quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Por que os americanos não tiram férias?


Os americanos possuem menos tempo de férias, quando possuem. Mas a que isso está relacionado?


 Geison Silva
Em uma discussão em busca para se saber por que o os americanos não têm muito tempo de folga ou muitas vezes não tem férias, o jornal americano NYTime.com abriu uma seção de debate para examinar essa questão. Mas antes de falar sobre isso, vamos verificar qual a cultura de férias em outros países.
Na Coreia do Sul, de acordo com estudo da Mercer, o tempo de férias pode chegar a 19 dias para trabalhadores com mais de 10 anos de carreira. Enquanto que, no Canadá, os trabalhadores possuem direito a 2 semanas corridas por ano, e em países como Alemanha, Brasil e França a quantidade pode chegar a 30 dias de férias por ano.
Na página de opinião “Room for Debate” do NYTimes.com John de Graaf, diretor executivo de Take Back Your Time, destaca a não casualidade de os Estados Unidos serem chamados de "no-vacation nation" (nação sem férias em uma tradução livre). Esse fato pode ser atribuído ao medo que os profissionais têm do momento econômico difícil, fazendo com que alguns se sintam preguiçosos quando tem descanso e trabalhando mais para não ficarem sem seus postos de trabalhos. Outros, acham que é perca de tempo tirar férias, pois ao retornar da diversão e do lazer, haveria de enfrentar o trabalho acumulado. Já Ellen Bravo, destaca que o problema vem da noção de que o tempo livre é apenas um benefício adicional que pode ou não ser concedido pelo empregador, baseado na sua bondade e/ou capricho.
Também, há o fato de que as pessoas estão optando por perder suas férias, pois acreditam que sucesso advém do trabalho duro, sendo assim compensado. Em sua pesquisa, Adam Okulicz-Kozaryn, que é professor assistente de políticas públicas na Universidade de Rutgers, mostra que americanos que trabalham mais de 40 horas por semana são mais felizes do que aqueles que trabalham menos porém, vale ressaltar, isso não é uma receita para o sucesso econômico. Já os europeus são diferentes pois, segundo a pesquisa de Adam eles preferem optar por mais tempo de lazer e consequentemente, os que trabalham mais de 40 horas por semana são menos felizes do que aqueles que trabalham menos.
Então, podemos destacar que o sentimento da necessidade de férias pelo trabalhador está totalmente relacionado a fatores sociais, culturais e econômicos e, portanto, os americanos, assim como em outros países, optam por trabalhar mais.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Não está reconhecendo? É uma das piscinas da Rio 2016 apenas 4 meses após as Olimpíadas

ESPORTE


Eis o legado olímpico do Rio de Janeiro
A imagem acima foi feita por Pilar Olivares, da Reuters. E publicada no espanhol La Vanguardia. Não está reconhecendo? Como não? Essa é a piscina de aquecimento da Rio 2016, usada pelos nadadores que participaram da última edição dos Jogos Olímpicos – atenção – há apenas seis meses.
Na verdade, a deterioração foi ainda mais rápida, uma vez que a versão paralímpica do evento ocorreu há apenas quatro meses.
A matéria completa detalha ainda mais o estrago no parque aquático, e dá uma boa atenção à situação do Maracanã, vítima inclusive de saques.
É preciso lembrar que recursos públicos foram torrados aos bilhões de dólares no evento. Tudo isso mesmo após os alertas de que seria um péssimo investimento.
Que o Brasil aprenda a lição.
Fonte: La Vanguardia

