sábado, 2 de agosto de 2014

Apocalipse – A participação de deputados em esquema de nomeação de ‘fantasmas’

Publicada em 31/07/2014 - 10h00min   /  Autor:  Rondoniadinamica

Ao impedir que o inquérito da operação fosse arquivado, a juíza Sandra Aparecida Silvestre de Frias Torres destacou a conduta de cada parlamentar mencionando as respectivas participações apontadas pelo Grupo de Combate ao Crime Organizado
 
Porto Velho, RO – No fim do ano passado um voto proferido por um membro do Tribunal Pleno do Tribunal de Justiça de Rondônia impediu que denúncias oriundas do inquérito policial referente a Operação Apocalipse fossem arquivadas em relação aos deputados estaduais Hermínio Coelho (PSD), Adriano Boiadeiro (PRB), Jean de Oliveira (PSDB) e Cláudio Carvalho, do PT.

O pedido de arquivamento partiu do próprio Ministério Público que, em parecer elaborado pelo procurador de Justiça Júlio César Amaral Tomé, atuando por designação do procurador-geral de Justiça, fez a solicitação pedindo que a denúncia fosse recebida apenas em relação à deputada Ana da Oito (PT do B) e outros envolvidos não citados.

A juíza de Direito Sandra Aparecida Silvestre de Frias Torres, relatora da questão, rejeitou a promoção de arquivamento fazendo com que os autos retornassem ao órgão ministerial.

Antes disso, ainda relatando o voto e após suscitar questões de ordem jurídica, a magistrada passou a pontuar a conduta de cada um dos deputados mencionados no inquérito policial.

Primeiramente, a juíza relembrou que, em novembro de 2011, foi instaurado pelo Grupo de Combate ao Crime Organizado - GCCO - o Inquérito Policial sob n. 1021000018/2011/DERCCOT/PC/RO, com trâmite na 1ª Vara de Delitos de Tóxicos da capital, em que ficou apurada a existência de uma organização criminosa, com atuação interestadual, formada por particulares, servidores públicos, empresários e autoridades políticas que, segundo fortes indícios, também financiavam candidatos para que, caso eleitos, passassem a nomear, em seus respectivos gabinetes, integrantes daquela organização.

Uma vez nomeado na Assembleia Legislativa, o integrante da organização criminosa passava a perceber proventos do erário, mesmo sem prestar o devido serviço para o qual foi contratado.

Desta imputação surgiu, em tese, a "justa causa" para investigação dos parlamentares.

Para apuração dos fatos narrados foram realizadas inúmeras diligências, desde provas testemunhais, documentais, medidas cautelares (interceptações telefônicas e busca e apreensão), além de monitoramento e filmagens dos investigados.

Ao relatar as peças investigatórias, o Grupo de Combate ao Crime Organizado concluiu pelo indiciamento de todos os parlamentares. Foram eles: Hermínio Coelho, Ana Lúcia Dermani de Aguiar (Ana da Oito), Adriano Aparecido Siqueira (Adriano Boiadeiro), Jean Carlos Scheffer Oliveira (Jean de Oliveira) e Cláudio Nogueira Carvalho (Cláudio Carvalho), como envolvidos nos crimes de peculato-desvio e formação de quadrilha.

No último dia 17 Renato Martins Mimessi, vice-presidente em substituição no Tribunal de Justiça de Rondônia, determinou a redistribuição dos autos, por sorteio, após o desembargador Hiram Marques se declarar suspeito. Nos últimos dez dias não houve movimentação do processo.

