segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Que Copa, hein! - ANCELMO GOIS


O GLOBO - 06/01

Faltando 156 dias para a Copa, o Rio ainda não sabe se terá o chamado Fifa Fan Fest, um lugar onde as pessoas acompanham os jogos pelo telão com muita festa. O problema é que a Fifa vende o espaço para os patrocinadores, como a Coca-Cola, por exemplo, mas quer que a prefeitura, dinheiro meu, seu, nosso, pague a estrutura.

Tudo OK com os estádios
Dilma já recebeu um relatório interno do governo sobre a Copa do Mundo.
Nesta altura do campeonato, o ritmo de obras nos estádios é considerado satisfatório. Não preocupa mais. Onde mora o perigo é na parte logística, como conexões de voos ou a chegada do público ao Itaquerão, em São Paulo.

Segue...
O relatório tem um capítulo inacabado na questão de segurança.
Não se acredita em atentados ou ataques de facções criminosas, mas ainda não se tem uma ideia real da dimensão das manifestações que podem ocorrer durante a Copa.
A conferir.

Neymar e o cai-cai
O primeiro a falar com Neymar para evitar o cai-cai na Europa foi o pai.
Seu Neymar, que foi jogador de futebol, teve várias conversas com o filho sobre isso. Disse que ele só vai se firmar por lá se parar de cavar faltas.
E pelo que temos visto o garoto ouviu os conselhos.

Antecedentes
Joaquim Barbosa disse a amigos que Edson Santos passou a atacá-lo depois da ida a seu gabinete, no STF, de um grupo, ligado ao deputado petista, em busca de apoio aos chamados invasores do Jardim Botânico, no Rio. O ministro não apoiou. 


60 anos do suicídio
Este ano se completam 60 anos do suicídio de Getúlio Vargas. Por conta disso, o coleguinha José Augusto Ribeiro vai relançar este mês seu livro — em três volumes com edição revista e ampliada —“A Era Vargas”, cuja primeira edição é de 2001.
Zé, depois de passar por várias redações, foi assessor de imprensa na campanha de Tancredo Neves.

100 anos de Abdias
A Flupp, Festa Literária das UPPs e das Periferias do Rio, decidiu fazer este ano uma homenagem ao centenário do nascimento de Abdias do Nascimento.
O foco de toda a programação vai girar em torno do conceito de “Inventores do Brasil”, e Abdias terá um lugar de honra, ao lado de Sérgio Buarque de Holanda e Gilberto Freyre.

Os brazucas
José Joffily, diretor, entre outros, do filme “Quem Matou Pixote?”, está em Londres.

Filma um documentário para o Canal Brasil e a Riofilme sobre os brasileiros que moram no exterior.
Estima-se que uns 100 mil brasileiros estejam vivendo na Inglaterra.

Imprensa é diversidade
Assinada pela artista plástica baiana Bárbara Tércia, esta é a camiseta do “Imprensa que eu gamo” para o carnaval 2014.
Traz o tema da diversidade, com 19 tipos de casais (em referência à idade do bloco): heterossexuais, homossexuais, alto com baixo, magra com gordo, etc.
Fundado por jornalistas em 1995, o primeiro samba foi do coleguinha Marceu Vieira.

Filme triste
Por decisão da nova diretora do Jardim Botânico, Samyra Crespo, foi fechado o cineclube que funcionava no lugar, nas noites de terça-feira.
O clube foi criado pelo cineasta Walter Lima Júnior, em 2007.

Barulho que vem do céu
Nas Paineiras até que tudo está organizado. Na terra. No céu impera o barulho ensurdecedor dos helicópteros.
No Parque Nacional do Grand Canyon, no Arizona, assim como é em muitos outro parques, só é permitido o sobrevoo de aparelhos silenciosos.
Por que não adotar essa medida aqui?

