terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

À mão armada


07 de fevereiro de 2012 | 3h 06

FONTE: ESTADÃO
DORA KRAMER - O Estado de S.Paulo
O governador da Bahia, Jaques Wagner, não é o primeiro nem será o último a enfrentar uma das piores situações a que pode ser submetida uma população: rebeliões de agentes responsáveis pela segurança do público.
Já aconteceu em Minas Gerais, no Ceará, em São Paulo, ameaça acontecer no Rio de Janeiro. Sem entrar no mérito dos antecedentes até por ausência de dados precisos sobre as circunstâncias de cada um deles, Wagner, contudo, depara-se com a peculiaridade de pertencer a um partido que há dez anos, quando oposição, apoiou o que com propriedade agora chama de "levante", na mesma Bahia hoje governada por ele.
Sejam greves ou movimentos de protesto, não podem ser vistos como fenômenos naturais da democracia por uma diferença essencial em relação a tantos outros. Trata-se de manifestantes armados no exercício da obstrução do direito fundamental de ir e vir (com vida) do cidadão que espera deles proteção. Por obrigação funcional.
Já o Estado, detentor do monopólio do uso legal da força, tem o dever de garantir o cumprimento da lei e a manutenção da ordem.
Posição conservadora, de direita? Era o que dizia o PT quando longe das obrigações governamentais e o que ainda alega quando o problema não lhe atinge diretamente os calos.
Violência não tem ideologia, bem como agressões à legalidade são uma afronta ao Estado de Direito de qualquer ângulo ou sob quaisquer justificativas.
Reivindicações todos têm. Mas nem todos detêm o poder de recorrer ao terror como fizeram policiais baianos ao invadir ônibus, obrigar os passageiros a descer e tumultuar a cidade de Salvador na semana passada.
Movimentos grevistas aceitáveis não levam pânico à sociedade. De uma só vez não paralisam as aulas, não fecham o comércio, não provocam o cancelamento de shows, não afugentam turistas e, sobretudo, não provocam um aumento de 130% nos crimes de homicídio no período de seis dias.
Não ocupam uma assembleia legislativa, fazendo crianças e familiares de escudo, nem dão abrigo a gente com prisão decretada pela Justiça. Foragidos, pois.
O governador Jaques Wagner não tem se notabilizado pela eficiência da política de segurança pública. Os índices de criminalidade na Bahia cresceram na sua gestão.
Pode-se também criticá-lo por ter sido surpreendido com a magnitude do movimento e, além do mais, enquanto estava ausente em Cuba, vestido a caráter, em guayabera, trocando amabilidades com o regime Castro e já de agenda marcada para, na volta, visitar barracões de escolas de samba no Rio de Janeiro.
Mas não dá para lhe tirar a razão quando se recusa de antemão a anistiar os revoltosos e quando se refere como "bandidos" aos que, armados, disseminam o desvario tentando sobrepor suas vontades ao bem-estar da população.
O uso político-eleitoral do episódio é outro aspecto dos mais lamentáveis e inaceitáveis. Ah, o PT faz isso? Sempre que está ao seu alcance. Na greve baiana de 2001, Lula chegou a acusar o então governador César Borges (DEM) de incentivar o levante para jogar os policiais contra a população.
Não há mérito nessa lógica, também muito usada pelo PT, de que o erro quando coletivo adquire feição de acerto. O "todo mundo faz" é primo-irmão da falta de argumento, do desapreço ao discernimento, do menosprezo pela obediência à lei como fator de soberania democrática. Quem pega carona no discurso fácil de atacar o adversário apenas pelo fato de ser adversário, não raro diz besteira.
"Acusar" o governador de recorrer ao Exército para intimidar, se não reprimir, a materialização da transgressão inscreve-se entre uma das mais robustas.
Saber administrar o melhor desfecho, dentro dos parâmetros da lei, é da responsabilidade do governador. Critique-se se o fizer ao molde do abuso de poder.
Mas sem perder de vista de que lado está a legalidade: do governo eleito para, entre outras obrigações, impedir que a baderna se instaure e que grupos se apropriem de funções exclusivas do Estado; e da Justiça, cujas decisões quando não cumpridas configuram, aí sim, a barbárie.

