domingo, 8 de abril de 2012

Babás brasileiras em NY podem ganhar mais do que MBAs


Gustavo Chacra - O estadão
08.abril.2012 11:09:53

Com uma média salarial variando de US$ 3 mil a US$ 4 mil por mês – e em alguns casos ultrapassando os cinco dígitos –, as babás brasileiras são disputadas por mães americanas e de outras nacionalidades em Nova York.
Suas vidas se parecem mais às do seriado de TV Supernanny, passado em Manhattan, que as de babás do filme História Cruzadas, sobre as domésticas negras que sofriam preconceito ao educar crianças brancas do Mississipi nos anos 1960. Elas viajam pelo mundo com os patrões e conseguem economizar em um ano o que demorariam uma década na mesma profissão no Brasil.
Uma delas, Zenaide Munetton, incendiou o mercado das nannies, como são chamadas em inglês, depois que seu salário de US$ 180 mil por ano, mais bônus de Natal, foi citado em artigo do jornal New York Times. Essa renda é quase o dobro do que ganham recém-formados em MBAs de universidades como Columbia e NYU.
Segundo patroas entrevistadas por mim, as brasileiras são consideradas mais talentosas, carismáticas e dispostas a colaborar com serviços domésticos e na educação das crianças do que rivais hispânicas. Algumas vivem com as famílias. Outras preferem ser profissionais liberais, trabalhando para diferentes pais. Há casos de babás tão bem sucedidas que chegam a contratar outra babá para cuidar dos filhos enquanto trabalham.
Há 30 anos nos Estados Unidos, Sonia virou exemplo para babás brasileiras de Manhattan. “Sempre trabalhei para a mesma família americana. Criei quatro crianças e, quando me aposentei, a mãe delas me deu um apartamento de presente.” Com o imóvel avaliado em cerca de US$ 1 milhão e o salário de três décadas, ela conseguiu educar os dois filhos, que vivem em Nova York, e dois sobrinhos órfãos no Rio de Janeiro. “Minha dica para as mais jovens é sempre perguntar aos patrões se pode mexer nas coisas da casa, levar nota de compras e manter boa aparência.”
Uma de suas pupilas é Jaque, apelidada de supernanny por causa do seriado de TV. Sempre sorridente e de uniforme colorido – em Nova York, roupas brancas e mesmo uniformes são raras em babás –, ela já trabalhou na área de marketing da indústria farmacêutica Merk e da companhia aérea Continental e passou por treinamentos em Houston, onde aprendeu inglês.
“Estudei Comunicação Social, tinha casa em Cabo Frio e um ótimo emprego, mas queria vir para Nova York”, afirmou, pedindo para omitir o sobrenome, como as outras, por não possuir documentos imigratórios. Ela acrescenta que não se arrepende nenhum minuto do privilégio de “ver a Nina e o Lucas crescerem”, referindo-se às crianças de quem cuida. Evangélica, diz que sua igreja acabou indiretamente a ajudando a conseguir o atual trabalho.
Nadir veio do Brasil com uma família que pagava apenas US$ 200 por mês. Ao perceber que estava sendo enganada, mudou de patrões. Depois de oito anos na mesma família, também pôde ajudar os filhos que deixou para trás. Hoje um terminou o doutorado em Biologia e o outro é chefe de cozinha em um restaurante no litoral norte de São Paulo. “Não me arrependo de ter vindo, mesmo ficando sem vê-los por tanto tempo. Caso contrário, não poderia ter proporcionado educação a eles”, afirma a brasileira, que conversa com Gabriel e Tadeu, seus filhos adultos, todos os dias pelo Skype. Além disso, ela adora Nova York e as viagens para o luxuoso balneário dos Hamptons.
