domingo, 22 de julho de 2012

Às vésperas do julgamento do mensalão, Dirceu quer dar relevo à imagem do suposto revolucionário para mitigar a do “consultor de empresas” que se esgueira em hotéis




Folha
 deste domingo que ele quer porque quer participar de um debate sobre a luta armada contra o regime militar, especialmente para falar do Molipo (Movimento de Libertação Popular), a turma que foi treinar guerrilha em Cuba para tentar liderar um levante no Brasil. Dirceu era um deles. Deu errado. Diga-se — a seu favor ou contra ele, cada um avalie aí — que nunca deu um tiro. À diferença de Dilma, nunca foi da viração. Quando foi demitido da Casa Civil, substituído por ela, chamou-a, em seu discurso de despedida, de “companheira de armas”… Dado o humor da moça, ela deve ter pensado: “Esse nunca pegou numa garrucha…”. Sim, o Zé tem um lado mitômano. Mas leiam trecho da reportagem. Volto em seguida.
Às vésperas de ser julgado no Supremo Tribunal Federal pela acusação de chefiar o mensalão, o ex-ministro José Dirceu, planeja uma reaparição pública em debate sobre a luta armada contra a ditadura militar (1964-85). Ele avisou amigos que quer participar, no próximo sábado, de seminário sobre a história do Molipo (Movimento de Libertação Popular).
A organização foi criada pelos chamados 28 da Ilha, exilados que fizeram treinamento de guerrilha em Cuba e voltaram clandestinamente ao país para tentar retomar a militância contra o regime. (…) O ex-líder estudantil chegou a Cuba como um dos 15 presos políticos trocados pelo embaixador americano Charles Burke Elbrick, sequestrado em 1969. Fez uma plástica no rosto para despistar a polícia e voltou pela primeira vez dois anos depois. O plano fracassou, e ele se abrigou novamente na ilha até voltar definitivamente em 1975.
(…)
Preocupados com a exposição pública a cinco dias do início do julgamento, assessores ainda tentam demover o ex-ministro de ir ao debate no Memorial da Resistência, museu sobre a guerrilha mantido pelo governo paulista. Nos últimos dias, Dirceu também revisitou o passado ao se hospedar na casa da mãe em sua cidade natal, Passa Quatro, no interior de Minas. Lá, no entanto, permaneceu em silêncio.
VolteiPois é… Esses amigos são sempre tão preocupados com José Dirceu, né? Seriam aqueles mesmos que já anunciaram a disposição de recorrer a cortes internacionais caso ele seja condenado pelo STF? Que preguiça!
É claro que o Zé está fazendo onda, né? Foi para Passo Quatro (MG) para tentar relembrar o passado do moço “revolucionário”. Agora, quer discutir a guerrilha de Cuba — e anuncia isso — para demonstrar que o STF estará julgando um bravo, um militante, um arauto da liberdade…
Imaginem se a guerrilha pretendida pela turma do Molipo tivesse dado certo. O Brasil teria hoje um governo como o cubano, né?, e o Zé seria o nosso comandante. O regime de Fidel responde por 100 mil mortos — entre os fuzilados e os que morreram afogados tentando deixar a ilha. Proporcionalmente, dada a diferença de população, um regime à cubana, no Brasil, teria feito 1.680.000 mortos! A ditadura militar brasileira se contentou com 424…
Zé Dirceu quer dar relevo à imagem do militante para mitigar a do “consultor de empresas privadas”, aquele do rendez-vous, que se esgueirava em quartos de hotel com autoridades do governo, de estatais e do Congresso.
Que consultoria de imagem está com a “conta Zé Dirceu”? Saída esperta essa…
Por Reinaldo Azevedo

