sexta-feira, 29 de agosto de 2014

AÉCIO NEVES DIZ QUE CADASTRO DO BOLSA-FAMÍLIA É UMA CAIXA PRETA

quarta-feira, 27 de agosto de 2014


O candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, afirmou nesta quarta-feira que falta transparência ao governo da presidente-candidata Dilma Rousseff na gestão do programa Bolsa Família. "O cadastro do Bolsa Família é uma caixa-preta", disse o tucano em sabatina promovida pelo jornal O Estado de S. Paulo. Aécio Neves disse ainda que, se eleito, vai expandir e ampliar o programa. "A grande verdade é que o programa do atual governo para o Nordeste se resumiu ao Bolsa Família. Queremos a superação da pobreza. A pobreza pode fazer bem ao PT, mas nós queremos acabar com ela. A privação de renda é uma vertente da pobreza, mas não é a única. O Família Brasileira (como Aécio batizou a ampliação do Bolsa Família) vai classificar as famílias em níveis de carência. Há famílias com outras carências que podem ser ajudadas pelo Estado", afirmou. Na entrevista, o tucano também disse que pretende cortar até 7.000 cargos comissionados na máquina federal se for eleito – um terço dos 23.000 postos atuais. "O Brasil quer um Estado eficiente, que gaste menos com sua estrutura para gastar mais com as pessoas", afirmou. Ao falar do time que o acompanha – na terça-feira, ele anunciou que, se eleito, nomeará o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga como seu ministro da Fazenda –, Aécio Neves ironizou Marina Silva, que tem dito que pretende governar com quadros dos governos do tucano Fernando Henrique Cardoso e do petista e alcaguete Lula (delatava companheiros para o Dops paulista durante a ditadura militar, conforme Romeu Tuma Jr): "Ela precisa escolher por qual modelo vai optar". Aécio Neves falou também sobre Banco Central em seu eventual governo. Evitou citar nomes que poderiam compor a autoridade monetária, mas garantiu que a instituição terá autonomia operacional, caso seja eleito presidente. Segundo ele, o fundamental é que o Banco Central tenha independência operacional. "Se haverá ou não lei sobre isso é secundário", afirmou. Ele disse também que vai promover uma política fiscal transparente e classificou a do atual governo como "uma peça de ficção". Segundo ele, é preciso dar transparência à equipe econômica. "Não sei quais bombas relógios o governo deixou armadas", disse, evitando falar qual seria sua meta para o superávit primário. Aécio Neves afirmou que é importante deixar um superávit, mas seria precipitação dizer o montante: "Grande parte da perda de credibilidade vem da pouca transparência dos dados oficiais". Ele voltou a apontar que a Petrobras e a Eletrobras estão frequentando hoje as páginas policiais da imprensa, em vez das páginas de economia, e defendeu a necessidade de repensar a matriz energética brasileira, dando prioridade a fontes de energias alternativas, como a eólica e a biomassa.