A defesa do indefensável - por Marcel Van Hatten


A defesa do indefensável
Estou acostumado a sofrer ataques de representantes e seguidores da esquerda. Afinal de contas, durante muito tempo essas pessoas que hoje atacam foram tidas como autoridades que não poderiam ser confrontadas. Agora que a população brasileira conseguiu identificar que o discurso político dos eleitos pela esquerda é uma grande falácia, a agressividade passou a ser a única ferramenta capaz de convencer a militância de partidos como PT e PSOL a seguirem com narrativas pouco críveis como a de que houve um golpe no Brasil para que houvesse o impeachment de Dilma Rousseff.
O texto prossegue sugerindo que todos os que foram às ruas seriam simples “patrocinados” por quem tem interesses partidários ou até econômicos, pois seria impossível o povo estar insatisfeito com os governantes supostamente maravilhosos que guiavam o Brasil para o primeiro mundo. Será mesmo? É claro que não. Milhões de pessoas foram às ruas para expressar espontaneamente a sua insatisfação com o altíssimo desemprego, com o descontrole da inflação, com a identificação dos políticos dos mais altos cargos com líderes populistas, ditadores de nações símbolo do atraso, com os escândalos de corrupção, com a mentira contada nas eleições presidenciais.
Tudo isso, claro, é omitido por quem faz uma defesa sem argumentos sólidos, por quem não consegue aceitar o fato de que o castelo de areia que estava sendo construído, desmoronou. A prova disso é o pleito de 2016, já pós-impeachment, que tirou o PT da liderança na soma total de votos para rebaixá-lo para a oitava e última colocação dentre os maiores partidos do país nas eleições municipais. 
Isso não diz nada? Já passou da hora de esquerdistas deixarem sonhos adolescentes de lado, de pararem de colocar a culpa do mundo somente onde há capitalismo. O discurso politicamente correto – abandonado apenas na hora de atacar opositores políticos – está sendo questionado pelo mundo afora e a esquerda continua agindo da mesma maneira, como se ainda estivesse na crista da onda.
Se tiverem dúvidas sobre quais países devemos ter como modelo, basta consultar o índice de liberdade econômica da Heritage Foundation, que coloca o Brasil na vergonhosa 122ª colocação. O índice faz uma comparação que leva em consideração aspectos como aplicação da lei, atuação do governo, qualidade de serviços públicos, e vários outros pontos importantes para a qualidade de vida do cidadão. Na América Latina, o Chile é o país que melhor figura no ranking, enquanto Venezuela e Argentina, parceiros tão bem quistos pelos governos petistas, ocupam as posições 169 e 176, respectivamente – aqui vale lembrar que o ranking é feito com 178 países, e Cuba e Coréia do Norte ocupam as duas últimas colocações. 
A política deve ser feita com acompanhamento diário dos fatos, sem paixões irracionais, com participação e proposições realistas. Mentiras, nesta época em que a informação corre sem qualquer controle via internet, podem enganar alguns poucos, mas tendem a ser desmascaradas e terem efeito inverso ao pretendido pelo mentiroso.


MARCEL VAN HATTEM – Cientista Político e Deputado Estadual

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Viver é mais do que ter dinheiro