Harmonia planejada com feng shui I



Tons aconchegantes e a mistura de materiais marcam projeto de apartamento

Ambientes integrados para ampliar a comodidade na hora de receber parentes e amigos, com decoração leve e contemporânea guiada pelos preceitos de uma filosofia oriental milenar. Assim se apresenta este apartamento de 125 metros quadrados, localizado no bairro Moinhos de Vento, em Porto Alegre, depois da execução do projeto assinado pela designer de interiores Gabriella Valentim e pela arquiteta Elisa Sebben, do escritório Studio Mais Arquitetura.
feng shui
Tudo começou com o mapa magnético da casa, que incluiu os proprietários com seus dois filhos jovens, realizado pela arquiteta Ruth Sebben Massuco, conforme a técnica do feng shui denominada estrelas voadoras. Baseadas no trabalho, Gabriella e Elisa exploram tons aconchegantes e a mistura de materiais para criarem suas propostas, aliando conforto com vibrações energéticas favoráveis à prosperidade.
– Como o dono é de origem japonesa, uma exigência foi trabalhar com o feng shui na arquitetura e na ambientação para harmonizar as energias. Isso determinou o uso de cores, materiais e a disposição dos móveis. Outro pedido foi integrar a cozinha com a área social para aproximar o gourmet dos convidados – diz Elisa.
feng shui
Cozinha
Na cozinha de 19,5 metros quadrados, o destaque é a representação do elemento metal no aço escovado dos eletrodomésticos e para a vibração do elemento fogo no vermelho das pastilhas de vidro da parede. Pedido do proprietário, a adega climatizada, disposta ao lado da geladeira, comporta até 120 garrafas. Em melamina alumínio, o painel da TV repete a largura da mesa na copa.
Para remeter ao elemento terra, cuja energia oportuna atrai boa saúde e fortuna, as paredes do living de 40 metros quadrados foram pintadas de tom café-com-leite, combinando com o areia do porcelanato no piso. Aplicado até a altura de 1,1m, papel de parede com palha natural valoriza a divisória do jantar, que recebeu espelho para rebater a entrada de fluidos negativos.
feng shui
Marrom aquece os espaços
Representante do elemento metal, no qual a boa vibração traz produtividade e promoção, o branco surge no forro de gesso de linhas retas, na camurça das banquetas do estar e na laca branca dos rodapés e do painel da TV. Encarrega-se de quebrar a neutralidade e aquecer visualmente os espaços o tom marrom. A cor surge no laminado padrão fresno-escuro da bancada e dos painéis do estar, no sofá e na base em madeira escura da mesa de jantar. Posicionada perto da janela – onde futuramente será colocada uma fonte para movimentar a energia da água, da fortuna e da sabedoria –, a palmeira ráfis reforça o elemento madeira, que ativa a criatividade e o romance, enquanto o tom vermelho, presente no quadro, alude ao fogo, benéfico para êxito, sucesso e promoção.
feng shui
Para integrar a cozinha com o living, a antiga porta foi retirada, ampliando a circulação. Unificado pelo branco do mobiliário, o espaço ganhou copa com TV para intensificar a convivência familiar.
ZERO HORA  -  CASA&CIA

Veja dicas para aplicar feng shui na sua mesa de trabalho



Especialista explica o posicionamento adequado dos objetos e diz que rendimento pode mudar em 24 horas

Seu serviço não está rendendo? Você não se sente bem no ambiente de trabalho? Isso pode mudar com o a aplicação de feng shui na sua mesa de trabalho. A técnica milenar chinesa se propõe a harmonizar ambientes a partir da disposição dos objetos. Com ele, é possível deixar o escritório mais equilibrado, melhorando a qualidade do que você produz.