Construtoras desconhecidas ganham mercado com Minha Casa Minha Vida



Empresas regionais se mantêm afastadas das capitais e investem no programa Minha Casa, Minha Vida para multiplicar o faturamento.
Já não é preciso muitas linhas para contar o que aconteceu com o mercado imobiliário brasileiro nos últimos anos. Do analista de banco no escritório ao corretor de imóveis nas ruas, a história é conhecida de cor e salteado: as grandes empresas correram para levantar dinheiro na bolsa de valores, saíram comprando terrenos e lançando empreendimentos numa velocidade inédita, partiram para cidades que não conheciam, venderam imóveis freneticamente, perderam o controle de tudo isso, tiveram prejuízos bilionários, perceberam que estava (quase) tudo errado e decidiram se reorganizar.
Enquanto esse enredo se desenhava, um grupo de empresas regionais escrevia uma história paralela. Praticamente desconhecidas nos grandes centros e dos investidores, essas construtoras seguiram, por convicção ou falta de oportunidade, distantes do mercado de capitais, e da pressão por resultado que a Bolsa impõe.
Muitas delas apostaram alto no programa federal Minha Casa, Minha Vida, lançado em 2009 para subsidiar a construção de casas populares, e passaram a figurar entre as maiores construtoras do setor em número de unidades.
Há casos de empresas como a curitibana Casa Alta que, com 87 canteiros de obra em atividade no ano passado, atingiu uma área total de 2,8 milhões de metros quadrados “em construção” no país, superior à de companhias como a Even e a Rossi e muito perto de Tecnisa e Brookfield, que trabalham com imóveis de médio e alto padrão.
Assim como a mineira Emccamp, a Casa Alta já divide espaço com gigantes no ranking de maiores construtoras do país: em cinco anos, o faturamento anual da empresa saltou de R$ 30 milhões para meio bilhão de reais. O número de funcionários foi multiplicado por 20, chegando a 4,7 mil.
“Boom”
“O mercado imobiliário passou por uma avalanche de mudanças nos últimos anos”, disse Guilhermo Guirao Vidal, presidente da Inteligência Empresarial da Construção (ITC), consultoria que abastece fornecedores do setor com informações e é responsável pelo ranking, publicado anualmente. “Ao mesmo tempo em que esse movimento criou gigantes nacionais, reforçou a atuação de empresas menores, com presença regional.”
A Emccamp, fundada em Belo Horizonte há 40 anos, chegou a cogitar uma abertura de capital, contratou bancos e escritórios de advocacia, mas desistiu.
“Não conseguiríamos entregar o que os investidores estavam cobrando das construtoras: volume e crescimento rápido”, diz André Campos, vice-presidente executivo e filho de um dos dois fundadores. “A filosofia do mercado financeiro não era a nossa.” Hoje, olhando para trás, ele se gaba da decisão tomada pela família.
A empresa conseguiu manter a operação sob controle, ao contrário do que aconteceu com as rivais de maior porte. Os 12 canteiros de obra com empreendimentos do Minha Casa estão a uma hora de distância de avião da sede e são visitados semanalmente pelo pai de André, Eduardo Pinheiro Campos.
Em 2012, quando cinco das maiores empresas de capital aberto do setor registraram, juntas, um prejuízo de quase R$ 3 bilhões, a Emccamp lucrou R$ 43,8 milhões. Em 2013, os ganhos somaram R$ 65 milhões, segundo balanço publicado pela empresa.
Desde sua origem, a construtora mineira trabalha com habitação popular e é este segmento que vai garantir a ela, neste ano, um faturamento de R$ 550 milhões.
“Nos organizamos para passar pelo ano eleitoral sem problemas, já que dependemos do Minha Casa, Minha Vida”, diz André. Segundo ele, a empresa garantiu a construção de unidades que somam um valor R$ 1 bilhão no próximo um ano e meio.
Desafios
Entre as grandes, as que mais se destacaram no segmento de habitação econômica foram as mineiras MRV e Direcional, com receita de R$ 3,8 bilhões e R$ 1,7 bilhão no ano passado. Outras empresas de capital aberto chegaram a se aventurar nesse terreno, de margens de lucro muito baixas, mas desistiram.
A Rodobens, por exemplo, que teve 100% do negócio concentrado no Minha Casa, em 2010, entregou o último empreendimento ligado ao programa em dezembro do ano passado, abandonando completamente a estratégia.
“Era inviável financeiramente”, diz o presidente Marcelo Borges. Ex-executivo do Santander, ele assumiu a Rodobens Negócios Imobiliários no fim de 2010 com a missão de salvar a companhia.
A saída encontrada foi abandonar o programa do governo. “Éramos monocliente, monoproduto, monobanco e monoterreno. O risco era altíssimo”, brinca, depois da mega reestruturação que levou a empresa novamente para o médio padrão – e para o azul.
Um dos grandes desafios encontrados pela Rodobens e por companhias que não estavam habituadas a lidar com a população de baixa renda era o financiamento. Ao longo da obra, as famílias perdiam capacidade de financiar o imóvel e eram recusadas pelo banco – o que resultava nos chamados distratos. Em média, Borges diz que uma mesma unidade chegava a ser vendida quatro vezes, para compradores diferentes.
A dificuldade das grandes incorporadoras abriu espaço para empresas menores, que dominavam o relacionamento com os bancos públicos, financiadores do programa, e que investiram em tecnologia para ganhar escala e fazer a conta fechar.
“Hoje, essas empresas não assentam mais tijolo”, diz José Carlos Rodrigues Martins, presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). Elas importam formas de alumínio da China e preenchem o espaço com cimento – método que reduz de quatro para um mês a construção de um prédio de cinco andares e exige um terço da mão-de-obra.
Econômico
Segundo o CBIC, 85% das 2,4 mil construtoras que atuam no Minha Casa são pequenas e médias. Elas entraram na disputa pelas 3,4 milhões de unidades que foram contratadas entre 2009 e junho deste ano.
Embora os dados do mercado imobiliário sejam escassos, pesquisas isoladas dão uma ideia de que a crise, de certa forma, poupou os empreendimentos econômicos, fazendo com que as companhias que se dedicaram a esse segmento sofressem menos com a crise até aqui.
Um levantamento da imobiliária Lopes mostra que unidades com preço inferior a R$ 199 mil representam apenas 6% dos imóveis em estoque em São Paulo. Entre as unidades de R$ 400 mil a R$ 699 mil, 23% não foram vendidas.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Exame

