quinta-feira, 5 de abril de 2012

O governador de 35 contas bancárias



A Polícia Federal investiga por que Camilo Capiberibe (PSB), do Amapá, precisa de tantas delas, em quatro bancos, para movimentar seu dinheiro

MARCELO ROCHA

NÚCLEO FAMILIAR O governador  do Amapá, Camilo Capiberibe (acima),  e seu pai, o senador João Capiberibe (ao lado), ambos do PSB. O filho  é suspeito de ter desviado dinheiro de passagens aéreas; o pai, de ter usado dinheiro público para comprar um terren (Foto: Mario Tomaz/Futura Press e José Varella/CB/D.A Press)
Cerca de 40% dos brasileiros ainda não têm conta-corrente em banco. Na Região Norte, metade da população enfrenta essa limitação. Situação muito diferente vive o governador do Amapá, Camilo Capiberibe (PSB). Uma investigação da Polícia Federal descobriu que Capiberibe aparece como titular de 35 contas bancárias. ÉPOCA teve acesso a dados do Banco Central que mostram que Capiberibe concilia a administração do Estado com a de contas-correntes, poupança e investimentos em quatro instituições financeiras diferentes. Em cinco dessas contas, sua mulher, Cláudia Camargo Capiberibe, é cotitular. A polícia ainda não sabe explicar por que o governador mantém tantas contas para movimentar seu salário – de R$ 24 mil mensais.
A polícia chegou a Capiberibe por acaso. Em setembro de 2010, 18 pessoas foram presas pela Polícia Federal no Amapá durante a Operação Mãos Limpas. Entre elas estavam o então governador, Pedro Paulo Dias (PP), e o ex Waldez Góes (PDT), acusados de corrupção, fraude em licitações e lavagem de dinheiro. Na ocasião, Camilo Capiberibe era deputado estadual. Entre o material apreendido pela polícia havia indícios de que Capiberibe e alguns colegas desviavam recursos públicos. Eles apresentavam notas fiscais da agência de turismo Martinica como se tivessem gastado com viagens aéreas – e recebiam reembolso por isso. Após investigar a Martinica, os policiais concluíram que as notas eram frias. Os investigadores afirmam que viagens eram inventadas para que os deputados recebessem um extra dos cofres de um dos Estados mais pobres do país. Entre 2010 e 2011, os deputados estaduais amapaenses aumentaram de R$ 12 mil para R$ 100 mil mensais a cota para gastos com viagens, alimentação e combustíveis. Para saber se Capiberibe embolsou o dinheiro das passagens, a PF pediu – e a Justiça concedeu – a quebra do sigilo bancário do governador. Foi aí que apareceram suas 35 contas.

Trecho de relatório da Polícia Federal, que pediu a quebra de sigilo bancário do governador do Amapá, Camilo Capiberibe (Foto: Reprodução)

Antigo território, só em 1991 o Amapá passou à condição de Estado, com direito a governador, Assembleia Legislativa e bancadas de deputados federais e senadores no Congresso Nacional. Por falta de uma classe política própria, ganhou de saída uma oligarquia. Com a imagem desgastada ao deixar a Presidência da República em 1990, o ex-presidente José Sarney preferiu evitar a concorrência em seu Maranhão e elegeu-se senador pelo Amapá. Sarney instalou um grupo político no Estado – faltava apenas uma turma de adversários. A família Capiberibe assumiu o papel de oposição a Sarney. Com um histórico de perseguido político e ambientalista, João Capiberibe, pai do governador Camilo, foi eleito governador em 1994 e cumpriu dois mandatos. Em 2002, foi eleito senador, ao derrotar Gilvam Borges, candidato de Sarney. Sua mulher, Janete, mãe do governador Camilo, foi eleita deputada. A disputa custou caro: João Capiberibe e Janete foram cassados, acusados de comprar votos por R$ 26. Numa ação cheia de reviravoltas, João Capiberibe perdeu a vaga para Borges. Mas não se deu por vencido. Em 2010, o casal Capiberibe foi eleito novamente, enquanto o filho Camilo se tornou governador do Estado. O domínio do Amapá pela família estava concretizado, mesmo que, devido à Lei Ficha Limpa, Janete e João tenham assumido seus mandatos com meses de atraso, após decisão do Supremo Tribunal Federal.
A PF chegou ao governador ao investigar desvios de verba de viagens na Assembleia Legislativa 
As suspeitas de irregularidades sobre os Capiberibes não se limitam ao filho do governador. O Ministério Público Federal no Amapá apura uma denúncia de que a casa onde o senador João Capiberibe mora, em Macapá, lhe foi dada pela empresa Engeform. O imóvel foi transferido a ele por José Ricardo Dabus Abucham – representante e irmão do proprietário da Engeform. No período de João Capiberibe (1995-2002) no governo estadual, a Engeform recebeu R$ 17 milhões por uma obra na área de saúde, orçada no início em R$ 12,3 milhões.

