sábado, 16 de junho de 2012

“Está claro que convocar o Cavendish é trazer para a CPI todas as empreiteiras”, diz um parlamentar do PT



Fernando Cavendish esteve em Brasília e deixou claro a uma parlamentar: se for transformado em bode expiatório, revelará o esquema de laranjas que atende a todas as empreiteiras que negociam com o governo e que financiam políticos. O recado foi passado adiante, e a CPI decidiu não convocá-lo. Não guarde essa informação só pra você!*
A CPI instalada para apurar o escândalo que tem — ou tinha —no centro o bicheiro Carlinhos Cachoeira produziu, nesta semana que termina, ela própria, um novo escândalo: deixou de convocar Fernando Cavendish, o dono da Delta. Reportagem de Daniel Pereira e Adriano Ceolin na VEJA que começa a chegar hoje aos leitores explica os motivos. Leiam trechos. A íntegra está na edição impressa da revista. Volto depois.
(…)
No mesmo dia em que a CGU anunciou a punição à Delta, [Fernando] Cavendish esteve em Brasília. Numa conversa com um parlamentar de quem é amigo, ele disse que não apenas a Delta, mas a maioria das grandes empreiteiras paga propina a servidores públicos e políticos em troca de obras e aditivos contratuais.
Cavendish afirmou ainda que a Delta adotou o mesmo sistema que já era usado pelas outras empreiteiras: para dificultar o rastreamento da propina, repassava os recursos a empresas-laranja, que, posteriormente, entregavam o pedágio a quem de direito. Sentindo-se injustiçado por ser o único a expiar os pecados em público, Cavendish apresentou ao parlamentar um conjunto de empresas-laranja que serviriam à Delta e às concorrentes.
Ele nominou sete empresas das áreas de engenharia e terraplenagem. Todas atenderiam às empreiteiras de modo geral, repassando recursos destas a autoridades que facilitam a obtenção de contratos em órgãos públicos. Todas funcionam em São Paulo e têm como proprietário o empresário Adir Assad, apesar de estarem em nome de pessoas como o técnico em refrigeração Jucilei Lima dos Santos e de Honorina Lopes, sua mulher, ambos encarnando o papel daquilo que os manuais de corrupção classificam como laranja.
Esta é a "empresa" Moviterra, que movimentou parte da grana da Delta...
Esta é a "empresa" Moviterra, que movimentou parte da grana da Delta...
...e este é o casal Honorina e Jucilei, que aparecem como donos da empresa
...e este é o casal Honorina e Jucilei, que aparecem como donos da empresa
Cavendish conhece como poucos Adir Assad — e os serviços prestados por ele. Há duas semanas, VEJA revelou que a Delta repassou 115 milhões de reais a empresas-laranja. Do total, 47,8 milhões abasteceram as contas da Legend Engenheiros Associados, da Rock Star Marketing e da S.M. Terraplanagem, que também são de propriedade de Adir Assad.
As sete novas empresas de engenharia e de terraplenagem, segundo Cavendish, fariam parte do mesmo laranjal a serviço da Delta e também de outras grandes empreiteiras do país. O parlamentar que conversou com Cavendish passou o relato adiante. Foi como se acendesse um rastilho de pólvora que percorreu as bancadas do PMDB, PP, PR e PT. O recado foi entendido como um pedido de solidariedade e, claro, como uma ameaça velada, destinada a trazer novas empresas e parlamentares para o centro da investigação.
“Está claro que convocar o Cavendish é trazer para a CPI todas as empreiteiras”, diz um graduado petista que votou contra a convocação do empreiteiro. Só uma investigação acurada sobre a movimentação financeira das empresas-laranja revelará se Cavendish blefa ou fala a verdade. O fato é que, na semana passada, o empresário foi blindado apesar da fartura de indícios que pesam contra ele. Além do relatório do Coaf, a própria CPI já detectou que houve grande quantidade de saques em dinheiro, às vésperas das eleições, nas tais empresas-laranja abastecidas pela Delta.
Uma planilha em poder da comissão também revela que contas da empreiteira que recebiam os recursos federais foram as mesmas que transferiram dinheiro para uma empresa-laranja sediada em Brasília, agraciada com 29 milhões de reais. Os parlamentares de oposição acreditam que encontraram o caixa usado para subornar funcionários do governo federal.
(…)
Adir Assad: ele concetra as empresas-laranja
Adir Assad: ele concetra as empresas-laranja
VolteiNão que fosse exatamente um mistério, não é? Mas agora estão aí os detalhes da cadeia de eventos que resultou na não convocação de Cavendish. Nunca antes na história destepaiz uma Comissão Parlamentar de Inquérito se acovardou de maneira tão vexaminosa.
E fiquem como outra informação: alguns governistas consideram que as convocações do dono da Delta e de Luiz Antônio Pagot, ex-chefão do Dnit, são inevitáveis. Tentam uma maneira — o problema é saber que compensação poderia oferecer — de fazer com que depoimentos incômodos estourem como bomba só no terreno da oposição. Até agora, não conseguiram encontrar a fórmula. A razão é simples: o primeiro cliente da Delta é o governo federal; o segundo é o governo do Rio; o terceiro é o de Pernambuco.
A Delta tinha uma expertise e um método onde quer que operasse, entenderam? E,  anda a espalhar Cavendish, não eram práticas exclusivas de sua empresa. Ele teria feito apenas o que todos, na sua área, fazem.
 Ah, sim: a convocação de Cavendish foi recusada por 13 a 16. Escreve VEJA: “Para a definição do placar, foram decisivos dois parlamentares: o senador Ciro Nogueira (PP-PI), que se alinhou à maioria, e o deputado Maurício Quintella Lessa (PR-AL), que não participou da sessão. Soube-se depois que Nogueira e Lessa haviam se encontrado na Semana Santa com Cavendish num restaurante em Paris”.
Eles juram que foi um encontro casual. Quem duvidaria?
PS — Leitor,  você ainda se encontrará com Cavendish em Paris. Mas tenha o bom senso e o bom gosto de não dançar com guardanapo na cabeça…
Post publicado originalmente às 6h48
Por Reinaldo Azevedo

