segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Por ora, refém de Marina - RICARDO NOBLAT

O GLOBO - 06/01

"Ele não tem o traquejo para isso" 
Fernando Henrique, sobre a hipótese de Joaquim Barbosa ser candidato a presidente

No final do ano passado, em conversa com um amigo a bordo de um avião que os conduzia ao Rio de Janeiro, Eduardo Campos, governador de Pernambuco e aspirante a candidato à Presidência da República pelo PSB, desabafou num momento de irritação: "Não aguento mais ouvir dos meus interlocutores: 'A Marina está de acordo?' Há momentos em que eu, simplesmente, não entendo o que ela fala. Não entendo mesmo"

A TÃO LOUVADA habilidade política de Eduardo será testada nos próximos meses pelo gênio difícil da ex ministra do Meio Ambiente Marina Silva. Salvo uma inesperada ou uma repentina e incontornável desavença entre os dois, Marina fará parte da chapa de Eduardo na condição de vice. Mas a que preço? 

MAL ANUNCIOU sua filiação ao PSB, enquanto não registra seu partido, a REDE, Marina se opôs a um acordo quase firmado por Eduardo com setores da área rural do Centro-Oeste, o que traria para seu lado uma parcela do DEM representada por Ronaldo Caiado (GO), líder do partido na Câmara dos Deputados.

Bateu duro nos ruralistas, acusando-os de conservadores e de adversários do meio ambiente.

SUGERIU QUE eles não poderiam ter nenhuma afinidade com uma nova via política que se oferece como alternativa ao PT e ao PSDB. Ameaçou saltar fora do barco de Eduardo. Foi um corre, corre. Caiado enfureceu-se. Eduardo engoliu a seco. Em seguida, Marina levantou a questão das candidaturas aos governos estaduais. Na negociação com Eduardo tentou impor nomes da REDE que a acompanharam na adesão ao PSB.

A QUESTÃO NÃO foi resolvida. No Paraná, por exemplo, o PSB caminha para apoiar a reeleição do governador Beto Richa (PSDB). Marina é contra. Empenha- se para que o PSB apoie um nome inexpressivo, mas próximo da REDE. No geral, Marina se comporta como se fosse uma agente do PT infiltrada no PSB, dificultando o mais que pode qualquer aproximação entre o partido e o PSDB. Foi o que fez no caso de São Paulo - e ali ganhou a parada.

O PSB PAULISTA faz parte do governo Geraldo Alckmin, assim como fez dos governos do PSDB que o antecederam. E por sua maioria quer apoiar a reeleição de Alckmin. Em troca, poderá emplacar um dos seus nomes como candidato a vice-governador.

Eduardo parecia de acordo. Sonhava em dividir o palanque de Alckmin com Aécio. Aí, Marina disse não sob o argumento de que o PSB tem de se diferenciar do PSDB. Não pode enfrentá-lo na disputa pela Presidência da República conciliando com ele logo no principal estado do país. No primeiro turno, cada partido deve mostrar seu DNA. No segundo, predomina o embate puramente eleitoral, imagina Marina. Se dependesse dela, o candidato do PSB ao governo de São Paulo seria a deputada Luiza Erundina (PSB). Eduardo aceita a indicação. Foi ele que lançou Erundina como candidata a prefeita de São Paulo na última eleição. Erundina quer se eleger mais uma vez deputada federal.

O PT ESTÁ GRATO a Marina. É forte a chance de o partido eleger os governadores de Minas Gerais (Fernando Pimentel) e do Rio de Janeiro (Lindbergh Farias).

O eventual enfraquecimento de Alckmin fortalece a chance de o PT eleger Alexandre Padilha governador de São Paulo. Eduardo garante que num segundo turno, o PSB apoiará Alckmin. A se ver.

TUDO VALE A pena se a recompensa não for pequena, acha Eduardo. Até suportar Marina - desde que ela o recompense com parte dos votos que atraiu em 2010 quando candidata a presidente.
Marina foi a maior de suas conquistas até aqui.

