quinta-feira, 4 de setembro de 2014

TCU silencia sobre troca de favores entre ministro e Dilma Rousseff

03/09/2014
 às 14:52


Por Robson Bonin, na VEJA.com:
O Tribunal de Contas da União (TCU) carrega entre suas prerrogativas constitucionais a missão sagrada de zelar pelas melhores práticas de gestão na máquina estatal. É ponto pacífico, nesse caso, que quem tem o poder de fiscalizar e punir o erro alheio, tem também a obrigação de dar exemplo de correção no funcionalismo. A capacidade de ser transparente e de não se omitir ante os problemas que possam aparecer é o que faz do tribunal uma instituição forte, capaz de depurar seus procedimentos, ou uma instituição frágil, submetida a interesses fisiológicos e antirrepublicanos. Na mais recente edição de VEJA, que está nas bancas, o tribunal é confrontado com esses dois caminhos: a responsabilidade ou a omissão. Revelada a intensa troca de favores estabelecida entre o ministro Walton Alencar e a então ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e seu braço-direito na pasta, Erenice Guerra, o tribunal, por enquanto, escolheu a omissão.
Quatro dias depois de ter tomado conhecimento das mensagens nas quais Walton repassa informações privilegiadas do TCU à Casa Civil na mesma velocidade em que usa a influência de Dilma e Erenice para conseguir a nomeação de sua mulher, Isabel Gallotti, para o Superior Tribunal de Justiça (STJ), o presidente do tribunal, ministro Augusto Nardes, emitiu um único pronunciamento em que afirma que “tomou ciência das notícias veiculadas no último final de semana e irá emitir pronunciamento após avaliação”. Procurado para se posicionar sobre o caso, o corregedor do tribunal, ministro Aroldo Cedraz, a quem compete investigar desvios de conduta como os ora revelados por VEJA, também silenciou.
O único que se manifestou sobre o caso, por mais irônico que isso possa parecer, foi o próprio ministro Walton Alencar. A nota enviada por ele ao comando do TCU merece ser lida mais pelo que o ministro omite do que pelo que diz. Ignorando as mensagens reproduzidas em VEJA em que ele escreve a Erenice em diferentes momentos para trocar favores e pedir ajuda para emplacar a sua mulher num cargo de ponta, Walton concentra-se sobre o mais leve dos pecados revelados na reportagem: a parte que Erenice solicita que ele aconselhe o advogado do PT Márcio Silva sobre questões eleitorais: “Na qualidade de ministro do TCU, tenho, por dever de ofício, de manter contato com autoridades de todos os Poderes e escalões. Nesse sentido, a solicitação da então ministra Chefe da Casa Civil de receber certo advogado nada significa, pois todos sabem que todos os advogados que solicitam audiência no meu gabinete são por mim recebidos indiscriminadamente”. Receber um advogado é uma coisa. Dar conselhos eleitorais a ele, outra bem diferente. A resposta seletiva do ministro joga ainda mais responsabilidade sobre o comando do TCU, a quem cabe adotar as devidas providências sobre o caso.
Por Reinaldo Azevedo

OS NEGÓCIOS* DA ROSE PODERIAM APARECER NO HORÁRIO ELEITORAL


Malafa
ROSE-E-LULA-001


Francisco Vianna escreveu para o blog Endireita Brasil.  Gostei do artigo e pensei: Porque publicar? Porque não publicar? Publiquei. Tá aí.

Veja se você também gosta.

A grande maioria das pessoas, simplesmente desliga a TV no horário eleitoral ou muda para um canal a cabo que não é obrigado a transmitir uma programação política partidária que de gratuita não tem nada, pois que custa os olhos da cara aos cofres públicos, e pela qual se diz uma série de sandices que não dizem mais nada de novo aos eleitores brasileiros.

Se, pelo menos, tivéssemos uma oposição séria que, além de divulgar suas pretensões de realização em caso de ser eleita, com a coragem de, de fato, como fazia o saudoso Carlos Lacerda, por o dedo nas inúmeras feridas políticas surgidas nesses últimos três governos de “sucialismo” (socialismo de súcia, de quadrilhas de corruptos), no mínimo o horário eleitoral passaria a ficar um pouco mais atraente aos ouvidos brasileiros. Seria como uma novela de terror, mas poderia prender vivamente a atenção do telespectador ou do radio-ouvinte.

