quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Ciro Gomes vem aí - ILIMAR FRANCO


O GLOBO - 12/12
Os petistas estão contrariados, mas não há muito mais o que fazer. Eles perderam a batalha para escalar o secretário-executivo Mozart Sales para suceder a Alexandre Padilha na Saúde. A presidente Dilma deu sinais de que quer um ministro do tamanho do cargo, do maior orçamento da Esplanada, e que tenha estofo para enfrentar o debate político com a oposição no ano eleitoral.

Mandela fez milagre
Os ex-presidentes, e gladiadores em público, Fernando Henrique e Lula trocaram gentilezas e conversaram civilizadamente nas mais de 30 horas de voo, ida e volta, para o funeral de Nelson Mandela, na África do Sul. Sentados na cabine da presidente Dilma, o ambiente ficou descontraído no começo da viagem quando Lula definiu, brincando, as regras do jogo: "Aqui ninguém pode tratar de assuntos controversos, porque estão todos representados". Já que não podiam falar mal uns dos outros, passaram o tempo recordando seus encontros com Mandela, a grandiosidade do funeral, o peso diplomático da cerimônia e o papel e a popularidade do ex-presidente africano.

Dividindo o mesmo teto
Para chegar aos carros que os levaria do funeral de Mandela para o aeroporto, a presidente Dilma e o ex-presidente Fernando Henrique dividiram o mesmo guarda-chuva. Em outro, estavam lado a lado os ex-presidentes Lula e José Sarney.


"A candidatura do Pezão é inegociável. Ninguém tenha ilusão em relação a isso. Ele assume o governo em abril"
Sérgio Cabral
Governador (RJ), sobre a candidatura do vice Luiz Fernando Pezão ao Palácio Guanabara 



Cochicho
Em recente viagem à China, o vice Michel Temer ouviu do vice chinês, Li Yuanchao, a promessa de que o seu país vai reduzir a compra de soja dos Estados Unidos para ampliar a importação do grão do Brasil. "Só espero que o Obama não esteja ouvindo a gente combinar isso", brincou o chinês, sobre o escândalo da arapongagem americana.

Quando pimenta vira colírio
A crença no governo Dilma é que o escândalo Siemens/Alstom, em São Paulo, vai ganhar asas e voar agora que a Polícia Federal assumiu o caso. Um ministro resume: "Pau que dá em Chico bate em Francisco". O caso foi batizado de "tremsalão".

Figurinha carimbada
Cassada pelo TRE de seu estado, a governadora Rosalba Ciarlini (DEM-RN) é velha conhecida no TSE. Quando foi eleita senadora, em 2006, e governadora, em 2010, dois pedidos de cassação chegaram ao TSE. Em ambos ela foi absolvida. O relator e voto vencido, nos dois casos, foi o atual presidente do Tribunal, Marco Aurélio Mello.

A palavra final
Mesmo os mais ardorosos defensores da candidatura do senador petista Lindbergh Farias ao governo do Rio reconhecem que é preciso deixar as portas abertas. Um deles explica a posição do PT: "Vai depender muito do Lula".

As grifes
O DEM faz suas apostas para 2014. No programa de TV que será exibido hoje, brilham o senador José Agripino (RN), o ex-governador Paulo Souto (BA) e os deputados Ronaldo Caiado (GO), Onyx Lorenzoni (RS) e Mendonça Filho (PE).


CAFUNÉ. A presidente Dilma só se refere ao líder do PT no Senado, Wellington Dias (PI), chamando-o carinhosamente de "meu indiozinho".

O berço e o resto - DENISE ROTHENBURG


CORREIO BRAZILIENSE - 12/12

Na véspera do congresso do PT, petistas de outros estados registravam os movimentos do ex-presidente Lula no sentido de buscar novas lideranças apenas dentro do diretório paulista, onde ele incensa o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, da mesma forma que alavancou o atual prefeito da capital, Fernando Haddad. Ninguém até agora viu gestos semelhantes em outras unidades da Federação. Por isso, muitos estão com a ideia de que Lula não quer ver o PT paulista perder a primazia do comando partidário nacional para outros estados. Segue assim a filosofia dos sindicalistas, onde a prioridade sempre foi a aldeia. No caso do PT, a aldeia é o berço do partido, São Paulo.

