domingo, 17 de junho de 2012

No Congresso, um balcão para negociar emendas - Baixo clero tem até tabela para direcionar verbas pelo país



BRASÍLIA - Gravações com inconfidências da ex-mulher de um deputado e uma planilha revelam indícios do que, há anos, circula nos corredores do Congresso: um grupo de deputados do baixo clero opera um balcão de negócios envolvendo as emendas parlamentares. A denúncia vem da ex-mulher do deputado João Bacelar (PR-BA), mas atinge outros parlamentares. A empresária Isabela Suarez, filha e braço-direito do empreiteiro Carlos Suarez, fundador da OAS e um dos maiores empresários da construção civil na Bahia, afirma que Bacelar compra emendas de colegas.
O GLOBO teve acesso a duas conversas entre Isabela e a irmã de Bacelar, Lílian, que trava com ele uma briga na Justiça por causa da herança do pai e, por isso, resolveu fazer a gravação. Na conversa, Isabela detalha vários negócios feitos por deputados e, especialmente, pelo ex-marido.
— Desse cara do PT, com certeza ele (Bacelar) compra emenda. O nome dele é Geraldo alguma coisa. Federal da Bahia. Se procurar, na hora você vai achar: Geraldo. Com certeza, com certeza. Eles operavam com o filho dele — disse a empresária.
O único deputado do PT da Bahia com esse prenome é Geraldo Simões.
Isabela não sabia que estava sendo gravada. Procurada esta semana pelo GLOBO, desconversou, afirmando que “não tinha o que dizer”.
A revelação da ex-mulher faz ainda mais sentido ao ser cruzada com um documento que o próprio Bacelar manipulava. O documento vem a público agora, por conta da disputa que o parlamentar trava com a irmã. Trata-se de uma tabela que estava anexada junto a uma série de e-mails trocados pelo deputado.
A tabela traz o nome de municípios que receberam emendas no orçamento da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba (Codevasf). Junto, estão cinco siglas que, aparentemente, referem-se a deputados: GS, FS, JB, MM e FF. Nela, GS figura como tendo enviado R$ 3 milhões para o município de Casa Nova. Procurada, a Codevasf confirmou que o deputado federal que destinou esta emenda para a cidade foi Geraldo Simões.
R$ 3 milhões para ‘base’ de 4 votos
Tradicionalmente, as emendas parlamentares são destinadas a municípios onde o parlamentar tem voto, justamente para retribuir à base eleitoral. Mas, ironicamente, Simões teve apenas quatro votos em Casa Nova na eleição de 2010. O município é um reduto eleitoral justamente de Bacelar, que teve 7.599 votos lá. A situação se repete com quase todos os municípios citados na tabela com a verba destinada pelos deputados para a Codevasf. Em cinco dos sete municípios, Bacelar é o primeiro ou segundo deputado federal mais votado.Até o ano passado, Bacelar era um parlamentar absolutamente desconhecido da imensa maioria dos brasileiros. Filho de um ex-deputado, com base eleitoral no interior da Bahia, Bacelar só chegou ao noticiário nacional após se descobrir que ele usava o mandato para cometer um rol surpreendente de irregularidades. Ele direcionava suas emendas para a empreiteira da própria família, colocou na folha de seu gabinete a empregada doméstica de sua família e praticava nepotismo cruzado. Justamente pela prática desse último ilícito, Bacelar está no momento respondendo a um processo no Conselho de Ética.
Numa das conversas gravadas, Isabela Suarez explica que um dos motivos que leva ao comércio de emendas é a busca por caixa de campanha:
— Época de campanha política, neguinho está sem dinheiro. Aí pega um deputado que esteja mais capitalizado. Como ele (Bacelar) tem construtora, aí vende as emendas para ele antecipadamente com o compromisso. Aí, ele vai lá e aporta dinheiro na campanha do cara. Aí, quando ele entrar no mandato, vai lá e paga as emendas (...) Quem negocia emenda, todo mundo sabe. Ele deve negociar emenda com todos os deputados. Porque o cara precisa disso para poder financiar sua campanha.
Idealizadas como um mecanismo para as verbas do governo federal financiarem obras nos rincões do país, as emendas parlamentares tornaram-se um manancial de corrupção desde seu surgimento e levaram a uma perversão da atividade parlamentar. Hoje, a maioria dos deputados passa boa parte de seu tempo dividido entre as tarefas de receber prefeitos que vão a Brasília pedir verbas e o compromisso de visitar dia a dia ministérios em busca da liberação das verbas que destinou às suas bases eleitorais. Prova inequívoca da importância que as emendas ganharam foi a evolução de seu valor nos últimos anos.
Só entre 2007 e este ano, o valor destinado a elas saltou de R$ 6 milhões para R$ 15 milhões, por parlamentar. Deputados e senadores têm direito de destinar suas verbas para qualquer cidade ou entidade que desejarem. Mas a regra é que as emendas vão para as regiões onde o político tem eleitorado forte. Aprovada a emenda no Orçamento começa uma segunda batalha: a pressão ao Executivo para que os recursos sejam liberados. Nessa hora, a bancada governista sai em vantagem e os ministérios começam a abrir os cofres para gastar as verbas previstas nas emendas.

