terça-feira, 15 de setembro de 2015

Pacote improvisado depende do pavor de naufrágio econômico - GUSTAVO PATU



Dada a debilidade política do governo e a sucessão de trapalhadas das últimas semanas, seria impossível apresentar um conjunto coerente e viável de propostas para o reequilíbrio orçamentário.
Recapitulando: só na semana final da elaboração do Orçamento de 2016 a administração petista informou ao público que as contas não fechariam sem a ressurreição da CPMF –um mês antes, prometia-se saldo no caixa do Tesouro, sem o tributo.
Com a previsível rejeição generalizada à ideia, o Planalto decidiu apresentar um projeto orçamentário com deficit. O dólar disparou, e o governo decidiu fazer uma espécie de declaração retificadora do texto. No meio do caminho, uma agência de classificação de risco tirou do país o selo de bom pagador.
Restou a alternativa de voltar à CPMF, agora acompanhada de um pacote improvisado de medidas e a esperança de que, instaurado o pavor de um naufrágio econômico, o Congresso seja forçado a aprovar algo.
De tudo o que foi apresentado, só a contribuição "provisória" é palpável: o tributo encarece as transações financeiras e compromete a eficiência da economia, mas é fácil de cobrar e quase impossível de sonegar.
As providências listadas para redução das despesas estão lá porque, politicamente, exige-se do Executivo um ato de austeridade para legitimar mais uma conta passada aos contribuintes.
Para tanto, a principal iniciativa foi o adiamento de reajustes salariais negociados com o funcionalismo, o que deverá alimentar movimentos grevistas na Esplanada dos Ministérios.
Há cortes um tanto incertos nas obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e na saúde, com a expectativa de que deputados e senadores recomponham as verbas com recursos reservados às emendas parlamentares ao Orçamento.
Para o Minha Casa, Minha Vida, um artifício heterodoxo: repassar para o FGTS, composto por dinheiro dos assalariados do setor privado, parte dos gastos.
Para complementar, um potencial foco de conflito com as entidades empresariais: a transferência de quase um terço da receita do Sistema S para o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).
Tudo somado, o Orçamento de 2016 continua com despesas superiores às programadas para este ano, e a tão cobrada redução do número de ministérios e cargos –não detalhada até agora– produzirá uma economia ínfima.
Chama-se a atenção para o deficit galopante da Previdência, novo destino do dinheiro da CPMF, e procura-se preservar os mais pobres. Mas não se pode evitar que o aumento de impostos dificulte os investimentos e a geração de empregos. 