Feijoada e vinho – como combinar?


08 junho 2012 |  Marcelo Copello

O tema “harmonização” – a escolha do vinho adequado para cada prato – está muito em voga no Brasil. Busca-se aqui descobrir qual vinho seria ideal para os pratos típicos, já que não temos tradição em vinho e estas receitas historicamente não eram consumidas com vinho. O caso mais estudado é a feijoada, cartão portal da culinária verde e amarela. A feijoada tem suas origens na relação entre o senhor de engenho, muitas vezes um colonizador português, e os escravos africanos. Enquanto as melhores partes do porco iam para a casa grande, a senzala comia as o que era desprezado (pé, orelha etc). Somou-se a isso o feijão preto de origem americana, e as influencias de pratos portugueses da Estremadura, das Beiras e de Trás-os-Montes e Alto Douro, que misturam feijão (não o preto) à lingüiças, orelha e pé de porco, além de outros pratos europeus como o cassoulet (França), o cozido madrileño (Espanha) e a “casserola” milanesa (Itália). Hoje a feijoada é um cozido de feijão preto e carnes (carne seca, lombo, costela, pé, orelha, rabo, paio, lingüiça e língua de boi), temperado com pimenta vermelha, cebola, alho, azeite, louro e geralmente servida com arroz branco, fatias de laranja, couve, farofa e molho de pimenta.

O LOCAL E OS CONVIDADOS
Harmonização é uma ciência eminentemente prática. Reuni portanto um grupo de abnegados amantes do vinho que emprestaram seus palatos a esta experiência em um restaurante de nome bastante sugestivo. A “Casa da Feijoada” (Rua Prudente de Moraes 10, Ipanema, Rio de Janeiro), que oferece um único prato e faz fila à porta com pessoas (muitos turistas) que buscam provar a verdadeira feijoada.

À nossa “mesa-laboratório” sentaram-se: Embaixador António Almeida Lima – Consul Geral de Portugal no Rio de Janeiro, Solange Amado – empresária, Lauro Carvalho – enófilo, Marcelo Velloso –  empresário, e Leonardo Braga – proprietário da Casa da Feijoada.
A ESCOLHA DOS VINHOS
Escolher um vinho para acompanhar a feijoada não é tarefa banal. O prato oferece alto nível de sabor, aroma, sal e gordura, um toque de amargor do feijão preto e a picância da pimenta, em maior ou menos grau, pois esta é acrescentada a gosto na hora de comer. Escolhi uma ampla gama de vinhos portugueses:
  • Um espumante branco brut muito vivaz - Vértice Super Reserva 2000, Douro.
  • Um espumante tinto bastante usado para acompanhar o leitão da Bairrada – Raposeira Tinto 2003,Douro.
  • Um refrescante branco – Alvarinho Muros Antigos 2006, Anselmo Mendes, Minho.
  • Um tinto alentejano, moderno, macio e com madeira nova – Casa de Sabicos Reserva 2004.
  • Um tinto da Bairrada, mais tradicional, fermentado em lagares e com estágio em madeira usada -Casa de Saima Bairrada Garrafeira 2001.