Dentro da Sumaúma - Miriam Leitão


Enviado por Míriam Leitão -
17.6.2012
 |
9h00m

COLUNA NO GLOBO

O município tem o nome de Alta Floresta. Mas em 2009 entrou na lista das 40 cidades que mais destruíam floresta. Tem seis mil nascentes, mas em 2010 ficou sem água. Foi o fundo do poço para a cidade no norte de Mato Grosso. A partir daí, começou uma luta por mudança de atitude. No Diário Oficial da semana passada, Alta Floresta conquistou algo com o qual vinha sonhando: saiu da lista dos 40 municípios que mais desmatam.
A cidade que tinha uma péssima história para contar hoje está orgulhosa. Fui abordada por jovens no Centro. Quando contei o motivo de estar ali, uma moça me disse: “O desmatamento não vai voltar.” Essa mesma convicção eu constatei na visita ao pecuarista Rodrigo Arpini, que está refazendo a proteção do seu rio, replantando o que foi desmatado em sua propriedade e, ao mesmo tempo, conseguindo aumentar os bois no pasto:
— A conscientização do pecuarista daqui não tem como voltar atrás.
Arpini não é o único a ter essa noção. Das 4.180 propriedades rurais da cidade, 3.500 já têm hoje o Cadastro Ambiental Rural e avançam para outras etapas da regularização ambiental e fundiária. As grandes resistem mais.
A história da relação de Alta Floresta com a floresta é parecida, no início, com a de outras cidades da Amazônia. Primeiro foi o garimpo, depois a exploração da madeira, em seguida, a pecuária. Agora, a ameaça vem das hidrelétricas. Cada ciclo criou ondas de desmatamento. Em 2009, entrou na lista dos municípios que mais desmatam e então começou a perder recursos econômicos. Um grande empreendedor local iria conseguir um financiamento externo e perdeu o negócio. Outro problema ronda o município: a morte súbita de capim no pasto. A falta de água em 2010 acendeu a luz vermelha. O município estava numa lista suja, perdendo financiamento e investidores, com pasto degradado e ficando sem água.
Foi quando a prefeitura e a ONG Instituto Centro de Vida (ICV) iniciaram uma campanha junto aos produtores. Com técnicas de conciliação entre agricultura, pecuária e floresta, desenvolvidas pela Embrapa, produtores foram convencidos das vantagens de uma nova atitude.
A primeira providência da Secretaria de Meio Ambiente foi isolar e proteger as nascentes. A segunda foi reduzir a burocracia e o custo do cadastramento ambiental e rural. Nada disso é fácil. O desmatamento é rentável. O resto do Brasil paga caro pela madeira tirada ilegalmente da Amazônia. Desmatar dá lucro e tem mercado.
Outro município que visitei na Amazônia, para uma série de reportagens do Bom Dia Brasil e da Globonews, foi Sinop. Lá, foi chegar, ir ao Ibama e perguntar se havia novidade. Havia. Naquele dia, o órgão flagrara o maior desmatamento do ano, num município próximo chamado Feliz Natal. O proprietário é Alcides Neto, que tem outras fazendas na região. Nesta fazenda foi apanhado um correntão: 500 hectares já haviam sido derrubados, outros 500 estavam ameaçados.
Localizei o proprietário pelo celular. Ele não quis me encontrar, mas pelo telefone argumentou que tinha arrendado a área, e depois disse que era apenas uma limpeza de pasto. Ninguém limpa pasto com um correntão de 100 metros e 15 toneladas amarrado a tratores. E foi isso que o Ibama viu quando chegou.
O Ibama de Sinop é responsável por 30 cidades de dimensões gigantescas e tem menos de um funcionário por município. Evandro Selva, o diretor do órgão, acha que, por ter poucos recursos, precisa de estratégia. Por isso tenta sufocar o desmatador economicamente, desapropriando tratores e caminhões que encontra na cena do crime.
Desde o começo do ano o Ibama local embargou 7 mil hectares de terra, aplicou R$ 78 milhões em multas e apreendeu 41 tratores. O órgão tem feito doações permitidas em lei. Eu vi um trator sendo doado para a Funai. Será usado para que índios do Xingu façam aceiro, uma proteção da mata. Madeira derrubada ilegalmente está virando escola, hospital e até sede da Embrapa.
Aliás, o órgão lá tem o nome de Embrapa Agrossilvipastoril porque tenta conciliar os três. Tem vários projetos bem sucedidos, mostrando que, com recuperação de áreas desmatadas e uso da agricultura, a pecuária fica mais rentável. A bela sede da Embrapa, feita de madeira doada pelo Ibama, contrasta com o local apertado, cheio de infiltrações, onde funciona o Ibama.
A Amazônia é imensa, cheia de diversidades e contrastes. Repleta de histórias. O governo tem dito que o Brasil é um exemplo para os outros países porque reduziu a taxa de desmatamento.
Da Rio 92 até a Rio+20, o Brasil destruiu na Amazônia 328 mil quilômetros quadrados de floresta. Uma vastidão equivalente à soma dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo. Ainda temos a segunda maior taxa de desmatamento do mundo, depois da Indonésia. Difícil ter orgulho.
Entrei numa Sumaúma durante as gravações da reportagem. A árvore é enorme e a base do seu tronco se abre, formando verdadeiros cômodos. É perfeita para tempos de mudança climática: retém água nas cheias e a libera na seca. Essa específica Sumaúma fica numa mata perto de Alta Floresta. Tem 500 anos. Dentro do seu tronco, passando as mãos nas suas paredes internas me dei conta de que ela tem a idade do Brasil. Estar dentro daquela árvore é uma emoção que não posso, nem quero, esquecer.