O (des)governo e a (re)construção da Bastilha no Brasil - PEDRO LOGOMARCINO


Foto: Ichiro Guerra/PR
Foto: Ichiro Guerra/PR
Brasília, 7 de setembro de 2015.
Mais uma vez, uma medida do atual (des)governo federal marcou a história do país. Lamentavelmente, mas é fato. Fruto de um atavismo intelectual e moral sem precedentes, foi determinada a (re)construção dos “muros” da vergonha, nas imediações do Palácio do Planalto, para separar o povo de sua principal mandatária, a Presidenta da República. Com isso, desfez-se, por si só, um autofágico discurso de que era possível reunificar o Brasil e haver uma reunificação. O (des)governo que tanto se dizia popular expôs a céu aberto sua total impopularidade.
É uma constatação: o nível deste atavismo intelectual e moral desafia, senão a história do Brasil, a história de um dos países mais civilizados do primeiro mundo. Se em 1789 a França derrubou os muros da Bastilha do Ancien Régime,através do que representou (e ainda representa) o movimento intelectual da Revolução Francesa, o (des)governo federal do Brasil, na contramão da história e da evolução, determinou a (re)construção destes “muros”, de modo a transformar o habitat do Palácio do Planalto numa verdadeira Bastilha. Uma espécie de ode intempestiva ao absolutismo. Algumas diferenças são visíveis neste retrocesso, com mais de 225 anos, é claro. A primeira é que na Bastilha brasileira não se encontram intelectuais aprisionados para serem salvos, tal como havia na Bastilha francesa. Pelo contrário, os intelectuais brasileiros estão, aos milhões, do lado de fora, e clamam pela salvação, mesmo que em liberdade. Um paradoxo. A segunda é que as armas existentes dentro da Bastilha brasileira são, consideravelmente, mais leves e mais letais que as encontradas na Bastilha francesa do século XVIII. Vai ver são os sinais dos tempos. Em vez de pólvora, fuzis e canhões, simplesmente as armas brasileiras são canetas utilizadas para “dar canetaços”, por dezenas de mãos que detém o poder e que estão manchadas de tinta, pela prática reiterada, ao longo de 12 anos, de toda espécie de crimes, seja por ação, seja por omissão, seja com intenção ou culpa, destaco, contra a soberania do país, contra o povo brasileiro ou contra a Administração Pública.
No papel, consta que somos uma república federativa e que vivemos em uma democracia, “só que não”. Isso foi tornado visível com claridade solar, através da maior estrela, a Soberana Dilma Rousseff, a qual fez questão de registrar na íris dos cidadãos brasileiros a existência de um gigantesco hiato entre o discurso e a prática. Hiato este bem traduzido pela distância imposta a cada brasileiro, do Rolls-Royce presidencial, do qual a Soberana acenava, não se sabe para quem, como se nada estivesse acontecendo ou por acontecer. Eis o retrato do desfile da Independência: um (des)governo manifesto, isolado, distante, incapaz, apático, esfacelado, sitiado dentro de si mesmo e completamente dependente de tudo que engendrou. A (re)construção dos “muros” da vergonha é o símbolo desta ideologia. Sobrou até para os militares, que no dia seguinte, tiveram de engolir um “canetaço Dilmático”, qual seja, o Decreto nº. 8.515/15. Em síntese, com tal ordem, as Forças Armadas (Exército, Marinha e Aeronáutica) foram tratadas como aspirantes a escoteiros do Ministro da Defesa. Sim, pasmem, este mesmo que usa boné vermelho do MST.
A-QUEDA-DA-BASTILHASão milhares de outros “muros” já instalados pelo (des)governo federal. “Muros” que representam a existência de uma verdadeira fábrica federal para instalação em série, de tudo que se tenha por inefetivo, em termos de gestão. Contanto que na gestão ocorra o locupletamento ilícito de verbas públicas, a fábrica federal de “muros” não apenas possui expertise, como é hors concurs. “Muros” simbolizados pelo tamanho de tantas mentiras contadas e concretizadas pelas autoridades, das quais se infere que informações oficiais, hoje, se tornaram apenas a acepção do que se concebe como pífio. “Muros” de uma organização criminosa travestida de ParTido PolíTico. “Muros” de corrupção, de improbidades, de imoralidades, de fraudes, de ilegalidades das mais diversas. “Muros” que ao serem instalados em série afetaram a geografia do território brasileiro, ensejando em um passe de mágica, a construção de mansões ou de castelos e de novos xeiques. A altura e extensão destes “muros” faz a muralha da China passar vergonha, quando vista do espaço sideral. “Muros” para delimitar as plantações de “laranjas” que frutificaram de norte a sul, como seus “empresários bem sucedidos”, ou “doutores com trânsito político”; ilustres desconhecidos que viraram celebridades, do dia para a noite, ostentando patrimônios completamente incompatíveis com seus vencimentos. Um misancene da ilicitude ou da volatilidade de suas vidas, uma e outra dissolvidas logo na próxima investigação policial ou no próximo processo, tal como se dissolve um monte de açúcar, com o primeiro jarro de água. Milhares de famílias se beneficiaram (e ainda se beneficiam) direta ou indiretamente deste “negócio” imoral e criminoso, às custas de milhões de brasileiros, através de um engodo apresentado ao mundo, com ares de nobreza ou como produto de um exemplar processo democrático, como se todos fôssemos milhões de Cândidos. Só o Brasil mesmo para se tornar uma universidade de autoridades Panglossianas. Autoridades estas, das mais diversas, agraciadas como as respectivas moedas de trocas, de modo que cada uma, tal como quem se vende, certamente, recebeu mais do que realmente vale. Ministros se reunindo a portas fechadas com lobistas e empreiteiros que eram investigados e réus em processos. Quanta deferência para alguns, não é, Excelências!