Segundo a consultora Lucímara Strada, é possível transformar seu ambiente de trabalho em lugar melhor por meio da análise dos Cinco Animais Celestiais. Cada animal está associado a um dos cinco elementos e aos pontos cardeais: tartaruga ao norte, dragão a leste, tigre a oeste, fênix ao sul e serpente ao centro. Os objetos sobre a mesa do escritório, conforme suas funções, representarão esses pontos. O segredo da aplicação da técnica está na reorgnização de itens comuns como porta-lápis ou cartões de visita como se eles fossem a tartaruga, o dragão, o tigre e a serpente tendo como ponto de referência a sua cadeira.

A serpente deve ficar ao centro. Como esse animal representa o homem, olhando para frente, em estado de alerta constante, ele é o ponto central do reposicionamento dos objetos. Você, portanto, é a serpente.
Posicionado o ofício, partimos para o dragão. Como o ponto de referência é visto de frente, o dragão, que fica no leste, deve ser posicionado à sua esquerda. Dentro desta perspectiva do feng shui, o animal simboliza a reflexão e a tomada de decisões. De grande porte, o dragão é, em uma paisagem, representado por uma montanha ou um edifício mais alto. Na sua mesa, portanto, a ideia é aplicar essa regra de posicionamento a objetos mais altos. Portanto, porta-lápis, vasos com plantas e luminárias de chão devem ficar junto à mão esquerda.
O tigre fica à sua direita evoca a força física, a violência, a agressividade e o empreendedorismo. Para dar conta dessa agilidade toda, recomenda-se evitar coisas altas deste lado.

melhore seu ambiente de trabalho com o feng shui

Fluxos: o que você recebe e o que você executa
Como no feng shui, a regra é o movimento, vale a pena repensar seus objetos com a ajuda dos Cinco Animais adequando também a disposição de objetos à rotina de tarefas.
Tudo que envolva recebimento e reflexão fica do lado esquerdo e tudo que envolva execução do lado direito. Coloque livros de estudo, por exemplo, a sua esquerda. Já cadernos e blocos de anotações ficam a sua direita. Associe coisas para consolidar ao lado esquerdo e coisas para expandir, ao direito. Por essa lógica, fotos da família devem ser colocadas à sua esquerda e seus cartões de visita e materiais de divulgação, à sua direita.

À sua frente está a fênix, que representa nossa capacidade de visão para coletar informações sensoriais acerca de nosso ambiente e dos fatos que ocorrem nele. Por isso, a especialista acredita que pessoas com empregos que necessitem de criatividade não devem se sentar de frente para a parede. O ideal é que a frente da mesa esteja voltada para um local aberto, como uma janela.
Quem tem trabalhos que envolvam concentração, rotina e formatação pode se sentar de frente para uma parede.
Proteção
A tartaruga está às suas costas e representa estabilidade e segurança. Tente deixar suas costas "protegidas" no trabalho. Procure um apoio alto nas costas, como uma poltrona de encosto alto ou uma parede ou divisória. Outra dica: coloque um vasinho com um cactos perto da tela do seu computador. A planta ajuda a minimizar as radiações eletromagnéticas.

Se você acha que a pessoa sentada a seu lado no trabalho está prejudicando seu desempenho ou colocando olho gordo em você, coloque uma drusa de quartzo rosa ou uma turmanila negra entre vocês. Com capacidade de absorção elas ajudam a limpar o ambiente das energias ruins.
melhore seu ambiente de trabalho com o feng shuis




















Lucímara Strada pede que se tenha cuidado ao colocar sobre a mesa objetos com movimento, como fontes d'água e relógios pêndulos. É preciso fazer um estudo mais aprofundado do ambiente antes de posicionar estes objetos. 

