quarta-feira, 29 de agosto de 2012

União estável de três abre polêmica sobre conceito legal de família


Jefferson Puff
Atualizado em  28 de agosto, 2012 - 14:22 (Brasília) 17:22 GMT
Três mãos | Foto: Getty Images
União de três pessoas no interior de São Paulo dividiu opiniões de juristas e da sociedade brasileira
A união estável "poliafetiva" lavrada no interior de São Paulo pela tabeliã Claudia do Nascimento Domingues entre um homem e duas mulheres trouxe à tona um debate que divide juristas e a sociedade. Num momento pós-união estável homossexual, já aceita pela Justiça, até onde vai o conceito de família no Brasil?
Na visão da advogada e oficial do cartório de notas da cidade de Tupã, não há lei na Constituição brasileira que impeça mais de duas pessoas de viverem como uma família e a ausência da proibição abre caminho para um precedente.
A definição de "união poliafetiva" vem sendo usada por ela na tese de doutorado que desenvolve na USP. "Não sei se esse será o termo mais adequado, mas é o que escolhi para empregar em meus estudos".
Para ela, há chances de que as uniões poliafetivas tenham uma trajetória semelhante às uniões homoafetivas, entre duas pessoas do mesmo sexo, que após muitos anos de recursos e trâmites em diferentes instâncias do país foram consideradas válidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que decidiu por uma "revisão" do texto constitucional no ano passado.
"O modelo descrito na lei é de duas pessoas. Mas em nenhum lugar está dizendo que é crime constituir uma família com mais de dois. E é com isso que eu trabalho, com a legalidade. Sendo assim o documento me pareceu bastante tranquilo. Trata-se de um contrato declaratório, não estou casando ninguém", diz Claudia.
Ela explica que, em termos oficiais, trata-se de uma "escritura pública declaratória de união estável poliafetiva", o que, traduzindo em poucas palavras, significaria um contrato onde os três envolvidos deixam claras suas vontades e intenções como família. Cabe a empresas, prestadoras de serviços, órgãos públicos e à Justiça, em casos de ações judiciais e subsequentes recursos, decidirem se aceitam o documento ou não.
"O que se previu ali são posições declaratórias, é a vontade dessas pessoas declarada num documento público. Divisão de bens, responsabilidades, direitos, com algumas limitações. Eles não podem, por exemplo, distribuir uma herança como se fossem casados, o que não são e nem pretendem ser".
A tabeliã acrescenta que o trio, que até o momento optou por não falar à imprensa, já tem conta corrente aberta como família, "porque a escritura permite, a lei não proíbe e o banco aceitou".

‘Três é demais’

"É algo totalmente inaceitável, que vai contra a moral e os costumes brasileiros"
Regina Beatriz Tavares da Silva, advogada
Outros juristas defendem que a família só pode ser constituída por um casal, ou seja, duas pessoas, e rejeitam o conceito tanto em termos jurídicos quanto morais.
Num sinal de novos tempos, no entanto, mesmo os mais conservadores tomam por base que a definição de casal hoje no Judiciário brasileiro já admite um homem e uma mulher, dois homens ou duas mulheres, acatando a decisão do STF. Mas três é demais.
"É um absurdo. Isso não vai para frente, nem que sejam celebradas milhares dessas escrituras. É algo totalmente inaceitável, que vai contra a moral e os costumes brasileiros", avalia a advogada Regina Beatriz Tavares da Silva, presidente da Comissão de Direito da Família do Instituto de Advogados de São Paulo (Iasp) e doutora na mesma área pela USP.
Casamento emn massa
Para tabeliã Claudia Domingues, há várias possibilidades de amor e de relacionamentos
Para ela, as cláusulas constantes no documento, que versam de temas que vão de comunhão de bens, separação, direitos, responsabilidades e até mesmo filhos em comum, tendem a ser rejeitadas por empresas, prestadoras como planos de saúde e seguradoras, além dos tribunais.
"É uma escritura nula, sem valor algum, por não cumprir os requerimentos constitucionais", diz.
José Carlos de Oliveira, professor de direito e doutor pela Unesp, diz que o documento é inválido por "contrariar frontalmente a Constituição" e que o Supremo jamais referendaria o novo tipo de família.
"Fizeram um contrato de acordo com os interesses deles, que, se chegar ao STF, será prontamente julgado como ilegal"
José Carlos de Oliveira, professor de direito e doutor pela Unesp
"A escritura em questão alterou de forma unilateral aquilo que já é tipificado pela lei, ou seja, que uma família é constituída por duas pessoas somente, sejam heterossexuais ou homossexuais. Fizeram um contrato de acordo com os interesses deles, que, se chegar ao STF, será prontamente julgado como ilegal".
Ambos advogados, no entanto, admitem que em alguns casos pontuais o documento poderá vir a servir como um "início de prova" de união estável, como em compras de imóveis, como se fossem "sócios", mas ainda de forma "discutível".
Para a tabeliã, o documento tem total validade. "Não posso imaginar um tabelião criando um documento que não tenha valor. Não faz sentido. Como valor de documento, é algo público, registrado, indiscutível. Poderemos discutir quais são as eficácias legais das regras contidas neste documento, isso sim. São duas coisas diferentes, e me assusta que alguém ligado ao direito diga simplesmente ‘isso vale ou não vale’".