Carlos Camilo Goes Capiberibe (Foto: reprodução)

Capiberibe nega a acusação e afirma ter pagado R$ 300 mil pela casa, divididos em uma entrada de R$ 40 mil e 26 parcelas de R$ 10 mil mensais. Capiberibe apresentou a ÉPOCA recibos que, segundo ele, comprovam a transação. Parte dos papéis não traz seu nome como depositante. O governador Camilo Capiberibe também rebateu as acusações. Disse a ÉPOCA, por intermédio de sua assessoria de imprensa, desconhecer ser objeto de qualquer investigação da Polícia Federal. Ele disse ser titular de apenas três contas-correntes e duas de poupança. Sobre as suspeitas envolvendo gastos com passagens aéreas, afirmou que os recursos “foram empregados dentro dos parâmetros legais, integralmente movimentados através de conta bancária, declarados ao Imposto de Renda e utilizados segundo as resoluções da mesa diretora daquela casa”.
Ao assumir seu mandato no início do ano, o senador João Capiberibe fez um pronunciamento na Tribuna do Senado. Anunciou que pediria uma audiência ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel, sobre os desdobramentos da Operação Mãos Limpas – aquela que, em 2010, prendeu dois governadores do Estado. “É urgente que a Procuradoria-Geral da República e o STJ prestem contas dessa operação à sociedade brasileira e, em particular, ao povo do Amapá”, disse João Capiberibe. Com sua ampla atividade no sistema bancário, seu filho, o governador Camilo Capiberibe, poderá ser um dos primeiros a ter de “prestar contas” à sociedade brasileira. Trinta e cinco contas.

Cinema flutua sobre lago na Tailândia



Casa Vogue -



O filme é só um detalhe diante da brisa e do vaivém das ondas que balançam esta inusitada “sala de cinema” na Tailândia. Batizada de Cinema Arquipélago, a instalação flutua sobre as águas turquesas e calmas do lago Nai Pi Lae, na ilha Kudu. A estrutura foi montada no mês passado, por ocasião do festival Film on the Rocks Yao Noi, que tem curadoria da atriz inglesa Tilda Swinton.

Para chegar até a sala, o público precisa pegar um barquinho até ser acomodado em grandes pufes, que estão distribuídos em cinco nichos – o sexto, mais ao fundo, tem poltronas (área vip?). Os módulos da plataforma ficam lado a lado e em desnível para facilitar a visão da tela e evitar que alguém reclame durante o filme. O áudio também não é prejudicado, mesmo a céu, ou melhor, a mar aberto, já que dois paredões de rochas criam uma espécie de câmara acústica natural e não deixam o som se dissipar facilmente.

A construção foi encarada como uma imensa jangada por pescadores locais de lagosta, chamados para erguê-la. Sob orientação do escritório de arquitetura Büro Ole Scheeren, o grupo usou as mesmas técnicas empregadas na montagem de embarcações para fazer os módulos que, unidos, formaram o auditório flutuante. Construídos com material reciclado, os desmontes deram flexibilidade ao projeto – ao fim do festival, a sala seria doada à comunidade, para ser usada tanto como playground quanto para a pesca dos crustáceos. Design para quem gosta de mergulhar de cabeça na sétima arte.