Até percentuais foram fixados, conforme o vulto de cada “negócio”, nos contratos da Petrobrás, para este ou para aquele partido, como propina. E quando tudo veio à tona, fomos “bombardeados” com propagandas em horário nobre, tentando nos fazer crer que o sentimento que embalou os sonhos de gerações de um país, quando a referida Estatal foi fundada, nas promessas de uma nação com futuro próspero, é o mesmo que está nos corações de todos agora. Uma manobra midiática, a duros golpes televisivos, tentando causar nos brasileiros um ufanismo, do inufanável, como se não soubéssemos discernir a mentira, da verdade. Os corações sabem ter pagado tributos por muito tempo, mais do que podiam e, por nada, porque os gestores do (des)governo foram os próprios usurpadores do poder. Não fosse isso, por que se cogita ainda novos tributos? Por que (re)implementar a CPMF? Por que aumentar a carga tributária? E por que não reduzir a carga atual? E os “muros” seguiram sendo construídos e sustentados não por nós, brasileiros, porque nós jamais saberemos, com exatidão, as cifras do que se revelou ser o mensalão ou a operação lava-jato. Não porque elas são imensuráveis, mas porque em se tratando de absolutismo, ou seja, de Brasil, somos inigualáveis na aplicação da Lei… a Lei do laissez faire, laissez aller, laissez passer (deixar fazer, deixar ir, deixar passar). Uma panaceia da irresponsabilidade das autoridades constituídas.
Se nos reportarmos ao período eleitoral, quando a Soberana postulava a reeleição, o povo já tinha ficado atônito ao assistir ao conselho dado a uma economista (com MBA) que, para se recolocar no mercado de trabalho e ter um emprego, deveria fazer os cursos do Senai ou do Pronatec. Não bastasse isso, o povo sabe e sente na carne imperar a falta de empregos no Brasil, a despeito da Soberana ter afirmado não existir desemprego no país, em plena campanha de reeleição. O povo já sentia náuseas da Soberana ter posado com ares de indiferença, quando soube do agradecimento pelos “relevantes serviços prestados à nação”, a quem estava no Conselho de Administração da Hidrelétrica de Itaipú, sendo que este cidadão, ao deixar o cargo, o fez sob as mais pesadas investigações da operação lava-jato. Que serviços foram estes e que nação foi esta é que gostaríamos de saber. Certo que não eram serviços recomendáveis. Mais certo ainda que a nação não pode ter sido o Brasil. Aliás, também é certo que este “companheiro de alguns” foi reconhecido por muitos dos investigados na referida operação, como “Moch”, dada a perfeita identidade com os traços e as funções do carregador de… tcham, tcham, tcham… mochilas de dinheiro ilícito, para todos os cantos do país. Como se já não bastasse seu antecessor na tesouraria do ParTido ter sido condenado, pelos mesmos crimes em que é investigado. O povo, até hoje não entende como ficava sabendo de tudo pelos meios de comunicação de massa e a Soberana, mesmo sendo detentora do poder e de todas as informações da Administração Pública, inclusive as reservadas, as restritas, as confidenciais, as sigilosas, e as de segredos de estado, alegava levianamente, ou melhor, de forma trêfega, que não sabia de nada, seguindo a descompostura exemplar de seu antecessor, com “auréola de santo”, em outros tempos. O povo não tem mais condicionamento físico para suportar as tantas “pedaladas fiscais”. Sente-se traído, quando,o dia a dia, desembrulha o pacote das promessas de campanha, todas sem exceção, reveladas como mentiras e provas cabais da violação axiológica do teor de cada voto computado. Se é que houve lisura no processo eleitoral, pois o sistema adotado pelo Brasil foi rejeitado pelo Paraguai, pasmem, por falta de segurança e credibilidade. Pelo Paraguai! É dose! O povo foi subestimado com as tentativas do (des)governo de tentar proibir a CPI do BNDES, para que não viessem à tona negócios escusos, a exemplo dos feitos com o governo de Cuba, bem como diante da prevaricação e da omissão da Soberana, dado o “êxito dos negócios” de um comerciante que, em um ano, não passava de alguém que atuava no ramo de fechamento de varandas e, do dia para noite, apareceu com duas empresas de engenharia (mesmo sem ser engenheiro) estabelecidas em Angola, só que agora, seus negócios eram enlaçados com a Odebrecht, via BNDES, simplesmente por ser conhecido na Corte como “sobrinho de Lula”. Não cabe mais à Soberana culpar o tomate da sexta básica pela inflação, nem saudar a mandioca, como uma das maiores conquistas do Brasil. Verdade seja dita, não cabe mais muita coisa. E o que principalmente não cabe mais é esperar, porque se tudo continuar como está, não restará mas Brasil dentro de poucos meses.
“Muros” que pareciam muralhas. Aos olhos de quem os construiu e de quem os permitiu construir, pareciam intransponíveis. Aos olhos de quem sentiu na carne, realmente, o impacto da construção de cada um, seus construtores sempre foram pequenos, muito pequenos. “Muros” que não servem para edificar um país. Estes “muros” nos separam e nos destroem e não podem ser tratados como uma empreitada que nos enriquece.
Impõe-se cassar as canetas deste absolutismo e defenestrar, pelas vias constitucionais, democráticas e republicanas, estas autoridades da vida pública brasileira.
*Pedro Lagomarcino é Especialista em Direito da Propriedade Intelectual (FADERGS), Especialista em Gestão Estratégica de Inovação Tecnológica e Propriedade Intelectual (AVM/Cândido Mendes) e Especialista em Gestão Estratégica, Inovação e Conhecimento (ESAB).
FONTE - http://www.institutoliberal.org.br/blog/o-desgoverno-e-a-reconstrucao-da-bastilha-no-brasil/?utm_source=Assinantes+do+site+do+Instituto+Liberal&utm_campaign=24899118f5-RSS_EMAIL_CAMPAIGN&utm_medium=email&utm_term=0_b1c6494f94-24899118f5-193775349

