sexta-feira, 2 de novembro de 2012

ELEIÇÃO, MENSALÃO, CORRUPÇÃO, APAGÃO…



Plínio Zabeu
A eleição mostrou o que realmente era esperado.  Existem, como sempre, a parte do povo que sabe votar e outra que vota por ser obrigado ou então para atender pedidos de políticos e amigos.  Aconteceram mudanças em todo o país. Mas o que mais chamou a atenção foi o prestígio e o carisma do presidente Lula. O seu desejo maior era vencer em São Paulo para que o seu partido voltasse ao poder depois de 8 anos. Quem ganhou foi o presidente e não o Haddad.  Pesquisa realizada no início do ano mostrou que 57%  dos eleitores votariam em quem Lula  mandasse,  fosse que fosse. Até mesmo o Tiririca seria eleito.  Uma pena ele não usar essas qualidades para o bem fazendo realmente as mudanças que o povo precisa e vem pedindo há tanto tempo. O governo dele teve momentos bons realmente, quando seguiu os princípios do seu antecessor. Mas errou quando não impediu a ação corrupta de companheiros e aconteceu o que ficou conhecido como mensalão.
O mensalão,  apurado e  comprovado em 2006 , só  foi posto em julgamento  em 2012 em tempo de pré eleição. Se tal fator contribuiu para os resultados obtidos um dia talvez,  saberemos.  A verdade é que a maior parte dos réus foi  condenada.
Alguns já com penas definidas,  entre eles o controlador financeiro com 40 anos de prisão e alguns milhões em multa.  Seus companheiros de direção também foram condenados faltando a chamada “dosimetria”, ou seja,  quantos anos cada um vai levar na prisão.  Mas, como acontece sempre no Brasil fica meio difícil prever as esperadas conclusões.  Uma aparente surpresa acontecerá com um dos condenados que é suplente de deputado federal. Como o titular foi eleito prefeito,  ele assumirá a cadeira em  janeiro próximo. E como fica a definição e o cumprimento da pena que lhe for imposta?  E o tesoureiro que sempre disse que o mensalão acabaria em “piada de salão”, como   será castigado?  Mais algum tempo e certamente algumas “surpresas” ocorrerão e o povo terá que aceitar. Mas, o que realmente preocupa são as prometidas reações do partido  que congrega os corruptos. Já prometem manifestações públicas de repúdio ao STF qualificando-o de praticar justiça  política.  A presidente já se manifestou. Orientou seus partidários a respeitarem a corte maior da Justiça.  A não ser,  disse ela, que pretendam incluir o presidente Lula na vergonhosa história. Ele não deve ser colocado como suspeito de maneira alguma. Se isso acontecer o governo federal usará toda sua força e poder contra. Vamos esperar para ver.
A corrupção,  que deveria ser combatida como os próceres petistas prometeram durante décadas e que não cumpriu quando assumiu o governo, parece que vai continuar. Terminado o período eleitoral a CPI do Cachoeira deveria ser recomeçada com prazo suficiente para conclusão.  E um prazo longo de pelo menos mais 6 meses. Mas a “equipe” governamental no congresso já se posicionou contra fazendo com que o processo investigatório termine em 40 dias. E isso tem uma explicação já conhecida,  mas que vale lembrar. A CPI foi criada por determinação de Lula que queria se vingar do governador goiano. Mas,  com o início do processo ficou sabendo que seus companheiros do Distrito Federal e do Rio de Janeiro estavam também comprometidos.  E aí veio a reação. Mais alguma coisa que vai acontecer para fortalecer  a prática corrupta. Vamos esperar.
E o apagão? Estranho o ocorrido já que recentemente a presidente Dilma se manifestou em depoimento público que apagão era característica do governo FHC. Como isso aconteceu? Vamos aguardar melhores explicações.
Para concluir vale levar em conta a reação – um tanto tardia, mas com direito – do Valério,  que depondo no Ministério Público Federal, já condenado  e procurando diminuição da pena, decidiu finalmente falar ao menos um pouco do que sabe. E começou citando Lula, Palocci e Celso Daniel. Se isso for levado adiante e com seriedade, o denunciante vai correr risco de vida  e, quem sabe, teremos finalmente uma mudança para melhor no sistema político brasileiros. A começar por conhecermos finalmente, os motivos do assassinato do prefeito de Santo André. Vamos continuar esperando.

