sábado, 18 de maio de 2013

CHARGE DO AMARILDO

Lula e a falta de ética (Editorial)



O Estado de S.Paulo
Sob o comando de Lula, o PT antecipou o início da campanha presidencial, cuja eleição se realiza daqui a 17 meses, de modo que tudo o que as lideranças do partido e do governo fazem e dizem deve ser considerado de uma perspectiva predominantemente eleitoral.
E desse ponto de vista ganham importância as mais recentes declarações do chefe do PT que, do alto de seu irreprimível sentimento de onipotência, anda sendo acometido por surpreendentes surtos de franqueza.
No lançamento de um livro hagiográfico dos 10 anos de governo petista, Lula garantiu que não existe político "irretocável do ponto de vista do comportamento moral e ético". "Não existe", reiterou. Vale como confissão.
Lula está errado. O que ele afirma serve mesmo é para comprovar os seus próprios defeitos.
Seus oito anos na chefia do governo foram de uma dedicação exemplar à tarefa de mediocrizar o exercício da política, transformando-a, como nunca antes na história deste país, em nome de um equivocado conceito de governabilidade, num balcão de negócios cuja expressão máxima foi o episódio do mensalão.
É claro que Lula e o PT não inventaram o toma lá dá cá, a corrupção ativa e passiva, o peculato, a formação de quadrilha na vida pública. Apenas banalizaram a prática desses "malfeitos", sob o pretexto de criar condições para o desenvolvimento de um programa "popular" de combate às injustiças e à desigualdade social.
Durante oito anos, Lula não conseguiu enxergar criminosos em seu governo. Via, no máximo, "aloprados", cujas cabeças nunca deixou de afagar. O nível de sua tolerância com os "malfeitos" refletiu-se no trabalho que Dilma Rousseff teve, no primeiro ano de seu mandato, para fazer uma "faxina" nos altos escalões do governo.
O que Lula pretende com suas destrambelhadas declarações sobre moral e ética na política é rebaixar a seu nível as relativamente pouco numerosas, mas sem dúvida alguma existentes, figuras combativas de políticos brasileiros que se esforçam - nos partidos, nos três níveis de governo, no Parlamento - para manter padrões de retidão e honestidade na política e na administração pública.
O verdadeiro espírito público não admite mistificação, manipulação, malversação. Ser tolerante com práticas imorais e antiéticas na vida pública pode até estigmatizar como réprobos aqueles que se recusam a se tornar autores ou cúmplices de atos que a consciência cívica da sociedade - e as leis - condenam.
Mas não há índice de popularidade, por mais alto que seja, capaz de absolver indefinidamente os espertalhões bons de bico que exploram a miséria humana em benefício próprio.
Aquela tolerância, afinal, caracteriza uma ofensa inominável não só aos políticos de genuíno espírito público que o País ainda pode se orgulhar de possuir, como à imensa maioria dos brasileiros que na sua vida diária mantêm inatacável padrão de honradez e dignidade.
Não é à toa que as manifestações públicas de Luiz Inácio Lula da Silva, além das manifestações de crescente megalomania, reservam sempre um bom espaço para o ataque aos "inimigos".
A imagem de Lula, o benfeitor da Pátria, necessita sobressair-se no permanente confronto com antagonistas. Na política externa, são os Estados Unidos. Aqui dentro, multiplicam-se, sempre sob a qualificação depreciativa de "direita". Mas o alvo predileto é a mídia "monopolista" e "golpista" que se recusa a endossar tudo o que emana do lulopetismo.
Uma das últimas pérolas do repertório lulista é antológica: "Acho que determinados setores da comunicação estão exilados dentro do Brasil. Eles não estão compreendendo o que está acontecendo".
Essa obsessão no ataque à imprensa, que frequentemente se materializa na tentativa de impor o "controle social" da mídia no melhor estilo "bolivariano" - intenção a qual a presidente Dilma, faça-se justiça, tem se mantido firmemente refratária -, só não explica como, tendo a conspirar contra si todo o aparato de comunicação do País, o lulopetismo logrou vencer três eleições presidenciais consecutivas.
O fato é que Lula e seus seguidores não se contentam com menos do que a unanimidade.