Orgulho do subúrbio
No subúrbio do Rio não mora só gente pobre. Pesquisa feita pela agência NBS mostra o perfil da classe A que vive bem longe da Zona Sul.
Veja só: 93% das famílias, com renda mensal entre R$ 7 mil e R$15 mil, consideram que têm uma relação afetiva com o subúrbio, e quase todos, 99%, declaram orgulho do local onde moram.

Éque...
Para essas pessoas, o calor humano e a proximidade dos amigos, parentes e vizinhos é fundamental.
Maravilha!

AVALIAÇÃO NEGATIVA - MÔNICA BERGAMO


FOLHA DE SP - 06/01

Gleisi Hoffmann (Casa Civil) e José Eduardo Cardozo (Justiça) são os ministros mais bem avaliados do governo Dilma Rousseff, segundo enquete entre empresários, presidentes de organizações, executivos e jornalistas. Os dois estão empatados com média 6,3 (numa escala de 0 a 10), seguidos de Marta Suplicy (Cultura) e Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência), ambos com 6,1.

AVALIAÇÃO 2
Pelo mapeamento anual da GT Marketing e Comunicação, a avaliação piorou em relação ao governo Lula, quando os dez ministros mais bem avaliados tiveram médias acima de 6,5. Em 2010, entre os primeiros colocados estavam Guido Mantega (Fazenda), com 7,2, e Dilma Rousseff (Casa Civil), com 6,9.

AVALIAÇÃO 3
Com Dilma na Presidência, 13 ministérios foram avaliados abaixo de 5, de acordo com o levantamento feito em dezembro. Entre as notas vermelhas, estão Fazenda (4,9), Planejamento (4,8) e Turismo (4,1).

AVALIAÇÃO 4
A enquete ouviu 560 formadores de opinião. "As notas foram muito baixas. As 15 melhores médias estão entre 6,3 e 5,6, bem abaixo do regular", diz o consultor em marketing político Gaudêncio Torquato, da GT. O juízo severo é creditado ao perfil dos entrevistados. "É um público mais crítico e que acompanha a dinâmica governamental."

CHORINHO
Beth Carvalho, que recebeu R$ 150 mil para cantar no Réveillon do Rio, não tinha ideia de que Carlinhos Brown e Lulu Santos, que se apresentaram na mesma noite, iriam receber R$ 550 mil cada um de cachê. "Eu ia cobrar R$ 250 mil. A Prefeitura do Rio chorou pra pagar mais barato. Achei que fosse assim com os outros artistas."

A sambista diz que não ficou chateada com os colegas. "Cada um cobra o quanto quiser. No fim, o contratante é quem decide."

RECORDISTA
Ivete Sangalo recebeu o maior cachê entre os artistas que se apresentaram no Réveillon deste ano. A cantora, que fez show em uma festa privada em Maceió, ganhou R$ 600 mil do contratante, fora o montante pago pelo patrocinador, a Schin. A baiana teria embolsado R$ 1,4 milhão no total. Procurada, sua assessoria diz "que não fala em valores".

NOVA DUPLA
O diretor José Luiz Villamarim ("Avenida Brasil" e "O Canto da Sereia") lança dois atores na minissérie "Amores Roubados", que estreia hoje na Globo. Jesuíta Barbosa (do filme "Tatuagem") e Germano Hauit (de "O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias"). Jesuíta tem 22 anos e Germano, 75. Os dois estreantes na telinha são pernambucanos. O diretor já convidou Jesuíta para um papel em "O Rebu".

ANTES DA RALAÇÃO
Com o fim das filmagens de "Focus" em Buenos Aires, Rodrigo Santoro conseguiu um respiro na agenda para curtir a família. Visitou até os avós maternos em Ribeirão Preto. Tem uma maratona de lançamentos internacionais pela frente. Em março, a sequência de "300" e "Rio 2", a animação de Carlos Saldanha.

Santoro ainda é o produtor da cinebiografia de Pelé. E fará participação no longa sobre o Rei do Futebol, dirigido por Jeff e Michael Zimbalist.