Em caso de herança, se um dos herdeiros não vender o imóvel, o que fazer?



Saiba o que determina a lei e quem tem direito aos bens deixados pelo falecido.
É muito comum o desentendimento de herdeiros de imóveis com relação ao futuro do bem, e um dos mais comuns é a discussão sobre a venda, quando um ou mais herdeiros não querem se desfazer do (s) imóvel (is). Outra situação corriqueira é quando um dos herdeiros morava no imóvel com o falecido e depois da morte se nega a sair.
Primeiro, é preciso entender como  funciona a sistemática da sucessão e conhecer alguns termos usados nesse processo. Com a morte de uma pessoa, todos os seus bens formam o que se chama de monte mor (reunião dos bens deixados pelo falecido) e se tornam uma única coisa também chamada de herança.
As pessoas que têm direito de dividir os bens deixados, em regra, são os herdeiros, cuja própria lei estabelece quem são de acordo com a cadeia de sucessão ou aqueles informados em inventário. Existem outras pessoas que têm direito aos bens deixados, que são os legatários e recebem um bem específico e determinado indicado pelo falecido, que se chama autor da herança.
Para dividir os bens deixados, é preciso que se faça o inventário, sendo ilícito a divisão dos bens pelos herdeiros sem realização desse procedimento. Algumas transações, inclusive, se mostram impossíveis, como saques de valores depositados em instituições financeiras, venda de carros ou imóveis. Enquanto não for terminado o processo de inventário, nada pode ser dividido ou vendido, exceto em situações especiais e previamente autorizadas pelo juiz.
É por isso que, quando uma pessoa morre, nenhum dos herdeiros tem direito sobre os imóveis deixados. Não pode alguém que morava com o falecido, por exemplo, continuar ocupando o imóvel se os demais herdeiros não concordarem, mesmo que esta pessoa morasse junto com a que morreu a seu convite ou para cuidar dele enquanto vivo.
Por exemplo, um filho que morou durante anos com um pai ou mãe doente, cuidando dessa pessoa e dedicando-se exclusivamente a esta função, depois da morte da pessoa não pode permanecer no imóvel sem pagar aluguel caso os demais herdeiros não concordem com isso.
Nesses casos, os herdeiros que não concordam com a permanência daquele único no imóvel sem pagamento de aluguéis podem exigir judicialmente essa cobrança ou ainda a imissão na posse do imóvel, com a retirada forçada do morador.
Existe apenas uma exceção a esta regra: quando um dos herdeiros for cônjuge do falecido. Isso porque, independente do regime do casamento, o cônjuge sobrevivente tem direito real de habitação no imóvel destinado  à residência da família, de forma gratuita, sem que os demais herdeiros possam vendê-lo ou alugá-lo a terceiros. Se houver mais de um imóvel a inventariar, somente o de moradia não poderá ser objeto de negociações.
Quando há discordância quanto a venda do imóvel, caso um ou mais herdeiros se recusem a vendê-lo, a lei estabelece que os interessados na venda poderão fazê-lo por meio de decisão judicial.
Neste caso, o (s) interessado (s) na venda devem notificar o herdeiro que se recusa a vendê-lo sobre a intenção de venda. Caso este não se manifeste no prazo concedido, então será necessário ingressar com uma ação judicial na qual o juiz determinará a avaliação e venda do imóvel.
Por força de lei, os herdeiros têm preferência para comprar as partes dos demais, pelo preço da avaliação. Caso nenhum se interesse, pode haver um leilão para a venda. Alienado o imóvel, será feita a divisão do valor da venda entre os herdeiros.
É importante ter em mente que o ideal é um acordo entre os envolvidos, pois processos judiciais sempre têm custo e costumam demorar e, ao final, independente da resistência oferecida, o imóvel será vendido se essa for a vontade de um ou mais herdeiros.