Clique aqui para ver 

Abaixo Rondônia Dinâmica destaca as participações transcrevendo o voto de Silvestre 












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sexta-feira, 1 de agosto de 2014

ACADEMIA DOS POETAS MORTOS



Sylo Costa
Nesta última quinzena de julho, o Brasil e a Academia Brasileira de Letras perderam três de seus maiores vultos. Uma pena… Eu nunca tinha prestado atenção na fragilidade humana dos imortais da ABL, igual à nossa, pessoas comuns. Talvez eu estivesse querendo me convencer dessa imortalidade e só agora tenha ficado ciente de que a imortalidade é da obra literária de cada um deles, e não da pessoa. Como diz uma amiga, “no fundo, no fundo, a gente sabe disso, só que não presta atenção”. E é mesmo. Pensando bem, onde será esse fundo, que nossa teimosia torna tão profundo? Pensar pensando é bom e fácil, e eu gosto…
JOÃO UBALDO
João Ubaldo, sem aviso prévio, morreu de doença que grassa no Nordeste, uma tal de “de repente”, que ataca por motivo secreto e de surpresa. “De repente” é um mal perverso e, ao mesmo tempo, confortador, pois a passagem se dá sem sofrimento. A morte morrida em tempo prolongado é sofrença, é ruim, porque dói mais nas pessoas do seu bem-querer… Vou morrer um dia qualquer, sem saber que a morte chegou. Eu lia João sempre aos domingos. Certamente, vou ficar pensando nele, por enquanto, sem precisar dormir na praça. Quando se dorme na praça, quase sempre é pensando nela…
RUBEM ALVES
O mineiro Rubem Alves, que era uma pessoa tão discreta quanto amável, tinha aquela fisionomia que podia fazer qualquer um pensar: “Parece que conheço aquele senhor…”. Na expressão dos mais novos, da geração celular: “Conheço aquele cara…”. Rubem será lembrado não só por sua obra como educador, filósofo, psicanalista e teólogo, mas, principalmente, por sua enorme generosidade, virtude própria dos que sabem tudo da vida.
ARIANO SUASSUNA
Finalmente, mas não por último, já que ficaram vivos muitos imortais que ainda não sabem que já morreram, assinalo a partida do querido Ariano Suassuna, paraibano de nascimento e pernambucano de vivência e preferência. O povo nordestino vai sentir muita falta de suas aulas-espetáculo, forma que ele usava para divulgar cultura.
De suas obras, guardarei sempre a lembrança de Chicó, um dos personagens do “Auto da Compadecida”, história que me tocou fundo, obra-prima da cultura das terras áridas do Nordeste. Não sei por que, mas sempre achei o Nordeste do Brasil a síntese do nosso povo e do país.
Talvez porque meu querido pai fosse um cearense da gota serena… Há mais de 20 anos, sei que saudade não mata a gente. E desse naipe foram também, para a Academia do Céu, Castro Alves e o Quintana, que, em vida, assumiu ser passarinho. Fica Manoel de Barros, o pantaneiro, que pensa e escreve pelo reverso do avesso e poeta com musgo incolor do nada…
BRIGA
E, para terminar, falando de flores, é incrível que o Brasil se meta em briga de judeus e palestinos, assunto que nem Cristo resolveu. Era só o que faltava. Com razão, a resposta de Israel foi à altura da intromissão indébita: “O Brasil é um país anão”. Israel está quase certo, pois não é o país que é anão, mas a porcaria do governo petista. Falei… (transcrito de O Tempo)

Bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal, coordena doação de R$ 10 milhões à reeleição de Dilma


Posted: 01 Aug 2014 03:15 PM PDT

Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net

Exibindo a vistosa e comprida barba branca – semelhante a dos rabinos ortodoxos de Israel -, o Bispo Edir Macedo Bezerra, líder espiritual da Igreja Universal do Reino de Deus, celebrou ontem o resultado político de uma generosa doação de R$ 10 milhões de reais para a campanha releeitoral do PT. Na inauguração da suntuosa réplica do Templo do Rei Salomão, no bairro paulistano do Braz, Macedo teve a honra de posar ao lado da Presidenta Dilma Rousseff, mostrando força para seletos 10 mil convidados VIPs, entre governadores, prefeitos, senadores, deputados, ministros de tribunais superiores, desembargadores, juízes e artistas – principalmente da Rede Record, da qual Macedo é “proprietário”.