Mundo obscuro, por Miriam Leitão


Enviado por Míriam Leitão - 
22.7.2012
 | 
9h00m
COLUNA NO GLOBO


A Petrobras sozinha investe mais do que todo o governo federal. E ela é apenas uma das estatais brasileiras. Seus investimentos não são informados através de nenhum portal, mas sim, de uma portaria, que sai sempre com atraso. Uma zona de sombra também cobre as decisões do BNDES, que virou uma espécie de orçamento paralelo sem transparência e que não passa pelo Congresso. É mais fácil acompanhar gastos do governo do que de suas empresas.
A Lei de Diretrizes Orçamentárias vinha informando, nos últimos anos, que a sociedade civil tinha direito de ter acesso ao Siafi, Sicomv e Siest. Essas três siglas cobrem as despesas da administração direta, os convênios feitos e os gastos das estatais. Apesar dessa declaração, os que buscavam informações não tinham acesso fácil, mas, pelo menos, estava lá escrito na LDO. Este ano, a frase sumiu. O governo argumentou que a Lei de Acesso à Informação dá automaticamente esse direito.
Parece retrocesso. E é. Por isso, o senador Cristovam Buarque incluiu, de novo, a frase que tinha sido suprimida. Segundo Gil Castello Branco, do site Contas Abertas, ela é fundamental, porque o acesso a determinados dados tem sido difícil. Sem a frase, seria pior.
Com base na Lei de Acesso à Informação, Castello Branco pediu dados do Programa de Dispêndios Globais da Petrobras até abril. Por escrito, a estatal respondeu que essa informação não está dentro do rol do que ela tem que informar pela lei. Curiosamente, o Ministério do Planejamento forneceu o PDG da Petrobras, quando foi acionado. A cultura da obscuridade sobre os gastos feitos pelos vários braços do Estado é antiga e vai demorar a mudar.
— Eu posso saber o que a presidência da República comprou ontem, mas não sei, no fim de julho, quanto as estatais investiram durante o primeiro semestre — disse Gil.
O BNDES vive hoje de dinheiro do governo, fruto do endividamento. Por isso, a preocupação da transparência e do cuidado no uso dos recursos deveriam ser dobrados. O jornal “Valor Econômico” mostrou quanto seria a perda do banco, se vendesse hoje suas participações em três frigoríficos: R$ 2,5 bilhões. As ações da BR Foods se valorizaram, as quedas foram no JBS e na Marfrig, sendo que o primeiro abocanhou 80% dos R$ 10 bilhões usados pelo banco na compra das ações. Isso sem falar nos empréstimos. Na conta feita pelo “Valor” não entrou o que o banco perdeu ao virar sócio do Independência, que faliu meses depois.
A perda calculada pelo jornal é hipotética, claro, porque só se realizaria se as ações fossem vendidas hoje, mas o prejuízo pode até ser maior se calcularmos o custo de oportunidade. E se esses R$ 10 bilhões, em vez de serem usados para comprar participação em frigorífico ou financiar compra de frigoríficos no exterior, fossem usados em projetos com retorno para toda a sociedade?
Mesmo quando investe em infraestrutura, pairam dúvidas sobre as escolhas e a forma de comunicar as liberações. Dias atrás escrevi que só com a invocação da Lei de Acesso, apresentada pela International Rivers, o BNDES contou que havia dado um segundo empréstimo-ponte para a Norte Energia, construtora de Belo Monte, de R$ 1,8 bilhão. Publiquei o fac símile de um trecho do documento do Ministério Público ao Banco Central sobre esse crédito, no qual o MP considera que não foi feita a devida análise de risco.
A Norte Energia enviou uma carta ao jornal, protestando contra a coluna. A carta foi publicada. Nela, a empresa dizia que as concessões dos empréstimos “seguiram as boas práticas de transparência e publicidade e foram, oportunamente, divulgadas em jornal de grande circulação nacional”. E que isso talvez “pudesse eliminar a necessidade de a jornalista se pautar por informação de uma ONG internacional”. A propósito, como esclareci abaixo da carta, recebi as informações de autoridades brasileiras.
O curioso é que o empréstimo foi concedido em fevereiro, mas o “oportunamente” da Norte Energia só ocorreu em 7 de julho, num comunicado publicado no “Valor Econômico” em letra miúda de quebrar olhos. Quem for, com lupa, encontrará escondida na linha 71 do comunicado a informação de que a empresa recebeu “colaboração financeira” do BNDES de R$ 1,8 bilhão.
É fundamental uma mudança de atitude das estatais e de suas sócias que usam dinheiro público. Para completar o quadro de opacidade, esta coluna perguntou ao Ibama na segunda-feira sobre a multa, de R$ 7 milhões, aplicada em fevereiro à Norte Energia por descumprimento do Projeto Básico Ambiental. O BNDES afirma ter por norma só emprestar para quem está com suas obrigações ambientais em dia. O Ibama não respondeu. Insistimos por escrito na quinta-feira pela manhã. Queríamos saber se a empresa havia sanado o problema ambiental que levou à aplicação da multa. Eles disseram que a “solicitação estava com a área técnica”. E até sexta, nenhuma resposta.
O BNDES dá uma “colaboração financeira” de R$ 1,8 bilhão a uma empresa multada pelo Ibama por descumprimento de projeto ambiental, e o Ibama não consegue dizer se o problema foi resolvido ou não. É um mundo obscuro.

