quarta-feira, 4 de abril de 2012

Preço dos imóveis sobe acima da inflação 50 meses seguidos



Números do índice FipeZAP apontam uma valorização imobiliária impressionante - e bastante atípica - nos últimos anos

  
Icon_joao-sandrini
João Sandrini, de                                                                                    Germano Lüders
Brookfield
Prédio em São Paulo: os preços dos imóveis subiram acima da inflação 50 meses seguidos
São Paulo – É impressionante o que aconteceu nas maiores cidades brasileiras nos últimos anos em termos de valorização imobiliária. De acordo com o índice FipeZAP, os preços dosimóveis superaram a alta da inflação em todos os últimos 50 meses em São Paulo. No Rio de Janeiro, onde a coleta de dados também começou a ser realizada em janeiro de 2008, a inflação só bateu a alta dos imóveis no primeiro mês e perdeu para o mercado imobiliário nos outros 49.
Já a pesquisa nacional com os dados de sete capitais brasileiras só começou a ser divulgada em setembro de 2010. Desde então, os preços dos imóveis superaram a inflação medida pelo IPCA por 19 meses seguidos. A conclusão mais direta desse movimento é que quem já possuía imóveis há alguns anos teve sua riqueza multplicada no período.
MêsInflação pelo IPCAVariação do preços dos imóveis no Brasil, segundo o índice FipeZapVariação em São PauloVariação no Rio
jan/080,54NDNDND
fev/080,49ND0,80%0,36%
mar/080,48ND1,36%0,64%
abr/080,55ND1,75%0,88%
mai/080,79ND1,66%0,91%
jun/080,74ND1,77%1,09%
jul/080,53ND1,69%0,88%
ago/080,28ND1,44%0,50%
set/080,26ND1,04%0,99%
out/080,45ND0,93%1,46%
nov/080,36ND1,38%1,89%
dez/080,28ND1,93%1,56%
jan/090,48ND1,50%1,23%
fev/090,55ND1,38%1,24%
mar/090,2ND1,14%1,10%
abr/090,48ND1,82%1,07%
mai/090,47ND1,84%1,10%
jun/090,36ND2,15%1,17%
jul/090,24ND1,96%1,66%
ago/090,15ND1,88%1,97%
set/090,24ND1,36%2,18%
out/090,28ND1,28%1,99%
nov/090,41ND1,56%2,54%
dez/090,37ND1,85%2,31%
jan/100,75ND1,69%2,14%
fev/100,78ND1,56%1,89%
mar/100,52ND1,62%2,27%
abr/100,57ND1,66%2,74%
mai/100,43ND1,37%2,74%
jun/100ND1,59%3,06%
jul/100,01ND2,01%3,17%
ago/100,04ND1,91%3,27%
set/100,452,09%1,93%3,08%
out/100,752,06%1,98%3,06%
nov/100,832,42%2,29%3,44%
dez/100,632,11%2,10%2,99%
jan/110,831,79%1,67%2,80%
fev/110,82,06%1,97%2,76%
mar/110,792,40%2,04%3,16%
abr/110,772,69%2,42%3,30%
mai/110,472,56%2,62%3,02%
jun/110,152,32%2,57%3,00%
jul/110,162,09%2,24%2,63%
ago/110,371,74%1,72%2,48%
set/110,531,86%1,96%2,46%
out/110,431,58%1,86%1,92%
nov/110,521,43%1,68%1,69%
dez/110,51,09%1,38%1,10%
jan/120,561,14%1,22%1,29%
fev/120,451,46%1,31%1,29%
mar/12ND1,40%1,29%1,42%
Os dados corroboram a teoria de que o Brasil passa por um momento de forte correção de preços no mercado imobiliário, o que, segundo especialistas, é considerado um movimento atípico e nunca duradouro. O mais famoso estudo sobre o assunto foi realizado pelo economista americano Robert Shiller, que coletou dados sobre os preços dos imóveis nos Estados Unidos durante mais de um século.
Sua conclusão: ainda que haja momentos de euforia e depressão em qualquer mercado imobiliário, no longo prazo os preços tendem a ser corrigidos de acordo com a inflação – nem mais nem menos do que isso.
Março
O índice FipeZap, divulgado nesta quarta-feira, também mostrou uma alta do preço dos imóveis de 1,4% em março. A valorização foi menor que a de fevereiro (1,5%), mas ainda deve se situar bem acima da inflação para o mês - ainda não divulgada pelo IBGE, o IPCA deve ficar abaixo de 0,5%, de acordo com as previsões de mercado. Apesar das altas recentes dos imóveis ainda serem representativas, a Fipe, responsável pelo cálculo do índice FipeZap, vê os preços em tendência de desaceleração nas principais capitais brasileiras.
As valorizações mais acentuadas no mês passado foram observadas em Belo Horizonte (2,6%) e Recife (2,1%). Já as menores variações ocorreram em Salvador (0%) e Fortaleza (0,6%). Em São Paulo e Rio de Janeiro, as altas foram de 1,3% e 1,4%, respectivamente.
O preço do metro quadrado mais caro do Brasil, por sua vez, pode ser encontrado no Distrito Federal, conforme a tabela abaixo:
LocalPreço do metro quadrado
Distrito FederalR$ 8.100
Rio de JaneiroR$ 7.796
São PauloR$ 6.295
RecifeR$ 5.122
Belo HorizonteR$ 4.735
FortalezaR$ 4.410
SalvadorR$ 3.688