3 lições da Totvs para alcançar o sucesso



Laércio Consentino, sócio da Totvs, define o talento, a cultura empresarial e o sonho como essenciais para fazer uma empresa promissora

Débora Álvares - EXAME.com

São Paulo - Idealizador e dono de da Totvs, uma das maiores fabricantes de softwares do país, Laércio Consentino, acredita que é essencial definir fases ao longo da vida das empresas. "Assim, será possível ter as pessoas mais qualificadas para cada etapa", destacou o executivo durante o segundo dia do Curso Exame PME, na capital paulistana.
Ele lembra qua a Totvs já passou por diversas fases: fazer sistemas para pequenas e médias empresas, mudar a marca, expandir para todo o país. "O desafio, agora, é faturar 3 bilhões de reais em 2016".
O grande desafio, em especial nas pequenas e médias empresas, segundo ele, é encontrar pessoas para colocar o projeto em pratica. "Precisamos ter líderes que interpretem o mundo, façam a diferença, questionem, gerem expectativas, ensinem e acompanhem as pessoas e os resultados".
Para disseminar as ideias do negócio dentro da empresa, ele destacou três itens em que se focou:
1. Talento:
Segundo o empresário, no mundo de hoje, competitivo e colaborativo, é necessário ser cada vez mais completo. Para isso, ele destaca que é preciso perceber, tomar atitude, ser percebido e saber se relacionar. "Nada teria adiantado se não tivéssemos percebido, lá atrás, a oportunidade de criar softwares para pequenas e médias empresas, da mesma forma, também não faria diferença se não tivessemos criado uma marca forte e conseguido nos relacionar com o mercado."
2. Cultura
Cosentino avalia a cultura empresarial como essencial para o sucesso. "Quando falamos cultura estamos falando de padrões de comportamento, crenças, costumes e conhecimento. No lado empresarial, adicionamos atitudes, negócios e desempenho". De acordo com ele, é importante que todos estejam em sintonia dentro do negócio.
3. Equação
O fim de qualquer equação de sucesso, na visão do empresário, passa pela busca por um sonho. "A Totvs é um grande sonho na busca por credibilidade", destaca. Segundo ele, é preciso ter um estilo, planejar de maneira exclusiva e querer sempre ampliar. Além disso, o executivo ressalta a importância de ter pessoas mais do que treinadas para suceder cada fase. "Não basta ensinar os funcionários, tem que engajar as pessoas no que estão fazendo". 

O senador não-homofóbico




Publicado no Blog DEU SAÚVA NO JARDIM
Lendo matéria publicada no Brasil 247 a respeito de comentários do senador Magno Malta sobre a PLC 122/2006 ficamos sabendo que o dito senador receia que no Brasil crie-se um "império homossexual" em razão de uma possível perseguição de militantes gays contra heterossexuais.

Este é um trecho da fala do senador:


" Se você não aluga seu imóvel para um homossexual, ou não aceita o ato afetivo de um casal gay, pega sete anos de cadeia. Se demite ou não admite um homossexual na sua empresa, cinco anos de cadeia. Eu posso não alugar minha casa para um negro, eu posso demitir um portador de deficiência, eu posso não admitir gestos afetivos de um casal heterossexual na porta da minha casa e pedir que eles se beijem em outro lugar, longe dos meus filhos. Mas, se eu fizer isso com um casal homossexual, um simples boletim de ocorrência me levará para a cadeia."

Vamos por partes:

1) Não entendi muito bem por que ele considera a hipótese de não alugar um imóvel para negros. Se o que ele quiz dizer é que não aluga seu imóvel para um negro só por que é negro esse senador está sendo racista. Impedimentos para a não-locação de um imóvel para alguém são previstos em legislação especifica e que não contemplam genero sexual, raça, cor, credo, condições culturais, etc...Se o dono de um imóvel alegar qualquer coisa fora da comprovação de condições economicas e civís para pagar o aluguel pedido, ele está incorrendo em crime de discriminação. E isso vale para qualquer um e não apenas para homossexuais.