Os homens deixaram de ser coadjuvantes no casamento. Escolhem do cardápio à decoração da festa e querem brilhar tanto quanto as noivas na cerimônia


Lá vem o noivo


Débora Rubin
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TRIUNFAL
Marco Amaral (à direita) entrou com capacete de futebol americano e ao som de rap.
O noivo Fábio Saraiva até se fantasiou de gorila
Isabela Barros estava impecável no altar. Vestido de renda renascença, cabelo preso em uma delicada flor, buquê. Tudo conforme o figurino. Bem, quase tudo. Ao lado dela, havia mais duas noivas. E, em vez de dama de honra, um gorila levou as alianças para o casal. As peculiaridades não foram exigência de uma noiva extravagante, mas sim de seu noivo, Fábio Saraiva, que tinha combinado com o primo e um amigo que os três se casariam no mesmo dia. Foi ele também quem pediu ao irmão para se fantasiar de gorila. Para completar, entrou na igreja ao som da banda Ramones. O paulista de 34 anos faz parte de uma nova geração de homens casadoiros: a dos noivos protagonistas. Aquela história de a mulher cuidar de todos os preparativos, decidir da música à decoração e brilhar sozinha está fora de moda. “A noiva continua chamando a atenção, claro, mas eles não querem mais ser coadjuvantes”, afirma a assessora de casamentos Flávia Gurgel. “Eles querem, no mínimo, ficar no mesmo patamar delas.”

Fernanda Pradella, da Della Eventos, confirma a tendência. A assessora conta que é cada vez mais comum eles participarem de todo o processo. “Antes, eles decidiam, no máximo, a música e as bebidas”, diz. Recentemente, Marco Amaral, 41 anos, surpreendeu a todos quando chegou à festa de seu matrimônio com um capacete de futebol americano, ao som do rap “We Ready”, de Bubba Sparxxx. “Tem que ser especial.”