4 tipos de funcionários que intoxicam o ambiente de trabalho sem que ninguém perceba


Conheça os tipos e saiba por que talvez seja melhor repensar o fato de tê-los por perto

Redação, Administradores.com, 
Shutterstock
Conheça os tipos e saiba como lidar com eles
Funcionários que costumam fazer confusões, pendem para o lado dramático das coisas ou dificilmente se conformam, muitas vezes precisam apenas de um pouco de atenção e gestão para atingir seus potenciais. É isso que pensa Geoffrey James, contribuidor do site Inc.
Em um artigo publicado no site, James afirma que existem, porém, outros tipos de funcionários, que normalmente não são pensados como "difíceis" e que são prejudiciais à produtividade e harmonia do ambiente de trabalho.
Conheça os tipos e saiba por que talvez seja melhor repensar o fato de tê-los por perto:

1. Camaleão

O camaleão se disfarça e se camufla em qualquer ambiente, para escapar de ameaças. No mundo dos negócios isso significa alguém que se propõe a fazer várias coisas, para na verdade evitar trabalho real.
Assim, o camaleão se junta a diferentes equipes, para realizar atividades diversas, e usa isso como uma arma para justificar seu estresse e impossibilidade de assumir responsabilidades maiores. Como? Ele afirma que está sob muita pressão por causa desse ou daquele objetivo, que tem muito trabalho para fazer de um outro projeto, que está estressado por causa daquela outra reunião. E quando chega a hora de falar sobre salário ele reivindica para si o crédito de ter ajudado todas as equipes a atingir seus objetivos.
A melhor maneira de lidar com alguém assim, se você resolver dar uma chance, é atribuindo tarefas específicas e individuais, com deadlines ambiciosos. Assim, o camaleão não terá a chance de jogar o trabalho nas costas de outras pessoas.

2. Enfeite

Aquela pessoa que está ali pela sua aparência, muito mais do que pelo trabalho em si. O enfeite feminino, estilo "modelo da Victoria's Secret", é aquela que usa a beleza para conseguir o que quer no ambiente de trabalho. O problema aqui não é ser uma mulher bonita, mas ser uma mulher que conseguiu e permanece no emprego por isso.
O mesmo vale para enfeites masculinos: o homem que fica perfeito em um terno e tem um ar de executivo, mas não possui o expertise ou talento para estar onde está. Se não há possibilidade de demitir esses "enfeites", James aconselha a pelo menos usá-los a seu favor: coloque-os para trabalhar em setores onde causar boa impressão pela aparência pode ser útil.