Um desastre chamado Dilma - ARTHUR CHAGAS DINIZ


Dilma_Rousseff_em_6_de_dezembro_de_2004O Brasil tem resistido, com enormes perdas, a um desastre “natural” chamado Dilma. Provavelmente, em nenhum outro país do mundo civilizado uma pessoa que tivesse inflado seu curriculum vitae com um título inexistente de doutorado em Economia se elegeria vereador, deputado, senador, com mentira tão grosseira. No entanto, no nosso país, em que pessoas de qualificação educacional duvidosa elegem-se como mandatário principal, resiste-se a uma mentira tão óbvia.
A mentira só não é maior do que a vaidade de quem forja essas estórias de sua própria vida. Acrescente-se que, antes de se eleger presidente da República, seu histórico escolar já tinha sido desmascarado. Se se tratasse de qualquer alguém que pleiteasse um diploma médio (inexistente), ela seria demitida por justa causa. No caso em questão, o que se joga cinicamente é o destino de um país.
O desastre da gestão Dilma está evidente em todos os setores da vida pública, especialmente se considerarmos que o principal articulador político de seu partido e principal assessor da Presidência no governo Lula está hoje preso e foi o chefe da Casa Civil de seu antecessor.
Dilma, em um gesto único, poderia redimir-se da mentira renunciando ao cargo e explicando a mentira como uma questão de foro interior (excesso de vaidade). Sua renúncia seria considerada um primeiro passo para iniciar-se a reconstrução de um país cujo destino vem sendo regulado por uma mentira.
Dilma, se tiver grandeza, pode pedir demissão e passar para a História como uma gestora que, com essa atitude, ajudou o País. O Brasil não resiste a um desastre chamado Dilma.
FONTE - http://www.institutoliberal.org.br/blog/um-desastre-chamado-dilma/?utm_source=Assinantes+do+site+do+Instituto+Liberal&utm_campaign=24899118f5-RSS_EMAIL_CAMPAIGN&utm_medium=email&utm_term=0_b1c6494f94-24899118f5-193775349

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

NÓS, OS NOVOS INCONFIDENTES? - A Coluna de Marli Gonçalves

Marli Gonçalves
Marli Gonçalves


Acabei lembrando a derrama, a forçada e violenta forma de cobrança de tributos com que os colonizadores portugueses coletavam parte do que se obtinha na exploração dos minérios, aliada à “quinta”, que ainda tirava o naco de 20% dos ganhos. Daí foi um passo para lembrar a revolta popular, de Tiradentes e dos Inconfidentes, de tudo o que a História do Brasil já registrou e que terminou de forma tão cruel e sangrenta. Você também deve ter ouvido muita gente aí do seu lado falar que, caso resolvam impor mais impostos, deveríamos nos unir, todos deixarem de pagar, que não está certo pagarmos ainda mais pelos erros que vêm cometendo, trapalhada após trapalhada.

