sexta-feira, 31 de maio de 2013

CHARGE DO MYRRIA




Esta charge do Myrria foi feita originalmente para o

Cartas de Paris: Acreditem, muitos franceses não sabem falar inglês


Ana Carolina Peliz
Entre as lendas contadas sobre os franceses, a mais mentirosa é a que eles se recusam a falar inglês. Eu não consigo entender por que é tão difícil para as pessoas aceitarem que, quando eles não respondem as perguntas dos turistas, não é porque sejam arrogantes ou algo parecido, mas simplesmente porque muitos franceses não sabem falar inglês.
A questão das línguas estrangeiras na França é tão complicada que virou um complexo nacional e acabou se tornando um bloqueio.
Programas de televisão, jornais e literatura especializada debatem sobre o tema se perguntando por que razão os outros europeus aparentemente falam inglês e os franceses não.
Eu não acredito que os franceses tenham dificuldade em falar idiomas. Conheço muitos que falam bem até duas línguas estrangeiras, mas observei alguns pontos que poderiam explicar a razão do bloqueio que alguns construíram. Para mim, a primeira delas é um altíssimo grau de exigência.
Na França não existe o conceito “fluente”. Se você fala uma língua estrangeira, você deve ser “bilíngue”, ou então melhor nem abrir o bico.
Os franceses não entendem que ninguém é bilíngue por esforço, mas por acidente, porque nasceu em uma família com duas culturas. Ou seja, eles começam a aprender um idioma sabendo que não vão alcançar os objetivos exigidos.
Eles também aprendem inglês em escolas tradicionais, com uma péssima metodologia, professores castradores e, para completar, quando começam a balbuciar “the book is on the table”, já são obrigados a escolher uma segunda língua, que pode ser alemão ou espanhol.
Então, imagine a situação: aos 10 anos eles têm que falar a língua mais complicada da face da terra, que é o francês, mandar bem no inglês e ler e escrever em alemão ou espanhol!
Resumo da ópera, com tanta exigência, não aprendem nenhuma língua, acabam ficando traumatizados, concluem que são os piores do mundo em idiomas e que são incapazes de aprender línguas estrangeiras.
Além disso, o francês, durante muito tempo foi um idioma falado no mundo inteiro. Até hoje, em alguns países, é a segunda língua mais falada antes mesmo do inglês. Por isso, os franceses têm o conforto (e em alguns casos o alívio!) de saber que em alguns lugares do mundo, a língua de Molière ainda é praticada.
Quando o turista chega falando inglês, algumas pessoas entram em pânico e reagem mal. Mas não se preocupe, não é nada contra você ou contra o inglês, é simplesmente um complexo nacional.

Ana Carolina Peliz é jornalista, mora em Paris há cinco anos onde faz um doutorado em Ciências da Informação e da Comunicação na Universidade Sorbonne Paris IV. Ela escreve aqui todas as quintas-feiras.

No bambual, por Luis Fernando Veríssimo


OIbsen Pinheiro, grande frasista, diz que no futebol uma defesa se organiza e um ataque se inspira. Perfeito. O posicionamento e a mecânica de uma defesa — quem cobre quem, quem dá combate e quem fica na sobra, etc — podem ser sistematizados, diagramados e ensinados.
Já um ataque vive de oportunidades fortuitas, de explorar as eventuais falhas de organização da defesa — enfim, das brechas que aparecerem e da inspiração do momento. Você pode instruir o ataque a ir por um lado ou pelo outro e, quando não dá, levantar a bola na área (o último recurso tão repetido) e confiar no entrevero.
No confronto entre a organização e a inspiração, o que faz a diferença são a habilidade do atacante e a sua vitória pessoal sobre o defensor. E, apesar de estar provado que a jogada mais letal de um ataque é a que vem pelas pontas, atacantes insistem em tramar pelo meio, onde o trânsito é mais difícil e onde a concentração de defensores parece uma floresta de bambus.
Imagine jogar bola num bambual. Impossível, ou só possível a quem tem habilidade fora do comum. O sucesso do Messi se deve em grande parte à sua capacidade de sobreviver no bambual. De proteger a bola enquanto se esquiva de bambu atrás de bambu até chegar numa clareira e chutar a gol.
O Neymar tem a mesma capacidade, embora ela não tenha aparecido muito ultimamente, principalmente na seleção. Se o Neymar for para o Barcelona é possível que ele e o Messi recuperem uma arte perdida do futebol, a da tabelinha.

