sábado, 16 de junho de 2012

Você colocaria bandidos brasileiros numa cadeia dessas?


Ricardo Setti

Sempre antenadíssimo para as coisas daqui e d’além-mar, o grande Ancelmo Gois informa hoje, em sua coluna em O Globo, que a Holanda vai fechar 8 penitenciárias — por falta de criminosos.
(Não está na nota, mas há cerca de 12 mil sentenciados no país, de quase 17 milhões de habitantes, para 14 mil vagas nas prisões — e a criminalidade baixa ano a ano.)
O Ancelmo sugere, com delicadeza e “com todo o respeito”: “que tal o país do Cachoeira exportar uns meliantes para lá?”
Pois — coisa raríssima — vou divergir de meu querido Ancelmo, amigo e ex-colega de redação em VEJA, no falecido Jornal do Brasil e no extinto site NO.
As prisões da Holanda são boas demais para os bandidos brasileiros!
A penitenciária de Maashegge, no sul do país, por exemplo — uma das que será fechada –, que tem belos gramados, jardins com flores, ginásio de esportes e edifícios projetados por arquitetos famosos, além de celas individuais com o conforto de um hotel.
VEJA NAS FOTOS ABAIXO. Pergunto: você colocaria bandidos — inclusive os de colarinho branco — em cadeias assim?
Vista parcial do interior de uma das celas da prisão holandesa: conforto de um hotel
A fachada de um dos pavilhões da penitenciária: gramados, árvores, prédios desenhados por grandes arquitetos...


Como vivem os outros réus do mensalão


ISTOÉ localizou alguns dos personagens do maior escândalo de corrupção dos últimos anos e descobriu que, dentro ou fora da vida pública, a maioria acumula poder e influência pelo País

Izabelle Torres
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FUNCIONÁRIO DA CÂMARA
Acusado de distribuir propina, Jacinto Lamas
é hoje chefe-de-gabinete do PR

Passava das 15 horas de uma quarta-feira de junho quando um servidor entrou apressado na sala da liderança do PR, falando ao telefone e distribuindo instruções aos presentes. Tratava-se de Jacinto Lamas, personagem do escândalo do Mensalão acusado de receber e distribuir a propina destinada ao antigo PL e um dos 38 réus do processo com julgamento marcado para 1º de agosto no Supremo Tribunal Federal. Lamas continua funcionário da Câmara dos Deputados e engorda o contracheque com a função de chefe de gabinete do PR, obtida graças ao prestígio acumulado por anos de dedicação ao partido. Além de se manter como homem de confiança dos caciques da legenda, ele também manteve inabalável a vida confortável que conquistou. Prova disso é a mansão onde mora, no Lago Sul, bairro nobre de Brasília, na qual se encontrava em plena segunda-feira às 17 horas, quando foi procurado por ISTOÉ. “Estou bem e não falo do Mensalão. Você deveria ir atrás dos políticos”, disse pelo interfone. A exemplo de Lamas, ISTOÉ localizou outros réus do processo para mostrar como vivem alguns dos personagens do maior escândalo de corrupção dos últimos anos. 

O ex-líder do governo Lula, professor Luizinho, saiu da vida política pela porta de trás e entrou na elite do mundo empresarial. Em seu nome estão duas empresas. Uma delas é de consultoria e existe desde 2007. Nessa empresa, ele presta serviços a gente interessada em irrigar contas bancárias com dinheiro público por meio de convênios com prefeituras e ministérios. Em outra investida empresarial, ele divide com a mulher a sociedade na Analuz Reflorestamento, sediada na Bahia e especializada em plantações de eucaliptos. Assim como o petista Luizinho, o ex-deputado do PTB Romeu Queiroz não voltou para cargo eletivo depois do escândalo, mas, para ganhar dinheiro, se vale da influência que teve um dia. Em seu nome há nove empresas. Duas são de aluguel de veículos e estão frequentemente na lista de contratadas de prefeituras mineiras. Quem também se reergueu depois do desgaste público foi Kátia Rabello, ex-presidente do Banco Rural. Ela continua sendo uma das principais acionistas da instituição e divide seu tempo entre administrar seus negócios pessoais e os da holding do Grupo Rural. Seu poder na corporação não diminuiu: ela ainda participa das decisões estratégicas do banco e dá expediente diário na instituição.