OBRA-PRIMA DO DIA - ARQUITETURA Coluna de Nelson (184/43): Semana dos Monumentos


Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa
(Dedico este post à Mariana Caminha, mãe de um inglesinho, e ao Sarca, filho de um inglês)
Houve um tempo em que o mapa-múndi era quase todo da mesma cor. Era grande o orgulho da rainha Vitória ao olhar o Atlas e ver a cor rosa indicando as terras que pertenciam ao Império Britânico.
E Londres, capital desse império, era seu centro político e econômico.

Praça Trafalgarfoto tirada na metade da década de 1890

Se hoje o poder da Grã-Bretanha já não é o mesmo, Londres continua a ser uma das molas mestras da vida financeira, política e cultural do mundo.
E a Praça Trafalgar é onde bate o coração da cidade apaixonante sobre a qual disse Samuel Johnson: When you grow tired of London, you’ve grown tired of life.
No centro da praça está a Coluna de Nelson, rodeada por duas fontes e por quatro enormes leões feitos com o bronze dos canhões utilizados pela frota francesa e capturados pela Marinha Britânica durante as Guerras Napoleônicas. (Foram colocados na praça 25 anos após a inauguração da coluna).

Londres como ela é: com chuva...

Erguida entre 1840 e 1843 para honrar a memória de Nelson, a coluna, em granito, tem 46m de altura, sem contar com a estátua de Nelson, que mede 5m5.
O Almirante Horácio Nelson, comandante vitorioso na Batalha de Trafalgar, a que derrotou a Marinha Francesa e ajudou a enfraquecer o poder militar de Napoleão, faleceu na batalha na qual foi o vencedor.
Sua estátua foi colocada voltada para o Palácio de Westminster, nome oficial das Casas do Parlamento.


O topo da coluna, em estilo coríntio, é decorado com folhas de acanto feitas com o bronze dos vitoriosos canhões britânicos. A base, quadrada, apresenta quatro painéis em bronze moldados com o metal dos canhões franceses e representam as quatro grandes vitórias de Nelson: a batalha de Santa Cruz do Tenerife, onde perdeu um braço; a Batalha do Nilo; a Batalha de Copenhagen; e na face voltada para o norte, a morte de Nelson a bordo do HMS Victory, quando da Batalha de Trafalgar.


É tão grande a força simbólica da praça e de Nelson, que um dos planos de Hitler era transferir a Coluna de Nelson para Berlim, se a Inglaterra tivesse caído em suas mãos. Nelson é o maior herói militar inglês; foi um extraordinário estrategista e um comandante muito amado pelos seus comandados. Orgulho da Inglaterra, os nazistas sabiam bem o que queriam levar para Berlim. Mas ficaram na vontade...


Quando os londrinos querem comemorar ou reclamar, é lá que se reúnem. Uma curiosidade bem inglesa: a praça pertence à rainha, por Direito da Coroa; é administrada pelo Departamento Administrativo da Grande Londres; as ruas que a circundam pertencem ao Conselho da Cidade de Westminster, uma das duas cidades que compõe Londres. A outra é a Cidade de Londres... Parece confuso, não é? Mas funciona!

Praça Trafalgar, Londres

Charge do Duke (O Tempo)