A obra custou R$ 680 milhões – que torna a doação aos petistas uma merreca. A Igreja Universal garante que tudo foi fruto de doações de seus fieis – e não dinheiro vindo de governos. No entanto, o fisco estadual e federal tiveram prejuízos com a divina construção. A 4ª Turma do Tribunal Regional Federal (TRF) ratificou, por unanimidade, em junho, a isenção de impostos sobre os 39.009,37 m² de pedra cantaria, considerada sagrada e proveniente da cidade de Hebron, em Israel. Também vieram de lá as pedras Taltishe (para 19 mil m² de revestimento interno), Brushed Stone (para o piso) e Matabeth (para os pilares). A decisão judicial foi apenas uma prova de que o poder da Universal é pedreira...

O maçom inglês e vice-presidente da República, Michel Temer, também prestigiou a festa. Como membro ativo da Maçonaria – ordem que venera a sabedoria salomônica, Temer deve ter delirado com um dos pontos altos do grandioso evento: o ingresso no templo de uma imitação, em ouro, da famosa Arca da Aliança. O símbolo sagrado do povo de Israel foi carregado por seis sacerdotes (também barbudinhos) da Igreja Universal.

Em tempo: a doação milionária ao PT não estava ali guardada... Embora Dilma tenha recebido tratamento digno da Rainha de Sabá – lendária amiga do Rei Salomão. O único sacrifício foi ter de subir três andares, de escada, por causa de picos de luz que provocaram apagão de energia na região do templo (que apenas recebeu autorização provisória de evento, ainda sem alvará definitivo de funcionamento). Dilma aguenta tudo. É grande parceira da Igreja Universal e do projeto de poder gradual de Macedo. O partido dele, o PRB, sempre foi aliado do PT. Ganhou até Ministério da Pesca.



Passadilma

Mais uma prova de que a Oligarquia Financeira Transnacional salgou a continuidade de Dilma no Palácio do Planalto.

O Deutsche Bank da Alemanha advertiu hoje que a vitória reeleitoral de Dilma torna o futuro do Brasil incerto.

A principal crítica dos alemães é sobre a necessidade de promoção de uma reforma tributária, em uma conjuntura com tendência de inflação alta.

Os germânicos também consideram indefinido o futuro de Guido Mantega e Alexandre Tombini no Ministério da Fazenda e no Banco Central.

Remédio indicado 



Oposição banqueira

Três grandes bancos reuniram suas diretorias para analisar o problema com o Santander e as indefinições no rumo da economia.

Os banqueiros levaram a sério a ameaça de tarifaço (negada ontem por Guido Mantega).

A leitura que se faz, nos bastidores, é que o Itaú, Bradesco e Santander são contra a reeleição de Dilma.

Reformas

O Brasil precisa, urgentemente, de três reformas: a política, a tributária e a financeira.

O mais assustador da atual campanha eleitoral é que nenhum dos candidatos – nem os de oposição – apresenta soluções claras e concretas para os três temas.

Assim, vença quem ganhe, o Brasil sai da eleição tão perdido como sempre...

Cibersabotagem

Os Estados Unidos sofreram ontem um dos mais violentos ataques cibernéticos dos últimos tempos.

Por causa do problema, embaixadas norte-americanas não conseguem, desde ontem, emitir vistos para turistas.

Suspeita-se que a sabotagem tenha sido promovida por hackers russos – país berço do velho comunismo, que parece mais vivo que nunca...

Grãos de Areia



Pronto para sair



Cavalgadura



Preso ao podre poder




© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 1º de Agosto de 2014.

A HISTORIA É A MÃE DE TODAS AS VERDADES


A. Raad


 Comunicação oficial do Instituto Endireita  Brasil

1985  –  O PT é  contra a eleição de tancredo neves e expulsa  os
deputados  que votaram nele.