Apartamentos compactos conquistam o mercado imobiliário




De acordo com Luiz Paulo Pompéia, diretor da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp), cerca de 7 mil unidades de um dormitório foram lançadas somente no ano passado. “Foi o ano de maior número de lançamentos deste segmento na história do setor”, revela. As justificativas para este fenômeno são muitas, entre elas a redução do tamanho da família brasileira, o maior número de solteiros convictos, viúvos, casais com filhos adultos que venderam o imóvel grande e se mudaram para um menor, e a articipação do público homossexual. “As construtoras que pensarem em produtos voltados para este público terão muita ascensão nos próximos anos”, diz Pompéia.Nos últimos seis anos, o mercado imobiliário e a economia do país viveram uma união perfeita. Ao mesmo tempo em que havia facilidade para a compra da casa própria, com o crédito fácil e taxas de juros sedutoras, a construção civil trabalhava a todo vapor, concretizando os anseios dos consumidores e investidores. Nos anos de 2007 e 2008, a procura maior foi por apartamentos de quatro dormitórios. Agora, os imóveis da vez são os compactos de alto padrão localizados em bairros nobres, com destaque especial para os empreendimentos mixed-use, uma espécie de flat rejuvenescido.

Araújo, superintendente de Vendas da Helbor, concorda com a opinião do diretor da Embraesp, e também garante que “os apartamentos amplos estão saindo de cena para dar espaço a empreendimentos mixed-use que reúnem apartamentos, salas comerciais, hotéis, flats e centro comercial”. “Recentemente, o antigo Ca’d’oro dos anos 1950, localizado na região central de São Paulo, ganhou duas torres, uma residencial e outra comercial, que também abriga uma nova versão do hotel. Este modelo foi um sucesso de vendas e promete conquistar terras até 2013”, conta Araújo.
A Esser também tem diversos produtos de grande aceitação neste segmento. Os imóveis compactos das construtoras estão preferencialmente em bairros atendidos pelo metrô e regiões ricas ou em ascensão. “Lançamos produtos em áreas nobres de São Paulo, como Vila Madalena, Cerqueira César, Alphaville e no município de Santo André. Estamos estudando ingressar nas regiões de Vila Prudente e Largo 13 de Maio, Santo Amaro”, comenta Nick Dagan, diretor de incorporação da Esser.
Por outro lado, os empreendimentos econômicos vão continuar impulsionando o mercado imobiliário. Para o diretor da construtora MBigucci, Marcos Bigucci, “a demanda continuará intensa, pois há muitos brasileiros querendo abandonar o aluguel para realizar o sonho da casa própria”. Segundo a Câmara Brasileira da Construção Civil (CBIC), em 2012 os brasileiros devem ter R$ 160 bilhões em crédito imobiliário para adquirir seu imóvel.
O conteúdo original dessa notícia foi publicada no portal CRECI-ES