A irônica presença de Mafalda, por Vitor Hugo Soares



“O tempo passa, o tempo voa...”. Assim cantava antiga peça musical marqueteira, para vender a incautos e metidos a sabidos, as maravilhas de uma caderneta de poupança de instituição financeira privada que se esfumaçou. Sumiu no meio de um desses apagões que de vez em quando atingem economia e governo no Brasil (no resto do mundo também), em geral, depois de mais ou menos largo período de oba-oba e cegueira.
Podem ficar sossegados: este é um texto de vivência e opinião, mas não pretendo, nas próximas linhas, dar uma de analista econômico ou falar sobre os atuais labirintos e contradições que cercam a CPI do Cachoeira, o julgamento dos acusados do Mensalão, ou dos espúrios acordos e estranhas transações com vistas às eleições municipais, este ano, principalmente nas capitais – de Salvador a São Paulo, de Recife a Belo Horizonte.
Na verdade, o “gancho jornalístico” e o ponto de partida deste artigo semanal nem estão no Brasil, da petista Dilma Rousseff, mas na Argentina, da peronista Cristina Kirchner. Para ser mais exato, dirijo as vistas e a memória para a província de Mendoza – terra de assados deliciosos e vinhos melhores ainda -, onde o notável cartunista Joaquim Lavado “Quino” festejou 80 anos na terça-feira, 17, cercado de admiração e honras merecidas ao talento que deu Mafalda ao seu país e ao mundo.
Um dos personagens mais incrí­veis, irônicos e instigantes dos quadrinhos em todos os tempos. Na América Latina e no mundo, diga-se a bem da verdade.
Tiro o boné, bato palmas e canto parabéns para Quino, em meu recanto na Bahia, enquanto revivo com emoção e encantamento os meus primeiros e surpreendentes encontros com Mafalda, nas ruas e quiosques de Buenos Aires, no começo dos anos 70. Ainda agora, quando seu criador faz 80 e ela própria passou dos 40, me surpreendo, me emociono sempre e fico cada dia mais intrigado com a atualidade desta incrível e indomável garota, e das paixões que ela desperta desde que surgiu nas margens do Rio da Prata.
“Na vida real, eu nasci em 15 de março de 1962”, disse Mafalda em uma carta de apresentação. Quino, pai da menina, prefere o registro que celebra o aniversário da garota em 29 de setembro de 1964, dia em que ela apareceu, pela primeira vez, nas páginas de Primeira Plana como personagem de HQ.
Tendo esta data como parâmetro, o meu primeiro encontro com Mafalda só aconteceu quando a impossível menina de classe média festejava 10 anos e já se transformara em paixão dos argentinos, embora ainda praticamente desconhecida no “Brasil do milagre econômico”, envolto nas brumas da censura e empulhações da ditadura que fez o país virar as costas para o que acontecia no resto do continente.
Então, jovem repórter do Jornal do Brasil, na sucursal de Salvador, caminhava curioso pela Avenida Corrientes, em Buenos Aires. Foi quando avistei pendurada no quiosque de periódicos, a revista com o desenho da garota de rosto enfezado, olhar maroto, e língua afiada. Uma paixão que nasceu à primeira folheada, como confessei em artigo e conversas na Bahia, ao voltar da viagem.
Das camisetas com desenhos da personagem mais universal de Quino, que comprei na capital portenha, a mais bonita dei de presente à Margarida ( também jornalista e na época minha namorada) o que lhe valeu o apelido de “Mafalda”, na redação do jornal A Tarde, onde ela trabalhava na época.
Os editores das tiras de quadrinhos argentinas tiveram uma brilhante idéia, que contribuiu em muito para alargar a presença de Mafalda no mundo meio fechado dos chamados “intelectuais descolados”, em geral “de esquerda”, que precisavam se esconder para ler os HQs de Disney e outros criadores. Publicaram a saga completa da garota portenha em edição bonita e luxuosa, “que qualquer adulto pode exibir sem sentir vergonha”, como assinalou um escritor e jornalista argentino ao escrever sobre a criação de Quino.
E isso permite ter sempre em mãos – e agora diante dos olhos, com a internet – a presença de Mafalda e comprovar sua incontestável contemporaneidade. Aí vão, para terminar, algumas perguntas e frases tão incômodas quanto antológicas da garota, para comprovar a força da sua presença:
- “Não é certo que todo tempo passado foi melhor. O que acontecia era que os que estavam pior ainda não haviam se dado conta”
- “Por onde há que se empurrar este país para levá-lo adiante”?
- “O drama de ser presidente é que se alguém se põe a resolver os problemas de estado, não lhe resta tempo para governar”
- “Não será, por acaso, que esta vida moderna está tendo mais de moderna que de vida?
- "Parem o mundo, eu quero descer.”
Fantástica Mafalda! Parabéns e longa vida, Quino!