1988  –  O PT vota contra a nova constituição que mudou o rumo do  Brasil.

1989  –  O PT defende o não pagamento da dívida brasileira, o  que transformaria  o Brasil num caloteiro mundial.

1993  –  Presidente  Itamar Franco convoca todos os partidos para  um governo  de coalizão pelo bem do país. o PT foi contra e  não participou.

1994  – O PT vota contra o plano real e diz que a medida é  eleitoreira.

1996  –  O PT  vota contra a reeleição. hoje defende.

1998  – O PT  vota contra a privatização da telefonia, medida que  hoje nos  permite ter acesso a internet e mais de 150 milhões de  linhas telefônicas.

1999  –  O PT  vota contra a adoção do câmbio  flutuante.
1999  –  O PT  vota contra a adoção das metas de  inflação.

2000  – o pt luta ferozmente contra a criação da lei de responsabilidade  fiscal, que obriga os governantes a gastarem apenas o que  arrecadarem, ou seja, o óbvio que não era feito no  brasil. Por que  será?

2001  –  O PT  vota contra a criação dos programas sociais no  governo Fernando  Henrique Cardoso: bolsa  escola, vale alimentação, vale gás e  outras bolsas são classificadas como esmolas eleitoreiras  e insuficientes. Quase  toda estrutura sócio-econômica do brasil foi construída  no período  listado acima. O PT  foi contra tudo e contra todos.

Hoje  roubam todos os avanços que os outros partidos promoveram e  posam como os  únicos construtores de um país  democrático. Já que  o PT foi contra tudo e contra todos desde a sua fundação,  fica uma  pergunta para que os leitores  respondam:


Em 10  anos de governo, quais as reformas que o PT promoveu no  Brasil para  mudar o que os seus antecessores  deixaram?

Lembre-se  sempre: “Embora  ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo,  qualquer um pode  começar agora e fazer um novo fim”.

POEMA DA NOITE Súplica a minha mãe, por Pier Paolo Pasolini


É difícil dizer com palavras de filho
aquilo a que intimamente bem pouco me pareço.
És a única no mundo que sabe o que esteve sempre
no meu coração, antes de qualquer outro amor.
Por isso tenho de dizer-te o que é horrível sabe:
é na tua graça que nasce a minha angústia.
És insubstituível. Por isso está condenada
à solidão a vida que me deste.
E eu não quero estar só. Tenho uma fome infinita
de amor, do amor de corpos sem alma.
Porque a alma está em ti, és tu, mas tu
és minha mãe e o teu amor é a minha servidão:
vivi a infância como escravo desse sentimento
supremo, irremediável, de um fervor imenso.
Era a única maneira de sentir a vida,
a única cor, a única forma: agora terminou.
Sobrevivemos: e é o caos
de uma vida que renasce fora da razão.
Suplico-te, ah, suplico-te: não queiras morrer.
Estou aqui, sozinho, contigo, num Abril futuro… 

Pier Paolo Pasolini (Bolonha, Itália, 5 de março de 1922 - Óstia, Itália, 2 de novembro de 1975) - Além de mundialmente conhecido e importante cineasta, também foi poeta, escritor, jornalista e professor. Formou-se em Literatura pela Universidade de Bolonha, pertenceu ao Partido Comunista Italiano. Combateu o Fascismo a sua vida inteira. Foi brutalmente assassinado sob condições ainda bastante polêmicas. Pasolini realizou filmes que se tornaram clássicos como 'Medeia', 'Os 120 dias de Sodoma' e 'Teorema'. Todas as traduções foram feitas por Maria Jorge Vilar de Figueiredo