3. Grilhão

Os grilhões são algemas ou correntes ligadas a uma bola pesada de metal, que não permitia que prisioneiros escapassem ou se locomovessem muito. Nos negócios, são aquelas pessoas que impedem que a empresa ou projeto se arrisque, como, por exemplo, alguns advogados corporativos. Para lidar com eles, James afirma que o melhor é tratá-los como consultores e não "tomadores de decisão". Ouça suas opiniões e argumentos, mas, no final, faça você mesmo as escolhas, e quando arriscar for a sua decisão, não deixe o "grilhão" lhe impedir de agir.

4. Vampiro

Na mitologia, vampiros parecem humanos, mas sobrevivem através do nosso sangue. No ambiente de trabalho, os vampiros aparentam estar contribuindo, mas se alimentam das emoções dos outros. Em reuniões, eles parecem ajudar, e “ajudam” mostrando sempre as possibilidades negativas de qualquer coisa, sugando, assim, o otimismo e positividade das outras pessoas.
Outra tática do vampiro é ouvir as reclamações dos outros, com a intenção de obter informações para criar e fomentar conflitos, sem que ninguém o veja como responsável. Ele espalha negatividade sutilmente, fazendo as pessoas acreditarem que os sentimentos negativos são genuinamente seus.
É difícil demitir um vampiro, pois as pessoas o veem como aliado e amigável. Mas James não vê outra forma de lidar com esse tipo de funcionário, que não seja livrar-se dele.

Cartas de Nova Iorque: O Highline e o Minhocão

Blog do Noblat

Luisa Leme
Um fetiche urbanístico: o parque suspenso em Nova Iorque, que costumava ser uma linha de trem, virou fissura entre os paulistanos nas últimas semanas. E a notícia sobre o eventual desativamento do Elevado Costa e Silva em São Paulo, acompanhado de uma proposta de se fazer um parque no Minhocão, me fez pensar nas duas estruturas e dizer que a comparação fica cada vez mais difícil. Por mais que eu gostasse de ver um parque parecido em São Paulo, o Minhocão não é o High Line. Por causa de algumas diferenças:
Ao subir as escadas para entrar no parque, que fica entre bairros como o Meat Packing District e o Chelsea, o High Line funciona como um analgésico do concreto. Um refúgio no Oeste de Manhattan, onde tudo tem um clima industrial, grande e novo - herança de uma exploração imobiliária rápida e louca, que o ex-prefeito Bloomberg deixou para os milhonários que frequentam a cidade.
Do High Line, se vê o rio Hudson, o Empire State, murais como a releitura do beijo de Alfred Eisenstaedt pelo Eduardo Kobra na rua 25, o verde que se plantou entre os trilhos preservados pelo projeto do parque, os bancos de madeira onde as pessoas namoram e tomam sol… O fetiche na verdade é dos fotógrafos, dos turistas, de todos que adoram uma novidade urbana que possa ser aproveitada diante da crescente desigualdade e exclusão de Nova Iorque. Afinal, muita gente não pode mais morar no West Side. Quem batalha na cidade não compra muito nem se diverte na região, mas ainda se permite um passeio a pé no High Line.
O parque surgiu porque o desenvolvimento que já estava acontecendo no lado Oeste de Manhattan se deparou com uma estrutura abandonada. O Meat Packing era um bairro onde só existiam açougues mesmo. E depois das muitas fábricas da área fecharem, comunidades excluidas dos anos 70 (os gays, os artistas) começaram a mudar para lá. O “boom” da região veio nas últimas décadas e hoje, existem apartamentos em volta do High Line que custam 20 mil dólares por mês (sim, você leu corretamente). Eu me pergunto o que aconteceu com a região do Elevado em São Paulo nas últimas décadas…a história não é a mesma.
Além disso, a estrutura aqui é estreita: mais de três pessoas caminhando lado a lado e já fica difícil. Não ocupa tanto espaço e nunca fez parte do trânsito de carros de Manhattan. Era um trilho que não funcionava desde 1980 e que foi construído 50 anos antes para que a rua embaixo não fosse invadida com um trem. Aliás, a rua embaixo do High Line é uma via nova-iorquina normal, onde passam carros, bicicletas e pedestres. Hoje, muitos restaurantes, lojas e até museus estão se acoplando ao High Line sem que a estrutura seja um empecilho diante de outras empreitadas no bairro. Nunca seria chamado de “minhocão”. Um carro sequer não cabe lá.
O parque neste caso é uma das vitórias de cidadãos que se organizaram, nunca carregou o nome de um ditador como o Minhocão. O High Line surgiu porque moradores do lugar se uniram e convenceram a cidade a não demolir a linha de trem e transformá-la em um parque. Foram alguns anos de estudo, consultas e o projeto levou uma década para ficar pronto. A iniciativa virou uma organização da qual todos podem participar (como voluntários, membros, doadores). Não foi criado para solucionar um problema, mas sim para que os moradores pudessem preservar uma estrutura histórica de uma Nova Iorque que não existe mais, e que se tornou um espaço de lazer para todos os pedestres da cidade.

