domingo, 21 de abril de 2013

Transparência zero



Pedido de sigilo em processo no TCU
Petrobras tentou impedir a divulgação de um relatório do TCU que tratava do vínculo de parentesco entre funcionários comissionados e sócios de empresas contratadas pela estatal. Antes de se tornar público com alarde, há pouco mais de duas semanas, a Petrobras pediu o sigilo do processo no tribunal. Acabou não sendo atendida.
A propósito, uma decisão do Tribunal Regional Federal da 2ª Região da semana passada condenou a Petrobras a desembolsar 8 bilhões de reais de Imposto de Renda retido na fonte sobre remessas para pagamento de afretamentos de embarcações. A estatal terá que depositar o valor em juízo ou garantir a quantia em bens.
Por Lauro Jardim

A número um



USP de Ribeirão Preto: a campeã
USP de Ribeirão Preto foi a universidade que proporcionalmente teve o maior índice de aprovação no último exame da Ordem dos Advogados do Brasil. De seus alunos, 76% passaram na prova. Em segundo lugar ficou a Universidade Federal de Pernambuco, seguida da Universidade do Estado da Bahia. Entre as 50 melhores do ranking, só três são particulares.
Por Lauro Jardim

O FLAMENGO É CAMPEÃO… de dívidas



ELENCO ENXUTO -- Elias veio emprestado do Sporting de Portugal (Foto: Alexandre Vidal / Fla Imagem)
ELENCO ENXUTO -- Elias, ex-Corinthians, veio emprestado do Sporting de Portugal (Foto: Alexandre Vidal / Fla Imagem)
Reportagem de Malu Gaspar, publicada em edição impressa de VEJA
 CAMPEÃO DE DÍVIDAS
Com um rombo de 750 milhões de reais, o Flamengo sofre os efeitos de décadas de péssima administração e total descontrole das finanças. A solução: corrigir os desmandos, como fazem as empresas responsáveis
Até recentemente, a equipe de atletas olímpicos do Flamengo não tinha patrocínio, não rendia um tostão aos cofres do clube e custava caro. Resultado: dava prejuízo de 14,5 milhões de reais por ano. O nadador Cesar Cielo, sua maior estrela, ganhava 80000 reais por mês e nem sequer treinava nas instalações da Gávea. Com razão, aliás. VEJA apurou que a piscina tem uma rachadura de 25 metros, que algum funcionário tentou remendar com sacos plásticos e massa de vedação.
Tanto a falta de estrutura para treinar quanto o desperdício de atletas de primeira são produto de décadas de administração inepta, cuja conta final veio à luz na semana passada: superando as expectativas mais pessimistas, o Flamengo deve na praça 750,7 milhões de reais. O time com a maior torcida de futebol no Brasil é o campeão insuperável de dívidas.
Para chegar a esse valor, uma empresa de auditoria contratada pela nova diretoria do Flamengo – formada por empresários experientes decididos a profissionalizar a gestão – passou três meses desvendando a balbúrdia no departamento financeiro. “O mais espantoso foi constatar o total descontrole das contas”, diz o diretor financeiro, Paulo Dutra. “Faltavam nota fiscal, recibo, tudo.”
NO FUNDO -- O nadador Cielo, estrela de uma equipe olímpica excepcional que o Flamengo não soube aproveitar: a piscina onde ele deveria treinar está cortada por uma rachadura de 25 metros de extensão (Foto: Paulo Vitale / Milenar)
NO FUNDO -- O nadador Cielo, estrela de uma equipe olímpica excepcional que o Flamengo não soube aproveitar: a piscina onde ele deveria treinar está cortada por uma rachadura de 25 metros de extensão (Foto: Paulo Vitale / Milenar)
Sem registros confiáveis, os auditores tiveram de ir a cerca de quarenta fontes variadas, entre elas credores, para obter as informações necessárias. Uma amostra do descalabro: só no balanço de 2011, apareciam listados 9 milhões de reais em “adiantamentos” não especificados. A tática para encarar a escassez de dinheiro era não pagar – nem contas, nem salários, sobretudo nem impostos. Só ao Fisco o clube deve 394,8 milhões de reais, sendo 86,7 milhões acumulados na gestão da presidente anterior, a ex-nadadora Patrícia Amorim.
No mandato dela, ocorreu o bizarro sumiço de seis relógios com o escudo do clube avaliados em 45000 reais cada um. Foram doados por uma empresa para ser leiloados ou sorteados. Eles estavam, surpresa, sob a custódia de conselheiros e dirigentes (a própria presidente “guardou” dois), que depois, na maior cara de pau, devolveram os mimos.
Patrícia também tomou empréstimos bancários de 84 milhões de reais dando como garantia a receita da venda de direitos de transmissão de jogos, e assim comprometeu recursos até o fim de 2013. A manobra, conhecida como “pedalada”, permitiu contratar – e não pagar – estrelas como Vágner Love e Ronaldinho Gaúcho, ambos já fora do time. “A regra era lançar mão de dinheiro destinado a outros fins para pagar a jogadores caros, na esperança de que lá na frente aconteceria um milagre”, diz o vice-presidente de finanças, Rodrigo Tostes.
Clubes endividados
Clubes endividados
Dívidas exorbitantes e má gestão não são exclusividade do Flamengo. Levantamento de 2011 calcula que os cinco clubes mais enforcados devem, juntos, acima de 2 bilhões de reais. “A má administração do esporte no Brasil é um entrave que impede sua imprescindível profissionalização”, afirma Ana Ligia Finamor, coordenadora do curso de gestão esportiva da Fundação Getulio Vargas.
Não precisaria ser assim. O aumento na renda dos brasileiros e a proximidade da Copa das Confederações, em junho, e da Copa do Mundo, em 2014, ajudaram a elevar a receita dos dez maiores clubes a 3 bilhões de reais. Ganhar mais dinheiro, porém, não adianta. É preciso saber equilibrar a receita e a despesa. O Barcelona, por exemplo, símbolo de sucesso, fatura quase 500 milhões de euros por ano, o que minimiza confortavelmente sua imensa dívida de 300 milhões.
A nova diretoria do Flamengo, comandada pelo economista e diretor do BNDES Eduardo Bandeira de Mello, quer implantar uma administração profissional ao estilo da adotada pela agremiação catalã e outras similares. Decidiu cortar custos e funcionários (150 até o momento, dos 800 que encontrou) e renegociar dívidas. Para economizar, tomou jogadores emprestados de outros times. Faltar aos treinos agora rende punição e há regras até para comemorar gols – tirar e levantar a camisa é proibido, porque esconde os patrocínios.
Carlos Eduardo também veio emprestado -- do clube russo Rubin Kaza (Foto: Alexandre Vidal / Fla Imagem)
Carlos Eduardo também veio emprestado -- do clube russo Rubin Kaza (Foto: Alexandre Vidal / Fla Imagem)
Os jogadores têm metas e ganharão bônus quando elas forem alcançadas. O próprio clube receberá um bônus dos patrocinadores por bom desempenho. No papel, é promissor. Fora dele, há muito a percorrer. O Flamengo foi eliminado do campeonato carioca e ainda não se destacou na Copa do Brasil. Os torcedores flamenguistas sonham com o momento em que a administração saneada vai se traduzir no que realmente importa: gols e dinheiro.