A mudança de comportamento dos homens se deu porque, entre outros motivos, são os noivos que pagam a conta da festança, não mais os pais. Daí ambos desejarem escolher – e curtir – cada detalhe. “Todo mundo sabe que o casamento é a apoteose da noiva, mas, como todos os meus amigos estavam presentes, pensei em colocar um elemento cômico apenas para quebrar o excesso de formalidade”, diz Saraiva, em relação à fantasia de gorila que, depois, ele mesmo usou. Para Amaral, as mulheres mostraram que casar pode ser, sim, divertido. “Os homens já não vão mais amarrados ao altar, casam porque querem”, diz. Ah, bom.
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A jogada olímpica da Record


  N° Edição:  2223 |  15.Jun.12 - 21:00 |  Atualizado em 17.Jun.12 - 12:50
  REVISTA ISTO É

De olho no crescimento da audiência de grandes eventos esportivos, a emissora investe US$ 100 milhões na cobertura dos Jogos de Londres

Marcos Diego Nogueira
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EQUIPE AFIADA
O comentarista Fernando Scherer, o vice-presidente Honorilton Gonçalves
e Ana Paula Padrão: (da esq. para a dir.) pilares da Record na Olimpíada
Entre os dias 27 de julho e 12 de agosto, 10,5 mil atletas enviados por 190 países vão se exibir para uma audiência televisiva global estimada em 5 bilhões de pessoas. Os Jogos Olímpicos de Londres, maior evento esportivo do planeta (a Copa do Mundo da África do Sul, 
em 2010, foi vista por “apenas” 3,2 bilhões de telespectadores), não impõem desafios somente para os competidores. Para as emissoras de tevê, a cobertura significa também a oportunidade de fazer história – seja com imagens espetaculares, seja com inovações tecnológicas ou entrevistas com os atletas estelares. No caso brasileiro, essa observação é ainda mais verdadeira. Depois de superar a Globo na briga pelos direitos televisivos, a Record será, pela primeira vez, responsável pela transmissão de uma Olimpíada. “A exclusividade na transmissão por tevê aberta mostra a confiança dos executivos do Comitê Olímpico Internacional no nosso trabalho”, diz Alexandre Raposo, presidente da Rede Record. 

Para a Record, os Jogos de Londres representam uma chance de ouro na disputa direta com a Globo pela liderança da tevê brasileira. Nos últimos anos, a audiência de eventos esportivos cresceu mais do que qualquer outro tipo de programação. 

A própria experiência recente da Record é exemplo disso. Graças à transmissão exclusiva dos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, em setembro de 2011, a emissora teve um crescimento de 7% de sua audiência no horário nobre.
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OLHAR OLÍMPICO
Câmeras exclusivas e 330 profissionais envolvidos na transmissão
Nos Jogos de Londres, a expectativa é de uma performance ainda melhor. Isso explica a operação de guerra montada para a cobertura da Olimpíada. Além dos US$ 30 milhões investidos na compra dos direitos de transmissão, a emissora vai desembolsar outros US$ 100 milhões em seu projeto olímpico. 

O estúdio que está sendo preparado nas dependências do IBC, centro de imprensa localizado dentro da Vila Olímpica, tem 750 metros quadrados e 330 profissionais serão enviados à Inglaterra, entre jornalistas, comentaristas e técnicos especializados. Vice-presidente artístico e de produção da Record, Honorilton Gonçalves explica as razões dos altos investimentos feitos para a transmissão da Olimpíada. “A programação esportiva é fun­damental para o crescimento e a consolidação de uma emissora, completando com o jornalismo e o entretenimento um tripé de sucesso.”