Explica-se aí também a corrida de Lula para a filiação de Josué Alencar, filho do falecido vice-presidente José Alencar, ao PMDB de Minas Gerais. Ali, o empresário passa a servir de contrapeso para evitar o fortalecimento das lideranças petistas do estado, inclusive do ministro de Indústria e Comércio, Fernando Pimentel. Sabe-se hoje que, lideranças fortes do PT, num estado como Minas Gerais, poderiam levar a um deslocamento do eixo de poder petista. Isso Lula não quer. O que vale hoje ali é todo poder à aldeia, no caso, São Paulo.

Em campanha
O atual líder do PT, José Nobre Guimarães, deixa o cargo no ano que vem e já começa a se movimentar para substituir Arlindo Chinaglia (PT-SP) na liderança do governo na Câmara. Em várias reuniões ele tem dito que a articulação do Planalto na Casa é falha.

Pressão total
O alto comando do PT de Minas Gerais baixou em peso na presidência da Confederação Nacional do Transporte (CNT) para um jantar com o senador Clésio Andrade na terça-feira. Foram tentar buscar o apoio do peemedebista para a candidatura de Fernando Pimentel ao governo do estado. Como bom mineiro, Clésio não fechou a porta, mas deixou claro que a prioridade do PMDB é lançar um candidato próprio.

Mãos atadas
O vice-presidente Michel Temer conversou, mas evitou assumir compromissos que permitissem a votação do Orçamento da União. Não quis fechar nada que pudesse ser, posteriormente, desfeito pela presidente Dilma Rousseff.

Conversa dos presidentes
Nas 10 horas de voo dos presidentes até a África do Sul, Lula, de saída, cortou as conversas mais sérias: “Estamos numa posição em que não podemos censurar ninguém, nem discutir assuntos controversos. Estamos todos representados”. Assim, a conversa foi light. Na ida, a vida de Mandela. Fernando Henrique Cardoso puxou assunto sobre a Academia Brasileira de Letras, da qual é integrante, assim como José Sarney. Dilma, uma amante da literatura, logo se interessou. Lula e Fernando Collor entraram depois.

“O prazo para votação do Orçamento é 17 de dezembro. Falta, entretanto, combinar com os russos, gregos, alemães, enfim, todos” - Lobão Filho (MA), senador e presidente da Comissão Mista de Orçamento, ao comentar as dificuldades de aprovar a lei orçamentária na última semana de funcionamento do Congresso.

Parecia anfitrião/ Quem chegava à casa de Eunício Oliveira na noite de terça-feira via logo na primeira mesa, a principal, o senador Aécio Neves, do PSDB. Sentado ao lado do senador e primo Francisco Dornelles (PP); de Vital do Rêgo, do PMDB; e do ex-deputado Geddel Vieira Lima, ele recebia todos distribuindo simpatia. E não tinha jeito, era passar por ele ou cair na piscina.

Parecia incomodada/ Eis que, de repente, chega a ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti. Ela cumprimenta o senador tucano, mas não consegue esconder a expressão de desconforto. Vai para uma mesa ao fundo. E assim seguiu o jantar. Aécio solto. Ideli com ares de incômodo. Gleisi Hoffmann, entretanto, não passou recibo.

Todo mundo notou/ …Que o presidente do Senado, Renan Calheiros, e o da Câmara, Henrique Eduardo Alves, conversaram pouco na festa de confraternização na casa de Eunício Oliveira, na noite de terça-feira. Para completar, os dois fizeram ontem recepções distintas de fim de ano para as bancadas do partido.

Observadores/ Convidado a acompanhar o segundo turno das eleições presidenciais no Chile, no próximo domingo, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Marco Aurélio Mello, designou para a missão o vice-presidente, Dias Toffoli, e o assessor internacional do TSE, o diplomata Tarcísio Costa. Disputam o pleito a ex-presidente Michelle Bachelet e a candidata governista, Evelyn Matthei.

Inspiradores - LUIS FERNANDO VERISSIMO


O GLOBO - 12/12

Mais do que qualquer outra personalidade parecida, Mandela reforçaria a tese de que são os grandes homens que fazem as grandes mudanças históricas



Velha questão: são os líderes providenciais que fazem a História ou é a História que providencia os líderes necessários? O apartheid resistiria por muito mais tempo se não existisse o Mandela ou fatalmente acabaria mesmo sem ele? A pergunta também serve para Gandhi e Martin Luther King, só para ficar em líderes inspiradores — ou convenientes — recentes.