Guerra psicológica - PAULO BROSSARD


ZERO HORA - 06/01


A Nação foi testemunha de um desengonçado autoelogio em ritmo eleitoral


Em sua mensagem de fim de ano a senhora presidente, em rede de rádio e televisão mencionou fatos, supostos ou reais, de suma gravidade; nada menos que uma “guerra psicológica” contra o Brasil. Isto dito por alguém do primeiro escalão, do segundo ou mesmo do terceiro já seria temerário, pelos inevitáveis e variados efeitos que não poderiam deixar de atingir o país, mas é simplesmente espantoso quando dito pela chefe do governo e do Estado, titular do Poder Executivo, que envolve a maior soma de poderes que homem possa possuir e exercitar, que tenha a chefia da administração, exerça o comando supremo das Forças Armadas, tenha a palavra final nas relações internacionais, inicie o processo Legislativo para dizer o menos. É chocante que isto tenha sido dito pela chefe do governo do Estado, valendo-se de inexcedível rede de comunicação. Ou a presidente tem ciência dessa situação cujas consequências podem ser incalculáveis e de difícil aferição, ou, se a denúncia formulada não tiver seriedade, o mínimo que se pode dizer é que a autoridade terá demostrado a ausência do imprescindível senso de responsabilidade.
Desgraçadamente a mensagem em causa, da “guerra psicológica”, assoalhada pela senhora presidente, parece não ter nenhuma objetividade, pois nela tudo é hipotético, “se alguns setores, seja por que motivo for, instilarem desconfiança, especialmente desconfiança injustificada, isso é muito ruim”. Isto “se alguns setores instilarem desconfiança”, ou seja, trata-se de mera hipótese, “se” e nada mais. Mas não é só. Na mesma linha acrescenta a mesma alta autoridade, que “a guerra psicológica pode inibir investimentos e retardar iniciativas”, ambas as passagens contêm mera possibilidade ou hipótese apenas possível e nada mais. Aqui a leviandade é mais lamentável e mais comprometedora da dignidade das instituições e o que é gravíssimo, patrocinada pela chefe do governo e do Estado.
Confesso que escrevo este artigo com o maior constrangimento cívico e com a consequente indignação, ainda que com uma forma extremamente contida. A verdade é que muito e muito mais poderia e deveria ser dito, diante da inédita e inaudita inconsciência revelada. Desnecessário dizer da minha perplexidade em face do acontecido. O certo é que se nem todos os presidentes eram dotados de atributos excepcionais, de nenhum se poderia dizer que teriam incidido em semelhante claudicação funcional.
Alguns dos maiores jornais do Brasil, publicaram essa matéria na primeira página, em suas edições do dia 30 de dezembro. Após a estupenda estória da “guerra psicológica” a senhora presidente repetiu “compromisso de manter o equilíbrio das contas públicas e controle da inflação”. Aqui o expediente cheira a pilhéria, pois foi exatamente a deterioração das contas públicas ao longo do ano, uma das maiores causas que minaram a confiança dos investidores, e a inflação continuou em patamares elevados, tanto que, para enfrentar o câncer da inflação, o juro que se mantivera estável na casa dos 7,25% ao ano de outubro de 2012 a abril de 2013, foi sendo elevado até atingir o índice dos 10% como tinha sido em janeiro de 2012. É dessa forma que as contas públicas, de braços dados com a inflação, refletem as benemerências do governo que se esfalfa na reeleição em campanha aberta, afrontosa à lei eleitoral.
A medida que se entrava no quarto trimestre os maus resultados administrativos começaram a ser conhecidos e, em breve, os dados completos estarão sendo divulgados em toda a sua amarga objetividade.
Por fim, em lugar de uma mensagem adequada ao encerramento de um período de notórias e variadas dificuldades, a Nação foi testemunha de um desengonçado autoelogio em ritmo eleitoral, com fogos de artifício de muitas formas e cores.

O Brasil pode dar certo? - RENATO JANINE RIBEIRO


VALOR ECONÔMICO - 06/01

A Europa desenvolvida tornou realidade, na metade do século XX, direitos sociais relevantes. Ninguém precisa perder o patrimônio para ser tratado de uma doença séria, ou gastar boa parte de sua renda para se locomover. É isso o que chamo um país "dar certo". Os efeitos não são só materiais. Também explicam por que as pessoas não furam fila nem invadem o acostamento: sabem que há lugar para todos, que a demanda atende à oferta. Não temos isso no Brasil.

Uma discussão do tema, no Facebook, sugeriu que a centro-direita (ou os liberais, como preferem ser chamados) parece mais consciente, do que a centro-esquerda, da premência deste nosso desastre social. Reconhecer um problema é um passo para resolvê-lo. Só que a centro-direita propõe soluções que não levam em conta, ou só levam em conta enquanto obstáculo, não como oportunidade, a complexidade política de implantá-las.