A Record enviou para Londres, de navio, 35 toneladas de equipamentos, a maioria deles comprados especialmente para o evento, como o telão interativo touch screen. Com ele, os apresentadores poderão acessar recursos de vídeo e análises gráficas com detalhes das competições. Já as câmeras robó­ticas servirão para mostrar ao público os bastidores da convivência dos atletas brasileiros na Vila Olímpica. “Colocaremos uma unidade móvel no centro de treinamento dos atletas com câmeras sem fio, conectadas via fibra ótica, para termos boletins constantes de como eles estão antes e depois das competições”, diz José Marcelo Amaral, diretor de operações e engenharia. A apresentadora Mylena Ciribelli – que embarca para a sua primeira Olimpíada – espera receber os atletas nos estúdios do seu “Esporte Fantástico”, atração até então semanal mas que terá apresentação diária durante o evento. “Vamos recebê-los quando suas competições terminarem, para não atrapalhar a concentração”, afirma Mylena. “Teremos também reportagens feitas nas próprias arenas esportivas para captar as impressões de tudo o que se passa na hora decisiva.” Os Jogos de Londres trouxeram para Mylena uma conquista pessoal. Ela foi escolhida pelo Comitê Olímpico Internacional para representar o Brasil na corrida da tocha que leva o fogo olímpico da Grécia para a Inglaterra, o que prova a importância da emissora na competição deste ano.
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A ESCOLHIDA
Mylena Ciribelli foi designada pelo COI para carregar a tocha olímpica
Segundo a Record, a ideia é abrir espaço para todas as provas e não apenas para aquelas mais afeitas ao público brasileiro. “Vamos mostrar modalidades pouco divulgadas no País com a convicção de levar ao telespectador o espírito esportivo que abastece os atletas em uma competição como essa”, diz Douglas Tavolaro, vice-presidente de jornalismo. A exceção será o futebol que, inevitável em um País como o Brasil, terá dedicação exclusiva. A Record preparou uma cobertura especial para acompanhar os passos do time comandado pela craque Neymar, peça-chave no sonho brasileiro de conquistar seu primeiro ouro olímpico no futebol. “Teremos duas unidades móveis que farão transmissões via satélite, uma sediada no hotel da Seleção e outra itinerante, que cobrirá os jogos diretamente dos estádios”, diz o diretor de engenharia José Amaral. “Uma outra unidade móvel fará cobertura de Londres para mostrar o comportamento das torcidas e fatos extracompetição.”

Um dos pilares do jornalismo na emissora é a apresentadora Ana Paula Padrão, que também é colunista de ISTOÉ. Experiente em eventos desse porte (ela cobriu os Jogos Olímpicos de Sidney, em 2000, e os Jogos de Inverno de Vancouver, em 2010), Ana Paula dá sua receita para uma boa transmissão: “Haverá dezenas de coisas acontecendo ao mesmo tempo, então é preciso fazer o dever de casa”, diz. “Não é fácil saber um pouco sobre cada esporte e sobre a história de cada atleta. O jeito é estudar muito.” Além de levar suas estrelas do jornalismo, a Record também apostou na contratação de comentaristas, a maioria deles atletas consagrados como o cestinha Oscar Schmidt, o campeão do mundo Romário e o medalhista olímpico da natação Fernando Scherer. Todos eles vêm enfrentando uma maratona de preparativos. “Todos os dias eu comento oito provas variadas como se estivesse ao vivo, para quando chegar na hora não perder sequer um lance”, diz Scherer, que usa imagens gravadas do último Mundial de Natação para aflorar sua veia de comentarista. “Eu entendo do esporte, agora a questão é me adequar no padrão de comunicador.” A Record também contratou uma fonoaudióloga para treinar seu time de comentaristas e jornalistas – além de aulas particulares, a especialista dá palestras com dicas de pronúncia e linguajar adequado.
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A CAMINHO DOS JOGOS
O presidente da Record, Alexandre Raposo:

“Exclusividade de transmissão mostra confiança do COI”
Independentemente do desempenho brasileiro em Londres, a Record já garantiu a vitória na disputa por exclusividade em pelo menos mais dois eventos futuros: os Jogos Pan-Americanos de Toronto, em 2015, e os de 2019, com sede ainda indefinida. Os Jogos Olímpicos de Inverno, em 2014, e a Olimpíada do Rio de Janeiro serão compartilhados com outras emissoras, mas também estarão no quadro de medalhas da Record. Trata-se da prova definitiva de que esporte traz audiência – e, claro, lucro para as emissoras.
Londres na rede
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O internauta estará muito bem servido durante os Jogos Olímpicos. Serão 4.760 horas de apresentação online gratuita oferecidas pelo Terra, detentor dos direitos de transmissão para a rede mundial e celulares. 