Última dica
Nunca deixe a mesa de trabalho bagunçada. A organização ajuda a expandir e clarear as ideias. Use pastas e porta-arquivos, por exemplo, para organizar seu material. Ainda de acordo com Lucímara, seguindo essas técnicas, você poderá sentir as mudanças em sua vida em 24 horas. 

Há muito Estado nos aeroportos privatizados


Enviado por Míriam Leitão - 
7.2.2012
 | 
10h17m
NA CBN


É uma privatização com muito Estado essa dos aeroportos. No caso de Guarulhos, por exemplo, o grande vencedor foi o consórcio liderado pela Invepar, que tem mais de 80% do capital controlado por fundos de pensão de estatais. Além disso, o investimento será financiado pelo BNDES. E como a Infraero terá 49%, fará parte do pagamento do custo. Sairá de um bolso do governo para outro, portanto.
Essa privatização tem o mesmo defeito da dos tucanos: ter Estado demais para garantir a entrada dos grupos privados. A vantagem, agora, é que há estrangeiros, mas os maiores, com conhecimento e capacidade de operação de aeroportos, ficaram de fora, ganhando os operadores médios.
No caso de Brasília, o vencedor - Corporación América - opera aeroportos na Argentina, mas lá há histórico de baixo investimento. O grupo brasileiro que está com eles (Engevix), também ganhou o leilão do aeroporto de São Gonçalo do Amarante, no Rio Grande do Norte, mas não está conseguindo fazer o projeto de financiamento.
Já a empresa brasileira que ganhou o leilão de Viracopos - muito importante, cercado de empresas - foi a mesma que ganhou a rodovia dos trabalhadores, em São Paulo, mas não conseguiu levar adiante, por não ter apresentado garantias em 2008.
Há dúvidas, insegurança, mas ao mesmo tempo, esperanças de que, com a entrada do capital privado, comece a modernização dos aeroportos brasileiros.
Conversei com especialistas de logística e de aeroportos. Como os grupos se comprometeram com ágios muito altos, eles temem que possam faltar recursos para fazer a gestão, aumentar a eficiência.
Especialistas estão um pouco preocupados, portanto. Acham que são grupos que não têm experiência e massa crítica para assumir compromissos tão grandes. Os que têm mais ficaram com medo de chegar naqueles preços - fizeram ofertas altas, mas menores do que as vencedoras.
O PT, que demonizou as privatizações, agora fez uma. Há boas iniciativas, por exemplo, como a ideia de que os grupos terão de pagar parte a um fundo que investirá em aeroportos não rentáveis do país. Isso pode dar certo.

Demanda local impulsiona mercado imobiliário de alto luxo no Brasil

Imóveis com preços na casa dos milhões se beneficia de queda de juros, mais crédito, economia aquecida e visibilidade do país com megaeventos.

02 de fevereiro de 2012 | 13h 09
FONTE: ESTADÃO



















mercado imobiliário de alto luxo vem se expandindo no Brasil, com aumento da demanda 
no Rio e em São Paulo e crescimento também fora dos grandes centros, pressionando os preços para cima e gerando valorização recorde.