FLASHBACK PODEROSO
"Quando eu era pequena, ensaiava beijo na boca no buraco da fechadura. Ah, e também adorava dançar com as portas!", diz Anitta, que posou para ensaio da "Glamour" inspirado no filme "Flashdance".

Agora que cresceu, a cantora curte beijar "os novinhos, de 23, 24 anos...". Mas diz estar cansada de boatos sobre seus relacionamentos. Após a parceria com Roberto Carlos no especial dele na Globo, ela espera "que o povo não invente" que está namorando o cantor.

"É o que mais tem acontecido comigo", afirma.

VIRADA PAULISTA
Os cantores Marcelo Bonfá, Toquinho e Supla se apresentaram no Réveillon da avenida Paulista. Sam Alves, vencedor do programa "The Voice" (Globo), e Paulo Ricardo também fizeram shows no palco montado para a festa de Ano-Novo na capital paulista.

CURTO-CIRCUITO
O Spot comemora 20 anos hoje com festa do lado de fora do restaurante, na região da Paulista.

Claudio Filippi toma posse hoje como presidente do Conselho Regional de Contabilidade de SP.

O Creamfields, um dos principais eventos de música eletrônica do mundo, terá edição em Jurerê Internacional (SC), no próximo dia 25, com 20 atrações. 16 anos.

O Lobo de Scorsese - LÚCIA GUIMARÃES


O Estado de S.Paulo - 06/01

Shame on you! (que vergonha!), gritou um roteirista quando o diretor Martin Scorsese saiu do elevador ao lado de Leonardo DiCaprio para encontrar o público de membros da Academia de Hollywood na sessão de O Lobo de Wall Street, baseado no livro de memórias homônimo de Jordan Belfort.

No ano de 12 Anos de Escravidão, o mais poderoso filme sobre a maior ferida da história dos Estados Unidos, os americanos estão consumidos por um escroque do mercado financeiro cuja história foi levada ao cinema com o abandono operático conhecido do diretor de Raging Bull (Touro Indomável).

Pouco mais de cinco anos depois do crash, que causou a pior recessão desde a Grande Depressão, o filme sobre a vida do ex-corretor Jordan Belfort está chocando público e críticos, gente que não se queixou quando A Hora Mais Escura mostrou cenas bárbaras de tortura sancionada pelo governo.

Belfort fundou a corretora Stratton Oakmont, nos anos 90. Em 1998, foi indiciado por fraude e lavagem de dinheiro e dedurou colegas para obter sua sentença de 4 anos, da qual só cumpriu 22 meses. Ele era agressivo na perseguição aos clientes e provocou perdas de pelo menos US$ 110 milhões para 1.500 pessoas. Hoje, Belfort ganha a vida como palestrante motivacional, a atividade inventada neste país onde deveria haver um Oscar amador para embusteiros.

Leonardo DiCaprio obteve os direitos sobre a vida de Belfort numa disputa acirrada com o ator e produtor Brad Pitt, em 2007. DiCaprio descreve seu personagem com um "Calígula contemporâneo", o que pode explicar os vários cortes feitos por Scorsese em cima da estreia para o filme não receber a temida classificação NC-17, que não permite a entrada de menores de 17 anos. Ainda assim, O Lobo é resumido por detratores como 3 horas de sexo, drogas e misantropia. Entre as variadas predileções do protagonista representadas no filme, uma delas é cheirar cocaína depositada num orifício corporal de uma prostituta.

Ficamos sabendo que a plateia numa sessão em Wall Street aplaudiu "nos momentos errados", fato que foi usado para acusar Scorsese de cumplicidade com os personagens. É mais fácil caminhar sobre o gelo que cobriu Manhattan esta semana do que tentar plantar os pés numa discussão sobre a promissória moral de um artista.

"É brutal", admitiu um defensivo Scorsese surpreso com a reação passional ao filme, de um público familiar com a sua obra que é farta na exploração da violência.