ADOÇÃO DA REPERCUSSÃO GERAL NO STJ E O RESPEITO A RAZOÁVEL DURAÇÃO DO PROCESSO



Enfim o STJ entra nesta verdadeira onda renovatória do Direito Processual na esteira da efetividade da prestação jurisdicional, nos estritos termos do art. 5º, LXXVIII da CRFB, que prevê como garantia fundamental do cidadão uma razoável duração do processo.
Em artigo de minha autoria intitulado: “A Razoável Duração do Processo como Princípio ainda a ser Perseguido e sua Aplicação ao Julgamento do Mensalão”, abordei com suficiência as prementes razões pela qual o legislador deveria buscar a maior eficiência da prestação jurisdicional no propósito de que o comando constitucional da razoável duração do processo restasse atendido.
Fiz notar em outras palavras, o mais profundo engano dos que sustentam que a limitação das quase infinitas possibilidades recursais traria prejuízo a outro direito fundamental, propriamente o da ampla defesa. Firmei ainda, que o princípio do amplo acesso à justiça só se faz cognoscível quando se oferta um prestação jurisdicional eficiente, que ainda porte utilidade, e que não se vislumbra eficiência em uma prestação morosa e tardia, a partir de um sistema processual que permite a cumulação de recursos e instâncias capazes apenas de diferenciar a sociedade por seu poder aquisitivo, já que as instâncias superiores são alcançadas, em regra, por jurisdicionados patrocinados por advogados de grandes corporações e possibilidades dentro da máquina judiciária, quando o hipossuficiente é faticamente segregado e dificilmente vai além do juízo monocrático, a partir de uma Defensoria Pública assoberbada, hostil, lenta e ineficiente.
O artigo referido vai muito além e trata ainda da “obrigatoriedade” do duplo grau de jurisdição, se uma garantia constitucional ou infraconstitucional, traçando um paralelo com o Pacto São José da Costa Rica, argumentações expositivas as quais remeto o leitor.
Reinsiro-me contextualmente ao primeiro parágrafo do presente artigo para aderir aos defensores da PEC 209/2012, que busca alterar o art. 105 da CRFB que dispõe da competência do STJ, para condicionar a admissão do Recurso Especial (Resp) à demonstração da relevância das questões de direito federal atinentes ao caso, no mesmo talante da repercussão geral que se pratica desde 2007 no STF como requisito de admissibilidade do Recurso Extraordinário (RE).
Milhares de recursos já decididos monocraticamente e posteriormente por órgão colegiado, ainda nas instâncias ordinárias, eternizam-se caminhando ao STJ para nova decisão colegiada (agora em uma instância extraordinária) sem apresentarem qualquer relevante questão de direito federal a ser pronunciada, como se fosse o STJ uma 3ª instância jurisdicional, o que refoge indubitavelmente a função constitucional que lhe restou atribuída, de uniformizador de jurisprudência. Enquanto isso, processos que se revelam relevantes e que a sociedade espera por uma definição ficam a passos de cágado esperando sua vez para serem apreciados.
As nomenclaturas atribuídas aos órgãos, institutos e diversidades devem ter sempre uma mínima razão de ser. Quando se aloca o STF e o STJ como tribunais pertencentes à instância extraordinária, quer-se dizer que ordinariamente as ações não devem lá chegar, que devem sim, encontrar seus trânsitos em julgado nas instâncias ordinárias. Extraordinariamente, na forma das previsões constitucionais, preenchidos os requisitos próprios de admissibilidade recursal, poderá a causa ir além da ordinariedade de instância e buscar a extraordinariedade de uma instância recursal. Por isso, a repercussão geral como critério diferenciador para a admissibilidade das causas as instância extraordinárias nada mais é do que uma proposta que respeita os jurisdicionados dos efeitos protelatórios dos recursos e o próprio sistema jurisdicional de sua ineficácia prestacional.
Conforme tratei no artigo anterior a que me refiro, a lei dos recursos repetitivos denota-se insofismável avanço, já que impede que matérias já ostensivamente debatidas e devidamente pacificadas cheguem às instâncias seguintes protelando-se uma decisão final e impedindo uma razoável celeridade no julgamento deste e de outros processos, que urgem por um pronunciamento uniformizador.
Os processos se iniciam para que tenham um fim que atenda a prestação requerida de forma efetiva. Sua perpetuação impede a efetividade do processo e a justeza da tutela estatal ofertada. Fugir desta lógica é negar a efetividade da prestação jurisdicional, corolário do amplo acesso à justiça, que só tem como cumprida sua tarefa quando do pronunciamento de uma decisão final com trânsito em julgado em um tempo hábil, capaz de atender ou negar o que o Estado avocou para si prestar, uma jurisdição consoante a razoável duração daquele peculiar processo. Enquanto houver possibilidade recurso a prestação jurisdicional não terá como cumprida sua tarefa de pacificação social, escopo maior da prestação jurisdicional não terá sido alcançado.
Para as causas de viés ordinário, uma análise monocrática e uma posterior análise colegiada já é capaz de, em tese, oferecer uma prestação jurisdicional justa, sendo certo que o jurisdicionado ainda contará, preenchidos seus requisitos de admissibilidade, na seara penal, interpor a Revisão Criminal, na seara civil, a Ação rescisória, aferíveis após o transito em julgado em caso de cabimento, para deixar a decisão o mais próxima possível do que o direito entende justo ao caso concreto.
Retirar as excessivas possibilidades recursais para causas ordinárias é colaborar para o melhor funcionamento de todo o sistema, prestando uma justiça com menos privilégios, menos segregadora e mais próxima da equidade.
Portanto, a PEC 209/2012, apesar de contar com o lobby negativo da OAB, grande defensora das grandes corporações, dos grandes escritórios de direito, interessados em protrair seus processos no tempo e no espaço, deve conseguir prosperar devido ao apelo inelutável da “mais valia” da adoção da repercussão geral também no STJ para o melhor funcionamento de todo o sistema e em respeito a uma identidade lógica que carregam os órgãos de jurisdição extraordinária.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Descoberto túnel usado para levar droga à USP



