segunda-feira, 1 de outubro de 2012

- Charge do Angeli, via Folha.


O cabeça! 



Saidinha de Toffoli pegou mal


Julgamento do Mensalão


16:41:57

Sem pressa

A saída de Dias Toffoli no meio de seu voto na quinta-feira passada alegando que não poderia se atrasar para o TSE pegou mal entre os ministros do STF. ...

Ninguém tirou a importância da Corte Eleitoral, mas o Supremo é um Tribunal que está acima do TSE. Além disso, Toffoli poderia ter pedido para que Cármen Lúcia colocasse os processos de sua relatoria no meio ou final da sessão.

A saidinha de Toffoli deixou a impressão de que ele melou, de forma proposital, a tentativa da maioria dos ministros de encerrar a fatia da corrupção passiva na semana passada.

Por: Lauro Jardim
Fonte: Veja.com - Radar on-line - 01/10/2012

Paulo Autran recita Poema em Linha Reta


HORA DO RECREIO


Fernando Pessoa

Celso Arnaldo: O prefeito de João Pessoa combina má-fé, mau caráter, gatunagem, analfabetismo funcional e burrice


Transcrito do Blog de Augusto Nunes - Revista Veja

Uma nota com o título Criminoso confesso divulgou, neste domingo, a frase que determinou a internação no Sanatório Geraldo paciente Luciano Agra e o parecer da equipe médica. Confira:
“Meu filho, entregue o cargo antes que descubram o restante. Fique em silêncio que saberemos como lhe recompensar”. (Luciano Agra, prefeito de João Pessoa (sem partido), na mensagem ao secretário Alexandre Urquiza que queria mandar por email e acabou escancarada no Twitter, convidando o Brasil decente a perguntar aos berros o que ainda esperam os homens da lei para enquadrar os dois bandidos.
Sempre vigilante, o jornalista Celso Arnaldo Araújo achou que o caso merecia um exame menos superficial. E resolveu presentear os leitores da coluna com o texto abaixo reproduzido. AN
É evidente que o Agra apagou esse tweet-confissão. Mas, para se justificar junto aos que receberam indevidamente o original ou o lerão aqui, ele deixou no lugar, com a mesma data do dia 26 de setembro, uma daquelas tentativas digitais de limpeza de cenário de crime que fedem mais do que o de cujus putrefato. É, aliás, a última entrada em seu Twitter, ‏@lucianoagra:
“Comunico aos meus seguidores que invadiram minha conta. Não considerem tudo que foi veiculado indevidamente no meu nome no dia de hoje”.
O “dia de hoje”, repita-se, é 26 de setembro.
Vejamos: neste tweet reparador, ele avisa a seus seguidores que, por causa de uma suposta invasão de sua conta, nem tudo que foi twittado por ele naquele dia deve ser “considerado”. Nem tudo não é tudo. Portanto, entre os tweets do dia 26 há os que podem ser considerados autênticos. Como ele não inclui especificamente, no rol das mensagens hackeadas, a que foi dirigida ao secretário Alexandre Urquiza, sugerindo sua demissão voluntária, seu silêncio e uma compensação, não houve propriamente uma retratação dessa autêntica e autenticada confissão pública de formação de desvio de dinheiro público, peculato, formação de quadrilha e outros crimes correlatos. Mesmo porque, eventuais hackeamentos podem ser facilmente periciados.
Detalhe: Urquiza era o Secretário da… Transparência Pública de João Pessoa. Curiosamente, ao ler o e-mail que virou tweet, ele não achou por um instante que seria falso, escrito por outro internauta que não fosse o prefeito. Renunciou no dia seguinte, deixando uma carta cheia de mal traçadas entrelinhas (aqui, na íntegra), na qual, para tentar livrar a cara do parceiro prefeito de múltiplas acusações, fala em “forças poderosas a serviço do Palácio da Redenção”, sede do governo da Paraíba. Ou seja: Alexandre está seguindo, disciplinadamente, a ordem dada pelo e-mail que foi parar no Twitter de Agra. Justiça seja feita: está cumprindo sua parte na “detransparência pública” que a sujeirada exige.
Pela metodologia de Luciano Agra, que combina má-fé, mau caráter, gatunagem, analfabetismo funcional e burrice, intuí que o prefeito de João Pessoa é chegado do Lula. Não conhecia sua ficha, fui checar e bingo: ele se filiou ao PT em agosto último, em ato comandado por… Lula. Era do PSB, ganhou a prefeitura da capital quando Ricardo Coutinho (PT) saiu em 2010 para concorrer ao governo da Paraíba ─ mas Agra foi derrotado nas prévias de seu partido e perdeu a chance de tentar reeleger-se este ano. Nestas eleições, apoia em João Pessoa seu xará, Luciano Cartaxo ─ do PT, claro. Virou inimigo do governador Coutinho.
Portanto, Augusto, está explicado o DNA desse tweet escandaloso, que dispensaria até o tradicional “rigoroso inquérito” para enviar Luciano Agra, sem delonga, à Penitenciária Desembargador Flósculo da Nóbrega, mais conhecida como Presídio do Roger, em João Pessoa.
PS: não me pergunte, Augusto, quem foi Flósculo da Nóbrega ou mesmo o Roger, que por certo não é o Abdelmassih. É muita informação para uma pessoa só ─ João Pessoa.
Abraço
Celso Arnaldo