Uma dessas feridas, causadas pela demência da esquerda “sucialista” tupiniquim, foi aberta no dia 12 de dezembro de 2012 quando foi revelada ao país a figura de Rosemary Noronha, tida como a primeira amante de Luiz Inácio ‘o Barba’ da Silva e toda a movimentação de dinheiro grosso da qual ela fez parte viajando pelo mundo com seu possível amásio.

Essas revelações deixaram o Brasil “estupefeito”, e, num dos seus primeiros atos, em janeiro de 2003, o “noço guia” fez de Rose a Chefe de Gabinete do Escritório da Presidência da República em São Paulo.

Veja mais no ENDIREITA BRASIL!


*Êpa!

OBRA-PRIMA DO DIA (ARQUEOLOGIA) Uma rica herança Romana no interior da Inglaterra


Em Chedworth, no condado de Gloucester, sudoeste da Inglaterra, há um tesouro da época dos Romanos: uma vila, enorme, que foi sendo construída em fases que foram dos séculos II ao IV. Foi no século IV que a construção, antes modesta, passou a ser a representante, nessa parte do mundo, de como vivia a elite Romana.
A casa ocupa três lados de um pátio. Servida por um hipocausto para toda a ala ocidental, onde ficam a sala de jantar (triclinium) com seu maravilhoso piso em mosaicos e duas áreas para os banhos: uma para banhos com vapor quente e outra com calor seco; também podem ser vistas, ao fundo da foto, as bem conservadas latrinas (abaixo).


A vila foi descoberta em 1864 pelo guarda-caça Thomas Margetts que cavava por ali em busca de um furão que causava estragos nas plantas. Ele tropeçou no fragmento de um mosaico e ficou tão impressionado com a beleza da peça que procurou seu patrão, o Conde de Eldon, dono da propriedade. O conde iniciou por sua conta as escavações e chegou a refazer alguns telhados destruídos pelo tempo.


Em 1924 o National Trust comprou a propriedade e criou um programa de conservação, além de um pequeno museu para abrigar peças encontradas nas imediações.
Historiadores debatem se a vila era a sede de uma fazenda ou uma pousada para religiosos. Há bons argumentos para ambas as teorias, mas a maioria pensa que Chedworth era a sede da fazenda de um Romano muito rico.
O que mais impressiona em Chedworth são os mosaicos: alguns estão em ótimas condições e exatamente onde foram colocados originalmente, pois se tivessem sido mexidos, os especialistas notariam. Outros precisam ser restaurados.




Foram criadas passarelas para o visitante andar por cima dos mosaicos, sem neles pisar, e assim poder ver as maravilhas de seus desenhos e a qualidade do material usado.
A casa tinha muitas salas e onze têm o piso em mosaicos. Serviam a fins diversos, embora as funções exatas não tenham sido inteiramente descobertas. Ela não reinava sozinha: na região havia cerca de cinquenta vilas.


Localizada num vale profundo e coberto por bosques, a alguns passos da vila há um templo Romano, às margens do rio Coln. Erguida numa posição protegida sobre a antiga estrada Romana chamada Caminho Fosse, ao norte de uma grande cidade Romana, Corinium Dobunnorum (hoje Cirencester), bem ao lado havia uma fonte de água que servia aos seus moradores e onde eles construíram um templo para as ninfas, o Nymphaeum. A parede curva que protege o templo e sua piscina de água para o deleite das ninfas, tem dois metros de altura e sua construção é a original. Na borda da piscina, está gravada uma inscrição cristã (acima)
Os historiadores pensam que a vila foi abandonada no século V.

                                    As ruínas de Chedworth. Ainda falta muito para ser descoberto...