2) Um empregador tem a prerrogativa de demitir seu funcionário na hora que julgar conveniente. Seja com ou sem justa causa, basta que ele cumpra as regras previstas na CLT,  pode demitir qualquer pessoa. Agora, se o tal empregador que sugere o senador, disser a um funcionário seu: " você está demitido por que é negro, ou por que é gordo, ou por que é gay" então esse tal empregador está enrascado e poderá enfrentar denúncia de assédio moral ou de preconceito. E pagar por isso.

3) Se em frente de minha casa um casal, seja de homossexuais ou heterossexuais, resolverem trocar caricias um tanto mais intimas e eu julgar que não devem fazer isso na minha porta, eu posso pedir a eles EDUCAMENTE  que não o façam e que POR FAVOR o façam em outro canto. Não preciso enxota-los e nem ofende-los. Pois se eu infringir as normas da boa educação e do respeito vou ter que arcar com as consequencias.

Então tudo é simples assim e o que me parece é que o senador está manifestando algum tipo de fobia que não quero nem mencionar. 

Fiquem em paz

Jonas

quarta-feira, 4 de abril de 2012

O paraíso dos corruptos


Gil Castello Branco - O Globo 

Parodiando, às avessas, Milton Nascimento - na canção "Nos bailes da vida" - dizem que o corrupto vai onde o dinheiro está. Assim, os encontros de funcionários públicos desonestos com comerciantes venais, infelizmente, não são raros. As imagens e os diálogos mostrados no "Fantástico" chocam, mas não compõem um enredo inédito. Ao contrário, o filme é reprisado nos quatro cantos do Pais e a Viúva morre no final.O governo federal é o maior comprador do Brasil.

No ano passado gastou aproximadamente R$ 12,5 bilhões adquirindo materiais de consumo e R$ 33,2 bilhões contratando serviços de terceiros. Como a "bola da vez" são os hospitais, só com material farmacológico, hospitalar e laboratorial foram pagos quase R$ 5 bilhões em 2011. Mas compra-se de tudo. Das lanchas-patrulha, que pescaram doações eleitorais em Santa Catarina, ao Ford Edge, fabricado no México, que serve à Presidência da República. Nos carrinhos de compras dos órgãos públicos não é impossível encontrar chicletes, essência para sauna, obras de arte e até cachaça. O megamercado interessa a muitos. Do contraventor ao senador.


Na contratação de serviços de terceiros não é diferente. Os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário gastam, por ano, cerca de R$ 375 milhões com vigilância e R$ 486 milhões com limpeza, apenas para dar alguns exemplos de alvos da moda. Se incluirmos a aquisição de equipamentos, o mercado brasileiro é tão interessante que provoca alvoroço até no exterior, como acontece na compra dos aviões caças para a Força Aérea Brasileira.

As irregularidades ocorrem em todas as formas e fases das licitações. Nas dispensas indevidas, nas emergências planejadas, nos concursos e concorrências armados e dirigidos, e até nos pregões presenciais e eletrônicos que também não são imunes às fraudes. Vale tudo para que sejam geradas "gorduras" distribuídas na forma de propinas entre as partes. Nesses casos não há anjos. Há corruptos públicos e privados, nos dois lados do balcão.

A Lei que regula as compras e contratações (Lei 8.666/93) tem 19 anos, 121 artigos e muitos remendos. Cria inúmeras formalidades e enorme burocracia, mas não evita as fraudes cometidas pelos mal intencionados. Parte do problema, portanto, é melhorar a legislação.

A farra da moda são as adesões às atas de registros de preços, também chamadas de "caronas". A brecha legal permite ao fornecedor vencer licitação em uma repartição pública e posteriormente vender o mesmo produto, durante um ano, a vários outros órgãos. A tese do "onde passa um boi, passa uma boiada", tem falhas. O "registro vencedor" e a perspectiva de vendas futuras valem ouro e geram negociatas. Além disso, como o preço varia conforme a quantidade, é óbvio que a economia de escala beneficia somente o comerciante. Uma boa ideia seria limitar o valor da carona até, no máximo, o dobro do valor da licitação original. Outra sugestão saneadora seria acabar com os pregões presenciais - que não têm qualquer vantagem sobre os eletrônicos - e dão margem às combinações prévias.

