domingo, 28 de outubro de 2012

CLÁSSICOS DO MAGU



Magu
Peter Ilyich TCHAIKOVSKY (*1840/†1893). Hoje apresentaremos a bela Quinta Sinfonia, de 1888, de Tschaikowsky, em Mi Bemol, do op 64, obra completa, considerada pelos musicólogos como uma das peças que define a Era Romântica. O maestro é Leonard Bernstein, dirigindo a Orquestra Sinfônica de Boston.  Os movimentos são:
1 Andante-Allegro con anima ∮ 2 Andante cantabile ∮ 3 Valse-Allegro moderato ∮ 4 Finale-Andante maestoso-Allegro vivace
Abram a tela grande, a imagem e o som são muito bons, em 360p
(1) Foto: Leonard Bernstein em ensaio com a Sinfônica de Boston

Dirceu, eu quero lhe usar - rsrsrsrs


Foto

Projeto prevê implosão do antigo prédio da Ospa


Um edifício comercial deverá ser erguido no endereço, na Avenida Independência, na Capital

Antigo lar da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (Ospa), o Teatro Leopoldina e o prédio que o abriga, localizado na Avenida Independência, em Porto Alegre, deverá ser implodido. Para o seu lugar é prevista a construção de um edifício comercial.

Ronaldo Bernardi / Agência RBSImóvel está deteriorado e preocupa a comunidade do bairro Independência
A Comissão de Análise Urbanística e Gerenciamento (Cauge) aprovou o projeto do prédio comercial na última quarta-feira, mas ainda não há uma data certa para que o edifício existente seja derrubado. A possibilidade de implosão se deve às condições da estrutura, que está deteriorada. Nos últimos anos, além de preocupar a comunidade do bairro Independência quanto ao seu abandono, o prédio se tornou um fardo para os proprietários.
"Até o ano passado eu ainda tinha escritório ali", afirmou Paulo Eduardo Creidy Satt, neto do construtor do imóvel, o imigrante libanês Abdalá Adalberto Creidy.

Casa Cor Rio 2012 resgata história de imóvel no Flamengo

Posted: 26 Oct 2012 09:31 AM PDT
Na edição deste ano, a 22ª Casa Cor levou aos seus visitantes um pouco da história da cidade maravilhosa. Deu vida a um dos imóveis do bairro do Flamengo mais glamouroso do ponto de vista arquitetônico. O casarão de 1926, onde abrigou o Hotel Balneário Sete de Setembro e a sede do internato da Escola de Enfermagem Anna, recebeu as propostas de arquitetos, decoradores e paisagistas do século XXI, que fizeram um contrapondo entre passado e presente.
O objetivo da Casa Cor de ‘resgatar a história do imóvel no Flamengo, respeitando as características arquitetônicas’, foi totalmente atingido. No térreo foi preservada a função hoteleira, com recepção, lobby, salas, restaurante e café. Os outros pavimentos foram ambientados com lofts, estúdios, o modo de vida dos moradores em condomínio, finalizando com espaços comerciais e de lazer – lojas, escritórios, salas de cinemas, wine bar e adega.
Na Casa Cor Rio, na Avenida Rui Barbosa, 762, aproximadamente 85 profissionais entre arquitetos, decoradores e paisagistas criaram 53 ambientes diferentes, para desenvolver o tema “arte de bem receber”, em 5.400m2. Um assunto em pauta na capital carioca às vésperas dos eventos esportivos em, 2014, com a Copa do Mundo, e em 2016, com as Olimpíadas. Período em que o serviço de hotelaria estará a todo vapor e osimóveis no Rio de Janeiro despertando ainda mais o interesse dos investidores.

22ª Casa Cor Rio de Janeiro, agosto e outubro 2012

Local: Avenida Rui Barbosa, 762 – Flamengo

Quais são e onde estão as raízes da violência urbana?