Quem vê São Paulo de longe acha que a metrópole já chegou ao pior. Isso é subestimar a posteridade da cidade. Numa batida na favela São Remo, no Butantã, a PM paulistana deu de cara com o inusitado: um túnel de escoamento de drogas. Começa na casa do chefe do tráfico local, passa por um imóvel que serve de refinaria de cocaína e termina num muro que separa a favela da Cidade Universitária.


Ali, os traficantes vendiam drogas a frequentadores da USP. Por um orifício, a rapaziada recebia o bagulho sem o inconveniente de entrar na favela. E tem gente que ainda reclama da violência da cidade grande! Leia os detalhes aqui.

A Nextel, que pode ser beneficiada por novo marco regulatório da Anatel, compra empresa falida e endividada de marido de Erenice, que ajudou a desenhar o… marco regulatório! Mais uma fábula real do mundo petista!



Eita! Ainda paro de dar opinião e investigar advérbios e acabo virando repórter investigativo!
Quando Deus inventou a coincidência, os petistas entraram pelo menos 13 vezes na fila. Ô povo para dar sorte nesta vida, Santo Deus! Eu sempre penso como emblema dessas coisas aquele caso da venda do apartamento da ex-mulher de Dirceu. Ela estava a fim de vender. Precisava de um dinheiro adiantado, em espécie. Quem apareceu? Rogério Tolentino, advogado e sócio de Marcos Valério. Coincidência. Os três foram condenados pelo STF. Muito bem. Abaixo, vou lhes contar uma história que parece meio enrolada, mas que, creio, no fim, resulta compreensível. Remete, mais uma vez, ao universo petista e às… coincidências. A personagem do partido que aparece na história é Erenice Guerra, a ex-braço direito de Dilma Rousseff e ex-ministra da Casa Civil do governo Lula. Caiu, como todo mundo sabe, depois de uma série de reportagens de VEJA que só lhe atribuiu o que fez — e nada que não tenha feito. Vamos lá. Desta feita, quem está em pauta é o bilionário mercado da telefonia. Qual o busílis?
O Conselho Geral da Anatel vota hoje o Plano Geral de Metas de Competição (PGMC). E, mais uma vez, a coincidência mostra a sua cara. A que me refiro?
A mudança regulatória que o PGMC traz ao setor de telefonia ocorre exatamente no momento em que a Nextel entrou com um pedido na Anatel de compra da empresa Unicel do Brasil Telecomunicações Ltda. Unicel, Unicel, Unicel… Ah, lembrei! É aquela empresa que pertence ao… marido de Erenice Guerra, José Roberto Campos. Está entre os motivos que resultaram na sua queda. Prestem atenção!
A Unicel começou a operar quando Erenice era a todo-poderosa no Palácio do Planalto, no governo Lula. Era a segunda da superministra Dilma Rousseff. Em 25 de junho de 2007, a empresa recebeu autorização da Anatel para explorar a telefonia móvel na região mais cobiçada do país — a cidade de São Paulo e outros 63 municípios da região metropolitana. Apesar de o estatuto da Anatel dizer claramente que se trata de um órgão independente, em 30 de março de 2010, a então secretária executiva da Casa Civil da Presidência da República — Erenice!!! — houve por bem enviar um documento ao então presidente do Conselho da agência, Ronaldo Sardenberg, estipulando “ações regulatórias prioritárias”. Como não podia deixar de ser, o documento traz o carimbo “Confidencial”.
Nesse documento, Erenice tece uma série de regras que ela achava que deveriam valer para o setor de telecomunicações. Entre elas, a implementação do “Plano Geral de Metas de Competição”, incluindo um “regulamento de remuneração das redes do SMP” (Serviço Móvel Celular, sigla para o setor de telefonia celular).
Erenice não teve tempo de ver suas regras implementadas. Caiu seis meses depois, em setembro de 2010. Coincidência ou não, a Unicel fica mal das pernas na mesma época, com pedidos de falência e processos trabalhistas. Hoje, deve dinheiro até mesmo à Anatel em razão do não pagamento de licenças concedidas. Não percam o fio. Ainda voltarem à Unicel.
Dois anos depoisO tempo passa. Quase dois anos depois da queda de Erenice, a Anatel coloca em consulta pública o tal PGMC, provocando um tiroteio das empresas consolidadas no mercado. Quem já está no jogo não quer mais competição. Faz sentido, sim, a Anatel comprar essa briga. Mas eis que, no meio da briga, coisas estranhas começam a acontecer. Descobre-se um jabuti pesando algumas toneladas em cima de uma árvore.