ONDE FICAM OS ELEITORES


Rapphael Curvo

Raphael Curvo
Rapphael Curvo

 Existe na natureza um processo de preservação muito curioso e interessante. Trata-se da forma como a vespa faz para manter a continuidade da espécie. Depois de paralisar a tarântula, ou aranha caranguejeira, inocula em seu corpo os óvulos que serão desenvolvidos em larvas que irão consumindo a tarântula até o momento de se libertarem ao matar a hospedeira.

Isto tem muito a ver como o momento político brasileiro e entendo estranha a passividade com que a “caranguejeira” PSB – Partido Socialista Brasileiro do falecido Eduardo Campos aceita em ser hospedeiro do partido da Rede Sustentabilidade. Transmite a idéia de que o objetivo final é o Poder pelo Poder. A história de uma nova forma de governar, de um novo rumo para o Brasil ficou lá pelas mesas do botequim, se encerra nos papos de fim de tarde.

Pelo que estou informado, salvo engano, as posições programáticas entre PSB e Rede são consideravelmente antagônicas no conteúdo e na forma de exercer o possível governo. A Marina passa de passagem e ao largo dos desejos de ação governamental desejada pelo PSB. É evidente que tão logo consiga o registro, o que está a apenas 50 mil fichas, toda a equipe e a própria Marina migrarão de imediato ao novo partido. Tenham certeza, junto com ela, se eleita presidente, virão outros milhares de todas as matizes. A própria já está propalando a sua necessidade de apoio de várias lideranças, como antevendo a sua fragilidade em compor equipe e governar. É uma saída pela tangente ao perceber que terá que engolir as “velhas políticas”, já rotuladas de boas pessoas, para tentar manter a possibilidade de não produzir um estrago de proporções imensuráveis ao nosso Brasil.

Não é nenhuma virgem no cabaré. Marina vem de ações políticas desde a juventude em movimentos campesinos de invasão de terras, fez parte do Partido Comunista, do Partido dos Trabalhadores, do Partido Verde, sendo que no PT participou de várias ações contra o que hoje apóia, tal como a Lei da Responsabilidade Fiscal. Não se desligou do Ministério do governo Lulla acusado do mensalão e só o deixou por rinhas pessoais com a Dillma. Esperava, no fundo, ser o poste de Lulla para presidente em 2010. O que quer dizer tudo isso? A Marina da “nova política” não tem nada. É mote criado para disfarçar o seu passado ligado com um monte de gente que aprontou e muitos que ainda aprontam. Passa ao eleitor a imagem da candidata “pura” e “imaculada”, que nada tem a ver com a política suja, mesmo com seu marido envolvido, segundo a mídia, com contrabando de madeira proibida de extração. Fico a pensar a situação irregular do jatinho se fosse o usuário o Aécio. O asfalto na pista de Claudio já deu pano, esse daria um pijama de aposentado.

O programa de governo de Marina muito pouco difere do programa de governo do Aécio Neves – PSDB. Tem-se a impressão de uma cola, até mais conservador. Para não se indispor com nenhum movimento social, lançou o rótulo de que ela tem um programa de governo em “movimento”, ou seja, sem rumo, já que pode a qualquer momento sofrer alterações de acordo com a força do vento. Nada, entretanto, é mais assustador em Marina que a sua crença de que negociar com o Congresso Nacional é apenas uma questão de conversar. Salvo engano, essas ações são uma tragédia anunciada. É meio duvidoso que tenha postura forte para tal operação. E como sabemos, o que está por vir na economia brasileira é algo que induz a pensar na construção de “barricadas”.

A população brasileira é formada em sua grande maioria de analfabetos funcionais. Chavões como “nova política”, “Lulinha paz e amor” e outros do gênero, tem muito maior facilidade de entendimento auditivo que algo tipo “reconstrução do Brasil” ou mesmo “bem vindo”, este coloca ao eleitor o que ele não disse. O grave do Aécio é que sua assessoria de marketing ignora o fato da dificuldade que tem o povo em entender propostas e ainda faladas em “alta velocidade” e mais, não chega as outras regiões do País, não diz o que propõe de novo a cada uma delas As outras duas candidatas, uma por problemas do “tico e teco”, os dois neurônios que possui e a outra pela insegurança da fala por estar incapacitada de explicar com profundidade os temas mais sérios e razão do pedido de “socorro” aos líderes da velha política, elas conseguem fazer chegar de forma atabalhoada alguma mensagem ao eleitor, tipo “nova política” que não é desconstruída apesar de potencial gigantesco para tal.