Ouviu também, né? Não se fala outra coisa.

Pois eu ouvi de gente respeitada, de pessoas maduras, honestas e trabalhadoras, homens e mulheres sérios que vocês não imaginam nem engrossando passeatas em verde e amarelo, muito menos empinando balões de bonecos. Mas eles estão dispostos a reagir e mostram, como no passado, ter de fazer isso para não sucumbir à ganância dos governantes. Uma questão de sobrevivência, explicam. Já enxugaram o que podiam, dispensaram seus “escravos”, temem não ter o que dar aos seus filhos. Não veem o que já pagaram até aqui revertido em benefícios – sem saúde, sem educação, sem infraestrutura. Estão insatisfeitos, indignados, sentem-se roubados, espoliados e enganados.



Achei nessa parte de nossa História – a Inconfidência Mineira – muita coisa parecida com a que estamos vivendo agora em pleno século XXI, incluindo até os delatores que, em troca de se livrarem, a si, aos seus bens, atiram mais gente ainda no fogo da caldeira, dando combustível para que essa fogueira esteja cada dia mais furiosa. Só não encontrei ainda os heróis.



Obviamente faço esse paralelo muito mais pensando no que aprendemos de melhor ali, na honra, na coragem dos insurretos, nos mitos que se criaram, do que na desgraça de uma solução militar, como a que fechou o tempo por longos 25 anos.

Não é de hoje que a ideia de conspiração ocorre nas horas mais tumultuadas da política nacional como a que vivemos nos últimos meses, e que alguns analistas já associaram até ao Titanic. O navio afundando e a ordem para que a orquestra continuasse. O problema é: com quem? Não há grupo coeso, mas miríades deles e fica difícil se encaixar em alguma conjuração. Pelo menos eu ainda não senti liga, e sigo apenas com alguns amigos aqui e ali com os quais tenho afinidade de pensamento. Não posso me juntar a quem defende liberdade pelo poder, quem perdeu por incompetência e vê na crise chance de emplacar, quem ainda acha que o mundo se divide em bons e maus, esquerda e direita, com quem usa a religião para constranger e proibir.

Procura-se um modelo de República, de ideias arejadas; uma nova e simples Constituição; ideias e filosofias que se coadunem com o tempo, com o chão que pisamos, com o futuro que acreditamos em poder erguer, com justiça social verdadeira. Algo integrado ao desenvolvimento global, progresso, sem esquecer o ar que respiramos, o chão que pisamos, os oceanos que se aproximam crescendo sobre a terra.



Quem sabe encontraremos juntos?

São Paulo, em um conturbado setembro de 2015

Marli Gonçalves, jornalista — – Onde andarão nossos novos heróis, os poetas de nosso tempo, os idealistas que ainda não foram cooptados pelo sistema?

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E-mails:
marli@brickmann.com.br
marligo@uol.com.br

domingo, 13 de setembro de 2015

Passos para o abismo - JORGE ADELAR FINATTO


Jorge Adelar Finatto

photo: reprodução. fonte: g1.globo.com*
 
O bairro Menino Deus, em Porto Alegre, é um dos mais tradicionais e bonitos da cidade. Um lugar de ruas antigas, onde havia um belo casario, que aos poucos foi sendo derrubado e substituído por edifícios. Um bairro de vizinhos, de pessoas que se conhecem e convivem.
 
O escritor Caio Fernando Abreu viveu num desses sobrados em seus últimos anos de vida junto da família. Costumava dizer que morava no Menino Deus e não em Porto Alegre. Porto Alegre era apenas o que estava no entorno. Caetano Veloso fez uma música para o Menino Deus. Além das ruas arborizadas e interioranas, há o Guaíba que navega perto. 
 