Prova do atraso, por Cristovam Buarque


Em 1961, os EUA definiram a meta de enviar um homem à lua no prazo de dez anos. Cinquenta e dois anos depois, o governo brasileiro definiu a meta de alfabetizar suas crianças de oito anos até 2022.
Talvez nada demonstre mais o nosso atraso do que a diferença entre essas duas metas. E o governo comemora com fanfarras, ao invés de pedir desculpas pelo atraso do Brasil.
Nesta segunda década do século XXI, os países que desejam estar sintonizados com o futuro têm como metas, entre outras, a conquista do espaço, o entendimento das ciências biológicas, o desenvolvimento de técnicas nas telecomunicações, a implantação de sistemas industriais sintonizados com os avanços técnicos.
Fica impossível imaginar uma sociedade do conhecimento sem centros de pesquisa e um amplo sistema universitário com qualidade. Isto só é possível se a educação de base for de alta qualidade para todos. E isto é impossível sem a alfabetização universal e completa em idades precoces, que garantam não apenas o controle dos códigos alfabéticos, mas também leituração e domínio das bases da matemática.
Na economia do conhecimento, nenhuma sociedade pode deixar de desenvolver o potencial do cérebro de cada um de seus habitantes desde os primeiros anos, desde a alfabetização.
Mas não é isso o que vem acontecendo com o Brasil. Ao não fazer a universalização da educação completa o país tapa poços de conhecimento.
Igualmente atrasado é o caminho usado para enfrentar o problema da deseducação, com o velho truque publicitário: um pacto entre partes incapazes de levar a meta adiante. Imagine os EUA fazendo um pacto entre seus estados para ver qual deles chegaria à lua, ao invés de usar a NASA federal.
Se o Brasil deseja recuperar seu atraso, deve definir metas nacionais ambiciosas: todas as crianças na escola em horário integral, com professores muito bem preparados e dedicados, o que exige elevados salários, em escolas com os mais modernos equipamentos pedagógicos, em todo o território nacional, desde os mais ricos aos mais pobres municípios, atendendo igualmente as crianças mais ricas e as mais pobres.
Isto não se consegue por meio de pactos ilusórios, assinados sem qualquer compromisso real das partes, especialmente entre partes tão desiguais, que levam os pactos a parecer caricaturais.
A única maneira de recuperar os séculos perdidos no passado para dar o salto que o Brasil precisa no futuro é envolver diretamente a União na implantação de um novo sistema educacional para, ao longo de poucos anos, substituir o atual sistema estadual e municipal por um sistema federal.
Isto exige mais do que um pacto ilusório. Exige uma espécie de federalização da responsabilidade e da construção do novo sistema educacional.
O Brasil não dará o salto educacional, e sem este não haverá os outros, sem um governo federal que empolgue o país com a meta de, em 20 ou 30 anos, ter uma educação de qualidade comparável à dos países mais educados do mundo. Isto é possível e é preciso.

Cristovam Buarque é professor da UnB e senador pelo PDT-DF.

Cartas de Buenos Aires: O grande ditador, por Gabriela Antunes



Seu currículo de vilão é extenso: genocida, torturador, ladrão de bebês, repressor, sicário, cínico, chantagista, entre outras “qualidades” pouco louváveis. Mas, acima de tudo, Jorge Rafael Videla era um homem orgulhoso de sua obra macabra, carente de remorso. Podemos dizer que é pobre a etimologia vigente para descrever a extensão da escassez de seu caráter.
“Não estão mortas nem vivas. Estão desaparecidas”, disse uma vez o ex-ditador, quando indagado sobre as milhares de pessoas que sumiam na calada da noite na Argentina controlada pela junta militar que ele liderou de 1976 a 1981.
“Zumbis” de um planeta etéreo sonhado pelo tirano, 30 mil nem vivos nem mortos são “perdas colaterais” e peças de uma engrenagem criada por Videla, em uma máquina azeitada em sangue para combater o “terrorismo”.
Videla via a Argentina de um bunker em sua guerra particular contra a subversão. “Como em toda guerra, tem pessoas que sobrevivem, outras que ficam deficientes físicos, outros morrem e desaparecem”, costumava pregar o ditador.
Videla faleceu às 08h25 de ontem na prisão, depois de se recusar a jantar, de morte natural, cumprindo prisão perpétua por crimes contra a humanidade. No ano passado, Videla foi condenado a 50 anos pelas atrocidades cometidas por seu regime.

Cena do filme de 1940 “O Grande Ditador”. Videla, como tantos outros ditadores conhecidos da história, instaurou uma violenta máquina de ódio e repressão.

