quarta-feira, 8 de agosto de 2012

FILÓSOFOS GREGOS & AMISH QUE NÃO CONHECERAM O LULA Walter Marquart



Os gregos exploraram o conhecimento; os amish exploram a sabedoria, a sensatez, a moderação… E os idiotas se entregam à tarefa de acabar: primeiro com o trabalho e segundo com o planeta.
Sócrates, Platão, Aristóteles… Foram guias do pensar, agir e colher; Jesus foi o mestre da bondade que olhava, pensava e perdoava. Vieram as grandes descobertas: roda, machado e tesoura; máquina a vapor, revolução industrial, transporte, comunicação e a energia elétrica.
O relógio foi um detalhe que ocupou os suíços, para não continuarem guerreando a favor do rei que pagasse mais. Gutenberg revolucionou o campo gráfico e com ele o papel. Petróleo, carvão e o automóvel ainda não responderam se foram úteis ou participam da destruição da terra.
Até aqui a inércia mental não participava do progresso; o homem tinha importância e valor, honra e alegria festejada.
Vieram, com a eletrônica, chips, acessórios, rapidez nos cálculos e, em nome do progresso, a inércia particular e coletiva. Não há mais verba para salvar a humanidade, 2 a 3 sugam todos os recursos, em nome da atualização tecnológica. Trocamos água, esgoto, conforto, alimentos, educação e paciência, por computadores, pela superacumulação praticada por 2 a 3 senhores. Inversamente à era tecnológica, estamos a construir gigantescos Tribunais em Brasília.
No lugar de educação e sabedoria, Tribunais de Contas tendo como perscrutadores os políticos divorciados do voto.
Esquecemos dos conhecimentos, da sabedora e da bondade. Tudo e todos, em nome da insensatez, transformados em corpos de experiência. O povo perde, o governo gasta e todos percebem, já escravizados ou não, que estamos à mercê daqueles senhores.
As verbas públicas não se destinam mais a beneficiar a população, estão no escaninho da corrupção e da mentira que asfalta a priorização da filosofia de que o homem é apenas um número. Estamos sendo levados ao desastre.
Acabou a máquina a vapor e o código Morse que tanto benefício trouxe. A humanidade cresceu, progrediu e festejou, mas, lamentavelmente, a informática que deu asas para o homem ir até à lua, também o escravizou. Todos contribuindo para a superacumulação daqueles 3 senhores.
Porque o povo sofre? Não há verba para ele, mas torra-se “trolhões” para que a inércia eletrônica proponha leis, fiscalize os atos, seja o guia, controle o povo e engrandeça o poder daqueles senhores.
Os gregos não estão mais entre nós, Jesus perguntaria porque a bondade não está ornamentando os pensamentos; porque a sabedoria não é chamada para fazer parte das leis, porque tantos se preocupando e dando ouvidos àqueles senhores? Precisamos de leis que sejam luz para o caminho, guia para as ações, freio para o indócil e premio para o conhecimento, sabedoria e honra.
Estamos debilitando o homem e a sociedade. Chegará o ponto em que não haverá remédio para reavivá-lo. O homem não tem mais o sorriso, não festeja e, ainda pior, não sabe mais o que é honradez.
A luz do planeta era o homem; também sua vida e progresso que sustentava o SER. A terra passou a ser umpalco iluminado, mas (Orestes Barbosa) “nos tornamos palhaços das perdidas ilusões”.
(*) Fotomontagem: Platão e um amish

Tese de ‘mensalão’ se mantém para 5 ministros do STF FELIPE RECONDO, FAUSTO MACEDO E MARIÂNGELA GALLUCCI


Parte dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) considerou a primeira safra de defesa dos réus de mensalão incapaz de derrubar a tese do Ministério Público Federal segundo a qual o mensalão existiu e era chefiado pelo ex-ministro da Casa Civil José Dirceu.
Cinco ministros ouvidos reservadamente pelo jornal O Estado de S.Paulo disseram que a defesa de Dirceu não conseguiu caracterizar a versão segundo a qual o pagamento feito a parlamentares nos primeiros anos do governo Lula foi apenas caixa 2 para quitar dívidas de campanha. A Corte tem 11 ministros. Para que seja condenado, 6 precisam votar contra Dirceu.
Um dos magistrados chegou a comentar reservadamente que "o Zé Dirceu fazia navio voar". Para outro ministro, "ou você acredita que o mensalão existiu, ou não. Se acredita, é porque tem uma lógica e só tem lógica se você colocar o cérebro (o mentor)."
Sem cérebro
Uma parcela do colegiado também vê falhas na acusação do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, conforme revelou o jornal O Estado de S.Paulo no domingo. É consenso, porém, que, se Dirceu for inocentado, implode o esquema descrito pela denúncia.
A absolvição de Dirceu, sustentam, quebraria qualquer lógica do sistema, deixaria o mensalão "sem cérebro". Apontado pelo procurador-geral como "chefe de quadrilha" e "autor intelectual do mensalão", Dirceu baseia sua defesa na falta de provas de que teria montado ou ordenado a compra de apoio político valendo-se, segundo a acusação, de dinheiro público lavado por empréstimos bancários. Segundo os ministros, a defesa foi fraca ao não falar sobre os principais pontos que deverão balizar seu julgamento.