Eu estava fazendo 15 anos e nada tinha saído como eu imaginava. Havia planejado uma festa com todos os meus amigos de uma vida inteira (aos 15 anos a gente pensa que já viveu uma eternidade). Tinha escolhido o salão e encontrado a costureira que faria a cópia exata do vestido que arranquei de uma página da “Capricho”. Sabia quais músicas iriam toc
ar, com quem eu dançaria a valsa. Estava tudo certo alguns meses antes, se não fosse por uma série de imprevistos daqueles que o mundo maduro nos empurra goela abaixo. Que se danem as suas expectativas. A vida, quando tem que dar rasteira, não pensa na faixa etária.
Eu sei que no dia do meu aniversário não teve festa. Eu estava em outra cidade, em uma casa que não era minha, sem amigos, sem vestido, sem príncipe e sem dinheiro. Meu pai teve a hombridade de me levar para almoçar e nós tivemos a nossa primeira conversa franca. Ele dissertou sobre a vida, sobre o valor da família e a importância de estarmos juntos naquela data tão especial, mas a minha maturidade emocional ainda estava em construção. Eu confesso que não tinha a menor condição, nem mesmo espiritual, de assimilar aquele organograma de valores. Mesmo diante do meu esforço pífio para compreender, ele seguiu me dando explicações. Pôs a culpa nele mesmo e no diploma que ele não tinha porque precisou trabalhar mais quando os filhos vieram.
Todo aniversário era assim, eu podia fazer o que quisesse, e nesse ano não foi diferente. Papai fez questão, apesar das restrições orçamentárias. Pediu uma porção de batatas fritas só para mim. Nos embriagamos de Coca-Cola e, entre um suspiro e um gole de frustração, ele me deu de presente uma lição: “Um dia você vai entender que para o mundo não importa o que você é, e sim o que você tem”. Já se passaram mais de 15 anos e eu nunca me esqueci disso. Também não me esqueci dos olhos marejados do meu pai e de tudo que ele me disse. Tive a impressão que ele engoliu as piores palavras junto com o refrigerante.
Que se dane a minha festa de quinze anos. Eu não morri por causa disso. Mas tem gente morrendo porque precisa comprar um remédio que custa a metade de um salário mínimo. O meu pai morreu se desculpando pelo que ele não pôde me dar. Eu preferi guardar comigo tudo o que ele me deu. Me lembro não só da minha primeira bicicleta, Caloi Ceci, cor-de-rosa, que ele comprou sem saber como ia pagar, mas me lembro, principalmente, dele me ensinando a andar sem as rodinhas, e do momento em que olhei para trás e meu pai chorava ao me ver pedalar sozinha.
Muita gente demora a entender que nós precisamos de dinheiro, mas necessitamos, também, de bons momentos. Alguns nunca chegam a assimilar isso. Meu pai se foi acreditando que a pessoas se aproximavam dele pelo que ele tinha, e se afastavam pelo que ele deixou de ter. Uma pena que eu não tive tempo de lhe dizer que o melhor da vida não se compra. O amor é isso. Impagável, intransferível, indispensável, imprescindível. Eu reconheci o amor nos olhos do meu pai quando ele me ensinou a andar de bicicleta…

Conclusões sobre as greves de PMs



Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Paulo Chagas

Caros amigos: É fácil comprovar, e nunca é demais repetir, que o fim do Regime Militar ensejou o início de um estudado e deliberado clima de libertinagem que nos conduziu, ao longo dos últimos 30 anos, à exacerbação do desmando, da corrupção, da impunidade e da compensação do crime, fazendo com que chegássemos, nos dias de hoje, ao caos e ao império da criminalidade.

O primeiro marco temporal dessa planejada “evolução” foi a promulgação da nossa Constituição “Cidadã” - aglomerado de direitos deliberadamente dirigidos aos “cidadãos” portadores da “necessidade especial” de protegerem-se da ação coercitiva do Estado.

Desde antes da chegada do PT ao poder - etapa fundamental de um plano totalitário, comunista, elaborado pelos integrantes do Foro de São Paulo - além da crescente libertinagem, falsamente apresentada como “liberdade”, procedia-se a uma inescrupulosa campanha de demonização, desmoralização e cooptação das FFAA e das Polícias Militares, procedimento fundamental para o sucesso do plano.

A criação da Comissão Nacional da Verdade e a criminalização da ação policial militar face à violência crescente da bandidagem, cada vez mais estimulada a organizar-se, são evidências dessa componente do plano.

O fim da influência do Exército sobre as PM – Forças Auxiliares – com o esvaziamento da Inspetoria Geral das Polícias Militares (IGPM), cedeu terreno para que o Poder Político ocupasse esse espaço e buscasse transforma-las em milícias a serviço dos interesses políticos e ideológicos dos governos estaduais. A promoção de um Major a Coronel, contrariando todas as regras de promoções, para em seguida nomeá-lo Comandante Geral da Brigada Militar, durante o governo de Tarso Genro, no Rio Grande do Sul, é o exemplo mais gritante dessa nefasta “evolução”.

A ditadura do “politicamente correto” e a hipocrisia dos defensores dos “direitos humanos” tolheram a tal ponto a atuação das PM que chegamos à nunca imaginada marca das 60 mil mortes violentas por ano e, no mesmo período, ao recorde mundial de assassinatos de policiais.