No texto original da Anatel da consulta pública, não havia imposições de competição relacionadas à telefonia celular, ma sim à telefonia fixa. Eis que, no texto final, que será votado hoje, apareceu um tal “Bill and Keep” — um sistema que reduz as tarifas de interconexão entre as operadoras de celulares, com uma redução maior para novos competidores. Eu explico.
Tarifa o quê??? Grosso modo, diz-me um amigo da área, é o seguinte: se um celular Vivo liga para um da Claro, entra na rede da Claro, e esta empresa tem de ser remunerada; se o da Claro liga para o da Oi, idem. Se o da Oi para o da Tim, a mesma coisa. Isso se chama “Tarifa de Interconexão” (a sigla é VU-M). Muito bem. Em nome da competição, o que prevê o novo PGMC? Reproduzo trecho de um texto de um site especializado na área:
“Pela proposta, as pequenas empresas — CTBC, Sercomtel e Nextel, que começará no final do ano o serviço de celular — não precisarão mais pagar a VU-M para as grandes empresas. Elas só irão remunerar as quatro grandes quando o tráfego delas for muito maior do que o tráfego das outras, o que é uma possibilidade bem distante, tendo em vista que elas têm muito menos clientes gerando tráfego. Mas seus usuários continuam a pagar a VU-M embutida na tarifa final de público”.
Huuummm…
É claro que as quatro grandes não gostaram, e eu não sou lobista de nenhuma delas. Aliás, já andei enroscando aqui com os serviços da Vivo e da Claro, já peguei no pé da Oi (ex-Telemar) por causa do decreto de pai pra filho de Lula que lhe permitiu comprar a Brasil Telecom, e já cobrei da Tim que pare de usar o adjetivo “ilimitado” como se fosse advérbio em suas propagandas… Também nada tenho contra a competição, ora bolas, embora ache estranho esse critério que obriga as grandes a colaborar com as pequenas. Por quê? Se eu montar uma empresa de sorvete, devo exigir que a Kibon colabore comigo? Mas vá lá. Se for bom para o consumidor e não afrontar os fundamentos do livre de mercado, ok.
O jabuti giganteMas me ficou esta coisa: por que a Nextel, uma das empresas chamadas “entrantes”, que será fatalmente beneficiada pela eventual mudança das regras, protocolou justo agora a compra de uma empresa falida como a Unicel — aquela, do maridão de Erenice? Erenice? É a mesma que tinha ideias sobre competição na área, que acabaram prevalecendo. O pedido de compra deu entrada em 29 de outubro, quatro dias antes da votação pela Anatel das novas regras.
As dívidas da Unicel são estimadas pelo mercado em mais de R$ 100 milhões. A Nextel pagou R$ 1,21 bilhão para ela própria ter 11 lotes de 3G, que incluem coberturas em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Não há razão econômica ou mercadológica visível — até onde a vista convencional alcança ao menos — para a compra da empresa operada pelo marido de Erenice Guerra. Até porque, pelas regras atuais, a Nextel teria que devolver algumas das licenças da Unicel, pois uma empresa não pode operar com duas licenças iguais na mesma região — no caso, São Paulo.
Reitero: a única coisa que a Unicel tem além de uma dívida estimada em R$ 100 milhões são as licenças para operar — que a Nextel também tem! Pois parte desse único patrimônio positivo terá de ser devolvido.
Viva a competição! Viva o povo! Viva a Classe C! Telefones à mancheia! Mas por que a Nextel, uma das entrantes, está comprando a Unicel? Seria mais uma daquelas coincidências que beneficiam petistas, que entraram 13 vezes na fila???
Um breve históricoPois é… Não é a primeira vez que cuido do assunto, não! Num post de 18 de setembro de 2010, referindo-me a uma reportagem publicada, então, por VEJA, escrevi o seguinte:
Marido de Erenice está num negócio que pode render R$ 100 milhões saídos dos cofres públicos