No Rio de Janeiro, os preços dos imóveis de alto padrão no Rio subiram aproximadamente 200% nos últimos cinco anos, enquanto imóveis de outras categorias tiveram incremento médio de 150% na cidade, segundo Leonardo Schneider, vice-presidente do Sindicato da Habitação do Rio (Secovi-Rio).
É na orla de Ipanema e do LeO blon que estão os metros quadrados mais caros do Brasil, estima Luiz Paulo Pompéia, diretor da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp). Nos dois bairros, os mais cobiçados do Rio, o metro quadrado de um apartamento de frente para o mar custa em média R$ 40 mil atualmente, podendo chegar a R$ 51 mil, de acordo com o Secovi-Rio.
Para Frederico Judice Araújo, o mercado de alto luxo do Rio está se beneficiando mais do que a média brasileira em função dos megaeventos que acontecerão nos próximos anos e dos investimentos em infraestrutura e segurança que vêm a tiracolo. Ele é membro da família proprietária da Judice & Araujo, imobiliária especializada em imóveis do segmento.
"Assim como mercado financeiro antecipa movimentos de empresas para comprar ações, o mercado imobiliário antecipou o movimento de melhora da cidade como um todo. O Rio vai melhorar muito para poder receber esses grandes eventos e isso tem um impacto direto no mercado imobiliário", diz, citando investimentos como a expansão do metrô até a Barra da Tijuca, na zona oeste, e a política de segurança pública das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), que buscam expulsar o tráfico armado de favelas.
"O momento é inedito, nada se compara. A Judice está há 36 anos no mercado (fluminense) e nunca vimos um momento tão bom no Rio. Desde que o Rio deixou de ser capital, ficou meio largada durante muitos anos, e agora vem retomando uma posição mais forte."
O imóvel mais caro que a empresa oferece no Rio no momento é um apartamento de 1.600 metros quadrados na praia de Ipanema, à venda por R$ 64 milhões.
Para José Conde Caldas, presidente da Associação de Empresas Dirigentes do Mercado Imobiliário (Ademi), o mercado carioca está passando a ser um mercado nacional e até internacional, atraindo compradores de outros estados e também de fora do país.
"O Rio hoje é a bola da vez. Muita gente quer voltar a morar na cidade. Isso existiu no passado, nos anos 1960, quando o Rio era muito procurado. Mas depois veio uma sucessão de maus governos e as pessoas queriam ver o Rio de costas."
Conde Caldas, que é dono da construtora Concal, diz ter presenciado um exemplo desta tendência dois anos atrás, quando lançou um empreendimento de luxo de frente para a praia de Ipanema, com seis apartamentos de a partir de R$ 7 milhões cada. Quatro deles foram comprados por pessoas de fora da cidade.
"Eu quis conhecer os compradores para saber por que estavam comprando no Rio. Eram pessoas com negócios que estavam indo muito bem e queriam comprar o apartamento como investimento, e para ter uma casa de veraneio no Rio", conta.
Internacionalização
O segmento de casas, apartamentos e coberturas com cifras na casa dos milhões se beneficia de fatores como a queda de juros, o maior acesso a crédito, a economia aquecida e a grande visibilidade do Brasil diante da Copa e da Olimpíada de 2016, lista Judice Araujo. Ele observa que o mercado também vem sendo impulsionado pelo aumento do poder aquisitivo de partes da população.
"Vemos o crescimento da classe média, mas também a subida da classe média para a média alta e a classe alta prosperando. Isso tem um impacto positivo no mercado de alto padrão. Vemos nitidamente que mais pessoas têm tido condições de comprar um imóvel maior ou uma segunda moradia de veraneio", diz Judice Araujo.
A empresa é a afiliada no Rio da Christie's Great Estates, braço imobiliário da casa de leilões que entrou no Brasil em 2007. No ano seguinte foi a vez da Sotheby's International Realty, da casa de leilões rival, também britânica, que estabeleceu escritório em São Paulo.