Parte-se da crença de que a economia brasileira está em séria crise. As políticas distributivistas do PT teriam estancado o espírito de iniciativa empresarial. Seria preciso devolver - ou criar - condições para uma forte expansão econômica. As medidas sugeridas reduzem o papel do Estado, aumentam a concorrência, favorecem a contratação de empregados (isto é, favorecem sua demissão: o diagnóstico é que não se contrata por receio da burocracia que cerca o desligamento do funcionário).

Essas análises estão certas, estão erradas? Não discutirei aqui. Mentes brilhantes as endossam. Mas trazem problemas políticos.

O primeiro está no próprio enunciado da questão que coloquei - do que o Brasil precisa para "dar certo". Os liberais acreditam saber o que falta para o País atender à demanda da rua por transporte, educação, saúde e seguranças decentes - mas suas propostas não vão além de fórmulas teóricas. Na política a teoria é necessária, mas insuficiente: o fundamental é construir, politicamente, as medidas que levem numa determinada direção. Explico.

Em 1994, o País estava travado, tanto pela inflação quanto pela indefinição de quem investiria, o Estado ou a iniciativa privada. Tendo domado a inflação graças ao Plano Real, FHC também venceu as resistências à privatização. Poderia ela não ser a melhor solução, certamente não era a única, mas foi a que ganhou apoio político. Já em 2002, o descontentamento com a desigualdade social permitiu que Lula mudasse o rumo de nossa política. Nos dois casos, houve demanda e liderança políticas. Mas hoje, quando nossos liberais propõem reformas econômicas para resolver sérios problemas sociais, não as traduzem em linguagem política. Ficam na teoria. Daí que lhes seja fácil responder a uma pergunta como a minha, às vezes até ironizando sua suposta ingenuidade, mas que não consigam fazer a teoria deles passar à prática. O problema é que, na política, a melhor teoria vale pouco, se não trouxer resultados.

O segundo problema é que a pasta dental não volta para dentro do tubo. Desregulamentar o mercado de trabalho para fazê-lo crescer causa desconfiança. Como convencer as pessoas de que terão mais e melhores empregos, se não tiverem garantia nenhuma deles? A inclusão social dos últimos anos, embora tenha se dado mais pelo consumo do que pela educação ou cultura, trouxe exigências irreversíveis. Pelo menos enquanto estiver no horizonte o consumo dos bens de consumo necessários (o iogurte de FHC, a geladeira de Lula etc.), não há condições políticas de sustá-lo. Haja China para nos exportar tudo isso, a preço que os ex-miseráveis possam pagar... Mas dificilmente alguém ganhará uma eleição sem aumentar o consumo, o que significa ampliar o crédito ao consumidor, o que implica ir na contramão do que os liberais pregam. Não interessa aqui se eles têm razão ou não; o ponto é que seu discurso não terá apoio político.

Política não é ter razão. Aliás, hoje a centro-direita acredita estar certa e se irrita porque os eleitores não votam nela; só que, vinte anos atrás, era o PT que se sentia assim. Recordar é viver.

Mais um problema. As demandas que hoje prevalecem são sociais, mas as propostas das oposições são essencialmente econômicas. O que é lógico, se elas consideram que a economia está em frangalhos e não sustentará nem o que existe, quanto mais uma expansão do gasto (ou investimento) social. Mas a economia é, quando muito, um meio, enquanto construir uma sociedade justa é um fim, o mais importante dos fins que nos podemos propor. Em especial, não se percebe que, como o cobrador do conto homônimo de Rubens Fonseca, estamos cansados de esperar, e os mais pobres mais que todos nós. Se alguém disser que, para se chegar à elementar justiça social, será preciso dar uma longa volta - seja pelo estatismo, seja pelo neoliberalismo - dificilmente ganhará a confiança do eleitorado. Estamos fartos de desvios que acabaram se eternizando.

Talvez por isso as pesquisas, que mostram a maior parte da população sequiosa de grandes mudanças, não beneficiem a oposição. (O governo é o favorito, não só pelo balanço de uma inclusão social que se realizou sem custos para as classes abonadas, como por ter oposições menos atentas do que deveriam à realidade social). Mas pode ser que em 2014 algum candidato a governador inove, propondo em termos concretos e confiáveis uma agenda que contemple transporte, saúde, educação e segurança públicos. Ou em 2016, alguns candidatos a prefeito despertem para as reivindicações populares. Penso que serão excepcionais: isto é, poucos em quantidade e altos em qualidade. Mas poderão renovar o panorama político brasileiro.