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PATRIMÔNIO
A mansão de Lamas em Brasília:
"Estou bem e não falo do Mensalão"

Para os réus que faziam parte das empresas de Marcos Valério, pouca coisa mudou. Os sócios Cristiano Paz e Ramon Hollerback ainda dividem com Valério a sociedade em pelo menos duas empresas de publicidade em atividade, além da SMP&B, que teve de sair de cena depois do Mensalão. Simone Vasconcelos, a ex-gerente financeira da empresa por onde circulavam notas frias e dinheiro destinado a recompensar parlamentares, foi quem pagou o preço mais alto e amargou pouco mais de um ano sem emprego. “O problema é que um processo criminal macula a imagem da pessoa”, diz Leonardo Yarochewsky, especialista em Direito Criminal e advogado de Simone. “Isso se agrava em casos de repercussão nacional como esse.”

É o peso de ser um réu que move a rotina de Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT. Com um memorial em mãos, ele tem feito palestras pelo País pregando sua inocência. Para ganhar a vida longe da administração do partido, Delúbio montou uma imobiliária que atua na internet. Ele optou por ficar longe de disputas eleitorais. Escolha oposta à que foi feita pelo ex-deputado Paulo Rocha, que tem dado as cartas nas eleições do Pará como presidente de honra do PT no Estado, e a de Anderson Adauto, que briga para permanecer no comando do PMDB de Uberaba. Com planos mais audaciosos, o deputado federal João Paulo Cunha (PT-SP) costura apoio e alianças em torno da sua candidatura à prefeitura de Osasco. Apesar de alguns mensaleiros terem levado a vida nos últimos anos como se nada devessem ao País, todos sabem que há 11 ministros do STF no meio de seu caminho.

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Setores liberais do Paquistão denunciam ameaças do aparelho de segurança


publicado em 16/06/2012 às 10h09:
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P. Miranda. Islamabad, 16 jun (EFE).- As ameaças de morte no Paquistão à advogada e ativista dos direitos humanos Asma Jahangir são vistas dentro e fora do país como um novo ataque do aparelho de segurança contra os setores liberais da sociedade local. Na segunda-feira passada, a Comissão de Direitos Humanos do Paquistão (HRCP) presidida por Jahangir até 2010, informou sobre as ameaças após receber uma informação vazada por uma fonte "muito confiável", e acusou "atores estatais muito privilegiados". A denúncia da HRCP contra o "establishment" de segurança paquistanês foi assinada por cerca de 40 intelectuais, jornalistas, advogados e inclusive ex-membros do governo e das Forças Armadas. No dia seguinte à revelação das ameaças, a própria Jahangir acusou "autoridades de segurança de alto nível" e afirmou, com sua habitual eloquência, que os militares não decidiriam o futuro do Paquistão em vez dos cidadãos. A advogada, que significou muito nas denúncias contra as violações de direitos humanos na conflituosa província do Baluchistão, disse que é preciso interromper o assassinato de intelectuais progressistas "a qualquer preço". Jahangir também se viu envolvida no escândalo conhecido como "memogate", caso aberto pelo suposto pedido de ajuda do governo do Paquistão ao Pentágono - Departamento de Defesa dos Estados Unidos - diante do temor de um golpe de Estado militar no país asiático após a morte do líder terrorista Osama bin Laden no ano passado. A advogada assumiu a defesa do principal réu do caso, o ex-embaixador paquistanês nos EUA Hussain Haqqani, que teria sido o transmissor da mensagem do governo às autoridades de Washington. "Asma tocou em pontos muito sensíveis com temas como Baluchistão e o 'memogate'", disse à Agência Efe a presidente da HRCP, Zohra Yusuf, para quem o aparelho militar e de segurança "foi longe demais". Organizações internacionais de direitos humanos se uniram à denúncia. Até a alta representante das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navi Pillay, demonstrou apoio a Jahangir como símbolo da democracia em sua visita ao Paquistão na semana passada. Pillay disse que casos como o da advogada paquistanesa transmitem a "triste mensagem" de que as reformas democráticas no país podem ser minadas facilmente "por forças estatais e não estatais que não se importam com a democracia". "A democracia real só se consegue se todas as instituições do Estado respondem ao governo e a uma judicatura independente", declarou em entrevista coletiva a alta representante da ONU, que visitou pessoalmente Jahangir em sua casa na cidade de Lahore. Nos últimos dois anos, houve outros casos de ameaças a pessoas vinculadas ao que no Paquistão se denomina "setor liberal" ou "progressista", um segmento da elite que defende uma visão integradora e democrática do país. A democracia paquistanesa está ainda em processo de consolidação e os governos civis regeram menos da metade dos 65 anos de história da nação, enquanto o estamento militar e os serviços de inteligência mantêm amplas parcelas de poder. "Como podem os progressistas atuarem no Paquistão se não têm a mínima proteção da lei e das instituições estatais?", lamentou o veterano professor universitário Hassan Mehdi, ex-presidente da HRCP e destacado defensor dos direitos humanos. Mehdi lembrou que, em 2011, o então governador da província de Punjab e destacado liberal, Salmaan Taseer, e o então ministro de Minorias do governo, Shahbaz Bhatti morreram assassinados em casos praticamente não investigados. Quem também recebeu ameaças de morte no ano passado foi a atual embaixadora paquistanesa nos EUA, Sherry Rehman, ex-jornalista e membro do mesmo círculo progressista - ela permaneceu reclusa sob estrita vigilância até ser destinada para fora do país. "Há um conflito e vemos que as agências de segurança se alinhando com os extremistas religiosos contra os progressistas. É uma mistura muito perigosa", advertiu Zohra Yusuf. O texto remitido pela HRCP indica que a perseguição contra Jahangir não significa apenas uma conspiração para matar um indivíduo, mas "um complô contra o futuro do Paquistão como Estado democrático". EFE pmm/sa

