              Lá se vão quase seis décadas que o affair dos Orleans e Bragança com Paraty começou – mas, pelas aparências, o relacionamento tem ares de caso bem mais antigo. Quem entra agora no casarão, preservado com capricho por João e sua mulher, a artista plástica Claudia Melli, fica com a sensação de que o lugar pertence à dinastia real desde a fundação da cidade, em 1667.
cv376 editorial joao henrique de orleans (Foto:  André Nazareth)
                                                                                                                                                                  Por todos os lados, é possível vislumbrar vestígios de um passado nobre. “Resgato direto móveis, obras de arte e objetos que tenham a ver coma trajetória dos Orleans e Bragança. Reuni muita coisa que estava perdida entre os herdeiros. Acho importante resguardar e valorizar essas memórias”, diz ele, que pretende montar um museu onde vai incluir não apenas relíquias históricas, mas também tudo o que é relacionado com a identidade brasileira, de cultura a meio ambiente. “Sou um viajante, um aventureiro viciado em se embrenhar e descobrir o trabalho de artesãos por aqui e pelo mundo. Por onde passo eu garimpo arte popular. Atualmente, tenho mais de 250 peças”, conta ele.
cv376 editorial joao henrique de orleans (Foto:  André Nazareth)
cv376 editorial joao henrique de orleans (Foto:  André Nazareth)
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                     Essa compulsão típica de colecionador acabou rendendo, recentemente, uma reforma na casa da rua Fresca, pilotada por Claudia, em parceria com o arquiteto paulista Renato Tavolaro. Cansada de não ter onde guardar os itens que se acumulavam pelos cantos, ela quis deixar o living mais organizado e leve. “Decidi conter o excesso de pompa e criar um clima confortável, descontraído, para receber os amigos de forma relaxada”, afirma ela, que sempre abre as portas para um almoço badalado durante a Flip.
cv376 editorial joao henrique de orleans (Foto:  André Nazareth)
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                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                      Foi assim que o coração do sobrado assumiu ares contemporâneos, com uma estante de prateleiras finas de aço corten e tora rústica de madeira encaixada na alvenaria. “Colocamos um teto transparente, uma espécie de claraboia, que destaca as peças em exposição. Tudo ficou bem mais arejado e gostoso”, revela a artista, que dispôs ali uma de suas criações mais emblemáticas: um tríptico de nanquim sobre vidro que retrata o mar e o horizonte. “João também é fotógrafo e eu, muitas vezes, transfiro o meu ateliê do Rio para cá. Era essencial que essa casa tivesse um tom mais inspirador. Acho que chegamos no ponto. Nosso refúgio ganhou alma de artista”, arremata.
cv376 editorial joao henrique de orleans (Foto:  André Nazareth)