Delicadas transições - PAULO GUEDES


O GLOBO - 06/01

A economia mundial continua enfrentando em 2014 os enormes desafios das transformações exigidas pela grande crise contemporânea


A economia mundial enfrenta em 2014 delicadas transições. Apesar das favoráveis estimativas quanto a uma reaceleração do crescimento global, o fato é que há enormes desafios a serem superados em diversas regiões do planeta.

A economia americana terá de demonstrar resiliência ante a gradual retirada dos estímulos monetários. As maciças injeções de recursos, as compras de títulos de renda fixa e a derrubada dos juros pelo Federal Reserve (Fed), o banco central dos EUA, elevaram os preços desses títulos, das ações e dos imóveis, aumentando a riqueza, reativando o consumo e reduzindo a taxa de desemprego. A transição de uma recuperação cíclica para o crescimento sustentável nada tem de trivial.

Os europeus continuam sua difícil travessia institucional de regimes fiscais nacionais embutidos em regime de moeda única supranacional. Enquanto o Fed infla os preços dos ativos, camufla as perdas com a farra do crédito e transfere para os contribuintes os custos das operações de salvamento financeiro, o Banco Central Europeu, sob influência alemã, tornou- se a "instância dominante" da teoria dos jogos, forçando os tesouros nacionais a apertar o cinto. Por quanto tempo abusarão os americanos do direito de emitir a antiga moeda-reserva da economia mundial, o dólar? Por quanto tempo aguentarão os europeus a disciplina exigida pelo euro, candidato a futura moeda- reserva global? 


Há também importantes transições ocorrendo na Ásia. Os alquimistas japoneses praticam agora o "Abenomics", tentativa de transformar papel colorido em riqueza. Os primeiros efeitos são sempre agradáveis. Sobem as bolsas, aumentando a "riqueza", a moeda se desvaloriza, estimulando as exportações. Nada melhor em meio à guerra mundial por empregos. Os problemas estarão à frente, quando subirem a inflação e os juros, pois a dívida pública excede 200% do PIB. Já a China tem de transferir para seu mercado interno de consumo de massa o eixo de sua dinâmica de crescimento, hoje sustentada por forte ritmo de investimento em infraestrutura e pela fabulosa engrenagem de geração de empregos lubrificada pelas exportações.

E o Brasil? Nada trivial transformar em crescimento sustentável uma expansão cíclica à base de crédito e transferências de renda já em estágio de exaustão.

Novos rumos para a educação - RUY MARTINS ALTENFELDER SILVA


O Estado de S.Paulo - 06/01

Em 2013 não foi diferente. A divulgação dos resultados da Avaliação Internacional de Alunos (Pisa, na sigla em inglês) 2012 colocou, mais uma vez, a educação brasileira na berlinda e reacendeu a antiga discussão sobre como pôr no rumo certo esse poderoso fundamento da cidadania e do desenvolvimento. Os argumentos contra e a favor se entrecruzaram. Ocupar a 58.ª posição num ranking de 65 países não é fato a ser aplaudido, nem dá para dormir tranquilo em berço esplêndido. Mas, olhando para trás, são de comemorar os avanços conseguidos, ainda que sejam menos brilhantes do que seria desejável para um país que partiu de patamares muito baixos de qualidade do ensino. Portanto, parece ser um daqueles casos em que todos têm um pouco de razão.

Começando pelos aspectos positivos: é relevante a evolução de desempenho registrada nas provas de 2012, que avaliaram alunos de 15 anos, frequentando do sétimo ao nono ano do ensino fundamental ou qualquer série do ensino médio. O relatório destaca o avanço de 4,1 pontos por ano no período 2003-2012. Ênfase para a proficiência em Matemática, com um salto de 356 para 391 pontos, numa escala que vai de zero a mil, e o aumento do número de jovens inseridos em salas de aulas. Aspectos negativos: a má pontuação em Português e Ciências e apenas 0,8% dos estudantes tendo atingido notas compatíveis com os níveis 5 e 6, que indicam aptidão para resolver questões mais complexas, enquanto 70% não ultrapassaram o nível 1 em Matemática, sendo incapazes de ler um simples gráfico de barra.