Não é simples a vida dos pais brasileiros que precisam criar filhos em Nova York. Além de não ter parentes próximos para ajudar no dia a dia das crianças, os apartamentos são menores e, para completar, o salário das babás, somado ao preço das escolas particulares, produz gastos superiores a US$ 100 mil anuais em uma família com dois filhos vivendo em Manhattan ou no Brooklyn.
“Se você é solteiro e vai ao cinema, paga US$ 12 de ingresso e pronto. Já se for casado e quiser ir com o marido ou a mulher assistir a um filme, paga os dois ingressos mais US$ 20 por hora para a babá, que ficará quase quatro horas na sua casa. O programa, no fim, custa mais de US$ 100”, diz a advogada Paula Homor, mãe de dois filhos e mulher de um executivo austríaco.
Há casos de mães de classe média que pedem licença ou se demitem do emprego para cuidar dos filhos, deixando a carreira de lado, porque seus salários são equivalentes ou menores do que os das babás. “No Brasil, muitas pessoas de classe média têm babás. Aqui não é bem assim. É algo para os muito ricos. Por causa disso, muitas mães brasileiras de Nova York acabam insatisfeitas com o custo de ter alguém para cuidar os filhos e apelam para as babás de origem hispânica, que não possuem muitas vezes as qualidades das brasileiras, mas cobram menos”, afirma Paula.
Para Débora Duval, que tem babá três vezes por semana, “Nova York tem muitas pessoas ricas e isso eleva o poder de barganha das babás. Além disso, todos sabem do elevado custo de vida aqui. Os patrões precisam levar isso em conta.”
Tentativas de mães contratarem babás de amigas, inflacionando o mercado e provocando brigas, não são raras. As nannies também conversam entre si nos playgrounds de bairros como o Upper West Side e o Battery Park e hoje, especialmente no caso das brasileiras, sabem negociar salários.
O trabalho varia de acordo com o empregador. Babás e algumas patroas dizem que americanos não exigem que as nannies realizem outros serviços além de cuidar das crianças. Se o bebê dormir, a babá pode pegar uma revista e ler no sofá. Já a maioria dos brasileiros espera que ela cozinhe e limpe a casa. Casada com um americano, Débora Duval afirma que os homens dos Estados Unidos “não gostam de ver outra pessoa o tempo todo em casa”. A babá é para cuidar das crianças quando os pais não estão presentes.
Mas nem todas as brasileiras são tão bem sucedidas como as supernannies nos Estados Unidos. Muitas delas sofrem no início, principalmente por não falar inglês e estar distante da família. Outras acabam retornando ao Brasil ou continuam em Nova York, mas com remuneração menor. “Eu poderia ser uma dessas pessoas. Não conhecia ninguém em Nova York, passava frio e estava longe dos meus filhos com um salário menor do que o mínimo aqui”, conta Nadir, que não quis dar o sobrenome por estar ilegal no país. Por sorte, ela conseguiu mudar de emprego. “E eles pagaram até o meu curso de inglês.”