Orelhões do país ganharão vida nova - e acesso à internet Anatel debate revitalização dos telefones públicos, que serão modernizados para suprir demanda com os grandes eventos no país até 2016


Pollyane Lima e Silva, de 


 Call Parade na Avenida Paulista
Call Parade na Avenida Paulista: 100 dos 52.000 orelhões paulistanos foram transformados em obras de arte em diversos pontos da cidade
Rio de Janeiro - Ter um aparelho de telefone restrito a fazer ou receber chamadas de voz é quase tão arcaico hoje em dia quanto mandar uma carta pelo correio para saber notícias de alguém que mora longe. Às vésperas da chegada da tecnologia 4G ao país, os telefones públicos – extremamente úteis no passado – tornaram-se adornos quase inúteis que, no máximo, são capazes de proteger da chuva algum pedestre desprevenido.
É para reverter esse quadro que a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) abriu consulta pública há um mês sobre a revitalização dos chamados orelhões. Nesta quarta-feira, uma audiência em Brasília abre espaço para a sociedade se manifestar. Afinal, mesmo que a funcionalidade não seja mais a mesma, o Brasil ainda tem 967.140 telefones públicos em uso – número que passava de 1 milhão há pouco mais de um ano e que vem caindo.
“Hoje em dia, usa-se menos os telefones públicos, mas ainda se usa. Não podemos esquecer que essa é a forma de comunicação mais barata que existe. Mas claro que, com a popularização do celular, deixou de ser prático usar um orelhão, principalmente pela falta de manutenção e pelo vandalismo constante”, avalia a conselheira da Anatel Emília Maria Silva Ribeiro Curi. Baseada nisso, a proposta da agência é mudar a cara dos orelhões, seja por meio de obras de arte – como fez a Vivo em São Paulo –, ou abrindo espaço para publicidade.
Internet - Mas a maior novidade ficará por conta do acesso de dados nos telefones públicos. A ideia é disponibilizar wifi além de serviços de lista telefônica e GPS, explica Emília. “Passaremos a ter mais de 900.000 pontos de acesso à internet no país. Assim, será possível desafogar os telefones móveis, com acesso mais rápido e de qualidade.” A cobrança do sistema, que deve ser liberado por meio de senha, poderá ser feita por cartão de crédito ou até moedas comuns – esse modelo também está em análise na consulta pública.
Em São Paulo e no Rio de Janeiro a experiência já começou. “A empresa está desenvolvendo um projeto de wifi em orelhões, utilizando tecnologia 100% nacional, que está em fase inicial de testes”, informa a Oi, responsável pelo desenvolvimento carioca. O foco - como tudo que envolve inovação no país ultimamente – são os grandes eventos mundiais: Jornada Mundial da Juventude, Copa do Mundo, Olimpíada... Mas a Anatel não quer esperar tanto para ver o novo projeto ganhar forma. “Queremos dar início esse ano ainda. A agência tem pressa”, enfatiza a conselheira.

OBRA-PRIMA DO DIA - PINTURA Mary Cassatt - A Carta (1890/91)