Justificativas e críticas à parte, está claro que o nó da educação brasileira saiu da esfera da inclusão educacional e até mesmo do volume de investimentos. Também parece claro que a hora é de planejar o futuro bem próximo, para que o País não perca, mais uma vez, o bonde da História e, portanto, aproveite ao máximo o momento propício que se avizinha na área educacional para dar o esperado salto de qualidade no ensino. No início da década de 2020 - ou seja, daqui a seis ou sete anos - o Brasil terá 5 milhões a menos de alunos em idade escolar, como apontam as estatísticas demográficas do IBGE. E, o que é melhor, terá R$ 120 bilhões a mais para investir no ensino se o projeto do pré-sal sair como o governo federal anuncia.

Chegou a hora de deixar de lado corporativismos, visões essencialmente ideologizadas, debates estéreis, que não levam a nada, e buscar lições produtivas em experiências que deram certo, tanto aqui como no exterior. Na China (que, aliás, acaba de atingir o topo do Pisa), o aluno de 10 anos tem o mesmo desempenho de seu colega brasileiro de 15, e o mesmo acontece com o coreano de 11 anos, o americano de 12 e o tailandês de 14. No Brasil, cresce o número de escolas públicas que, mesmo sem mais verbas, apresentam enormes ganhos de qualidade na aprendizagem, comprovando que a boa gestão escolar permite avançar em qualidade, mesmo nas condições atuais.

Em comum todos os casos têm como base a adoção de planejamento, metas, meritocracia, acompanhamento e avaliações rigorosas (estas não para reprovar o aluno, mas para detectar e corrigir as causas dos maus resultados). Os nós da educação brasileira já estão devidamente identificados. A política pública da educação precisa, por exemplo, revalorizar a figura do professor - tanto com programas de capacitação para aprimorar o desempenho daqueles que integram o quadro atual de docentes quanto adotando planos de cargos e salários compatíveis com a realidade do mercado de trabalho para atrair melhores talentos para o magistério. Hoje essa carreira, com salário médio nacional de R$ 1,4 mil, está em último lugar na preferência dos jovens, que preferem tornar-se mecânicos, secretários ou trabalhadores da construção civil.

Esse é apenas um dos gargalos do ensino básico, que se alinha à necessidade de oferecer aprendizado em período integral e com infraestrutura (laboratórios de ciências, computadores, bibliotecas). Ou seja, é preciso oferecer aos alunos condições de utilizar o tempo adicional com outras opções além das atividades culturais que, hoje, são realizadas como único complemento às aulas das disciplinas regulares, nas poucas escolas que funcionam em tempo integral. Outro ponto importante é a revisão dos currículos, visando a estabelecer um padrão nacional, como forma de reduzir as gritantes desigualdades regionais de aprendizado registradas em todas as avaliações que abrangem o alunado de todo o País. Essa redução, aliás, passaria também pelo investimento em educação infantil, com sensibilização das famílias de menor renda para que ofereçam em casa o estímulo correto aos filhos. E por aí vai.

A prioridade à qualidade da educação trará ganhos para os jovens que estão prestes a ingressar no mercado de trabalho, ao melhorar as suas condições para disputarem empregos mais bem remunerados. O desenvolvimento do País sofrerá forte impacto, pois cada ano adicional de escolaridade equivale também a 10% de aumento de produtividade. Não é à toa que a China cresceu dez vezes mais que o Brasil nos últimos dez anos (134% ante 13%).

A tarefa não é fácil, pois envolve problemas que se acumulam desde o Brasil colônia. Ao contrário, é uma verdadeira revolução, que demanda forte vontade política para vencer obstáculos e pôr a educação no rumo correto, num processo que atingirá sua maturação plena em várias gerações. Mas, na essência, talvez seja o maior legado que as lideranças atuais devem às novas gerações. E, quanto mais cedo o desafio for aceito, mais cedo o Brasil começará a colher os frutos da mais benéfica das revoluções que pode empreender.

Que Copa, hein! - ANCELMO GOIS


O GLOBO - 06/01

Faltando 156 dias para a Copa, o Rio ainda não sabe se terá o chamado Fifa Fan Fest, um lugar onde as pessoas acompanham os jogos pelo telão com muita festa. O problema é que a Fifa vende o espaço para os patrocinadores, como a Coca-Cola, por exemplo, mas quer que a prefeitura, dinheiro meu, seu, nosso, pague a estrutura.