Um ruidoso grupo de críticos é formado pelas vítimas de Jordan Belfort, entre eles, gente que teve a saúde ou os meios de sustento arruinados pelo pilantra. Suas histórias não fazem parte do filme. DiCaprio conseguiu produzir O Lobo com financiamento independente e é provável que um grande estúdio exigisse alguma forma de redenção na narrativa. Scorsese é um mestre em nos servir vilões, como ele mesmo diz, sem açucarar. Ele quer que o público goste de seus personagens, ainda que despreze suas ações.

Mas, desta vez, Scorsese parece ter tocado num nervo. Um respeitado crítico como David Denby, da New Yorker, se disse anestesiado pela orgia de excessos, pelo espetáculo burlesco que, de tão barulhento, elimina qualquer possibilidade de indignação com a escória humana que habita a tela. "O Lobo de Wall Street é nojento e obsceno como cinema", disparou. Seu colega de revista Richard Brody se viu compelido a escrever uma segunda resenha para exaltar as qualidades do Lobo de Scorsese. A cena final, em que o próprio Jordan Belfort faz uma ponta, é uma aterradora combinação olímpica de compaixão, desprezo e angústia, argumenta Brody. Ele acredita que o filme não é sobre falcatruas de Wall Street e sim sobre os desejos, a autoindulgência, os jogos de poder e o calculismo da vida num mundo decadente.

Não tenho resposta para o debate sobre O Lobo de Wall Street e confesso minha resistência limitada à violência prolongada na tela, venha ela de um mafioso fazendo justiça com sangue ou de um corretor promovendo um concurso de atirar anões para o ar num escritório. Não tenho pressa de decidir se o filme vai ficar comigo como ficou Goodfellas (Os Bons Companheiros), lançado há 24 anos. Mas tenho uma suspeita: a intensidade da reação pode estar ligada ao momento que o país atravessa. O público americano hoje é muito mais cínico e descrente do que o público de 1990. A evaporação de milhões de empregos, e expectativa da velhice empobrecida, a proteção aos responsáveis pelo crash de 2008 - nenhum deles foi para a prisão, o colapso da responsabilidade política em Washington e a certeza de que as instituições criadas para todos funcionam para uma minoria ínfima podem estar por trás da frustração com o triunfalismo que desfila na tela. No escuro do cinema, o espectador encontra no personagem repugnante e real a impunidade que transformou sua própria vida. E que vai continuar, quando acender a luz.

Alma reptiliana em 2014 - LUIZ FELIPE PONDÉ


FOLHA DE SP - 06/01

A verdade do homem não está no que ele diz, mas no que ele faz em nome do que ele diz


Por que, depois de tantas provas de que muitas religiões são uma farsa e alguns de seus ministros são uns picaretas, elas ainda dominam a vida da maioria dos seres humanos? Uma resposta possível está na Pré-História e em nossa "alma reptiliana".

Sou daquele tipo de pessoa que não acredita que mudamos muito nos últimos tempos; para dizer a verdade, acho que, quando pensamos na humanidade, a Pré-História deveria ser mais levada a sério do que surtos como a Revolução Francesa ou coisas passageiras como eleições democráticas.

Ou melhor, a Revolução Francesa deveria ser lida como mais um surto da violência natural que caracteriza toda manifestação de multidões desde o Paleolítico. Gostamos de matar e pronto. E a ideia de "um mundo melhor" é tão metafisica quanto os milenarismos medievais ou o monte Olimpo de Zeus.

Voltemos às religiões. Fenômeno mais essencial do que a política (aliás, só quando vira religião a política reúne multidões, como os fanáticos que creem na política como salvação), e, mais determinante, a religião deita raízes, como tudo mais de humano, na força que de fato nos forma, o desejo, que em nós é atávico como nosso cérebro réptil. E o réptil em nós goza no desejo.

Em nós, o desejo é metafísico, isto é, desejamos um mundo imaterial e eterno, no qual a força dos deuses é nossa, e nela não somos os miseráveis que somos. E para ter esse mundo nos fazemos ainda mais miseráveis, porque nosso pensamento e nossas ideias servem a esse desejo, e não o contrário. Por isso, seguimos picaretas de todos os tipos, que dizem representar os deuses, os santos, os espíritos que controlariam nossos destinos, fracassos e sucessos. No fundo, querem dinheiro, sempre dinheiro.