Mandela preso transformou-se num símbolo que catalisou a reação internacional ao odioso sistema sul-africano e motivou o boicote econômico que puniu e finalmente derrotou o racismo oficial do país, e sua atitude conciliadora depois da prisão facilitou a transição para uma democracia, pelo menos de fachada. Mais do que qualquer outra personalidade parecida, Mandela reforçaria a tese de que são os grandes homens que fazem as grandes mudanças históricas. E o corolário inevitável: são os grandes bandidos que enegrecem a História com sua ambição ou loucura. Outra velha questão: o nazismo foi um surto de irracionalidade nacional personificada num maluco de bigodinho ou uma consequência mais ou menos lógica da história europeia até então, uma convulsão só esperando para acontecer, com ou sem o bigodinho?

Precisamos de heróis. Precisamos que eles tenham cara, biografia, retórica e martírio. Gostamos de pensar que os discursos de Luther King apressaram a dessegregação racial nos Estados Unidos, que a rebeldia de Gandhi correu com os ingleses da Índia e que foi o sacrifício de Mandela que acabou com o apartheid. E se isto não for verdade, se concluirmos que eles foram heróis de ocasião e as mudanças aconteceriam mesmo sem sua inspiração, restam os exemplos de coragem que legam. Não a nada tão grandiloquente quanto a história das nações, mas, pessoalmente, a cada um de nós.

Esporte e identidade - MARTHA MEDEIROS


ZERO HORA - 11/12

Em 1994, Nelson Mandela tornou-se presidente de uma ainda problemática África do Sul. No ano seguinte, 1995, o país sediaria pela primeira vez a Copa Mundial de Rúgbi, conhecido como um esporte de brancos – tanto que a população negra sul-africana torcia contra sua própria seleção. Mandela percebeu que o evento poderia se tornar um importante aliado no processo de fim do apartheid e consequente pacificação da nação. Dedicou-se de corpo e alma a fazer com que a fraca seleção de seu país conquistasse o título, empurrada por negros e brancos unidos por patriotismo – uma utopia, na época.

O diretor de cinema Clint Eastwood contou essa história no filme Invictus, com Morgan Freeman no papel de Mandela. A epopeia teve um final feliz, bem ao gosto de Hollywood, com a vantagem de ter sido real: a seleção da África do Sul, pela primeira vez, sagrou-se campeã mundial de rúgbi, e a sabedoria de Mandela tornou-se ainda mais evidente ao conseguir unificar o país através do grito de uma torcida finalmente coesa.

Quando o filme estreou no Brasil, em 2009, Bernardo Buarque de Holanda escreveu uma resenha em que disse: “Estádios funcionam como uma caixa de ressonância por intermédio dos quais se exprimem, de alguma maneira ou em algum grau, as tensões constitutivas da sociedade a que pertencem”. Isso porque o esporte e a política sempre mantiveram laços.

Muitos ditadores usaram o esporte para impor a soberania de um povo sobre o outro, de uma raça sobre a outra, porém Mandela entendeu que o poder do esporte estava justamente em eliminar diferenças, agregando a população em torno de um único e salutar propósito. Fundou uma nova identidade nacional, minimizando as tensões advindas de brigas sem sentido e trocando-as por vidas com sentido.

No momento em que estamos de luto pela morte desse que foi um dos maiores humanistas do planeta, lamento que sua mensagem de paz não tenha se expandido até aqui. A julgar pelas cenas de demência vistas nas arquibancadas do jogo entre Vasco e Atlético-PR, seria preciso três dúzias de líderes com o poder de persuasão de Mandela para inibir brutamontes que chegaram a um nível de estupidez e ignorância alarmante, lesando nossa autoestima.

O que os leva a agir de forma tão extremada diante de um inimigo imaginário? A que ponto chega a provocação de uma torcida a outra para que o senso crítico seja totalmente banido e a selvageria se imponha? E, em termos menos filosóficos e mais práticos: por que não se resolve de vez a questão do policiamento nos estádios e não se punem rigorosamente esses animais?