Apesar de resolver seguir seu próprio caminho, sem adotar tendências, Mary Cassatt continuou grande amiga dos Impressionistas e chegou a usar parte dos lucros que obteve com as vendas das 11 telas que colocou na Exposição de 1879 para comprar duas telas, uma de Degas e outra de Monet.
E como já foi dito aqui, estimulou os milionários americanos a comprarem as obras do grupo. Sua amiga Louisine Elder, que se casara com Harry Havermeyer em 1883, iniciou, orientada por Mary, uma bela coleção que hoje faz parte do acervo do Metropolitan Museum of Art de Nova York.
Os últimos anos da década de 80 do século XIX foram muito criativos para Mary. Ela amadurecera e tornara-se menos brusca e mais diplomática em suas opiniões. Pintou excelentes retratos de membros de sua família e passou a mostrar seu trabalho nas galerias dos EUA.
De 1891 em diante, sua serie de gravuras em ponta-seca e aquatinta, de clara influência japonesa, fez muito sucesso. Ela interpretava o estilo japonês à sua maneira, utilizando cores pastel, delicadas, e evitando a tinta negra. A curadora de Artes Plásticas Adelyn Breeskin, considera que “hoje vemos que a contribuição mais original de Mary Cassatt para as Artes Plásticas, foram essas gravuras coloridas que acrescentam mais um capítulo à história das artes gráficas... tecnicamente, como gravuras coloridas, nunca foram superadas”.
O que prova que os anos que ela passou ao lado de Degas estudando o uso do pastel e também que as aulas do grande pintor sobre como utilizar a água-forte, lhe foram de grande valia. Os dois trabalharam lado a lado durante muito tempo e sua arte ganhou muito com essa tutelagem.
Degas fez uma série de gravuras recordando as visitas dos dois ao Louvre, como essa que mostramos aqui hoje (à esquerda).
Tudo leva a crer que Mary tenha se apaixonado por Degas, mas ela logo percebeu que não devia esperar muito da natureza inconstante e temperamental de seu amigo.


“A Carta”, ponta-seca e áqua-tinta, mostra a influência das artes gráficas japonesas na obra de Mary Cassatt. 
“Mary Cassatt na Galeria Etrusca do Louvre”, de Edgar Degas, é gravura a talho-doce de 1879/80.

Acervos: National Gallery of Art, Washington, DC  (A carta) 
               Metropolitan Museum of Art, NY (gravura de Degas)

Boa hora para mudar o Supremo, Helio Doyle


Publicado 07/08/2012 20:50
 
            O julgamento do chamado “mensalão”, certamente o que nos últimos tempos mais atraiu atenções para o Supremo Tribunal Federal, é um bom motivo para o país sair da letargia em relação a alguns temas que estão sendo, indiretamente, colocados em pauta. O julgamento faria bem ao Brasil se fosse além do julgamento em si e mudasse algumas práticas nocivas.
            O primeiro tema que poderia ser discutido, e mais óbvio, é o sistema eleitoral brasileiro e suas repercussões no sistema político. O caixa dois em campanhas eleitorais e o financiamento ilegítimo a políticos e a partidos é o cerne da questão em exame no Supremo. Na verdade, a prática é usual há anos, e exercida por 95% dos políticos brasileiros, no mínimo. As eleições estão cada vez mais caras e assim a política vai se tornando atividade para milionários ou para pessoas que se tornam reféns de seus financiadores de campanha, no caixa um ou no caixa dois.
            O julgamento é um bom motivo para mudar, também, o sistema judiciário brasileiro, e particularmente o antiquado Supremo Tribunal Federal. Diversas questões poderiam ser colocadas para discussão:
            1 – Os ministros devem mesmo ser nomeados pelo presidente da República depois de submetidos a um sabatina formal e vazia no Senado?
            2 – Os ministros devem ser vitalícios ou deveriam ter um mandato?
            3 – É preciso mesmo que os ministros se aposentem compulsoriamente aos 70 anos?
            4 – As atribuições do tribunal não poderiam ser reduzidas, com menos processos e menos julgamentos?
            5 – O ritual formalístico-burocrático é mesmo necessário, não poderia ser simplificado? Não é geralmente apenas perda de tempo e causa gastos desnecessários?
            Há muito mais aspectos no funcionamento do Supremo que poderiam ser discutidos. Só não venham dizer que está tudo bem do jeito que é. Não pode estar bem um tribunal em que:
            - Um processo como esse demora sete anos para ser julgado (e há processos esperando há mais de 20 anos).
            - Ministros usando ridículas togas dormem em suas cadeiras enquanto estão falando advogados que também usam ridículas togas.
            - Uma ministra deixa o julgamento pela metade porque preside outro tribunal e isso é considerado normal pelos demais ministros.
            - Um julgamento importante tem de ser apressado para que um ministro que está fazendo 70 anos tenha tempo de votar. Ou retardado para que ele não vote, dependendo do ponto de vista. Com 70 anos e duas semanas de vida o ministro estará velho demais para decidir.
 

inistros Mendes e Barbosa caem nos braços de Morfeu durante Mensalão



16:31:46

Honorè Daumier, morto em 1879. Obra satírica: Le gens de Justice

Morfeu, o deus grego do sonho, resolveu visitar a sua colega Têmis, deusa grega da Justiça e entronizada na frente do prédio-sede do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele aproveitou para dar um pulo no plenário do Pretório Excelso enquanto eram realizadas as sustentações orais feitas pelos defensores constituídos no processo criminal conhecido por Mensalão. E, então, Morfeu aproveitou para abraçar os ministros Joaquim Barbosa e Gilmar Mendes, que cerraram as pálpebras e davam a impressão de sonhar. ...