Pedro do Coutto
Numa noite, doze acidentes graves com ônibus no Rio, reportagem de Vera Araujo, O Globo de sexta-feira. Manchete principal do jornal. Crescimento incrível de assassinatos na cidade de São Paulo este ano em relação a 2011. Manchete principal também da Folha de São Paulo, matéria de Afonso Benites e Rogério Pagnan. A violência cresce e onde se localizam suas raízes? É a pergunta, já que pesquisas do IBOPE e Datafolha apontam índices de aprovação do governo Dilma Rousseff e da imagem pessoal da presidente.
O desemprego recuou, estamos em ano eleitoral, quando sempre esperanças se renovam. Mas a síntese da realidade não traduz essas manifestações. O que estará se passando? É indispensável um levantamento conjunto e profundo, uma pesquisa múltipla econômica e social que forneça as bases para um mapeamento que possa conduzir a uma interpretação ampla da fase que o país está vivendo.
Se todas as coisas que sucedem decorrem de razões concretas, é fundamental identificar-se tais razões. O problema não é de apenas segurança pública, mas de um conceito mais geral do que ela represente. Pois não se pode pensar somente na repressão, esta sucede o ato violento. Tem que ser feita, é indispensável. Porém mais importante é como evitar a violação das leis e regras sociais. Trata-se de convivência entre seres humanos. Entendimento para evitar a deflagração de uma guerra urbana, que atinge os principais centros do país.
É fundamental colocar-se instrumentos de controle preventivo nos eixos que se apresentam descontrolados. De todas as guerras, a urbana é a mais difícil e perigosa. Inclusive porque ela é declarada e praticada sem aviso, a qualquer momento, em qualquer lugar. O perigo está em toda a parte. Não é antecedido de aviso. De explicação lógica. Em nenhum local do mundo as forças de segurança podem estar em todos os pontos. Só a mensagem social veiculada pelos meios de comunicação.
Tem de ser a partir daí com o suporte de um sistema preventivo mais presente. Por isso é que se impõe o mapeamento das cidades, através de uma convergência reunindo em conjunto o Palácio do Planalto, os governos estaduais e municipais.
O meio ambiente tem que ser incluído, da mesma forma a habitação, as condições de moradia, de transporte, de assistência à saúde. Esta colocação pode parecer um sonho e talvez até seja. Mas é o único caminho para integrar as administrações públicas à população de modo geral.
O IBGE apontou a queda do nível de desemprego este ano. Miriam Leitão cimentou em sua coluna no Globo . Um avanço, mas que por si só mão resolve o gigantesco desafio colocado no momento. É preciso muito mais. Não se trata de zerar os conflitos. Mas reduzi-los. Ao contrário do que está acontecendo e colocando em risco a estrutura social, expondo-a a abalos seguidos. Uma crise que não está sendo vista como tal, incluindo sua dimensão exata.

PSICANÁLISE DA VIDA COTIDIANA Destrutividade humana remete à Esperança?