Em que pese à ilegalidade, à inoportunidade e aos resultados fatídicos da atual greve da PM do Espírito Santo - que transformou o estado em área liberada para todos os tipos de crimes -, a sua ausência nas ruas deixou comprovada a sua eficiência na contenção do índice de criminalidade intencionalmente estimulado pelo plano macabro de poder da esquerda revolucionária, liderada pelo Partido dos Trabalhadores.

A forma escolhida pelos Policiais Militares para sensibilizar o governo do Estado para a sua degradante situação salarial é também reflexo da perniciosa politização de seus quadros mais graduados, porquanto a hierarquia, a disciplina, o sentido da autoridade e a tradição – pilares de qualquer organização que se quer militar - são fatores que asseguram, além do amor próprio e do espírito de corpo, a confiança nos chefes, selecionados por seus méritos pessoais e profissionais para o exercício do Comando e para assegurar os interesses corporativos de quem diariamente arrisca a vida para cumprir o seu dever.

O ingrediente mais importante da liderança bem sucedida é a confiança.
Um líder militar é alguém que identifica e busca, a qualquer custo, a satisfação das necessidades legítimas de seus liderados. A autoestima é fundamental para a eficiência dos soldados e inclui a necessidade de sentir-se valorizado, tratado com respeito, apreciado, encorajado, tendo seu trabalho reconhecido e justamente recompensado.

A autoridade do Comandante se estabelece quando há a certeza de que ele serve aos subordinados e sacrifica-se por eles, pela instituição e pelo compromisso de todos com a nobreza da missão, acima de qualquer interesse pessoal.

O lamentável episódio, além das conclusões acima e de muitas outras que o estudo minucioso do caso possam trazer, permite, em particular, enaltecer o exemplo de prontidão das FFAA brasileiras para acudir a sociedade em perigo em quaisquer circunstâncias e locais do território brasileiro, põe em dúvida o custo benefício da manutenção de uma Força Nacional de Segurança Pública nos moldes atuais e, por fim, mas não por último, prova o desserviço à segurança pública e pessoal causado pela lei do desarmamento dos homens e das mulheres de bem, diante da impossibilidade de desarmar os criminosos, este sim, um efetivo atentado aos direitos humanos dos humanos direitos!


Paulo Chagas é General de Brigada R-1.

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Escândalo da merenda faz 1 ano sem punição


Danilo Verpa/Folhapress
O presidente da Assembleia Legislativa de SP, Fernando Capez, presta depoimento na CPI da Merenda, que investiga fraudes em contratos
O presidente da Assembleia Legislativa de SP, Fernando Capez, presta depoimento na CPI da Merenda