Moral

Muito além das minúcias jurídicas quanto à validade da escritura da união poliafetiva, o debate moral iniciado pelo caso deve criar polêmica na sociedade brasileira, questionando até onde se pode estender o conceito de família no país.
"O fato de eles viverem de tal jeito não afeta a minha vida, é a liberdade privada deles. Gostaria que fosse muito simples: você vive como quer, do jeito que quer, não afeta a vida dos outros, e ninguém tem que se intrometer. Mas a realidade no Brasil, como nós sabemos, não é essa", diz a tabeliã de Tupã.
"No Brasil ainda se pensa muito de forma individual. Se algo não é bom para mim, não é bom para ninguém. Tudo bem, eu continuo não querendo para mim, mas eles não me afetam, vivendo em três, ou em cinco. Agora me afetam, por exemplo, quando fazem de conta que têm um casamento maravilhoso mas têm dois amantes, três amantes. Isso me afeta, fazer de conta que não sei", complementa.
"Na minha concepção [a crítica] é o ser humano fazer a limitação moral que a lei não faz. Vamos então morar em um país onde as leis sejam inteiramente morais. Legalmente não podemos aplicar isso no Brasil"
Claudia do Nascimento Domingues, tabeliã e doutora pela USP
Na visão de Regina Beatriz Tavares da Silva, o Judiciário e a sociedade jamais aceitarão este tipo de família. "É uma promiscuidade que envolve mais de duas pessoas. Classifico como poligamia, amantes, relações paralelas. É preciso usar os termos certos".
Claudia defende que a situação não implica em poligamia já que não se trata de um casamento e avalia as rejeições ao conceito de poliafetividade como invasão da esfera privada do cidadão.
"É um absurdo por qualquer olhar que se dê. Não importa se tem escritura ou não. Na minha concepção é o ser humano fazer a limitação moral que a lei não faz. Vamos então morar em um país onde as leis sejam inteiramente morais. Legalmente não podemos aplicar isso no Brasil", diz a tabeliã.
"Como é que vão resolver? Não sei. Estamos vendo decisões surpreendentes, e é como um dos juízes do STF colocou muito bem na votação da união homoafetiva no ano passado: ‘a realidade não pode ser afastada’".

Reunião relâmpago da mesa diretora do Senado aprovou 'pacote de bondades'