Hugo Chaves: “Não me leve aindap or que tenho muitas coisas a fazer”


Enviado por Merval Pereira - 
7.4.2012
 

As etapas

A dramática exortação a Cristo feita pelo presidente venezuelano HugoChavez, entre lágrimas, para que lhe dê mais tempo de vida – “Não me leve aindap or que tenho muitas coisas a fazer” – é o diagnóstico mais próximo dar ealidade que se pode ter num governo quase ditatorial onde as informações sobre a saúde de seu presidente são consideradas de “segurança nacional”. 
Essa obsessão pelo segredo pode ter custado a Chavez a chance de tratar o câncer que o acometeu de maneira mais profissional e com tecnología mais avançada. 
Visivelmente necesitando de apoio emocional, Chavez, que regressara de Cuba,onde se submetera a mais uma etapa de um tratamento que não vem dando resultados, disse que sentía vontade de revelar seus sentimentos mais íntimos, e contou: “Há anos comecei a asumir que tinha uma enfermidade muito maligna que marca o fim do caminho de muita gente”. 
Mesmo que tenha pensado que morreria logo, Chavez garantiu que se sente forte para continuar a lutar “porque há muitas razões”. 
A vinda ao Brasil, oficialmente para uma visita ao ex-presidente Lula, podea contecer tarde demais para que seja tratado no Hospital Sírio e Libanês, onde poderia ter sido internado desde o início da doença, não fossem as exigencias inaceitáveisque impôs na ocasião. 
O governo venezuelano queria interditar dois andares do Hospital Sírio e Libanês em São Paulo e colocar o Exército para tomar conta do hospital, revistando todos os visitantes. E ainda proibir a divulgação de boletins médicos. 
A falta de transparência na Venezuela e em Cuba, onde ele afinal foi se tratar, é tamanha que até o momento não se sabe oficialmente em que local do corpo de Chavez está localizado otumor originário. 
Sabe-se que poderia estar na “região pélvica”, mas não há mais detalhes. O máximo que se sabe, e assim mesmo por informações fragmentadas, é que se trata de um câncer "colorretal" que abrange tumores em todo o cólon, reto, e apêndice. 
As informações vazadas através de alguns twitters e na coluna do jornalista Nelson Bocaranda indicam que o tratamento em Cuba teve vários erros, até mesmo queimaduras na radioterapia, e por falta de equipamentos alguns exames tiveram, que ser enviados para hospitais no Brasil e até nos Estados Unidos. 
O jornalista venezuelano diz que uma equipe precursora já partiu de Caracas para preparar a visita de Chavez ao Brasil, e que ele se submeterá a um exame de scanner no Hospital Sirio eLibanês em São Paulo. 
Há, no entanto, grupos políticos ligados a Chavez que são contra a vinda dele ao Brasil, alegando as mesmas razões anteriores, de segredo e segurança. 
Na Venezuela, há a certeza de que no Hospital Sirio e Libanês o presidente venezuelano será melhor tratado, mas também que as informações sobre sua doença, até agora mantidas em segredo de Estado, serão reveladas em boletins médicos, mesmo que certas informações possam ser enquadradas no sigilo médico. 
O mais provável é que Chavez tenha sido convencido por Lula, com quem conversou pelo telefone sobre seu tratamento, a fazer alguns exames no hospital paulista e receber orientações, numa atitude de desespero diante da gravidade da doença, que tem resistido à quimioterapia e à radioterapia em Cuba. 
Há informações de que opresidente teve problemas intestinais devido à evolução da doença, já em processo de metástase. 
A questão central, no entanto,continua sendo a eleição de outubro. Numa corrida contra o tempo, Chavez tem seis meses até as urnas para tentar a reeleição, e está fazendo o possível e o impossível para manter-se em condições de enfrentar uma campanha eleitoral que certamente será a mais dura que ele já enfrentou. 
Embora sua popularidade aumente à medida que suas aparições na televisão se tornam cada vez mais emotivas,misturando a política com a fé religiosa, ele pode não ter tempo de vida útil. 
Sua reação à doença até o momento vem obedecendo a uma escala descrita por Elisabeth Kübler-Ross no que é conhecido como “o modelo Kübler-Ross” de reações a notícias trágicas ou doenças terminais, registrada no livro On Death and Dying (Sobre a morte e o morrer) de 1969, publicado no Brasil pela Editora Martins Fontes. 
Nem todas as pessoas afetadas passam pelas cinco etapas desse processo doloroso. A médica suíça que morreu em 2004 explicava que essas etapas não se sucedem necessariamente nessa ordem, e nem todos os pacientes passam por todas as etapas, mas todos passarão por pelo menos duas delas. 
Normalmenteas pessoas passam por esas etapas em um efeito que ela chamou de “montanha-russa”, indo de uma para outra diversas vezes até o desfecho. 
Na véspera de viajar para Cuba para os exames que confirmaram que tinha um novo tumor, em fevereiro, Chavez apareceu em público para afirmar que o câncer “se fora” de seu corpo. 
Assim como,quando regressou de Cuba depois da primeira operação, declarou-se “curado”. Essa é a primeira etapa, a da “negação”. 
A segunda etapa seria a “ira”, quando a pessoa se indigna com o que está acontecendo considerando-se injustiçada: “Como isso pode estar acontecendo a mim?”. 
A terceira etapa é a da negociação, que parece ser a em que está o presidente venezuelano a esta altura de sua tragédia pessoal. 
O apelo para que tenha mais alguns anos de vida para fazer o que falta é típico do indivíduo que tenta retardar o final. 
A “depressão” é a etapa seguinte, quando a pessoa começa a assumir a inexorabilidade da doença. A médica Elisabeth Kübler-Ross diz que essa etapa é importante de ser vivida pelo paciente, e não é recomendável que se tente tirar a pessoa da depressão. 

A última etapa seria a da “aceitação”.