Tudo OK com os estádios
Dilma já recebeu um relatório interno do governo sobre a Copa do Mundo.
Nesta altura do campeonato, o ritmo de obras nos estádios é considerado satisfatório. Não preocupa mais. Onde mora o perigo é na parte logística, como conexões de voos ou a chegada do público ao Itaquerão, em São Paulo.

Segue...
O relatório tem um capítulo inacabado na questão de segurança.
Não se acredita em atentados ou ataques de facções criminosas, mas ainda não se tem uma ideia real da dimensão das manifestações que podem ocorrer durante a Copa.
A conferir.

Neymar e o cai-cai
O primeiro a falar com Neymar para evitar o cai-cai na Europa foi o pai.
Seu Neymar, que foi jogador de futebol, teve várias conversas com o filho sobre isso. Disse que ele só vai se firmar por lá se parar de cavar faltas.
E pelo que temos visto o garoto ouviu os conselhos.

Antecedentes
Joaquim Barbosa disse a amigos que Edson Santos passou a atacá-lo depois da ida a seu gabinete, no STF, de um grupo, ligado ao deputado petista, em busca de apoio aos chamados invasores do Jardim Botânico, no Rio. O ministro não apoiou. 


60 anos do suicídio
Este ano se completam 60 anos do suicídio de Getúlio Vargas. Por conta disso, o coleguinha José Augusto Ribeiro vai relançar este mês seu livro — em três volumes com edição revista e ampliada —“A Era Vargas”, cuja primeira edição é de 2001.
Zé, depois de passar por várias redações, foi assessor de imprensa na campanha de Tancredo Neves.

100 anos de Abdias
A Flupp, Festa Literária das UPPs e das Periferias do Rio, decidiu fazer este ano uma homenagem ao centenário do nascimento de Abdias do Nascimento.
O foco de toda a programação vai girar em torno do conceito de “Inventores do Brasil”, e Abdias terá um lugar de honra, ao lado de Sérgio Buarque de Holanda e Gilberto Freyre.

Os brazucas
José Joffily, diretor, entre outros, do filme “Quem Matou Pixote?”, está em Londres.

Filma um documentário para o Canal Brasil e a Riofilme sobre os brasileiros que moram no exterior.
Estima-se que uns 100 mil brasileiros estejam vivendo na Inglaterra.

Imprensa é diversidade
Assinada pela artista plástica baiana Bárbara Tércia, esta é a camiseta do “Imprensa que eu gamo” para o carnaval 2014.
Traz o tema da diversidade, com 19 tipos de casais (em referência à idade do bloco): heterossexuais, homossexuais, alto com baixo, magra com gordo, etc.
Fundado por jornalistas em 1995, o primeiro samba foi do coleguinha Marceu Vieira.

Filme triste
Por decisão da nova diretora do Jardim Botânico, Samyra Crespo, foi fechado o cineclube que funcionava no lugar, nas noites de terça-feira.
O clube foi criado pelo cineasta Walter Lima Júnior, em 2007.

Barulho que vem do céu
Nas Paineiras até que tudo está organizado. Na terra. No céu impera o barulho ensurdecedor dos helicópteros.
No Parque Nacional do Grand Canyon, no Arizona, assim como é em muitos outro parques, só é permitido o sobrevoo de aparelhos silenciosos.
Por que não adotar essa medida aqui?

Orgulho do subúrbio
No subúrbio do Rio não mora só gente pobre. Pesquisa feita pela agência NBS mostra o perfil da classe A que vive bem longe da Zona Sul.
Veja só: 93% das famílias, com renda mensal entre R$ 7 mil e R$15 mil, consideram que têm uma relação afetiva com o subúrbio, e quase todos, 99%, declaram orgulho do local onde moram.

Éque...
Para essas pessoas, o calor humano e a proximidade dos amigos, parentes e vizinhos é fundamental.
Maravilha!

AVALIAÇÃO NEGATIVA - MÔNICA BERGAMO


FOLHA DE SP - 06/01

Gleisi Hoffmann (Casa Civil) e José Eduardo Cardozo (Justiça) são os ministros mais bem avaliados do governo Dilma Rousseff, segundo enquete entre empresários, presidentes de organizações, executivos e jornalistas. Os dois estão empatados com média 6,3 (numa escala de 0 a 10), seguidos de Marta Suplicy (Cultura) e Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência), ambos com 6,1.