Tenho uma ligação afetiva com o bairro. Morei lá alguns anos na juventude. Foi lá que conheci a namorada com quem me casei. Dois de meus filhos nasceram quando morávamos no Menino Deus. Perdi a conta das vezes em que os levei a passear por suas praças e ruas. No Menino Deus eles aprenderam a andar de bicicleta e descortinaram, pela primeira vez, as águas, os barcos e as gaivotas do rio. Infelizmente, esse tempo ficou para trás, em todos os sentidos.
 
Em meio ao colapso da segurança pública que assola o Rio Grande do Sul, este bairro querido já não é e nem poderia ser uma ilha. Muitos de seus habitantes estão entre as incontáveis vítimas da violência crua e cotidiana, que invade as ruas e as casas, na forma de furtos, roubos e homicídios, entre outros crimes.
 
Um triste exemplo foi a morte do comerciante Elvino Nunes Adamczuk (49 anos), atingido por uma bala perdida na sexta-feira passada (4/9), enquanto passeava com seus dois cães.  Por volta das 22h, sua mulher ouviu um tiroteio e saiu da padaria Santo Antônio, na Av. Getúlio Vargas, que pertencia ao casal, na qual ela, o marido e os três filhos trabalhavam.  Queria se certificar de que Elvino estava bem.

Um dos cães correu até ela, solto da coleira, e o outro estava ao lado do dono, atingido com um tiro no abdômen. O pequeno empresário foi levado ao Hospital de Pronto Socorro e operado, mas não resistiu e morreu na terça-feira (8/9).
 
Conforme registra o jornal Zero Hora, edição desta quarta-feira (9/9), teria havido na ocasião uma troca de tiros entre policiais e assaltantes.

A reportagem dos jornalistas Adriana Irion e José Luís Costa esclarece que o comerciante costumava acordar às 4h e abria seu estabelecimento às 7h. Tinha uma clientela fiel e era estimado por todos na vizinhança.
 
Moradores de rua escreveram uma carta destinada à família, testemunhando que Elvino Adamczuk era uma pessoa "que sempre esteve junto a nós" (foto acima). Vários deles eram clientes da padaria Santo Antônio. Ele costumava ajudá-los, inclusive dando comida. Também auxiliava entidades assistenciais. Um homem bom, exemplar.
 
Os salários em atraso do funcionalismo público estadual, atingindo integrantes da área da segurança pública, geram paralisações e precariedade no atendimento da população. Os atrasos agravam uma realidade que, muito antes disso, já estava no limite. A criminalidade fugiu do controle.

Os salários pagos aos policiais civis e militares não estão à altura de sua difícil missão, com risco da própria vida.  Além de tudo, esses profissionais enfrentam dificuldades de toda ordem, entre elas a falta de pessoal e a deficiência de equipamentos. Do lado oposto, os criminosos agem em toda parte e a qualquer hora. Com os atrasos, a situação torna-se desumana.
 
Este foi apenas mais um caso, mais uma vítima fatal, num Estado e num país que estão se deteriorando assustadoramente. A falta de segurança é apenas um dos sintomas.

Nunca vi antes o Brasil e o Rio Grande numa situação como essa. Vivemos um momento de densa escuridão, estando o Brasil entre os países mais violentos do planeta. Já escrevi aqui sobre corrupção, desgoverno, violência, indiferença, gastos bilionários com copa do mundo e olimpíadas,  e não vou cansar os poucos leitores voltando a esses assuntos. Ninguém suporta mais tamanha incompetência e insensibilidade dos governantes.
 
Só quero dizer que a perda de pessoas como Elvino Adamczuk é uma barbaridade que nos remete a um imenso vazio de sentidos e a incertezas sobre se ainda estaremos vivos no dia de amanhã. Uma certeza, contudo, existe: sair de casa, nos dias que correm, é um passo em direção ao abismo.

Quando os nossos vizinhos são mortos gratuitamente, como estamos habituados a ver, é sinal de que não existem mais ilhas e de que há muito habitamos o território do medo, da injustiça e da barbárie.