A entrada de ambas no mercado nacional reflete o maior interesse internacional por imóveis de alto padrão no país. Mas seu crescimento vem sendo impulsionado pela demanda interna, afirma o diretor da SIR no Brasil, Fábio Rossi, que tem planos de triplicar as vendas da empresa nos próximos três anos, a partir da descentralização.
A empresa atualmente tem escritórios em São Paulo e Porto Alegre. Nos próximos três anos, a meta é abrir escritórios em 15 cidades de médio porte no Brasil.
"Vamos para 15 cidades com população acima de dois milhões de habitantes, nas quais identificamos potencial de mercado para esse segmento. A nossa meta é ter vendas da ordem de R$ 1 bilhão no Brasil nos próximos três anos", diz Rossi.
A empresa vem apresentando crescimento de 15% ao ano, diz Rossi, e 95% das vendas são para brasileiros. Mas o interesse de compradores estrangeiros no país vem aumentando, diz Rossi, que acredita que o mercado de luxo no Brasil caminha para uma maior internacionalização.
"Em cidades como Nova York, Milão e Londres, os estrangeiros chegam a representar 30% do mercado, o que mostra que temos um grande potencial de crescimento no Brasil", diz.
De acordo com Rossi, a procura de imóveis de alto padrão aumentou também entre investidores, tendência que atribui às turbulências na economia mundial após a crise financeira de 2008.
"O mercado imobiliário se mostrou como o lugar mais seguro e como o melhor investimento. Algumas ações viraram pó, o imóvel não. O imóvel bem localizado, de luxo, subiu de preço. Todo mundo fala que o mercado imobiliário americano está caindo, mas em Nova York, em frente ao Central Park, os preços continuam subindo. A Grécia está quebrada, mas o imóvel de luxo lá está mais caro", exemplifica.
Descentralização
Rio e São Paulo são os principais mercados para empreendimentos milionários, mas o aumento da procura no Nordeste tem sido substancial, afirma Francisco Próspero, diretor executivo da In's no Brasil. A empresa portuguesa atua no Nordeste há dez anos, com sede em Fortaleza, e em 2010 tornou-se afiliada da Christie's Great Estates. O faturamento vinha crescendo em 20% ao ano, e no ano passado superou os 30%.
Até três anos atrás, Próspero diz que o público-alvo da empresa eram sobretudo europeus, como alemães, ingleses, italianos e nórdicos. Hoje, os brasileiros ultrapassaram os estrangeiros e são responsáveis por cerca de 60% das vendas da empresa.
"Com o crescimento da economia no Brasil, as pessoas aqui estão com uma maior capacidade financeira, ao contrário do que ocorre na Europa, dado o contexto internacional da economia", diz. "São compradores do Nordeste, São Paulo, Brasília, Pará, tanto pessoas que compram como uma segunda residência para passar férias ou como um investimento", diz.
De acordo com Próspero, o portfólio da In's tem cerca de 250 imóveis de alto padrão nos estados que representa - Ceará, Maranhão, Piauí e Pará. "São coberturas com piscinas nas capitais, apartamentos de mil metros quadrados em condomínios de luxo com vista para o mar, casas de praia, fazendas de recreio com cavalos e lagos", exemplifica.
Os preços dos imóveis de alto padrão nesses estados variam de R$ 1 milhão a R$ 8 milhões, estima Próspero. Já no Rio, o patamar é bem mais alto.
No Rio e em São Paulo, o valor dos imóveis é puxado para cima pela falta em bairros cobiçados onde não há espaço para novas construções e escassos lançamentos imobiliários. Mas a alta de preços não assusta as empresas que atuam no setor. Afiliada da Christie's em São Paulo, a Coelho da Fonseca teve crescimento de 35% em 2011 e tem meta de crescimento de 50% para este ano.
Segundo Fernando Sita, diretor geral de vendas da Coelho da Fonseca, a redução da taxa de juros e o maior acesso a crédito também vem estimulando a compra de imóveis pela classe AA.