CARLOS VIEIRA

Avenida Brasil
Há tempos uma novela não mobilizava tanto a sociedade brasileira! Avenida Brasil, escrita por João Emanuel Carneiro mostrou durante meses uma característica da alma humana – a maldade. 
A Metapsicologia, ou seja, a psicologia freudiana, mostrou a partir de achados clínicos, que nós humanos somos movidos desde o inicio da vida por dois tipos de instintos: o instinto de vida e o instinto de morte. A saúde mental vai depender da preponderância das forças de vida sobre as pressões psíquicas de morte. O amor espera-se, deve predominar sobre a destrutividade, a maldade humana, o ódio, enfim todos os sentimentos e desejos homicidas e suicidas. A questão é que amor e ódio são parte intrínseca da realidade psíquica: o amor não é sinônimo de ausência de ódio; nem o ódio anula a presença do amor. O funcionamento mental de uma pessoa tem uma natureza dialética, pois oscila entre as forças de construção e destruição. Daí, o conflito psíquico ser inerente e, o que nos resta nessa vida é desenvolver uma capacidade para administrar o conflito, e não extingui-lo. 
Avenida Brasil mostrou de uma maneira clara, objetiva, realística e às vezes cruel, esse lado perverso e mortífero da personalidade humana. Traição, ciúme patológico, ferimentos psíquicos, agressões violentas, crime, sequestro, roubo, intriga, uma série de comportamentos psicopatológicos nas várias classes da sociedade brasileira. A dramaturgia dos temas exigiu experiência e saúde mental dos atores, além de contaminar os expectadores que se identificavam, amando e odiando os personagens. 
Uma bela experiência de um elenco que a cada capitulo crescia, desenvolvia e aprimorava a arte da dramatização. 
Prezado leitor, o que quero enfatizar hoje é o que essa novela nos ensinou: ter consciência da capacidade destrutiva do homem e pensar quais as alternativas em direção ao crescimento psíquico. 
Ferimento psíquico (ferida narcísica), dor mental, ódio, ressentimento e vingança compõem uma gradação perfeita na dinâmica psíquica na história que João Emanuel escreveu. 
Alguém me falou que o compositor da novela teria se inspirado em textos de Fiódor Dostoievski (1821-1881), escritor russo, um dos ícones da literatura universal, conhecido mais publicamente por seus dois romances: Os Irmão Karamázov e Crime e Castigo. 
Pesquisando fragmentos de textos de Dostoiévski, e do belo livro – “Dostoievski, Filosofia, Romance e Experiência Religiosa, do filósofo italiano Luigi Pareyson (1919-1991), vi sentido em pensar que João Emanuel tenha tido familiaridade com a obra do escritor russo. 
Escreve Luigi Pareyson: “As páginas que Dostoievski dedica ao ‘Pesadelo de Ivan Fedorovic’ são de um poder extraordinariamente dramático e, ao mesmo tempo, de uma profundidade lucidamente filosófica e religiosa. Que o Diabo seja a personificação do sósia, isto é, da presença do mal no homem, resulta com dramática evidencia: Sou eu mesmo que falo e não tu... Tu és uma alucinação minha. És uma encarnação de mim mesmo, mas somente de uma parte de mim, de uma parte dos meus pensamentos e dos meus sentimentos, mas daqueles mais asquerosos e mais estúpidos... Insultando-te, insulto a mim mesmo! Tu és eu, eu mesmo, mas com um outro focinho. Tu dizes exatamente aquilo que eu penso e não estás em condições de me dizer nada de novo!... Mas tu escolhes os meus pensamentos mais feios... Não, tu não existes, tu és eu, eu mesmo e nada mais! És um zero, és uma fantasia minha”. Eu vejo em ti o canalha que saiu de mim; ele sou eu, eu mesmo: toda a parte baixa, vil e desprezível de mim.” (fragmentos do escrito de Dostoievski em – Os Irmãos Karamazov). 
A ideia filosófica do autor russo nem é otimista nem pessimista. Penso que é um realismo forte e cruel, pois mostra as forças do mal e do bem, coexistindo dentro do ser humano. Somos, ainda que tenhamos dificuldade de admitir: Caim e Abel. A novela trouxe essa luta, mas assim como Dostoievski, a luta interna precisa passar pela consciência e experiência da maldade para chegar ao bem. 
A alternativa, tanto na obra Fiódor Dostoievski como na novela de João Emanuel, é a capacidade de perdoar – só o perdão evita uma catástrofe maior: a loucura. Entretanto penso que para poder perdoar, antes é necessário se sentir responsável por essa parte diabólica da pessoa. Assumir a sua parte destrutiva é imprescindível para que se possa cuidar dela. 
Nosso poeta Manuel Bandeira, em 1947, denunciou o “animal” que existe dentro do ser humano em seu poema – O Bicho – quem sabe, para poder cuidar dele.
“Vi ontem um bicho 
Na imundície do pátio 
Catando comida entre os detritos.
Quando achava alguma coisa, 
Não examinava nem cheirava: 
Engolia com voracidade.
O bicho não era um cão, 
Não era um gato, 
Não era um rato.
O bicho, meu Deus, era um homem.
Carlos.A.Vieira, médico, psicanalista, Membro Efetivo da Sociedade de Psicanálise de Brasilia e de Recife. Membro da FEBRAPSI e da I.P.A - London. 