Para muitos, as sustentações orais representam um exagero. Até porque, quando feitas, os julgadores estão com as decisões já prontas. Nas alegações finais (a peça escrita)  tudo já foi colocado. E como reforço, para contato pessoal, os advogados visitam os julgadores e lhes ofertam um memorial, o resumo das teses defensivas. Como regra, a sustentação oral é uma oportunidade solene e pública para se destacar o quadro probatório. Com efeito, causa indignação e torna-se reprovável o fato de um magistrado fechar as pálpebras, como a dormir, num julgamento.

Mas, ontem, o dia foi especial. Além de Morfeu, ocorreram dois “barracos”, com gritaria e quebra-quebra de túmulos em cemitérios na Holanda e em Viena. Os protagonistas foram os filósofos Baruch Spinoza, morto em 1667, e Johannes Messner, falecido em 1984. Ambos foram autores das clássicas obras intituladas Ética e a Ética Social.

Spinoza e Messner  estavam furiosos com alguns réus do Mensalão que jogaram no lixo a ética da igualdade nas disputas político-eleitorais. Mais ainda, ficaram surpresos com o caradurismo das confissões referentes a crimes eleitorais, o chamado Caixa 2.

Com o nome Caixa 2 não está tipificado nenhum crime no Código Eleitoral. As condutas, no particular, são enquadradas no artigo 350 do Código Eleitoral ou na legislação sobre abuso de poder econômico. A propósito, os réus Delúbio Soares e Marcos Valério confessaram a prática de crime eleitoral apelidado Caixa 2, que está prescrito.

Pelo que se sabe, Spinoza e Messner queriam conhecer a ética delubiana do Caixa 2 e a descarada quebra do princípio democrático da igualdade entre candidatos em campanhas políticas.

Delúbio Soares negou o Mensalão. Falou o seu advogado na absoluta ausência de provas. E o próprio defensor, sem cerimônia, admitiu o chamado Caixa 2.

O preparado advogado criminal Arnaldo Malheiros, cogitado para ocupar uma cadeira no STF dada a aposentadoria compulsória do ministro Cezar Peluso, reafirmou que a prova acusatória “era pífia” e mostrou, num gráfico,  como se deram as votações e a impossibilidade de compra de votos, até pelo apoio da oposição em algumas ocasiões. Até foi destacado o fato de o procurador-geral ter mudado o foco e falado da Lei de Falências. Antes, o procurador Gurgel falava em compra de votos quando das votações sobre reformas Previdenciária e Tributária.

Para Malheiros, o réu  Delúbio — já reintegrado ao PT — tinha um sonhado projeto para melhorar o Brasil. Mas, como se nota, Delúbio executou um sonho criminoso. Ele quis, como admitiu,  salvar os quebrados partidos mencionados na denúncia e, também, os candidatos aliados. Só que o Partido dos Trabalhadores e a sua base aliada, exceção ao PCdoB,  desequilibraram as eleições pelo abuso do poder econômico, ou seja, usaram do Caixa 2.

Até agora, há dúvida se o deputado tucano Eduardo Azeredo vai seguir essa ética delubiana para se limpar do chamado “mensalinho”.

 Ontem, o  advogado de José Dirceu procurou emparedar o procurador Gurgel e sobrou até para o seu antecessor, Antonio Fernando de Souza, responsável pela apresentação da denúncia.

A propósito, a denúncia foi considerada, pelos que ontem sustentaram, uma obra de ficção, com equivocadas tipificações criminais pela falta de adequação aos fatos.

Para o defensor de Dirceu não existe prova incriminadora colhida em juízo, sob o crivo do contraditório. Mais ainda, ele sustentou inexistir correlação entre o dinheiro repassado e a conduta de José Dirceu, dado como estranho aos fatos descritos na denúncia.

Como o ônus de provar as acusações é do Ministério Público, teremos de aguardar o que os ministros julgadores vão achar a respeito de como se desincumbiu Gurgel.