A PRÁTICA
Como sempre faço em eventos de harmonização sugiro que todos os vinhos sejam provados antes da chegada do pratos, para mostrar como realmente o perfil do líquido muda diante da comida. Puro todos os vinhos agradaram bastante, a exceção do Raposeira, pois a união da acidez borbulhante do espumante com taninos causou estranheza.

A feijoada, como manda o figurino veio fumegante. Todos então comeram provando todos os vinhos e deram duas opiniões, em um agradável debate sobre a “performance” de cada caldo. O Alvarinho foi unanimemente descartado, apesar de excelente, pois sumiu diante da maior estrutura do prato. O Vértice foi muito elogiado e foi um bom companheiro para a feijoada, embora sem sinergia com o prato. O Casa de Sabicos, outro vinho muito bom, teve seu perfil madeirado e de “doçura” nos taninos e álcool exacerbado pelo prato, o que a poucos agradou, sendo elogiado apenas por Solange, uma amante dos tintos aveludados. O Bairrada encantou por sua elegância e complexidade, mas esperava-se mais taninos desde filho da Baga. Faltou-lhe impacto no paladar para enfrentar a força da carne gordurosa e, com o feijão sobrou um pouco de amargor no fim de boca. O campeão, quem diria, foi o Raposeira tinto, que puro desagradou, mas que cresceu com o prato, e mais ainda com a pimenta. Como lembrou o Sr. Embaixador António Almeida Lima, “todo casamento precisa de modéstia” e o vinho que antes mostrou-se o mais humilde era ao final o mais prendado, como uma “gata borralheira”.

Marcelo Copello (mcopello@bacomultimidia.com.br)

Você colocaria bandidos brasileiros numa cadeia dessas?


Ricardo Setti

Sempre antenadíssimo para as coisas daqui e d’além-mar, o grande Ancelmo Gois informa hoje, em sua coluna em O Globo, que a Holanda vai fechar 8 penitenciárias — por falta de criminosos.
(Não está na nota, mas há cerca de 12 mil sentenciados no país, de quase 17 milhões de habitantes, para 14 mil vagas nas prisões — e a criminalidade baixa ano a ano.)
O Ancelmo sugere, com delicadeza e “com todo o respeito”: “que tal o país do Cachoeira exportar uns meliantes para lá?”
Pois — coisa raríssima — vou divergir de meu querido Ancelmo, amigo e ex-colega de redação em VEJA, no falecido Jornal do Brasil e no extinto site NO.
As prisões da Holanda são boas demais para os bandidos brasileiros!
A penitenciária de Maashegge, no sul do país, por exemplo — uma das que será fechada –, que tem belos gramados, jardins com flores, ginásio de esportes e edifícios projetados por arquitetos famosos, além de celas individuais com o conforto de um hotel.
VEJA NAS FOTOS ABAIXO. Pergunto: você colocaria bandidos — inclusive os de colarinho branco — em cadeias assim?
Vista parcial do interior de uma das celas da prisão holandesa: conforto de um hotel
A fachada de um dos pavilhões da penitenciária: gramados, árvores, prédios desenhados por grandes arquitetos...


Como vivem os outros réus do mensalão


ISTOÉ localizou alguns dos personagens do maior escândalo de corrupção dos últimos anos e descobriu que, dentro ou fora da vida pública, a maioria acumula poder e influência pelo País

Izabelle Torres
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FUNCIONÁRIO DA CÂMARA
Acusado de distribuir propina, Jacinto Lamas
é hoje chefe-de-gabinete do PR