Pior que a legislação, porém, é a gestão. Mesmo comprando há vários anos, o governo não possui sistema nacional de registro de preços confiável, com valores justos para cada item licitado. Se tivesse, qualquer preço estranho, fora do intervalo padrão, seria detectado. A área de Gestão, do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, com frequentes alterações de chefias e estrutura administrativa, ainda não conseguiu normatizar e gerir com eficiência os negócios governamentais.
O exemplo de que as inovações são possíveis vem do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). Ao comprar ônibus, bicicletas, vestuário, tablets, mesas e carteiras, entre outros itens, para 54 milhões de alunos o FNDE passou a adotar sistemática moderna. Definiu tecnicamente - em parcerias com o Instituto Nacional de Metrologia, Normatização e Qualidade Industrial (Inmetro) e universidades - o que precisava adquirir, contratou pesquisas de mercado, realizou audiências públicas com fabricantes e fornecedores e criou comitês de compras. Dessa forma, tem adquirido em pregões eletrônicos produtos padronizados, com qualidade atestada, por preços, em média, 20% inferiores aos oferecidos na praça.

O fato é que urgem mudanças na legislação, no planejamento e na gestão das bilionárias compras e contratações da administração pública federal, das estaduais e das municipais. O que assistimos na televisão é apenas o véu da cachoeira desse submundo.

Nova velha política (por Mirian Leitão)


Enviado por Míriam Leitão -
4.4.2012
 |
9h00m

COLUNA NO GLOBO

O governo anunciou ontem um novo plano — mais um da série — para beneficiar a indústria. A medida com alcance mais estrutural é a mudança da forma de cobrança da contribuição das empresas para a Previdência. A possibilidade de pagar 1% sobre o faturamento bruto agora está aberta a um número maior de setores. O pacote reduz ainda mais os juros do BNDES e amplia ou renova as renúncias fiscais.
A presidente Dilma Rousseff disse que a desoneração da folha salarial, com a mudança da forma de recolhimento ao INSS, não provocará aumento do déficit da Previdência. “O Tesouro Nacional compensará toda a queda de arrecadação causada por isso.” Isso tem efeito meramente contábil porque de qualquer maneira se entrasse na conta como déficit da Previdência ele seria coberto pelo Tesouro.
Aliás, o Tesouro é o pagador de todas as promessas. É o que vai transferir mais dinheiro ao BNDES. É o que vai cobrir o subsídio dos juros, a equalização de taxas, as renúncias fiscais. O Tesouro é o caixa forte do seu, do meu e do nosso dinheiro. O que aconteceu ontem foi mais uma distribuição dos recursos públicos.
A presidente Dilma criticou os juros altos e os spreads altíssimos no país, dizendo que “tecnicamente é difícil explicar os spreads do Brasil”. É mesmo difícil. Sobre o regime automotivo, o novíssimo, que incluiu mais vantagens para quem fica e barreiras para os de fora, Dilma disse que isso é devido ao “aumento estarrecedor das importações de carros” que estariam “canibalizando o nosso mercado, que é o quarto do mundo”. Na verdade, a maior parte das importações é feita pelas próprias montadoras. É difícil imaginar que elas estejam canibalizando elas mesmas. O mais provável é que tenham exibido ao governo um número de aumento das compras — incluindo as delas — e depois pedido barreira contra os concorrentes externos.
Foram criados 19 conselhos de competitividade. Eles nada mais são do que os conselhos setoriais que já existiram em vários governos. Organizarão os pedidos de benefícios para cada setor. O ministro Fernando Pimentel disse que responderia de antemão aos “críticos desavisados” que estariam “saudosistas do modelo autoritário”. Para o ministro, os conselhos são mais democráticos do que as decisões tomadas por meia dúzia de tecnocratas.
A memória não é mesmo o forte do atual governo. Os militares criaram um sem número de conselhos setoriais e nomearam representantes empresariais para diversos deles, como o Conselho de Desenvolvimento Industrial, que administrava, com os empresários, o conceito de “similar nacional”. Havia empresários até no que cuidava da moeda: o Conselho Monetário Nacional. Foi a grande farra do lobby. Assim o país concentrou renda, abriu o balcão de negócios que beneficiou escolhidos do regime, fechou a economia, criou reservas de mercado e produziu inflação. Não foi nada democrático. Para atender aos interesses coletivos é preciso bem mais do que criar conselho setorial e nomear empresários.
O ministro Pimentel promete que desta vez os conselhos defenderão a inovação, e o país fará um esforço realmente forte de aumento da competitividade. Tomara.
Há medidas que vão de adiamento de pagamento de impostos, aumento de controle da importação para evitar fraude, vantagens fiscais para as empresas “preponderantemente exportadoras”. Mudanças em diversas linhas de crédito do BNDES para dar mais prazo, juros menores e um percentual maior do investimento coberto pelo empréstimo. Reedição de programas como o de Banda Larga, de um computador por aluno. Aprovação de medida que acaba com a diferença de ICMS na importação. Essa última, a resolução 72, foi aplaudida. Criará um enorme problema para o Espírito Santo, que tem um programa de diferenciação do imposto desde 1970.
Tudo é tão igual a outros planos que se o jornal repetisse textos antigos ninguém perceberia. Há oito meses, o governo divulgou o programa Brasil Maior. Era o quarto ou quinto programa grande. O primeiro foi antes da crise, em 12 de junho de 2007 e chamava-se Revitaliza. Em maio de 2008, foi a vez do Plano de Desenvolvimento Produtivo. Em 2009, foram tantos pacotes que o governo prometeu não fazer novos em 2010. Mas fez.
Se eu republicasse a coluna “Band-Aid cambial”, de 13 de junho de 2007, ninguém notaria a diferença. Bastava trocar presidente Lula por presidente Dilma. Confiram no post abaixo que as medidas e os objetivos eram os mesmos. Também nada de estranho seria notado se o jornal desse folga a alguns repórteres e republicasse a matéria “Pacote de bondades — um empurrãozinho na indústria: Governo anuncia crédito especial e alívio em impostos para setores afetados pela queda do dólar”, do mesmo dia de 2007.
Aqui na coluna, relemos as matérias sobre pacotes dos últimos cinco anos. Troca o nome, algum percentual, há uma ou outra medida nova. O que não muda é a ideia de que se for distribuído mais dinheiro do BNDES, forem reduzidos alguns impostos para os setores mais ágeis no voo para Brasília, houver mais barreira ao produto importado estará resolvido o problema estrutural da indústria brasileira. Ainda não foi desta vez.