Reajuste de 15,8% no Executivo foi estendido a servidores do Congresso


O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), ao lado da vice-presidente, Marta Suplicy (PT-SP): pacote de bondades Foto: Ailton de Freitas / O Globo
O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), ao lado da vice-presidente, Marta Suplicy (PT-SP): pacote de bondadesAILTON DE FREITAS / O GLOBO
BRASÍLIA - Em recesso branco por causa da campanha eleitoral, o Senado Federal iniciou nesta terça-feira uma semana de esforço concentrado para votar medidas provisórias (MPs) que trancam a pauta. Mas o saldo do primeiro dia foi um "pacote de bondades" que vai sangrar os cofres e beneficiar servidores do Senado e familiares de ex-senadores. Nem foi preciso fazer greve ou barulho. Numa reunião relâmpago da Mesa Diretora, o presidente José Sarney (PMDB-MA) colocou em votação simbólica projeto de resolução que estenderá aos servidores da Casa o reajuste de 15,8% - escalonado nos próximos três anos - concedido pelo Executivo aos servidores em greve há mais de um mês. Levando em conta apenas 2013, o impacto na folha de pagamento será de R$132 milhões.
Os cerca de 3,5 mil servidores concursados da Câmara também serão beneficiados com o reajuste linear de 15,8%. Segundo informação de assessores da Casa, o diretor-geral, Rogério Ventura, foi chamado ao Ministério do Planejamento e ouviu que o reajuste linear garantido aos servidores do Executivo seria estensivo ao Legislativo. Segundo assessores da Câmara, a oferta foi aceita pela Administração da Casa e pelo Sindicato dos Servidores do Legislativo (Sindilegis).Um projeto de Resolução será aprovado em regime de urgência, até o dia 31 de agosto, sexta-feira, inserindo o aumento na Lei Orçamentária Anual (LOA).
No caso da Câmara, o aumento linear deverá ser garantido via projeto de lei que já tramita na Casa e trata da reestruturação de carreira dos servidores. Deverá ser apresentado um substitutivo ao projeto com a concessão do aumento linear, escalonado em três anos. O aumento só beneficiará os servidores concursados e os aposentados pela Casa. Não é extensivo aos funcionários que têm cargos em comissão, os CNEs, que trabalham em lideranças partidárias e na Mesa Diretora os e Secretários Parlamentares, que trabalham em gabinete.
No Senado, a outra medida corporativa aprovada hoje irá beneficiar viúvas de ex-senadores e ex-senadores. Pela decisão da Mesa, a cota anual de R$ 32 mil a que eles têm direito para tratamentos médicos ou intervenções cirúrgicas poderá ser acumuladas até o valor total de R$ 96 mil, se não usadas em sua totalidade nos três anos anteriores. Se não usarem esse valor total e quiserem fazer uma intervenção cirúrgica ou tratamento mais caros, poderão juntar esses valores e apresentar as notas fiscais para comprovação e ressarcimento. Os atuais senadores não têm limites de gastos com saúde.
A reunião da Mesa, comandada por Sarney, aconteceu ao mesmo tempo em que o líder do governo, Eduardo Braga (PMDB-AM), dava entrevista coletiva para anunciar a pauta de votações de interesse do governo nesse esforço concentrado: duas MPs , uma com medidas de enfrentamento da seca, e outra que concede créditos para enfrentar problemas de enchentes no Sul e Sudeste. Na saída da reunião, os membros da Mesa se negaram a falar das medidas aprovadas.
A vice-presidente Marta Suplicy (PT-SP) declarou que nada de importante havia sido aprovado. Mas na reunião ela foi escalada para telefonar para a ministra do Planejamento Miriam Belchior e saber se o aumento que o governo estava dando para o Executivo era extensivo ao Legislativo.
- A senadora Marta se levantou para verificar o aval da ministra Belchior. A ministra quis saber quando os servidores do Senado tinham tido reajuste, se coincidiam e se tinham a mesma motivação dos servidores do Executivo. A Marta explicou que o último reajuste do Senado foi em 2010 e obteve o sinal verde do Planejamento - contou o primeiro secretário, senador Cícero Lucena (PSDB-PB).
O orçamento anual do Senado é de R$ 3,2 bilhões . A folha de salários consome cerca de 80% desse montante. Levantamento feito pelo site Congresso em Foco, com base em estudo do Tribunal de Contas da União (TCU) desde 2009, mostra que, dos 3.182 servidores do Senado, 464 ganham supersalários, acima do teto constitucional hoje de R$ 26,7 mil. Tabela com a folha de pagamento de julho mostra que o Senado pagou três salários acima do teto constitucional, mesmo se aplicando o abate-teto. O maior salário é de um técnico legislativo que trabalha na gráfica da Casa, que recebeu R$ 32,8 mil.
A diretora-geral do senado, Doris Marize Peixoto, não quis dar entrevista para explicar as mudanças. A assessoria de comunicação da Casa também não tinha detalhes das medida

Gilberto Carvalho, ministro tipo Ofélia, continua abrindo a boca para dizer bobagens