O portal terá 36 canais de vídeos simultâneos em alta definição e sem custo para qualquer usuário da internet. Segundo o Terra, a ideia não é trazer apenas as competições em tempo real, mas também os melhores momentos analisados por quem entende do assunto. Durante a cobertura, Marcelo Tas e o cineasta Henrique Goldman, há 20 anos morador de Londres, estarão ao lado de uma equipe acostumada com grandes eventos. A escalação conta com José Montanaro (vôlei), Milene Domingues (futebol feminino), Danielle Zangrando (judô), Carlos Ventura (atletismo), Raimundo Blanco (ginástica artística) e Ricardo Hirsch (triatlo, atletismo e ciclismo). Estima-se que, nos 17 países cobertos pelo Terra, pelo menos 100 milhões de pessoas assistam à Olimpíada de Londres por essa plataforma, sendo 50 milhões delas por celulares convencionais, 14 milhões por smartphones e 2 milhões por tablets.
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sábado, 16 de junho de 2012

O caso do empresário esquartejado


JORNALISMO PARA IGNORANTES


Por Sylvia Debossan Moretzsohn em 12/06/2012 na edição 698 Observatório de Imprensa
A morte do empresário Mario Matsunaga foi, ao que tudo indica, rapidamente esclarecida logo depois que sua mulher foi presa e confessou a autoria do crime. Certo noticiário tenderá agora a revolver os mistérios da alma humana ao explorar detalhes mórbidos do episódio: afinal não é um crime qualquer, é um crime passional em que a mulher não apenas mata, mas esquarteja o marido após aguardar o tempo suficiente para que os cortes não provocassem tanta sangueira, enquanto sua filhinha de 1 ano dormia alheia a tudo, e na manhã seguinte sai para se desvencilhar do corpo despedaçado distribuído em três malas de viagem.
Há mais detalhes típicos de folhetins: a mulher havia sido garota de programa e encontrara o futuro marido nesses contatos via internet, era extremamente ciumenta e havia posto um detetive atrás dele para comprovar um caso extraconjugal; a mãe está se tratando de um câncer e não compreende o comportamento da filha.
Intimidades de família, segredos de alcova, cenas exclusivas da traição, tudo isso garante audiência ao gosto do voyeurismo do público e fornece farto material para os programas de sempre, com o convite a “especialistas” também sempre dispostos a opinar sobre motivações e mesmo sobre a maneira pela qual as “mentes assassinas”, que rendem óbvios best-sellers, costumam agir.
Mas isso é o que menos importa.
A descoberta do arsenal
Durante a reconstituição do crime, uma descoberta particularmente chocante foi noticiada como se fosse a coisa mais banal do mundo: o arsenal encontrado pela polícia no apartamento do empresário. Trinta armas, entre as quais fuzis e submetralhadoras, e caixas de munição com cerca de 10 mil projéteis.
Não se informou quanto tempo a polícia teve entre esse achado e a investigação que permitiria ao delegado afirmar, categoricamente, que as armas estavam “todas legalizadas, todas regulamentadas e todas autorizadas para uso de colecionador”. O fato mereceu apenas registro nos jornais.
Colecionadores têm entre si esse traço comum da obsessão por determinado objeto, conforme não apenas o gosto mas a condição financeira: podem ser latinhas ou rótulos de cerveja, camisas de times de futebol, soldadinhos de chumbo, selos, livros raros, obras de arte. Ou mesmo armas, mas nesse caso imaginamos sempre – talvez ingenuamente – o fascínio por exemplares antigos, que marcaram época, desde garruchas e mosquetões até modelos utilizados em guerras, mas já fora de circulação. Tudo para ser classificado e guardado com apuro em armários envidraçados, para exibir orgulhosamente aos amigos.
Coisa de colecionador?