A última que morre (RIO+20)


Enviado por Rádio do Moreno - 
15.6.2012
 | 
11h48m
LUIZ GARCIA


Uma semana e meia. Ou seja, desde anteontem até o fim da semana que vem. É esse o prazo — que muita gente diria ser lamentavelmente otimista — que a ONU deu a si mesma para estabelecer metas que garantam a salvação do planeta contra o seu pior inimigo.

Se o assunto aqui fosse um filme de ficção científica, esse inimigo seria um monstro de algumas toneladas, vindo de uma galáxia distante, aparentemente invulnerável e com inesgotável apetite por bípedes falantes.

Nada disso: desta vez a ameaça é muito mais séria. Os inimigos somos nós mesmos.

Estamos falando de uma iniciativa solenemente intitulada de Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável. Começou esta semana, no Riocentro. Como todo mundo sabe, a espécie que domina o planeta — você, eu e o resto do pessoal — mantém sua hegemonia consumindo recursos naturais com extraordinário apetite. Só recentemente descobrimos que esses recursos não são, imaginem só, inesgotáveis.

A conferência da ONU — que atende pelo apelido de Rio+20 — parte de uma premissa que ninguém discute: o tempo é curto. Os sintomas de uma tragédia são tragicamente visíveis. Incluem aquecimento global, redução das reservas de água doce, escassez de alimentos. E todos eles se tornam mais graves com o crescimento da população do planeta: já somos sete bilhões e, dentro de 40 anos — um tempinho à-toa —, seremos nove bilhões. Sem um aumento de 70% na produção de comida, vamos começar a morrer de fome. Primeiro, os pobres e miseráveis, claro. Mas depois, inexoravelmente, você e eu — o que é inaceitável, evidentemente.

O principal objetivo da Rio+20 — além de reafirmar os princípios do desenvolvimento sustentável, o que não passa de blá-blá-blá — é encontrar formas de ampliar o crescimento econômico sem prejudicar o meio ambiente. Alguns pessimistas diriam que isso seria algo parecido com comer um bife sem mastigar nem engolir.

Mas é preciso reconhecer que o simples fato de que esta é a maior reunião patrocinada pela ONU até hoje indica, pelo menos, que há consenso sobre a gravidade e a urgência do problema. O que não chega nem perto de garantir o êxito da conferência — mas a esperança, como sabemos, é a última que morre de fome.
Publicado no Globo de hoje.

O polêmico juiz que mandou soltar Cachoeira


Enviado por Ricardo Noblat - 
16.6.2012
 | 6h04m
POLÍTICA

Desembargador do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, Tourinho Neto tem sido um dos poucos magistrados sensíveis às demandas do advogado Marcio Thomaz Bastos, contratado por R$ 15 milhões, no caso do bicheiro Carlos Cachoeira; conheça algumas de suas decisões