OBRA-PRIMA DO DIA - PINTURA Os Nabis - Casa sobre o Sena perto de Vernon, de Pierre Bonnard



Os Nabis, palavra que significa “profetas”, foram um grupo de artistas franceses pós-impressionistas com grande influência nas Artes Gráficas e nas Belas Artes, na França dos anos 1890. Ficaram amigos em 1880, quando se conheceram na Académie Julian.
Muito jovens, rebeldes, dispostos a subverter o mundo das artes, e com um interesse comum no tipo de literatura e artes plásticas que achavam mais dignas de seu tempo, eles se uniram em torno de Paul Serusier, que foi uma espécie de guru do grupo. Serusier não se cansava de citar Paul Gauguin como exemplo a ser seguido, o homem que largou tudo em busca de seu sonho.
O nome Nabis lhes foi dado pelo poeta Henri Cazalis que fez um paralelo entre a vontade desses artistas em revitalizar a pintura e os antigos profetas que rejuvenesceram Israel. Possivelmente esse apelido tenha surgido também pelo fato da maioria usar longas barbas, por muitos deles serem judeus, e pelo modo fervoroso como encaravam seu oficio.
Eles abriram caminho para o surgimento, no começo do século XX, da arte abstrata e não-figurativa. Seu objetivo principal era integrar a arte com a vida diária, um objetivo que tinham em comum com a maioria dos mais avançados artistas de seu tempo. Queriam mostrar a natureza não como ela é, mas através de símbolos e metáforas estéticas.
O grupo, como grupo coeso, não durou muito. Em 1896, antes de seu nome ficar conhecido do grande público, a união já se esgarçara.
Nesta semana falaremos dos que tiveram um papel mais importante dentro dos Nabis e que depois seguiram carreiras de sucesso, independentes. São Pierre Bonnard, Maurice Denis, Felix Vallotton, Édouard Vuillard e Aristide Maillol.


Hoje apresentamos Pierre Bonnard, nascido em 3 de Outubro de 1867 e falecido em 23 de Janeiro de 1947. Por ter assistido um dia, na Escola de Belas Artes, uma exposição de arte japonesa e ter ficado muito impressionado com as obras alí apresentadas, passou a ser chamado pelos companheiros de “o nabi japonês”.
A primeira apresentação de sua obra aconteceu em 1893. Foi ilustrador da revista La Revue Blanche. Em 1924, realizou sua primeira grande retrospectiva. Em 1925, casou-se com Marie Boursin, conhecida por Marthe, que viria a lhe servir de modelo em algumas obras.
Bonnard foi sem dúvida um dos pintores mais interessantes do grupo dos Nabis. Suas telas têm nas cores claras e luminosas a capacidade de transmitir emoção. Os objetos parecem se formar pela solidificação do ar. Ele pesquisou longamente a variação das cores sob a luz, obtendo efeitos de muita beleza.
Óleo sobre tela, 34.9 x 48.3 cm.

Acervo Metropolitan Museum of Art, Nova York

CRÔNICA Cartas de Londres: Criança em avião: sim ou não?