Como foi o caso com a ex- primeira ministra britânica Margaret Thatcher, na lista negra argentina pela guerra das Malvinas, a reação à morte do ditador também causou contenda. Por um lado, muita gente diz não parecer correto celebrar um falecimento; por outro, muitos não puderam conter o júbilo. Celebrar ou não a morte de figuras nefastas para o país não é assunto de hoje.
A intelectual Beatriz Sarlo se perguntava em seu livro “La pasión y la excepción” o motivo pelo qual ela e colegas festejaram o assassinato do líder da ditadura Aramburu, imolado pela resistência ao regime formada pelo grupo“montoneros”.
O passado é inexorável, irreparável, mas a postura diante dele parece ainda causar controvérsia. “A morte deste homem nos deixa aliviados”, disse a titular das Abuelas de Mayo, Estela Carlotto. “A morte não deve alegrar ninguém”, afirmou o Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel.
Na verdade, se há algo a celebrar, está no fato de que Videla não gozava de sua liberdade quando desencarnou de um mundo que ficou pior depois de sua presença. Morreu julgado e condenado.
“O Estado não deveria celebrar a morte de ninguém e sim consagrar que houve justiça”, explicou o Secretário de Direitos Humanos do país, Martín Fresneda.
Quantos repressores ainda morrerão em camas quentinhas de pura velhice e em pleno gozo de suas liberdades?

Gabriela Antunes é jornalista e nômade. Cresceu no Brasil, mas morou nos Estados Unidos e Espanha antes de se apaixonar por Buenos Aires. Na cidade, trabalhou no jornal Buenos Aires Herald e mantém o blog Conexão Buenos Aires. Escreve aqui todos os sábados.

Sala de Jantar.



Você caprichou no almoço da família, preparou um jantar romântico ou mesmo casual, mais quando chega á mesa percebe que perdeu um pouco do encanto, a culpa pode ser da decoração! 

Veja alguns projetos e mobiliários para Sala de Jantar que vão destacar qualquer encontro á mesa.


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Por: Equipe Morar Melhor

CHARGE DO JORGE BRAGA



Esta charge do Jorge Braga foi feita originalmente para o

Em dois meses, Caixa Econômica Federal recebeu 3,6 mil reclamações sobre danos em imóveis do "Minha Casa, Minha Vida"


Posted: 17 May 2013 08:06 PM PDT

Desde que foi criada, em março deste ano, a central telefônica da Caixa Econômica Federal para o "Programa Minha Casa, Minha Vida" já recebeu 7.907 reclamações, das quais 3.624 se referem a danos em imóveis financiados com verbas do programa do governo federal. Segundo o presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Hereda, o número é muito pequeno diante do universo de cerca de 1,2 milhão de casas já entregues pelo "Minha Casa, Minha Vida". “Danos físicos podem ser pequenas rachaduras, uma janela que não está fechando direito, infiltrações. E isso não quer dizer que a pessoa tenha razão quando ela reclama. Ela diz que tem um dano físico na casa, mas isso ainda tem que ser verificado para ver se a reclamação é verdadeira. Ainda assim, é menos da metade das quase 8 mil reclamações”, disse o presidente da Caixa Econômica Federal. Das reclamações, 1.372 são em imóveis da faixa 1 do "Minha Casa, Minha Vida", cujas obras são fiscalizadas diretamente pelo banco estatal. O restante (2.252) se refere a imóveis das faixas 2 e 3, que são apenas financiados pela Caixa Econômica Federal, sem um acompanhamento da obra. Segundo Hereda, mesmo as residências das faixas 2 e 3 do programa são vistoriadas antes de o imóvel ser entregue ao proprietário: “É lógico que a vistoria da Caixa já elimina um primeiro nível de problemas. Se o engenheiro da Caixa chega lá e encontra um problema visível, aquilo não pode ser vendido. Mas não tem como saber como uma viga foi construída, porque ele não pode quebrar a viga e ele também não acompanhou a obra para saber". De acordo com o o presidente da Caixa Econômica Federal, danos físicos não são um problema exclusivo do "Minha Casa, Minha Vida", mas ocorrem em todo tipo de construção: “Essa é uma regra no mercado. Não tem nada a ver com o Minha Casa, Minha Vida. Sempre vai haver reclamação nesse setor”. Isso é uma profunda boçalidade dita por uma autoridade pública. Não pode haver nenhum problema em obra construída e fiscalizada por recursos públicos. O serviço telefônico da Caixa Econômica Fededral recebeu reclamações ainda sobre problemas envolvendo questões como entrega (639) e invasão e ociosidade de imóveis (264).O número da central telefônica da Caixa para o Programa Minha Casa, Minha Vida é 0800 721 6268.