Passava das 15 horas de uma quarta-feira de junho quando um servidor entrou apressado na sala da liderança do PR, falando ao telefone e distribuindo instruções aos presentes. Tratava-se de Jacinto Lamas, personagem do escândalo do Mensalão acusado de receber e distribuir a propina destinada ao antigo PL e um dos 38 réus do processo com julgamento marcado para 1º de agosto no Supremo Tribunal Federal. Lamas continua funcionário da Câmara dos Deputados e engorda o contracheque com a função de chefe de gabinete do PR, obtida graças ao prestígio acumulado por anos de dedicação ao partido. Além de se manter como homem de confiança dos caciques da legenda, ele também manteve inabalável a vida confortável que conquistou. Prova disso é a mansão onde mora, no Lago Sul, bairro nobre de Brasília, na qual se encontrava em plena segunda-feira às 17 horas, quando foi procurado por ISTOÉ. “Estou bem e não falo do Mensalão. Você deveria ir atrás dos políticos”, disse pelo interfone. A exemplo de Lamas, ISTOÉ localizou outros réus do processo para mostrar como vivem alguns dos personagens do maior escândalo de corrupção dos últimos anos. 

O ex-líder do governo Lula, professor Luizinho, saiu da vida política pela porta de trás e entrou na elite do mundo empresarial. Em seu nome estão duas empresas. Uma delas é de consultoria e existe desde 2007. Nessa empresa, ele presta serviços a gente interessada em irrigar contas bancárias com dinheiro público por meio de convênios com prefeituras e ministérios. Em outra investida empresarial, ele divide com a mulher a sociedade na Analuz Reflorestamento, sediada na Bahia e especializada em plantações de eucaliptos. Assim como o petista Luizinho, o ex-deputado do PTB Romeu Queiroz não voltou para cargo eletivo depois do escândalo, mas, para ganhar dinheiro, se vale da influência que teve um dia. Em seu nome há nove empresas. Duas são de aluguel de veículos e estão frequentemente na lista de contratadas de prefeituras mineiras. Quem também se reergueu depois do desgaste público foi Kátia Rabello, ex-presidente do Banco Rural. Ela continua sendo uma das principais acionistas da instituição e divide seu tempo entre administrar seus negócios pessoais e os da holding do Grupo Rural. Seu poder na corporação não diminuiu: ela ainda participa das decisões estratégicas do banco e dá expediente diário na instituição.

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PATRIMÔNIO
A mansão de Lamas em Brasília:
"Estou bem e não falo do Mensalão"

Para os réus que faziam parte das empresas de Marcos Valério, pouca coisa mudou. Os sócios Cristiano Paz e Ramon Hollerback ainda dividem com Valério a sociedade em pelo menos duas empresas de publicidade em atividade, além da SMP&B, que teve de sair de cena depois do Mensalão. Simone Vasconcelos, a ex-gerente financeira da empresa por onde circulavam notas frias e dinheiro destinado a recompensar parlamentares, foi quem pagou o preço mais alto e amargou pouco mais de um ano sem emprego. “O problema é que um processo criminal macula a imagem da pessoa”, diz Leonardo Yarochewsky, especialista em Direito Criminal e advogado de Simone. “Isso se agrava em casos de repercussão nacional como esse.”

É o peso de ser um réu que move a rotina de Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT. Com um memorial em mãos, ele tem feito palestras pelo País pregando sua inocência. Para ganhar a vida longe da administração do partido, Delúbio montou uma imobiliária que atua na internet. Ele optou por ficar longe de disputas eleitorais. Escolha oposta à que foi feita pelo ex-deputado Paulo Rocha, que tem dado as cartas nas eleições do Pará como presidente de honra do PT no Estado, e a de Anderson Adauto, que briga para permanecer no comando do PMDB de Uberaba. Com planos mais audaciosos, o deputado federal João Paulo Cunha (PT-SP) costura apoio e alianças em torno da sua candidatura à prefeitura de Osasco. Apesar de alguns mensaleiros terem levado a vida nos últimos anos como se nada devessem ao País, todos sabem que há 11 ministros do STF no meio de seu caminho.