A perpetuação da pobreza (por Drauzio Varella)


Por Drauzio Varella
As periferias das cidades brasileiras parecem umas com as outras: casas sem reboco, grades de segurança, fios elétricos emaranhados, vira-latas e criançada na rua. Há 13 anos faço programas de saúde para a televisão. Procuro gravá-los nos bairros mais distantes, por uma razão óbvia: lá vivem os que mais precisam de informações médicas.
Rocinha, a maior favela do País. Foto: Fábio Motta/AE
Esta semana, como parte de uma série sobre primeiros socorros, gravamos a história de um menino de 2 anos que abriu sozinho a porta do forno, subiu nela e puxou do fogo o cabo de uma panela cheia de água fervente. A queimadura foi grave, passou duas semanas internado no hospital do Tatuapé, em São Paulo. Situada na periferia de Itaquera, a casa ocupava a parte superior de uma construção de dois andares. Subi por uma escada metálica inclinada e com degraus tão estreitos, que precisei fazê-lo com os pés virados de lado.

A porta de entrada dava numa cozinha com o fogão, a geladeira, as prateleiras com as panelas e uma pequena mesa. Um batente sem porta separava-a do único quarto, em que havia dois beliches, um guarda-roupa e uma divisória de compensado que não chegava até o teto, atrás da qual ficava a cama em que dormiam o pai e a mãe.
Nesse espaço exíguo viviam dez pessoas: o casal, seis filhos e dois netos. Os filhos formavam uma escadinha de 2 a 17 anos; os netos eram filhos das duas mais velhas, que engravidaram solteiras. O único salário vinha do pai, pedreiro. Por falta de pagamento, a luz tinha sido cortada há dois meses, os 300 reais da dívida a família não sabia de onde tirar.
No fim da gravação perguntei à mãe, uma mulher de 38 anos que pareciam 60, por que tantas crianças. Disse que o marido não gostava de camisinha, e que a existência dos netos não fora planejada, porque “essas meninas de hoje não têm juízo”.
Na periferia do Recife, de Manaus, de Cuiabá ou Porto Alegre a realidade é a mesma: a menina engravida em idade de brincar com boneca, para de estudar para cuidar do bebê que já nasce com o futuro comprometido pelo despreparo da mãe, pelas dificuldades financeiras dos avós que o acolherão e pelos recursos que terá de dividir com os irmãos.
Na penitenciária feminina, quando encontro uma presa de 25 anos sem filhos, tenho certeza de que é infértil ou gay. Não são raras as que chegam aos 30 anos com seis ou sete. Não fosse o tráfico, que alternativa teriam para sustentar as crianças?
Já escrevi mais de uma vez que a falta de acesso aos métodos de controle da fertilidade é uma das raízes da violência urbana, enfermidade que atinge todas as classes, mas que se torna epidêmica quando se dissemina entre os mais desfavorecidos. Essa afirmação causa desagrado profundo em alguns sociólogos e demógrafos, que a acusam de forma leviana por não se basear em estudos científicos. Afirmam que a taxa de natalidade brasileira já está abaixo dos níveis de reposição populacional.
É verdade, mas não é preciso pós-graduação em Harvard para saber que as médias podem ser enganosas. Enquanto uma mulher com nível universitário tem em média 1,1 filho, a analfabeta tem mais de 4. Enquanto 11% dos bebês nascem nas classes A e B, quase 50% vêm da classe E, com renda per capita mensal inferior a 75 reais.
De minha parte, acho que faz muita falta aos teóricos o contato com a realidade. Há necessidade de inquéritos epidemiológicos para demonstrar que os cinco filhos que uma mulher de 25 anos teve com vários companheiros pobres como ela, correm mais risco de envolvimento com os bandidos da vizinhança do que o filho único de pais que cursaram a universidade? Convido-os a sair do ar condicionado para visitar um bairro periférico de qualquer capital num dia de semana, para ver quantos adolescentes sem ocupação perambulam pelas ruas. Que futuro terão?
A falta de acesso ao planejamento familiar é a mais odiosa de todas as violências que a sociedade brasileira comete contra a mulher pobre.