Luisa Leme é jornalista e produtora de documentários. Passou pela TV Cultura e TV Globo em São Paulo, e pelas Nações Unidas em Nova York. Mora nos Estados Unidos há sete anos e fez mestrado em relações internacionais na Washington University in St. Louis. Escreve aqui sempre às quintas-feiras. Mantém o blog DoubleLNYC com imagens e impressões sobre Nova York. Twitter: @luisaleme

Crônica de um fracasso anunciado, por Paulo Cesar Marques da Silva


O Brasil passou mais de duas décadas sem saber para onde ir em termos de mobilidade urbana.
Depois de um período em que se destacou na produção de algumas das soluções que viraram referências internacionais, mergulhou numa longa fase de gestões medíocres e desarticuladas, da qual poderia começar a sair no ano que vem. Mas parece decidido a jogar fora a oportunidade.
Nos anos em que desenvolveu técnicas e conceitos como o do Ligeirinho de Curitiba – que agora importamos com o nome de Bus Rapid Transit – e dos Comboios Ordenados de São Paulo, só para falar de dois dos mais conhecidos e bem sucedidos exemplos, o país investia na capacitação de técnicos nas três esferas da administração.
Para isso contava com com a Empresa Brasileira de Transportes Públicos (EBTU) e, responsável por uma área de atuação mais ampla, com a Empresa Brasileira de Planejamento de Transportes (GEIPOT, que nascera como o nome de Grupo Executivo de Integração da Política de Transportes).
É verdade que naqueles anos de chumbo (o GEIPOT foi criado em 1965 e a EBTU dez anos depois), não havia respeito à autonomia dos municípios e a atuação dos órgãos federais muitas vezes foi associada a práticas intervencionistas. Mas não é menos verdade que a convivência com as equipes técnicas qualificadas desses órgãos beneficiou dezenas de municípios.
A Constituição de 1988 tentou corrigir as distorções. Por um lado estabeleceu o pacto federativo em bases que asseguram papel destacado aos municípios e, por outro, atribuiu à União a missão de legislar definindo diretrizes para o transporte urbano.
A intenção, porém, esbarrou em dois obstáculos: um normativo – ficamos quase vinte e quatro anos sem a tal lei de diretrizes – e outro institucional – sucessivos governos desmantelaram os órgãos federais (a EBTU foi extinta em 1991 e o GEIPOT em 2008, depois de seis anos em liquidação).
A Lei 12.587, que estabelece as diretrizes da mobilidade urbana, foi finalmente promulgada pelo Congresso Nacional em 2011 e sancionada em janeiro de 2012. Nela está definido o prazo para municípios com mais de 20 mil habitantes formularem seus Planos de Mobilidade: abril de 2015.
Estamos a oito meses da linha de chegada e pouco se tem visto nas cidades que nos faça crer no cumprimento do prazo. Sem dúvida, esse é um resultado do esvaziamento das administrações públicas.
É de se lamentar, mas parece que nos restarão duas alternativas: ou uma alteração na lei que prorrogue os prazos ou a conhecida farra da venda de planos a prefeituras por consultores que, às vezes, esquecem até de trocar o nome do município no cortar-e-colar de seus arquivos.
 