Algo que intriga é como está neste momento o filiado do PSB que logo sairá de cenário com ou sem a vitória da Marina Silva. Poderá ganhar e não levar. Não chorem não, Partido no Brasil é isso, hospedeiro, no caso do PSB, da vespa Rede Sustentabilidade. Onde ficam os eleitores? Será que entendem o que é melhor ao Brasil?

Jornalista e Adv. Rapphael Curvo
raphaelcurvo@hotmail.com
Adv. Ellen Maia Dezan Curvo
OAB/SP 275669
ellendezan@hotmail.com
www.xprospector.com.br

Empresariado injeta mais verba na campanha de Aécio, apesar dos boatos negados sobre “desistência”



Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net

O que seria uma absurda e covarde renúncia de Aécio Neves, antes do primeiro turno, apoiando Marina Silva para facilitar a derrota de Dilma Rousseff, foi um factoide encarado com muita seriedade nos bastidores políticos. De tarde, em encontro com Fernando Henrique Cardoso, o presidenciável tucano negou que fosse tirar o time e prometeu que “lutaria até o fim”. Tal versão é plantada por alguns aliados – desesperados com o risco do “terceiro lugar” e pela máquina de contrainformação de Marina.

Ontem, em diferentes reuniões de grupos empresariais com seus assessores de lobby político, a confusão de análise era preocupante. Alguns ainda defendem que Aécio tem chance, e que as pesquisas divulgadas para induzir o eleitorado não devem ser levadas em conta seriamente por quem formula estratégia de vitória na campanha. Tal avaliação parte do pressuposto de que Aécio tem mais apoio das grandes empresas que Marina Silva – que desponta nas enquetes do Ibope e Datafolha (levadas a sério pela mídia) como favorita a derrotar Dilma.

O fato de Marina ser uma “incógnita”, pela sua formação ideológica esquerdista radical, que toma decisões sozinha, passando por cima de seu grupo de apoio, é um fator que apavora o empresariado – que enxerga em Aécio uma figura mais conciliatória e aberta ao diálogo, a exemplo de seu falecido avô, Tancredo Neves, morto por uma diverticulite que levou José Sarney ao poder. Uma prova objetiva de que os empresários ainda apostam na recuperação de Aécio, na reta final da campanha, é o aumento do investimento em sua candidatura.

A arrecadação de Aécio aumentou. Cerca de R$ 10 milhões teriam entrado nos cofres da campanha tucana, de quinta-feira passada até ontem. O valor parcial a ser declarado ao Tribunal Superior Eleitoral pode chegar a R$ 42,3 milhões. Empresas que já doaram fazem reforço de caixa para a batalha eleitoral contra Dilma e Marina. Novos doadores são aguardados até sexta-feira. A preocupação do PSDB, no entanto, não é com o dinheiro, mas com os ataques midiáticos e nas redes sociais à imagem do candidato.

Nos meios de comunicação e na internet, Aécio sofre com a divulgação das pesquisas que indicam sua suposta queda nas intenções de voto. Os grandes empresários não levam tais pesquisas a sério. No entanto, elas têm um efeito indutor sobre a opinião pública e publicada. O chamado “eleitorado profano” (que pensa diferente dos deuses que decidem os rumos da campanha) acaba influenciado e contaminado pelas versões sobre “queda do Aécio”. Disso se aproveitam os marketeiros de Marina Silva – que ajudam a inflá-la. Nem os petistas desejam que Aécio despenque agora. Se isto ocorrer, Dilma é quem se dana de vez...

Dúvida induzida pelas pesquisas

A grande dúvida entre empresários e lobistas é: Marina é uma onda que pode virar um tsunami, derrotando Dilma já no primeiro turno?

Ou é uma onda que tende a se transformar em uma marolinha, nos próximos quinze dias, quando sofrerá duros ataques, principalmente dos seus velhos companheiros petistas, agora com mais ódio dela que nunca?