Charge do Alpino


Charge do Alpino


Com verba da Pesca, Ideli financiou plantação de mandiocas

Charge do Duke



Em nosso nome (por Miriam Leitão)


Enviado por Míriam Leitão - 
07.04.2012
COLUNA NO GLOBO


É tão asqueroso que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) absolva um homem acusado de estupro de três meninas de 12 anos com o argumento que elas se “prostituíam” que tentei evitar o assunto. Nós nos acostumamos a ver abusos assim pela Justiça de países distantes, como no Afeganistão, onde uma mulher foi presa pelo delito de ter sido estuprada. Esse ato nos igualou aos piores países para as mulheres.
Estupro é estupro senhores ministros e senhoras ministras do STJ. Isso é crime. Sexo de adultos com menores é crime. Nesse caso, há os dois componentes de uma perversidade. Quando um tribunal “superior” aceita atos tão inaceitáveis é o país como um todo que se apequena.
Há momentos em que não reconhecemos o país em que vivemos. Este é um deles. Não reconheço nesta decisão o país que aprovou a Lei Maria da Penha criminalizando a violência dita “doméstica”. Não reconheço aí o país em que governo e ONGs, sociedade e imprensa, se uniram num pacto não escrito contra a exploração sexual infantil. Não reconheço o país que aprovou o Estatuto da Criança e do Adolescente e o preservou contra todas as críticas. Não reconheço o país que instalou, em inúmeras cidades, delegacias da mulher, nas quais, com a ajuda de psicólogos e policiais, a vítima tem sido ajudada no doloroso processo de falar sobre a humilhação vivida.
O argumento de que elas se prostituíam, e, portanto, o réu pode ser absolvido, é preconceituoso. A prostituta mesmo adulta não pode ser forçada ao que não aceitou. Meninas que se prostituem aos 12 anos comprovam que o país errou, a sociedade não as protegeu, as escolas não as acolheram, o Estado fracassou. É uma falha coletiva e não apenas das famílias. Elas são vítimas por terem se prostituído, são vítimas porque foram violentadas, são vítimas porque um tribunal superior deu licença ao criminoso.
O Brasil está sendo condenado internacionalmente. Na quinta-feira, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos criticou o Brasil por estar “revogando” os direitos humanos das menores. Merecemos o opróbrio.
Não foi uma decisão impensada. Foi a confirmação pela Terceira Seção do Superior Tribunal de Justiça da decisão tomada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, que confirmava a sentença de um juiz. Era a terceira instância. No voto, a relatora ministra Maria Thereza de Assis Moura diz que as vítimas não eram “ingênuas, inocentes, inconscientes a respeito de sexo”.
Diante da repercussão nacional e internacional do assunto, o STJ, na quinta-feira, soltou uma nota dizendo que a decisão “não institucionaliza a prostituição infantil”. Pois parece. Por mais que em jurisdiquês se tente minimizar ou relativizar a decisão, em algum momento na frente, algum juiz, ou tribunal, recorrerá a este caso como jurisprudência. No nota, o STJ diz que não aceita as críticas que “avançam para além do debate esclarecido sobre questões jurídicas, atacam de forma leviana a instituição, seus membros, sua atuação jurisdicional”.
Que debate “esclarecido sobre questões jurídicas” poderia justificar tal disparate? Uma sociedade civilizada que sabe que é responsável pela proteção de pessoa vulnerável, que reconhece a violência que desde sempre se abate sobre mulheres, que combate a pedofilia, não pode aceitar uma decisão como esta. Perder-se em questiúnculas jurídicas é o caminho mais rápido para não ver a dimensão da escolha que está sendo tomada em nome da sociedade brasileira. Eu, brasileira, confesso, me envergonho dela.
Como hoje é dia do jornalista, quero comentar nesse espaço outra decisão — com nenhuma relação com o caso acima — que foi tomada em nome da sociedade. Desta também me envergonho. O Brasil ficou contra um plano de ação da ONU contra mortes de jornalistas. O projeto era criar um sistema de vigilância e alerta para os profissionais em risco.
É óbvio que é preciso proteger os jornalistas que acabam morrendo em conflitos nos quais estão registrando os fatos. Há outras circunstâncias, mesmo quando não há um conflito, em que o jornalista vira vítima por incomodar alguém, ou um grupo, com o que noticia. O Brasil se juntou à Índia e ao Paquistão para derrotar a aprovação do plano de ação da ONU.
A notícia foi divulgada na semana passada, mas tomada numa reunião do dia 22 e 23 de março, em Paris. Como os três países não deram seu apoio imediato, a implantação do programa de proteção aos jornalistas ficou para 2013. Quase mil jornalistas foram mortos nos últimos 20 anos.
O Itamaraty costuma embrulhar decisões equivocadas em tortuoso diplomatês. Afirma que não discorda do mérito, mas da forma que foi negociado, ou de alguma vírgula, ou de algum termo. Nesse caso, disse que não é contra o plano para proteger jornalistas, apenas não concordou com certas palavras e expressões usadas no texto. Que os diplomatas então tirem a dúvida durante o processo de negociação, que saibam separar o essencial do supérfluo e que escolham o que parece natural.
O país no qual comecei a exercer a profissão tinha censura à imprensa e jornalistas podiam morrer sob tortura por discordar do regime. Hoje, felizmente, isso é passado. Exatamente pelo avanço das últimas décadas, o Brasil tem que estar ao lado de países que querem dar mais — e não menos — proteção aos jornalistas.
Os dois casos estão em esferas diferentes, mas neles se vê o mesmo erro. Autoridades se perderam em firulas — jurídicas, num caso; diplomáticas, no outro — e não viram toda a dimensão da decisão que tomaram em nome dos brasileiros.