Terrorismo na França: alerta para o Brasil


Jornal do Brasil

Humberto Viana Guimarães

Muito se comentou a respeito dos sete assassinatos praticados pelo “lobo solitário” francês, de origem argelina, Mohamed Merah, nas cidades de Montauban e Toulouse, França, entre os dias 11 e 19 de março do ano em curso.
Esse não foi o primeiro caso de ataque de um fanático na França. No dia 13 de maio de 1993, na cidade de Neuilly-sur-Seine, quando era prefeito da cidade o atual presidente Nicolas Sarkosy – por estas incríveis coincidências que a História nos reserva –, um homem-bomba tomou como reféns 21 alunos da escola da cidade.
Depois de algumas negociações, o delinqüente liberou 15 crianças. Após 46 horas de infrutíferas negociações, agentes do grupo de elite do Recherche Assistance Intervention Dissuasion – RAID ("busca, assistência, intervenção e dissuasão") conseguiram tirar incólumes as seis crianças, o professor e a enfermeira que ainda estavam em poder do sequestrador que, na tentativa de se autodetonar e causar uma carnificina, foi baleado com três certeiros tiros na cabeça (bem diferente do Brasil, onde se morre o sequestrado e deixa-se vivo o sequestrador, como fatos recentes mostraram).
O tempo passou e quase 20 anos depois, surge o "lobo solitário" (ou seria o “louco solitário”?) Mohamed Merah, de origem argelina, criado sob as benesses do estado francês. 
Com um prontuário cheio de problemas desde a adolescência e com passagens pelo Paquistão e Afeganistão, onde possivelmente teve contato com fanáticos fundamentalistas islâmicos do Talibã e Al Quaeda, no dia 11 de março de 2012, na cidade Montauban, executou friamente o sargento Imad Ibn Ziaten, mulçumano, de 30 anos de idade. No dia 15 de março, ele voltou a atacar em Toulouse, cidade que fica a somente 25 quilômetros de Montauban e assassinou dois paraquedistas – Abel Chennouf, 25 anos, católico e Mohamed Legouad, mulçumano, 23 anos – e feriu gravemente um terceiro, Loic Líber, 27 anos (que continua em estado de coma). Os três primeiros são originários do Norte da África (Magreb) e o quarto é originário da ex-possessão francesa de Guadalupe.
Para surpresa geral, eis que o "lobo solitário", quatro dias depois, no dia 19 de março, atacou novamente portando sua Colt 45, na mesa cidade de Toulouse e assassinou, de surpresa e impiedosamente, quatro judeus do colégio Ozar Hatorah.
O mundo ficou chocado com o sadismo e a crueldade do extremista, pois, segundo, se conhece, ele filmou todas as execuções. Foram executados o rabino-professor Jonathan Sandler, de 30 anos, e seus filhos Gabriel, 3 anos e Aryeh, de 5. A quarta vítima, a menina Myriam Monsonego, de 8 anos, tentou escapar, mas foi alcançada pelo fanático que a executou com um tiro na cabeça.
Só após essa carnificina na escola judaica (e depois de 7 execuções sumárias), é que a polícia francesa resolveu caçar o "lobo solitário". Verdade tem que ser dita, entre o primeiro assassinato perpetrado pelo fundamentalista islâmico, dia 11/03 até 19/03, passaram-se 8 dias, com o agravante de que das sete execuções, uma foi em Montauban e 6 foram em Toulouse, cidades distantes somente 25 quilômetros.
Pergunta-se: por que a polícia francesa não agiu logo após o primeiro assassinato em Montauban, evitando assim a matança em Toulouse? Somente no dia 21 de março, através do IP do computador do terrorista é que o RAID conseguiu localizar e cercar Mohamed Merah.
Usando de forma blasfema o sagrado livro do Corão e as palavras do profeta Maomé (que a paz e a benção de Deus estejam com Ele), o terrorista afirmou, entre outras coisas que estava vingando a morte de crianças palestinas pelo governo israelense e que não se entregaria vivo. Acuado pelo RAID, no dia 22 de março resolveu enfrentá-la em um cerrado tiroteio para tentar fugir ao cerco policial quando foi abatido por um atirador de elite.
Desse ocorrido, o Brasil, com dois próximos grandes eventos internacionais em 2014 e 2016, Copa do Mundo e Olimpíada, respectivamente, que favorecem grandes aglomerações, deve fazer uma profunda reflexão e desde já preparar-se para combater de forma rigorosa as ações desses “lobos solitários”.
É ingenuidade total das nossas autoridades pensarem que o Brasil está isento do ataque desses loucos. O exemplo mais contundente da ação desses fundamentalistas foi a prisão em Curitiba de dois suspeitos de incitar a violência contra minorias, inclusive com ameaças de morte a um parlamentar e ataque a estudantes da Universidade de Brasília (tinham até mapas do possível ataque).
Imaginemos o tamanho da carnificina que teria havido, se a Polícia não tivesse agido com presteza. E outros mais “loucos solitários” estão por aí e o estado tem a obrigação e o dever de combatê-los. Essa gente tem que ser caçada e presa para que não fique livre para agir e a França resolveu agir com uma grande ação no dia 30/03 em Toulouse. É tolerância zero e ponto final!
O lema do RAID é "Servir sem errar". Que o Brasil aprenda a lição do ocorrido na França.
Humberto Viana Guimarães é engenheiro civil e consultor, formado pela Fundação Mineira de Educação e Cultura, com especialização em materiais explosivos, estruturas de concreto, geração de energia e saneamento 