Cartas de Seattle: Agora tem arco-íris pela cidade toda


Melissa de Andrade
O bairro mais famoso de Seattle pode estar perdendo sua característica principal: a diversidade.
Capitol Hill é cheia de cafés, restaurantes e sacadas de apartamento com bandeiras do arco-íris. Mas a concentração de casais do mesmo sexo que moram no bairro caiu 23% de 2000 a 2012. Praticamente todos os outros bairros de Seattle apresentaram população maior no período.
Isso pode significar três coisas. Primeiro, a especulação imobiliária não distingue orientação sexual: casais gays e casais héteros são igualmente "expulsos" do bairro pelos preços nas alturas de aluguéis e venda de imóveis. O impacto maior é, porém, é na comunidade gay, estabelecida na área desde os anos 60.
O segundo motivo pode ser a liberalidade de Seattle. Os casais homoafetivos não têm mais que se restringir a um único bairro para garantir aceitação e segurança. Desde que o casamento igualitário virou lei em Washington, onde fica Seattle, há um ano e meio, milhares de casais oficializaram a união. Faz tempo que Capitol Hill não é mais o único bairro da cidade em que é comum encontrar homens andando de mãos dadas ou mulheres cochichando romanticamente ao pé do ouvido.
O terceiro motivo é o mais prosaico. Capitol Hill é o bairro moderninho e divertido: tem as melhores baladas da cidade, as melhores noitadas, os melhores bares. Tudo parece ser festa. É um bairro de solteiros e pegação. Não é surpresa que, com o tempo, os casais se mudem mesmo de lá. Gays ou hétero.
Um em cada nove casais homoafetivos moravam em Capitol Hill em 2012, quando os dados do último censo foram coletados. Uma década antes, era um em cada seis. O mesmo censo indica que há 7.500 casais em Seattle, 50% a mais do que no ano 2000. Na Grande Seattle, o crescimento foi de 22% no período. Os números atuais devem ser bem maiores, já que esses dados são anteriores à lei do casamento igualitário.
A revolução demográfica de Capitol Hill deve ser uma combinação de fatores, mas não é um fato isolado. O socialista Amin Ghaziani explica no livro “There Goes The Gayborhood? como tradicionais redutos gays em cidades como Nova Iorque, Chicago e São Francisco estão ficando com uma população maior de heterossexuais. O estudioso diz que uma maior tolerância reduz a pressão pela existência de guetos, ao mesmo tempo em que homens e mulheres hétero não têm restrições a se mudar para essas áreas.
Se maior tolerância for a razão do novo perfil da população de Capitol Hill, um viva aos novos tempos. 

 

Melissa de Andrade é jornalista com mestrado em Negócios Digitais no Reino Unido. Ama teatro, gérberas cor de laranja e seus três gatinhos. Atua como estrategista de Conteúdo e de Mídias Sociais em Seattle, de onde mantém o blog Preview e, às sextas, escreve para o Blog do Noblat. 