Vitor Hugo Soares é jornalista. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

A pressa que amplia as sombras sobre o assassinato do policial federal



O juiz federal Paulo Augusto Moreira Lima, que autorizou a Polícia Federal a gravar clandestinamente as conversas entre Carlinhos Cachoeira e seus subordinados, e depois decretou a prisão do bando, afastou-se do caso depois de sofrer ameaças de morte.
A procuradora Léia Batista, representante do Ministério Público de Goiás na apuração do caso, também foi ameaçada de morte. Pediu proteção ao Conselho Nacional de Justiça.
Citado em várias conversas gravadas pela Operação Monte Carlo, o delegado Hylo Marques Pereira, da Polícia Civil de Goiás, está desaparecido há seis dias.
Nesta terça-feira, o agente da Polícia Federal Wilson Tapajós Macedo, um dos participantes da Operação Monte Carlo, foi morto com três tiros em Brasília, ao lado do túmulo do pai. Sobre o episódio, o jornalista Carlos Brickmann escreveu a seguinte nota:
Coisa estranha 
Um especialista em Polícia Federal, daqueles que já viram urubu ficar branco e passarinho comer onça, estranha muito o assassínio do agente federal num cemitério de Brasília. Considera pouco habitual um agente visitar o túmulo dos pais num dia normal, no horário de serviço. Talvez houvesse ali um encontro marcado.
O fato é que o assassínio de um agente envolvido em investigações de tamanho porte gera necessariamente uma cachoeira de suspeitas.
Já no dia do assassinato, a polícia de Brasília decidiu que ocorrera um latrocínio ou um crime passional.
comentário de 1 minuto para o site de VEJA recomenda aos apressados sherloques que incluam entre as opções o crime por vingança. A menos que tenham investigado e resolvido o caso antes que acontecesse. Isso pode ser impossível em países normais. Não é o caso do Brasil.

Muy amigos


RUTH DE AQUINO


RUTH DE AQUINO  é colunista de ÉPOCA raquino@edglobo.com.br (Foto: ÉPOCA)
O melhor amigo do homem não é um senador. Muito menos um bicheiro. Demóstenes Torres descobriu isso tarde demais. Aliás, quem descobriu foi a imprensa.
Demóstenes foi cassado, segundo ele, por pressão nossa, da mídia e da sociedade. E por não ter amigos no reino da mentira e da promiscuidade. Era um solitário no Senado, visto como falso, arrogante e prepotente. O rei das grandes frases para os jornalistas.

Ficou mais sozinho nos últimos tempos, um “cão sarnento” em suas palavras. Não dormia nem com remédio. Sua mulher evitava sair com ele para beber vinho. Pelo menos, ainda está casado e só se sente traído por seus pares.