Bebida da Universal diz que nasceu para acabar com a Coca-Cola



Sócio da Leão de Judá afirma em vídeos que lançou marca por revelação do Espírito Santo para substituir refrigerante americano no mundo

Cris Simon - EXAME.com

São Paulo - A marca Leão de Judá Cola, criada em 1999 pelo empresário evangélico Moisés Magalhães, em sociedade com a Igreja Universal do Reino de Deus, divulgou vídeos promocionais em seus perfis no Facebook e no YouTube em que afirma ter vindo ao mercado para substituir a Coca-Cola no Brasil e no mundo.
Em um dos filmes, Magalhães conta a história do surgimento de sua marca - segundo ele, por uma revelação do Espírito Santo - e faz diversas críticas à concorrente americana. Entre elas, a de que a fórmula do produto traria cocaína em sua composição, viciando os consumidores.
"A Coca-Cola, escrita ao contrário, quer dizer 'Alô, diabo'. Ela é a água suja do inferno, para viciar a pessoa na cocaína", diz Magalhães.
"Em 1980, o presidente Ronald Reagan, tentou, através do combate à droga naquela época, mudar a formulação da Coca, e criaram até 'Coke', que não foi bem-sucedida, e eles voltaram com a receita de 1886", conta o empresário em outro vídeo.
Nos filmes, Magalhães recruta membros da igreja para trabalhar na missão de tirar a Coca-Cola do mercado por meio de uma rede que deve chegar a 7 mil distribuidores e que venderiam, além do refrigerante, os sucos e biscoitos da Leão de Judá.