Pelé e Coutinho, na década de 70. Foto: Lemyr Martins

Já houve tabelinhas famosas. No Internacional dos anos 50 Larri e Bodinho faziam uma mortal, tramando pelo meio até um dos dois fazer o gol. E o protótipo de tabelinha pelo meio, claro, foi a de Pelé e Coutinho, no Santos. Mas naquele tempo o bambual ainda não tinha crescido tanto.
A dificuldade de atacar pelo meio teve duas consequências. Uma foi a prevalência, hoje, da bola alçada na pequena área para que uma cabeça providencial consiga o que não se conseguiu pelo chão.
A outra foi transformar quem acompanha o futebol há tempo em irrecuperáveis nostálgicos. Temos saudades dos ataques com passes que desconcertavam, ou desorganizavam, as defesas. Havia mais espaço para as tramas e a inspiração. E, acima de tudo, menos bambus na entrada da grande área.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Supremo vai decidir se mensaleiros poderão ter direito à prisão domiciliar


Jorge Wamburg (Agência Brasil)
O Supremo Tribunal Federal (STF) discutiu segunda-feira, em audiência pública, a possibilidade de deixar em prisão aberta ou domiciliar os condenados que tenham direito à prisão semiaberta, mas não possam ser colocados nesse regime por falta de vagas nas cadeias.
O assunto foi posto em debate pelo ministro Gilmar Mendes, relator de um recurso extraordinário apresentado pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul contra decisão do Tribunal de Justiça do estado que considerou possível a concessão do benefício. Para resolver o problema, houve uma proposta de edição de súmula vinculante pelo STF, apresentada pela Defensoria Pública da União.
A audiência trouxe a público um panorama dramático dos presídios do país, apresentado por defensores públicos e outros participantes, como o juiz gaúcho Sidinei Brzuska, da Vara de Execuções Penais, que denunciou a morte de 24 presos do regime semiaberto, o desaparecimento de cinco e uma quantidade desconhecida de considerados fugitivos pelo Estado.
REPERCUSSÃO GERAL
Mendes considerou grave a situação apresentada, mas disse que o assunto precisa ser bem analisado pelo STF, pois a decisão que for tomada “terá repercussões sobre a segurança pública”. O tema já foi reconhecido como de repercussão geral, o que obrigará toda a Justiça a seguir a decisão. Mendes explicou que o julgamento pelo plenário deverá ocorrer no segundo semestre deste ano.
A proposta foi defendida pelo defensor público-geral federal, Haman Tabosa, segundo o qual o Supremo já decidiu que até mesmo os condenados por crimes hediondos têm direito ao benefício de progressão penal para um regime mais brando, como o semiaberto. Assim, a defensoria deseja que seja fixado o entendimento “de forma vinculante, de que a falta de vagas correspondente ao regime de pena imposto ao condenado não pode significar sua colocação em outro mais severo”.
Segundo os defensores públicos que participaram da audiência, por falta de presídios para o cumprimento de pena em regime semiaberto, a Justiça mantém os presos em regime fechado, juntamente com criminosos de maior periculosidade, o que acaba dificultando a sua reintegração na sociedade. Além disso, a legislação penal não permite a imposição de regime mais gravoso do que o fixado na sentença em razão do sistema prisional.
Um dos estados em pior situação é São Paulo, que tem atualmente, ainda cumprindo pena no sistema fechado, 6.400 presos que deveriam estar em regime semiaberto, segundo a defensora pública-geral do estado, Daniela Cembranelli.
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Traduzindo tudo isso: o Supremo deve confirmar o direito de os condenados no mensalão cumprirem pena em prisão domiciliar. É justo para eles, mas injusto para os milhares de presos que têm o mesmo direito mas continuam cumprindo pena em prisões fechadas, convivendo com todo tipo de facínoras. Que país é esse, Francelino? (C.N.)

CHARGE DO ALPINO - PIB cresceu apenas 0,6%, informa o IBGE


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IDEIAS E MARKETING BEM ELABORADOS #1


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CNN trabalha a ideia de que suas notícias são tão boas que você não perde em nenhuma circunstância.
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