Posted: 02 Mar 2017 04:23 AM PST
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Os desfiles das escolas de samba atraem visitantes do mundo inteiro, encantados com o samba e as cores das fantasias. Poucos se questionam sobre a origem de tantas plumas e penas que adornam os corpos das musas dos desfiles. Segundo informações do site ANDA, as escolas ainda não abrem mão destes adereços, símbolos do carnaval.
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Ao que parece, as alas comuns já usam penas e plumas artificiais. O problema está nas rainhas e madrinha de bateria, que precisam de fantasias mais luxuosas, glamorosas. Infelizmente, como elas saem na mídia, buscam os materiais mais nobres, de origem animal, como o faisão ou o avestruz. Os avestruzes, por exemplo, são mantidos em confinamento e vivem aproximadamente 40 anos, durante os quais têm uma retirada anual das plumas.
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Geralmente, quando se toca no assunto da procedência das penas, os responsáveis pelos adereços luxuosos dizem que as penas caem naturalmente e são recolhidas durante todo o ano. Não é nada disso! Eles arrancam as penas com um método conhecido como “zíper” em que as aves são levantadas pelo pescoço, as pernas amarradas e então as suas penas são arrancadas manualmente e a seco. Este processo provoca dor, sofrimento e as deixa expostas ao sol e a infecções graves. A luta dos animais durante este processo chega a provocar fraturas. É muito triste que as penas destas aves sejam uma verdadeira “mina de ouro”: uma única pena de faisão, por exemplo, pode chegar a custar R$ 100.
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Este processo começa quando os animais têm 10 semanas de idade e se repete em intervalos de quatro a seis semanas até a exaustão, quando as aves são mortas ou são alimentadas à força para a indústria de foie gras. A indústria considera que as penas arrancadas de aves vivas têm melhor qualidade, e o processo, mais econômico, uma vez que as aves podem ser depenadas inúmeras vezes antes de serem mortas.
Os maiores produtores de acessórios de penas são a Hungria, a China e a Polônia, e todas as três utilizam o processo de colheita em animais vivos. 80% da penugem e das penas do mundo vem da China (para variar!).
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FONTE: Diário de Biologia
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Em 1995, decidir morar nos Estados Unidos. Vendi minha moto, comprei a passagem e, com 80 dólares no bolso, desembarquei no aeroporto JFK, em Nova York. Mas a vida nos EUA não era nada do que eu havia imaginado. Sofri muito no começo. Trabalhava na construção civil quinze horas por dia, sete dias por semana. Emagreci muito. Conforme aprendia o idioma, abri minha própria empresa de instalação de pisos de madeira e comecei a ganhar dinheiro. A cada dois anos, eu vinha visitar a família para matar a saudade.
No fim de 2001, depois do atentado às torres gêmeas, o cerco apertou. Havia blitze por todos os lados. Resolvi passar uma temporada no Brasil até as coisas se acalmarem. Em março de 2002, quando desembarquei de volta em NY, fui deportado.
Toda a minha vida estava nos Estados Unidos. Meu carro, minhas roupas, minha empresa. Por isso eu decidi entrar pelo México. Desembarquei no aeroporto de Guarulhos e nem voltei para minha cidade, Buritama, no interior de São Paulo. Comprei uma passagem para a Cidade do México e embarquei sem ter a menor ideia do que iria acontecer.
Nenhuma obra de ficção consegue descrever o horror que é essa travessia. Da capital mexicana, peguei o ônibus para uma cidade na fronteira chamada Reynosa. Logo na entrada da cidade, policiais mexicanos pararam o ônibus, viram que eu era estrangeiro e queria atravessar a fronteira. Aquilo é uma máfia. Fui levado para uma sala sem cadeira nem banheiro. Depois de dar 100 dólares para cada policial, ganhei água gelada, cadeira, ventilador. Os próprios policiais me levaram até o centro da cidade e me mandaram procurar um homem com uma flanelinha vermelha. Esse rapaz me levou para um sobradinho sujo de dois quartos e um banheiro, onde já estavam umas cinquenta pessoas.
No meio da segunda noite, um mexicano acordou todo mundo gritando “Vamos! Sem mochila! Sem mochila!”. Para não ser confundido com traficante, tive que deixar para trás minhas roupas, câmera fotográfica, perfume e outros objetos pessoais.
Cinco caminhonetes nos deixaram no meio de uma estrada. Acompanhados de três “coiotes”, caminhamos no escuro em fila, dentro de um pasto, por quatro horas até um rio de uns 80 metros de largura, com uma correnteza forte. Fiquei preocupado, porque nosso grupo tinha idosos e crianças. Cada um ganhou uma câmara de pneu e um saco de lixo para guardar as roupas. Fazia muito frio. Na outra margem do rio, vi passaportes jogados no chão e corpos de pessoas que haviam se afogado. O cheiro de corpos em decomposição era forte.
"Na outra margem do rio, vi passaportes jogados no chão e corpos de pessoas que haviam se afogado. O cheiro de corpos em decomposição era forte"
Depois de mais quatro horas andando e escalando cercas, alcançamos a cidade americana de McAllen. Fomos levados para uma casa grande, afastada da cidade, onde estavam umas 100 pessoas. A fila do banheiro era enorme. Ninguém podia sair da casa, porque a cidade é muito pequena e a polícia sabe quem é imigrante.
A casa era uma espécie de QG dos “coiotes”, que escolhiam alguns para fazê-los de reféns. Eles obrigam os imigrantes a ligarem para a família pedindo 5.000 dólares e não deixam a pessoa sair da casa enquanto não recebem. Um goiano estava preso na casa havia quatro meses porque a família não tinha dinheiro para mandar.
Saímos da casa no meio da madrugada, em caminhonetes que levam até o meio do mato. O grupo teve que andar 140 quilômetros por três dias e duas noites. Cada pessoa tem que escolher entre levar uma lata de comida ou um galão de água. Foi um sofrimento horrível. Andamos dia e noite, sob o sol quente, em um lugar cheio de carrapato, cobras venenosas. Nesse trecho também vimos corpos em decomposição, de imigrantes que foram picados por cobras e ficaram pelo caminho. No meu grupo havia um idoso bem magrinho que eu carregava nas costas quando ele não aguentava andar. As crianças tomavam remédio para dormir e os pais levavam no colo.
Quando finalmente chegamos em Houston, cada um seguiu sua vida. Eu peguei uma van que iria até Massachusetts e passei mais dois dias na estrada. Minha família e meus amigos ficaram uma semana sem notícias minhas. Quando consegui falar com eles, não sabia se ria ou se chorava.
Depois de cinco anos dessa experiência que eu nunca vou esquecer, e sem poder visitar a família, a saudade do Brasil apertou demais e eu voltei para minha terra natal. Morro de vontade de voltar para os Estados Unidos, mas nunca mais dessa forma.
Depoimento colhido por Daniela Macedo
Foto por Célio Messias/VEJA.com
Foto por Célio Messias/VEJA.com