Um ano depois de deflagrada a Operação Alba Branca, para apurar desvios e fraudes na compra de suco para merenda escolar em São Paulo, as investigações prosseguem no Ministério Público, sem denúncias ou arquivamento em relação aos contratos com o governo Alckmin (PSDB). Ninguém foi punido até agora.
A Alba Branca veio a público em 19 de janeiro do ano passado, quando membros da Coaf (Cooperativa Orgânica Agrícola Familiar), de onde partiu a investigação, acusaram políticos de receber propina para liberar contratos com o governo e municípios.
Detidos, os então integrantes da Coaf disseram em depoimento que, nos contratos relativos ao Estado (de R$ 11,4 milhões), a propina foi negociada com ex-assessores do gabinete do presidente da Assembleia Legislativa, Fernando Capez (PSDB). Todos negam participação em crimes.
Como a maior parte do dinheiro usado para comprar produtos da agricultura familiar tinha origem federal, a apuração da Alba Branca referente às prefeituras foi para o Ministério Público Federal.
Já a parte referente a Capez ficou com a Procuradoria Geral de Justiça do Ministério Público de São Paulo, porque ele tem foro especial.
Por correlação, a Procuradoria ficou incumbida de investigar também todos os suspeitos ligados às fraudes nos contratos com Estado, como ex-assessores de Capez, um cunhado dele, ex-membros do governo e um lobista.
A última medida da Procuradoria em relação a Capez foi o pedido de quebra de seu sigilo. As informações bancárias, como é usual, levaram meses a chegar e, segundo a Folha apurou, não revelaram movimentações suspeitas nas contas em nome dele.
Já nas contas de dois ex-assessores do gabinete do deputado, Jéter Pereira e José Merivaldo dos Santos, foram encontrados valores que aparentemente não condizem com os proventos deles.
Na de Pereira, por exemplo, havia um depósito em dinheiro de R$ 34 mil em 2015, de um total de R$ 122 mil suspeitos. Em contas de Merivaldo são apontadas movimentações estranhas de cerca de R$ 500 mil em 2015 –boa parte de depósitos em dinheiro.
Agora, conforme a Folha apurou, a investigação deve rastrear o destino do dinheiro após passar por essas contas.
O delator Marcel Ferreira Julio, apontado como lobista da Coaf, afirmou que a propina era negociada e paga aos ex-assessores, mas que parte iria para Capez quitar despesas de sua campanha de 2014.
Entre pessoas ligadas à investigação, já é dada como certa a denúncia à Justiça contra os dois ex-assessores, além do lobista Marcel –que deve usufruir de pouco ou nenhum benefício em função de sua delação, porque não entregou provas que ajudassem.
Se a Procuradoria decidir arquivar o caso em relação a Capez, os ex-assessores e o lobista ganharão tempo, porque todo o processo terá que ser remetido para o Ministério Público Federal –já que não haverá mais ninguém com foro especial.
Enquanto isso, Pereira e Merivaldo já foram alvo de sindicância na Assembleia, mas ainda não foram punidos administrativamente. Em tese, podem até ser desligados do serviço público, mas a Casa arrasta uma tomada de decisão há meses.
Ainda na Assembleia, o Conselho de Ética arquivou na quarta (8) uma representação contra Capez. Em 15 de março, haverá eleição para o novo presidente da Casa. Capez deve ser substituído por outro tucano, Cauê Macris.
CRONOLOGIA
19.jan.2016 - Polícia Civil e Ministério Público deflagram a Operação Alba Branca para investigar fraudes em contratos da cooperativa Coaf com o governador Geraldo Alckmin (PSDB) e prefeituras. Suspeitos citam Fernando Capez (PSDB), presidente da Assembleia, entre outros
21.jan.2016 - Cássio Chebabi, ex-presidente da Coaf, faz delação premiada e acusa Capez e o deputado federal Baleia Rossi (PMDB-SP) de envolvimento. Eles negam
5.fev.2016 - Procuradoria-Geral de Justiça pede quebra de sigilo do tucano, de ex-assessores de seu gabinete e de dois ex-membros do governo Alckmin
30.mar.2016 - Apuração paralela da Corregedoria Geral da Administração, ligada ao governo, diz que, apesar de ter falhas na contratação da Coaf, não houve corrupção
31.mar.2016 - Lobista Marcel Julio se entrega à polícia. Fecha acordo de delação e diz que Capez pediu dinheiro para sua campanha em 2014, em tom de brincadeira, mas que negociação foi feita com assessores
abr.2016 e mai.2016 - Estudantes ocupam escolas e o plenário da Assembleia Legislativa de SP para cobrar a abertura de uma CPI
jun.2016 a dez.2016 - Com 8 deputados da base e 1 da oposição, CPI toma depoimentos. Relatório final inocenta políticos

O VELÓRIO DE MAQUIAVEL - por Ruy Fabiano



Ruy Fabiano

Ruy Fabiano


Não há dúvida de que o presidente Michel Temer é um virtuose da velha política, um craque dos bastidores.

Acaba de eleger os presidentes da Câmara e do Senado, exibindo uma maioria de fazer inveja ao Lula dos tempos do Mensalão. Indicou para o STF um homem de sua confiança, Alexandre de Moraes, que adiante poderá vir a julgá-lo.