Não somos seres de razão, somos seres de desejo. É na Pré-História que encontramos a melhor compreensão de nossa "natureza", e não em teorias escritas em gabinetes sofisticados. Em cada um de nós vive um Australopithecus pronto a romper seu exílio em nossas maneiras afetadas de civilizados.

A religião, em grande parte, "organiza os delírios" de nossa mente animal e irracional. Em nós, a razão é superficial como espuma. Mas, diga-se, uma espuma que deve ser cultivada a todo custo.

Para além da chamada "escolha racional" (teoria muito comum hoje em estudos das religiões), teoria esta baseada no utilitarismo inglês que afirma que os seres humanos escolhem racionalmente buscando a redução do mal-estar e a otimização do bem-estar (por isso a religião, na sua hegemonia, seria um modo de escolha que diminui nosso mal-estar), a "inconsciência religiosa" se mantém, em grande parte, graças à estrutura mental pré-histórica.

É fácil imaginar nossos ancestrais apavorados sob o domínio de figuras xamânicas que cuspiam fogo enquanto afirmavam que pragas, doenças e guerras assolariam a vida do bando --o óbvio e ululante, claro. Ou, no caso de desejarem combater essas maldições, eles deveriam matar bichos, matar pessoas, comer comidas sagradas, entoar sons repetitivos, dançar ritmos extáticos, fazer sexo com o sacerdote. Enfim, há um risco de reptilização da fé.

Quando passo diante de um desses templos nos quais as pessoas erguem as mãos e gritam pelo Espírito Santo ou qualquer outra entidade suposta, ouço nossa ancestralidade berrando em plena luz do dia. Pensar que há algo de diferente entre o pré-histórico e nós nisso é confundir o cenário com a dramaturgia que na realidade define os personagens e sua ação.

Claro, hoje, afetados de todos os tipos se dizem contra sacrifícios animais e contra guerras, mas, em dois minutos, pulariam na jugular de quem fosse contra suas pautas de santidade. A verdade do homem não está no que ele diz, mas no que ele faz em nome do que ele diz.

As religiões evoluíram, como tudo mais em nós. Produziram grandes e belos sistemas teológicos e morais. Não nego. Mas o número de pessoas que se submetem a reptilização da fé é enorme, pouco importa o quão inteligentes sejam em outras áreas, ainda creem, em 2014, na capacidade de interpretação desses picaretas do mundo dos espíritos.

domingo, 5 de janeiro de 2014

Joe Bonamassa - 2013 Year in Review

A METAMORFOSE KAFKIANA EM NOSSAS VIDAS

PUBLICADO EM RECORTES POR  // 31 DEZ 2013

Mais um ano termina e o outro começará. Esse é o ciclo. E na transição da passagem do ano, as pessoas desejam mudanças. Mas será que algo mudará se não mudarmos? É possível impedir as mudanças? O que Kafka tem a nos dizer sobre isso? Muita coisa.