Alguns analistas pressentiam ontem que “algum novo avião pode cair brevemente” – numa “tragirônica” alusão ao acidente fatal com Eduardo Campos, que mudou o destino da campanha eleitoral.

Collor PT da vida


O ex-Presidente da República Fernando Collor de Mello está PT da vida com o PT.

Collor esbravejou com aliados que os petistas foram “canalhas” ao compará-lo a Marina Silva.

O senador alagoano deixou a entender que vai se vingar da petralhada – a quem hipotecou total apoio em votações no Senado e na campanha reeleitoral de Dilma...

Mudanças para Cuba  


Saindo e caindo

Depois de 48 anos de jornalismo, principalmente televisivo, Alice-Maria resolveu se aposentar das Organizações Globo.

A saída de uma das criadoras do Jornal Nacional, que ocupava a área de projetos especiais no jornalismo global, coincide com a queda histórica de audiência da emissora.

Em agosto, a Globo fechou sua pior média da história, com apenas 12,5 pontos no Ibope na faixa nobre das 18h à meia noite...

Geraldo na Maçonaria

O Governador Geraldo Alckmin agendou para a quarta-feira da semana que vem, 10 de setembro, às 20h, um novo encontro com mais de mil maçons.
Será na Sede do Grande Oriente de São Paulo, na Rua São Joaquim, 457 – Liberdade.
Geraldo comenta com aliados que a maçonaria lhe traz sorte na campanha eleitoral...
Comunas, uni-vos!

Do leitor Daniel Deforti, definindo muito bem o que é a essência do pragmatismo comunista:

“Os comunistas são políticos que fazem propaganda como o Karl Marx, governam como o Joseph Stalin e vivem como o David Rockefeller”. 

Traduzindo, para quem não entendeu a piada: comunistas são políticos que vendem o paraíso utópico na ideologia, praticam o autoritarismo de mercado na gestão estatal, porém gostam de viver nababescamente como um bilionário fanfarrão que pensa ser o dono do mundo.

Mengão atropelando...



© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 3 de Setembro de 2014.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

POEMA DA NOITE Tramway, por Álvaro de Campos


Aqui vou eu num carro eléctrico, mais umas trinta ou quarenta pessoas, 
Cheio (só) das minhas ideias imortais, (creio que boas).
Amanhã elas, postas em verso, serão 
Por toda a Europa, por todo o mundo (quem sabe?!) 
Triunfo, meta, início, clarão 
Que talvez não acabe.
E quem sobe? Que sente? O que vai a meu lado 
Só sente em mim que sou o que, estrangeiro, 
Tem o lugar da ponta, e do extremo, apanhado 
Por quem entra primeiro.
Que o que vale são as ideias que tenho, enfim, 
O resto, o que aqui está sentado, sou eu, 
Vestido, visual, regular, sempre em mim, 
Sob o azul do céu.
Ah, Destino dos deuses, dai-me ao menos o siso 
Ao que em mim pensa a vida de ter um profundo 
Senso essencial, mas certeiro e conciso Da vida e do mundo!
Sei, sob o céu que é que toca as minhas ideias, 
Sob o céu mais análogo ao que penso comigo 
Que este carro vai com os bancos cheios 
Para onde eu sigo.
E o ponto de absurdo de tudo isto qual é? 
Onde é que está aqui o erro que sinto? 
A minha razão enternecida aqui perde pé 
E pensando minto,
Mas a que verdade minto, que ponte, 
Há entre o que é falso aqui e o que é certo? 
Se o que sinto e penso, não sei sequer como o conte, 
Se o que está a descoberto
Agora no meu meditar é uma treva e um abismo 
Que hei-de fazer da minha consciência dividida? 
Oh, carro absurdo e irreal, onde está quanto cismo? 
De que lado é que é a vida?