Charge do Sponholz



Conversa para boi dormir, por Julia Dualibi



Julia Dualibi, O Estado de S. Paulo
Gilberto Carvalho, ministro da Secretaria-Geral da Presidência, disse que nunca ouviu falar que “fidelidade partidária é oportunismo”.
“Quando começamos o nosso partido, fizemos um longo caminho até a primeira eleição”,disse Carvalho ao tentar defender o projeto de lei que limita a atuação de novas siglas, restringindo o acesso ao Fundo Partidário e ao tempo de televisão. “Dizer que defender a fidelidade partidária é um casuísmo é absolutamente descabido”, completou Carvalho.


Descabida parece a posição do governo, que oficialmente diz não estar por trás da articulação no Congresso do PT e do PMDB para barrar o avanço das novas siglas –conforme comentei neste blog anteontem, a ministra Ideli Salvatti ligou diretamente para presidentes de partidos da base para saber como suas legendas iriam votar a questão.
Quando interessava ao Palácio do Planalto criar um novo partido para enfraquecer a oposição, ninguém ouviu um só ministro vir a público com o discurso “republicano” da fidelidade partidária.
O governo deu até uma mãozinha para sair do papel o partido de Gilberto Kassab, o PSD, porque interessava ao Planalto. Rachava a oposição, desidratando principalmente o DEM. O PSD nasceu forte, com direito a recursos do Fundo Partidário e tempo de televisão. Silêncio no Planalto.
Agora, que não interessa ter no caminho uma candidatura em 2014 que possa rivalizar com Dilma, como a de Marina Silva (Rede) ou a de Eduardo Campos (PSB), que deve receber o apoio do MD (Mobilização Democrática), criado por Roberto Freire, começa a se ouvir do Planalto um mantra em defesa do fortalecimento do sistema partidário.
Desculpe, mas soa, sim, como oportunismo político.
A criação de novas legendas, no País, no geral serve para fortalecer o comércio eleitoral, baseado numa única moeda: tempo de televisão.
Cria-se um partido, recebem-se alguns minutos de propaganda no horário eleitoral no rádio e na TV, que depois são mercantilizados pelos donos desses mesmos partidos com as tradicionais legendas, que têm recursos para bancar essa compra.
O pagamento às vezes é até contabilizado, travestido de “doação” para a chapa de vereadores da sigla que deu o seu tempo de TV. Mas muitas vezes a fatura é paga extraoficialmente, sabe-se lá de que maneira. Esse comércio leva a alianças bizarras, e é claro que deve ser alvo de uma discussão sobre uma reforma política ampla.
Mas, infelizmente, não é isso que está na pauta do dia do Planalto, que se preocupa com uma única coisa, a reeleição da presidente Dilma Rousseff. A suposta preocupação com a fidelidade partidária, defendida bravamente por Carvalho, é conversa para boi dormir.