gregor.jpgGregor Samsa metamorfoseado
"Quando certa manhã Gregor Samsa acordou de sonhos intranquilos, encontrou-se em sua cama metamorfoseado num inseto monstruoso.“ E assim começa um dos mais memoráveis livros da literatura mundial:” A metamorfose” ( Die Verwandlung em alemão) de Franz Kafka, publicado pela primeira vez em 1915.
E o que a ideia de ”A metamorfose” pode ensinar sobre nós mesmos? Muito mais do que se possa imaginar. E mesmo para quem nunca leu o livro, pode-se com esta análise assimilar algo para nossas vidas. Há muitas metáforas que podemos encontrar para refletir no cotidiano como comportamentos, sentimentos, atitudes e opiniões que podem ser extraídas mesmo sem o conhecimento da obra, mesmo que conheça-se apenas o básico. Kafka fala de mudanças e de como encarar o absurdo que é a existência, tanto que "Kafkiano" tornou-se um adjetivo para algo absurdo, surreal.
Em nossa sociedade obcecada por aparência, principalmente pela beleza midiática e padronizada, quem de nós gostaria de certo dia, de uma certa manhã monótona qualquer acordar totalmente diferente, com uma aparência monstruosa? Quem em sã consciência não teria medo de encarar as pessoas e o mundo? Quantos de nós nos preocupamos tanto com a aparência refletida no espelho a ponto de acreditarmos ser somente o que o espelho e os olhos dos outros refletem?
Da infância a adolescência, muitos se sentem deslocados, desajustados com as subdivisões da sociedade, parecemos medíocres aos olhos alheios, nossos sonhos parecem tão distantes de se realizar em comparação daqueles que estão conseguindo. Descobrimos que nossas ideologias e crenças podem ser falhas, que os problemas do mundo parecem pesar em nossas costas e nos sentimos feios por dentro e por fora. Precisamos mudar. Nesta época de metamorfoses é que formamos nosso caráter e nos tornamos aquilo que possivelmente seremos quando adultos com toda bagagem adquirida. A todo tempo mudamos, enganam-se aqueles que acham que só existe mudanças bruscas. E essas mudanças constantes só se encerram com nossa morte.
Quando chegamos a fase adulta, encaramos novos problemas da infância e da adolescência com uma carga de dificuldade maior. O peso do mundo ainda parece estar sobre nossas costas e nossa aparência continua ainda sendo uma das importantes questões a lidar. Como encarar os outros se não encaramos a nós mesmos? A cada dia que vivemos, nossa “carapaça humana” muda sua forma e seus pensamentos, e encaramos a realidade de forma diferente do dia anterior. Nada se repete. Todos os dias algo — mesmo que minucioso e imperceptível pra maioria— muda e acontece. Acordamos diferentes, metamorfoseados e temos que enfrentar quaisquer situações por mais absurdas que sejam porque a vida é imprevisível e muitas vezes tão surreal quanto o livro de Kafka ou uma pintura de Salvador Dali.
E como estar preparado para a metamorfose? A resposta mais sincera é: nunca se está totalmente preparado para nenhuma situação. Assim como Gregor Samsa não estava preparado e sofreu pelas consequências de sua transformação em inseto. Muitas vezes algo simplesmente acontece sem que saibamos seu motivo. Nascemos na escuridão do útero caminhando para a luz da vida. E desse momento de nascimento até o fim da vida várias situações ocorrerão neste interlúdio, onde surgirão erros assim como muitos aprendizados. Sempre há insegurança, cobranças, dúvidas e medo dos outros e, principalmente de nós mesmos. Resta-nos ao abrir nossos olhos em cada manhã intranquila arriscar todos os dias, adaptar-nos às adversidades da vida e evoluir de todas as possíveis maneiras. Ser resiliente. Não ter medo da mudança porque querendo ou não, demore o tempo que for, ela virá aos poucos até tornar-se parte integral da realidade. Se analisarmos a vida perceberemos que não mudamos, nós somos a mudança. Existir é transformar e (se) mover. Somos todos uma metamorfose.
Taylor James.jpgImagem do fotógrafo Taylor James

Têm culpa os nervosinhos?


Posted: 04 Jan 2014 04:24 AM PST
Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net

Só um povo ignorante e sem vergonha na cara consegue suportar que um ministro da Fazenda, com a qualidade de um Guido Mantega, conceda uma entrevista coletiva para comemorar que o Brasil conseguiu, novamente, fazer “superávit primário” (deixar de investir para desviar dinheiro público apenas para pagar juros de dívidas que só crescem). O governo se perde na marketagem propagandística...

Mais patético que isso foi ver Mantega, em tom debochado, alegar que resolveu antecipar o anúncio do pretenso superavit, com um mês de antecedência, para abaixar a ansiedade e para acalmar “os nervosinhos”. Mantega comemorou um resultado fiscal maquiado de R$ 75 bilhões em 2013. Além de não ter economizado nada, o desgoverno, na verdade, deixou de investir no que deveria.