De repente, somos surpreendidos com a descoberta do arsenal – parte do qual de “uso restrito das Forças Armadas”, como noticiou a Folha de S.Paulo na sexta-feira (8/6) – e a justificativa do delegado. A quem aparentemente estranhou, ele respondeu: “Ele [o empresário morto] era atirador, ele gostava. É um hobby. Se você pegar, outros colecionadores devem ter muito mais que isso”.
Que uso um colecionador de armas está autorizado a fazer de sua coleção? Onde se pode imaginar que um atirador vá praticar suas habilidades com uma submetralhadora? Colecionadores podem colecionar armas de uso exclusivo das Forças Armadas? Podem colecionar também munição? Dez mil projéteis não serão um número excessivo, em qualquer caso?
Salvo engano, a única reportagem que se deteve minimamente sobre essa história foi a do Jornal Nacionalde sábado (9/6), ainda assim centrada no alerta para o número excessivo de armas – quase 155 mil – legalmente nas mãos de “colecionadores, atiradores esportivos ou caçadores”. Nenhum questionamento sobre o que faria este empresário com tão variado material em casa.
Perguntas que faltaram
Na edição de sexta-feira (8), a Folha de S.Paulo reproduziu reportagem do Agora informando que o empresário havia transformado um dos banheiros do imóvel em “cofre” onde estocava o arsenal. Ao mesmo tempo, dizia que “parte das carabinas, fuzis, submetralhadoras e outras pistolas estava espalhada por outros cômodos do apartamento de quase 300 m² do casal”, porque o empresário “temia um arrastão no prédio onde morava”.
Portanto, as armas seriam utilizadas em caso de assalto. Por isso, aliás, ele e a mulher haviam feito curso de tiro, seriam exímios atiradores.
Podemos imaginar então a cena de um ataque ao apartamento duplex naquele belo condomínio vertical paulistano e o casal de colecionadores se movimentando cinematograficamente de um lado para outro, manuseando alternadamente as 30 armas e despejando seus 10 mil projéteis contra os malfeitores, no melhor estilo dos filmes de gângster. Dois contra uma cidade inteira?
Não caberia perguntar, afinal, o que tanto temia o empresário? Que interesses, atividades e relações poderia ter além de seu trabalho como diretor-executivo de uma fábrica de alimentos, aliás negociada com uma poderosa multinacional americana justamente na semana em que ele, já morto, era dado como desaparecido?
Fantástico de domingo (10/6) fez ampla reportagem centrada na mulher que confessou o crime, e tratou também dos hábitos do casal. Ficamos sabendo que o empresário também era amante de vinhos, tinha essa outra “coleção” e pretendia investir no negócio.
Sobre armas, apenas o registro já conhecido, além da surpresa de uma das empregadas, entrevistada sem ser identificada, diante da descoberta de uma pálida amostra do que havia no apartamento, durante uma limpeza.
Contra a ignorância
Jornalismo, por definição, é feito para ignorantes. Não se trata, como pode parecer a princípio, de uma frase de efeito: ignoramos os fatos que ocorrem fora de nosso círculo de relações, ainda que este círculo tenha sido ampliado com a disseminação do acesso à tecnologia digital. Por isso precisamos do jornalismo: para que nos dê informação confiável.
Por isso repórteres precisam se colocar no lugar do público ignorante e fazer as perguntas que possam esclarecê-lo, e não dar de barato que tudo se resolve com as declarações das fontes, sobretudo quando elas são evidentemente insuficientes para a compreensão dos fatos.
***
[Sylvia Debossan Moretzsohn é jornalista, professora da Universidade Federal Fluminense, autora dePensando contra os fatos. Jornalismo e cotidiano: do senso comum ao senso crítico (Editora Revan, 2007)]