Para a Justiça de Goiás, Demóstenes continua com força na peruca: ele voltou a ser procurador criminal do Ministério Público. Com salário de R$ 24 mil e dois assessores. O decoro perde assim para a decoração. A sala tem o nome de Demóstenes na porta. Estão vetados rádios Nextel e geladeiras importadas.

Menos sorte no amor tem o suplente do senador cassado, Wilder Pedro de Morais, um homem bem-sucedido nos negócios. Foi o segundo maior doador da campanha de Demóstenes segundo a Justiça Eleitoral. Deu R$ 700 mil.
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No escurinho do teatro, quantos beneficiados por “Carlinhos” votaram para se livrar de um arquivo vivo? 
Filho de peão, criado na roça e hoje megaempresário em Goiás, Wilder perdeu a mulher bonitona e mãe de seus dois filhos, Andressa, para o “padrinho” Cachoeira, a quem chama na intimidade apenas de Carlinhos. Andressa foi morar na casa do bicheiro em 2010, logo após a separação. Um enredo de novela das 8 com nome de Brasil.

Wilder perdeu a mulher, mas não o humor. Tachado de “o marido traído da CPI” ou coisa mais chula, ele brinca ao confirmar a “sociedade” com o bicheiro. “É lógico que somos sócios. Sou sócio involuntário do Cachoeira na mulher!”

O fingidor Cachoeira teria sondado Wilder: “Quero saber se essa separação é para valer mesmo, sou amigo do casal e estou preocupado”. Wilder teria respondido: “Ô, Cachoeira, larga de ser cínico que eu sei que a Andressa está morando em sua casa”. Cachoeira ainda tentou convencê-lo de sua boa intenção: “Mas ela está lá só como amiga”.

“Olha aqui, Carlinhos”, afirmou Wilder. “Casamento tem dois momentos: o ruim e o bom. O ruim é quando a mulher dá problema. E o bom é quando a gente passa o problema e a mulher para a frente.”

Cachoeira nunca perdeu a chance de lembrar a Wilder que foi ele quem o colocou como suplente e secretário de Infraestrutura no governo de Perillo, do PSDB de Goiás. Está gravado e revelado. Cachoeira também tentou derrubar sua criação. Chamou o afilhado de “bosta” e disse a Demóstenes: “Temos de preparar um nome para substituir o Wilder”.

Pelo conjunto da obra, Cachoeira poderia ter sido inspiração para Jô Soares, que criou a expressão “muy amigo” na boca do argentino Gardelón. O personagem sempre se dava mal com traidores que se passavam por bonzinhos.

Na semana passada, Wilder estava de férias no Nordeste. Voltou ao Senado na sexta-feira 13, mais bronzeado.Terá muito a explicar. Como substituir um senador cassado por suas relações íntimas com Cachoeira?

A ironia perversa é que a cassação de Demóstenes até o ano de 2027 talvez tenha sido ajudada pelo voto secreto no Senado. No escurinho do teatro, quantos beneficiados por “Carlinhos” votaram, na verdade, só para tirar do palanque um arquivo vivo? Tenho curiosidade particular pelos cinco que se abstiveram, envergonhados de si mesmos.

A sessão foi transmitida pela TV Senado, e o resultado foi bom para a moralização política. O contrário teria sido um escândalo – como tantos no passado recente. Mas as expressões de orgulho dos senadores soam hipócritas. “Cabeça erguida.” “Cumprimento da justiça e de nosso papel.” “A imagem da instituição está salva.”

Tudo isso, numa casa onde reinam figuras como Renan Calheiros, que assistiu à votação de pé. Líder do PMDB, antigo alvo da fúria ética de Demóstenes, Renan deu no cachorro morto um leve abraço muy amigo com três tapinhas nas costas.

No discurso de defesa e despedida, Demóstenes ameaçou ao citar o refrão de “Cartomante”, de Ivan Lins com Vitor Martins. Cai o rei de espadas/Cai o rei de ouros/Cai o rei de paus/Cai, não fica nada... Eu me pergunto quem será o rei de ouros.