Os homens que vendem o luxo (Imóveis)


Seleto time de corretores de imóveis de altíssimo padrão desenvolve técnicas próprias para seduzir milionários e fazer fortuna no mercado imobiliário brasileiro.

Por Hugo CILO - Isto É Dinheiro
Recentemente, o diretor-geral de vendas da imobiliária Coelho da Fonseca, Fernando Sita, recebeu de um potencial cliente uma curiosa lista de exigências. O comprador queria uma casa com mais de 500 m² de área construída no Jardim Europa , com um local coberto para 18 carros, biblioteca e espaço para leitura, poltronas em couro, tapete persa e frigobar. O pedido não soaria estranho se o cliente não quisesse tudo isso dentro da garagem. “O grande prazer da vida dele é observar seus empregados lavar e polir sua coleção de automóveis  raros”, diz Sita. “Como para nós pedido feito é pedido atendido, encontramos o imóvel que satisfazia às necessidades dele e fechamos negócio por R$ 30 milhões.” 
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Corretores para poucos: da esq. para a dir., Fernando Sita, Ally Murade e Fábio Rossi.Eles sabem onde estão os imóveis dos seus sonhos, seja qual for o sonho.
Outras condições, digamos, mais prosaicas para a venda milionária, incluíam quartos com varandas amplas, churrasqueira e piscina quente e fria. O que para um profissional comum pode  parecer uma missão impossível é rotineiro na vida dos corretores de alto luxo no País. Os homens e mulheres que atuam nesse segmento de imóveis acima de R$ 3 milhões desenvolveram nos últimos anos estratégias peculiares para conquistar clientes endinheirados – além de superexigentes – e fechar contratos que podem render comissões milionárias. Como o percentual padrão é 6% do valor da venda, um único contrato de R$ 30 milhões rende R$ 1,8 milhão ao corretor. 
A comissão e o sucesso dos profissionais do luxo imobiliário é proporcional ao empenho de cada um deles. O advogado tributarista Ally Murade fez fortuna nos últimos 30 anos defendendo os interesses de grandes empreiteiras brasileiras e multinacionais que atuam no País, mas descobriu na corretagem de imóveis de luxo o caminho para multiplicar seu patrimônio. Ele passa o dia em reuniões com CEOs de grandes companhias, frequenta eventos sociais quase que diariamente e convida altos executivos para encontros informais em seu suntuoso apartamento de cerca de 600 m², avaliado em R$ 10 milhões, no bairro paulistano do Pacaembu. 
 
Tudo para manter o bom desempenho de seu escritório, um dos maiores do País no ramo tributário, e garantir a prosperidade à Murade Empreendimentos Imobiliários, empresa que criou há dois anos para atender à demanda de seu círculo social. “Ser um corretor de imóveis de alto luxo não é para qualquer profissional da área”, afirma Murade, que vende cinco imóveis por mês, em média. “É preciso fazer parte desse mundo e ter uma boa reputação.” Tão desafiador para os corretores de luxo quanto conquistar uma venda é conseguir mapear com precisão cirúrgica a necessidade do comprador, um exercício diário que vai muito além das exigências básicas de apresentar cômodos espaçosos, acabamento de qualidade, segurança e ótima localização. 
 
“Quem pode gastar milhões de reais em uma casa quer o que há de melhor para poder usufruir todo o status e poder que seu dinheiro pode proporcionar”, afirma Murade, que possui hoje uma carteira de 178 apartamentos que custam de R$ 3,5 milhões a R$ 18 milhões. Além de estar antenado às exigências e aos caprichos dos seus clientes, os corretores de luxo costumam praticar também assessoria financeira. De tempos em tempos, negociam com os bancos as melhores taxas e condições para quem financia o imóvel. “O conceito de que só financia quem não tem dinheiro já acabou”, afirma Murade. 
 
“Hoje, 70% dos compradores tomam emprestado parte do valor, com taxas muito atrativas, mesmo que tenham dinheiro para pagar à vista.”  Outro ponto a favor dos imóveis é a solidez do setor como investimento. “O mercado imobiliário se mostrou como o lugar mais seguro e como o melhor investimento”, diz Fabio Rossi, CEO da Sotheby’s. Segundo a Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp), o mercado de imóveis de luxo tem crescido acima de 30% anualmente, em média, nos últimos cinco anos, e deve acelerar a expansão em 2012 graças ao surgimento de novas fortunas e aumento do crédito. A julgar por essa pujança do setor de imóveis de alto luxo no País, o sucesso e a riqueza dos profissionais do segmento premium estão garantidos.
 
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