A aposentadoria dos professores



Nesta série de artigos que tenho escrito no GLOBO acerca da Previdência, abordei em ocasiões anteriores a questão do salário mínimo; a necessidade de adotar novas regras de aposentadoria para os jovens que ingressarem no mercado no futuro; a importância de transição para aqueles que já estão trabalhando; o aumento da idade de aposentadoria; as diferenças de gênero; a extensão do período contributivo de quem se aposenta por idade; o tema das pensões; e a aposentadoria rural. Hoje tratarei de um assunto delicado: a aposentadoria dos professores. 

Esclareço, inicialmente, que penso que poucas profissões são tão importantes quanto a do professor para a formação do ser humano. Em minhas palestras, gosto muitas vezes de citar a frase de um ilustre argentino do século XIX que, depois de ter sido presidente da República, foi nomeado reitor da universidade e começou o discurso de posse nos seguintes termos: "Fui promovido." 

Dei aulas durante 15 anos e me sinto um professor. O ponto que está em discussão é se há ou não razões para que as regras de aposentadoria desse profissional sejam diferentes em relação às que regem as demais profissões, como ocorre atualmente. 

Ortega y Gasset dizia que "na política há apenas circunstâncias históricas. São elas que definem o que deve ser feito". Na Grécia, as circunstâncias definiram a necessidade de adotar medidas dramáticas, em função da impossibilidade de honrar o contrato social prévio. As ideias que defendo visam a uma mudança suave das regras adotadas no país, para evitar um dia correr o risco de chegar a uma situação como a dos gregos ou a dos italianos, quando até as aposentadorias tiveram que ser cortadas no ajuste fiscal aplicado. 

Nossa Constituição permite reduzir em 5 anos a contagem para a aposentadoria por tempo de contribuição no caso dos professores. Isso significa que, em vez de a exigência ser de 35 anos para os homens e de 30 para as mulheres, o requisito é de 30 anos para os primeiros e de 25 para as segundas. Como a situação mais frequente é que os docentes sejam do sexo feminino, na maioria dos casos a aposentadoria no ensino fundamental pode ser conseguida com apenas 25 anos de trabalho. É pouco. 

Alguém poderia argumentar que é "justo". Por outro lado, o que dizer a profissionais que convivem diariamente com a morte ou com alto grau de estresse e se aposentam com as mesmas exigências que as de qualquer outra profissão? Será que isso é justo?

Na Argentina, por exemplo, as condições de ensino são parecidas com as do Brasil e nem por isso os professores gozam de regras especiais de aposentadoria. Por que as regras para os professores aqui são diferentes? 

A regra facilita a mentalidade de que "uma mão lava a outra". Como, de um modo geral, as condições de trabalho e os salários pagos deixam muito a desejar, é como se o Estado propusesse um pacto: "Você vai trabalhar em prédios ruins, com escassez de material e ganhando pouco, mas em compensação deixo você se aposentar cedo." O problema é que esse arranjo peculiar gera uma vítima inocente — o aluno. Como frequentemente o professor tem que lecionar em mais de uma escola para ter uma melhor remuneração, ele muitas vezes não consegue estar em seu melhor estado físico e emocional para ter condições de ministrar uma boa aula, como a que poderia dar se trabalhasse em melhores condições. 

Assim, por um lado, o Estado deixa de fazer o que se espera que faça em uma sociedade que funcione adequadamente e por outro o professor, mal pago, se aposenta precocemente por qualquer parâmetro de comparação internacional, podendo garantir um fluxo assegurado de rendimentos, no limite, aos 45 anos, tendo ainda mais 35 ou 40 anos de vida pela frente. Enquanto isso, quem enfrentará o ônus de ter professores desmotivados durante 12 anos é o aluno — que pagará as consequências pela vida toda. 

A solução para as mazelas da educação passa, entre outras coisas, por romper esse círculo vicioso. O professor precisa ter melhores condições de trabalho — e para isso é importante que os salários melhorem —, mas, em contrapartida, ele deveria ter as mesmas regras de aposentadoria que as demais profissões. Permitir aposentadorias com 48 ou 50 anos de idade simplesmente não faz sentido.
Na Argentina, as condições de ensino são parecidas com as do Brasil, e, nem por isso, o professor goza de 
regras especiais de aposentadoria. Por que aqui é diferente?
 

Publicado no Golobo de hoje. Fabio Giambiagi é economista.