Paulo Cesar Marques da Silva, engenheiro, doutor em estudos de transportes pela University College London (Reino Unido), é professor do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental da Universidade de Brasília. Escreverá aqui sempre às quintas-feiras

A hora dos ex-companheiros, por Mara Bergamaschi


Quem, como minha a geração de jornalistas, viu o PT crescer na oposição até conseguir vencer as eleições em 2002 e se consolidar como governo, certamente percebeu um fato interessante: quatro dos sete ocupantes das tribunas do debate da TV Bandeirantes eram quadros petistas – além da presidente Dilma Rousseff (PT), Marina Silva (PSB), Eduardo Jorge (PV) e Luciana Genro (PSOL).
Parlamentares de destaque que, em momentos cruciais, se decepcionaram com as posições políticas e éticas do partido.
A mais ruidosa delas foi a criação do PSOL por setores da esquerda do PT, após o escândalo do mensalão em 2004.
Essas defecções, mais do que uma constatação didática, são o retrato menos fotogênico das transformações que o PT sofreu na situação, em sua trajetória de incendiário a bombeiro.
Talvez a dificuldade para se relacionar (e valorizar) ex-companheiros – que até aqui sobreviveram eleitoralmente como nanicos – explique em parte o fato de Dilma não ter encarado Marina como principal adversária no debate da última terça-feira.
Apesar de as pesquisas indicarem há duas semanas a forte subida da substituta de Eduardo Campos, Dilma evitou legitimar Marina e insistiu em um quadro eleitoral que neste momento já não existe.
A candidata à reeleição não reagiu nem quando Marina, que mirou o tempo todo a presidente, chamou seu ministério de “anônimo”, fruto do “toma-lá-dá-cá” com o Congresso, e referiu-se a falsos gerentes “que não gerenciam nem a si próprios” – alusão à tutela de Lula sobre Dilma, novamente presente na propaganda pelo segundo mandato.
É trabalhoso para o PT rever toda sua estratégia e abandonar o cômodo discurso antitucano repetido há duas décadas. E vice-versa. Mas ontem, sem deixar de confrontar Dilma, a campanha de Aécio Neves (PSDB) mostrou agilidade para reagir ao furacão Marina.
Desbancado do segundo lugar pelo PSB, Aécio foi obrigado a se “duplicar” para tentar se recolocar em um eventual segundo turno: ora contra Dilma, ora sim contra Marina.
De maneira geral, os três principais candidatos saíram-se bem no debate.
Dilma, ainda pouco à vontade, teve novamente dificuldades para aproveitar seu tempo diante da enxurrada de projetos que quis destacar.
Marina mostrou argumentações seguras, mas detalhou pouco seu programa de governo.
Calmo e objetivo nas propostas, Aécio foi talvez o mais comunicativo.
Já os nanicos cumpriram seu papel – mas podiam ter animado um pouco mais as discussões.
Agora resta acompanhar como o personalíssimo eleitor de 2014 julgará o desempenho dos presidenciáveis – neste e nos próximos debates.

Marina Silva, Aécio Neves, o jornalista Ricardo Boechat e Dilma Rousseff - Foto:Fernando Donasci / Agência O Globo

Mara Bergamaschi é jornalista e escritora. Foi repórter de política do Estadão e da Folha em Brasília. Hoje trabalha no Rio, onde publicou pela 7Letras “Acabamento” (contos,2009) e “O Primeiro Dia da Segunda Morte” (romance,2012). É co-autora de “Brasília aos 50 anos, que cidade é essa?” (ensaios,Tema Editorial,2010). Escreve aqui às quintas-feiras