Álvaro de Campos nasceu em Tavira, Algarve, Portugal, e depois se mudou para Glasgow, Escócia, onde foi estudar engenharia. Primeiro mecânica, depois naval. "Quase se conclui do que diz Campos, de que, o poeta vulgar sente espontâneamente com a largueza que naturalmente projetaria em versos como os que ele escreve; e depois, refletindo, sujeita essa emoção a cortes e retoques e outras mutilações ou alterações, em obediência a uma regra exterior. Nenhum homem foi alguma vez poeta assim" afirmou Ricardo Reis em um de seus apontamentos. Álvaro de Campos é um dos mais conhecidos heterônimos de Fernando Pessoa.

No Estado do Acre, o PT é rei


No Estado onde nasceu Marina Silva, a candidata do PSB é querida por seus conterrâneos, mas não é unanimidade quando o assunto é eleição

Adaíldo Carneiro de Lima, com a camiseta Playboy, em frente a sua casa adquirida pelo Minha Casa Minha Vida. / ALEXANDRE NORONHA
“A Marina é boa, ela conhece tudo por aqui. Mas eu vou votar na Dilma”, diz Adaíldo Carneiro de Lima, de 73 anos, morador de Quixadá, zona rural de Rio Branco, a 40 minutos da capital do Acre. “Ela (Dilma) deu essa casa pra gente. Não posso ser mal agradecido, né?”, explica, em frente à moradia que começou a ser construída há oito meses pelo programa do governo federal Minha Casa Minha Vida.
O vizinho de Lima, Sr. Zé Gomes, de 90 anos, trabalhou no Seringal Bagaço, nome do local onde nasceu Maria Osmarina Marina Silva Vaz de Lima, em 8 de fevereiro de 1958, em um lugarejo chamado Breu Velho. “Ela era chamada de ‘macaquinha do bagaço’, porque era muito pequena, magrinha e vivia correndo de um lado para o outro”, conta, rindo, exibindo a dentadura implantada por um programa do Governo Federal. Gomes ainda não sabe em quem vai votar.
Essa pequena vizinhança na zona rural de Rio Branco expõe um pouco a quantas andam as eleições para presidente no Estado natal de Marina Silva. Das 20 pessoas com quem o EL PAÍS conversou, tanto na zona urbana, quanto na zona rural de Rio Branco, três disseram que votariam em Marina para presidenta, sete votariam em Dilma Rousseff, um em Aécio Neves e os nove restantes estavam indecisos entre Rousseff e Silva.
Quando foi candidata à presidência pelo Partido Verde nas últimas eleições presidenciais, em 2010, Marina Silva ficou em terceiro lugar no Acre, com 23,58% dos votos dos 509.000 eleitores do Estado. O então candidato do PSDB José Serra liderou, com 52,18% dos votos, e Dilma Rousseff, quase empatada com Marina, obteve 23,74% dos votos.
Andando por Rio Branco, não há uma pessoa para quem Marina Silva seja uma desconhecida. Todos sabem quem é ela, de alguma maneira. Mas afinal, por que a candidata do PSB não lidera as pesquisas de intenções de votos em sua terra natal?
Para o atual governador do Acre e ex-companheiro de militância, Tião Viana (PT), Marina acabou se afastando de seu legado. “Ela se distanciou muito”, diz. “Nós, até hoje, temos um sentimento de gratidão muito grande pelo (ex-presidente) Lula e pelo projeto nacional do PT, mas ao entrar em uma agenda global, Marina se afastou de tudo isso”, diz.
Marina, na verdade, se distanciou do PT quando entregou sua carta de desligamento em 2008. A ambientalista entrou na política levada pelo líder seringueiro Chico Mendes. Juntos, fundaram a Central Única dos Trabalhadores (CUT) no Acre em 1985. No ano seguinte, Marina se filiou ao Partido dos Trabalhadores, que havia sido criado seis anos antes. Pelo PT, Marina se elegeu vereadora em Rio Branco (1988), deputada estadual (1990) e senadora por três vezes (1994, 2002 e 2008), sempre com uma quantidade expressiva de votos. Em 2003, foi nomeada ministra do Meio Ambiente do governo Lula, cargo ocupado até 2008, quando se desfiliou do partido após uma série de desgastes. No ano seguinte, Marina se filiou ao Partido Verde, do qual foi militante até 2011, quando saiu para fundar o grupo político Rede, que, até hoje, não foi registrado por falta de assinaturas no tempo determinado pelo Tribunal Superior Eleitoral. Para ser candidata nestas eleições, Marina se filiou ao Partido Socialista Brasileiro (PSB) no ano passado. Entre tantas idas e vindas, ela perdeu parte de sua militância e de seu eleitorado no Acre.