O Senado abusou muito tempo de sua arrogância corporativista. Em 2007, fechou ao público a votação do processo contra Renan Calheiros, absolvido por 40 a 35 votos. Foram seis as representações do Conselho de Ética pela cassação. Contas pagas à amante por um lobista de empreiteira. Notas fiscais frias. Empresas fantasmas. Desvios de dinheiro. Laranjas, vacas. Eram outros tempos. E Renan é do PMDB, amigo do rei.

“O Senado esteve à altura. É difícil, mas aqui não é uma confraria de amigos”, disse o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), autor da representação contra Demóstenes. Pode ser.

É uma confraria de muy amigos.
  

Armadilha em apartamento de atirador do Colorado poderia ter destruído um prédio, diz policial Agentes que conseguiram desarmar os explodivos se disseram surpresos com a sofisticação da armadilha




Agentes federais trabalham do lado de fora do apartamento de James Holmes. No sábado a polícia conseguiu desativar com uma explosão controlada a armadilha deixada pelo atirador Foto: AP

Agentes federais trabalham do lado de fora do apartamento de James Holmes. No sábado a polícia conseguiu desativar com uma explosão controlada a armadilha deixada pelo atiradorAP
AURORA, Colorado - A sofisticada armadilha de explosivos implantada pelo atirador do Colorado em seu próprio apartamento poderia ter destruído todo o prédio caso tivesse sido acionada, informou um agente envolvido na operação de desarme das bombas. No sábado, agentes do FBI conseguiram desarmar a armadilha ao realizar uma explosão controlada nos explosivos encontrados no apartamento de James Holmes, o homem apontado como responsável pelo massacre em um cinema na cidade de Aurora, na sexta-feira, durante a pré-estreia do filme "Batman - O cavaleiro das trevas ressurge".
Dentro do apartamento, policiais encontraram 30 explosivos cheios de pólvora, dois recipientes cheios de líquidos aceleradores e um número desconhecido de balas deixadas para explodir em um possível incêndio.
- Dada a quantidade de explosivos que estavam lá, se eles detonassem, você teria uma explosão muito grande, seguida de efeitos térmicos dos líquidos incediários que teriam destruído o complexo de apartamentos. É seguro dizer que o edifício inteiro teria queimado - disse um oficial sob a condição de anônimato à Reuters.
Na operação de desarme da armadilha, realizada remotamente por um esquadrão anti-bombas, um robô foi posicionado com um canhão de água próximo ao sistema de explosivos. As bombas foram então acionadas pelo robô e abafadas pelo canhão de água.
Devido ao risco de acidente, cinco prédios de apartamentos da região foram esvaziados.
Ao ser preso no estacionamento do shopping onde fica o cinema, Holmes disse a policiais que sua casa estava cheia de explosivos, o que acabou sendo confirmado.
- Eu pessoalmente nunca tinha visto nada daquilo que as fotos nos mostram que tem lá dentro - relatou Dan Oates. - Eu vi um monte de fios, bobinas de fios, muita munição, baldes cheios de líquido e objetos que parecem morteiros.
Os explosivos cheios de pólvora - semelhantes a morteiros usados em fogos de artifícios - foram espalhados por toda a sala de estar do apartamento. As bombas foram conectadas à uma caixa de controle improvisado na cozinha, projetada para ser acionada à entrada do apartamento com o claro propósito de matar as primeiras pessoas que entrassem no local.
Para os policiais, a armadilha potencialmente letal mostrou um raro grau de sofisticação dificilmente encontrado em bombas caseiras desarmadas nos EUA.
- O fato dele ter usado munição talvez mostre um certo grau de falta de conhecimento, mas há um nível de sofisticação em todo o resto do que vimos no apartamento - disse outro agente que preferiu permanecer anônimo.
Atirador comprou cartuchos para armas pela internet
James Holmes comprou mais de 6 mil cartuchos de munição e múltiplos carregadores pela internet nos últimos 60 dias, segundo informações da polícia. o atirador usou os armamentos para carregar duas pistolas Glock, uma espingarda e uma escopeta, artefatos usados durante o tiroteio que deixou 12 mortos e 58 feridos.
- Meu entendimento é que todas as armas que ele possuía, foram adquiridas legalmente. Toda a munição que ele tinha, foi adquirida legalmente - afirmou o chefe de polícia de Aurora, Dan Oates, acrescentando que, com os múltiplos carregadores, é possível fazer até 60 disparos em apenas um minuto.
A polícia ainda não sabe como Holmes obteve o colete à prova de balas e a máscara de gás que usava no ataque. As quatro armas foram compradas em revendedores locais. Larry Whiteley, porta-voz da rede de lojas Bass Pro Shops, afirmou que a empresa cumpriu as regras federais quando vendeu uma escopeta e uma pistola a Holmes:
- A revisão dos antecedentes criminais, como requer a lei federal, foi realizada apropriadamente, e (Holmes) foi aprovado.
A polícia diz que o suspeito não tem antecedentes criminais. Nascido em San Diego, Holmes era formado em Neurociência pela Universidade do Colorado e iniciou um doutorado em "Distúrbios psiquiátricos e neurológicos", no segundo semestre de 2011. No mês passado, ele teria começado um processo para abandonar o curso, mas fontes da universidade não souberam o motivo.
Ainda segundo o chefe de polícia, Holmes terá sua primeira aparição perante um tribunal federal já na próxima segunda-feira. O criminoso está sob custódia na prisão de Arapahoe County e, de acordo com Oates, já tem um advogado para representá-lo.
Matança no Colorado foi 'crime hediondo'
Em seu programa de rádio transmitido pela internet neste sábado, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, qualificou o ataque como um lembrete de que a vida é frágil e prometeu que o governo federal está pronto a fazer tudo o que puder para buscar justiça às vítimas desse 'crime hediondo'.
“Mesmo que nós venhamos a compreender como isso aconteceu e quem é o responsável, nós talvez nunca possamos entender o que leva alguém a aterrorizar outros seres humanos”, disse Obama em seu pronunciamento semanal de rádio e Internet, transmitido neste sábado.
Familiares das vítimas e centenas de moradores fizeram uma vigília na madrugada deste sábado. Os moradores deixaram flores, velas e cartas em sinal de luto pelos mortos na ação. Uma das cartas dizia: "Para nossas almas inocentes. Isso é para vocês, nós nunca vamos esquecer".