Diferença de postura: o aeroporto e o mensalão


Aécio x Dilma: posturas bem diferentes diante de críticas e ataques
“A grande vaia é mil vezes mais forte, mais poderosa, mais nobre do que a grande apoteose. Os admiradores corrompem.” (Nelson Rodrigues)
Esse artigo seria uma retrospectiva de meuprimeiro ano de blog, após receber críticas construtivas de um leitor que respeito muito. Reconheço vários erros apontados por ele, especialmente o tom um tanto radical algumas vezes, e em alguns casos já tentei me explicar aqui, como quando disse que o PT me faz ser uma pessoa pior ou quandojustifiquei certos textos mais “populistas”.
Mas resolvi mudar um pouco o foco do texto quando li o artigo de Aécio Neves na Folha hoje. O tema central ainda é o mesmo, qual seja, a capacidade de escutar críticas e aprender com elas, de desejar realmente melhorar, mostrar-se aberto ao diálogo. O senador tucano, ao tentar se explicar minuciosamente sobre as críticas que vem recebendo sobre obras do governo mineiro em aeroporto perto da fazenda de um tio, demonstra um louvável espírito republicano. Diz ele logo no começo:
Nasci no ambiente da política e vivi nele toda a minha vida. Sei que todo homem público tem uma obrigação e um direito: a obrigação de responder a todo e qualquer questionamento, especialmente os que partem da imprensa. E o direito de se esforçar para que seus esclarecimentos possam ser conhecidos.
Em seguida, Aécio realmente rebate ponto por ponto das críticas. O leitor tem todo o direito de achar que as explicações foram insatisfatórias, mas o esforço de se explicar sem rodeios ou desculpas esfarrapadas é evidente.
Inúmeros fatos históricos, que a imprensa pode facilmente verificar, são dados como evidência de que não houve abuso de poder político, tradição conhecida nossa do velho patrimonialismo, que confunde público com privado.
Recentemente, o jornalista Elio Gaspari condenou a reação de Aécio diante das acusações, que seria “imperial”, mas esse texto claramente derruba tal rótulo. Houve humildade por parte do candidato tucano. Ele conclui:
Refletindo sobre acertos e erros, reconheço que não ter buscado a informação sobre o estágio do processo de homologação do aeródromo foi um equívoco. Mas reitero que a obra foi não apenas legal, mas transparente, ética e extremamente importante para o desenvolvimento do município e da região.
Após suas explicações, duas coisas vêm à mente: 1) se isso for tudo o que o PT conseguiu cavar de “podre” do oponente na disputa ao Planalto, então é bom os petistas realmente ficarem preocupados e começarem a preparar os currículos para, finalmente, procurar trabalho de verdade uma vez na vida; 2) a diferença de postura entre Aécio e Dilma ou Lula é gritante.
Compare-se tal reação àquela de Lula diante do escândalo do mensalão que, convenhamos, faz essa coisa de aeroporto parecer algo que precisa crescer muito para ser insignificante. O que fez Lula? Primeiro se disse “traído”, sem explicar quem o teria traído. Depois passou a negar a existência do mensalão. Por fim, ainda tentou intervir em seu julgamento, pressionando ministros de forma bem pouco republicana.
Dilma é outra que parece totalmente alheia a qualquer crítica. Todos sabem de suas grosserias e arroubos autoritários em reuniões com subalternos, postura típica de quem não se mostra disposta a reconhecer erros. De fato, a economia vive praticamente uma estagflação, incapaz de crescer apesar de alta inflação, e nem mesmo a cabeça de Mantega foi entregue como gesto para sinalizar um resquício de humildade.
Ao contrário: a presidente subiu o tom contra os “especuladores”, o PT pediu – e conseguiu – cabeças de analistas que ousaram constatar a situação real da economia, e os bodes expiatórios são sacrificados para blindar o próprio governo da sua incompetência.
Vários outros casos ilustram bem essa ojeriza do PT às críticas. O programa Mais Médicos, por exemplo, suscitou diversas questões éticas, pois o governo financia a ditadura cubana em vez de pagar diretamente aos médicos, mas o PT sequer tentou justificar tal atitude. A lista é longa.
O PT simplesmente não convive bem com críticas, e jamais se explica, nunca responde com objetividade as acusações que a imprensa traz à tona – em velocidade espantosa simplesmente pelo fato de que esse governo produz escândalos em ritmo alucinado.
Tenho minhas críticas ao PSDB, muito à esquerda do que um liberal como eu gostaria. Mas não aceito em hipótese alguma a “tese” de que são todos “farinha do mesmo saco podre”. Colocar o PT e o PSDB no mesmo nível é fazer o jogo do PT.
E não falo “apenas” da qualidade do quadro técnico, da competência infinitamente maior dos economistas tucanos, nada disso. Há um abismo moral intransponível também. O PSDB se mostra aberto ao diálogo civilizado e às críticas, e procura se defender de ataques com argumentos, ainda que nem sempre convincentes.
O PT age como um ouriço, fecha-se em seu mundo imaginário, e começa a cuspir espinhos de forma autoritária em todos os críticos, inspirado nos piores governantes que o mundo já produziu, todos camaradas dos petistas.
Rodrigo Constantino