FONTE - http://ofazedordeauroras.blogspot.com.br/2015/09/passos-para-o-abismo.html

Mordomias e abusos - EDITORIAL FOLHA DE SÃO PAULO

EDITORIAL



Em tempos normais, a notícia de que o Senado renovou a frota de veículos à disposição de seus 81 legisladores já provocaria justificáveis questionamentos –tendo meros dois anos de estrada, os carros substituídos não poderiam ser considerados velhos.
A situação, naturalmente, torna-se muito pior quando o país enfrenta grave crise econômica. Neste caso, a desfaçatez dos senadores desperta sentimentos de irritação e perplexidade.
Verdade que os automóveis hoje são alugados. O contrato custou R$ 2,2 milhões/ano; a opção pela locação, implementada em 2011, proporcionou economia anual de R$ 2,6 milhões pela extinção de gastos com compra, manutenção e seguro.
Ótimo que tenham poupado tais despesas. Mas, no momento em que se impõem aumento da carga tributária e cortes em programas sociais, como os políticos pretendem defender que os cofres públicos sustentem essas vantagens?
Afinal, qual seria a justificativa do privilégio? Não consta que deputados federais tenham suas atividades comprometidas pela ausência de veículos oficiais.
Não se imagina que a extinção dessa mordomia possa aliviar a crise econômica. Mas, além do muito que haveria de simbólico na medida, deve-se lembrar que a lista de regalias é bem mais extensa.
O mimo automotivo se completa com 300 litros mensais de combustível. Senadores também dispõem de celulares sem limite de gastos e compensação ilimitada de despesas médicas, extensiva a cônjuges e dependentes até 21 anos –espantosamente, ex-senadores têm direito a R$ 33 mil de reembolso de despesas médicas por ano.
Há mais: cinco passagens aéreas mensais de ida e volta para seus Estados e uma sala reservada no aeroporto de Brasília, onde oito servidores ajudam no embarque e no despacho das bagagens.
Em matéria de privilégios, a Câmara não fica atrás. No começo deste ano, por exemplo, a Casa reajustou a verba de gabinete dos deputados para R$ 92 mil por mês.
Abundam, ademais, despesas no mínimo questionáveis. Até julho foram pagos R$ 50,6 milhões em horas extras para servidores devido a sessões extraordinárias. Eram realmente necessárias? Duas delas serviram para o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), manobrar e reverter decisões tomadas pouco antes pelo plenário.
Tudo somado, o Congresso custará R$ 9,2 bilhões neste ano. Como se vê, há muito a economizar pela simples eliminação de absurdas mordomias e racionalização de certos dispêndios.
O raciocínio sem dúvida se aplica igualmente aos três Poderes da República, em todos os níveis da Federação. Passa da hora de as autoridade brasileiras demonstrarem algum senso de responsabilidade com o dinheiro do contribuinte.

FONTE - http://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2015/09/1680974-mordomias-e-abusos.shtml?cmpid=newsfolha