Conforme já registramos aqui no Blog, o secretário-geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, que ganhou o título de ministro pela maestria na puxação do saco de Lula, é do tipo Ofélia, que só abre a boca para dizer bobagens.
  Talvez seja melhor ficar calado
A reportagem Daniela Lima, da Folha, informa que  Carvalho abriu novamente a boca, e o resultado foi constrangedor. Simplesmente prometeu que o governo federal ajudará o município de Franco da Rocha, em São Paulo, quintuplicar seus investimentos caso o candidato petista, Kiko, seja eleito prefeito da cidade.
O ministro fez a promessa durante um ato de campanha do petista. No palanque, ao lado de Kiko, Carvalho disse que “se hoje o investimento que a cidade consegue fazer é de R$ 5 milhões ao ano [R$ 20 milhões em quatro anos], eu quero garantir que, com Kiko prefeito, com a nossa parceria, faremos nestes quatro anos um investimento de pelo menos R$ 100 milhões”.
O ministro pediu votos para o aliado chamando-o de “pérola” do PT na região. “Num tempo tão difícil, de tantos problemas. de tanta corrupção, a gente se alegra de encontrar uma pérola como essa”, afirmou.
Carvalho, um dos principais assessores da presidente, disse ainda, citando que com o aliado na prefeitura, a “presidenta Dilma” teria “confiança” para designar recursos para a cidade. “Se Kiko for eleito prefeito de Franco da Rocha, a presidenta Dilma terá confiança de enviar para cá todos os recursos que nós precisamos para transformar efetivamente esta cidade”.
O discurso de Gilberto Carvalho e a promessa de quintuplicar os investimentos na cidade com dinheiro do governo federal foram espalhadas pela campanha de Kiko.
O petista fez um vídeo de campanha com o discurso do ministro e rodou ainda um jornal com a foto e as falas de Gilberto Carvalho.
“Gilberto Carvalho esteve em Franco da Rocha para manifestar o apoio do governo Dilma à candidatura de Kiko”, diz o jornal. “Ele subiu no palanque para afirmar que, com Kiko na prefeitura, o município terá R$ 100 milhões para investir.”
Em qualquer país sério, Gilberto Carvalho seria demitido sumariamente, por confessar que o governo federal é protecionista e fisiológico, somente enviando recursos para os municípios que elejam políticos do mesmo partido.
Resumindo: Carvalho é um idiota que desconhece totalmente o que significa um regime democrático.

Provas e indícios, por Merval Pereira


POLÍTICA


Merval Pereira, O Globo
É provável que tenhamos ainda hoje a definição dos votos sobre as acusações contra o deputado federal petista João Paulo Cunha, que precisa de quatro votos em cinco para ser absolvido (já recebeu os votos absolutórios dos ministros Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli) ou apenas mais dois votos para ser condenado pela maioria do Supremo Tribunal Federal.
Digo que é provável porque não se sabe qual a extensão do voto de Cezar Peluso. Se optar, como é o mais provável, por dar seu voto integralmente antes de se aposentar em 3 de setembro, poderá tomar boa parte da sessão de hoje.
O ministro Peluso tem o direito de antecipar o voto, não só pelo regimento interno do Supremo, mas pela decisão do plenário no primeiro dia de julgamento, cuja maioria decidiu que cada um votaria da maneira que quisesse.
O fato de todos até agora, inclusive o revisor, terem aceitado adotar o procedimento proposto pelo relator Joaquim Barbosa, não quer dizer que Peluso seja obrigado a fazer o mesmo. Ele pode simplesmente dar voto integral sem nem pedir autorização excepcional ao presidente do Supremo, prevista no regimento interno.
É provável que Peluso já saiba o que a maioria de seus pares acha, e por isso a atitude que tomar estará respaldada por essa maioria. Mesmo quando o regimento interno permite decisão que Peluso considere que precisa ser apoiada pela maioria, ele procura atuar segundo o pensamento do plenário.
Foi o que houve nas votações sobre a Lei da Ficha Limpa, quando Peluso era presidente da Corte. Ele proferiu o voto de Minerva a favor de Jader Barbalho na decisão sobre se a lei o impedia de assumir vaga no Senado, dando-lhe ganho de causa, quando se recusara a desempatar em outra ocasião.
Peluso explicou então que, embora o regimento determine que em caso de empate o presidente votará uma segunda vez para decidir, não se considerava à vontade nessa situação e preferiu seguir a opinião do plenário: na primeira sessão de julgamento sobre a chamada “Ficha Limpa”, quando se recusou a desempatar o julgamento, o fez simplesmente porque a maioria presente não concordou com a aplicação da regra regimental.
No caso de Barbalho, porém, todos os ministros presentes, inclusive os que tinham votado em sentido contrário, decidiram aplicar a regra regimental. Este é o ministro Peluso que estará atuando esta semana pela última vez no Supremo. Seu voto será importante para definir se a tendência do plenário está na direção apontada até agora pela maioria, e também para testar caminhos jurídicos traçados por alguns ministros o votarem.