Preso desde o dia 29 de fevereiro deste ano, o bicheiro Carlos Augusto Ramos, conhecido como Carlinhos Cachoeira, obteve pouquíssimas vitórias na Justiça até agora, embora tenha contratado um dos advogados mais caros do País: o criminalista Marcio Thomaz Bastos, ao custo de R$ 15 milhões. Em praticamente todas as decisões favoráveis, a assinatura nos despachos foi do desembargador Tourinho Neto.
A primeira dessas decisões aconteceu no dia 17 de abril, quando Cachoeira conseguiu deixar o presídio de segurança máxima em Mossoró (RN) e foi transferido para Brasília. Juiz responsável pela decisão? Tourinho Neto.
Três dias atrás, Tourinho Neto tomou também a primeira decisão para, eventualmente, sacramentar a morte da Operação Monte Carlo. Relator de um pedido de habeas corpus apresentado por Thomaz Bastos, ele considerou as escutas ilegais.
Segundo Tourinho Neto, o delegado encarregado da investigação, Matheus Mella Rodrigues, fundamentou o pedido de interceptações em denúncias anônimas. "Não se pode haver a banalização das interceptações, que não podem ser o ponto de partida de uma investigação, sob o risco de grave violação ao Estado de Direito", disse ele.
O julgamento será retomado na terça-feira e se os demais magistrados acompanharem o relator, o trabalho dos policiais será atirado no lixo. Curiosamente, Cachoeira, notório por sua indústria de grampos ilegais, tenta se safar questionando a legalidade dos grampos da polícia.
Tourinho Neto também tomou outra decisão favorável a Cachoeira, no dia 13 deste mês, ao mandar desbloquear os bens do laboratório farmacêutico Vitapan, que está em nome de sua ex-mulher, Adriana Aprígio – o pagamento dos honorários de Thomaz Bastos passa pela indústria farmacêutica de Anápolis (GO).
Tourinho Neto é desafeto da ministra Eliana Calmon, corregedora do Conselho Nacional de Justiça, e é também visto com ressalvas por certas alas da Polícia Federal e do Ministério Público. Sua decisão de hoje, no entanto, não garante a liberdade de Cachoeira, porque ele ainda está em preso em função de outra operação da Polícia Federal, a Saint-Michel, cujo habeas corpus ainda não foi julgado.

As marcas de carros que mais baratearam após corte no IPI



Queda nos preços dos veículos em maio foi a maior desde a crise de 2008

  
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Silvio Gioia/Quatro Rodas
J3, da JAC Motors
A JAC foi a montadora com maior redução de preços: 6%
São Paulo – Os carros vendidos no Brasil ficaram 2,6% mais baratos em maio, maior queda desde a crise de 2008, segundo estudo da AutoInforme/Molicar, que há nove anos acompanha os preços de todos os veículos vendidos no país. A redução reflete a medida do governo de reduzir o IPI para veículos automotores em meados do mês passado.
As marcas que mais tiveram redução de preço (acima da média) foram, nesta ordem, JAC, Renault, Volkswagen, Fiat, Citroën e Ford. De todas as 47 marcas, 22 apresentaram queda de preço em maio, 15 se mantiveram estáveis e 10 tiveram aumento de preço, a maioria marcas de luxo ou com pequeno volume de vendas. As que apresentaram queda de preço são as marcas mais importantes e com maior volume de vendas no país.
Veja na tabela abaixo de quanto foi a redução de preços para cada marca:
MarcaRedução (%)
JAC-6,00
Renault-5,92
Volkswagen-5,82
Fiat-5,76
Citroën-3,73
Ford-3,55
Média-3,29
Nissan-3,21
Lifan-2,97
Mahindra-2,39
Honda-2,14
GM-2,1
Hyundai-2,03
Kia-1,86
Peugeot-1,52
Chery-1,42
Maserati-1,28
Hafei-0,87
Toyota-0,82
Mitsubishi-0,66
Suzuki-0,61
Effa-0,32
Audi-0,25
Volvo0
TAC0
Porsche0
MG0
Lobini0
Lexus0
Jinbei0
Jeep0
Jaguar0
Dodge0
Chrysler0
Changan0
Chamonix0
Bentley0
Aston Martin0
Ssangyong0,23
BMW1,40
Subaru1,64
Mini Cooper2,26
Iveco3,32
Smart4,86
Land Rover5,84
Troller5,91
Ram6,74
Mercedes-Benz6,84
O aquecimento das vendas passou a ocorrer neste mês: foram vendidas 15.000 unidades por dia apenas na primeira semana de junho. Durante todo o ano passado, os carros zero encareceram 0,14%.

Histórias de pessoas que abandonaram suas carreiras, encerraram as contas bancárias e há anos vivem - bem - na base do sistema de trocas e doações


Viver sem dinheiro


Rachel Costa 
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"Conseguir roupas, lugar para dormir e comida não são problemas
para mim. As pessoas têm prazer em me receber em suas casas"

Heidemarie Schwermer, sem dinheiro desde 1996
Nos Estados Unidos, um homem das cavernas moderno vive em grutas no deserto de Utah, mantém um blog e participa ativamente da comunidade. Na Alemanha, uma avó viaja de uma cidade a outra para pregar o desapego aos bens materiais. No Reino Unido, um ex-economista sem conta no banco nem dinheiro no bolso empenha seu tempo em recrutar voluntários para uma comunidade autossustentável. Em comum, eles tomaram a decisão de nunca mais ter dinheiro. O americano Daniel Suelo, 50 anos, doou seus últimos dólares em 2000. A lituana radicada alemã Heidemarie Schwermer, 69 anos, nem chegou a ter um euro. Quando a moeda entrou em circulação, em 2002, já fazia seis anos que a simpática senhora não via a cor do vil metal. Já o irlandês Mark Boyle, 32 anos, em jejum financeiro desde 2009, garante que não ter dinheiro é sinônimo de liberdade, não de dificuldade. Utopia? Loucura? Exemplos a ser seguidos? 