"Máfia do jogo" foi a prédio de Demóstenes


Telefonema gravado pela Polícia Federal revela encontro entre integrantes do esquema

AEREVISTA ISTO É.
AgenciaBrasil060312_JFC3171.jpg
Grampos da Polícia Federal indicam que o prédio funcional em que mora o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) em Brasília servia de ponto de encontro para reuniões da cúpula da máfia dos caça-níqueis em Goiás e no Distrito Federal. Em conversas interceptadas durante a Operação Monte Carlo, o sargento Idalberto Matias de Araújo, o Dadá, apontado como um dos operadores de Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, relata uma reunião de integrantes do esquema no local.
No telefonema de 17 minutos, gravado no dia 21 de dezembro de 2010, Dadá diz a Lenine Araújo de Souza - segundo homem na hierarquia da organização, responsável pela administração contábil do grupo, conforme a PF - que está no Bloco C da Quadra 309, na Asa Sul, em Brasília. Trata-se do chamado bloco dos senadores, onde Demóstenes e outros parlamentares ocupam apartamentos funcionais cedidos pelo Senado.
"Está aonde", pergunta Lenine? "Aqui na 309, Bloco C, no estacionamento, na Sul, na Asa Sul", responde o sargento. Segundo as transcrições do diálogo,  também foram ao bloco Cachoeira, ao qual Dadá e outros integrantes do grupo se referem como "o homem"; Cláudio Dias de Abreu, citado no inquérito da operação como sócio do empresário em negócios ilegais; e Wladimir Garcez Henrique, que seria seu braço-direito, encarregado de obter facilidades nas polícias Militar e Civil de Goiás. O bloco C e o Bloco G, onde mora Demóstenes, são conjugados, unidos, e possuem um estacionamento comum.
Eram cerca de 16h40 e, na conversa, Dadá dizia estar em frente ao prédio desde a hora do almoço. "O homem está aqui, Cláudio está aqui, não posso sair", explicou a Lenine, que o questionava sobre sua ausência em outro compromisso.
Demóstenes estava em Brasília no mesmo dia da reunião, conforme os registros do Senado, tendo discursado em plenário no fim da tarde. Procurado nesta terça o advogado do senador, Antonio Carlos Almeida Castro, o Kakay, não se pronunciou sobre esse trecho das gravações.
Segundo o inquérito, após o encontro no prédio dos senadores, o grupo seguiu para reunião com um advogado. Não fica claro quem é o profissional. "Encontramos com o homem aqui na 309. A gente está indo lá pro Gustavo, advogado no Lago Sul", afirma o sargento.
ANAC
O inquérito da Monte Carlo comprova a extensa teia de relações do grupo, que se valia de contatos nos mais diversos órgãos para emplacar seus interesses. Numa das conversas, Gleyb Ferreira da Cruz - elo de Cachoeira com o delegado da PF Deuselino Valadares, também preso na Monte Carlo - comenta com um interlocutor sobre a possibilidade de "entrar com um interesse" na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para resolver um negócio de R$ 300 mil.
Em outra, Dadá telefona para um policial federal pedindo que obtenha, em tempo recorde, passaporte especial ou diplomático para um desembargador. O agente responde que tentará resolver o assunto no Itamaraty.
Segundo o inquérito, Cachoeira controlava o jogo não só em Goiás, mas no Distrito Federal. O dinheiro obtido como comissão de operadores das casas de jogos era "lavado" em diversas empresas, boa parte em nome de laranjas. Dadá identificava e coordenava o fechamento de casas concorrentes, algumas em áreas nobres da capital federal, como o Lago Sul e Plano Piloto.
Ele também era o elo entre Cachoeira e funcionários da Receita e da Infraero para obter facilidades na entrada de integrantes do grupo com mercadorias pelo Aeroporto de Brasília.