Cármen Lúcia tratou da “verdade real” em contraponto à “processual” a que o revisor tanto faz questão de se referir. Para a ministra, esse processo é extremamente árduo pela dificuldade de se colherem provas, “de se saber qual é a verdade real e a verdade processual”.
Com isso, ela tocou num ponto crucial, que o ministro Luiz Fux já havia abordado anteriormente, o da qualidade das provas.
A função da prova no processo era bem definida, lembra Fux: transportar para o processo a verdade absoluta que ocorrera na vida dos litigantes. Nesta concepção, uma condenação no processo só pode decorrer da verdade dita “real” e da (pretensa) certeza absoluta do juiz a respeito dos fatos.
Contemporaneamente, ressaltou Fux, “chegou-se à generalizada aceitação de que a verdade (indevidamente qualificada como ‘absoluta’, ‘material’ ou ‘real’) é algo inatingível pela compreensão humana, por isso que, no afã de se obter a solução jurídica concreta, o aplicador do Direito deve guiar-se pelo foco na argumentação, na persuasão, e nas interações que o contraditório atual, compreendido como direito de influir eficazmente no resultado final do processo, permite aos litigantes”.
O que importa para o juízo “é a denominada verdade suficiente constante dos autos”. Para ele, o moderno Direito Penal resgata “a importância que sempre tiveram, no contexto das provas produzidas, os indícios, que podem, sim, pela argumentação das partes e do juízo em torno das circunstâncias fáticas comprovadas, apontarem para uma conclusão segura e correta”.
Essa maneira de encarar o processo reduz a importância da alegada “falta de provas” nos autos contra os réus, para dar maior dimensão às testemunhas, aos indícios, às conexões entre os fatos.

HUMOR A Charge do Chico Caruso




OBRA-PRIMA DO DIA - PINTURA Lola de Valence é a estrela do período 'vache' de Magritte


Na França as críticas ferrenhas ao surrealismo belga continuavam. As relações de Magritte com Paris seriam sempre difíceis. Ele parecia não se incomodar com isso, mas não ser reconhecido em Paris, devia pesar.
Magritte encontrou um bom marchand em Alexander Iolas, um grego responsável pelo sucesso de muitos artistas. No entanto, quando Iolas conseguiu que ele fosse convidado para uma individual em Paris, em 1948, Magritte não se impressionou, nem se curvou.
A exposição, na Galerie du Faubourg, criou polêmica. O estilo empregado nas telas era próximo do fovismo e foi chamado pelo pintor de “période vache”, literalmente “período vaca’. Em francês a palavra servia e ainda serve para muitos usos:fora o nome do animal, pode ser uma expressão de indignação “ô la vache!”; de muita surpresa; se referir a uma mulher gorda; a uma pessoa sem caráter e má; à pessoa preguiçosa. Um amor mais físico que emocional, é um ‘amour-vache”.
E surgiu o que ficou conhecido como “période vache”, no estilo “potache”, ou seja, com a inconseqüência e a pacholice dos estudantes.


As telas, sobre o vulgar e o rude, inteiramente diferentes do estilo contido e elegante de seus outros quadros, mais o texto de apresentação, em termos pouco usuais, cheios de gíria, assinado pelo poeta Louis Scutenaire, foram o estopim de um bom escândalo.
Anos mais tarde ambos, Magritte e Scutenaire, confessariam que a intenção era mesmo agredir e chocar. Como belgas, estavam cansados de ser chamados de camponeses toscos e quiseram se vingar do que consideravam arrogância e pedantismo dos franceses.
Na década de 60, quando catalogou suas obras, Magritte se referiu ao período “vache” como ao seu estilo fauve e chamou as telas dessa época de “as pinturas daquele maldito período”. Ele parecia não querer se lembrar direito do que foi e por quê criou o estilo “vache”, segundo Bernard Marcadé, curador e crítico de arte francês:
“Lola de Valence” é uma tela “vache”, uma ironia com o quadro de Édouard Manet (1862) que imortalizou a dançarina espanhola Lola Melea e com uma quadra de Charles Baudelaire em homenagem à beleza dela:
“Entre tant de beautés que partout on peut voir, 
Je comprends bien, amis, que le désir balance; 
Mais on voit scintiller en Lola de Valence 
Le charme inattendu d'un bijou rose et noir.”
(Numa tradução inteiramente livre: “Entre tantas belezas que vemos por aí, compreendo bem, amigos, que o desejo hesite; mas vemos cintilar em Lola de Valence o encanto inesperado de uma jóia rosa e negra”).
Pode-se compreender como os franceses ficaram ofendidos com a gozação a seu poeta e a seu pintor...