Seja o que eles representarem, Suelo, Heidemarie e Boyle têm outro ponto em comum. Todos tiveram suas histórias registradas em livro ou filme. Heidemarie é a estrela do documentário “Vivendo sem Dinheiro” (2009, tradução livre); Suelo teve sua trajetória registrada no recém-lançado “O Homem que Largou o Dinheiro” (tradução livre, sem edição brasileira) e Boyle na obra “O Homem Sem Grana”, que chega ao Brasil no final de junho, pela editora Best Seller. “Muitas pessoas trabalham em empregos que odeiam só para ganhar dinheiro e depois tentam se sentir recompensadas por isso, sem sucesso, comprando férias em resorts, carros caros e almoços finos”, disse à ISTOÉ o escritor Mark Sundeen, autor do livro sobre Daniel Suelo. Para Sundeen, histórias como a de Suelo ilustram a verdade contida na velha máxima “dinheiro não traz felicidade”. Suelo decidiu ser pobre inspirando-se nos sadhus, hindus que abrem mão de todos os seus bens materiais para mostrar que o ser é mais importante que o ter. Em vez de ir para a Índia, porém, se impôs o desafio de viver sem dinheiro dentro da sociedade mais consumista do mundo, a americana.
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SONHO
Desde 2009 em jejum financeiro, Mark Boyle planeja agora formar uma
comunidade autossustentável, onde tudo virá da produção própria ou de trocas
Contestar o consumo é mesmo o principal alvo de quem resolve aderir ao cotidiano sem nenhum centavo. “Nós vivemos sem dinheiro 95% do tempo de nossa existência e todas as outras espécies vivem sem ter de comprar”, disse à ISTOÉ Mark Boyle. “Passei quatro meses me preparando, fazendo uma lista de tudo que eu consumia quanwdo tinha dinheiro e então pensando em novas formas para ter essas coisas sem pagar por elas”, diz ele, que resolveu trocar a cidade pelo campo e aprendeu, entre outras coisas, a tirar seu sustento da terra e manter sua casa com energia solar. Embora o campo seja mais amigável à vida sem recursos financeiros, é possível se manter sem dinheiro nos grandes centros urbanos, ensina a ex-professora e psicoterapeuta Heidemarie Schwermer. “Roupas, lugar para dormir e comida não são problemas para mim”, disse ela à ISTOÉ. “As pessoas têm prazer em me receber em suas casas.” Para conseguir o que precisa, Heidemarie usa o sistema de trocas. Na cidade onde vivia, na Alemanha, criou um espaço para esses intercâmbios em 1994. Foi a partir dessa experiência que decidiu, em 1996, passar um ano sem dinheiro. Vencido o período com êxito, Heidemarie se propôs a aumentar para mais 12 meses, até resolver prorrogar indefinidamente. Foi assim que doou tudo o que tinha, das roupas à casa, e restringiu todos seus pertences a uma pequena maleta com algumas roupas. 

Na trilha desses gurus da vida sem dinheiro, é possível encontrar discípulos menos radicais. Um deles é o espanhol Juan Manuel Sánchez, que, da cidade de Almeria, na Andaluzia, coordena o site SinDinero (de dicas sobre como reduzir os gastos), com 50 mil acessos semanais. “Vivo com 400 euros por mês. Pago aluguel, casa, luz, telefone, mas reduzo ao máximo minhas contas buscando lazer de graça e fazendo trocas para ter o que preciso”, disse à ISTOÉ. Cortar custos foi a maneira que encontrou para largar o trabalho, do qual não gostava, e ter mais tempo para si. Exemplo semelhante vem do fotógrafo Marco Aurélio Bastos, criador do Núcleo de Permacultura da Mantiqueira, em São Francisco Xavier. Envolvido com comunidades de autossustento desde a década de 80, ele vive bem com menos de um salário mínimo, gasto para comprar o que não produz, viajar e cobrir os custos de internet e celular. “Você tem de estar disposto a viver mais com o que tem no coração e menos com o que tem para comprar”, diz, numa linguagem própria dos desapegados.
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