Confesso que não me lembro se a regra vale para toda a Europa, mas pelo menos aqui na Inglaterra, viajar de trem pode ser bem mais agradável do que pegar um avião.
Tudo por causa dos populares, e cada vez mais procurados, “quiet coaches”, vagões separados para aqueles passageiros que querem viajar sossegados, sem ouvir a conversa dos outros; sem toque de celular... ou música “vazando” dos fones de ouvido do vizinho.
Aqueles que têm filho pequeno, e pelo menos um pouco de bom senso, não devem escolher um “quiet coach” para acomodar-se, mas é preciso deixar claro que a presença de crianças por lá não é oficialmente proibida.
Diante do sucesso da iniciativa dos gestores da malha ferroviária, as companhias aéreas querem agora fazer o mesmo, e separar um lugar especial (e até mesmo um avião inteiro) para quem quiser assegurar uma viagem tranquila.
Só que, dessa vez, a presença de crianças será expressamente proibida.
A briga é grande, porque a gente sabe que mexer com o filho dos outros é sempre um problema. Grupos de pais já começam a articular-se para barrar a ideia, mas já se sabe que a maioria dos ingleses apoia a iniciativa.
A pesquisa, feita pela Jetcost.co.uk, mostrou que cerca de 53% dos adultos britânicos são a favor dos voos sem passageiros mirins.
Sem dúvida nenhuma, é um passo ainda mais ousado do que aquele dado pela Malaysian Airlines, que já proíbe a presença de crianças no andar superior do seu A380.
Um ato de coragem, esse da Malasyan Airlines, porque depois da medida foi um tal de defende/acusa... Uma crucifixão daqueles que detestam crianças, uma exaltação dos pais que viajam com as crias.
Isso sem falar das piadinhas que inundaram o site da companhia. “Deviam banir igualmente aqueles que falam demais”; “Também não quero viajar ao lado de quem dorme! Assim não posso ir ao banheiro!”
Meu filho está com 1 ano e 8 meses, e acabamos de fazer uma viagem longa, de mais de 9 horas. Foi um dos momentos mais angustiantes da minha vida; juro que, se pudesse, desceria do avião na primeira crise de choro do pestinha…
Parece que as companhias vão cobrar bem caro pela comodidade de quem quiser viajar longe de mim e do Fabrício.
Agora, é rezar para que não comecem a cobrar dos pais taxa extra por choro, porque aí seria outro crash no mundo… Vocês não acham?

em tempo: esse não é o Fabrício...

Mariana Caminha é formada em Letras pela UnB e em jornalismo pelo UniCEUB. Fez mestrado em Televisão na Nottingham Trent University, Inglaterra. Casada, mora em Londres, de onde passa a escrever para o Blog do Noblat sempre às segundas-feiras. Publicou, em 2007, o livro Mari na Inglaterra - Como estudar na ilha...e se divertir

A influência do mensalão por Carlos Chagas



Agride o bom-senso dizer que o mensalão não influi nas eleições. Simples raciocínio para agradar o PT, é claro. No entanto, perguntem ao Lula. De uma semana para cá ele vem repetindo que seu governo foi o que mais instrumentos criou para combater a corrupção. Que todas as denúncias foram apuradas e que até importantes auxiliares seus responderam e respondem na Justiça. Por que estaria o primeiro-companheiro tão preocupado assim?
Parece coisa de jumento imaginar qualquer eleição desligada do que se passa ao redor do eleitor. Até a chuva interfere na votação. Passaria despercebido um escândalo que há meses freqüenta a primeira página dos jornais e alimenta boa parte do noticiário na televisão e no rádio, além das redes sociais e das conversas de botequim? É claro que se procurarem bem encontrarão um solitário cidadão desinformado sobre o mundo à sua volta, imaginando que mensalão é um mês com mais de 31 dias. Torná-lo regra, porém, em vez de exceção, envolve ignorância ou má-fé.
A pálida performance dos candidatos do Partido dos Trabalhadores a prefeito de capital demonstra a influência do escândalo verificado no começo do governo Lula, agora objeto maior do noticiário e da indignação nacional. Como sempre, certos institutos de pesquisa tentam contrariar a natureza das coisas na reta final, divulgando números ilusórios e atendendo a clientes que pagam bem. Antes da eleição, por certo.
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O SEGUNDO TEMPO
Mesmo não tendo terminado, o ano político ficará por conta do resultado das eleições, do término do julgamento do mensalão e da consolidação das candidaturas de Henrique Eduardo Alves e de Renan Calheiros para as presidências da Câmara e do Senado.
As atenções voltam-se para o segundo biênio do governo Dilma Rousseff. Terá a outra metade as mesmas características da primeira? Há quem se dedique à prospecção, calculando bondades e maldades futuras. A reeleição da presidente é um alvo escancarado, mas não significa que tudo se desenvolverá em função dele. Existem metas intermediárias, como desatar o nó que impede a retomada do crescimento econômico, assim como a importância de superar as dificuldades nos setores de educação, saúde e segurança pública.
Dar uma nova forma à substância permanente que caracteriza a administração federal envolverá uma responsabilidade compartilhada com o Congresso e os governos estaduais. Sem esquecer os partidos políticos. Pode estar entrando em campo o ecumenismo, melhor dizendo, a colegiabilidade, sem detrimento do mesmo conteúdo expresso nos primeiros dois anos.