Minneapolis Institute of Arts, Minneapolis, MN, EUA

Mercado imobiliário ainda é um bom negócio


Mesmo com a desaceleração, preços não vão se retrair e vender um imóvel ainda é vantajoso. Veja dicas


Rodrigo Soldon/ Wikimedia Commons
Centro do Rio de Janeiro
Prédio no Rio de Janeiro: de 2001 a 2010, os preços dos imóveis residenciais e comerciais na cidade sofreram um aumento de até 700%
São Paulo - O imóvel é considerado uma boa forma de investir dinheiro - é um patrimônio durável e que se valoriza ao longo do tempo, especialmente quando ocorrem melhorias na infraestrutura da região. Mesmo com a expectativa de estabilização do mercado imobiliário, vender ou alugar uma edificação continua sendo um bom negócio. "Os índices de valorização registram uma pequena queda, porém, os preços atuais não irão diminuir", explica Carlos Samuel de Oliveira Freitas, especialista em Direito Imobiliário e diretor de Condomínios da administradora Primar.
De 2001 a 2010, os preços dos imóveis residenciais e comerciais no Rio de Janeiro sofreram um aumento de até 700%. O dado é do estudo "Panorama do Mercado Imobiliário do Rio de Janeiro", realizado pelo Sindicato da Habitação do Rio (Secovi-RJ). A entidade constatou que em 2011 o crescimento do setor foi menor comparado ao mesmo período de 2010. "O valor médio do metro quadrado para venda teve um desaceleração significativa no ano anterior, assim como o preço para aluguel. Nos dois casos, o crescimento foi 50% menor do que em 2010", aponta.
Para Freitas, mesmo nesta fase de equilíbrio dos valores praticados pelo mercado imobiliário, ainda haverá um aumento nos preços das edificações. A razão é o forte investimento em urbanização e infraestrutura para receber a Copa do Mundo, em 2014, e as Olimpíadas, em 2016. "As unidades imobiliárias localizadas no entorno das sedes destes eventos, onde irão acontecer às competições, serão extremamente valorizadas, principalmente na época de realizado dos jogos. O preço de venda pode superar o valor primitivo em até 300%", enfatiza Freitas.
Saiba como vender seu imóvel mais rápido
Quem deseja vender um imóvel usado deve ficar atento a algumas orientações básicas que podem dar um empurrãozinho para o comprador fechar o negócio. O processo de venda, na maioria dos casos não é rápido, porém, ter cuidados básicos com a edificação ajuda a atrair mais interessados. "Os imóveis usados têm forte concorrência, por isso quanto mais atraente, maiores são as chances de vender. O primeiro passo é manter a residência sempre limpa e organizada. O jardim e o quintal também merecem mais atenção", observa.
A conservação do imóvel é fundamental. Portanto, se houver a necessidade de fazer reparos na parte elétrica, hidráulica ou estrutural, faça antes de anunciar o imóvel para venda. Os consertos e melhorias eliminam possíveis distrações para os interessados. "As pessoas que vão visitar a casa ou apartamento se projetam naquele ambiente e se imaginam morando ali. Se o primeiro contato não for positivo, o negócio será prejudicado. Mesmo quando o interessado faz mais de uma visita, a primeira impressão sempre será a mais forte em sua mente" esclarece.
Caso o imóvel a venda esteja ocupado, a atenção deve ser redobrada. Os ambientes devem estar sempre arejados, sem mobília em excesso e objetos jogados em qualquer canto. Os dejetos dos animais de estimação devem ser removidos do quintal, assim como os entulhos. "A boa aparência deve ser mantida constantemente, afinal nunca se sabe quando o possível comprador vai solicitar uma visita. Mesmo que a administradora agende os encontros, será impossível deixar tudo organizado a tempo se não houver manutenção frequente", afirma.
Outra recomendação importante é a revisão dos documentos do imóvel. A escritura deve ser fidedigna com a realidade. Qualquer diferença pode ser motivo para que o interessado desista de fechar o negócio. "O ideal é manter tudo atualizado para não haver transtornos no momento da negociação. O diálogo é outro fator que conta pontos. O proprietário e o corretor da administradora devem sempre ressaltar os pontos positivos da edificação, comentar sobre as características do bairro e os serviços oferecidos aos moradores, como linhas de ônibus, escolas e postos de saúde", acrescenta.