Por que pagamos mais caro no Brasil?



postado em Artigos | Istoé



Revista Istoé
01/2013
Por Ricardo Amorim

A diferença de preços do Brasil com o resto do mundo é impressionante. Do restaurante aos eletrônicos, quase tudo é mais caro aqui.

Razões não faltam, começando pelos impostos. Uma das cargas tributárias mais elevadas do planeta, particularmente concentrada sobre consumo e produção, encarece tudo que é feito e comprado aqui.

Impostos não explicam todas as distorções. Também as margens de lucros são mais elevadas. A esquerda culpa a ganância dos empresários pelas gordas margens. A explicação está equivocada. Sim, empresários querem cobrar mais por seus produtos e serviços. Se você pudesse dobrar seu salário, não dobraria?

A pergunta é: por que conseguem cobrar mais aqui? Por que aceitamos pagar mais? Apesar dos avanços desde 1994, adistribuição de renda no Brasil ainda é das piores. Grande concentração gera uma valorização de status nas compras. Demarcam-se as diferenças através do consumo, mesmo que para isso tenha-se que pagar mais. Comprar determinado carro, celular ou iogurte “separa” seus consumidores das classes sociais “abaixo” deles.

A explicação mais importante, porém, não é esta. A baixa competição, a dificuldade de se fazer negócio e o risco mais elevado da atividade empresarial pesam mais.

Burocracia absurda, corrupçãocarga tributária elevada, regime tributário complexo, infraestrutura ruim,mão de obra cara e despreparada dificultam a vida das empresas, aumentando o risco de seus investimentos. Com risco maior, empresários reduzem investimentos e, por consequência, a competição. Com menos competição, inclusive com importados – o Brasil é o país com menor taxa de importação de produtos e serviços no planeta – é possível subir preços e aumentar margens de lucro.

Nos últimos anos, as margens no país caíram. Em muitos setores, empresas não conseguiam repassar integralmente aumentos de custos de mão de obra e matéria primas aos preços porque uma competição crescente não permitiu.

A competição aumentou porque a crise no mundo desenvolvido estimulou as empresas a buscarem os grandes mercados emergentes. Somou-se a isso um forte crescimento do consumo no país impulsionado pelo aumento da renda e do crédito. Com mercado maior, cresceram os investimentos produtivos e a competição, reduzindo as margens de lucro. Até aí, ótimo.

Acontece que nos últimos trimestres, tal movimento se reverteu. Desvalorizar o Real encareceu importações, inclusive de máquinas e equipamentos, diminuindo a competição e reduzindo investimentos no país.

Além disso, ao atacar bancos e empresas de energia elétrica para reduzir rapidamente suas margens de lucro, o governo aumentou o risco dos negócios nesses e em outros setores, que temem medidas semelhantes. Com rentabilidade menor e riscos maiores, investimentos caíram, o que, através da redução da competição, vai aumentar margens de lucros e encarecer preços nos próximos anos. Em economia, às vezes os resultados são o inverso das intenções.

Antes de usar os bancos estatais para pressionar os demais a reduzirem juros – um objetivo louvável, buscado de forma ineficiente – a lucratividade média do setor bancário brasileiro era a segunda mais baixa das Américas, atrás apenas dos EUA, ao contrário do que supõe a maioria. Venezuela e Argentina, onde os governos mais “perseguem” bancos, eram os países com os bancos mais lucrativos.

Para reduzir margens e preços, o governo precisa eliminar a burocracia, simplificar a legislação, estimular a competição, evitar o protecionismo, reduzir impostos, inclusive sobre importados e incentivar investimentos. O benefício será dos consumidores.


Apresentador do Manhattan Connection da Globonews, colunista da revista IstoÉ, presidente da Ricam Consultoria, único brasileiro na lista dos melhores e mais importantes palestrantes mundiais do Speakers Corner e economista mais influente do Brasil segundo o Klout.com.

CHARGE DO PAIXÃO



Esta charge do Paixão foi feita originalmente para o