AVALIAÇÃO 2
Pelo mapeamento anual da GT Marketing e Comunicação, a avaliação piorou em relação ao governo Lula, quando os dez ministros mais bem avaliados tiveram médias acima de 6,5. Em 2010, entre os primeiros colocados estavam Guido Mantega (Fazenda), com 7,2, e Dilma Rousseff (Casa Civil), com 6,9.

AVALIAÇÃO 3
Com Dilma na Presidência, 13 ministérios foram avaliados abaixo de 5, de acordo com o levantamento feito em dezembro. Entre as notas vermelhas, estão Fazenda (4,9), Planejamento (4,8) e Turismo (4,1).

AVALIAÇÃO 4
A enquete ouviu 560 formadores de opinião. "As notas foram muito baixas. As 15 melhores médias estão entre 6,3 e 5,6, bem abaixo do regular", diz o consultor em marketing político Gaudêncio Torquato, da GT. O juízo severo é creditado ao perfil dos entrevistados. "É um público mais crítico e que acompanha a dinâmica governamental."

CHORINHO
Beth Carvalho, que recebeu R$ 150 mil para cantar no Réveillon do Rio, não tinha ideia de que Carlinhos Brown e Lulu Santos, que se apresentaram na mesma noite, iriam receber R$ 550 mil cada um de cachê. "Eu ia cobrar R$ 250 mil. A Prefeitura do Rio chorou pra pagar mais barato. Achei que fosse assim com os outros artistas."

A sambista diz que não ficou chateada com os colegas. "Cada um cobra o quanto quiser. No fim, o contratante é quem decide."

RECORDISTA
Ivete Sangalo recebeu o maior cachê entre os artistas que se apresentaram no Réveillon deste ano. A cantora, que fez show em uma festa privada em Maceió, ganhou R$ 600 mil do contratante, fora o montante pago pelo patrocinador, a Schin. A baiana teria embolsado R$ 1,4 milhão no total. Procurada, sua assessoria diz "que não fala em valores".

NOVA DUPLA
O diretor José Luiz Villamarim ("Avenida Brasil" e "O Canto da Sereia") lança dois atores na minissérie "Amores Roubados", que estreia hoje na Globo. Jesuíta Barbosa (do filme "Tatuagem") e Germano Hauit (de "O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias"). Jesuíta tem 22 anos e Germano, 75. Os dois estreantes na telinha são pernambucanos. O diretor já convidou Jesuíta para um papel em "O Rebu".

ANTES DA RALAÇÃO
Com o fim das filmagens de "Focus" em Buenos Aires, Rodrigo Santoro conseguiu um respiro na agenda para curtir a família. Visitou até os avós maternos em Ribeirão Preto. Tem uma maratona de lançamentos internacionais pela frente. Em março, a sequência de "300" e "Rio 2", a animação de Carlos Saldanha.

Santoro ainda é o produtor da cinebiografia de Pelé. E fará participação no longa sobre o Rei do Futebol, dirigido por Jeff e Michael Zimbalist.

FLASHBACK PODEROSO
"Quando eu era pequena, ensaiava beijo na boca no buraco da fechadura. Ah, e também adorava dançar com as portas!", diz Anitta, que posou para ensaio da "Glamour" inspirado no filme "Flashdance".

Agora que cresceu, a cantora curte beijar "os novinhos, de 23, 24 anos...". Mas diz estar cansada de boatos sobre seus relacionamentos. Após a parceria com Roberto Carlos no especial dele na Globo, ela espera "que o povo não invente" que está namorando o cantor.

"É o que mais tem acontecido comigo", afirma.

VIRADA PAULISTA
Os cantores Marcelo Bonfá, Toquinho e Supla se apresentaram no Réveillon da avenida Paulista. Sam Alves, vencedor do programa "The Voice" (Globo), e Paulo Ricardo também fizeram shows no palco montado para a festa de Ano-Novo na capital paulista.

CURTO-CIRCUITO
O Spot comemora 20 anos hoje com festa do lado de fora do restaurante, na região da Paulista.

Claudio Filippi toma posse hoje como presidente do Conselho Regional de Contabilidade de SP.

O Creamfields, um dos principais eventos de música eletrônica do mundo, terá edição em Jurerê Internacional (SC), no próximo dia 25, com 20 atrações. 16 anos.