A VEJA desta semana traz outra história edificante, desta vez envolvendo o atual marido de Erenice Guerra, José Roberto Camargo Campos (foto). Ele convenceu uns amigos, que tinham uma minúscula empresa, a disputar o mercado de telefonia móvel em São Paulo. Em 2005, a Unicel, tendo Camargo como diretor comercial, conseguiu uma concessão da Anatel para operar em São Paulo. Por decisão pessoal do então presidente da agência, Elifas Gurgel, a empresa ganhou o direito de entrar no mercado. A decisão foi contestada na Anatel, mas Erenice entrou na parada, e tudo foi resolvido. Os que eram contra mudaram de idéia e foram promovidos.
Sim, foi assim mesmo, leitor. A empresa está no vermelho e acumula dívidas de R$ 20 milhões. Desastre? Não! Leia a revista para saber como o Plano Nacional de Banda Larga — que apelidei aqui de “Bandalheira Larga” — pode render à Unicel a bolada de R$ 100 milhões. Quem cuidava do PNBL, para o qual se anunciou a dinheirama de R$ 14 bilhões? Erenice! Quem é o operador do programa? Gabriel Boavista Lainder. Quem é Lainder? Um ex-funcionário da Unicel. Quem o indicou para o cargo? O marido de Erenice. “O marido da Erenice é um cara que admirava meu trabalho. Ela me disse que precisava de alguém para coordenar o PNBL”. Qual é o endereço da Unicel? Um modestíssimo escritório onde também funciona uma empresa de mineração do… marido de Erenice. A revista traz ainda toda a ramificação da Família Erenice no governo e nas estatais. É  impressionante! Chegou a hora de Dilma repetir a declaração de Lula de 2005: “Fui traída”
Pois é, leitor…
Se você clicar aqui, encontra todos os textos sobre o par Unicel-Erenice no blog. Entre eles, há trecho de uma reportagem da Folha de 24 de março do ano passado. Reproduzo:
Na Folha:
A CGU (Controladoria-Geral da União) encerrou ontem as investigações de denúncias envolvendo a ex-ministra Erenice Guerra e familiares dela. Foram apontadas irregularidades “graves” em 3 dos 9 fatos investigados. Braço direito da presidente Dilma no governo Lula, Erenice deixou o ministério em setembro do ano passado, após a Folha revelar que ela tinha recebido um empresário que negociou contrato com firma de lobby de um filho dela. Não houve irregularidade nesse caso, segundo a CGU.
A controladoria considerou, porém, que a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) beneficiou a empresa de telefonia Unicel ao conceder a ela uma faixa de frequência em condições privilegiadas e recomendou que a agência suspenda imediatamente a outorga. A Unicel era dirigida à época pelo marido da então ministra Erenice. A CGU recomenda à Anatel que abra processo para investigar os responsáveis por terem beneficiado a empresa e não apontou culpados. A controladoria também apontou “irregularidade grave” num convênio entre o Ministério das Cidades e a Fundação Universidade de Brasília que causou prejuízo de R$ 2,1 milhões aos cofres públicos. Segundo a CGU, o trabalho não foi entregue. José Euricélio, irmão de Erenice, era coordenador-executivo de projetos na editora da UnB.
A CGU também apontou problemas graves na contratação pelos Correios da empresa aérea MTA Linhas Aéreas em contratos que somavam R$ 59,8 milhões.
Erenice não foi encontrada para comentar o caso.
EncerroErenice foi vista recentemente transitando livremente pelo TCU, cuidando de assuntos relacionados à área de transportes ou algo assim. Pelo visto, ela está de volta. Em grande estilo. A Nextel, que quer ser uma entrante no mercado de telefonia, decidiu dar uma forcinha ao maridão daquela que ajudou a desenhar o marco regulatório que lhe permite ser… uma entrante!
Uma coincidência que só acontece no mundo petista!
Texto publicado originalmente às 6h15
Por Reinaldo Azevedo

A vida de Valério vale cada vez menos



Quando VEJA publicou as conversas que Marcos Valério mantinha com pessoas que lhe são próximas, já estava lá o medo de ser assassinado. É evidente que sua vida vale cada vez menos. Independentemente do crédito que se dê às novas revelações que ele fez ao Ministério Púbico, é preciso garantir a sua proteção.
Todo mundo que estudou o processo dá como certo que os valores conhecidos do mensalão são apenas uma parte pequena do esquema. Aliás, essa é também a convicção do delegado da Polícia Federal Luís Flávio Zampronha, que investigou o escândalo.
Celso Daniel, cujo assassinato foi citado por Valério na conversa com o MP, é um exemplo bastante eloquente.
Por Reinaldo Azevedo