LULA PASSOU A SER OPOSIÇÃO NO BRASIL… ACREDITEM! - LEUDO COSTA


by Leudo Costa
LULA NA OPOSIÇÃO? ... É O QUE SUGERE O JORNALISTA MERVAL PEREIRA, EDITORIALISTA E COLUNISTA DE O GLOBO, IMORTAL DA ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS. MERVAL  TEM CONHECIMENTO E SABEDORIA SUFICIENTES PARA "CAPTAR" OS MOVIMENTOS  DE LULA. DIZ QUE  LULA, AO PERCEBER QUE O GOVERNO DE DILMA “AFUNDOU”,  “MALANDRAMENTE” COMEÇA A FAZER PERECER QUE PASSOU PARA A OPOSIÇÃO.  “CONVERSA FIADA”!  LULA TENTA, DE TODAS AS FORMAS ENCONTRAR UMA MANEIRA PARA NÃO SER PRESO OU TER DE PEDIR ASILO POLÍTICO NUMA REPUBLIQUETA DA AMÉRICA DO SUL.
Leiam Marval Pereira...
MERVAL IMORTAL
Lula, que continua com um faro político inegável, já viu que no momento o melhor é ficar na oposição. Como para ele esse malabarismo é coisa de criança, continuará dando sugestões à sua criatura, como se não tivesse culpa de nada do que acontece no país, e ao mesmo tempo ficará contra o ajuste fiscal que, segundo ele, só gera desemprego e sofrimento.
Tenho a sensação de que chegará um dia, mais cedo ou mais tarde, que o conselho de Lula será para que Dilma desapegue da presidência da República, deixando a batata quente para o vice Michel Temer. O PT iria assim para a oposição, preparando-se para tentar voltar ao poder em 2018, provavelmente com Lula.
Essa estratégia, no entanto, pode esbarrar nas investigações da Operação Lava-Jato, que, finalmente, podem chegar a Lula. Digo finalmente por que qualquer cidadão minimamente inteligente estranhava que tendo sido presidente da República durante o período em que o mensalão e o petrolão foram organizados, Lula estivesse fora das investigações.
O delegado Josélio Sousa, da Polícia Federal, está fazendo o óbvio querendo interrogar presidentes que até agora foram poupados inexplicavelmente das investigações do Lava-Jato: o do país à época em que os fatos aconteceram e maior beneficiário deles, o ex-presidente Lula, e os presidentes da Petrobras José Eduardo Dutra e José Gabrielli.
Ele pediu autorização ao STF para interrogá-los, embora não tenham direito a foro privilegiado, por que o inquérito em que aparecem como suspeitos de atividades ilegais arrola vários políticos com mandato eletivo.
Como o relator no Supremo do Lava-Jato Teori Zavascki vai consultar o Procurador-Geral da República, é provável que a autorização seja dada por que Rodrigo Janot já encaminhou ao STF um pedido para investigar Lula devido a brindes que teria recebido de empreiteiras, revelados pelo dono da UTC em sua delação premiada.
Partindo de uma lógica corriqueira, o delegado diz que, “na condição de mandatário máximo do país” na ocasião, Lula “pode ter sido beneficiado pelo esquema […], obtendo vantagens para si, para seu partido, o PT, ou mesmo para seu governo, com a manutenção de uma base de apoio partidário sustentada à custa de negócios ilícitos na referida estatal.”
Nada mais lógico que isso, e já começava a incomodar o cidadão comum a sensação de que a Justiça considera Lula um ser acima de qualquer suspeita, quando todos os escândalos descobertos a partir do mensalão aconteceram justamente na sua gestão, e ele foi, sem dúvida, o maior beneficiário dos esquemas montados, pois se destinavam primeiramente a montar uma base parlamentar que o apoiasse.
Os benefícios pessoais que daí adviriam são consequências lógicas de qualquer esquema corrupto. O ex-presidente já está sendo investigado pelo Ministério Público de Brasília com relação ao tráfico de influência, inclusive internacional, que utilizou em benefício da Odebrecht, sendo a recíproca verdadeira segundo diversos indícios que estão sendo apurados.
Não apenas a Odebrecht, mas também outras empreiteiras, como a OAS, teriam feito favores a Lula e sua família, como a obra no tríplex do Guarujá que Lula insiste em dizer que não é de sua família, embora dona Mariza Letícia tenha, segundo ele, cotas do condomínio que ainda não foram resgatadas.
Essas cotas, coincidentemente, correspondem ao tríplex, que poderá assim vir a ser uma propriedade dos Lula da Silva, mas ainda não é. O que é preciso investigar é o que dona Mariza andou fazendo por lá a ponto de dar a impressão a moradores de que estaria coordenando as reformas do apartamento.
“Atenta ao aspecto político dos acontecimentos, a presente investigação não pode se furtar de trazer à luz da apuração dos fatos a pessoa do então presidente da República”, alega o delegado da Polícia Federal.
É justamente essa postura “atenta” da Polícia Federal e do Ministério Público que pode levar as investigações a bom termo. Mesmo que eventualmente o ministro Zavascki não autorize a investigação desta vez, se ela seguir o rumo correto como vem sendo feito até agora será inevitável que chegue a Lula.
A desmoralização do PT como partido político é um fato. A popularidade de Lula já não é o que foi, e sua imagem está desgastada diante das revelações da Lava-Jato. Vai ser difícil a metamorfose ambulante se recuperar a ponto de poder voltar à disputa presidencial.
FONTE - http://cristalvox.com.br/2015/09/13/lula-passou-a-ser-oposicao-no-brasil-acreditem/