Livrou-se, dessa forma, de um problemático ministro da Justiça e ganhou um aliado estratégico na Corte Suprema. De quebra, criou dois ministérios – o dos Direitos Humanos e o da Secretaria Geral da Presidência -, colocando neste um de seus mais próximos colaboradores, Moreira Franco, blindando-o na Lava Jato.

Denunciado na delação da Odebrecht, onde, sob o apelido de Gato Angorá, é acusado de receber propinas, Moreira, agora ministro, fica abrigado na amigável esfera do STF, salvo de Sérgio Moro.

Com o Ministério dos Direitos Humanos, entregue à tucana Luislinda Valois, consolida a aliança com o PSDB. Pouco importa que a redução de ministérios tenha sido um de seus compromissos de posse. Com os que acaba de criar, Temer garante sua maioria parlamentar, na base do toma lá dá cá. Cargos por votos.

O problema é que a velha política, com suas manobras e engenhosidades, só funciona para dentro; só produz aplausos e admiração nos bastidores. O efeito é oposto na opinião pública, farta de maquiavelismos. Essa é a grande mudança imposta pelo Brasil da Lava Jato, que, ao que parece, ainda não foi percebida pelos políticos.

Ainda agem movidos pelos velhos paradigmas, em que a busca de resultados (não necessariamente administrativos) põe tudo o mais, inclusive (e sobretudo) os fundamentos morais mais elementares da governança, em segundo ou mesmo nenhum plano.

Isso explica, por exemplo, a abundância de ministros demitidos em menos de um ano de governo. Só Dilma Roussef ultrapassou essa marca, mas Temer parece empenhado em não ficar para trás. Moreira é sua mais nova aposta.

Sua posse foi suspensa por mais de um juiz de primeira instância e terá veredito definitivo no STF, por meio do ministro Celso de Mello. Pode não ser tecnicamente a mesma situação de Lula, que já era réu quando nomeado para a Casa Civil por Dilma.

Moralmente, porém, é.

Moreira está citado com detalhes nas planilhas da Odebrecht. Deveria, ele próprio, abster-se de pôr em dúvida sua presunção de inocência. Ao aceitar o guarda-chuva ministerial, sinaliza em sentido oposto. Lula foi barrado por Gilmar Mendes; vejamos o que dirá Celso de Melo. O país acompanha tudo de perto – e essa é, repita-se, a grande novidade na política.

Na velha política, ignora-se tal fenômeno. Temer, segundo se noticiou – e ninguém desmentiu -, pediu à presidente do STF, Cármen Lúcia, que não quebrasse o sigilo das delações para não interferir no resultado das eleições para as presidências da Câmara e do Senado. Pedido aceito, as eleições consumaram-se sem surpresas. E as delações continuam sob total sigilo.

Tornou-se recorrente comparar a Lava Jato à sua similar italiana Operação Mãos Limpas, ocorrida entre 1992 e 1996, que também passou um trator sobre a política daquele país. Ao final, porém, não resistiu às manobras de bastidores, que resultaram em mudanças na legislação, que devolveram o país às práticas habituais.

Aqui, tenta-se o mesmo. Esta semana, a Câmara quis votar em regime de urgência proposta que retirava do TSE o direito de cobrar dos partidos prestação de contas. Não conseguiu.

As redes sociais derrotaram mais uma vez a manobra, já tentada antes em relação às dez medidas contra a corrupção, propostas pelo Ministério Público, e ao projeto de abuso de autoridade, que impunha sanções penais aos investigadores.

Esse é o diferencial destes tempos de Lava Jato em relação à Operação Mãos Limpas: a pulverização da informação, via internet. Não há mais como controlá-la, nem muito menos as reações que provoca e as mudanças que impõe. É uma viagem sem volta.

No futuro, que já começou, o político terá de ser honesto, senão por razões de ordem moral, por imperativo tecnológico.