A CPI de araque, por Ruy Fabiano


Enviado por Ruy Fabiano - 
16.06.2012
 | 
12h02m
POLÍTICA


Pelo visto somente o senador Demóstenes Torres pagará alguma coisa com a CPI do Cachoeira - e não propriamente em função dela, mas da Comissão de Ética, que lhe deve cassar o mandato. Os demais, incluindo Cachoeira, devem ser preservados.
O contraventor obteve anteontem um habeas corpus do Tribunal Federal da 1ª Região. É bem verdade que continua preso graças a outro mandado de prisão, expedido pela Justiça do DF.
Mas, se obteve um, não deve ter dificuldades em obter outro, já que tem a defendê-lo ninguém menos que Márcio Thomaz Bastos.
Por que Thomaz Bastos, ex-ministro e conselheiro de Lula, sabendo o que simboliza politicamente, se dispôs a defender o notório contraventor, é um mistério transparente.
O fato de estar recebendo R$ 15 milhões de honorários não paga o custo político e pessoal da defesa. Não se trata de alguém a quem R$ 15 milhões fariam falta ou acrescentariam muita coisa.
Thomaz Bastos está a décadas no mercado, à frente de uma das bancas mais prósperas do país. O que está em pauta, porém, não são os R$ 15 milhões, mas a reputação de um governo de que fez parte, e que tem em Cachoeira um homem-bomba, prestes a explodir. Um Roberto Jefferson sem imunidades.
A CPI começou errada, proposta pela maioria, tendo como objetivo punir dois inimigos de Lula e do PT: o próprio Demóstenes e o governador goiano Marcone Perillo – e, de quebra, incriminar a imprensa, acusando-a de conspirar contra o governo, e de produzir uma cortina de fumaça para o Mensalão.
Lula, conforme se infere de sua patética conversa com Gilmar Mendes, pretendia também usar a CPI para pressionar alguns ministros do STF. Disse a Mendes que controla a CPI e ofereceu-lhe blindagem, em troca de adiamento do julgamento do Mensalão. Uma troca vantajosa, desde que o interlocutor tivesse algo a temer. Não tinha.
Mas como as CPIs, mesmo as de araque, são sempre uma janela aberta ao imponderável, a do Cachoeira não fez por menos: trouxe à tona a Construtora Delta, de tal modo articulada com o bicheiro que se suspeita que o tenha como sócio secreto.
O certo é que a Delta, além de ter contribuído generosamente para a campanha eleitoral de Dilma Roussef, detém a maioria das obras milionárias do PAC, algumas obtidas sem licitação.
A Controladoria Geral da União (CGU) a considerou inidônea, mas o Dnit disse que manterá seus contratos com ela. Só aí a CPI teria motivos para se espantar.
Ao invés disso, considerou tudo normal e se recusou, por maioria (a maioria que a instalou), a convocar Fernando Cavendish, dono da Delta. As razões da recusa estão no noticiário, até aqui não desmentido: Cavendish, íntimo do governador Sérgio Cabral e de José Dirceu, seu ex-consultor, inevitavelmente levaria os amigos a serem convocados.
Coincidentemente, é no Rio, governado por Cabral, que está o maior faturamento da Delta.
Como PMDB e PT estão associados em não perder de vista o objetivo original da CPI – torná-la banco dos réus da oposição -, preferiram deixar Cavendish de fora, e com ele toda a penca de amigos influentes incrustados no coração da República.
O noticiário também dá conta, sem que ninguém se tenha dado ao trabalho de desmentir, que Lula não se satisfaz com a cabeça de Demóstenes: quer porque quer a de Perillo, responsável por tornar pública a informação de que o advertira do escândalo do Mensalão, desmoralizando o argumento do “eu não sabia”.
Lula topa até sacrificar o amigo e correligionário Agnelo Queiroz, governador do DF, com implicações bem mais explícitas que seu colega goiano, desde que Perillo pague pelo crime de tê-lo exposto a uma vexatória contradição.
Se a CPI não está servindo objetivamente para muita coisa, serve ao menos para dar à posteridade um pequeno retrato moral destes tempos que o Brasil atravessa.

Ruy Fabiano é jornalista 

Rio + 20%, por Guilherme Fiúza


Enviado por Ricardo Noblat - 
16.6.2012
 | 17h04m
POLÍTICA


Guilherme Fiúza, ÉPOCA
Enquanto o circo da sustentabilidade vende aos inocentes seus kits verdes de esperança, os não-inocentes garantem seu futuro sustentável em Brasília.
No momento crucial da CPI do Cachoeira, quando o suspeito número um do Brasil, Fernando Cavendish, deveria ser convocado a depor, a nação estava distraída com o carnaval fora de época da Rio + 20.
Resultado: o dono da Delta, pivô do que promete ser o maior escândalo de corrupção da história da República (em cifras e em alcance político), não precisou interromper seu descanso em Paris para se explicar aos brasileiros.
A não-convocação de Cavendish pela CPI, sem um mísero cara-pintada na rua para incomodar a Tropa do Cheque no Congresso, quer dizer o seguinte: o Brasil está se lixando para o seu futuro.
Pergunta aos foliões da Rio + 20: como planejar a sustentabilidade num país onde o orçamento da infra-estrutura é dominado por bandidos?
O esquema Delta-Cachoeira fez a festa no topo do Estado brasileiro, comandando o PAC com obras superfaturadas. Cavendish fez um caixa que lhe permitia, segundo ele mesmo, comprar um parlamentar por 30 milhões de reais.
O Brasil ecológico e sustentável permitiu que os bandoleiros da CPI protegessem esse cidadão. O Brasil ético está, como diria Paulo Francis, tecnicamente morto.
Fica combinado assim: vamos brincar de salvar o planeta com relatórios poéticos e tratados sobre o sexo dos anjos. Enquanto isso, a quadrilha do Cachoeira cuida da sua reciclagem – evitando a extinção da espécie e do esquema.
Que venha a Rio + 20%, onde os felizes herdeiros da operação Delta darão workshops sobre a sustentabilidade do golpe.

Guilherme Fiuza é jornalista e autor de vários livros, entre eles "Meu Nome não é Johnny".