Dias atrás o tabloide britânico Daily Mail publicou uma reportagem boba em que demonstrava preocupação com a possibilidade de a seleção inglesa ter que deparar com jacarés circulando pelas ruas de Manaus. Jacaré não é nada, gringos.

Dossiê Siemens: aloprados e poderosos - CARLOS SAMPAIO


FOLHA DE SP - 12/12

O PSDB não se curvará inerte. Enquanto os responsáveis por mais essa fraude não forem afastados, não descansaremos


É fácil reconhecer que o caso Siemens segue o roteiro de praxe do PT para prejudicar seus adversários.

No enredo petista, sempre tem um dossiê com documentos falsos contra a oposição e, quando descoberta a fraude, nega-se até a morte. Coisa de artista.

O PT se especializou nessa arte. Começou na eleição de 1998, quando estimulou a divulgação do dossiê das Ilhas Cayman contra tucanos. Em 2005, em meio à CPI do Mensalão, surgiu a Lista de Furnas, encomendada por dois deputados petistas.

No episódio dos "aloprados", em 2006, dois petistas foram presos com mais de R$ 1 milhão para a compra de um dossiê contra o então candidato ao governo do Estado de São Paulo, José Serra.

Já na CPI dos Cartões Corporativos, em 2008, que avançava na investigação dos gastos do então presidente Lula, a imprensa descobriu um dossiê contra o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

E na campanha eleitoral de 2010, dados sigilosos da família de Serra foram encontrados num dossiê em posse da equipe da pré-campanha de Dilma Rousseff.

Agora, em meio às prisões dos mensaleiros, eis que o PT consegue engendrar mais uma fraude. O enredo, desta vez, não envolve mais o churrasqueiro preferido de Lula ou seu faz-tudo, como no episódio dos "aloprados", mas o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, seu subordinado, o presidente do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), Vinícius Carvalho, e um deputado estadual de alta patente no partido, Simão Pedro.

Carvalho havia sido chefe de gabinete de Simão Pedro, autor de denúncias de cartel em obras do PSDB de São Paulo, e, anos mais tarde, foi alçado à presidência do Cade. Chegou lá, registre-se, escondendo sua filiação ao PT. Depois de alguns encontros com seu ex-chefe, revelados pela imprensa, promoveu um acordo de leniência com a Siemens e abriu a investigação tão almejada por Simão Pedro.

A partir daí começaram a vazar documentos à imprensa tentando envolver membros do PSDB na denúncia de cartel e de recebimento de propina.

E como o ministro Cardozo entrou na trama? Pressionado pela imprensa, ele admitiu ter enviado uma carta-denúncia sem assinatura que citava três governadores de São Paulo e quatro secretários de Estado à Polícia Federal dois dias depois de o Cade negar tê-lo feito. E a história fugiu do script petista, assim como no caso dos aloprados.

Descobriu-se, primeiramente, que na carta-denúncia apócrifa, recebida pelo ministro em sua residência, o tal "denunciante" dizia que estava denunciando o malfeito, mas pedia em troca um cargo na Vale do Rio Doce.

Depois, descobriu-se que na tradução do inglês para o português da tal denúncia foram enxertados os nomes dos tucanos. Com a trama descoberta, o ministro Cardozo reuniu a imprensa para dizer que cumpre a lei e que não se tratava de uma tradução, mas de documentos diferentes, embora no índice do processo entregue à PF conste como sendo uma tradução.

O que o ministro alega que fez a mando da legislação não passou de uma estratégia para emplacar uma denúncia contra o PSDB.

Em um governo sério, o presidente do Cade e o ministro já teriam sido afastados e se daria celeridade às investigações sobre o cartel, sobre o qual o PSDB tem total interesse. Mas, infelizmente, estamos diante de um governo que nutre verdadeira paixão por dossiês fajutos.

O PSDB não se curvará inerte. Enquanto os responsáveis por mais essa fraude não forem afastados de seus cargos, não descansaremos.

O nosso papel será o de impedir que essa fraude prevaleça e que as investigações sobre o cartel sejam seletivas e então denunciar o uso de órgãos do governo com finalidades político-partidárias.

CHARGE DO SINFRÔNIO


Sinfrônio, hoje no Diário do Nordeste (CE)

Eric Clapton - Got To Get Better [Live at Crossroads 2013]