Corretor de imóveis: descubra os segredos de uma mostragem de imóveis


Postado por o
O mercado imobiliário é um dos setores que mais se desenvolvem no país e tem atraído profissionais das mais diversas áreas de atuação. E em um segmento tão democrático como esse, garantir um diferencial competitivo se torna fundamental para o corretor de imóveis que quer ser da tropa de elite.
Conversando com vários colegas de profissão cheguei à conclusão de que um dos grandes desafios do corretor de imóveis, hoje, é conquistar o cliente na hora da visita a um empreendimento. Você concorda? Por isso, no artigo de hoje irei abordar algumas dicas de como se tornar um especialista na arte da mostragem de imóveis. Vamos aprender e crescer juntos.
Primeiramente, o corretor de imóveis precisa entender que a mostragem de um imóvel não se inicia na visita ao empreendimento. Esse momento deve ser precedido por um planejamento e começa na escolha de qual imóvel apresentar ao cliente.
Por exemplo, em um atendimento é identificado que o orçamento atual do cliente permite que ele adquira um imóvel até o valor de R$ 100mil. O corretor de imóveis nesse momento deve ser estratégico. Ao invés de apresentar três imóveis muito idênticos que se aproximam desse valor, vai olhar em seu banco de dados os empreendimentos que tenham características distintas.
Sendo assim, ele vai sugerir para o cliente um apartamento com área de lazer, outro sem área de lazer e ainda um com área de lazer, mas que está próximo ao mar. A partir da escolha do cliente, o corretor vai mapear o perfil desse potencial comprador.
Essa estratégia é fundamental, pois muito mais do que vender um imóvel para morar ou para investir, o corretor precisa estar atento à motivação de compra desse cliente. É esse diferencial que proporcionará ao profissional da intermediação a criação de um relacionamento com o seu cliente, de uma sintonia visando o envolvimento para que a compra seja fruto de um processo tranquilo, confiável e seguro e que garanta a satisfação do cliente.
É necessário saber ler cenários, percebendo que cada tipo de empreendimento sugerido nesse exemplo revela uma característica específica de um cliente: se ele dá valor ao lazer, se é adepto à prática de esportes, se pensa em oferecer uma maior qualidade de vida e segurança para o filho, entre outras análises que podem ser feitas a partir da identificação da motivação de compra.
Diante disso, em um processo de mostragem, os detalhes fazem toda diferença. Portanto, esteja sempre preparado para uma visita, pois elas podem acontecer sem o corretor estar esperando.
Preze pela limpeza, organização, ventilação e iluminação das unidades que estão aptas para receberem um cliente. Lembre-se de que o ser humano é fortemente influenciado pelo visual e mesmo que possa parecer clichê, a primeira impressão é a que fica. Logo, conquiste o seu cliente de primeira, pois você pode não ter outra oportunidade para isso.
Gostaria de chamar uma atenção especial para a mostragem de um imóvel que é fruto de atendimento por telefone, pelo fato do cliente não conhecer o profissional ao qual ele confiará a intermediação da realização de um desejo.
Aqui nós temos um elemento que poderia se transformar em uma barreira, mas que eu vejo como uma oportunidade de proporcionar um relacionamento diferente. Utilizo uma técnica e gostaria de compartilhá-la com você.
Eu marco a visita ao empreendimento com o cliente e estabeleço um ponto de referência para nos encontrarmos no horário previamente estabelecido. Porém, como parte da técnica, eu chego mais cedo do que o combinado e fico admirando, posso dizer até mesmo namorando o imóvel que irei apresentar ao cliente.