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Setores liberais do Paquistão denunciam ameaças do aparelho de segurança


publicado em 16/06/2012 às 10h09:
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P. Miranda. Islamabad, 16 jun (EFE).- As ameaças de morte no Paquistão à advogada e ativista dos direitos humanos Asma Jahangir são vistas dentro e fora do país como um novo ataque do aparelho de segurança contra os setores liberais da sociedade local. Na segunda-feira passada, a Comissão de Direitos Humanos do Paquistão (HRCP) presidida por Jahangir até 2010, informou sobre as ameaças após receber uma informação vazada por uma fonte "muito confiável", e acusou "atores estatais muito privilegiados". A denúncia da HRCP contra o "establishment" de segurança paquistanês foi assinada por cerca de 40 intelectuais, jornalistas, advogados e inclusive ex-membros do governo e das Forças Armadas. No dia seguinte à revelação das ameaças, a própria Jahangir acusou "autoridades de segurança de alto nível" e afirmou, com sua habitual eloquência, que os militares não decidiriam o futuro do Paquistão em vez dos cidadãos. A advogada, que significou muito nas denúncias contra as violações de direitos humanos na conflituosa província do Baluchistão, disse que é preciso interromper o assassinato de intelectuais progressistas "a qualquer preço". Jahangir também se viu envolvida no escândalo conhecido como "memogate", caso aberto pelo suposto pedido de ajuda do governo do Paquistão ao Pentágono - Departamento de Defesa dos Estados Unidos - diante do temor de um golpe de Estado militar no país asiático após a morte do líder terrorista Osama bin Laden no ano passado. A advogada assumiu a defesa do principal réu do caso, o ex-embaixador paquistanês nos EUA Hussain Haqqani, que teria sido o transmissor da mensagem do governo às autoridades de Washington. "Asma tocou em pontos muito sensíveis com temas como Baluchistão e o 'memogate'", disse à Agência Efe a presidente da HRCP, Zohra Yusuf, para quem o aparelho militar e de segurança "foi longe demais". Organizações internacionais de direitos humanos se uniram à denúncia. Até a alta representante das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navi Pillay, demonstrou apoio a Jahangir como símbolo da democracia em sua visita ao Paquistão na semana passada. Pillay disse que casos como o da advogada paquistanesa transmitem a "triste mensagem" de que as reformas democráticas no país podem ser minadas facilmente "por forças estatais e não estatais que não se importam com a democracia". "A democracia real só se consegue se todas as instituições do Estado respondem ao governo e a uma judicatura independente", declarou em entrevista coletiva a alta representante da ONU, que visitou pessoalmente Jahangir em sua casa na cidade de Lahore. Nos últimos dois anos, houve outros casos de ameaças a pessoas vinculadas ao que no Paquistão se denomina "setor liberal" ou "progressista", um segmento da elite que defende uma visão integradora e democrática do país. A democracia paquistanesa está ainda em processo de consolidação e os governos civis regeram menos da metade dos 65 anos de história da nação, enquanto o estamento militar e os serviços de inteligência mantêm amplas parcelas de poder. "Como podem os progressistas atuarem no Paquistão se não têm a mínima proteção da lei e das instituições estatais?", lamentou o veterano professor universitário Hassan Mehdi, ex-presidente da HRCP e destacado defensor dos direitos humanos. Mehdi lembrou que, em 2011, o então governador da província de Punjab e destacado liberal, Salmaan Taseer, e o então ministro de Minorias do governo, Shahbaz Bhatti morreram assassinados em casos praticamente não investigados. Quem também recebeu ameaças de morte no ano passado foi a atual embaixadora paquistanesa nos EUA, Sherry Rehman, ex-jornalista e membro do mesmo círculo progressista - ela permaneceu reclusa sob estrita vigilância até ser destinada para fora do país. "Há um conflito e vemos que as agências de segurança se alinhando com os extremistas religiosos contra os progressistas. É uma mistura muito perigosa", advertiu Zohra Yusuf. O texto remitido pela HRCP indica que a perseguição contra Jahangir não significa apenas uma conspiração para matar um indivíduo, mas "um complô contra o futuro do Paquistão como Estado democrático". EFE pmm/sa

A última que morre (RIO+20)


Enviado por Rádio do Moreno - 
15.6.2012
 | 
11h48m
LUIZ GARCIA


Uma semana e meia. Ou seja, desde anteontem até o fim da semana que vem. É esse o prazo — que muita gente diria ser lamentavelmente otimista — que a ONU deu a si mesma para estabelecer metas que garantam a salvação do planeta contra o seu pior inimigo.

Se o assunto aqui fosse um filme de ficção científica, esse inimigo seria um monstro de algumas toneladas, vindo de uma galáxia distante, aparentemente invulnerável e com inesgotável apetite por bípedes falantes.

Nada disso: desta vez a ameaça é muito mais séria. Os inimigos somos nós mesmos.