Assad cada dia mais próximo do fim da linha Para especialistas, queda é inevitável, mas ainda pode demorar e deixar Síria mergulhada no caos


Bashar al-Assad pode até se agarrar mais um tempo ao poder, mas seu destino está selado: será mais um ditador derrubado pela Primavera Árabe. A sua situação, que já era difícil, se agravou com os acontecimentos da última semana, com os rebeldes ganhando terreno em Damasco e atingindo o coração do poder, com um atentado que matou quatro membros da alta cúpula de segurança do governo sírio.
Se a queda iminente de Assad é consenso entre especialistas ouvidos pelo GLOBO, o papel da comunidade internacional no desenlace do conflito que já deixou quase 20 mil mortos em 16 meses na Síria é alvo de controvérsia. Para Mordechai Kedar, da Universidade Bar-Ilan, de Israel, a janela para o mundo agir já se fechou, e agora ele só pode observar o fim do conflito, que pode seguir o roteiro líbio, tunisiano ou egípcio. Já Nadim Shehadi, do londrino Royal Institute of International Affairs, acha que EUA e Rússia ainda precisam assumir suas responsabilidades.
O futuro da Síria no pós-Assad também é nebuloso, mas o consenso é que a transição de mais de 40 anos de regime Assad para a democracia será turbulento. Christopher Taylor diz que o pior cenário para o país após a queda do ditador pode fazer a situação atual “parecer suave, na comparação”. Uma repetição do Iraque, assolado por conflitos sectários nos anos seguintes à derrubada de Saddam Hussein, é um fantasma vislumbrado no horizonte por muitos dos analistas.
Contribui para esse cenário o fato de a oposição síria estar unida somente pelo ódio ao regime, e de nenhuma liderança ter se consolidado desde que explodiu o levante contra Assad, em março do ano passado. Um provável cenário de caos após a derrubada do ditador assusta o Ocidente, que teme que parte do arsenal de armas químicas sírio vá parar em mãos indesejáveis, como as do Hezbollah — um dos grandes perdedores com o fim próximo do regime que sempre o apoiou.