O professor de Sociologia do Desenvolvimento da Universidade Federal do Acre, Elder Andrade de Paula, especializado em temas como sindicatos, seringueiros e reforma agrária, fez um pequeno raio-x do eleitorado do Estado e explica por que Marina Silva não é líder em sua própria terra. Começando pelo bloco do agronegócio, que, segundo de Paula, tem resistência aos ambientalistas. “Mesmo sendo alguém do porte de Marina”, diz. A agricultura e o extrativismo são as principais atividades econômicas do Estado.
Outro aspecto do eleitor de Marina que não está no Acre é o grau de escolaridade. “Marina exerce simpatia em uma classe média urbana e na juventude, que foi criada com uma conscientização ambiental, uma coisa de classe média. Mas aqui, como essa faixa de população é mais restrita, ela acaba não ‘lucrando’ com esse tipo de eleitor”, explica.
Os acrianos que moram nas zonas rurais, de acordo com de Paula, também não têm bons motivos para eleger sua conterrânea. “As populações camponesas e indígenas não têm razões para gostar dela porque a sua gestão no Ministério do Meio Ambiente foi dramática”, diz. “Foi na gestão dela que foi criado o Instituto Chico Mendes, que multava e marcava em cima dessas populações. Logo, Marina é encarada por eles como uma encarnação dessa política opressiva”, explica de Paula. “Além disso, foi na gestão dela que foi criada a lei 11.884, que institui florestas públicas para a exploração”, diz, se referindo à lei que transfere ao Governo a gestão de florestas públicas para serem exploradas. “Não há motivo para ela ser bem quista por essa população”.
Outra questão, segundo de Paula, é que a candidata do PSB não toma partido quando o assunto é o PT no Estado, que está no governo há 15 anos. “Marina é parte desse bloco do governo atual, já que seu marido fazia parte dele há até duas semanas [Fábio Vaz de Lima era secretário adjunto na Secretaria de Estado de Desenvolvimento Florestal, da Indústria, do Comércio e dos Serviços Sustentáveis do Governo do Acre, e pediu a exoneração no último dia 19], e ela nunca se manifestou contra a administração, nem mesmo quando surgem escândalos de corrupção. Ao mesmo tempo, ela não nasceu nessa oligarquia” diz, se referindo à família Viana, que tem grande popularidade entre os acrianos.
“Eu gosto muito da Marina, mas não vou votar nela”, diz a professora aposentada Maria da Costa Silva, de 65 anos, que lecionou na mesma escola que Marina, o Colégio Estadual Rio Branco, quando a ambientalista dava aulas de história. “A Marina mudou muito, quando ela era senadora ela era ótima, mas agora ela fala difícil”, diz. “Além disso, ela é muito doente, tenho medo que Brasília acabe com a saúde dela”, conta a aposentada que “provavelmente” votará em Dilma.
Na década de 1990, Marina descobriu que havia sido contaminada por mercúrio quando ainda vivia no seringal. A contaminação piorou sua saúde que já era frágil em decorrência de uma leishmaniose, três hepatites e cinco malárias. Por isso, hoje, Marina Silva tem alergia ou restrições a quase tudo, de cosméticos a alimentos.
A secretária geral do Colégio Rio Branco, Maria Nires Nunes da Silva, de 48 anos, foi uma das alunas de Marina Silva na época do colégio. Hoje, é sua eleitora. “Ela era ótima professora, se expressava muito bem e ensinava tudo sem olhar em um livro, só com o que tinha na cabeça”, conta a ex-aluna. “Minha família toda, e eu, votaremos nela. Ela sabia como conquistar os alunos”. Mas para Marina Silva ganhar no Acre, será preciso exercer esse poder de conquista muito além da sala de aula.