Estamos falando de uma iniciativa solenemente intitulada de Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável. Começou esta semana, no Riocentro. Como todo mundo sabe, a espécie que domina o planeta — você, eu e o resto do pessoal — mantém sua hegemonia consumindo recursos naturais com extraordinário apetite. Só recentemente descobrimos que esses recursos não são, imaginem só, inesgotáveis.

A conferência da ONU — que atende pelo apelido de Rio+20 — parte de uma premissa que ninguém discute: o tempo é curto. Os sintomas de uma tragédia são tragicamente visíveis. Incluem aquecimento global, redução das reservas de água doce, escassez de alimentos. E todos eles se tornam mais graves com o crescimento da população do planeta: já somos sete bilhões e, dentro de 40 anos — um tempinho à-toa —, seremos nove bilhões. Sem um aumento de 70% na produção de comida, vamos começar a morrer de fome. Primeiro, os pobres e miseráveis, claro. Mas depois, inexoravelmente, você e eu — o que é inaceitável, evidentemente.

O principal objetivo da Rio+20 — além de reafirmar os princípios do desenvolvimento sustentável, o que não passa de blá-blá-blá — é encontrar formas de ampliar o crescimento econômico sem prejudicar o meio ambiente. Alguns pessimistas diriam que isso seria algo parecido com comer um bife sem mastigar nem engolir.

Mas é preciso reconhecer que o simples fato de que esta é a maior reunião patrocinada pela ONU até hoje indica, pelo menos, que há consenso sobre a gravidade e a urgência do problema. O que não chega nem perto de garantir o êxito da conferência — mas a esperança, como sabemos, é a última que morre de fome.
Publicado no Globo de hoje.

O polêmico juiz que mandou soltar Cachoeira


Enviado por Ricardo Noblat - 
16.6.2012
 | 6h04m
POLÍTICA

Desembargador do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, Tourinho Neto tem sido um dos poucos magistrados sensíveis às demandas do advogado Marcio Thomaz Bastos, contratado por R$ 15 milhões, no caso do bicheiro Carlos Cachoeira; conheça algumas de suas decisões

Preso desde o dia 29 de fevereiro deste ano, o bicheiro Carlos Augusto Ramos, conhecido como Carlinhos Cachoeira, obteve pouquíssimas vitórias na Justiça até agora, embora tenha contratado um dos advogados mais caros do País: o criminalista Marcio Thomaz Bastos, ao custo de R$ 15 milhões. Em praticamente todas as decisões favoráveis, a assinatura nos despachos foi do desembargador Tourinho Neto.
A primeira dessas decisões aconteceu no dia 17 de abril, quando Cachoeira conseguiu deixar o presídio de segurança máxima em Mossoró (RN) e foi transferido para Brasília. Juiz responsável pela decisão? Tourinho Neto.
Três dias atrás, Tourinho Neto tomou também a primeira decisão para, eventualmente, sacramentar a morte da Operação Monte Carlo. Relator de um pedido de habeas corpus apresentado por Thomaz Bastos, ele considerou as escutas ilegais.
Segundo Tourinho Neto, o delegado encarregado da investigação, Matheus Mella Rodrigues, fundamentou o pedido de interceptações em denúncias anônimas. "Não se pode haver a banalização das interceptações, que não podem ser o ponto de partida de uma investigação, sob o risco de grave violação ao Estado de Direito", disse ele.
O julgamento será retomado na terça-feira e se os demais magistrados acompanharem o relator, o trabalho dos policiais será atirado no lixo. Curiosamente, Cachoeira, notório por sua indústria de grampos ilegais, tenta se safar questionando a legalidade dos grampos da polícia.
Tourinho Neto também tomou outra decisão favorável a Cachoeira, no dia 13 deste mês, ao mandar desbloquear os bens do laboratório farmacêutico Vitapan, que está em nome de sua ex-mulher, Adriana Aprígio – o pagamento dos honorários de Thomaz Bastos passa pela indústria farmacêutica de Anápolis (GO).
Tourinho Neto é desafeto da ministra Eliana Calmon, corregedora do Conselho Nacional de Justiça, e é também visto com ressalvas por certas alas da Polícia Federal e do Ministério Público. Sua decisão de hoje, no entanto, não garante a liberdade de Cachoeira, porque ele ainda está em preso em função de outra operação da Polícia Federal, a Saint-Michel, cujo habeas corpus ainda não foi julgado.