Importante recordar a inexistência de confissões quanto às imputações contidas na peça inicial de acusação (denúncia). A confissão já foi considerada a rainha das provas, mas perdeu prestígio.

Farta prova testemunhal é encontrada nos autos processuais. Para alguns, a prova testemunhal é a prostituta das provas. Mas o filósofo britânico Jeremias Benthan ensinou que as “testemunhas são os olhos e os ouvidos da Justiça”.

O defensor do réu José Genoíno, com base na prova testemunhal, sustentou que no PT existia uma divisão de tarefas e Genoíno só cuidava de articulações políticas, dos contatos com a militância e do trato com as bases sociais.

Para o defensor de Genoíno, o procurador Gurgel quer a sua condenação com base na responsabilidade objetiva, em que não se questiona a culpabilidade. Para o defensor, o procurador pretende a condenação de Genoíno pelo simples fato de ter sido presidente do PT, embora não tenha participado do esquema operado pelo tesoureiro Delúbio.

O defensor de Valério fez um trabalho de desconstituição das nove acusações e frisou, o tempo todo, que a denúncia era peça de ficção. Mais ainda, ressaltou não ter havido uso ou arrecadação de dinheiro público.

Pano rápido. Está em curso uma queda de braço entre acusação e defesa. A sociedade civil, cujos membros não conhecem bem a prova dos autos, é expectadora e atenta ao resultado do processo. No nosso sistema processual-constitucional vigora o sistema do livre convencimento do julgador, que tem de apresentar as razões do seu convencimento.

Wálter Fanganiello Maierovitch
Fonte: Terra - 07/08/2012

A Cruz Vermelha na versão corrupto-verde-amarela – Dirigentes da Cruz Vermelha trocam acusações sobre desvio de recursos Por Leslie Leitão, na VEJA Online:


Os desvios milionários de recursos arrecadados pela Cruz Vermelha no Brasil, revelados por VEJA desta semana, geraram uma troca de acusações entre o Órgão Central – a entidade nacional, reconhecida há exatos cem anos pela entidade internacional – e suas filiadas. Na tarde desta terça-feira, notas oficiais da Cruz Vermelha Brasileira e da filial do Maranhão apresentam versões conflitantes sobre a responsabilidade sobre as contas bancárias que receberam recursos para tragédias na região serrana do Rio, no Japão e na Somália. O total desviado ainda não é conhecido.

O desentendimento entre órgãos que, em tese, deveriam trabalhar em cooperação é um indício claro de que algo vai mal nas instituições. A nota da Cruz Vermelha Brasileira traz a seguinte explicação: “Todas as denúncias estão sendo apuradas pelo Órgão Central. As filiais envolvidas nas denuncias, em cumprimento ao Estatuto Nacional, apresentarão seus relatórios de atividades e balanços e os resultados serão apresentados publicamente”. Ou seja: o órgão central dá a entender que está cobrando uma explicação de suas subsidiárias para ‘entender’ o desaparecimento de valores depositados por doadores.
Em matéria de explicação, a filial do Maranhão é um pouco mais incisiva. A nota assinada por Carmen Maria Serra, presidente do conselho diretor naquele estado e irmã do presidente nacional, Walmir Moreira Serra Júnior, diz o seguinte: “A Cruz Vermelha Brasileira solicitou uma conta bancária à filial do Maranhão para que os recursos fossem recebidos e destinados aos cidadãos necessitados, em razão dos inúmeros processos judiciais que determinam bloqueio em suas contas; a preferida conta bancária teve, portanto, sua gestão diretamente conduzida pela Cruz Vermelha Brasileira, Órgão Central, com sede no Rio de Janeiro”.
Carmem Maria Serra devolve a bola para o irmão, que está licenciado desde a semana passada, e cita os bloqueios judiciais de contas que, segundo VEJA apurou, são referentes a ações trabalhistas, totalizando uma dívida que ultrapassa os 40 milhões de reais. No lugar de Walmir, assumiu o vice, Anderson Choucino – braço direito do presidente.
A poeira que sobe do embate entre irmãos embaralha um pouco mais o cenário. A solução ‘caseira’ para driblar o arresto de dinheiro por determinação judicial fez com que o dinheiro arrecadado para os 35.000 desabrigados pela chuva na região serrana, no ano passado; os recursos para a população da Somália, devastada por guerras civis e castigada pela fome; e as doações para vítimas do terremoto no Japão fizessem um ‘tour’ por São Luís, a capital maranhense. nas explicações sobre o destino do dinheiro e o montante desviado, por enquanto, nenhum dos dirigentes avançou um milímetro.