Nesse processo eu identifico no empreendimento um ponto que pode ser explorado no momento da argumentação. Quando o cliente me encontra admirando o imóvel e pergunta se eu sou corretor, eu até demoro uns três segundos para responder. É como se estivesse hipnotizado com o que estou vendo no local. Daí, eu prontamente exalto a característica do imóvel e depois me apresento como corretor.
Dessa forma, o corretor irá mostrar para o cliente o seu envolvimento com aquela venda e vai transferir isso para o atendimento. Essa é uma técnica que utilizo, mas cada corretor de imóvel pode encontrar a sua maneira ideal de inspirar o seu cliente. Isso vai depender do comprometimento de cada profissional com o seu planejamento de trabalho. #ficadica
Além disso, independente do modo que a mostragem tenha sido originada, por telefone ou pela visita do cliente à imobiliária ou a um escritório, o corretor de imóvel deve saber trabalhar um conceito ampliado de compra. O que está à venda não são simplesmente lajotas e concreto, é preciso saber vender o conjunto de elementos que está ao redor do empreendimento.
Destaque os aspectos relacionados à arquitetura do local, à logística, às facilidades de mobilidade urbana, entre tantos outros que um imóvel pode oferecer. Se esse empreendimento está localizado próximo à praia ou a uma padaria, por exemplo, faça a experiência de caminhar com o seu cliente até esses locais para ele sentir as vantagens de se adquirir determinado imóvel, que vão além das características físicas do empreendimento.
É lógico que essa experiência só poderá ser feita se o cliente tiver tempo para isso e se o corretor identificar no perfil e na motivação de compra desse cliente que esses elementos são importantes. Por isso, o profissional da intermediação não deve ter a venda puramente como foco e sim o seu cliente, com isso o negócio será uma consequência desse atendimento diferenciado.
O cliente precisa ver o imóvel a partir do olhar do corretor de imóveis. Sendo assim, muitas vezes o profissional da intermediação precisará ser vários em um só, assumindo o papel de arquiteto, decorador, babá, dona de casa, e o que mais for preciso.
Tudo isso para proporcionar ao cliente a sensação de já estar usufruindo do imóvel, percebendo ali o seu dia a dia como se a sala comercial, o apartamento ou que está sendo apresentado já fosse seu, chegando até mesmo ao ponto de vislumbrar o imóvel mobiliado.
Para isso, é necessário conhecer bem o imóvel que será apresentado ao cliente, exaltando os pontos fortes do empreendimento, mas sem esquecer os possíveis fatores fracos que esse imóvel possa oferecer. O corretor deve estar preparado não só para as qualidades como também para as fraquezas de um negócio, estando apto para responder com confiança às objeções do cliente.
O corretor deve estar atento aos sinais que o cliente emite, às suas expressões corporais, ao tom da fala, a quem o está acompanhando – se esse cliente está com o filho, se é o esposo quem decide a compra, se a esposa é quem tem a iniciativa. Esses elementos direcionarão os assuntos que pautarão a mostragem e o comportamento do corretor.
E para finalizar a mostragem nunca pergunte se o cliente gostou, e sim do que ele mais gostou.  Serão esses fatores identificados pelo cliente que deverão ser exaltados e valorizados pelo corretor de imóveis, conduzindo a visita ao empreendimento para o fechamento do negócio.
O processo de mostragem deve ser programado e planejado, caso contrário o corretor de imóveis será simplesmente um mostrador de imóveis e não um gestor de negócios.
Deixo para reflexão esse pensamento de Ram Charam: “qualquer que seja sua estratégia, qualquer que seja seu negócio, comece de trás para frente. Comece pelo consumidor”. Sucesso em seus negócios.
E você, identificou alguma dessas características no seu processo de mostragem de imóveis? Como você tem se preparado para esse momento? Você também pode contribuir para o crescimento e valorização do mercado imobiliário compartilhando conosco a sua experiência. Opine e participe.