O número é resultado de uma armação contábil e de circunstâncias atípicas. Dele fazem parte R$ 15 bilhões recebidos pelo “leilão” do campo petrolífero de Libra e mais R$ 20 bilhões vindos do programa de parcelamento de dívidas tributárias. Estes R$ 35 bilhões não vão se repetir em 2014. E o governo, além de não ter novas receitas, ainda cria e aumenta cada vez mais despesas correntes. No ano reeleitoral, deve torrar ainda mais dinheiro.

O gestor Mantega é um desastre. O comunicador Mantega consegue ser ainda pior. Ele pode falar o que quiser, mas não conseguirá acalmar ninguém. O desgoverno petralha – centrado em gastança, corrupção e falta de projeto nacional – conduz o Brasil à vanguarda do atraso. O País não tem bússola. Não se sabe para onde vai. O Brasil ignora uma palavra fundamental para ser uma nação desenvolvida: infraestrutura – em todos os seus aspectos. Com a carga tributária em vigor e com juros extorsivos – e sem previsão de mudar -, só maluco ou burro vai investir aqui – onde a corrupção também rouba, sistemicamente, o dinheiro investido.

Exemplo concreto de cagada? Dilma e Mantega faliram a Petrobras. Como os dois podem explicar sua atuação, como presidentes do Conselho de Administração de uma empresa que hoje vale 50% menos do que valia em 2008? Tecnicamente falando, na avaliação do mercado, a maior estatal de economia mista brasileira foi falida pelo desgoverno Lula-Dilma. Será que o plano deles é quebrar a empresa para vendê-la, na bacia das almas, para aqueles que sempre controlaram, historicamente, o Brasil?  

O Capimunismo brasileiro é um modelo falido. Um Estado interventor, desperdiçador de recursos e que não investe nas coisas certas, com um discurso de bem estar socializante-comunizante, só vai perpetuar nosso atraso educacional, científico-tecnológico, estrutural e, no final das contas, civilizatório. É inviável um País que prioriza a vagabundagem, pela via da distribuição de bolsas e incentivos governamentais, em vez de dar condições para a produção.   

O Brasil caminha, perigosamente, na contramão do mundo. Vamos quebrar ou, com o potencial que temos, no mínimo, vamos sobreviver como de costume, segundo o modelo de uma rica colônia de exploração mantida artificialmente na miséria. Um lugar sem projeto de nação, sem educação, infraestrutura e forças armadas realmente operacionais nunca vai de desenvolver e nem ser soberano.

Nessa toada, a ironia de Roberto Campos tem tudo para se concretizar. O Brasil é um país condenado a não dar certo. E se a petralhada continuar no poder, vamos dar mais errado ainda.

PS – A onda de calor aumenta o consumo de energia. A turma aciona ventiladores e aparelhos de ar condicionados. O Rio de Janeiro, onde a temperatura é infernal, já sofre com cortes de luz. O mesmo acontece em grandes capitais. O País da Copa de 2014 começa a ficar parecido com a Argentina? O assunto já é destaque nas redes sociais.... A FIFA vai se arrepender de fazer seu torneio por aqui? Façam suas apostas... E não fiquem nervosinhos, para não dar razão ao cinismo do Mantega.

Vem coisa...


Vida que segue... Ave atque Vale! Fiquem com Deus. Feliz 2014!

O Alerta Total tem a missão de praticar um Jornalismo Independente, analítico e provocador de novos valores humanos, pela análise política e estratégica, com conhecimento criativo, informação fidedigna e verdade objetiva. Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor. Editor-chefe do blog Alerta Total: www.alertatotal.net. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos.

A transcrição ou copia dos textos publicados neste blog é livre. Em nome da ética democrática, solicitamos que a origem e a data original da publicação sejam identificadas. Nada custa um aviso sobre a livre publicação, para nosso simples conhecimento.

© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 4 de Janeiro de 2014.